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SÃO CLEMENTE

SÃO CLEMENTE

FUNDAÇÃO  25/10/61
CORES  Amarelo e Preto
QUADRA  Av. Presidente Vargas, 3.102
Centro
20940-070
Telefone: 2580-2121
BARRACÃO  Rua Rivadávia Correa, 60
Barracão 09
Cidade do Samba - Gamboa
20940-070
Telefone: 2580-2121
LEMA Olha a Crítica

RESULTADOS - SAMBAS-ENREDO

HISTÓRICO

Como muitas escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro, a São Clemente começou como bloco no ano de 1952. O bloco, inicialmente adotando as cores azul e branca, era formado por garotos pobres do bairro de Botafogo, liderados por Ivo Gomes. O saudoso Ivo da Rocha Gomes, juntamente com João Marinho e Ailton Teixeira, foram os idealizadores e fundadores da escola de samba que tem o mesmo nome da rua onde moravam: São Clemente. Todos moravam na Vila Ganhy, no bairro de Botafogo. No ano seguinte, em 1953, querendo agradar aos meninos, um político deu aos garotos duas dúzias de camisas de um clube de futebol nas cores preta e amarela, quantidade suficiente para que o bloco de garotos pobres adotassem essas cores, que passaram a ser as oficiais do desfile. Os garotos foram crescendo, o bloco foi melhorando até que foi transformado em escola de samba em 25/09/61, tendo a primeira chance de participar de um desfile oficial em 1962. Foi um começo modesto, mas promissor. A prova disso é que já no ano de 1965 a São Clemente ganhava o seu primeiro título de campeã e subia de grupo.

Porém, a escola sempre contou com a má vontade dos morados de Botafogo, que reclamando do barulho que faziam fez tudo que era possível para impedir os seus ensaios. Até que seus presidentes, Ricardo Gomes e Ivan Vasconcelos, alugaram para isso todas às sextas-feiras o Ginásio do Mourisco em Botafogo. Com mais calma, a escola foi melhorando.

A partir da década de 80, a escola se caracterizou por apresentar enredos participantes e de cunho social, que, comprovadamente, a define como uma escola de samba preocupada com a problemática do povo brasileiro.  O samba-enredo Capitães do Asfalto que a São Clemente trouxe para a avenida em 1987, tinha um forte apelo emotivo. A mais famosa escola da Zona Sul do Rio de Janeiro mostrava em seu enredo a preocupação com os dissabores do menor abandonado no Brasil. Sempre antenada com os problemas sociais do País, a São Clemente, através dos carnavalescos Roberto Costa e Carlinhos de Andrade, assumiu a linha da crítica social, sempre com uma boa pitada de ironia. Em 1984, conseguiu ascender ao então primeiro grupo com o enredo "Não Corra, Não Mate, Não Morra: O Diabo Está Solto no Asfalto", sobre o caos e a violência no trânsito. No ano seguinte, com "Quem Casa, Quer Casa", novamente desfilou uma deliciosa sátira ao sério problema do déficit habitacional no Brasil. Sua comissão de frente ganhou o Estandarte de Ouro do jornal O Globo (a escola revolucionou o Carnaval carioca ao apresentar a sua comissão de frente fazendo evoluções e engajada ao enredo - até então as escolas apresentavam nesse quesito a velha guarda que tinham a única função de apresentar a escola, permanecendo estática e sem engajamento ao enredo desenvolvido),. O desfile, porém, não lhe manteve entre as grandes escolas. Em 1986, de volta ao segundo grupo, a São Clemente entrou na avenida novamente abusando do bom humor e encantou público e jurados com o enredo "Muita saúva, pouca saúde, Os males do Brasil são", abordando o descaso com a saúde no Brasil. Em 1987, a Escola retornou ao primeiro grupo com um belo samba, todo em tom menor, composto por Manuelzinho Poeta, Jorge Madeira e Izaías de Paula, este último, ex-interno do SAM (Serviço de Assistência ao Menor). Sua experiência de vida o permitiu expressar nos versos do inspiradíssimo samba sua revolta contra o descaso com as crianças pobres do nosso País. Durante o desfile, permeado de ironia na discrepância entre o luxo da vida do menino rico e a miséria da criança que perambula pelas ruas das grandes metrópoles, a São Clemente apresentou um grupo de meninos de rua de verdade. O desfile emocionou a Marquês de Sapucaí e proporcionou um dos melhores momentos da história da escola de Botafogo. Com esse desfile, a São Clemente consegui um honroso sétimo lugar, e marcou seu nome definitivamente na história dos desfiles da passarela. Em 1988, "Quem avisa amigo é", um grito de alerta contra a violência e, em 1989, "Made in Brazil!!! Yes, nós temos banana", um hino de amor e fé no Brasil, e finalmente "E o samba sambou", de 1990 (uma crítica aos próprios desfiles atuais das Escolas), conseguindo um 6º lugar no Grupo Especial, sua melhor colocação até hoje.

Dos blocos, ela guardou, além da origem, a irreverência que lhes é peculiar, inclusive no carnaval contemporâneo, felizmente. Mas a São Clemente, além da irreverência que a caracteriza, tem a sua outra metade: a consciência política e social. Estas duas características foram fundamentais para que a Escola se transformasse em uma das mais queridas da cidade, já que seus enredos sempre dão voz ao povo, aos seus anseios e necessidades, sem esquecer entretanto, da natureza festiva do povo brasileiro e da alegria necessária ao Carnaval.

A escola quebrou uma amarga sequência e conseguiu estabilidade no Grupo Especial, onde está desde 2011, obtendo a maior sequência na elite em sua história, superando o período 1987-1991. Desde 1991, quando foi rebaixada, a escola participou do principal desfile em 1995, 1999, 2002, 2004 e 2008, sempre caindo para o Acesso. Em 2011, mais uma vez acabou classificada em último lugar. Porém, o incêndio no barracão de três escolas a um mês dos desfiles fez a LIESA cancelar o rebaixamento. No ano seguinte, a São Clemente fez um excelente desfile e, embalado pelo samba do "bububu no bobobó", conseguiu a permanência na elite do carnaval carioca, onde se mantém até hoje. Para 2015, a contratação de Rosa Magalhães e a homenagem a Fernando Pamplona proporcionaram um desfile espetacular, fazendo a São Clemente obter sua melhor colocação desde 1990: um oitavo lugar. No ano seguinte, Rosa trouxe um enredo sobre palhaços e classificou a agremiação em nono. A despedida da consagrada carnavalesca foi com uma nova nona colocação com "Onisuáquimalipanse" em 2017.

