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UNIDOS DE VILA ISABEL

UNIDOS DE VILA ISABEL

FUNDAÇÃO  04/04/46
CORES  Azul e Branco
QUADRA  Avenida 28 de Setembro, 382
Vila Isabel
20551-030
Telefone: 2578-0077
Fax: 2576-7052
BARRACÃO  Rua Rivadávia Correa, 60
Barracão 05
Cidade do Samba - Gamboa
20220-290
Telefone: 2283-1744
Fax: 2233-0787
SÍMBOLO Coroa

RESULTADOS - SAMBAS-ENREDO

HISTÓRICO

Foi no início dos anos 40 que Antonio Fernandes da Silveira, o China, mudou-se do Salgueiro para Vila Isabel, encontrando no bairro um bloco carnavalesco Vermelho e Branco. Pagodeiro, engajou-se na agremiação que defendia o Carnaval de Rua de Vila Isabel.

Mas, o Vermelho e Branco durou pouco. Por questões políticas, um grupo se afastou do bloco, indo participar de um time de futebol que tinha as cores azul e branco. Posteriormente, a turma transformou o time de futebol em bloco carnavalesco. Com o apoio do Seu China surgiu, então, novo bloco e suas cores eram o seu nome: Azul e Branco de Vila Isabel. A idéia era desfilar pelo bairro na festa maior da paixão, da espontaneidade, do amor - o Carnaval.

1946 - A Praça Onze era a Catedral do Samba. Seu China leva a grande maioria do Azul e Branco de Vila Isabel para assistir o desfile das Escolas de Samba. Foi a centelha. O desfile ainda não tinha terminado e no dia 4 de abril de 1946 foi fundada a Escola de Samba Unidos de Vila Isabel por China (que foi o primeiro presidente) e Antônio Rodrigues (Tuninho Carpinteiro). Durante 12 anos, de 1946 a 1958, a casa do China serviu da sede administrativa. Os primeiros ensaios da escola foram realizados no campo do Andaraí.

No ano seguinte, 1947, lá estava a debutante Unidos de Vila Isabel desfilando na Praça Onze o seu enredo, o primeiro, De Escrava a rainha. Estava consolidado mais um templo do samba, da alegria e da tristeza, da festa maior do povo - o Carnaval. Realizou seu primeiro desfile com 100 componentes, sendo alguns deles da própria diretoria, 27 ritmistas e 13 baianas. Os casais de mestre-sala e porta-bandeira a desfilar pela escola foram Gelson e Jandira e Antoniozinho e Angélica.

Paulo Brazão, que foi Cidadão-Samba em 1949, é um dos maiores ganhadores de sambas-de-enredo das escolas de samba. Foi autor de 15 sambas da Vila. Grande número de componentes da escola é oriundo do morro dos Macacos.

Em 1966, pela primeira vez a Vila ingressou no Grupo Principal. Com o ingresso de Martinho José Ferreira (que ganharia a eterna alcunha de Martinho da Vila) à escola no mesmo ano, o samba-enredo começou a sofrer uma transformação, proporcionando as modificações que caracterizam o samba-enredo de hoje. E a Vila Isabel passou a cantar na avenida sambas diferenciados, através de enredos como Carnaval das Ilusões, Quatro Séculos de Modas e Costumes, Yayá do Cais Dourado, Glórias Gaúchas e Onde o Brasil Aprendeu a Liberdade. Em 1978, a escola foi rebaixada, mas conquistou o título do Grupo 1B e retornou em 1980 ao lugar de onde só sairia vinte anos depois.

A escola, sempre reconhecida por fazer desfiles medianos, amargando posições intermediárias, conseguiu seu primeiro título do carnaval em 1988, com o enredo Kizomba, uma Festa de Raça. A Vila Isabel realizou um maravilhoso espetáculo, sem muito luxo, mas com a garra e o amor de seus componentes se sobressaindo na Sapucaí e proporcionando um dos melhores desfiles que o Sambódromo já viu.

No ano seguinte, a escola até conseguiu um quarto lugar com Direito é Direito. Mas os desfiles posteriores nunca mais repetiram o brilho de 1988. Em 2000, a escola amargou a penúltima colocação e foi rebaixada para o Grupo de Acesso. Em 2002, a Vila perdeu para a Santa Cruz o acesso ao Especial por um décimo, porém soube-se mais tarde que um dos envelopes estava com as notas das duas escolas invertidas. Uma pendenga judicial se perdurou por meses e meses, mas a Vila acabou optando por desfilar no Acesso em 2003, onde ficaria apenas em terceiro lugar. Mas em 2004, após quatro anos no Segundo Grupo, a Vila Isabel foi a campeã do Acesso com o enredo A Vila é Parati e obteve o direito de retornar ao desfile principal em 2005. Voltou para o lugar de onde nunca deveria ter saído. De volta à elite do carnaval, a Vila se manteve no Especial ao obter um décimo lugar com o enredo Singrando em Mares Bravios... E Construindo o Futuro. Joãosinho Trinta, responsável pelo carnaval da escola, acabou tendo um sério problema de saúde e foi a grande ausência dos desfiles de 2005.

A redenção da Vila veio em 2006. Com o enredo Soy loco por ti, America - A Vila canta a Latinidade, a escola conquistou, depois de 18 anos, seu segundo título no Grupo Especial apenas dois anos após sair do Acesso, contrariando a tradição de que nunca a vencedora sai do desfile de domingo (foi a quinta a desfilar na primeira noite). O enredo, que exaltava grandes figuras latino-americanas, como Simón Bolívar, foi patrocinado pela estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), que liberou verba de US$ 1 milhão à agremiação. Lembrando que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, é um grande admirador de Bolívar. A Vila Isabel terminou a apuração empatada com a Grande Rio, mas levou a melhor no quesito-desempate, o samba-enredo. Martinho da Vila, descontente com a eliminação de seu samba no concurso da escola, não desfilou.

A Vila tinha se modificado. E foi exatamente esse o enredo da escola para o carnaval seguinte: as metamorfoses da vida. Porém, a Vila Isabel terminou apenas na sexta posição em 2007. No carnaval seguinte, ao homenagear os trabalhadores, a agremiação fez uma apresentação irregular, amargando apenas a nona colocação. Em 2009, para falar do centenário do Theatro Municipal, a Vila Isabel realizou um belíssimo desfile, finalizando a apuração em quarto lugar. A mesma colocação foi repetida em 2010, com a homenagem ao centenário do nascimento de Noel Rosa. A Vila voltou a desfilar com um samba de autoria de Martinho da Vila depois de 17 anos. Em 2011, com a aquisição de Rosa Magalhães e um enredo sobre o cabelo, repetiu pela terceira vez seguida a quarta colocação. No ano seguinte, o belíssimo desfile sobre Angola fez a agremiação se classificar em terceiro.

Em 2013, o samba-enredo voltaria a ser o protagonista. A obra composta por um dream team de sambistas formado por Martinho da Vila, André Diniz e Arlindo Cruz para o enredo A Vila canta o Brasil celeiro do mundo - Água no feijão que chegou mais um... proporcionou um verdadeiro sacode na Marquês de Sapucaí, embalando o terceiro título da Vila Isabel e mais um na conta de Rosa Magalhães. Porém, no ano seguinte, problemas políticos e internos quase motivaram o rebaixamento da agremiação, com alas incompletas, carros inacabados e componentes de cueca indo para a pista. O décimo lugar acabou até comemorado. Em 2015, mesmo com a Vila mais completa, a colocação foi pior: 11º e penúltimo. No ano seguinte, a colocação seria melhor: oitavo. A fase crítica prosseguiu em 2017, com uma décima posição que sintetizou mais um desfile cheio de problemas.

RESULTADOS DA ESCOLA

1947 - 12ª no Grupo 1 
De Escrava a Rainha 
Miguel Moura

1948 - no Grupo 
Navios Negreiros 
Miguel Moura

1949 - 8ª no Grupo NO 
Iracema 
Miguel Moura

1950 - 4ª no Grupo NO 
Baía de Guanabara 
Miguel Moura

1951 - no Grupo 
Trabalhadores do Brasil 
Miguel Moura

1952 - 15ª no Grupo 2 
Paz, Esperança e Caridade 
Miguel Moura

1953 - no Grupo 
Isso é a Bahia 
Miguel Moura

1954 - no Grupo 
Presente, Passado e Futuro 
Miguel Moura

1955 - 11ª no Grupo 2 
Obras da Natureza 
Antônio Fernandes da Silveira, Seu China e Djalma Fernandes da Silveira

