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CASTELO

CASTELO


PRESIDENTE Danilo Santiago
CARNAVALESCO Marcos Teixeira
INTÉRPRETE  Pixulé
FUNDAÇÃO 04/03/2018
CORES Rosa e Branco
CIDADE-SEDE Batatais-SP
SÍMBOLO Castelo, Roseira e Beija-Flor

O Grêmio Recreativo e Escola de Samba Virtual Castelo foi fundado em 04.03.2018, nas cores Rosa e Branco. Tanto seu nome como suas cores se inspiraram na escola de samba real de Batatais, a Castelo. O símbolo é o castelo, a roseira (homenagem a Rosas de Ouro) e o Beija-Flor (homenagem a Colibris e a Beija-Flor de Nilopolis). Estreará no Grupo Especial da LIESV em 2021.

Ano

Enredo

Colocação

2021 O conto do Príncipe Saduci, e os contos, mitos e lendas do nosso Folclore Saci -º (Especial)
2020 Mesmo que não existam mais as Flores, tu és a minha Rosa preferida 9º (Acesso)
2019 Ora ye ye ô! A Preferida Filha do Pai Criador derrame sobre nós o teu Axé e faz do meu Samba, tua Oração. Oxum ora yê yê ô! 2º (B)
2018 Saudades temos… Mamonas Assassinas – Um Meteoro que alegrou a nossa vida! 8º (B)

ENREDO 2021

O conto do Príncipe Saduci, e os contos, mitos e lendas do nosso Folclore Saci

Apresentação:

Nosso enredo mistura os Contos, Mitos e Lendas do folclore popular, para contar a história do ser místico SACI – O mais rico e conhecido personagem do Folclore Brasileiro.

Nossa mística história começa pelo conto de Emy Moraes para introduzir toda a dor, força e resistência do povo negro na luta contra a escravidão e liberdade. A história do Príncipe Saduci relatada de forma mitológica, cheia de segredos e mistérios será a nossa base para contar a trajetória dos mitos e lendas envolvendo o ser da Floresta, protetor das matas e das ervas que curam.

Sinopse:

Um conto de luta, sofrimento e dor…nos dá a base para contar o nosso enredo, traz a saga de um Príncipe negro que é aprisionado e escravizado junto com seu povo. Acorrentados, foram trazidos ao Brasil para trabalharem na exploração do Pau-Brasil no Século XVI. Pau-Brasil que era enviado a Europa por seu grande poder de tingimento em tecidos na cor vermelho como brasa, vermelho cor do sangue dos corpos machucados pelos açoites e brasa das ardências de suas dores.

O sofrimento do povo negro acendeu a chama de libertação em Saduci o Príncipe negro escravizado, já em terras brasileiras, vendo o dia a dia do seu povo cada vez mais abatido, sofrido, desumanizado, ele clamava por libertação e justiça. Saduci organizou os negros coordenando uma fuga em grupo, conseguiram fugir, e se refugiar nas matas.

Nas matas os negros se refugiavam e para que os Senhores coloniais não mandassem os Capitães do Mato para resgata-los as escravizadas mais velhas que permaneciam na senzala inventavam contos, mitos e lendas sobre um ser que adentrava as matas e fazia de lá sua morada, um ser sombrio e zombeteiro.

As histórias assustavam a todos e assim os escravizados fugitivos não eram pegos.

Na beira da mata eles recebiam as refeições que as escravizadas preparavam escondido dos seus Senhores, eles abanavam um pano vermelho como sinal e faziam fumaça com seus cachimbos.

Saduci por ser o líder e responsável pelas fugas, não ficou ileso, foi perseguido, capturado e foi castigado, apanhou tanto que uma das pernas foi arrancada de seu corpo, para servir de lição aos negros que tentassem uma nova fuga. O príncipe foi deixado na mata lançado ao próprio destino para morrer.

…Nas matas protegidas por Oxóssi, vivia o orixá Ossain – protetor das ervas medicinais – O curandeiro… Ossain cuidou de Saduci e seus ferimentos, mas não pode restituir a mutilação que ele havia sofrido, o tempo passou e Saduci foi se curando até ficar fortalecido, mas ele já não tinha mais a perna, e deste modo morreria se fosse apanhado pelos Capitães do mato novamente, lançado ao próprio destino Ossain sabia que Saduci não resistiria e ele não viveria mais como um ser humano.

No meio da mata trovejante surgiu com a luz de relâmpagos e trovões – Oyá, Yansã a Senhora dos ventos e das tempestades. Yansã vendo que um filho negro da cor estava sofrendo, e que não poderia mais viver como humano, magicamente Yansã docemente soprou e de seus lábios surgiu um redemoinho de vento que abraçando Saduci o elevou, o redemoinho era o presente de Yansã a ele, era a perna que Saduci não tinha. Com isto Saduci estava protegido na mata contra todos, conseguindo se locomover na velocidade do vento, mas preso nas matas para sempre se tornando um ser místico encantado. O ser místico encantado se torna o guardião das matas e protetor dos animais e pessoas que a habitam.

Os escravizados que vieram para o trabalho no ciclo da cana de açúcar resistiam à escravidão de todas as formas possiveis, entre elas estavam a quebra de equipamentos, trabalhar de forma lenta, queimar de mais ou de menos o açucar, provocar incendios na lavoura e, claro, a fuga. Essas atitudes nos remetem aos relatos das travessuras atribuídas ao Saci.