RESULTADOS DA ESCOLA

1962 - 4ª no Grupo 3 
Riquezas do Brasil 
Gabriel e Dario


1963 - 3ª no Grupo 3 
Rio de Antanho 
Augusto Henrique


1964 - 1ª no Grupo 3 
Rio dos Vices Reis 
Ivo da Rocha Gomes


1965 - 3ª no Grupo 2 
Relíquias e Memórias do Rio 
Ivo da Rocha Gomes

1966 - 1ª no Grupo 2 
Apoteose ao Folclore Brasileiro 
Ivo da Rocha Gomes


1967 - 10ª no Grupo 1 
Festas e Tradições Populares do Brasil 
Renato Miguez e Dedé

1968 - 7ª no Grupo 2 
Apoteose à Cultura Nacional 
Ivo da Rocha Gomes


1969 - no Grupo 
Assim Dança o Brasil 
Ivo da Rocha Gomes

1970 - 9ª no Grupo 2 
Histórias Fantásticas 
Ivo da Rocha Gomes


1971 - 5ª no Grupo 2 
O Beijo de Três Saudades 
Ivo da Rocha Gomes

1972 - 5ª no Grupo 2 
Dança de um Povo Livre 
Ivo da Rocha Gomes


1973 - 7ª no Grupo 2 
Momentos Inesquecíveis de Tapoagipe 
Ivo da Rocha Gomes

1974 - 11ª no Grupo 2 
Sonhos Fascinantes de um Jovem Adolescente 
Ivo da Rocha Gomes


1975 - 5ª no Grupo 2 
Quem Quebrou meu Violão - Tra-Lá-Lá 
Ivo da Rocha Gomes e Carlos Gil

1976 - 10ª no Grupo 2 
Recife, Nosso Amor Distante 
Ivo da Rocha Gomes


1977 - 10ª no Grupo 2 
Acredite se Quiser 
Ivo da Rocha Gomes

1978 - 9ª no Grupo 2 
Apoteose ao Teatro de Revista 
Ivo da Rocha Gomes


1979 - 5ª no Grupo 2A 
Louvação às Três Rainhas 
Ivo da Rocha Gomes e Ricardo Ayres

1980 - 9ª no Grupo 1B 
A Doce Ilusão do Sambista 
Ivo da Rocha Gomes


1981 - 3ª no Grupo 2A 
Assim Dança o Brasil 
Ivo da Rocha Gomes

1982 - 3ª no Grupo 2A 
As Intocáveis Tempestades de Dam 
Carlinhos Andrade


1983 - 2ª no Grupo 2A 
Criação da Noite 
Carlinhos Andrade

1984 - 4ª no Grupo 1B 
Não Corra, não Mate, não Morra - O Diabo está Solto no Asfalto 
Carlinhos Andrade e Roberto Costa


1985 - 15ª no Grupo 1A 
Quem Casa, Quer Casa 
Carlinhos Andrade e Roberto Costa

1986 - 2ª no Grupo 1B 
Pouca Saúde, muita Saúva. Os Males do Brasil São 
Carlinhos Andrade e Roberto Costa


1987 - 7ª no Grupo 1 
Capitães do Asfalto 
Carlinhos Andrade e Roberto Costa


1988 - 10ª no Grupo 1 
Quem Avisa Amigo É 
Carlinhos Andrade e Roberto Costa


1989 - 13ª no Grupo 1 
Made in Brazil, Yes Nós Temos Banana 
Roberto Costa e Carlinhos de Andrade

1990 - 6ª no Grupo Especial 
E o Samba Sambou 
Carlinhos Andrade e Roberto Costa


1991 - 13ª no Grupo Especial 
Já Vi este Filme 
Carlinhos Andrade, Roberto Costa e Cesar D’Azevedo

1992 - 7ª no Grupo A 
E o Salário Ó ... 
Luiz Fernando Reis e José Félix


1993 - 7ª no Grupo A 
O Pão Nosso de Cada Dia 
José Félix e Roberto Costa

1994 - 2ª no Grupo A 
Uma Andorinha só não faz Verão ou Aonde vai a Corda vai a Caçamba 
Roberto Costa


1995 - 14ª no Grupo Especial 
O que é que não é, mas será? 
Luiz Fernando Reis

1996 - 3ª no Grupo A 
Se a Canoa não Virar, a São Clemente Chega Lá 
Roberto Costa


1997 - 3ª no Grupo A 
A São Clemente Botafogo na Sapucaí 
Jaime Cezário

1998 - 2ª no Grupo A 
Maiores são os Poderes do Povo ! Se Liga na São Clemente ! 
Jaime Cezário


1999 - 14ª no Grupo Especial 
A São Clemente Comemora e Traz Rui Barbosa para os Braços do Povo 
Jaime Cezário

2000 - 4ª no Grupo A 
No ano 2000, a São Clemente é Tupi com Sergipe na Sapucaí 
João Luis de Moura e Sônia Regina


2001 - 2ª no Grupo A 
A São Clemente Mostrou, e Nada Mudou nesse Brasil Gigante 
Sônia Regina

2002 - 14ª no Grupo Especial 
Guapimirim, Paraíso Ecológico Abençoado pelo Dedo de Deus 
Sônia Regina, Lane Santana, Nonato Trinta e Edvar Rachid


2003 - 1ª no Grupo A 
Mangaratiba, uma História de Lutas para todos que Amam a Terra e a Liberdade 
Lane Santana

2004 - 14ª no Grupo Especial 
Boi Voador sobre o Recife: Cordel da Galhofa Nacional 
Milton Cunha


2005 - 3ª no Grupo A 
Velha é a vovozinha: a São Clemente enrugadinha e gostosinha 
Milton Cunha

 

2006 - 2ª no Grupo A
De Gonzagão a Gonzaguinha: Em Vida de Viajante
Comissão de Carnaval

 

2007 - 1ª no Grupo A
Barrados no Baile
Comissão de Carnaval

 

2008 - 12ª no Grupo Especial
O Clemente João VI no Rio: A Redescoberta do Brasil...
Milton Cunha, Mauro Quintaes e Fábio Santos

a

2009 - 4ª no Grupo A
O Beijo Moleque da São Clemente
Mauro Quintaes e Alexandre Louzada

.

2010 - 1ª no Grupo A
Choque de Ordem na Folia
Mauro Quintaes

.

2011 - 9ª no Grupo Especial
O Seu, o Meu, o Nosso Rio, Abençoado por Deus e Bonito por Natureza
Fábio Ricardo

.

2012 - 11ª no Grupo Especial
Uma Aventura Musical na Sapucaí
Fábio Ricardo

.

2013 - 10ª no Grupo Especial
Horário Nobre
Fábio Ricardo

.

2014 - 11ª no Grupo Especial
Favela
Max Lopes

.

2015 - 8ª no Grupo Especial
A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Pereira, da Tocandira e da Onça Pé de Boi!
Rosa Magalhães

.

2016 - 9ª no Grupo Especial
Mais de mil palhaços no salão!
Rosa Magalhães

.