1956 - 2ª no Grupo 2 
Três Épocas 
Gabriel Pena

1957 - 16ª no Grupo 1 
Grande Baile da Ilha Fiscal 
Miguel Moura

1958 - 5ª no Grupo 2 
Riquezas do Brasil 
Gabriel do Nascimento

1959 - 12ª no Grupo 2 
Homenagem à Saldanha da Gama 
Gabriel do Nascimento

1960 - 1ª no Grupo 3 
Poeta dos Escravos 
Gabriel do Nascimento

1961 - 4ª no Grupo 2 
A Imprensa Através dos Tempos 
Gabriel do Nascimento

1962 - 8ª no Grupo 2 
Dom João VI 
Gabriel do Nascimento

1963 - 4ª no Grupo 2 
Três Fatos Históricos 
Gabriel do Nascimento

1964 - 3ª no Grupo 2 
Exaltação à Bahia 
Gabriel do Nascimento

1965 - 2ª no Grupo 2 
Epopéia do Teatro Municipal 
Gabriel do Nascimento

1966 - 4ª no Grupo 1 
Três Acontecimentos Históricos 
Gabriel do Nascimento e Dario Trindade

1967 - 4ª no Grupo 1 
Carnaval das Ilusões 
Gabriel do Nascimento e Dario Trindade

1968 - 8ª no Grupo 1 
Quatro Séculos de Modas e Costumes 
Augusto Gonçalves e Walter Tomé

1969 - 5ª no Grupo 1 
Yayá do Cais Dourados 
Gabriel do Nascimento e Dario Trindade

1970 - 5ª no Grupo 1 
Glórias Gaúchas 
Castelo Branco, José Ribamar, Iomar Soares

1971 - 5ª no Grupo 1 
Ouro Mascavo 
Iomar Soares e a Turma da Praça Sete

1972 - 6ª no Grupo 1 
Onde o Brasil Aprendeu a Liberdade 
Djalma Victorio e Soares e Souza

1973 - 8ª no Grupo 1 
Zodíaco no Samba 
Gabriel do Nascimento e Dario Trindade

1974 - 10ª no Grupo 1 
Aruana-Açu 
Yarema Ostrog

1975 - 6ª no Grupo 1 
Quatro Séculos de Paixão - História do Teatro Brasileiro 
Flávio Rangel

1976 - 6ª no Grupo 1 
Invenção de Orfeu 
Geraldo Sobreira e Flávio Rangel

1977 - 5ª no Grupo 1 
Ai que Saudades que Eu Tenho 
Arlindo Rodrigues e Luiz da Silva Ferreira

1978 - 8ª no Grupo 1 
Dique, Um Mar de Amor 
Departamento Cultural

1979 - 1ª no Grupo 1B 
Os Dourados Anos de Carlos Machado 
Fernando Costa e Sílvio Cunha

1980 - 2ª no Grupo 1A 
Sonho de um Sonho 
Fernando Costa e Sílvio Cunha

1981 - 9ª no Grupo 1A 
Dos Jardins do Éden à Era de Aquárius 
Sílvio Cunha

1982 - 10ª no Grupo 1A 
Noel Rosa e os Poetas da Vila nas Batalhas do Boulevard 
Viriato Ferreira

1983 - 9ª no Grupo 1A 
Os Imortais 
Fernando Costa

1984 - 5ª no Grupo 1A 
Pra Tudo se Acabar na Quarta-Feira 
Fernando Costa

1985 - 3ª no Grupo 1A 
Parece até que foi Ontem 
Max Lopes

1986 - 11ª no Grupo 1A 
De Alegria Cantei, de Alegria Pulei, de Três em Três, pelo Mundo Rodei 
Max Lopes

1987 - 5ª no Grupo 1 
Raízes 
Max Lopes

1988 - 1ª no Grupo 1 
Kizomba, Festa da Raça 
Milton Siqueira, Paulo César Cardoso e Ilvamar Magalhães

1989 - 4ª no Grupo 1 
Direito é Direito 
Paulo César Cardoso, Ilvamar Magalhães e Orlando Pereira

1990 - 12ª no Grupo Especial 
Se Esta Terra, se Esta Terra Fosse Minha 
Ilvamar Magalhães

1991 - 11ª no Grupo Especial 
Luiz Peixoto, e Tome Polca 
Ilvamar Magalhães

1992 - 12ª no Grupo Especial 
A Vila vê o ôvo e põe às claras 
Gil Ricon

1993 - 8ª no Grupo Especial 
Gbala, Viagem ao Templo da Criação 
Oswaldo Jardim

1994 - 9ª no Grupo Especial 
Muito Prazer! Isabel de Bragança ou Drumond Rosa da Silva, mas Pode me Chamar de Vila 
Oswaldo Jardim

1995 - 7ª no Grupo Especial 
Cara ou Coroa, as Duas Faces da Moeda 
Max Lopes

1996 - 7ª no Grupo Especial 
A Heróica Cavalgada de um Povo 
Max Lopes

1997 - 9ª no Grupo Especial 
Não Deixe o Samba Morrer 
Jorge Freitas e Claudio Vieira

1998 - 12ª no Grupo Especial 
Lágrimas, Suor e Conquistas no Mundo em Transformação 
Jorge Freitas

1999 - 11ª no Grupo Especial 
João Pessoa, Onde o Sol Brilha mais Cedo 
João Luis de Moura e Jorge Freitas

2000 - 13ª no Grupo Especial 
Academia Indígena de Letras - Sou índio, Eu também sou Imortal 
Oswaldo Jardim

2001 - 4ª no Grupo A 
Estado Maravilhoso Cheios de Encantos Mil 
Ricardo Pavão, depois Jorge Caribé

2002 - 2ª no Grupo A 
O Glorioso Nilton Santos... Sua Bola, sua Vida, nossa Vila... 
João Luis de Moura

2003 - 3ª no Grupo A 
Oscar Niemeyer, o Arquiteto no Recanto da Princesa 
Jorge Freitas

2004 - 1ª no Grupo A 
A Vila é Para Ti... 
João Luis de Moura

2005 - 10ª no Grupo Especial 
Singrando em Mares Bravios... E Construindo o Futuro
Joãosinho Trinta e Wany Araújo

2006 - 1ª no Grupo Especial 
Soy Loco Por Ti América: A Vila Canta a Latinidade
Alexandre Louzada

2007 - 6ª no Grupo Especial 
Metamorfoses: Do Reino Natural à Corte Popular do Carnaval - as Transformações da Vida
Cid Carvalho

2008 - 9ª no Grupo Especial 
Trabalhadores do Brasil
Alex de Souza

2009 - 4ª no Grupo Especial 
Neste palco da folia, é minha Vila que anuncia: Theatro Municipal - A centenária maravilha
Alex de Souza e Paulo Barros

2010 - 4ª no Grupo Especial 
Noël - A Presença do Poeta da Vila
Alex de Souza

2011 - 4ª no Grupo Especial 
Mitos e Histórias Entrelaçados pelos Fios do Cabelo
Rosa Magalhães

2012 - 3ª no Grupo Especial 
Você sembo lá... que eu sambo cá - O canto livre de Angola
Rosa Magalhães

2013 - 1ª no Grupo Especial 
A Vila canta o Brasil celeiro do mundo - Água no feijão que chegou mais um...
Rosa Magalhães

2014 - 10ª no Grupo Especial 
A Vila canta o Brasil celeiro do mundo - Água no feijão que chegou mais um...
Cid Carvalho

2015 - 11ª no Grupo Especial 
O maestro brasileiro está na terra de Noel, a partitura é azul e branco, da nossa Vila Isabel
Max Lopes

2016 - 8ª no Grupo Especial 
Memórias do 'Pai Arraia' - um sonho pernambucano, um legado brasileiro!
Alex de Souza

2017 - 10ª no Grupo Especial 
O Som da Cor
Alex de Souza

SAMBAS-ENREDO

1967

Enredo: Carnaval das Ilusões
Autores: Martinho da Vila e Gemeu


Fantasia
Deusa do sonhos esteja presente
Nos devaneios de um inocente

Oh soberana das fascinações
Põe os seres do seu reino encantado (bis)
Desfilando para o povo deslumbrado
Num carnaval de ilusões

Na doce pausa dos folguedos infantis
Repousam a bola e a bonequinha querida
No turbilhão do carrossel da alegre vida
Morfeu embala a criança tão feliz
Que num sonho encantador
Viaja ao mundo da fabulação

Terra da riqueza e do fulgor (bis)
De tanta beleza e esplendor

Guiadas pela fada ilusão
Se juntam lendárias figuras
Personagens de leitura
Revividos na memória
Que ajusta ao imperfeito
A perfeição dos conceitos
De deleitosas estórias
Neste clima extasiante
O cortejo deslumbrante
Tudo envolve ao despertar
E ao mundo da verdade
Sem saber da realidade
Retorna o petiz a cantar

Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar (bis)
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar


1968

Enredo: Quatro Séculos de Modas e Costumes
Autores: Martinho da Vila

A Vila desce colorida

Para mostrar no carnaval

Quatro séculos de modas e costumes

O moderno e o tradicional

 

Negros, brancos, índios

Eis a miscigenação (bis)

Ditando moda, fixando os costumes

Os rituais e a tradição

 

E surgem tipos brasileiros

Saveiros e bateador

O carioca e o gaúcho

Jangadeiro e cantador

 

Lá vem o negro

Vejam as mucamas (bis)

Também vem com o branco

Elegantes damas

 

Desfilam modas do Rio

Costumes do norte e a dança do sul

Capoeiras, desafios

Frevos e maracatus

 

Laiaraiá ô laiaraiaá

Festa da menina-moça

Na tribo dos Carajás (bis)

Candomblés lá na Bahia

Onde baixam os orixás

1969

Enredo: Yayá do Cais Dourado
Autores: Martinho da Vila e Rodolpho

No cais dourado da velha Bahia
Onde estava o capoeira
A Yayá também se via
Juntos na feira ou na romaria
No banho de cachoeira
E também na pescaria

Dançavam juntos (bis)
Em todo fandango e festinha

E no reisado, contramestre e pastorinha

Cantavam laralalaialaiá (bis)
Nas festas do Alto do Gantois

Mas loucamente a Yayá do Cais Dourado
Trocou seu amor ardente
Por um moço requintado
E foi-se embora
Passear em barco a vela
Desfilando em carruagem
Já não era mais aquela

E o capoeira que era valente chorou (bis)

Até que um dia a mulata
Lá no cais apareceu
Ao ver o seu capoeira
Pra ele logo correu

Pediu guarita (bis)
Mas o capoeira não deu

Desesperada caiu no mundo a vagar
E o capoeira ficou com seu povo a cantar
Lalaialalará...

