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SAMBA-ENREDO MANCHA VERDE 2022
por Bruno Malta
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vice-campeã de 2020 apresenta um enredo sobre Água.
Baseado na música de Guilherme Arantes, a intenção
do tema é mostrar toda a importância desta na vida do ser
humano. Além disso, também apresenta suas vertentes como
a questão religiosa com orixás como Oxum, Iemanjá
e Oxumaré citado e a questão física com os rios,
as cachoeiras, os mares e os moinhos. Por fim, enfatiza a necessidade
de preservação do item para que o mundo seja um lugar
melhor. Tudo isso com pano de fundo na inspiração musical.
Inspiração musical da Mancha Verde Água fonte da vida Abençoada por Oxum, senhora das águas que deságuam numa corrente de fé num cenário brasileiro sob os olhos de Tupã Molha a terra e trás o sustento, transforma solo seco em grande emoção, ao som da viola acendo a fogueira para a colheita comemorar Ouço do céu um trovão, o relampejar ilumina céu e mar. Iara mãe d’água, Odoya Sereia do Rio, Rainha do Mar. Gotas de água, nuvens de algodão, logo após a tempestade Oxumaré na plantação As chuvas são lágrimas na inundação, reflexo do descaso do homem em poluir sem pensar no amanhã. Essência da vida, seiva dos deuses, força divina, somos formados por uma vasta porção de água, a mesma do nosso planeta, moinhos movidos pelo ciclo da vida Samba-Enredo Gravação do Estúdio Samba ao vivo
Compositores: Márcio André Filho, Marcelo Lepiane, Lico Monteiro, Rafael Ribeiro, Richard Valença, João Perigo, Solano Mota, Leandro Thomaz, Telmo JB, Lanza Muniz Moraes e Rosali Carvalho Intérprete: Fredy Vianna Letra do samba Óh mãe Eu vejo a vida refletir em teu espelho Vim pedir os teus conselhos pra alma lavar Em prece, deixei o meu pranto para o Deus Sol quarar Eu pedi que o céu levasse Esperança pro sertão, acordes de viola Pra colher a plantação Luz dos olhos doces de sereia Encontra o balanço da maré Revela o encanto… Estende seu manto num canto de fé! Iemanjá! Iê! Iemanjá! Rainha das ondas, senhora do mar! Iemanjá! Iê! Iemanjá! No azul dos teus mistérios, eu também quero morar Nem tudo que deságua é tempestade Nem todo choro é saudade Vejo o mundo em outras cores Lágrimas que encharcam esse chão Fertilizam a semente Sob as nuvens de algodão Ciclo da vida move moinhos Tantos caminhos pra um dia voltar À terra, deixando um clamor pra humanidade A nobre missão de preservar Nosso futuro, nosso lar! Água de benzer…purificar Água da fonte do rio que corre pro mar Planeta Água, nascente da vida Sou Mancha Verde e mato a sede na avenida Análise A Mancha Verde no próximo desfile traz para a avenida o enredo “Planeta Água”. Baseado na música homônima de Guilherme Arantes, a temática teve um texto de sinopse curtíssimo que apenas sublinhou os momentos chave (Os orixás Oxum, Iemanjá e Oxumaré e os pontos principais do que será apresentado que envolvem a seca no sertão, os rios, os mares e a preservação da água). Com isso, os sambas concorrentes, entre eles, o escolhido, conseguiram interpretar de diversas formas sem cair ou beber (já pedindo perdão pelo trocadilho) demais da fonte da inspiração musical. A obra foge do padrão clássico do 10–4–10–4 e traz três refrães, sendo dois em sequência na parte final e tem os autores Márcio André Filho, Marcelo Lepiane, Lico Monteiro, Rafael Ribeiro, Richard Valença, João Perigo, Solano Mota, Leandro Thomaz, Telmo JB, Lanza Muniz Moraes e Rosali Carvalho, uma parceria que é bastante desconhecida no público paulistano da folia e conseguiu sua primeira vitória de destaque por essas bandas. Feita a introdução, é hora de falarmos propriamente do samba. Na primeira parte, aparece o principal destaque melódico. Normalmente, a maioria das parcerias começa a estrofe com versos menos densos para dar fôlego para o canto. Não é o que acontece por aqui. Repetindo o efeito “É Pedra Preta” em Grande Rio 2020, a composição traz um desenho caprichado para sustentar o bonito “oh, mãe, eu vejo a vida refletir a vida em teu espelho”. Mesmo que este verso tenha sublinhado que esse “mãe” se refere a orixá Oxum, ele poderia ter sido mais bem elaborado, facilitando a interpretação e evitando ambiguidades como Mãe Natureza ou até o próprio mar (-0,1 adeq.). A partir daí, a letra é bem pensada, mas segue, efetivamente, um padrão onde o eu-lírico é severamente comprometido. Por vezes, é difícil demais entender (e até aceitar!) quem narra o enredo — mesmo que isso seja futuramente revelado no refrão principal. De toda forma, destaco alguns versos que trazem saídas melódicas fora do habitual em São Paulo como “Eu pedi que o céu levasse esperança pro sertão” que tem várias mudanças de tom — o verso começa para baixo, mas sobe na entonação a partir de esperança — que dão fôlego para a obra, mesmo que pareça difícil de se interpretar em primeiras audições. No entanto, a construção acaba fazendo mudanças muito bruscas em momentos da história. Na mesma estrofe, saímos do sertão e da viola diretamente para sereia e canto de fé. Não há contextualização. São apenas elementos do enredo que foram citados sem se conectarem entre si, de que forma uma lista (-0,1 adeq.) No refrão central, a obra tem uma saída que considero interessante, mesmo que dê espaço para a crítica. A duplicidade do “Iemanjá! Iê! Iemanjá!” é válida para reforçar o “chamado” para a orixá e complementa bem o verso anterior da primeira, mas a repetição do desenho melódico é desnecessária já que o efeito do bis do verso em si já serviria como mensagem, o que acaba desvalorizando a unidade (-0,1 div.mel). Na segunda estrofe, a composição parte para mostrar outras vertentes da água (a chuva, o choro, as nuvens, os moinhos e etc.) e consegue de forma satisfatória, sem cair no efeito lista, visto anteriormente. Apesar disso, o verso “vejo o mundo em outras cores” se torna jogado no contexto já que não conversa com o anterior “Nem todo choro é saudade” e nem com o seguinte “Lágrimas que encharcam esse chão” que abre o novo trecho da explanação. Fica isolado ali, sem sentido. (-0,1 fid.). Um outro exemplo de verso desconexo é justamente o que antecede o segundo refrão. O verso “tantos caminhos pra um dia voltar” não direciona o que quer dizer. Percebam: “Ciclo da vida que move moinhos” fecha a ideia citada de outras vertentes da água. Ela é a vida em vários lugares. Na chuva, no choro, nas nuvens, nos moinhos e tudo mais. E aí o verso seguinte é “Tantos caminhos pra um dia voltar” que não especifica se fala dos caminhos da água ou dos caminhos do eu-lírico que, até esse verso, não se apresentou de fato. Um erro (-0,1 fid). Falaremos dos dois refrães finais. Abrindo com “À terra, deixando um clamor pra humanidade, a nobre missão de preservar, nosso futuro, nosso lar”. Acredito que é um desejo de alerta para que o povo possa preservar a água, mas a expressão “deixando um clamor”, ao meu ver, não é a melhor solução. Para tornar a concordância correta, o ideal seria usar “deixo um clamor” que se adequaria melhor a obra, especialmente pela questão de concordância verbal já exposta, mas não é algo que creio ser passível de penalização perante o manual. Por fim, no refrão principal, é incômodo pela a repetição da palavra água por três vezes em quatro versos. “ÁGUA de benzer, purificar // ÁGUA da fonte do rio que corre pro mar // Planeta ÁGUA, nascente da vida // Sou Mancha Verde e mato a sede na avenida”. É cansativo (-0,1 riq.poé). Mesmo com esse porém, o refrão, finalmente, apresenta o eu-lírico na escola de samba Mancha Verde que enfim surge com “Sou Mancha Verde e mato a sede na avenida” que termina a narrativa com correção. Com seus senões e suas virtudes, a composição escolhida pela alviverde tem boas intenções e é uma dos melhores da escola nos últimos anos. Só tenho restrições ao andamento imposto pelo cantor Fredy Vianna que não conseguiu, ainda, extrair todo o potencial melódico da composição, especialmente nas mudanças de tom dos versos que compõem as estrofes. A ver como ficará. Nota: 9,4 Falhas: ⦁ Fidelidade: -0,2 ⦁ Riqueza Poética: -0,1 ⦁ Divisão Melódica: -0,1 ⦁ Adequação: -0,2 Bruno Malta |
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