2017 - 9ª no Grupo Especial
Onisuáquimalipanse (Envergonhe-se quem pensar mal disso)
Rosa Magalhães

 

SAMBAS-ENREDO

1962

ENREDO: Riquezas do Brasil
AUTOR(ES): Carlos Correa Lopes

Historiando
A geografia deste país altaneiro
Lembrai das fontes de riquezas
Tesouro do rincão brasileiro
E a pujância verdejante
De vegetação naturais
Rico de pedras preciosas
Matéria prima do meu Brasil
Orgulho da natureza
Gigante de riquezas mil
Brasil és uma glória na produção
Do ferro, borracha e algodão
Agora a nova fonte de riqueza
É o ouro negro
Relíquia da tua grandeza
A principal é o café
Pois cresce exuberante
Na terra roxa fertilizante
Tudo que se planta
Nasce com valor
O milagre industrial
É mais uma página
Da história nacional

1963

ENREDO: Rio de Antanho
AUTOR(ES): Carlos Correa Lopes e Robertinho Devagar

Rio de Janeiro
Obra-prima descendente da nobreza
Oh, como é belo recordar
Os tempos remotos depois de Estácio de Sá
Rio das mucamas faceiras
Formosas sinhazinhas
Fidalgos, pregoeiros e liteiras

Rio dos lampiões a gás
Das carruagens dos boêmios (bis)
Que não voltaram jamais

Rio és recordação
O morro do Castelo
Os logradouros públicos
O vintém e o tostão
Antigamente ornamentavam
O teu encantamento
Os lindos chafarizes
E o sacro mosteiro de São Bento
Cidade maravilhosa
Foste musa dos poetas

Relíquias de encantos mil (bis)
Orgulho do Brasil

1964

ENREDO: Rio dos Vices-Reis
AUTOR(ES): Adilton Luz, Zezinho e Walter

Rio, cidade cuja beleza
Tantos puderam contar
Tens presente a natureza
Cuidadosa e maternal
Eternamente a te enfeitar
Sempre bela e majestosa
Mesmo quando ainda era
Da colônia a capital
O céu, a terra e o mar
Que outrora inspirou poetas
Por mais de uma vez
Foi talvez a inspiração
Que tornou o nosso Rio de Janeiro
Em capital dos vices-rei
Contrastando a natureza
De alegre e belas matizes
Não era bonita a cidade
Que abrigava sem conforto
O povoado infeliz
Mas de bela muito existia
Os seus costumes e tradições populares
Bota bicos a carruagem
As cadeirinhas e os pregões
Também lembramos os seus rituais
E as festas que eram tradicionais
O divino imperador as cavalhadas
Serração do velho e as congadas
Entretanto nesta época
Nossa cidade evoluiu
Além de belos chafarizes
Obras de vulto então se construiu
E no crescente natural
Tornou-se a sala de visita do Brasil

1965

ENREDO: Relíquias e Memórias do Rio
AUTOR(ES): Adilton Luz, Zezinho e Walter

Tendo como artística moldura
A majestosa baía da Guanabara
Aqui foi fundada
A cidade de São Sebastião
Quatro séculos de glória
Transformando sua história
Na mais bela desta nação
Nem mesmo o tempo
E o progresso atual
Nos fizeram esquecer
Este passado original
Passado que nos conduz aos quiosques
E dali
Observar os diferentes pregoeiros
E o pisar provocante
Das mulatas faceiras
Evitando medrosos valentões capoeiras
Sentir nas noites sombrias
A pálida luz dos lampiões a gás
E ver os lindos chafarizes
E o Zé Pereira nos primeiros carnavais
Ver circular o primeiro bondinho
E o primeiro automóvel no Brasil
Transpor o portão do Passeio Público
E deslumbrar a beleza sem fim
As grandes obras do imortal mestre Valentim
Prevenir toda a beleza de outrora
Nas relíquias do Rio

Cidade padrão
Memórias do Rio (bis)
Hoje quatrocentão

La-raia, la-raia
La-raia, la-raia
La-raia, la-raia
La-raia, la-raia

1966

ENREDO: Apoteose ao Folclore Brasileiro
AUTOR(ES): Carlos Correa Lopes e Robertinho Devagar

Brasil
O artista brasileiro
Idealizou esta apoteose
No teu folclore, no Rio de Janeiro
Onde o carnaval
Será o cenário desta linda tela
A nossa coreografia
Arte inicial desta aquarela
Imaginando
Na paulicéia dos saudosos bandeirantes
Os seresteiros exaltando aparição alucinante
Do lendário saci-pererê
Com seus poderes sobrenaturais
Amedrontando os dançarinos
Nos fandangos de Minas Gerais
Que recordam os negros
Ornamentando a natureza
Na pescaria do xaréu
Que simboliza a típica beleza
Das baianas que dançam
Com grande alegria

Pra rainha Iemanjá (bis)
Nas noites de Luanda na Bahia

Como é bonito
Os nordestinos dançando frevo com alucinação
No Recife onde o maracatu
Relembra em outra região
Os caboclos se exibindo
No formoso boi bumba
Anunciando a cobra grande do Amazonas
Eterna guardiã do rio-mar
Que é lendário até o outro extremo
Onde o Negrinho do Pastoreio
Surge com o seu poder supremo
Cavalgando sobre a lua
Nessa imensidão azul
Espantando os animais
Enfeitiçando o Rio Grande do Sul

Lará, lará, lará, lará, lará, lará, lará
Lará, lará, lará, lará, lará, lará, lará

1967

ENREDO: Festas e tradições populares do Brasil
AUTOR(ES): Paulo Granada, Leônidas de Araújo, Barata e Chocolate

Glória ao poeta que um dia
Escreveu obras tão belas
Que apresentamos hoje nesta passarela
Dizia como era festejado o ano bom
Ninguém dormia
Nos palacetes grandes bailes
A luz dos castiçais
Atendidos por elegantes serviçais
Com presentes desejava a todo o povo
Boas saídas, feliz ano novo
E ao nordeste do Brasil
No pequenino Sergipe
Numa festa de colorido sutil
Homenageavam São Benedito
E sempre a festejar
Já no Rio de Janeiro
A irmandade do rei Baltazar
Coroava o rei negro
Quando apareceu nesta cidade o carnaval
Era animado pela banda marcial
Dominós, arlequins e pierrots
Que encantavam a família imperial
Eh, eh, eh, eh, boi
Ia o carro pela estrada cantando feliz
Levando o noivo pra o casório na matriz
Numa tradição que é só nossa
Como era lindo o casamento na roça
Eh, eh, eh, eh, boi
Foi na Bahia, que em dois de julho aconteceu
O general Labatout
A tirania combateu e venceu
Representando a vitória
Do povo sobre a opressão
Paraguassu vinha trazendo
Sob os seus pés feroz dragão
A cidade amanhecia engalanada
Num colorido febril
Para comemorar com alegria
A independência do Brasil