1970

Enredo: Glórias Gaúchas
Autores: Martinho da Vila

Desfila a Vila novamente incrementada (bis
E desta vez tem o Rio Grande na jogada

Com sua glórias e tradições (bis)
Suas histórias e seus brasões 

Tem gaúcho lá nos Pampas
Que não é de brincadeira 
Estadista de renome
Já nos deu este torrão 
Foi rainha da beleza
A farroupilha hospitaleira 
É a terra da videira
Do churrasco e chimarrão

Vamos cantar 
Gentes do meridião (bis)
Caminhando pela estrada 
Sem espora e sem gibão

Toma conta do rebanho 
Negrinho do pastoreio 
Sonha e canta o teu sonho 
No viola o violeiro 
E o gaúcho forasteiro 
Contemplando o céu azul 
Até o norte brasileiro 
Vai cantarolando uma canção do sul 

Vou-me embora, vou-me embora 
Prenda minha 
Tenho muito que fazer (bis)
Eu vou partir para bem longe 
Prenda minha 
Pro campo do bem-querer

1971

Enredo: Ouro mascavo
Autores: Jonas, Arroz e Djalma

Ao despertar do dia
O povo com imensa alegria
Festejava a moagem da cana
Ao som de vibrante melodia
Vivendas ornadas de lindas flores
Davam um toque sutil e atraente
Numa mistura de cores
Nos terreiros bandeiras a oscilar
Sorriam brancos e negros
Ao verem a moenda girar

Gira gira moenda
Gira sem parar (bis)
Pra fazer garapa
Pra negro velho tomar

No auge da festa colossal
Na casa grande
O luxo e a graça imperavam
Senhores e damas desfilavam
No salão senhorial
Esquecendo a senzala
Num canto forte que fala
Batucando com efusão
Os negros dançavam
Sob grande emoção
Ô ôôô ôôô
Ao Ouro Mascavo
O nosso louvor
Ô ôôô ôôô
Hoje é dia de festa
Senhor

1972

Enredo: Onde o Brasil aprendeu a liberdade
Autores: Martinho da Vila

Aprendeu-se a liberdade
Combatendo em Guararapes
Entre flechas e tacapes
Facas, fuzis e canhões
Brasileiros irmanados
Sem senhores, sem senzala
E a Senhora dos Prazeres
Transformando pedra em bala
Bom Nassau já foi embora
Fez-se a revolução
E a Festa da Pitomba é a reconstituição

Jangadas ao mar
Pra buscar lagosta
Pra levar pra festa em Jaboatão
(bis)
Vamos preparar lindos mamulengos
Pra comemorar a libertação

E lá vem maracatu
Bumba-meu-boi, vaquejada
Cantorias e fandangos
Maculelê, marujada
Cirandeiro, cirandeiro,
Sua hora é chegada
Vem cantar esta ciranda
Pois a roda está formada

Cirandeiro, cirandeiro, oh
A pedra do seu anel (bis)
Brilha mais do que o sol

1973

Enredo: Zodíaco no samba
Autores: Paulo Brazão e Irany S. Silva

Abriu-se a cortina do universo
Pra Vila cantar em verso
Uma história astral
Uma astrologia criada
Na primeira madrugada
A sorte foi lançada
Daí pra frente não há futuro nem presente
Que o destino esteja ausente

Nada se fez, nada se faz
Os astros não mentem jamais (bis)

Dim dim dim, dim dim dim
O destino é assim (bis)

E cada tem signo tem sua missão
Seja virgem, libra ou leão
Por que a sorte procurar
Se ela em suas mãos virá
Hoje tudo é sonho, fantasia
Esplendor e folia
Nesta era em que Aquarius nos traz
Felicidade, amor e paz

Cheguei a ver na bola de cristal
Que os astros vêm brincar o carnaval (bis)

Dindinha lua, dindinha lua
Desça do céu e vem sambar na rua (bis)

1974

Enredo: Aruanã-Açu
Autores: Paulinho da Vila, Rodolpho

A grande estrada que passa reinante
Por entre rochas, colinas e serras
Leva o progresso ao irmão distante
Na mata virgem que adorna a terra
O uirapuru, o sabiá, a fonte
As borboletas, perfumadas flores
A esperança de um novo horizonte
Traduzem festa, integração e amores

Lá, lá, laiá, lá, laiá
Lá, laiá, lá, laiá (bis)
Ô, ô

Noite de festa na praça da aldeia
Dançam em pares índios Carajás
E lá no céu brilha a lua cheia
Iluminando os mananciais
Raça morena que desbrava a mata
Canta a beleza do alto Xingu
Adora lendas, rios e cascatas
Pois isso é Aruanã-açu

Tem seringueiro, tem pescador
Índio guerreiro que também é caçador (bis)

1975

Enredo: Quatro séculos de paixão
Autores: Tião Graúna e Arroz

Quero o perfume das flores
Ação, luz e cores
Nesta festa popular
Eu sou o teatro brasileiro
Da vida o espelho verdadeiro

Sambando neste Carnaval
Com a minha arte que é imortal (bis)

Barreiras as venço com bravura
Transmitindo a toda gente
Distração e cultura
Sou a magia permanente
Que na história do Brasil
Sempre se fez presente

Tenho beleza, sou a esperança
Trago alegria (bis)
Neste dia de folia

1976

Enredo: Invenção de Orfeu
Autores: Rodolpho, Paulo Brazão e Irani

Ilhado na imaginação
Que mar de fantasia
O poeta vai cantando
Estórias tão sem história
De tristeza e alegria

No seu veleiro sem vela
Peixe que voa (bis)
Ave que é proa

Tem o barão, triste barão
Um homem sem reinado
Tem girassol reluzente
Tem leão rei coroado

Navegando, navegando
Navegando sem parar (bis)
Dedilhando sua lira
Fazendo o vento cantar

Em seus devaneios
Imagens diferentes
Cavalo todo de fogo
Mulheres metade serpente
Nesta ilha inventada
Procurando sua amada
Seu candelabro astro-rei
E a mulher imaginada
Desperta então o poeta
Clamando Orfeu
Clamando Orfeu

Uma luz nas trevas se acendeu
Mentira pra quem não crê (bis)
Milagre pra quem sofreu

1977

Enredo: Ai que saudade que eu tenho
Autores: Dida, Gemeu e Rodolpho

Ai que saudades que eu tenho
Da Lapa que simbolizou
A boêmia de ontem
Que nem o tempo apagou
Do teatro de revistas
Que na Tiradentes
Muito tempo imperou

Ah, que saudade do cassino
Que mudou tanto destino (bis)
E o artista consagrou

Noel
És amor, és poesia (bis)
Tua Vila carnaval
Cantando nostalgia

La ra ra
Como era lindo
Nos Carnavais
O pierrô, a colombina
E os ranchos tradicionais
Da Praça Onze
Que bom lembrar
Quando as escolas iam desfilar
Onde os sambistas iam batucar

Abre a roda meninada
Que o samba virou batucada (bis)
(Ai, que saudade...)

1978

Enredo: Dique, um mar de amor
Autores: Jarbas, Garganta de Ferro, Boanezio e Augusto Messias

Vindo da África distante
Lendas e crenças fascinantes
Só vovô sabe contar
Como se fez bela a natureza
Os deuses de grandeza
O céu, a terra e o mar
De uma grande união
Formou-se uma nação
Com todos os seus orixás
Força, luz e esplendor
Pra governar
O seu reino de amor
Todo ano na Bahia tem romagem
Na mistura de seus cantos
São preces em homenagem

Chuê chuê
Chuê chuá (bis)
As ondas levam saveiros
Com oferendas a Yemanjá

Lendas e crenças
Vamos mostrar pra vocês

Oh vovô, por favor conte outra vez (bis)

1979

Enredo: Os dourados anos de Carlos Machado
Autores: Jonas, Rodolpho, Tião Grande e Luiz Carlos

Bela época
Com o luxo e a arte a sorrir
A malícia retratada
Na elegância do vestir
Eram festas
Cada show uma obra de amor
Era um festival de cores
E poesia, que esplendor
Oba, oba, com o feitiço da Vila eu cheguei
Oba oba chegou o rei
Vim mostrar a alegria
Da boemia, cassinos e cafés
A mulata que fascina
Carnavais e cabarés

Lembro Noel, Chico e Lalá
Pierrôs e colombinas (bis)
E a platéia a delirar

Fiz da noite o meu reinado
O meu mundo encantado
Iluminei
Palcos e lugares que passei
E a Bahia decantei
Nas "graças do Bonfim"
Baianas enfeitadas
De sandálias prateadas
E turbantes de cetim (e o Rio...)
O Rio amanheceu cantando lá lá lá
O Rio amanheceu cantando
Clarins em fá
(E tão bela...)

