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NEY VIANNA - A ETERNA VOZ DE PADRE MIGUEL


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11 de agosto de 2026, nº 10

NEY VIANNA - A ETERNA VOZ DE PADRE MIGUEL


Ney Vianna - Foto: Arquivo Pessoal/Igor Vianna


PAU COM FORMIGA

A história de José da Rocha Vianna é uma pau com formiga. Parente de Pixinguinha, Ney começou no samba tocando tamborim na então recém-criada União de Jacarepaguá. Na falta de um cantor num evento, ainda menino se prestou a assumir o cargo e cantou. Daí foi convidado para ser um dos cantores da escola, junto a Catoni e Jorge Mexeu.

Com a ida de Catoni para a Portela, foi escolhido para assumir o posto de principal puxador da União de Jacarepaguá. Até que se transferiu para a Em Cima da Hora, onde ficou até 1973, quando foi considerado o melhor puxador de samba na avenida.

Convidado para defender o samba de Tatu na disputa de samba-enredo da Mocidade, a obra venceu para representar o enredo "A Festa do Divino". Ney foi chamado para ser o puxador da Mocidade em 1974 junto a Elza Soares. O cantor aceitou e assim foi até 1976. Foi acusado de atravessar o samba em 1975, mas foi defendido por integrantes da escola (dizem que Elza chegou quando Ney tinha começado a cantar, então houve desencontro de tom dos dois), tendo até umas trocas de tapas entre Elza e Remba (uma diretora da escola).

A partir de 1977, Ney ficou com o posto sozinho até 1983, quando teve um novo atrito que iniciou novamente com a mesma Elza Soares no esquenta da escola. Após o desfile de 83, foi chamado à quadra da Vila Vintém acusado de ter bebido demais. Então foi posto para beber uma garrafa de whisky inteira num sol escaldante e agredido até desmaiar. Lógico que foi retirado da função de puxador oficial. Aroldo Melodia foi contratado por Castor para a Mocidade, Quinzinho veio para a União da Ilha substituindo Robertinho Devagar, que seria o sucessor de Aroldo Melodia. O Império Serrano chamou Rico Medeiros, que declinou do convite e não acertou com Paulo Samara. Assim, Beto Sem Braço chamou Ney Vianna com a concordância do presidente Jamil Cheiroso. Ney gravou e, enfim, cantou na sua escola de coração. E diga-se de passagem: deu show.

Para 1985, Ney, com os problemas da direção portelense com Silvinho, foi convidado para ir para a Portela e aceitou, sendo até anunciado informalmente. Então, Vianna foi praticamente sequestrado por Castor de Andrade e, ao chegar, foi indagado se era verdade que iria para a Portela e ele confirmou. Castor ligou para Carlinhos Maracanã na hora, para perguntar se ele queria o cantor consagrado na Mocidade. O presidente portelense não desejava Aroldo Melodia e sim Ney Vianna, que estava no Império Serrano. Então, Castor mandou contratar o melhor costureiro de Madureira para que comprasse madeira para fazer um caixão, pois Ney Vianna só sairia morto da Mocidade Independente. Nesse clima, Ney retorna a Padre Miguel.

Ney morreu na quadra da Mocidade na semifinal de samba enredo para o carnaval de 1990.

Ney Vianna tinha uma das mais belas vozes do samba e, mesmo após quase 40 anos de sua morte, o vejo como a voz da Mocidade Independente de Padre Miguel.

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André Poesia
Compositor, assina os sambas de Independentes de Cordovil em 1993 e 1995, além de ter disputado concursos de sambas-enredo oficialmente em Santa Cruz, Tupy de Brás de Pina, Unidos de Lucas e Imperatriz Leopoldinense