E ao final cantava (bis)
Já raiou a liberdade

1968

ENREDO: Apoteose à cultura nacional
AUTOR(ES): Chocolate

Dom Pedro II
Foi quem incentivou
Dando impulso magistral
A cultura imperial
Grandes nomes
Cobertos de glórias
Passaram para os anais
Da nossa história
Recordar
E o nosso sublime ideal
Ladislau Neto foi
No campo da ciência
Grande pesquisador
E na pintura
Com suas obras de grande esplendor
Pedro Ernesto
Se imortalizou
Imprensa águia de Haia
Rui Barbosa
Deixou muitas saudades
Pelo seu valor
Salve o magnífico
Machado de Assis
Figura principal da nossa literatura
Exuberante como cronista
Entretanto foi o melhor romancista
Neste cenário multicor
Relembramos grandes histórias
Que através do tempo nos legou

1969

ENREDO: Assim dança o Brasil
AUTOR(ES): Dario Marciano, Lorival Boa Memória e João Carlos Grilo

Em síntese apresentamos
Danças tradicionais
Do folclore brasileiro
Neste carnaval
Assim dança o Brasil
Desde os tempos coloniais
A começar do exuberante Amazonas
Sentimos aplausos da dança da sucuri
E no Pará
Quem não conhece o boi-bumbá (e simbora gente)
No Nordeste tão falado
Das danças do quilombos
O côco e o xaxado
Que nos faz lembrar
O cangaceiro Lampião e Maria Bonita
Que se tornaram tradição
Em Pernambuco
Vibramos com o frevo e o maracatu

Algo sublime conhecemos na Bahia
Candomblé e a capoeira (bis)
E a festa da lavagem do Bonfim

Caminhando um pouco mais
Chegamos a Minas Gerais
Aonde o calango
E a dança do mineiro pau
São tradicionais
E na região Sul
Chimarrita e a quadrilha
São as danças principais
No Centro-Oeste
As danças serra moreninha
A rawana e outras mais
Laiá lá laiá laiá...

Finalmente
Chegamos ao Rio de Janeiro (bis)
Capital
Do samba brasileiro

1970

ENREDO: Histórias fantásticas
AUTOR(ES): Dario Marciano e Lorival Boa Memória

Histórias fantásticas
É o tema que vamos apresentar
Na Amazônia entre as verdes matas
E o murmúrio das cascatas
Alguém nos falou
A história do sapo aru
E sobre o canto inconfundível do irapuru
Pássaro de pequeno porte
Quem consegue apanhá-lo
Dizem traz muita sorte
Ê ê ê
Dentro do roda moinho
Vem o saci-pererê
Neguinho do Pastoreio
Menino escravo
De um avarento estancieiro
Por deixar o cavalo fugir
Foi açoitado
E jogado ao formigueiro
Lá lá lara
Lá lá lara
Lá lá lara

1971

ENREDO: O beijo de três saudades
AUTOR(ES): Ivo da Rocha Gomes e João Carlos Grilo

São Clemente vem cheia de glória
E empolgação
Apresentando como tema
A história da miscigenação
Índios guerreiros
Cuja a terra habitavam
Não deixaram se escravizar
Por portugueses que aqui chegavam
E que nossa terra queriam colonizar
Tiveram que trazer da África
Negros para trabalhar

Ô ô ô
Das senzalas vinham lamentos de dor (bis)
Negros humilhados e maltratados
Pela chibata do senhor

Índios brancos e negros
Formam a nossa raça
Com orgulho e felicidade
Exaltamos o beijo de três saudades

1972

ENREDO: Danças de um povo livre
AUTOR(ES): Ivo da Rocha Gomes e João Carlos Grilo

Já se ouve ao longe
Os tambores a rufar
Lá vem, lá vem as congadas
Vamos festejar
Sinhazinha esta na hora
Venha logo se arrumar
A fogueira esta armada
Nosso rei já vai chegar
Menina ajeite a fita
Abre a roda e vem dançar

Kenguerê, kenguerê
Olha o congo do mar (bis)
Gira gira calunga
Na nuvem lá

O soberano tão contente
Acabava de chegar
E acenando o seu bordão
Cantava com emoção

Sou rei do Congo
Quero brincar (bis)
Cheguei agora
De portugá

1973

ENREDO: Momentos inesquecíveis de Itapagipe
AUTOR(ES): Sidney da Conceição e Natal

No bairro do Itapagipe
Eram montados os arraias
Palanques engalanados e barraquinhas
Com comidas regionais
É tão bonito de se ver
Os fiéis em romaria
Baianas todas de branco
Lavando a escadaria

Cantos ranchos e desafios
Capoeira e berimbau (bis)
E no largo da Ribeira
Fabuloso carnaval

Tão sublime
Recordar em poesia
E cantar na passarela
As coisa da velha Bahia

Vindo a pé ou de saveiro
Gente de todo lugar (bis)
Que beleza é ver o povo

1974

ENREDO: Sonhos fascinantes de um jovem adolescente
AUTOR(ES): Ouvídio e Filinho

Lá vem a São Clemente na avenida
Cantando sonhos fascinantes
Onde um jovem
De coisas lindas se encantou
Em Vila Rica
Amigo de Chico Rei se tornou
E não saiu de sua mente
Aquele baile que a preta velha o levou

Que beleza
Que esplendor (bis)
O minueto com sinhazinha ele dançou

Foi quando surgiu o saci-pererê
Negrinho engraçado
Traquino e arteiro
Jurema linda guerreira ele conquistou
Nas matas da Amazônia
Quando lá passou
E na lagoa do Abaeté
Se arrepiou
Como as magias sobrenaturais

Ele viu
Iemanjá (bis)
Ele viu a sereia cantar

Quando ele acordou
Tudo era lindo
E a alegria era geral
Uma pomba branca anunciava
A paz universal

1975

ENREDO: Quem quebrou meu violão - Taí, Taí Tra-lá-lá
AUTOR(ES): Boca Rica, Wanderley Caramba, Risada e Jorge Canário

Entre confetes e serpentinas
Viemos exaltar
Três expoentes
Da nossa canção popular

Quem quebrou meu violão (bis)
Taí  taí tra lá lá

Relembrando o tabuleiro da baiana
A velha Lapa das boemias e canções
Cabaré de gente bamba
Chico viola quantas recordações

Abre a janela
Oh, minha amada (bis)
Cantava o seresteiro
Em noites enluaradas

Foi ela oi
Foi ela
Foi ela que se consagrou
No exterior
Como nosso samba
É isso aí Carmem Miranda
E o Lamartine
Com o seu tra lá lá
Pierrots arlequins e colombinas
Pelas ruas a cantar

