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Sankofa: Nunca é tarde para apanhar aquilo que ficou para trás (Vai-Vai - 2021)
Sankofa: Nunca é tarde para apanhar aquilo que ficou para trás (Vai-Vai - 2021)

Vai-Vai 2021 | Sankofa! Volte e pegue, Vai-Vai.

INTRODUÇÃO
 
É uma grande missão recuperar a dignidade dos povos africanos, que em tempos antigos saíram soberanos de suas terras – da GRANDE MÃE ÁFRICA, levando sua cultura e valores para o resto do mundo. Estes homens e mulheres tiveram o elo de suas vidas rompido dramaticamente pelo episódio da escravidão.
 
Ao reunir os pedaços de suas memórias, pretendemos reestabelecer esta conexão, unindo seus descendentes-herdeiros com as civilizações ancestrais - aquelas que engendraram a escrita, o conhecimento e a grandiosidade que permeiam a verdadeira história africana. A sabedoria de um destes povos, os AXANTES, e sua mitologia povoada de quimeras, nos ajudarão a realizar este reencontro do negro contemporâneo com as suas origens.
 
JUSTIFICATIVA
 
Contam que no mundo antigo não havia histórias e nem o saber, por isso era muito triste viver por aqui. Insatisfeito, ANANSE – o ser mitológico que era homem e também era aranha – foi até os céus para negociar com NYAME, O Grande Criador, o preço de seu baú de histórias e ensinamentos.
 
Para conceder a ele este tesouro, NYAME lhe fez uma proposta: ele deveria presenteá-lo com quatro seres indomáveis, criaturas encantadas que há muito haviam escapado de seus domínios. Com o negócio realizado, ANANSE – malandro, sagaz e muito esperto, conquistou o baú, que era na verdade uma grande cabaça contendo as dádivas tão desejadas. Maravilhado com o próprio feito, ele desceu do céu numa teia de prata e levou a cabaça para o povo de sua aldeia. Ao quebrá-la, todas as histórias e ensinamentos divinos se espalharam pela terra.
 
Um destes ensinamentos foi o uso do ADINKRA, um conjunto de ideogramas cujos símbolos expressam ideias através de provérbios. Sendo utilizado ainda hoje pelos AXANTES, o ADINKRA é um dentre os vários sistemas de escrita da África pré-colonial. Ao longo do tempo, ele foi se desenvolvendo e incorporando aspectos da filosofia, acompanhando o momento histórico de seu povo e absorvendo contos folclóricos e culturais.
 
O SANKOFA, o pássaro sagrado africano que dá nome ao nosso enredo, faz parte deste curioso e fascinante conjunto. Carregando como significado o ensinamento de que “nunca é tarde para voltar atrás e buscar o que ficou perdido”, este símbolo se tornou o norte dos grandes pensadores do movimento negro moderno, chegando até a nossa Pequena África – O Bixiga.  
 
Então, a figura da AVE NEGRA que curva a cabeça para trás em busca de seu bem mais precioso, conduzirá a narrativa do Grêmio Recreativo Cultural e Social Escola de Samba VAI-VAI para o próximo carnaval. Neste voo em liberdade, através de seus pares, as maravilhosas Adinkras, cantaremos as memórias desta ÁFRICA AXANTE e SOBERANA, onde o pensamento floresceu e a riqueza foi inimaginável. Desfilará um novo horizonte para a atualidade, um espelho para onde se deve olhar e se reconhecer.
 
SOMOS TODOS SOBERANOS!
SOMOS VAI-VAI!