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Os sambas de 1984

Os sambas de 1984

A GRAVAÇÃO DO DISCO - O estilo é bem parecido com o disco de 1983, onde se sobressaem na bateria quase que exclusivamente os tamborins e os agogôs (além de pratos dourados de bateria, no último ano em que estiveram presentes), numa gravação leve, cadenciada e que destaca o samba-enredo. Na primeira passada, o intérprete canta sozinho o samba, com o coral aparecendo na segunda passada do refrão e também na segunda passada do samba (a partir daí, o intérprete passa a soltar cacos). O mesmo estilo de gravação foi utilizado também no disco do Acesso-84. 1984 marcou por ter sido o ano da inauguração do Sambódromo e também pelo extenso número de escolas presentes no Grupo 1A (o Especial da época): quatorze (repetindo 1976), já que não houve rebaixamento no ano anterior devido à queda de energia durante o desfile da Caprichosos. O elevado número fez com que pela primeira vez, após muita polêmica, os desfiles fossem divididos em dois dias (sete no domingo e sete na segunda). Por isso que, no disco, o tempo para cada faixa da escola ficou restrito em três minutos e vinte segundos (o equivalente a uma passada e meia do samba). Num ano em que tivemos um regulamento que apontava a campeã de domingo (que foi a Portela), a campeã de segunda (Mangueira), uma nova disputa no sábado (com a verde-e-rosa levando o chamado Supercampeonato), o desprezo mal-sucedido da Rede Globo por não estar disposta a transmitir os desfiles em dois dias (o que fez a saudosa e estreante na ocasião Manchete, com a exclusividade, detonar o Fantástico, a novela das oito "Champagne" e fuzilar a dupla de bandidos Bonnie & Clyde - o filme da dupla foi exibido na segunda-feira - em audiência) e a apoteose mangueirense com a escola dando a volta na dispersão e fazendo um novo desfile, levando o Brasil ao delírio, tivemos sambas-enredo maravilhosos, uma safra inesquecível. Aliás, essa era uma época de sambas maravilhosos tanto no Especial quanto no Acesso. 1982, 1983 e 1984 foram três anos consecutivos de safras sensacionais. Aliás, esse carnaval é, sem dúvida, muito especial para mim, pois, a um mês antes dos desfiles, despontei para a vida. E no mês clássico de carnaval que é fevereiro. Ou seja, assim como o Sambódromo, também comemorei vinte anos em 2004 (no dia 6 de fevereiro para ser mais exato). NOTA DA GRAVAÇÃO: 10 (Mestre Maciel).

O ano de 1984 foi extremamente movimentado. Teve o troca-troca dos interpretes Quinzinho, Ney Viana e Aroldo Melodia, a inauguração do Sambódromo, o boicote da Rede Globo em relação a transmissão dos desfiles, campeonato no domingo, campeonato na segunda-feira, supercampeonato, a criação da LIESA, dissidentes da Portela fundam uma nova escola -a Tradição ... enfim, um ano repleto de "muvuês". Com relação aos sambas, o Grupo Especial de 84 possui uma safra bastante animada com destaque absoluto para as obras-primas da Vila Isabel e Portela. A sonoridade do bolachão de 84 foi o ultimo grande trabalho bem realizado pela equipe de produção, na minha humilde opinião. A partir de então, optaram em aproximá-lo mais aos desfiles, e o resultado é essa pasteurização patética que ouvimos hoje em dia. Uma chatice ímpar!!! NOTA DA GRAVAÇÃO: 9,5

