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Latinamente Independente – Nosso norte é o Sul em Remanifesto (Mocidade - 2027)
LATINAMENTE INDEPENDENTE
Nosso Norte é o Sul em Remanifesto Desperta, América latina! Pelas tuas veias abertas, organizamos o movimento. Pela flecha de Oxóssi nos guiamos, caçadores. /AI, SE/ te pego… porque nós não seremos mais a caça nem o quintal de ninguém. Levante, hemisfério rebelde! Erga nossa bandeira e plante nossa raiz no topo do mundo. Vire ao contrário o mapa americano, pero sem perder a ternura. Desnorteie, América invertida! A partir de agora, o Sul é o Norte. O poder do Norte Global está sob nova direção. Sulear. Viva a Revolução Latino-Americana Independente de Padre Miguel! Após eras sobrevivendo a reis, torres, cavalos e bispos, comamo-los. Assim como os Caetés fizeram com Dom Sardinha, saciamos nossa fome com os nossos invasores, catequistas, escravizadores e interventores. Retomamos o que nos foi tirado: Nossa memória levada para museus, nosso ouro extraído para ornar palácios, igrejas e coroas, nossa história apagada para nos manipular, nossa soberania atacada para nos dominar… Ó, Tecô-munhangaua! Evocamos Jurupari, o civilizador Tupi, para restaurar a ordem e o mando justo. Sem mais homenagens e monumentos a quem nos causaram tanta dor. Retupinizar em honra e gloria a nossos heróis vencidos pelo poder branco. Para que nossas riquezas não mais alimentem nossa pobreza. Restabelecer a cosmovisão das civilizações originárias. Pachamama nos ensina: Somos frutos da natureza e do universo unidos por Quetzalcóatl. O que se planta, cresce e floresce no matriarcado de Pindorama. As maravilhas da Mãe Terra são patrimônio, não apenas recurso ou mera mercadoria. São parte viva e sagrada da existência. O tesouro da nação Independente. Entendemos que a verdadeira evolução está conectada às raízes. Olhar para trás antes de olhar para frente é preciso. Nossa visão de futuro caminha com os passos de quem veio antes de nós. Somente a inteligência amefricana, centrada na experiência dos povos indígenas e africanos, salva. Com os pés aterrados na floresta, vos dizemos: kosi ewé, kosi amanhã. REconhecemos a vanguarda dos saberes milenares no quilombo tecnológico forjado por Ogum, HiTech ancestral. Mostrando nossa identidade, avançamos. A latinidade é capital. O jeitinho latino-americano vende pra Iô Iô, vende pra Iá Iá. Pois nós temos muito mais que bananas. Temos o molho. Dominamos a gambiarra, o maior contra-ataque criativo desde a pedra lascada. Nosso estilo de vida não tem preço, tem valor. Nos sentimos melhor coloridos para enfrentar os tempos de cólera. Festejamos porque a alegria é a força latina de resistência popular. Celebramos, apesar da dor… E também por causa dela. Desobedientes. Nosso sorriso insurgente combate a opressão, não reconhece domínio. Somos um povo que teima em se manter de pé, vivo. Contente. À folia, América-Latina independente! Comemore! Desfile seu orgulho para que nossas lágrimas sejam somente de felicidade. Que nosso suor seja resultado de conquistas. Daqui para frente e para sempre. Independentemente… Perdoe, mas não esqueça. ¡Dale! Jack Vasconcelos Carnavalesco Em Rio de Janeiro, Ano 534 da Ocupação. EXPERIÊNCIAS INICIAIS BANIWA, Braulina; APURINÃ, Francisco. Bioeconomia indígena: saberes ancestrais e tecnologias sociais. São Paulo: Uma Concertação pela Amazônia; Arapyaú, 2024. D’OLNE CAMPOS, Marcio. A arte de sulear-se. In: SCHEINER, Teresa Cristina (coord.). Interação museu-comunidade pela educação ambiental: manual de apoio ao curso de extensão universitária. Rio de Janeiro: UNIRIO/TACNET, 1991. GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. 2. ed. Porto Alegre: L&PM, 2012. GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Organização de Flávia Rios e Márcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar, 2020. KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. LÓPEZ, Emiliano (Org.). As veias do Sul continuam abertas: Debates sobre o imperialismo do nosso tempo. São Paulo: Expressão Popular, 2020. SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000. BAIANASYSTEM. Sulamericano. Participação de Manu Chao. In: Faixa 2, BAIANASYSTEM. O Futuro Não Demora. [S. l.]: Máquina de Louco, 2019. Disponível em: Deezer, 2019. CALLE 13. Latinoamérica. Intérprete: Calle 13. In: CALLE 13. Entren los que quieran. Sony Music, 2010. Faixa 5. Álbum digital. Disponível em: Deezer, 2009. GIECO, León. Eu só peço a Deus. Intérpretes: Beth Carvalho e Mercedes Sosa. In: Beth Carvalho: ao vivo no Olympia. Sony Music, 1991. Faixa 11. Disponível em: Deezer, 1986. MIRIM, Katú. Indígena Futurista. Intérprete: a autora. [S.l.]: Independente, 2021. 1 álbum digital.1 faixa, 04 min. Disponível em: Deezer, 2021 LOS CORONEZOS. Manifesto Decolonial. Disponível em: Deezer, 2019. MACHADO, Paulo. Intérprete: Ney Matogrosso. América do Sul. In: MATOGROSSO, Ney. Água do Céu – Pássaro. Rio de Janeiro: Warner Music Brasil, 1975. Disponível em: Deezer, 2005. RESIDENTE. This Is Not America. Intérprete: Residente. Participação: Ibeyi. 2022. Faixa 1. In: This Is Not America. Disponível em: Deezer, 2022. SOSA, Mercedes. Cuando tenga la tierra. In: Hasta la victoria. Universal Music, 1972. Disponível em: Deezer, 2010. | ||