1980

Enredo: Sonho de um sonho
Autores: Martinho da Vila, Rodolpho e Graúna

Sonhei
Que estava sonhando um sonho sonhado
O sonho de um sonho
Magnetizado
As mentes abertas
Sem bicos calados
Juventude alerta
Os seres alados

Sonho meu
Eu sonhava que sonhava (bis)

Sonhei
Que eu era um rei que reinava como um ser comum
Era um por milhares, milhares por um
Como livres raios riscando os espaços
Transando o universo
Limpando os mormaços

Ai de mim
Ai de mim que mal sonhava (bis)

Na limpidez do espelho só vi coisas limpas
Como uma lua redonda brilhando nas grimpas
Um sorriso sem fúria, entre o réu e o juiz
A clemência, a ternura
Por amor da clausura
A prisão sem tortura
Inocência feliz
Ai meu Deus
Falso sonho que eu sonhava
Ai de mim
Eu sonhei que não sonhava
Mas sonhei...

1981

Enredo: Dos jardins do Éden, à era de Aquarius
Autores: Jonas, Lino Roberto e Tião Grande

Uma nova era
O sol iluminará
Num facho de Quimera
A luz nos alcançará
Oh, que maravilha é o jardim
Ao qual iremos retornar, retornar

Nas previsões para a era de Aquarius, a paz
A paz sobre nós reinará (bis)

O homem com a sua expulsão
Saiu do Éden a explorar nosso planeta
Desenvolvendo a arte e a ciência
Impulsionando o poder da razão
Para desvendar todos os segredos
Que envolviam a mãe natureza
No Oriente a força mágica dos astros
Era obra da divindade
E o homem confiante consultava
O caminha da prosperidade
A chama brilha, brilha a chama do progresso
Num futuro que virá
Está bem perto o paraíso
Com a conquista do universo
E a Vila Isabel se faz presente
Num vendaval de alegria
Cantando em verso e prosa o dia-a-dia

Gira, gira, meu mundo
Deixe a vida girar (bis)
No final desta gira
Só o amor encontrar

1982

Enredo: Noel Rosa e os poetas da Vila nas batalhas do Boulevard
Autor: J. Albertino

Resplandeceu
Iluminando a minha vida
Uma estrela que surgiu
A desfilar nesta avenida
Em raios coloridos
Contagiando o povão de alegria
Esta é a Vila
Brilhando neste dia de folia

Ô ô ô ô ô
Ô ô ô (bis)
Nesta noite reluzente
Lembramos um passado envolvente

As batalhas do Boulevard
E os poetas da Vila Isabel
Belos corsos, pierrôs e colombinas
Sob chuvas de confete e serpentinas
Desfiles de fantasias
Blocos de sujos e outros mais
Encantavam os antigos Carnavais

De azul e branco
Por este mundo sem fim (bis)
Lembrando Noel Rosa
Eu vou cantando assim

Até amanhã, se Deus quiser
Eu volto novamente pra lhe ver (bis)
Vou fazer o que puder
Pra você nunca mais me esquecer

1983

Enredo: Os imortais
Autores: Rodolpho, David da Vila, Jonas e Jorge King

Meu samba
Entra feliz na academia
E faz um elo com os imortais
Tira os fardões e veste a fantasia
Neste meu sonho que traz
Sinhazinha passeando na liteira
É tempo de namorar
Esmeraldas colorindo as bandeiras
Envergonhando o luar
Vem da cascata uma sinfonia divinal
Cecy e Pery se amando
A tribo festejando em ritual

Jandaia conta na Jurema
O arco-íris borda o céu da Iracema (bis)

Gemidos nas senzalas
Nos sertões, o grito de dor
O cangaço espalhando a rebeldia
Mas a poesia faz viver o amor
No meu despertar
Me vi tão criança
Nos braços da felicidade
Soltei meu balão, brinquei na ilusão
Cantei e sorri sem maldade

Eu queria ser amado
Tanto quanto é a Bahia
Ser chamado de sinhô (bis)
Contemplar a Yaô
No desabrochar do dia

1984

Enredo: Pra tudo se acabar na quarta-feira
Autores: Martinho da Vila

A grande paixão
Que foi inspiração
De um poeta é o enredo
Que emociona a velha-guarda
Lá na comissão de frente
Como a diretoria
Glória a quem trabalha o ano inteiro
Em mutirão
São escultores, são pintores, bordadeiras
São carpinteiros, vidraceiros, costureiras
Figurinista, desenhista e artesão
Gente empenhada em construir a ilusão
E que tem sonhos
Como a velha baiana

Que foi passista
Brincou em ala (bis)
Dizem quem foi
Um grande amor de um mestre-sala

O sambista é um artista
E o nosso tom é o diretor de harmonia
Os foliões são embalados
Pelo pessoal da bateria
Sonhos de reis, de pirata e jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira
Mas a quaresma lá no morro é colorida
Com fantasias já usadas na avenida
Que são cortinas
E são bandeiras
Razões pra vida
Tão real da quarta-feira
(É por isso que eu canto...)

1985

Enredo: Parece até que foi ontem
Autores: David Corrêa, J. Macedo, Tião Grande

Eu vou desaguar neste encanto
De riso pra decantar
Deixa eu ser a sua fonte cristalina
Ser criança nesse olhar
Poema que afaga
É vento que o arauto soprou
Eu dei pra ti uma cidade doce
Há cheiro de doce no ar
Inhá Preta, um doce de amor

Entra nessa roda
Menino vem cirandar (bis)
Eu perdi a conta
Na ponta do meu polegar

No baile colorido lá vou eu
Pra ver Cinderela, mel de amor
Menina e o vento fez o par
Vem Narizinho na luz do luar
No Sítio Encantado, rolar, correr
Sentir a brisa do amanhecer
Oh minha Vila
Contigo de braço rodei
Dançando no azul do horizonte
Eu e ela, parece até que foi ontem
(Eu digo balão...)

Ê balão (balão, balão)
Balão que leva eu (bis)
Balão me dê luar
E o céu pra eu brincar

1986

Enredo: De alegria cantei, de alegria pulei, de três em três, pelo mundo rodei
Autores: David Corrêa e Jorge Macedo

Sou rei, sou luar
Na vida eu tudo e nada, la laiá lá
Vira, brinca em três dias
E cai de quatro na folia
Não venha agora me sacanear
Levando o meu samba pra lá
Que ontem era popular
Já joguei minha tristeza, iaiá
Nas ondas de prata do mar
Ô ô ô ô ô ô, canto a saudade que ficou, ficou
O morro desce, me alucina
Fazendo o mundo girar

É passo, é pó, é paetê
Pro rei rodar (bis)
Ô lelê
Mas o mundo é pra eu brincar

(Ai, o mundo...)
O mundo viajando na canção
Alô, alô, viola
Um dengo de um repique pelo ar
Um ai me deixa
De cavaco e ganzá
Requebra quero ver
Quebrando pra mexer
Ô lê lê lê lê lê lê lê
Será, ô será
Que o samba ginga na voz Brasil
Mas deixa isto pra lá
E vá na pura do barril (ô nana)

Ô nanã ê okê
Ô nanã ê oka (bis)
Axé pra quem brincar

1987

Enredo: Raízes
Autores: Martinho da Vila, Ovídio Bessa e Azo

A Vila Isabel, incorporada de Maíra
Se transforma em Deus supremo
Dos povos de raiz
Da terra kaapor
O Deus morava nas montanhas
E fez filhos do chão
Mas só deu vida para um
No templo de Maíra
Sete deusas de pedra
Mas vida só pra uma
Destinada a Arapiá
Querubim Tapixi guardava a deusa para ele
Que sonhava conhecer a natureza
Então ele fugiu
Da serra, buscando emoções
E se encontrou com a mãe dos peixes Numiá
Por ela, Arapiá sentiu paixão
E quatro filhos Numiá gerou

Verão, calor e luz
Outono, muita fartura
Inverno, beleza fria (bis)
Primavera, cores e flores
Para enfeitar o paraíso

Mas eclodiu a luta entre os dois amantes
Pelo poder universal
Vovô Maíra interferiu na luta
E atirou os dois pro ar
Pra lá no céu jamais poderem se envolver

Arapiá, Guaraci, bola de fogo
E Numiá, é Jaci, bola de prata (bis)

E fez dos quatro netos, governantes magistrais
Surgindo, assim, as estações dos anos
A Vila Isabel...