1A - BEIJA-FLOR - Seu único refrão é bem oba-oba (E tem fuzuê alegrando o patropi...), bastante diferente da característica de sambas da agremiação de Nilópolis. A mesma dupla de compositores do título de 1983, o intérprete Neguinho da Beija-Flor e seu irmão (e futuro dono de três Estandartes como intérprete) Nêgo, fizeram um samba bem mais pesado em relação ao ano anterior. Não há um refrão central, e o restante do samba é cantado num tom bastante alto e dividido, conforme a melodia, em cinco partes (três delas com quatro versos). O samba com formato mais semelhante a este provavelmente seja o da Império da Tijuca de 1997. O hino da Beija-Flor de 1984 é uma mescla de sambas bem antigos (a parte restante) com o contemporâneo oba-oba do refrão. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Os irmãos intérpretes Neguinho e Nêgo conquistaram a terceira vitória nas eliminatórias de samba na Beija-Flor em apenas quatro anos. Entretanto, "O Gigante em Berço Esplêndido" é uma obra apenas razoável e muito inferior aos outros sambas vencidos pela dupla como o de 1981 e 1983. O enredo exaltava os mutirões organizados pelo carnavalesco Joãozinho Trinta em Nilópolis e acabou gerando um samba de letra resumida e sem originalidade. A melodia é pesada e de tons elevados, de difícil canto. De bom só mesmo o único refrão "E tem fuzuê alegrando o patropi...". Com toda certeza é o samba mais fraco da escola nos anos 80. NOTA DO SAMBA: 7,9 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

2A - VILA ISABEL - O samba Estandarte de Ouro de 1984 possui o toque de magia e a originalidade do grande Martinho da Vila. Numa letra bem feita e detalhada de maneira a dar espaço a todos os profissionais que atuam numa escola de samba (até hoje as bordadeiras, os carpinteiros, os vidraceiros, as costureiras e os demais empenhados em construir a ilusão devem estar gratos ao Zé Ferreira pela homenagem), mesclada a uma melodia leve e adorável que é a cara da Vila, a escola conseguiu abocanhar mais um Estandarte superando as obras-primas da Portela, da Mangueira e do Salgueiro. No disco, ao ouvirmos o samba, podemos pensar que sua execução na avenida foi difícil pelos versos serem cantados de forma rápida. Mas aquela era uma época em que, no desfile, o samba era entoado de forma mais cadenciada em relação ao disco. Por isso, o samba fez um verdadeiro sucesso no novo Sambódromo. Na faixa, poucos notam, mas a bateria só entra a partir da segunda passada. Destaque para o agradecimento de Martinho da Vila a Vinícius de Moraes e a Tom Jobim no começo da faixa e pelas boas atuações dos intérpretes Marcos Moran (eterna voz da escola), Gera (que estreava na Vila Isabel) e Valcy (quem fim deu?). NOTA DO SAMBA: 9,6 (Mestre Maciel). 

"Pra Tudo Se Acabar Na Quarta-Feira" é mais uma obra-prima fantástica deste "monstro" da MPB, Martinho da Vila. O sambaço Estandarte de Ouro, é leve como uma pena, dotada de letra poética e bem detalhada, abordando os bastidores de uma escola de samba, e de forma geral exalta todos os sambistas, da simples bordadeira ao diretor de harmonia. A melodia além de encantadora é absolutamente extraordinária. Como é de praxe, mais um sambaço-aço-aço da Vila em anos bissexto. NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

3A - IMPÉRIO SERRANO - Um samba de letra bastante coloquial, com toda a malandragem presente no enredo. Destaque para esses trechos, compostos num momento de ponto G de inspiração do compositor Bicalho: "D. João VI pega o ouro e se arranca/dizendo ó Pedrito filho meu/Segura esse foguete, entendeu" e "Na lei de Chico Rei, o fim justifica os meios/assim libertou seu povo/com a poupança do alheio", entre outros que apresentam a malandragem de personagens históricos de forma peculiar. No disco, o samba é cantado de forma bem acelerada. Mas, na avenida, a cadência do samba foi exagerada demais, o que acabou por arrastá-lo. Seria muito melhor manter o estilo no qual foi gravado no disco. Ney Vianna, a imortal voz da Mocidade, manteve a média no seu único ano defendendo a verde-e-branco da Serrinha. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel). 