Linda morena, morena
Morena sem igual (bis)
És a rainha do meu carnaval

1976

ENREDO: Recife, nosso amor distante
AUTOR(ES): Sidney da Conceição, Natal e Ouvidio

Pernambuco
Oh terra de mil tradições
De violeiro e sanfoneiros
Reino das lindas canções
E a brisa como criança
Brinca nas folhas do coqueiral
Na dança mansa
Dos seus palmeirais
Seus poetas
Lhe vestem poesia
Sua gente vem pra rua
Pra cantar com alegria
Pandeiros e fitas
Dona Santa tão bonita
Leva o povo no cantar

É o frevo boli bolacho (bis)
Que acabou de chegar

Recife nosso amor distante
De beleza tão constante
Que se faz em samba
E a São Clemente apresenta
Com seu rosário de bamba

Maracatu senhor
Maracatu sinhá (bis)
Roda minha gente
Vamos todos dançar

1977

ENREDO: Acredite se quiser
AUTOR(ES): Chocolate, Zé Prego e Siri

Num lindo sonho de menino
Cansado da monotonia
Um jovem príncipe
Num mundo de fantasia
Partiu pro céu
Em seu cavalo voador

Aconselhado pela estrela Dalva
Coberta de luz e fulgor (bis)
Ele para a terra retornou

E encontrou
Encontrou um bosque encantado
Num festival de cores
Ornamentado pela estação das flores

Surgiu então
O engraçado saci pererê (bis)
Canta canta uirapuru
Que até o lobisomem vira pra te ver

Mas o momento culminante
Foi quando o mamão
Numa noite de raro esplendor
Com a melancia se casou
Belas sereias...
Belas sereias entoavam
Canto de fascinação

E teve início a grande festa
No castelo da floresta (bis)
Repleto de doce ilusão

1978

ENREDO: Apoteose ao teatro de revista
AUTOR(ES): Chocolate

Carnaval
És um palco iluminado
Onde o teatro de revista
Vem reviver suas glórias
Panorama belo
Entre bambas da comédia
Oscarito e Grande Otelo

Plumas paetês balangandãs
Num festival de vedetes (bis)
Aplaudidas pelos fãs

Rufam os tambores
Agita-se o pano vermelho
Favela dos meus amores
Malandrinhos lavadeiras
E as mulatas faceiras
É o teatro popular
Que a São Clemente se orgulha em mostrar
Walter Pinto
Carlos Machado e outros mais
Virginia Lane resplandece em cartaz
Carmem Miranda, grande estilista
Que levou ao estrangeiro
Nosso teatro de revista

Manhã tão linda
Num céu de anil (bis)
Tudo é alegria
Canta, canta meu Brasil

Lá laia laia laia laia
Laia laia laia laia
Laia laia laia

1979

ENREDO: Louvação às três rainhas
AUTOR(ES): Ivo da Rocha Gomes e Izaías de Paula

Lindo é o Rio de Janeiro
Reina quatro dias o carnaval
E o artista imaginou
Um tema genial
Começando pela rosa flor
Do jardim florido a preferida
Com seu perfume embriagador
É a inspiração da minha vida

Vai o barco navegando
Com oferenda pelo mar (bis)
São singelas homenagens
Nos caminhos de Iemanjá

Dora rainha do frevo e do maracatu
Ninguém requebra nem bole
Melhor do que tu

Ginga ginga ginga ginga
Quero ver você gingar (bis)
No balanço do meu samba
Até o dia clarear

1980

ENREDO: A doce ilusão do sambista
AUTOR(ES): Ivo da Rocha Gomes e João Carlos Grilo

A doce ilusão do sambista
São Clemente vem apresentar
Convidando o povo a cantar

Nessa festa colorida
De luxúria e prazer (bis)
O sambista vem mostrar
A razão do seu viver

Na passarela da vida
Entre risos e lágrimas
Seu coração palpita
A galera se agita
E começa a cantar
Olê olá
Sobre chuva de confetes e serpentinas
Cercado de pierrots e colombinas
Oh, quanta alegria
Salve o soberano da folia

Mas quarta-feira chegou, só restou
Saudade e contas a pagar (bis)
E a fantasia de rei (de rei)
Foi o que ficou para lembrar

1981

ENREDO: Assim dança o Brasil
AUTOR(ES): Dario Marciano, Lorival Boa Memória e João Carlos Grilo

Em síntese apresentamos
Danças tradicionais
Do folclore brasileiro
Neste carnaval
Assim dança o Brasil
Desde os tempos coloniais
A começar do exuberante Amazonas
Sentimos aplausos da dança da sucuri
E no Pará
Quem não conhece o boi-bumbá (e simbora gente)
No nordeste tão falado
Das danças do quilombos
O coco e o xaxado
Que nos faz lembrar
O cangaceiro Lampião e Maria Bonita
Que se tornaram tradição
Em Pernambuco
Vibramos com o frevo e o maracatu

Algo sublime conhecemos na Bahia
Candomblé e a capoeira (bis)
E a festa da lavagem do Bonfim

Caminhando um pouco mais
Chegamos a Minas Gerais
Aonde o calango
E a dança do mineiro pau
São tradicionais
E na região Sul
Chimarrita e a quadrilha
São as danças principais
No Centro-Oeste
As danças serra moreninha
A rawana e outras mais
Laiá lá laiá laiá...

Finalmente
Chegamos ao Rio de Janeiro (bis)
Capital
Do samba brasileiro

1982

ENREDO: As intocáveis tempestades de Dan
AUTOR(ES): Wilson Magnata, Marino e Ivanildo

Olhando as sete cores do arco-íris
Deixo voar a minha imaginação
Para uma lenda leve como a brisa
Que a São Clemente transformou canção
Dizem que uma moça muito linda
Que veio, um dia, escolhida ser
A grande dama das águas
A divindade da terra
E ter palácios no céu
Seu corpo tornou-se encanto
De mil pedras preciosas
Que se espalharam ao léu

Pega na ponta da cauda
Faz a serpente girar (bis)
Brinca na chuva
Deixa a água te banhar

Seduzidos por riquezas
Presos nos encantos seus
Muitos homens se perderam pela vida
No feitiço do seu véu
Não se livra da desgraça
Quem tocar com sua mão
Na poeira colorida
Semeada pela terra
Espalhada pelo chão
Vem depressa seu castigo
De repente transformada
Em pedrinha de carvão

Ela é a mãe do ouro
Ela é Dan-Dangbé
Ela é dona dos tesouros (bis)
Espalhados pelo mundo
Ela é Oxumaré