1988

Enredo: Kizomba, a festa da raça
Autores: Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila

Valeu Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a abolição
Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e maracatu

Vem menininha pra dançar o caxambu (bis)

Ôô, ôô, Nega Mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ôô, ôô Clementina
O pagode é o partido popular
O sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que congraça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção

Esta Kizomba é nossa Constituição (bis)

Que magia
Reza, ajeum e orixás
Tem a força da cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais

Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua (bis)
Nossa sede é nossa sede
De que o "apartheid" se destrua

Valeu...

1989

Enredo: Direito é direito
Autores: Jorge King, Serginho Tonelada, Fernando Partideiro, Zé Antonio e J.C. Couto

É hora da verdade
A liberdade ainda não raiou
Queremos o direito de igualdade
Viver com dignidade
Não representa favor
Hoje, a Vila se faz tão bonita
E se apresenta destemida
Unida pelos mesmos ideais
Lutando com a maior sabedoria
Contra os preconceitos sociais
A Declaração Universal
Não é um sonho, temos que fazer cumprir
A justiça é cega, mas enxerga quando quer
Já está na hora de assumir (eu sei)
Sei que quem espera não alcança
Mas a esperança não acabará
Cantando e sambando acendo a chama
E sonho um novo dia clarear

Clareou
Despertou o amor, que é fonte da vida (bis)
Vamos dar as mãos e lutar
Sempre de cabeça erguida

E quando o amanhã surgir, surgir
A flor da paz se abrir, se abrir
Será prosperidade
A brisa vai trazer mais alegria
No mundo haverá fraternidade

Direito é direito
Está na declaração (bis)
A humanidade
É quem tem razão

1990

Enredo: Se esta terra, se esta terra fosse minha
Autores: Jorge Tropical, Jorginho Pereira, Anninha Guedes, Antônio Grande e Vilani Silva "Bom Bril"

Vem de longo tempo
O mesmo cantar
Se esta terra fosse minha, se esta terra
Eu iria semear, semear
Assim disse o português
Ao ver tanta riqueza neste chão
Quando os invasores aportaram
Com a sede louca da ambição
Cana-de-açúcar e pau-brasil
Uma delirante obsessão
(Mas brilhou...)
Brilhou no ouro a cobiça
Levando os bandeirantes ao sertão
Com o progresso e a colonização
Era o índio espancado sem perdão

E o herói Guarani
Gritou forte defendendo sua terra (bis)
Mas de nada adiantou
Aquele grito de guerra

Se minha fosse esta terra
Das pedras nasceriam flores
Com sangue, suor e lágrimas
Cantou o negro em suas cores (mas vindo...)
Vindo lá das bandas do Agreste
Terra seca do Nordeste
O homem em busca de aventuras
Quando a vontade mais pura do irmão
Era produzir no seu quinhão
(Se esta terra...)

Se esta terra fosse minha
É a Vila a cantar (bis)
Que felicidade é dividir
Com igualdade pra reforma reformar

1991

Enredo: Luiz Peixoto - E tome polca
Autores: Adil, Celsinho, Jorge Secretário e Helinho

Vem, vem amor
Que a minha Vila hoje é poesia
Entre acordes musicais
É lirismo, show e fantasia
Para exaltar, um inusitado poeta
Literato e compositor
E suas obras que o tempo consagrou

"E tome polca", "Iaiá"
Sua arte ainda encanta (bis)
E me faz cantar

Retratando a bela época
Caricaturando nosso Rio de Janeiro
Cinema e teatro de revista
Luiz Peixoto foi o pioneiro
Almofadinhas, melindrosas
E avenidas eram inspiração
Até o "M" de Maria, na palma da sua mão
"O olhar da mulata" que seduzia
Vendilhões e realejos, em pregões e melodias
"O verde-esperança" desta mata tropical
E os negros foram artes literária e visual
Com sua divina vocação
Criou, criou, criou (e cantou)
Que a pequena notável
Dolarizou e não americanizou
E a Vila, faz na folia um sarau
Polca-sambando neste Carnaval

Põe tempero baiana
Esquenta batuqueiro (bis)
Enquanto há chama neste candeeiro

1992

Enredo: A Vila vê o ovo e põe às claras
Autores: Sidney Sã, Miro Jr, Carlinhos da Vila, Claudinho do Orvalho e Arturzinho Só

Erês, curumins
Quilombolas (bis)
A Vila vê o ovo e põe às claras
Verdade não contada na escola

Vila Isabel, neste mar de amor (de amor)
Veleja nas ondas
Que o passado nos soprou
Quando as três embarcações
Nas Américas surgiram

Outras civilizações
A estas terras (bis)
Já tinham chegado

Negros africanos
Do Império da mandinga
Já navegavam os sete mares
Há provas no solo mexicano
Cabeças de negros
Moldadas em pedras antes de Colombo
Movidos pela ambição
Os europeus chegaram ao continente novo

Que ainda é
A galinha (bis)
Dos ovos de ouro

A flora devastaram
Poluíram rios e mares
Agredindo a ecologia
E a paz que bailava nos ares
Índios foram dizimados
Mas aos negros revoltados
Outros se irmanaram
Assim resistiram
E o Brasil nasceu cafuzo
De Oxalá e Tupã
Na mata tem mironga, eu quero ver

As ervas que
Servem pro bem e o mal (bis)
Do maracatu
Ao nosso carnaval

1993

Enredo: Gbalá - Viagem ao templo da criação
Autor: Martinho da Vila

Meu Deus
O grande Criador adoeceu
Porque
A sua criação já se perdeu
Quando acaba a criação
Desaparece o Criador
Pra salvar a geração
Só esperança e muito amor
Então
Foram abertos os caminhos
E a inocência entrou
No templo da criação
Lá os guias protetores do planeta
Colocaram o futuro em suas mãos
E através dos Orixás se encontraram
Com o deus dos deuses, Olorum
(E viram...)
Viram como foi criado o mundo
Se encantaram
Com a Mãe Natureza
Descobrindo o próprio corpo compreenderam
Que a função do homem é evoluir
Conheceram os valores
Do trabalho e do amor
E a importância da justiça
Sete águas revelaram em sete cores
Que a beleza é a missão de todo artista
Gbalá é resgatar, salvar
E a criança, esperança de Oxalá
Gbalá, resgatar, salvar
A criança é esperança de Oxalá
(Vamos sonhar...)

1994

Enredo: Muito prazer! Isabel de Bragança e Drumond Rosa da Silva, mas pode me chamar de Vila
Autores: Vilani Silva "Bombril", Evandro Bocão, André Diniz

Vou cantando
Os meus encantos vou mostrar (bis)
Muito prazer, eu sou a musa, sou a fonte
Deixa meu feitiço te levar

Antes habitada pelos índios
E os jesuítas cultivaram a cana no meu chão
Era "Fazenda dos Macacos"
A preferida do Imperador desta nação
Também fui o dote de Dom Pedro para duquesa
Com o progresso de Drummond
Ganhei cultura e requinte "à francesa"

"Peguei o bonde", "passei" no Boulevard
E a "Confiança" é doce recordar (bis)
"Os três apitos" cantados por Noel
Ainda ecoam pela Vila Isabel

Blocos, corsos, "lenhadores"
Alegria dos meus carnavais
Embalei os namorados
Na magia do amor formei casais
Em noites de festas, serestas, violões e "Os Tangarás"
Virei a predileta dos amantes e poetas
Gravados nas calçadas musicais
Desperta "Seu China", acorda "Noel"
Pra ver a nossa escola desse branco azul do céu
E o "Zé Ferreira" (alô Martinho)
Vem saudando a multidão
Pode me chamar de Vila
Que orgulho é o meu "Brazão"

Quem põe não tira
Nesta ceia popular (bis)
Sou do morro à nobreza
E de quem quiser amar

1995

Enredo: Cara ou coroa, as duas faces da moeda
Autores: Evandro Bocão, André Diniz

O cauri que eu vou jogar já foi dinheiro
O salário vem do sal que é tempero (bis)
No azul desse mar eu faço o meu carnaval
Com a Vila levantando o meu astral

A Vila ao girar sua coroa
Mostra a cara na avenida
E diz que a vida sempre foi um troca-troca
A Arábia em duas faces se escondia
Atraindo pro Oriente os interesses da Europa
Ao aumentar suas fronteiras
Surgiram novas rotas financeiras
O ciclo da moeda refletia
O comércio das especiarias

O "Eldorado Negro", império e tesouro (bis)
Taghaza transformava "ouro em pó" em pó de ouro

Renascem da evolução novos filões
Entre o Ocidente regiões
Daí a cobiça tão viril
Caravelas aportaram no Brasil
Um paraíso, um "colírio" no olhar
Novo eldorado fez a corte delirar
Pregoeiros de riquezas
Pau-Brasil de mão em mão
Nosso chão virou senzala
Um mercado a escravidão
Dom João trouxe o progresso
A inflação deixou de herança
No real, realidade é a esperança

