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E Agora? Quem poderá nos defender? (Feitiço do Rio - 2020)
E Agora? Quem poderá nos defender? (Feitiço do Rio - 2020)

Está na Bíblia, existiu um paraíso,
sem ganância, sem cobiça, sem um “ser” dominador.
Mas durou pouco, até do barro vir o homem
e do homem vir aquela que, enganada, traiu o Criador.

Está na Bíblia, desde sempre existem cobras,
ardilosas, venenosas, preparadas pra maldade…
que, na surdina, vivem armando suas tramoias,
manipulando a história, corrompendo a humanidade.

Foi assim o final do paraíso
e o surgimento de um planeta dividido pela força e enganação;
que a cada era cria armas, vai à guerra,
na luta por mais terra, riqueza… poder… dominação…

Maracutaias não são tramas tão recentes,
na Grécia até presente foi usado em conflito!
E no Egito, a verdade foi escondida
e, por amor, pôs-se fim à vida, pra fugir do inimigo.

Quem não se lembra daquele falso beijo,
de amigo, companheiro, no alto do Monte das Oliveiras?
Daquela cena, que, prevista em profecia,
terminaria com o Deus Vivo pregado na cruz de madeira?

E aquela história de incêndio na cidade,
em nome da prosperidade, de uma Roma mais moderna?
E aquela ideia de que tudo é sagrado
e a ciência é do diabo, então queima na fogueira?

Se a terra é escassa, já tem dono pros pedaços
e o aumento da riqueza requer um novo trajeto…
É navegando que se foge dos pedágios
e se chega ao Oriente pro troca-troca de objeto.

Mas se errado, o caminho que traçado,
só enganar o ser nativo, iludi-lo com vidrinho.
Toma espelho, toma pano eu quero chão,
dê-me ouro e pau-brasil, coloque tudo no navio.

E se taxada a roubalheira desenfreada,
usa de criatividade pra sonegar o precioso.
Enterra, guarda, oculta, omite, disfarça…
utiliza até o sagrado, esconde tudo no pau oco.

Exploração, dor, humilhação…não ligue, pro esquema,
negro não é gente, negro é mercadoria.
E liberdade de nada lhe adianta,
pois sua sina é servir, ter uma vida severina…

Heróis? Traídos,
morrem no quilombo, morrem na corda, morrem na bala…
nomeiam praças, ruas, becos, vielas… viram feriados, ganham estátuas,
mas com o tempo, eles apagam a sua fala.

Enquanto isso, troca-se voto por tijolo, voto por comida…
até morto, vota no cabresto…
E se o poder não vem no pelo voto, vem no grito. É golpe!
E não venha com protesto.

Toma censura, tortura,
“queima de arquivo”…
“Hora de moralizar o país”, dizem!
“Tempo de ocultar a verdade”, fazem! (Ah, se os pilares da Ponte falassem…!)

E nessa zorra o cidadão é quem mais sofre,
não tem rota de fuga e sempre acaba saqueado.
Enquanto isso o poderoso vende tudo
e vai atrás dos grandes fundos, pegar mais money emprestado.

Depois nos cobra, joga a culpa em juros;
fala de rombo, nas contas e na previdência.
E damos tchau aos direitos sociais
pra viver na miséria, na pobreza, na carência…

Na imprensa só notícia maquiada,
muita história mal contada, muito aplauso pro “patinho”.
Na internet a mentira é deslavada,
pra desfocar a sujeirada e dar tempo pra limpar (“lavar”) o caminho. (“Tem que manter isso aí, viu”!?)

Infelizmente, a história se repete,
em todo canto, toda parte, em toda esquina ou sinal…
Bate uma tristeza saber que neste caos,
nada mais é sério, nem mesmo o nosso Carnaval.

Só não podemos perder a esperança,
temos que seguir em frente, persistir, “ser brasileiro”.
Acreditar que existem “Chapolins”, capazes de ouvir o nosso chamado,
defender a nossa gente e nos tirar desse vespeiro.

Então, “não contavam com a minha astúcia?”
“Minhas anteninhas estão detectando a presença do inimigo”
“Não criemos pânico”, ele “se aproveita da minha nobreza”
Até tu, Judas? “Suspeitei desde o princípio”.

(Texto de Antonio Gonçalves)