No segundo carnaval de Renato Lage na agremiação da Serrinha, mais uma vez Fernando Pamplona sugeriu um tema: o Império homenagearia os malandros e suas malandragens. O ótimo samba imperiano é muito gostoso de se ouvir, possuindo uma letra repleta de sacadas interessantes como no refrão "Araribóia loteou Niterói / e fez do indio seu office-boy". A melodia é extremamente contagiante e animada, de variações sensacionais. Em sua única passagem pelo Império, Ney Vianna deu um show de interpretação tanto no desfile como no bolachão. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

4A - UNIDOS DA PONTE - Sempre direi que a escola de São Mateus possui a melhor safra particular dos anos 80, superando todas as agremiações de ponta. A Ponte manteve a qualidade impressionante do ano anterior com um samba um pouco mais pra cima e de letra exemplar com melodia envolvente. Trata-se de um dos melhores sambas de 1984, muito bem executado no disco e cantado de maneira mais brilhante na Sapucaí, com uma cadência extraordinária. O samba-enredo maravilhoso, porém, não evitou a queda da Ponte para o Acesso em 1985, de onde sairia campeã, garantindo o regresso ao Especial em 1986. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Mestre Maciel). 

Depois do estupendo "E Eles Verão A Deus", a agremiação de São Mateus emplacou mais uma obra fantástica e bastante "carregada". "Oferendas", enredo afro que remete ao ritual de oferendar presentes para determinado orixá, gerou um sambaço leve e animado, de letra didática e melodia contagiante, alternando subidas e descidas rítmicas de cair o queixo peludo. Os refrões, tanto o principal como o central são de extremo bom gosto. Apesar de ter sido rebaixada a Ponte contribuiu ao sambistas com uma bela "oferenda musical". NOTA DO SAMBA: 9,4 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

5A - UNIÃO DA ILHA - Ao lado do samba da Imperatriz, é considerado o mais fraco do ano. Este é considerado o primeiro samba-enredo da União da Ilha de tom animado que seria a característica dos hinos da escola posteriormente. Na época, a escola estava mais acostumada com sambas mais líricos. Nem o fato de ter sido composto por uma dupla lendária, Didi e Aurinho da Ilha, o livrou das críticas. Por sua letra simples e pela melodia mais leve do que uma pena, é um dos sambas de enredo mais fáceis de ser cantados de todos. Não é exagero dizer que o bamba decora o samba logo na primeira audição. Detalhe que o samba é tão curto que é executado no disco com as duas passadas completas, mais algumas repetições do refrão principal (Vovó falou, falou, eslcareceu...), totalizando três minutos redondinhos. Detalhe: no disco, a voz de Quinzinho, no seu único ano na União da Ilha, está super diferente na primeira passada do samba. NOTA DO SAMBA: 8,8 (Mestre Maciel). 

Didi e Aurinho, compositores de altíssimo gabarito, fizeram um sambinha de letra simplória até o talo (qualquer criança faria melhor), porém, uma melodia bastante animada -o que não combinava com a escola. Possui até um bom refrão final "Vovó falou, falou / esclareceu...", mas infelizmente o sambinha que faz referência aos ditos populares carece de uma letra mais interpretativa. Em comentário do colega Rixxa Jr. em Sambas eliminados, a obra concorrente de Franco poderia ter embalado a Ilha na avenida por se muito mais comunicativa que o da dupla Didi e Aurinho. NOTA DO SAMBA: 7,5 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

6A - MANGUEIRA - Trata-se de um dos maiores clássicos da história da verde-e-rosa. Com o enredo "Yes, nós temos Braguinha", a Mangueira quebrava um tabu de onze anos sem títulos (o último foi com "Lendas do Abaeté" em 1973). Mesmo sendo longo, o samba-enredo em nenhum momento cansa. De melodia lírica e uma bela interpretação de Jurandir no disco, o hino mangueirense foi conduzido na avenida de maneira como sempre magistral por Jamelão, que havia sido embebedado pelo pessoal da Portela com champanhe momentos antes do desfile com o objetivo de prejudicar a voz do cantor. Que nada... A promessa feita para o ano seguinte foi que a tentativa de enferrujar o vozeirão do melhor intérprete (puxador, não) de todos os tempos seria feita com água. Hehehe... Com este samba, a Mangueira realizou a apoteose pensada por Darcy Ribeiro: como foi a última escola a desfilar, ao chegar na dispersão, percebendo que não havia mais ninguém para vir da concentração, os componentes da escola decidiram dar a volta a fim de proporcionar mais um desfile ao público, fazendo daquele momento um dos mais marcantes da história do carnaval. SUPERCAMPEÃ mesmo, com todas as letras maiúsculas por justiça e com todos os méritos. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Mestre Maciel). 