1996

Enredo: A heróica cavalgada de um povo
Autores: Tião Grande e Cafu Ouro Preto

Baila minha porta-estandarte
E com a Vila vem mostrar toda emoção
A heróica cavalgada de um povo
Sua história, seus costumes, tradições
Sepé Tiaraju protege a terra
Na luta contra a força da invasão
Fez da bravura sua arma
Defendendo os sete povos das missões
São Pedro do Rio Grande do Sul
Se faz província, ganha capital
Porto dos Casais tem charqueadas
Lanceiros negros dançam nas congadas

Epopéia Farroupilha, clamor de voz
Chimangos ou Maragatos (bis)
O gaúcho é aclamado o grande herói

Progresso, miscigenação
O vento sopra, traz a colonização
Cerveja, dança, culinária
Festa da Uva, o churrasco e o chimarrão
Brilha no ar a Senhora Liberdade
E no Rincão um canto de felicidade
Boitatá é brasileiro
Cuida do rebanho, Negrinho do Pastoreio
E a Salamanca do Jarau, que o folclore nacional
Mostra para o mundo inteiro

Bailando na avenida minha Vila Isabel
Faz o Gre-Nal mais bonito (bis)
Com Lupicínio e Noel

1997

Enredo: Não deixe o samba morrer
Autor: J. C. Couto

Rio de Janeiro
Não deixe o samba morrer
Ouça esse grito de alerta
Faz o sol renascer
Viver na inspiração desses poetas
Ratifica nossos laços
Com a mais pura raiz
Pra que o samba tenha espaço
No carnaval desse país

Hoje a festa do povo
Faz a gente sambar (bis)
Vendo blocos e corsos
Como é bom recordar

Lindo é ver um sonho em fantasias
Vem mergulhar na nostalgia
Os velhos tempos não se vão jamais
Era nossa cidade a passarela
Que hoje a Vila traz tão bela
Os bons momentos tradicionais
O meu coração, batendo forte nos salões
Pierrôs e colombinas
E o Zé-Pereira com a multidão
Vem nessa onda, ioiô
Vem nessa onda, iaiá
Porque o samba é arte popular
Vem nessa onda, ioiô
Vem nessa onda, iaiá
Porque o samba não vai acabar

1998

Enredo: Lágrimas, suor e conquistas no mundo em transformação
Autores: David da Vila, Sérgio Freitas e Helinho, Mascote

O homem no tempo guerreia
Seu rastro semeia ambição
É a chama da conquista
Acesa no seu coração
"A luz de Roma se apaga"
Daí se propaga a transformação
O clero, a bem da verdade
Julgava o herege na inquisição

Baila no ar a esperança
O homem avança no velho mar (bis)
Um horizonte de riquezas
Fazia a Europa prosperar

Da burguesia surge o renascer
Valorizando ideais
Aniquilando o jeito de ser
Da soberania dos feudais
A sede da cobiça deságua
Na deriva das águas
A chegada triunfal
Às Índias, ao novo continente
E a este paraíso tropical
Velas ao vento, o rei mandou
O navegante outras terras conquistou
Tantos sem-terra ficaram
A sabedoria o poder contestou
Raios divinais iluminaram a humanidade
Na França movimentos radicais
Deram ao mundo outra mentalidade

No girar da coroa, a liberdade
Igualdade ecoa no meu cantar (bis)
A Vila, numa boa, agita o carnaval
É fraternidade universal

1999

Enredo: João Pessoa, onde o Sol brilha mais cedo
Autores: Evandro Bocão, Serginho "20" e Tito

Viajando pra onde o sol brilha mais cedo
Abro as portas das Américas
Sob a luz te faço enredo
Chão de potiguaras, tabajaras, cariris
Raízes desse povo lutador
A mulher por sua terra vira macho, sim senhor
Filipéia abençoada
Por missões estrangeiras cobiçada
É negra, é sangue, é verde mata
Não "nego" tua bandeira tão amada

Folia se faz na rua
Dançando ao clarão da lua (bis)
Xaxado ou forró, o sanfoneiro
Mostra a força do folclore brasileiro

Tua gente fascinante
Borda em rendas a história
Molda a vida em argila
A natureza, a maior glória
O astro-rei, o azul do mar
A culinária, o paladar
Nos doces frutos do teu chão, o sabor da região
A arte embala a inspira, suave, a brisa
Convida o luar pro dia descansar
O pôr-do-sol ouvindo o Bolero de Ravel
Cai a noite, estrelas lá no céu
Brilham para Vila Isabel

Acorde Brasil, no acorde da Vila
Hoje sou João Pessoa, sou a força Paraíba (bis)
Do braço do mar pros braços do povo
Luz que vai guiar um mundo novo

2000

Enredo: Eu sou índio, eu também sou imortal
Autores: Evandro Bocão, Serginho "20", Tito, Leonel e Ivan da Wandal

Ouvindo os murmúrios da cascata
A minha Vila foi pra mata
E, ao voltar, canta o que tenho pra mostrar
A avenida vira aldeia, "Porto Seguro"
Pro azul e branco me exaltar
O samba e a alma de um povo
"Unidos" tal qual oração
Tupã abençoando esta união

Iara do Igarapé, meu coração é seu lugar
A proteção do meu pajé (bis)
Abre os caminhos para a Vila desfilar

"Vi lá" em harmonia com a floresta
Em canto, dança, caça e pesca
Respeito à criação de um Deus Maior
"Vi lá", sabedoria em minha gente não letrada
Jaci iluminar a madrugada
Sublimes rituais e soluções medicinais
Vila querida
Guerreira, tua coroa hoje é cocar
Cavaco é arco e flecha, "lança" nessa festa
Um rio de amor em pleno carnaval
Ao ver tanta cultura me faz tua pintura
Hoje eu sou índio, eu também sou imortal

O meu tambor vai ecoar a noite inteira
A "tribo-Brasil" festeja o ano 2000 (bis)
500 anos, a história brasileira

2001

Enredo: Estado maravilhoso cheio de encantos mil
Autores: Claudinho, Miguel Bedê, Jejê do Caminho e Haroldo Filho

Vamos renascer
Nessa explosão tão colorida
Gritando viva o Ano Novo
Na esperança de ver um povo feliz
E sair por aí, pra conferir o que se fala
Do Rio de Janeiro e seu interior, jóia rara
Tão maravilhoso e cheio de encantos mil
Centro cultural do meu Brasil

Amor, me leva
Nessa barca eu também vou
Vou que vou (bis)
Sou turista neste dia
E no meio da folia
Sou um menestrel do amor

E a viagem continua
Sobe serras, vê-se terras
Um grande manancial, que litoral
Nosso solo tem riqueza
Generosa natureza
Aí tem Dedo de Deus
Em Duas Barras
Vi Festa de Reis, mineiro-pau
Dessa viagem sem igual
Volto ao Rio em fevereiro
Pra brincar meu Carnaval

Laiá, laiá, que maravilha
A magia está no ar
Nessa fonte de energia (bis)
Minha Vila é minha vida
A emoção me faz cantar

2002

Enredo: O glorioso Nilton Santos... Sua bola, sua vida, nossa Vila...
Autores: Leonel, Serginho 20, Si, Leno Dias e Ivan da Wanda

Alma e paixão popular
A coroa a girar, "é show de bola"
No futebol, "escola" da vida
Ou quando entro na avenida
Busco a glória da vitória
Sob o manto azul-e-branco
"Gol de placa" é Nilton Santos
"Falta pouco" pra gritar é campeão
Esse jogo veio lá da Inglaterra
Espalhou-se pela Terra, está em cada coração

"Tem peixe na rede" e um menino atrás da bola
Talento, simplicidade e raça (bis)
Vira artista do gramado, para sempre idolatrado
Explode em grito de gol a massa

Glorioso, estrela a brilhar
"Enciclopédia" a irradiar
No Maracanã ou pelo mundo inteiro
Vestia o orgulho de ser brasileiro
Tantos sonham ser Nilton Santos
"Santificado" nos campos
Lenda viva do esporte mundial
A taça é nossa, a gente segue o seu exemplo
Eterniza em nosso "templo"
Sua história "em forma" de Carnaval

Bate palma, "bate-bola", bate junto bateria
Igualzinho ao Nilton Santos, "toca com categoria" (bis)
É o gingado da baiana, é futebol, samba no pé
"A galera já delira", minha Vila "dando olé"

2003

Enredo: Oscar Niemeyer, o arquiteto no recanto da princesa
Autores: Jorge Tropical

O povo de Isabel vem coroar
Sob a luz das estrelas a brilhar
Um coração guerreiro de paz que nos traz
No silêncio do risco, um grito de igualdade
Em seus ideais
Essa paixão que invade a razão
Marco na Avenida projetada
Gênio à Alvorada-Capital
Arcos dos sonhos sociais
Lenda e mito memorial

É a Vila, é a volta, um canto no Boulevard
É a reviravolta do "Archi-teto" (bis)
"Artista-Concreto", um "Gauche-ereto"
Filosofia de um Partido a participar...

