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15 de setembro de 2026, nº 119 Leia as colunas anteriores de Carlos Fonseca Coluna anterior: Os Quase Enredos Coluna anterior: Tudo Começou por 1989... Coluna anterior: Junções de Samba quase nunca Lembradas BEM LONGE DA BOULEVARD, PELOS LADOS DO BERÇO DO SAMBA: QUANDO O GRUPO ESPECIAL TEVE OUTRO SAMBA “DESJUNTADO”
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Uma escola de samba do Grupo Especial chega a uma das noites mais importantes da construção de seu desfile: a disputa de samba-enredo. Semanas e mais semanas para que poucas obras cheguem à eliminatória final para, no fim das contas, a diretoria anunciar uma junção de duas obras, surpreender o público, passar alguns dias e... desfazer a junção, dando a vitória para uma única obra. Parece muito o que aconteceu recentemente com a Vila Isabel visando o carnaval de 2027, mas a história ocorreu com a Estácio de Sá sete anos atrás.
Era 2020 quando o Berço do Samba faria seu retorno à primeira divisão após três temporadas de afastamento. Para a volta triunfal, foi escolhido o enredo “Pedra”, assinado por ninguém menos que Rosa Magalhães – inicialmente seria em dupla com Tarcísio Zanon, que acabou deixando a agremiação após receber o convite da Viradouro. Um trecho da sinopse dizia: “A beleza sólida desse material é a essência de nosso planeta. E foi essa beleza sólida que nossos ancestrais usaram como caminho para registrar suas passagens pelo mundo (...) A rocha mais antiga que conhecemos uma lasca com pouco mais de dois centímetros, foi coletada na Lua pelos astronautas da nave Apollo. Tem quatro bilhões de anos. A nossa Terra, vista da Lua, ainda é linda, azulzinha... Até quando?”. Foi com essa direção em “beleza sólida” debaixo do braço que 12 parcerias entraram na disputa para ser trilha sonora da abertura dos desfiles do Grupo Especial carioca daquele vinte-vinte. Tudo seguiu tranquilo. Até a noite de 13 de outubro de 2019, data da grande final no Berço do Samba, quando três parcerias participaram da derradeira eliminatória. Até a escola surpreender o público – presente ou não – no Largo do Estácio. Passava das seis da manhã quando a escola anunciou uma junção de dois finalistas: o da parceria de Edson Marinho, hoje presidente da agremiação e que, antes daquela final, canetou quatro obras do Leão, e o da auspiciosa dupla Carioca e Guanabara, de uma obra despretensiosa e considerada em dado momento azarona. O resultado dessa união... ficou pra depois mesmo, apenas a fusão de sambas fora anunciada pelo então presidente Leziário Nascimento. Sem solução, restou para Serginho do Porto entoar os versos das (então) duas obras vencedoras da noite. E o que os envolvidos... digamos, os poetas acharam disso? Um deles opinou: “É claro que imaginávamos de outro jeito, em uma final ganhar sozinho. Mas foi uma decisão da diretoria e da presidência e nos cabe aceitar para o bem da Estácio e agora continuar ajudando”, disse Edson Marinho ao site Carnavalesco. E foi um roda pra lá... um roda pra cá... um pecado que jogue... E quando o sambista mais Phd em disputas imaginava – ou tentava – o que podia sair de uma união considerada improvável, a junção caiu em menos de 48 horas: na noite de 15 de outubro, o Velho Estácio recuava da decisão anunciada na quadra e proclamava a vitória de Edson Marinho e seus parceiros. “Após reunião e muita conversa com a carnavalesca Rosa Magalhães, chegou-se à conclusão de que as duas obras, que se complementariam e eram as favoritas no gosto do público e dos segmentos (o que sempre foi valorizado dentro da nossa escola), acabariam sendo desconstruídas, além de ser injusto com as melodias. Por isso, optamos por privilegiar uma só obra e fazer as adaptações dentro do projeto criativo da nossa carnavalesca.”, justificou a agremiação em nota publicada à época. No fim das contas, prevaleceu “a força dos ancestrais” e as “paredes que contam histórias na sede pela vitória”. '
A Estácio passou pela avenida. Acabou rebaixada de volta ao Acesso. Mas com um samba só. E “desjuntado”.
O samba que foi pra avenida...
...e o que quase foi numa junção “desjuntada” Leia as colunas anteriores de Carlos Fonseca
Carlos Fonseca | |||