"Yes, Nós Temos Braguinha" ficou mais marcado por ser trilha sonora de um desfile histórico da Manga. Talvez o ÚNICO desfile em todos os tempos que não terminou. O povo não satisfeito em cantar o belo samba, invadiu a avenida para sambar junto com a Manga - que deu a chamada "volta olímpica" na Apoteose (afinal, era ano de Olimpíadas!). Jamelão como sempre deu show de interpretação e o competente Jurandir - que puxou o samba no bolachão - foi carregado nas costas devido a euforia da galera. A obra que homenageou o compositor Braguinha possui letra poética e melodia maravilhosamente bela. É inegável não se contagiar com o refrão principal "É no balancê, balancê / eu quero ver balançar...". E foi no balanço que a Mangueira passou, desfilou e conquistou o único SUPERCAMPEONATO do nosso carnaval. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

7A - IMPERATRIZ - O samba não foi bem aceito por possuir uma melodia animadinha, mas sem nada de especial, e uma letra coloquial com expressões incomuns em samba-enredo na época, como "que abacaxi", "pacotão comeu", "o resto que se exploda", "toda noite um vampiro leva a grana e me destrói". A Imperatriz, em 1984, mesmo com um samba quase que inexpressivo e um refrão meio sem noção "Alô, mamãe/assim não agüento/almoçar pirão de areia/e jantar sopa de vento" pode ter sido a precursora dos enredos críticos que seriam desenvolvidos por Caprichosos e São Clemente nos anos seguintes. NOTA DO SAMBA: 8,4 (Mestre Maciel). 

Com a saída de Arlindo Rodrigues, a Imperatriz resolveu apostar na talentosa dupla de carnavalescas Rosa Magalhães e Lícia Lacerda. Juntas elas desenvolveram o enredo "Alô Mamãe", mas não obtiveram êxito e as duas não continuaram na escola no ano seguinte. Era tempo de vacas magras pois a Imperatriz gastou rios de "cruzeiros" no início da década. Entretanto, Rosa voltaria a GRESIL em 1992, onde permaneceu por mais dezesseis carnavais consecutivos, conquistando cinco campeonatos pela escola que mais se identificou. Quanto ao sambinha de 84, que fazia uma sátira apolítica de nosso país, possui uma letra complexa de difícil compreensão para quem não tem a sinopse, e uma melodia apenas razoável. A bem da verdade, é um samba comum, que não tem medo de nada, mas também não bota medo em ninguém. NOTA DO SAMBA: 7,8 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

1B - PORTELA - Samba que seria reeditado vinte anos depois pela Tradição. Os portelenses, que ainda colhiam as fagulhas devido à prematura perda de Clara Nunes, conseguiram desenvolver um enredo extraordinário de homenagem a Claridade e também a Paulo e Natal da Portela. Sobre o samba... não é exagero dizer que chega a superar a qualidade do enredo, tamanha é a sua beleza. De canto fácil e melodia contagiante, Contos de Areia é mais um dos sambas que compõem o hall riquíssimo de sambas-enredo da escola. Um primor de samba, para mim o melhor de 1984 e um dos melhores de todos os tempos. Ah, no disco de 1984 Contos de Areia ganha mais pontos com a intepretação marcante do imortal Silvinho da Portela. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel). 

