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26 de fevereiro de 2026, nº 114 Leia as colunas anteriores de Carlos Fonseca A VITÓRIA DA EMOÇÃO, DA CATARSE, DO SAMBISTA
' Deu Viradouro. Deu Mestre Ciça. O carnaval da Sapucaí em 2026 premiou a emoção, a catarse e, mais do que nunca, o samba e o sambista. O que se viu na madrugada da terça-feira de carnaval foi um daqueles momentos em que a emoção, os olhos e nem a imponderável – e tão imprevisível – magia da pista explicam. E talvez eles ainda demorem pra explicar. De um enredo que inicialmente fora maldosamente questionado por sua linha de desenvolvimento para conquistar as arquibancadas numa apoteose coletiva de 79 minutos. A avenida (re)viveu seus momentos gloriosos. E o carnaval agradece.
A seguir, algumas linhas sobre o que a Sapucaí leva dos desfiles de 2026.
A bateria da Viradouro, comandada pelo enredo Ciça, encerra o desfile campeão em cima da última alegoria (Foto: Carlos Fonseca/SAMBARIO) ' O campeonato da Viradouro, sua quarta conquista no Grupo Especial em quase 30 anos, se banha de todos os méritos e justiça por unir emoção e técnica em um só desfile, ao ponto de as arquibancadas já proclamarem o grito de “é campeã!” para a escola de Niterói antes mesmo da apresentação acabar – particularmente, em seis anos cobrindo desfiles in loco, nunca tinha visto algo que chegasse perto disso. Desde o anúncio do enredo eu destacava durante os programas de pré-carnaval do SAMBARIO que “a Viradouro tem a chance de fazer algo histórico com essa homenagem pro Ciça”. E fez. Além do que se podia imaginar.
Mas é lógico que sempre tem alguma polêmica junto aos confetes e a alegria do povão. As quatro notas 10 em Alegorias e Adereços, a despeito de um problema no elevador de uma das alegorias, levantou a ira de uma minoria raivosa de quem ainda não aprendeu que competição é apenas na avenida, e não nas redes sociais. Como explicar isso? É o simples: enquanto o julgamento privilegiar o fechamento de notas por dia ao invés do comparativo geral e o 10 for banalizado a qualquer preço, podem inventar outros 20, 30 subquesitos que seguiremos sujeitos a debater as mesmas polêmicas. Se a campeã poderia perder mais pontos, as outras quatro, cinco que vieram abaixo também teriam de perder. Ontem o alvo foi a Beija-Flor, hoje é a Viradouro, amanhã pode ser outra escola e “la nave se va”...
Falando em Beija-Flor, ela mais uma vez fez um desfile de técnica, chão e imponência, fazendo jus a costumeira “credencial de Beija-Flor”. Acabou perdendo no azar da alegoria danificada pelo viaduto. A Vila Isabel confirmou a expectativa do pré-carnaval e fez outro grande desfile, mas o excesso de fantasias pesadas foi determinante pra perda do título – e até mesmo do vice-campeonato. Particularmente não quero tratar o Salgueiro exatamente como “surpresa”, mas foi outra homenagem questionada no pré-carnaval que deu muito certo na pista. Rosa Magalhães ganhou seus merecidos louros no encerramento da festa.
Não questiono o retorno da Imperatriz ao Sábado das Campeãs, embora o desfile sobre Ney Matogrosso me tirou um gosto de “podia ser melhor”. Vi na Tijuca um conjunto ligeiramente melhor em narrativa e quesitos de pista, então podia ser dela a última vaga entre as seis melhores. Mangueira também voltou entre as seis primeiras, num desfile visualmente bonito (méritos ao Sidnei França e toda equipe) mas com alguns pontos derrapantes.
A Grande Rio terminou na oitava posição e talvez aí está a única unanimidade da parte intermediária além do já esperado rebaixamento da Acadêmicos de Niterói – de um desfile fraco mesmo com a boa recepção do público provocada pelo enredo sobre o presidente Lula. O julgamento da Mocidade foi uma covardia sem anestesia. Ficar atrás de escolas que tiveram mais problemas que ela é um absurdo. A escola reclama e com muita razão das notas e das justificativas: impossível ter sido um desfile para ser relegado ao décimo primeiro lugar...
De novata pra novata: a União de Maricá chega ao Grupo Especial com os dois pés na porta. Como diz seu samba, “vá dormir com esse barulho”...
SEÇÃO DE CURIOSIDADES
- É a primeira vez que a Viradouro termina entre as quatro primeiras colocadas por sete desfiles consecutivos: foram três campeonatos (2020, 2024 e 2026), dois vices (2019 e 2023), um terceiro lugar (2022) e um quarto (2025). Segue sendo a melhor sequência histórica da escola de Niterói na elite, que agora está por um desfile de igualar os oito consecutivos (1997-2004) no Desfile das Campeãs. Além disso, é a terceira vez que a vermelho e branco conquista o título com pontuação máxima – 180 pontos em 1997 e 270 pontos em 2024 e 26.
- Aliás, a Viradouro chegou aos mesmos quatro títulos da Unidos da Tijuca. Curiosamente, nessa fase atual a escola de Niterói “roubou” outros feitos que pertenciam à escola do Borel no passado: melhor resultado de uma escola vinda do Acesso (o vice-campeonato de 2019) e a campeã que desfilou mais cedo (segunda de domingo em 2020).
- Os títulos recentes da Viradouro tem uma peculiaridade na classificação final: o Salgueiro em quarto lugar e a escola rebaixada ser da região onde fica a escola - se em 2024 foi a Porto da Pedra, da vizinha São Gonçalo, em 2026 foi a conterrânea Acadêmicos de Niterói.
- A Imperatriz não terminava um carnaval na quinta posição desde 2014, enquanto a Mangueira não repetia duas sextas colocações consecutivas desde o biênio 2009-2010.
- O sétimo lugar é o melhor resultado da Unidos da Tijuca desde o carnaval de 2019, quando também ficou na sétima posição. Por meio ponto o Pavão não conseguiu o retorno ao Desfile das Campeãs, de onde a escola está afastada desde 2016. O desfile tijucano também marcou a despedida de Lucinha Nobre do carnaval, já que a porta-bandeira anunciou sua aposentadoria da função dias depois.
- Ainda falando da Tijuca, a escola repetiu uma velha sina: desfilar logo após uma catarse que terminou em campeonato. Foi assim em 1992 (quando veio depois de “Paulicéia Desvairada” da Estácio), em 1993 (vindo após o histórico “Peguei um Ita no Norte” do Salgueiro) e agora em 2026, sucedendo a Viradouro...
- Com o oitavo lugar, posição que não terminava desde 1998, a Grande Rio ficou de fora do Desfile das Campeãs pela primeira vez desde 2019.
- Com o nono lugar, colocação anteriormente conquistada em 2024, o Paraíso do Tuiuti vai para o décimo carnaval consecutivo no Grupo Especial, melhor sequência histórica da escola na elite. O melhor resultado, como se sabe, foi o vice-campeonato de 2018.
- A Portela teve seu pior desempenho desde o desfile do centenário, em 2023, quando também ficou em décimo lugar. Este resultado provoca um ineditismo: em 2027, a maior campeã do carnaval vai abrir um dia oficial de desfiles pela primeira vez na história (e não entra nessa conta a vez em que a escola abriu o Desfile das Campeãs, em 2012)
- Pela sexta vez no século, a Mocidade Independente de Padre Miguel termina em décimo primeiro lugar.
- A União de Maricá será a quinta escola a estrear no Grupo Especial neste século. Fundada em 2015 a partir da união de outras escolas locais, a agremiação se junta ao seleto grupo que inclui Paraíso do Tuiuti (2001), Renascer de Jacarepaguá (2012), Inocentes de Belford Roxo (2013) e Acadêmicos de Niterói (2026).
- O Império Serrano chegou ao terceiro vice-campeonato na Série Ouro neste século – os outros dois foram em 2012 e 2024. Com a quinta posição, a Em Cima da Hora chegou ao seu melhor resultado no Acesso desde 2000, quando foi terceira e perdeu o acesso para o Paraíso do Tuiuti nos critérios de desempate. Em sétimo, a Porto da Pedra obteve seu pior resultado desde 2015.
- Com o rebaixamento, a Inocentes de Belford Roxo deixa a Marquês de Sapucaí após 27 anos. A Caçulinha da Baixada viveu seu maior momento em 2013, quando desfilou no Grupo Especial pela (até aqui) única vez. A escola voltará a disputar o terceiro grupo, onde esteve pela última vez no carnaval de 2008.
- A Acadêmicos de Santa Cruz volta à Sapucaí depois de 4 anos. Seu último desfile, em 2022, homenageou o ator Milton Gonçalves – que faleceria meses depois. Das escolas que foram rebaixadas desde 2020, a verde e branca da Zona Oeste é a primeira a conseguir o retorno ao Sambódromo.
- A equipe de transmissão da Globo para os desfiles do Grupo Especial não teve alterações: Alex Escobar, Karine Alves, Milton Cunha e Mariana Gross na ancoragem, Pretinho da Serrinha nos comentários. Aliás, muitos temeram pela presença de Milton Cunha nas transmissões por conta de seu afastamento do “Enredo e Samba”, tradicional quadro do RJTV, devido a um problema de compliance – o carnavalesco gravou propagandas para o governo federal no fim do ano passado, o que é vetado pela Globo para quem presta serviços à área jornalística da emissora. Na transmissão do Desfile das Campeãs pelo Multishow, o time foi formado por Karine, Mariana, Milton, Lucinha Nobre e a atriz Paolla Oliveira, com os reforços do influenciador Gominho e da cantora Wic Tavares.
A nota dez Para a grande imagem do carnaval: todas as escolas de samba aplaudindo a vitória da Viradouro assim que foi proclamada a nota 10 decisiva. Uma cena tão representativa que até Jorge Perlingeiro quebrou o protocolo. Que fique de admiração e exemplo para todos nós.
A última volta do ponteiro E a dança das cadeiras para 2027 já começou mais frenética do que nunca, e tão surpreendente quanto. Mas isso é assunto para futuras colunas... '
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