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MOCIDADE UNIDA DA MOOCA

MOCIDADE UNIDA DA MOOCA


PRESIDENTE Beto Monteiro
CARNAVALESCO Brunin
INTÉRPRETES Gustavo Festa e Julio Brots
AUTORES DO ENREDO Thiago Tartaro e Luana Araujo
FUNDAÇÃO 23/04/2020
CORES Vermelho, Verde e Branco
CIDADE-SEDE São Paulo-SP
SÍMBOLO Coroa

A Mocidade Unida da Mooca Virtual é uma célula da Mocidade Unida da Mooca, integrante do grupo de acesso de São Paulo. As cores são vermelho, verde e branco e seu símbolo é uma coroa. Estreou na LIESV em 2020, já obtendo a vaga para o Grupo Especial do ano seguinte. Em 2021, foi a campeã da Edição Especial - Milton Cunha, promovida pela Liga em fevereiro procurando suprir a ausência do Carnaval Real em virtude da pandemia.

Ano

Enredo

Colocação

2021 Omi Ibeji, Bejé Oró: dos gemelários amaldiçoados à festa dos doces, a MUM canta as crianças do candomblé -º (Especial)
2021 Está nascendo um novo líder! 1º (Edição Especial Milton Cunha)
2020 Metuktire: A saga de um gigante curumim 2º (Acesso)

ENREDO 2021

Omi Ibeji, Bejé Oró: dos gemelários amaldiçoados à festa dos doces, a MUM canta as crianças do candomblé

Laroyê. Hoje Exu vem acompanhado de griôs para a Mooca. O objetivo? Nos contar a história (ou a estória?) dos orixás erezinhos: Ibeji, protetores dos inícios, fontes de vida, inocentes e puros.

Cantam e contam os sábios griôs que em tempos imemoriais, na costa atlântica de África, ter filhos gêmeos era mau presságio, maldição. Muitas vezes, um precisava ser sacrificado. Assim, dadas as mortes de muitos erês, a terra ficou cheia de Abikus, espíritos de crianças que se vão cedo. Por muito tempo, essa angústia, a angústia dos Abikus, pairou nas tribos, nas almas das matriarcas, no povo. Era uma tradição, mas que estava perto de mudar para sempre.

Por esses tempos, Iansã e Xangô viveram um amor. E da união de pedreira e trovoada, do leão e do búfalo, de rubros impulsos masculinos e femininos, nasceram filhos gêmeos. A mãe das tempestades ficou desesperada. Ela não teria condições de esconder os gêmeos paridos de seu ventre. Eles a descobririam e, seguramente, sacrificariam um deles. A saída achada foi, com a benção e concordância do dono do machado de duas lâminas, ir ao fundo do rio mais isolado que conseguira encontrar e, de lá, confiar a criação dos bebês a Oxum. Em um lugar tão ermo e sob a tutela da mamãe dourada das águas doces, os erês estariam a salvo.

Oxum batiza os gêmeos: Taiwo e Kehinde. Primeiro e segundo. Um e outro. Dois lados do mesmo amor. Eles vivem escondidos entre o fundo do rio e a mata fechada, em plenitude. Aprendem a amar a natureza, conversam com os animais, cultivam plantas. Mais tarde cuidariam para que nessa terra os inícios fossem de paz.

Nesse meio tempo, Orunmilá, dono do Ifá, senhor do destino dos homens do àiyé, decide que as crianças gêmeas não são mais uma maldição para os povos de África. Não se poderia mais matar um dos gêmeos. As terras de África ficariam cheias e felizes com inocências e brincadeiras em dobro. Tanta benção veio dos orixás neste dia que até hoje, África tem as maiores concentrações de gêmeos de toda mãe Terra.

Taiwo e Kehinde crescem mais. Para agradecer aos deuses a graça de agora poderem viver em liberdade, solicitam a sua mãe Oxum que lhe apresentem Orunmilá. Oxum o faz. O dono do Ifá é dono do destino. Pressente e decide: vai levar Ibeji ao Orun e lá eles serão entregues às divindades. Serão orixás, como os rubros pais de sangue, como a dourada mãe de alma. Farão pela mãe Terra, pelo àiyé todo, o que fizeram pelas águas de mamãe Oxum e pela mata que as circunda. Para que a dona dos rios não se sinta triste, Orunmilá talha de madeira maciça as imagens de Ibeji e presenteia Oxum com elas. Até hoje, a estética dessa imagem é utilizada para retratar os orixás meninos.

É no Orun de luz, regida por Oxalufan e pelos orixás Fun Fun, que Taiwo e Kehinde se tornam, para sempre, Ibeji, das cores azul e rosa claros, do animal macaco colobo. Passam a proteger tudo que é prelúdio e tudo que, no eterno retorno, veio do fim para começar novamente: o primeiro raio de luz, o primeiro canto de um pássaro, o nascimento de um ser, a primeira folha da árvore que germina na mata. Tudo que nasce é divino, tudo que vai viver, vai viver também por causa de Ibeji.

E assim foi, disseram os griôs trazidos por Exu. Essas foram a história e a estória. Assim é até hoje. E com todas as bençãos das crianças divinas, a Mooca celebra a Ibejada. São cores, é criançada a correr, é bala, é maria mole, é bom bom, é doce de batata, é guaraná, é caruru de quiabo. É a inocência, a alegria, são os gêmeos e os não gêmeos, agora e para sempre vivos. Salve. Salve as crianças, salve os gêmeos do candomblé. Salve o azul e rosa de Ibeji no xirê verde, vermelho e branco da Mocidade Unida da Mooca. Axé sempre! Omi Ibeji, Bejé Oró!

Referências bibliográficas

ALMEIDA, Maria Inez Couto de. Cultura Iorubá: tradições e costumes. Dialogarts. Rio de Janeiro. 2006.
MÃE Regina de Oxóssi falando sobre Ibeji. Youtube. Consultado em 21/11/2020. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=K9c_vki8XPc.
MONTEIRO, Rita de Cássia. Egbe Orun: a sociedade das crianças do céu. Livros digitais. Consultado em 21/11/2020. Disponível em https://www.livrosdigitais.org.br/livro/52371E9A4KJDXF.
N’DALA, Diedonné Bukasa. Os gêmeos afro-brasileiros e o sincretismo religioso: o culto aos gêmeos entre África e Brasil. Dissertação de mestrado. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo. 2013.
SALOM, Julio Souto. Quando chega o griô: conversas sobre a linguagem e o tempo com mestres afro-brasileiros. Tese de doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. 2019.
TUDO sobre Ibejis – as divindades gêmeas da vida e do nascimento. iQuilibrio. Consultado em 21/11/2020. Disponível em https://www.iquilibrio.com/blog/espiritualidade/umbanda-candomble/tudo-sobre-ibejis/.
ZAMPERLIN, Mery. A lenda de Ibeji. Wattpad. Consultado em 21/11/2020. Disponível em https://www.wattpad.com/220951898-orix%C3%A1s-lendas-e-cren%C3%A7as-a-lenda-de-ibeji

Autor do enredo: Thiago Tartaro e Luana Araujo