"Contos De Areia", um dos clássicos do nosso carnaval, é trilha sonora da última conquista portelense. Ficou marcado também por ter sido reeditado vinte anos depois pela Tradição. Trata-se de uma extraordinária, com uma pegada impressionante. Essa obra-prima faz uma exaltação aos ilustríssimos portelenses Natal, Clara Nunes e Paulo da Portela - representados pelos orixás Oxóssi, Iansã e Oranian, respectivamente. A letra conta o enredo detalhadamente, sem lero-leros e nem quero-queros. A melodia é riquíssima com variações perfeitas, principalmente a partir dos versos "Jogo feito / banca forte /qual foi o bicho que deu???", até atingir ao ápice no fortíssimo refrão "Epa hei, Iansã / epa hei". Enfim, um primor de samba-enredo com todos os adjetivos possíveis. NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

2B - ESTÁCIO - Pela primeira vez a antiga Unidos de São Carlos desfilava com seu novo nome: Estácio de Sá. E começou mostrando um samba de tom clássico, com melodia animada e envolvente. Os cinco primeiros versos mostram pra que a Estácio veio: "Chegou a hora/A hora da cobra fumar/É o velho Estácio na avenida/Que feliz da vida/Vem se apresentar". Dominguinhos do Estácio também regressava à sua escola do coração depois de sete anos (a última vez foi em 1977, quando cantou um samba de sua autoria sobre os 50 anos da Rádio Nacional). O novo nome deu força à agremiação, que desfilou no Grupo Especial por quatorze carnavais consecutivos (com direito ao título em 1992). A Estácio passa por uma crise sem fim desde 1997, quando desceu de grupo. A escola desfilará no Grupo B em 2005 e, se Deus quiser, como bom estaciano que sou, vamos sair dessa e voltar a brigar por um lugar no Especial de 2007, lugar de onde nunca deveríamos ter saído. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel). 

"Quem É Você?", que faz menção ao carnaval antigo, é uma obra leve, de letra comunicativa e melodia maravilhosa, pra cima, com variações de extremo bom gosto. O verso inicial "Chegou a hora / a hora da cobra fumar / é o velho Estácio na avenida / que feliz da vida / vem se apresentar" é muito forte, intimando o componente a brincar e cantar junto com a escola. É o sambaço mais animado de 84. Assim como "Contos de Areia" da Portela, "Quem É Você?" também foi reeditado pelo Leão, no Grupo de Acesso de 2006, onde conquistou o título e a vaga para a elite em 2007. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

3B - SALGUEIRO - Um samba com o chamado Padrão David Corrêa de Qualidade, cheio de animação e, ao mesmo tempo, com uma melodia encantadora e de estilo clássico. É mais um daqueles sambas-enredo que não cansamos de ouvir. É mais uma obra-prima salgueirense, na minha opinião. Uma passagem de 100% de aproveitamento de David Corrêa na Academia, pois, na única vez em que concorreu na escola, ganhou com um samba considerado unanimidade entre os bambas. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Mestre Maciel). 

No ano em que marcou o retorno de Laíla e Arlindo Rodrigues, o Salgueiro apresentou o enredo "Skindô, Skindô", que falava sobre os diversos ritmos musicais do Brasil. Apesar de ser uma assumidíssima marchinha, o ótimo sambão salgueirense -composto por nada mais, nada menos que David Correa- levanta até defunto de tão alegre e irresistível que é. O refrão central "Ca, ca, cadê / cadê meu agogô..." tem uma levada impressionante, gruda no ouvido. Já a segunda parte após esse refrão possui uma pequena pitada de lirismo. No desfile, estranhamente, o sambaço não empolgou. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

4B - UNIDOS DA TIJUCA - Excelente samba! Com mais um enredo exaltando a origem africana do negro, o samba-enredo da escola acaba sendo agraciado. A escola vivia uma época de sambas brilhantes e o de 1984 não foge à regra. Longo, o samba apenas falha ao citar na letra nomes como o título do enredo "Salamaleikum" e "Luiza Mahim", "Licutam" e "Nassim" de forma consecutiva, o que deve ter dificultado o canto dos componentes, já que o samba foi entoado na avenida de forma acelerada, ao contrário da belíssima cadência no disco. Destaque para o maravilhoso refrão central (Valia ouro, valia prata...). Não é novidade ressaltar, mas a atuação de Sobrinho é brilhante! Pena que a Unidos da Tijuca foi rebaixada depois do desfile. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel). 