Niemeyer brasileiro da gema
Traços de um poema em construções
Cada coluna, belas artes
Novo mundo de idéias curvas, realizações
Lá no exterior se consagrou
A luta pelo povo jamais abandonou
Liberdade na expressão da emoção
O nosso manto estampado na vida
Desse nome singular
Que a comunidade abraça pra sambar

Um mundo melhor, pensamentos de amor
Colorindo a beleza do criador (bis)
Minha obra que é arte da natureza
Brota no recanto da Princesa

2004

Enredo: A Vila é Parati
Autores:
Leonel, Serginho 20, Sidney Sã, Professor Niltão, André Diniz

Reluz na avenida

Chegou a minha Vila a girar

Sonho cobiçado

Brilho dourado, conquistar

Segui teus encantos, veio azul e branco

Encontro a "jazida do mar"

Terra desejada por piratas

Índio e natureza em comunhão

Fé e interesses portugueses

Negro suor da escravidão

 

É a Vila a caminho do ouro

Foi "Doce" chegar lá (bis)

No "compasso" o traço e um povo

Que construiu a liberdade em seu lugar

 

Um paraíso de riquezas naturais

Que preserva tradições

E se "alinha" às transformações

A paz dos hippies encontrando a morada

O amor, sua bandeira

Também é uma Veneza brasileira

Tanta beleza em Parati

Me "embriagou" e saí por aí

Unindo a alma do carnaval

A um patrimônio da história mundial

 

É orgulho na avenida cantar

Refletir (bis)

O meu canto em poesia, no mar

A Vila é Parati

 

2005 

 

Enredo: Singrando em Mares Bravios... Construindo o Futuro

Compositores: André Diniz, Serginho 20, Prof. Newtão, Sidney Sã e Miguel BD

Olokum, abre caminhos no mar
Pra minha Vila passar
Depois da tempestade
A felicidade, a bonança
O azul retorna a seu lugar
O povo de Noel singra a história em direção
À arca de Noé que navegou pra salvação
No Egito embarcou, cultura milenar
À fria região, com viking a velejar
A proa da ambição, fez brilhar

Caravela, leve a Vila, Oriente
O paraíso é aqui, vem descobrir (bis)
O feitiço dessa gente

Lágrimas, corriam o semblante negro
Oceano de lamento nos tumbeiros
Jangadeiros sobre a bravura de um dragão
Negavam desembarcar a escravidão
Num cisne branco flutua
A luz do Almirante em noite de lua
O Barão de Mauá se fez pioneiro
Na construção naval
Que volta a soprar de cada estaleiro
Ventos à indústria nacional

É carnaval, um "Rio" de prazer
Cada turista que chegar vai ver (bis)
É linda a Vila balançando nas ondas do mar
Rumo à vitória navegar

2006

Enredo: Soy Loco Por Ti América: A Vila Canta a Latinidade
Compositores: André Diniz, Serginho 20, Carlinhos do Peixe e Carlinhos Petisco

Sangue "caliente" corre na veia
É noite no Império do Sol
A Vila Isabel semeia
Sua poesia em "portunhol"
E vai buscar num vôo à imensidão
Dourados frutos da ambição
Tropical por natureza
Fez brotar a miscigenação

"Soy loco por tí, América"
Louco por teus sabores (bis)
Fartura que impera, mestiça mãe terra
Da integração das cores

Nas densas "Florestas de cultura"
Do "sombrero" ao chimarrão
Sendo firme, sem perder "la ternura"
E o amor por este chão
Em límpidas águas, a clareza
Liberdade a construir
Apagando fronteiras, desenhando
Igualdade por aqui
"Arriba", Vila
Forte e unida
Feito o sonho do libertador
A essência latina é a luz de Bolívar
Que brilha num mosaico multicor

Para bailar "La Bamba", cair no samba
Latino-americano som (bis)
No compasso da Felicidade
"Irá pulsar mí corazón"

2007

Enredo: Metamorfoses: do reino natural à corte popular do carnaval - as transformações da vida
Autores: Evandro Bocão, André Diniz, Serginho 20, Carlinhos Petisco e Prof. Wladimir

Vai brilhar minha Vila
Ainda mais linda
Um tempo que faz sonhar
Inspira a luz da ciência
Mantém sua essência
E segue a se transformar
A mudar sua natureza
Pouco a pouco evoluindo
Imponente feito um humano
Seus passos vão refletindo

Renasce a luz da sabedoria
O homem se lança ao mar (bis)
O sonho é fonte dessa energia
E fabricando ilusões, renovar

Quero sempre me superar
Cruzar o céu, poder voar
Remodelar o que Deus criou
Brincando então de criador
A Vila também se modificou
No universo do carnaval
Lindamente desabrochou
E um sonho fez real

Samba não tem preconceito
Brancos, negros, iguais (bis)
Um beijo da Vila Isabel princesa
Metamorfose assim se faz

2008

Enredo: Trabalhadores do Brasil
Autores: André Diniz, Evandro Bocão, Carlinhos Petisco, Pingüim, Professor Vladimir, Dedé Aguiar, Eduardo Katata, Dinny, Miro Jr. e Carlinhos do Peixe

É mais que um samba o que se criou
É um hino ao povo trabalhador
A louvação a nossa gente
Vista indolente, pelos olhos da ambição
Nativa cor que foi presente
Pintou as dores da escravidão
A resistência mudou de cor e renasceu
Com a luta e a fé do negro
E ao quilombo ascendeu
Nosso ideal de liberdade
Cansado de ter nos ombros
Descanso do senhor, ecoou...

Que o brasileiro tem o seu valor
Meu Deus, ajude o trabalhador (bis)
E a imigração cruzou o azul do mar
Em nosso campo ver a vida melhorar

Voz de quem resistiu, a Era Vargas ouviu
Consolidar nossas conquistas
Em direitos trabalhistas
Comemora quem tanto lutou
Tempo de industrialização
Candangos, então, erguem Brasília
Sindicato consciente
Terra para nossa gente cultivar democracia
Avante trabalhadores de Vila Isabel
Quem faz a hora não espera acontecer
Suor dessa gente, construiu esta nação
Verdadeiros filhos deste chão

Hoje é dia do trabalhador
Que conquistou o seu lugar (bis)
E vai nossa Vila, fazendo história
Pra luta do povo eternizar

2009

Enredo: Neste palco da folia, é minha Vila que anuncia: Theatro Municipal - A centenária maravilha
Autore(s): André Diniz, Serginho 20, Artur das Ferragens e Leonel

Imortal! Com o povo que me conquistou
E a aura do Municipal
Hei de emanar a luz
No palco do meu carnaval
E caminhar, sob o brilho e o ar de Paris
Um Boulevard... passos para um novo país
Nas rimas da minha poesia
O meu Rio de Janeiro
Derrubava o passado e erguia
O cenário pra encantar o mundo inteiro

Vi lá... No Theatro, a cortina se abrir
Com a ida, a platéia a vibrar (bis)
E a cidade toda aplaudir

Sopram notas musicais
No solo a voz de um tenor
Encontra o som dos violinos
Em sinfonia é linda cena de amor
Girar... No sonho de uma bailarina
Desliza, a divina missão de encenar
O pranto e o riso, paixões mascaradas
Até o astro-rei brilhar no céu
Aos mestres da folia, um baile de gala
Com a orquestra lá do bairro de Noel

Segura a Vila que eu quero ver
Vem brindar e saciar a sede (bis)
No alto da sede, coroa hoje brilha
A centenária maravilha

2010

Enredo: Noël: a presença do "Poeta da Vila"
Autor: Martinho da Vila

Se um dia na orgia me chamassem
Com saudades perguntassem
Por onde anda Noel?
Com toda minha fé responderia
Vaga na noite e no dia
Vive na terra e no céu
Seu sambas muito curti
Com a cabeça ao léu
Sua presença senti
No ar de Vila Isabel
Com o sedutor não bebi
Nem fui com ele ao bordel
Mas sei que está presente
Com a gente nesse laurel
Veio ao planeta com os auspícios de um cometa
Naquele ano da revolta da chibata
A sua vida foi de notas musicais
Seus lindos sambas animavam carnavais

Brincava em blocos com boêmios e mulatas (bis)
Subia o morro sem preconceito sociais

Foi um grande chororô
Quando o gênio descansou
Todo o samba lamentou ô ô ô
Que enorme dissabor
Foi-se o nosso professor
A Lindaura soluçou
E a dama do cabaré não dançou
Fez a passagem pro espaço sideral
Mas está vivo neste nosso carnaval
Também presentes Cartola
Aracy e os Tangarás
Lamartine, Ismael e outros mais
E a fantasia que se usa
Pra sambar com o menestrel

Tem a energia da nossa Vila Isabel (bis)

2011

Enredo: Mitos e Histórias Entrelaçados pelos Fios de Cabelo
Autores: Andre Diniz, Leonel, Prof. Wladimir, Arthur das Ferragens e Pinguim

Respeite a coroa em meu pavilhão
A desfilar na avenida
Carrega os fios de Isabel, da liberdade
É minha vida, é a Vila
O brilho, a raiz, a sedução
O universo em sua formação
Nas longas madeixas de Shiva
Dos ritos aos astros
Os mitos que enlaçam
Antigas tradições
Festejando novas gerações

Sansão, forte, se apaixonou
O corte enfim revelou Dalila (bis)
Trança a paixão, o nobre fiel
Às lágrimas viu Rapunzel mais linda

A força e o amor cobriram o corpo
Vencendo as rédeas da exploração
Perucas no Egito, poder divinal
No luxo da França, adornam o Rei Sol
Aqui, entrelaçado em ouro
Vi florir a alforria, sonhos colorir
Em tantas formas buscar perfeição
Para os poetas a inspiração, afinal...

