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Edição nº 117 - 15/01/2026 ANDERSON PAZ - AQUI NÃO TEM RACIONAMENTO DE ALEGRIA
Fiz
questão de intitular este texto com um verso do samba-enredo na
voz de Anderson Paz que mais eu tenho relação afetiva
particularmente.
A obra da São Clemente para 2002, "Guapimirim - Paraíso ecológico abençoado pelo Dedo de Deus", fazia no seu refrão uma referência ao racionamento de luz proposto pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, por conta da crise energética que o Brasil atravessava na época. Embora o verso não tivesse muita relação com o enredo sobre a cidade fluminense, ele ajudou a me apaixonar pela obra clementiana naquele pré-Carnaval. Ao mesmo tempo, era o primeiro samba que eu ouvia na voz de Anderson Paz, que na oportunidade estreava no Grupo Especial como primeiro intérprete. Com 18 anos recém-completados e ainda leigo sobre a discografia das escolas de samba, lamentei o rebaixamento da São Clemente por conta da simpatia que tinha por aquele samba-enredo. Simultaneamente, começava a apreciar o talento de Anderson Paz, que seria uma voz que marcaria época não apenas entre os clementianos, como também em escolas como Acadêmicos da Rocinha e Porto da Pedra, além de passar por muitas outras. O cantor se tornaria um dos principais da história recente dos grupos de acesso, além de também reforçar agremiações que tinham a ingrata responsabilidade de abrir os desfiles de domingo na Sapucaí. Mas eu queria destacar duas peculiaridades de Anderson Paz, cuja característica era a técnica aliada a uma voz limpa, afinada e aguerrida. Antes mesmo do intérprete realizar sua primeira gravação para um CD oficial em sua estreia na São Clemente em 2001, o artista já chamava atenção da bolha carnavalesca numa época em que esta expressão ainda não era muito propagada. Com a internet discada ainda sendo a mais utilizada pelo público naquele distante começo dos anos 2000, os aficionados aos poucos tomavam um melhor conhecimento das disputas de samba das escolas. E tinham um melhor acesso aos registros das versões concorrentes dos compositores. Ali, os internautas começavam a admirar a cultuada parceria de Eduardo Medrado, Kléber Rodrigues, João Estevam, César Som Livre e Waltinho Honorato. O grupo de compositores, nas disputas da Imperatriz, costumava entregar músicas de melodia diferenciada, que fugiam de lugares comuns e geralmente atingiam um primor técnico no produto final. E apostava sempre na voz de Anderson Paz, que captava como poucos as ideias dos talentosos autores. Tanto que, até hoje, os sambas derrotados para os carnavais gresilenses de 2000 e 2002 são lembrados com carinho pelos especialistas e adeptos da folia na época, imortalizados pelo querido intérprete. "O povo e a Imperatriz / Ao som de cavaco e pandeiro / Ah, todo mês de fevereiro / Descobrindo um Brasil mais brasileiro". "Nas ruas de Ramos e em todos os cantos / Eu quero ouvir o teu cantar, Imperatriz! / Tem balanço e harmonia, malandragem, bateria / Faz meu povo delirar (e viver)". Anderson Paz faria história também em outro tipo de folia: a virtual. Naquela mesma época em que se firmava como intérprete principal na Sapucaí e voz oficial dos belos sambas de Medrado e cia, o maior espetáculo da tela era criado. Desde seu primeiro desfile em 2003, a LIESV seria responsável pelo lançamento de inúmeros talentos ao chamado "Carnaval Real". Vieram da Liga e de dissidências como Virtuafolia e Carnaval Virtual nomes como André Rodrigues, Gabriel Haddad, Leonardo Bora, Jorge Silveira, Diego Araújo, Thiago Meiners, Rodrigo Meiners, Ailson Picanço, Thiago Morganti, Imperial, Marcus Ferreira, Lucas Milato, Leandro Thomaz, Cláudio Mattos, Pitty de Menezes, Yuri Aguiar, Shazam, entre outros. Naquela brincadeira levada a sério, segundo o antigo slogan da LIESV, os sambas-enredo começavam a ser gravados em estúdio a partir de meados dos anos 2000. A maior escola virtual de todos os tempos, a Imperatriz Paulista do meu grande amigo Luís Butti e sob o comando de João Marcos, foi pioneira ao convidar intérpretes profissionais para o registro de suas obras. Logo após Carlos Júnior gravar os hinos de 2005 e 2006 da carinhosamente conhecida como IP, chegaria a vez de Anderson Paz engatar uma sequência lembrada com carinho por quem acompanha a folia virtual desde aquela ocasião. Por quatro anos seguidos, entre 2007 e 2010, o cantor realizou gravações antológicas para os lindos sambas da agremiação comandada pelo fanático corintiano que atualmente coordena a Tour de excursão na Neo Química Arena e possui até uma sala em seu nome no estádio. Na mesma ocasião, registraria também aquele que eu considero o maior samba da história do Carnaval Virtual, de autoria do próprio Luis Butti: Rainha Negra 2008, escola do saudosíssimo amigo Ewerton Fintelman, integrante do SAMBARIO. Confira abaixo o vídeo do intérprete no estúdio cantando o hino. Portanto, este texto celebra a carreira de Anderson Paz no Carnaval, que brilhou além dos desfiles. Parte um artista que fez história também entoando concorrentes históricos da Imperatriz e embalando sambas inesquecíveis da folia em páginas html que tanto revelou profissionais qualificados para os desfiles de carne e osso no asfalto. Fecho a homenagem parafraseando Eduardo Medrado, que em seu tributo ao cantor nas redes sociais, mencionou o verso de abertura de um dos seus sambas mais celebrados. Siga em paz! Marco Maciel
Editor-chefe do SAMBARIO desde 2004, jornalista e redator do Bolavip Brasil Twitter: @marcoandrews |
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