O Saci-Pererê que conhecemos hoje é uma junção de mitos e lendas dos três povos – branco, Índio e o Negro, no final do século XVIII ou começo do século XIX, que ao longo do tempo acrescentaram suas raízes na forma mística. Mas a figura atual foi incorporada pela cultura caipira e também pelos povos africanos escravizados.

Os índios Guarani do Sul do Brasil contavam a lenda do curumin Sacy-Perereg-çaa (cy = olho mal e perereg = saltitante), ser Elemental, protetor das matas, índios e animais. A influência dessa lenda no Sul foi tão grande que ela não ficou reclusa ao Brasil e espalhou-se pelos países vizinhos. Na Argentina, Uruguai e Paraguai, o saci-pererê é conhecido como yacy-yateré, diferentemente do saci, não é careca e possui cabelosloiros, usa um bastãodeouro como varinha mágica (que o torna invisível) e um chapéudepalha. Na origem da lenda do saci, ele era um protetor da floresta e, por isso, muitos consideram-no como um personagem derivado da lenda do curupira. Na medida em que sua história se espalhou, ela foi incorporando outros elementos que fazem parte do folclore de cada região e que podem ser oriundos de outras culturas.

No Norte ele é um menininho negro africano que perdeu a perna lutando capoeira e fuma um cachimbo, uma das mãos é furada de tanto carregar a brasa para acende-lo e a carapuça, um gorro vermelho que vem da Europa, era o Piléu romano que o escravizado ganhava quando recebia a liberdade, que se adaptou para o lendário Trasgo, um doende verde encantado que possuía a mesma carapuça dando-lhe poderes mágicos, como o de aparecer e desaparecer onde quiser.

Forte é a ligação com a floresta, este lado ecológico o aproxima tanto de sua matriz guarani quanto da africana, já que permite comparações com o orixá Ossain e o Exu, guardião das aldeias.

O Saci é “gerado” em gomos de Bambu Taquaruçu por 7 anos e o nascimento é em noites de tempestades já com os cachimbos acesos, pronto para fazer travessuras, trançar a crina dos cavalos, queimar a comida, esconder objetos, rodopiar e bailar no embalo do vento ou no redemoinho, assoviar dentre as matas, e assustar bicho e gente. Vivem por 77 anos e com a mesma magia do ser místico encantado, eles se transformam e repousam na forma de um cogumelo chamado orelha de pau em seu sono mais profundo, destilando o veneno adormecido em quem ousar desperta-lo para que seu ciclo seja reiniciado.

Vive solitário nas matas e existem pelo menos três tipos: Saci-Pererê que é o mais conhecido, o Saci Saçurá moreno e brincalhão, e o Saci-Trique, branco e de olhos vermelhos, mas ás vezes ele se transforma numa ave de nome Matiapere, que tem um assobio persistente, ora fino ora grave, que a gente nunca sabe de onde vem e risadas exageradas. Ele é tão ligeiro que forma um corrupio de vento ao andar.

Quem entra na mata em busca de ervas, deve pedir autorização ao Saci, já que ele é o Guardião das ervas sagradas e detém a sabedoria, tendo a função denominada farmacopeia. Quando um indivíduo considerado mau adentra na floresta em busca do quilombo, é o Saci quem defende. Impõe-se com bravura, faz o indivíduo se perder, esconde suas coisas e faz com que seja atacado por animais.

No senário de escravidão do Brasil colonial, as Amas-secas e os Pretos-velhos contam que todo escravizado fugido quando era capturado, passava por torturas, podendo até ser esquartejado, ficando sem uma perna para não fugir mais. Mistérios, mitos e lendas que rondam e assombram o ser da noite, o medo cria o travesso, o exu-mirim da madrugada, na escuridão das matas, escondem os segredos do Saci e da ave consagrada que leva o seu nome e que canta para espantar todo o mal da floresta.

Saci muitas das vezes foi associado a figura de um diabo, ou de um ladrão, ou de um ser extremamente mal, tudo no intuito de depreciar a imagem do negro, demonstrando os resquícios do racismo presente na sociedade brasileira. Algumas pessoas acabam associando o Saci a essa negatividade, totalmente desvirtuada da real construção da lenda. Não se deve mais ensinar que as crianças prendam o Saci numa garrafa. Isso remete a imagem de um cativeiro. Caçar e capturar o Saci é a ideia de possuir um escravizado, tornando-se Senhor e sendo o Saci obrigado a realizar seus desejos.

Ainda existe na história uma relação de domínio que revela uma cultura que carrega uma marca racial forte e elementos de captura e submissão característicos do período escravocrata.

Essas são heranças pesadas da escravidão, que perdurou por mais de três séculos no Brasil na lenda do nosso Saci.

PALAVRAS CHAVES:

– seiva do pau-brasil, sangue de suas feridas (referindo a cor vermelha)

– Principe negro
– Libertação
– Sombrio
– Mutilação
– Ossain
– Curandeiro
– Ervas medicinais
– Oyá (Yansã)
– Senhora dos ventos
– Filho negro
– Curumim
– Capoeira
– Bambu Taquaruçu
– sopro de yansa

Autores do enredo: Danilo Santiago e Marcus Teixeira