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MESTRE CIÇA - O SAMBISTA É UM ARTISTA
 

Edição nº 118 - 23/02/2026



MESTRE CIÇA - O SAMBISTA É UM ARTISTA

Mestre Ciça recebeu flores em vida
Foto: Carlos Fonseca/SAMBARIO


No inesquecível samba-enredo de 1984 da Vila Isabel que seria agraciado com o Estandarte de Ouro no Carnaval de estreia do Sambódromo, Martinho da Vila escreveu uma frase tão simples quanto singela: "O sambista é um artista".

Sábias palavras do mestre! Afinal, todos os componentes que contribuem para o maior espetáculo audiovisual do planeta são verdadeiros artistas, sem exceção.

Assim como no grandioso samba-enredo "Pra Tudo se Acabar na Quarta-Feira", em que a "gente empenhada em construir a ilusão" foi a homenageada, mais uma vez os Artistas com "A" maiúsculo foram os protagonistas no título da Viradouro.

Não foi apenas Mestre Ciça quem recebeu as famosas flores em vida!

Na catarse proporcionada pela vermelho-e-branco de Niterói, a exaltação vista na última alegoria, que já se tornou um dos grandes momentos da história dos desfiles, foi também para os demais mestres de bateria, ritmistas, intérpretes, diretores de harmonia, compositores, carnavalescos, escultores, costureiros, coreógrafos e afins.

Quem trabalha o ano inteiro em mutirão se sentiu representado ao presenciar a celebração construída para Moacyr da Silva Pinto, onipresente tanto na comissão de frente quanto regendo a bateria, como faz com precisão há décadas.

Sua subida ao lado da rainha Juliana Paes e toda a Furacão da Viradouro na escadaria do carro alegórico, que remeteu ao jogo virado de 2007, representou a vitória do sambista, em meio a um Carnaval repleto de homenagens.

Entre grandes nomes da música, da política, da literatura e da cultura regional que foram enaltecidos no Grupo Especial em 2026, o tributo que conquistou os foliões foi para um sambista do Morro de São Carlos.

Num Sambódromo hoje visto como elitizado, com pouco espaço para quem ama o samba de verdade, o triunfo de Mestre Ciça não deixa de ser mais um ato de resistência para um gênero que nasceu perseguido no princípio do Século XX.

No mesmo lugar onde o futuro Mestre Caveira despontaria, Ismael Silva foi um dos idealizadores da primeira escola de samba: a Deixa Falar.

Decênios depois, o homem que criou toda aquela magia seria convidado a se retirar da avenida... por não ter dinheiro para comprar o ingresso.

Essa é a sina do sambista: de ser marginalizado, erguer a cabeça e dar a volta por cima apenas exercendo a sua arte, em plena luta para garantir o pão de cada dia.

Apesar do emocionante anúncio de Ciça como enredo na quadra da Viradouro no ano passado, o condutor do Bonde do Caveira como tema gerou desconfiança de muitos.

Que se perguntavam se a vida do mestre seria suficiente para preencher uma história inteira a ser contada num vasto desfile de Grupo Especial na Sapucaí.

Logo, a imagem de Mestre Ciça sendo erguido em triunfo por seus ritmistas do alto da alegoria, já na manhã de domingo do Sábado das Campeãs, não deixa de ser um recado.

De que a Sapucaí é dos sambistas!

Os verdadeiros artistas da folia!

"Nossa história não encontra despedida"

"Não esperamos a saudade pra cantar"






Marco Maciel
Editor-chefe do SAMBARIO desde 2004, jornalista e redator do Bolavip Brasil
Twitter:
@marcoandrews