1983

ENREDO: Criação da noite
AUTOR(ES): João Carlos Grilo, Serginho e Chocolate

Mergulhei, no mar da imaginação
Procurei
Se encontrei, se encontrei não sei
De mares nunca dantes navegados
Veio o branco navegador
Ao deparar com a bela índia
Por ela logo se apaixonou (ooo)
Uiara, linda como as flores
Tinha o sol, tinha natureza-dia
Mas era noite que ela queria
Noite, como será (como será)
Noite, onde buscar
Será
No caroço da fruta vou encontrar
Será, com a onça preta estará

Ou o marinheiro vai trazer de além-mar (bis)

De solo africano
O negro aqui desembarcou (desembarcou)
Trazendo em sua pele
A cor da noite e a noite na cor
Apesar de sofrimento e dor
Com sua presença a terra prosperou
Entre tantas coisas lindas
Essa festa colorida
Ele encantou (ooo)

1984

ENREDO: Não corra, não mate, não morra - O diabo está solto no asfalto
AUTOR(ES): Rodrigo e Geraldão

Neste dia de festa
Eu mostro o que resta
E aconteceu
Trânsito maior realidade
Manchete sempre deu
E quem não tem reza forte
Procure melhor sorte
Conselho meu
Zeca Passista, ilustre nesta história
Perdeu sua memória
Quase morreu (sonha, sonhou)

Sonha, sonha, sonhou, delirou (bis)
Seu anjo da vida transformou

Placa de trânsito virou alegoria
Fumaça a cores fantasia
Som de motor virou tambor
O Zeca ainda inconsciente
De passista a presidente
Diretor de harmonia
Chamou seu guarda de tenente
Comandou a sua gente
Dirigiu a bateria
O sinal tá verde
Deixa o diabo solto
No asfalto da avenida
Amarelo é nossa vida
O vermelho é pra parar

Não corra, não mate, não morra
Conserte esta zorra (bis)
São Clemente vai passar

1985

ENREDO: Quem casa quer casa
AUTOR(ES): Rodrigo, Izaías de Paulo e Helinho 107

Nasci com a nobreza
Na pobreza me criei
Andei, andei (mas eu andei)
Aqui cheguei
Hoje mostro na avenida
Quem foge nesta vida de aluguel
Trago chave de cadeia
E os prazeres de motel

Quem casa quer casa
Eu não tenho onde morar (bis)
Vou viver como índio
Até melhorar

(A natureza)
A natureza
Mostrou ao homem como a vida é
Caranguejo em casa de peixe
Só tem a sua, de acordo com a maré
No reino da bicharada
Salve-se quem puder
O forte ganha no grito
O fraco leva no bico
O negócio é se arrumar

E nessa vida de toca em toca (bis)
O rato se maloca pra poder rato criar

(Ai, ai, meu Deus)
Ai, ai, meu Deus
Guarde uma casa pra mim no céu
Veja nesta terra tudo é forma de aluguel
O meu salário é uma cascata
Eu não vou poder pagar

Vou arranjar um amor cigano
A gente faz casa de pano (bis)
Ainda pode aumentar

1986

ENREDO: Muita Saúva, pouca saúde, os males do Brasil são
AUTOR(ES): Helinho 107, Mais Velho e Nino

Desperta Brasil
Desse coma entre vorazes tubarões
Vindo por terra ou por mares
Poluindo nosso ares, explorando nosso chão
Impondo ordens em receitas estrangeiras
No acoito das saúvas brasileiras
De Norte a Sul "Brasil-Invest" por aí
E outros males como FMI
Mate a saúva antes dela te matar
O peso é muito para um morto carregar
Pouca saúde, pouca grana pra gastar
Oh, seu ministro, onde a coisa vai parar
Oh, que tristeza, a realidade brasileira
A malária que era só do Norte
No Sudeste chegou forte, correu a nação inteira
O arlequim ficou biruta e ri à toa
Da Colombina tão bonita e tão sacana
Dona de um banco de sangue tão bacana
Que deixou o Pierrot descascando uma banana

Fila pra lá, fila pra cá (bis)
Pra marcar a hora certa do defunto desfilar

(Mas que saudade...)
Mas que saudade
Dos tempos idos que não voltam mais
Vovó quando doente era curada
Com elixir, biotônico e outros chás
Jeca Tatu tão doente e explorado
Espera a salvação chegar
Mais a diligência da saúde
Vem puxada por saúvas
Que a nova república deu fim no Delfim

Ai de mim
É AIDS sim
Paetês e silicones desfilando por aí (bis)
E os meus direitos humanos
A São Clemente cobre na Sapucaí

 1987

ENREDO: Capitães de Asfalto
AUTOR(ES): Izaias de Paula, Jorge Moreira e Manuelzinho Poeta

Pequenino, triste feito um cão sem dono
Tão cansado de viver e sofrer
Por aí perambulando
Não teve sorte
Seu berço não foi de ouro
Seu pai não teve tesouro
É triste sua vida a vagar

Seu moço dê-me um trocado
Eu quero comer um pão (bis)
Sou menor abandonado
Neste mundo de ilusão

Enquanto o filho do papai rico
Desfruta o bom e o bonito
Do dinheiro que o pai tem
Lá vai o menino pobrezinho
Que acorda bem cedinho
Pra vender bala no trem
Muitas vezes é abandonado
Sendo bem ou maltratado
Na chamada FUNABEM
Alô Brasil
Felicidade nunca existiu no SAM
Se hoje ele é mal orientado
Será marginalizado
Nas manchetes de amanhã

A São Clemente
Lembrou do seu existir (bis)
Somos capitães de asfalto
Na Sapucaí

1988

ENREDO: Quem avisa amigo é
AUTOR(ES): Izaias de Paula, Helinho 107 e Chocolate

Desponta na avenida "nova mente"
Mais uma vez vou cantar com altivez
Ora, tenha a santa paciência
Por que tanta violência
Nosso mundo está sofrendo
A fauna e a flora em extinção
Ainda temos esperança
De encontrar a solução
Nosso índio perde e terra
E é massacrado

Negro sofreu com a escravidão (bis)
Sonhava chegar o dia da libertação

(Oh, mulher...)
Mulher, lute pelos seus direitos
O tabu da virgindade
Já foi desfeito
Crianças encantadas com "He-Man"
Desconhecem as maldades
Que em nossa terra tem
O Nordeste tão sofrido e sem amparo
Cidade grande, a polícia e o ladrão
Se defendem contra o monstro da inflação
(Liberdade...)
Liberdade
Quero mudar o meu canal pra outro mundo
Onde não existe guerra
Nem tampouco marajás
E a paz se faz reinar

Se essa onda pega
Vá pegar em outro lugar (bis)
"Quem avisa amigo é"
São Clemente vai passar

 1989

ENREDO: Made in Brazil. Yes, nós temos banana
AUTOR(ES): João Carlos Grilo, Ricardo Goes, Ronaldo Soares e Sérgio Fernandes

Já é hora, oi
Do gigante adormecido despertar (despertar)
Do jeito que a coisa anda
Não pode continuar
A serra que é pelada até no nome, oi
Pelada há muito está