O enredo "Salamaleikum, A Epopéia Dos Insubmissos Malês" é de uma complexidade gritante. Mesmo assim, o samba unitijucano não ficou ruim, pelo contrário, dificilmente o tema daria uma obra antológica pra ficar nos anais da história. Os compositores capitaneado por Carlinhos Melodia tiraram leite de pedra, mas o esforço e as intermináveis interrogações na cabeça valeram a pena. O samba possui boa melodia e letra politicamente correta. Foi em 1984 que a agremiação do Borel, pela primeira vez em seu abre-alas apresentou o símbolo da escola, o Pavão, graças a sugestão do compositor Carlinhos Melodia. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

5B - IMPÉRIO DA TIJUCA - Samba de letra e melodia simples, mas cativantes, e dois refrões encantadores (principalmente o principal - A roleta da vida/Não pára de girar...). De forma direta, a Império da Tijuca, em mais um samba-enredo brilhante, "reabre os cassinos na avenida", como diz a letra. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel). 

A agremiação do Morro da Formiga, a partir de 84, passaria a viver a melhor fase em sua história, ao desfilar por quatro anos consecutivos no Grupo Especial. Mas, o sambinha que criticava o fechamento dos cassinos no país é muito fraco e passa despercebido no bolachão. A letra é simples toda a vida e a melodia é irregular, não tendo um grande momento. Destaco apenas a ótima atuação do competentíssimo interprete Almir Sant'clair, neste que é o pior sambinha do Grupo Especial de 84. NOTA DO SAMBA: 6,3 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

6B - MOCIDADE - Aroldo Melodia completou na Mocidade a dança dos intérpretes de 1984. Para se ter uma idéia: Aroldo era da União da Ilha e foi pra Mocidade, escola onde estava Ney Vianna que foi pra Império Serrano, agremiação onde cantava Quinzinho, que migrou para... a União da Ilha. Eu, hein? Sobre o samba, foi o primeiro em tom animado (característica diferente dos sambas da Mocidade) que Aroldo Melodia, até então acostumado com os líricos sambas da União da Ilha, cantou. O refrão principal (Sou muambeiro...) é bem cativante! NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel). 

Na sua única passagem pela Mocidade, Aroldo Melodia só não fez nevar microfones devido a sua magnífica interpretação no LP, valorizando ainda mais o ótimo samba da verde e branco de Padre Miguel. A obra é leve, funcional, de letra simples e coloquial, contando com sagacidade a história do contrabando no Brasil. Os refrões são excelentes e acima de tudo pegajosos. No desfile a obra ficou cadenciada demais, mas nada tira o mérito desse gostosíssimo sambaço da Mocidade. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

7B - CAPRICHOSOS - A última faixa do disco apresenta a obra de Chico Anysio num samba de letra bem coloquial e bem-humorada, assim como o homenageado. De melodia pra cima, a Caprichosos, com este samba, começava a adquirir a simpatia do público que a impulsionaria a desenvolver os enredos animados que fariam a escola, no ano seguinte, ser aclamada como "a campeã do povo". O carismático intérprete Carlinhos de Pilares é um dos grandes responsáveis por este feito. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

O ano de 1984 marca o último carnaval da escola como um mero figurante. A partir do ano seguinte a agremiação de Pilares passaria a vestir as sandálias da crítica e da irreverência, conseguindo estabelecer a tão badalada comunicação popular, algo que muitas escolas de grande porte da época, não conseguiram. Mas voltando a falar do ótimo samba que exaltava Chico Anísio e os humoristas em geral possui letra simples, com um toque de coloquialidade e melodia pra lá de animada como a maioria dos sambas do ano. Destaque para o segundo refrão "Salomé / Salomé / bate o fio pro João / que dureza não dá pé" que é muito bonito melodicamente. A Caprichosos conseguiu o feito de classificar-se para o Supercampeonato, deixando para trás Imperatriz e Salgueiro. NOTA DO SAMBA: 9 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba