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Os sambas da Série Ouro 2026 por Cláudio Carvalho
As avaliações e notas referidas apresentam critérios distintos dos utilizados pelo júri oficial, em nada relacionados aos referidos desempenhos que as obras virão a ter no desfile Estácio de Sá: O
samba da vermelha e branca do Morro de São Carlos sobre Tata
Tancredo, o homem que idealizou o genuíno Réveillon de
Copacabana, mostra-se necessário em tempos de palco gospel na
festa. Além disso, trata-se de uma obra de qualidade
indiscutível, que evidencia o reencontro da escola com a
excelência nesse quesito desde 2024. Promessa
de um grande desfile, capaz de credenciar a agremiação ao
título e ao retorno ao seu lugar de fato e de direito. Nota: 10
Porto da Pedra: O Tigre de São Gonçalo finalmente completa a trilogia de enredos iniciada em 1997 — loucos, ladrões e prostitutas. O samba dialoga com os anteriores não apenas pela presença de Wantuir, mas também pela força da composição, sobretudo em versos como “Fiz um Porto da Pedra que você jogou” e “Tigresa que mata um leão por dia”. O palavrão polêmico inserido na letra subverte o uso pejorativo normalmente associado às profissionais do sexo, o que, por si só, já é um achado criativo. Nota: 10 Unidos de Padre Miguel: De volta à Série Ouro após uma passagem-relâmpago e uma queda polêmica no Grupo Especial, a Unidos de Padre Miguel busca reassumir rapidamente o espaço que considera seu. Para isso, apresenta um enredo bem estruturado e um samba sólido, marca que a escola vem sustentando desde sua consolidação como potência do grupo, apesar de alguns trechos que resvalam no lugar-comum. Nota: 9.9 União da Ilha: Comparar os sambas atuais da tricolor insulana às obras das décadas de 1970, 1980 e da primeira metade dos anos 1990 é injusto. A escola ainda procura sua identidade e nem sempre é bem-sucedida nessa trajetória. O samba de 2026 é agradável de ouvir e faz referências ao passado, especialmente no uso recorrente dos termos “hoje” e “amanhã”. Contudo, em determinados momentos, a construção excessivamente linear acaba tirando impacto da obra. Resta aguardar o rendimento na avenida. Nota: 9.7 União de Maricá: Após a frustração de 2025, Maricá tenta reafirmar que seu lugar é no desfile principal. Para isso, aposta novamente em um enredo irreverente assinado por Leandro Vieira. O samba, de assimilação imediata, cai na repetição em alguns trechos, tanto na letra quanto na melodia — o clássico “chiclete” que gruda no ouvido e pode embalar um desfile que, plasticamente, tende a figurar entre os mais vistosos do grupo. Nota: 9.8 Vigário Geral: Com um enredo instigante, que propõe uma distopia permeada por crítica social, a escola da Leopoldina reforça que já deixou de ser uma agremiação restrita à Intendente Magalhães para ocupar, com propriedade, a Marquês de Sapucaí. O samba dialoga com a proposta, mas não empolga plenamente e recorre a clichês já conhecidos. Falta-lhe maior arrojo. Nota: 9.7 Arranco: Em busca de afirmação no grupo, a simpática agremiação do Engenho de Dentro leva à avenida um enredo sobre o palhaço Xamego. O samba é correto, tem boa fluidez e audição agradável, mas aposta em soluções repetidas na letra e na melodia, o que o impede de se destacar no conjunto do álbum. Nota: 9.7 Parque Acari: A escola de Acari demonstra crescente maturidade na Série Ouro, algo perceptível tanto na escolha do enredo quanto do samba para 2026. Brasiliana é uma obra consistente, com variações melódicas interessantes, sem recorrer a fórmulas fáceis ou clichês comuns a esse tipo de temática. O assunto ganha ainda mais força diante da recente partida de Haroldo Costa. Faixa bastante prazerosa de se ouvir. Nota: 9.8 Em Cima da Hora: Não soa exagerado afirmar que o samba de Cavalcante é o melhor da Série Ouro em 2026. O enredo sobre as pombas-giras comprova que, muitas vezes, a simplicidade é suficiente para alcançar a genialidade. A escola, que já presenteou o carnaval com clássicos como "Os Sertões" e "33 – Destino de Dom Pedro II", levará à avenida um dos grandes hinos de seu vasto cancioneiro. Mérito total dos compositores. Nota: 10 Inocentes: Em busca de novos horizontes, a Caçulinha da Baixada apostou no intérprete Ito Melodia e no carnavalesco Edson Pereira. As contratações, que repercutiram bastante na Série Ouro, vieram acompanhadas de um enredo inspirado na canção “Pagode Russo”, de Luiz Gonzaga. O samba alterna bons momentos e, com letra acessível, tem tudo para funcionar bem na Sapucaí. Nota: 9.8 Botafogo Samba Clube: O samba da escola do Alvinegro Carioca sobre Burle Marx (vascaíno assumido) figura entre as boas surpresas do álbum. Muito disso se deve à decisão da agremiação de abandonar a prática comum entre escolas ligadas a clubes de futebol de se prender exclusivamente a essas referências. Mérito do carnavalesco e dos compositores, que entregaram uma obra agradável e que credencia a escola a alçar voos mais altos no grupo. Nota: 9.9 Império Serrano: Chama atenção como, no grupo de acesso, os enredos e sambas do Império Serrano costumam apresentar rendimento superior ao exibido no Grupo Especial. “Lugares de Arlindo” talvez seja a exceção que confirma a regra. Superado esse parêntese, o samba sobre Conceição Evaristo mantém o bom nível recente da escola, destacando-se pela melodia inspirada, com ecos de jongo, e pela letra forte e bem construída. Nota: 9.9 Ponte: Última escola a desfilar, a Unidos da Ponte promete manter a Sapucaí em alerta com um samba que leva o funk para a avenida. A ousadia da proposta encontra uma obra compatível, capaz de dialogar com a força e a popularidade do gênero. Ainda assim, a construção se apoia em referências a diversos hits que marcaram o funk, sobretudo nos anos 1990, o que por vezes gera uma sensação de déjà-vu. Nota: 9.7 Bangu: O samba-enredo do pavilhão mais antigo da Zona Oeste, que homenageia Leci Brandão, apresenta letra e melodia bem alinhadas à trajetória e à relevância da artista. Em determinados momentos, recorre ao previsível expediente da “colcha de retalhos”, com citações líricas e melódicas de sucessos da homenageada. O recurso é esperado, mas não compromete o resultado final. Nota: 9.8 Jacarezinho: De volta à Marquês de Sapucaí, a Unidos do Jacarezinho presta tributo a um dos grandes compositores do samba contemporâneo, Xande de Pilares. A obra, que conta com a participação do homenageado na gravação, apresenta boa fluidez melódica, embora a letra, em alguns trechos, careça de maior inventividade. Nota: 9.7 |
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