Charme e tom sensual (bis)
Moldaram a beleza do meu carnaval

Modéstia à parte, amigo, sou da Vila
Quem é bamba nem sequer vacila (bis)
Envolvido em cabelos, me sinto arrepiar
Feitiço refletindo no olhar

2012

Enredo: Você Semba Lá... que eu Sembo Cá... O Canto Livre de Angola
Autores: Evandro Bocão, Arlindo Cruz, André Diniz, Leonel e Artur das Ferragens

Vibra, oh, minha Vila
A sua alma tem negra vocação
Somos a pura raiz do samba
Bate meu peito à sua pulsação
Incorpora outra vez Kizomba e segue na missão
Tambor africano ecoando, solo feiticeiro
Na cor da pele, o negro
Fogo aos olhos que invadem
Pra quem é de lá
Forja o orgulho, chama pra lutar

Reina ginga ê matamba, vem ver a lua de Luanda nos guiar
Reina ginga ê matamba, negra de Zambi, sua terra é seu altar

Somos cultura que embarca
Navio negreiro, correntes da escravidão
Temos o sangue de Angola
Correndo na veia, luta e libertação
A saga de ancestrais
Que por aqui perpetuou
A fé, os rituais, um elo de amor
Pelos terreiros (dança, jongo, capoeira)
Nascia o samba (ao sabor de um chorinho)
Tia Ciata embalou
Com braços de violões e cavaquinhos a tocar
Nesse cortejo (a herança verdadeira)
A nossa Vila (agradece com carinho)
Viva o povo de Angola e o negro Rei Martinho

Semba de lá, que eu sambo de cá
Já clareou o dia de paz (bis)
Vai ressoar o canto livre
Nos meus tambores, o sonho vive

2013

Enredo: A Vila Canta o Brasil Celeiro do Mundo - "Água no Feijão que chegou mais um"
Compositores: Martinho da Vila, André Diniz, Arlindo Cruz, Tunico da Vila e Leonel

O galo cantou
Com os passarinhos no esplendor da manhã
Agradeço a Deus por ver o dia raiar
O sino da igrejinha vem anunciar
Preparo o café
Pego a viola, parceira de fé
Caminho da roça e semear o grão
Saciar a fome com a plantação
É a lida...
Arar e cultivar o solo
Ver brotar o velho sonho
Alimentar o mundo, bem viver
A emoção vai florescer

Ô muié, o cumpadi chegou
Puxa o banco, vem prosear (bis)
Bota água no feijão, já tem lenha no fogão
Faz um bolo de fubá

Pinga o suor na enxada
A terra é abençoada
Preciso investir, conhecer
Progredir, partilhar, proteger...
Cai a tarde, acendo a luz do lampião
A lua se ajeita, enfeita a procissão
De noite, vai ter cantoria
E está chegando o povo do samba
É a Vila, chão da poesia, celeiro de bamba
Vila, chão da poesia, celeiro de bamba

Festa no arraiá
É pra lá de bom
Ao som do fole, eu e você
A Vila vem plantar
Felicidade no amanhecer
Festa no arraiá
É pra lá de bom
Ao som do fole, eu e você
A Vila vem colher
Felicidade no amanhecer

2014

Enredo: Retratos de um Brasil Plural
Autores: Evandro Bocão, Arlindo Cruz, André Diniz, Professor Wladimir e Artur das Ferragens

Brasil minha terra adorada
Moldada pelo criador
Mistura de cada semente
Nasceu realmente quando aportou
Mãe África a luz do teu solo
No espelho perfeito do mar
Cultura se deita em teu colo
Gigante-mestiço se fez despertar
A brasilidade aflora no sertão
Ser tão exuberante na raiz
De um rosto caboclo, cafuso ou mulato
Retratos do meu país

Tem no baile o arrasta-pé
Quando a chuva molha o chão
Mandacaru em flor (bis)
Com as lágrimas do céu e o povo em oração
O branco verdejou

Doce canto do uirapuru
Choram seringueiras, cobiça ameaça
Floresta entrelaça pela salvação
O grito da preservação
Cerrado manto de capim dourado
Que vença a chama dos ancestrais
No barco pantaneiro
Divino som dos rituais
Com o Negrinho do Pastoreio
Protegendo campos e pinheirais
Unidos, guardiões da vida
De corpo e alma nós somos a Vila

O coração vem na marcação
E o sangue azul tá na veia com certeza
(bis)
O samba é a minha natureza, é bom lembrar
Tem que respeitar

2015

Enredo: O Maestro Brasileiro está na Terra de Noel...  A Partitura Azul e Branca da nossa Vila Isabel
Compositores: Carlinhos Petisco, Serginho 20, Machadinho, Paulinho Valença e Henrique Hoffman

O envolvimento suave da batuta
A poesia do povo de Noel
Em sintonia o maestro e seus movimentos
E o samba de Vila Isabel
Tá na sua regência
A doce magia e a inspiração
Pra gente tocar feliz
O clássico na mais pura raiz
Mais cordas, metais
A valorizar as notas musicais
Traz o sopro de paz
Eu quero curtir o Guarani
Na arte, retratos da vida
O amor de Ceci e Peri
Viver é amar e sonhar
Ao som do "menino Brasil"
O "canto do uirapuru"
Villa Lobos vai emocionar

Lá vem o trem, o trem caipira
Cruzando a floresta, trazendo emoções (bis)
Lá vai embarcação por águas sombrias
E o puro encanto das quatro estações

Seguem no compasso a swingueira
Orquestra brasileira, o balé
Bailam passistas, porta-bandeira
E a bailarina na ponta do pé
Solto então a voz na canção
Que emociona a todos nós

Dignidade volta pro ninho (bis)
Isaac e Martinho dão o tom

No ar a mais bela sinfonia
É de arrepiar, comunidade unida a cantar (bis)
Renasce num sonho lindo, a Vila de novo sorrindo
E a música vem brindar

2016

Enredo: Memórias do 'Pai Arraia' - um sonho pernambucano, um legado brasileiro
Compositores: Martinho da Vila, André Diniz, Mart’nália, Arlindo Cruz e Leonel

Meus olhos ficavam rasos d'água
A seca minha alma castigava
O sol queimava e rachava o chão
Até os carcarás sofriam no sertão
Cresci, sonhando renovar os sonhos
Revitalizar a vida
Que se equilibra sobre palafita
Dar pra gente tão sofrida

Dignidade e amor (bis)

Acordei o campo pra haver justiça
Com o futuro santo, fé nos ideais
Despertei o povo para um novo dia
Brotou esperança nos canaviais
Com ternura me chamavam Pai Arraia
Onde os arrecifes desenham a praia
Um sentimento no coração, no pensamento, soluções reais
Liberdade se conquista com educação
Juntei os artistas e intelectuais

Pra fazer a cartilha no cordel
Ensinar, abraçar a profissão (bis)
Buscando na arte a inspiração

Tão bom cantarolar, me emocionar, estar aqui
Pra ver na avenida, meu valor na mensageira Vila
Gente aguerrida que defende a tradição do seu lugar
Um movimento de cultura popular

Vem dançar o frevo e a ciranda
Silenciar jamais
(bis)
Tem maracatu na batucada
E o Galo da Madrugada misturando os carnavais

2017

Enredo: O Som da Cor
Compositores: Arthur das Ferragens, Gustavinho Oliveira, Danilo Garcia, Braguinha, Rafael Zimmermann e Júlio Alves

A minha Vila chegou
Ouça essa voz
A pele arrepia ao som da batida...
Força dos meus ancestrais
Herança que fez ressoar o rufar do tambor
Pra gente dançar assim, feliz
Maracas encontram tamborins
O reggae celebra mensagens de paz
Oh minha flor, quero você em meus braços
Bailando no mesmo compasso
Um tango de drama e amor

Vila
"Azul" que dá o tom à minha vida
Um "sopro" de esperança na avenida (bis)
Eu faço um pedido em oração
Ouvi-la pra sempre no meu coração

Um solo de guitarra a embalar
"Soul" a mais perfeita forma de expressar
Eu vou, eu vou... Onde fez raiz a tradição Nagô
Eu vou, eu vou, foi...
O povo do samba quem me chamou!
Ginga no lundu (morena)
Negro é o rei (é o rei)
Toque de Ijexá (afoxé)
Pra "purificar" (minha fé)
Gira baiana, deixa a lágrima rolar
Quando no terreiro novamente ecoar

ÔÔ Kizomba é a Vila
Firma o batuque no som da cor (bis)
Valeu Zumbi, a lua no céu
É a mesma de Luanda e da Vila Isabel