Quero é saber de todo ouro
Onde está nosso "tesouro"
Onde estará
Quero é saber de todo ouro
Onde está nosso "tesouro"
Oh tesouro, onde estará

Parece brincadeira mas não é (mas não é)
O dólar valorizado
O coitado do cruzado
Não pode se envolver na transação
O aço volta manufaturado
Jacaré vira sapato
Lembrando até piada de salão
Exportam até nossa gasolina
Por quantia pequenina
E também nosso melhor café
Os craques se mandando de montão
Já está faltando craque
Pra jogar na nossa Seleção

Eu choro, eu grito
E falo porque amo meu país (meu país)
Só não podem exportar (bis)
A esperança desse povo ser feliz

1990

ENREDO: E o samba sambou...
AUTOR(ES): Helinho 107, Mais Velho, Chocolate e Nino

Vejam só
O jeito que o samba ficou (e sambou)
Nosso povão ficou fora da jogada
Nem lugar na arquibancada
Ele tem mais pra ficar
Abram espaço nesta pista
E por favor não insistam
Em saber quem vem aí
O mestre-sala foi parar em outra escola
Carregado por cartolas
Do poder de quem dá mais
E o puxador vendeu seu passe novamente
Quem diria, minha gente
Vejam o que o dinheiro faz

É fantástico
Virou Hollywood isso aqui (isso aqui)
Luzes, câmeras e som (bis)
Mil artistas na Sapucaí

Mas o show tem que continuar
E muita gente ainda pode faturar
"Rambo-sitores", mente artificial
Hoje o samba é dirigido com sabor comercial
Carnavalescos e destaques vaidosos
Dirigentes poderosos criam tanta confusão

E o samba vai perdendo a tradição (bis)

Que saudade
Da Praça Onze e dos grandes carnavais

Antigo reduto de bambas (bis)
Onde todos curtiram o verdadeiro samba

 1991

ENREDO: Já vi este filme
AUTOR(ES): Manoelzinho Poeta, Jorge Moreira, Severo, Jorge Melodia e Haroldo Pereira

Avancei no tempo
O mundo parou, acabou
Carnaval, festa profana
Satã é o imperador
Clementius do espaço sideral
Criou a terra, céu e o mar
Do clementônio fez o homem
Que a mulher originou
A longo prazo tudo se modificou
E assim viu que tudo dava certo
Desceu para ver de perto toda sua criação
Com 13 naves invadiu nosso torrão

Viu muito bumbum de fora
A missa rezou (bis)
Trouxe os saturnafrincanos
E os escravizou

Na evolução do tempo
Veio a voz da liberdade
Com a corda no pescoço
Se calou sem piedade
Clementius que não é bobo
Vendo o mundo diferente
Sem querer ser comandado,
Tinha um plano traçado
Elegeu-se presidente
Passaram os anos foi aberta a exceção
Diretamente para as urnas o povão
Cansado, confiscado, sem saber o que fazer
Vendo Clementius novamente no poder

É brincadeira,
Quá, quá, quá (bis)
Pau-Brasil que nasce torto
Sempre torto vai ficar

 1992

ENREDO: E o salário ó
AUTOR(ES): Chocolate, Helinho 107, Maurício, Ricardo e Ronaldo

São Clemente através do carnaval
Traz uma mensagem na avenida
Que transformamos em salas de aula
Cobrando urgente a solução
Para o problema da educação
A professorinha de outrora
Que permanece em nossa memória
As velhas sabatinas do colégio
Relíquias do antigo magistério
Hoje tudo está tão diferente
O ensino em decadência
Enriquece muita gente

Que absurdo com salário tão minguado (bis)
O nosso professorado é maior abandonado

Estou em greve, vou gritar
A boca no mundo (vou botar)
Professor insatisfeito
Luta pelo seu direito de ganhar pra lecionar
Mas ainda resta a esperança
De educar nossas crianças
Desperta meu Brasil é hora de união
Salvem a "educação"

Que saudade da escolinha da vovó (bis)
Terminei a faculdade "e o salário ó"

 1993

ENREDO: O pão nosso de cada dia
AUTOR(ES): Helinho 107, Chocolate, Ricardo, Ronaldo e Maurício

Clareou e o padeiro chegou
Anunciando que o pãozinho tá quentinho
Prepara a mesa meu amor
Receba com alegria, o pão nosso de cada dia
Quando o imigrante italiano, ao nosso povo incentivou
O consumo do pão no Brasil
A panificação se expandiu

Tem pão de ló, tem pão francês (bis)
Mas o que vale é o bolso do freguês

No Pão de Açúcar me inspiro, me encanto
Recanto de belezas naturais
No café, no almoço ou no jantar
O pão vem comprovar seu paladar
A gostosa rabanada sempre foi a preferida do Natal
O pão suíço é saboroso, mas eu vou de integral
Pra ficar um pão no carnaval

Prepare a festa e bote o forno pra aquecer
São Clemente traz a massa embalada na folia (bis)
Que contagiou você

 1994

ENREDO: Onde vai a corda vai a caçamba ou uma andorinha só não faz verão
AUTOR(ES): Dedeco, Cesar Neguinho e Buda

Hoje o meu Brasil está em festa
A hora é esta, oi
Vamos todos cantar
Vamos lá rapaziada, meu amigo e camarada
E ao nosso jeito, vamos juntos caminhar
Vai ser difícil conseguir nos separar

Unidos companheiros
Vamos dar as mãos (bis)
Que uma andorinha só não faz verão

Sai pra lá bicho malandro que eu sou cara-pintada (bis)
Fomos à luta e ganhamos a parada

Brilhou o sol da liberdade
No infinito uma estrela anunciou
Que o povo unido jamais será vencido
Em sintonia um grito forte ecoou
Quero ver o mundo contente a sorrir
Fazendo a festa hoje na Sapucaí

Aonde vai a corda, vai a caçamba (bis)
A São Clemente traz a paz, o amor e o samba

 1995

ENREDO: O que é, o que é, que não é, mas será?
AUTOR(ES): Helinho 107, Cláudio Filé, Vaguinho e Leonardo Alegria

Da crítica eu fiz o meu caminho
Alertei e encantei
Zona Sul é São Clemente
De estilo irreverente
Vem cantar e sambar
Brasil (meu Brasil)
Com saúde pra dar e vender
De justiça e moral posso crer
Num país mais querido
Democracia e igualdade
Sinto que a felicidade
Está em nossos corações

Entra nessa onda (meu povo)
De amor (bis)
Com verde e amarelo
Na alma eu vou (eu vou)

Brasil "pé no chão"
Que vibra com a nossa seleção
Mostra sua força ao mundo inteiro
É o orgulho brasileiro
Na luta por um novo amanhã
E essa gente guerreira
Otimista e festeira
Que sincretiza a fé e os Orixás
Tece em sua rede a confiança
Nunca perde a esperança
Em ver a sua vida melhorar

Amor, me leva
Me leva que eu quero amar
Um país bem diferente
Hoje mostra a São Clemente
Fazendo o meu povo delirar
Me leva, amor, me leva
Me leva que eu quero amar
Um país bem diferente
Hoje mostra a São Clemente
Fazendo o meu povo delirar

 1996

ENREDO: Se a canoa não virar a São Clemente chega lá
AUTOR(ES): Henrique Damião, Maurílio Faria e Flávio Oliveira

Quem é do mar não enjoa
Sabe com quantos paus
Se faz uma canoa
A São Clemente
Sente que chegou o dia
A bordo da fantasia
Abre as velas, vai pro mar
"Guerrear, guerrear"
E sobre as ondas
Ventos e estrelas me conduzem por aí

Se navegar é preciso
Navegando num sorriso (bis)
Vou cruzando a Sapucaí

Sou cisne branco que em noite de lua
Vem deslizando desde a Zona Sul
A alegria em meu peito flutua
A avenida é um imenso mar azul
Na batalha triunfal (triunfal, triunfal)
Vim ganhar o carnaval (carnaval, carnaval)
Galeões e caravelas
Dizem nas velas, "Rio, vou te conquistar"
(Se a canoa não virar)
A paz se veste em poesia
Feliz vou desembarcar
Do cais eu vejo a estrela-guia
Apoteose vamos festejar

Raiou o dia
Hoje tem festa no mar (bis)
No delírio dessa onda
Vem comigo balançar

 1997

ENREDO: A São Clemente Botafogo na Sapucaí
AUTOR(ES): Ricardo Góes, Ronaldo Soares, Chocolate, Fernando de Lima e Nivaldo

Carnaval
A minha escola é alegria
E vem contar
Sua história em poesia
Herança viva que marcou
Todo glamour de uma cidade
Na praia os romances
Lindos lances ao luar
Balneário sem igual
Da coroa imperial

Beleza e paz
Que sedução (bis)
Meu Rio traz
Recordação

Mais tarde
Nosso remo virou atração
Se tornou esporte oficial
Da real sociedade
E tudo então, se transformou
Ruas, bares, Zona Sul
A boemia, fascinação
O berço do meu pavilhão
Nasce a nossa escola verdadeira
Mostra o mundo em brincadeira
A consciência social
Que sensação, quanta lembrança
Nosso coração balança

São Clemente irreverente
Consciente vem aí (bis)
E "Botafogo" na Sapucaí

 1998

ENREDO: Maiores são os poderes do povo
AUTOR(ES): Ricardo Góes, Ronaldo Soares, Chocolate e Fernando de Lima

Vejam só que brincadeira
Bagunçaram nosso carnaval
Nossa luta é pioneira
Somos vanguarda da cultura nacional
A esperança continua
De ver um novo amanhã
Todos iguais, sem distinção
Sem fome e dicriminação
Viver melhor e encontrar
Saúde e mais educação

Quero ver você zoar
Com a bateria
Ter certeza de brindar
Um novo dia (bis)
Energia de viver
Vem se embalar
Brincar de ser feliz, quero sonhar

Vem mudar o meu país
Realizar o sonho, que o povo sempre quis
Ter um voto consciente
Cidadania um Brasil da gente
Cem pra sorrir
Vamos lutar
Todo mundo vai ganhar

Maiores são os poderes do povo
É o grito da massa de novo (bis)
Se liga nessa São Clemente vem aí
Contagiando a Sapucaí

1999

ENREDO: A São Clemente comemora e traz Rui Barbosa para os braços do povo
AUTOR(ES): Ricardo Góes, Ronaldo Soares, Chocolate e Antônio

Minha escola faz a festa
Traz para o povo um baiano genial
Defensor da igualdade
A liberdade, o seu ideal
Uma luta pioneira
Nossa bandeira um país melhor
Reformas sociais ele pediu
Que agitaram esse meu Brasil
Idéias liberais abolição
E "Rui Barbosa" orgulha essa nação

O amor à Pátria ele fez valer
"Águia de Haia" nos faz vencer (bis)
A luz de um novo amanhã virá
Seu nome nunca vai se apagar

Mesmo exilado
Jamais abandonou seus ideais
O jornalista consagrado
Que a família amou demais
Jurista e diplomata se fez imortal
Tornou-se um brasileiro sem igual
Um líder nacional
O exemplo vai ficar
A luta não pode acabar
Os jovens vão se lembrar
O sonho irá brilhar

Vem recordar, ser mais feliz (bis)
A São Clemente exalta o meu país

2000

ENREDO: No ano 2000, a São Clemente é Tupi, com Sergipe na Sapucaí
AUTOR(ES): Helinho 107, Cláudio Filé, Reginaldo Bessa e Leonardo Alegria

Raiou a nova era
É tempo de paz na terra
Hoje a São Clemente se veste de Tupi
Pra comemorar
Conta a lenda que o Deus Maíra
Sete deusas de pedra criou
E Numiar, a escolhida
Com seu filho Arapiá se casou
No seu ventre quatro estações
Para governar a nossa vida
A lua e o sol jamais vão se beijar
Assim Maíra fez a paz reinar

Xingó, acende a memória
Vestígios da história, vem mostrar (bis)
Xingó, é chão que irradia
Calor, energia, vem brilhar

Oh, Sergipe
União de culturas, folclore popular
Rendas, bordados que beleza
E a culinária sem igual
No velho Chico eu vou navegar
Magias e mitos, encontrar
E as carrancas espantam a maldade
No novo milênio que vai chegar

A São Clemente faz...
A festa em 2000 (bis)
E com Sergipe celebra (amor)
Os "500 anos" do Brasil

2001

ENREDO: A São Clemente mostrou e nada mudou neste Brasil gigante
AUTOR(ES): Rodrigo Índio, Eugênio Leal, Fabinho e Paulo Renato

Cantei, ah, como cantei
Eu alertei, eu critiquei, amor
Jeito moleque, brincalhão eu vou
Tentando melhorar esse país (pra ser feliz)
O meu grito ecoou
E aí, o que mudou
Mas não desisto, sou guerreiro lutador
Se correr, o pardal pega
Se ficar, o ladrão come
Onde a coisa vai parar
Tô sem terra, tô sem ninho
Qual será o meu caminho
Quero casa pra casar

Tá na hora de curar minha saúde
Quem tem plano fica pobre (bis)
E o pobre que se cuide

Hoje o Capitão de Asfalto
Tomou de assalto as manchetes dos jornais
Marginalizado
Virou culpado da tragédia social
E o meu povão do carnaval
Não pode mais participar
No troca-troca deu lugar
Para o turista delirar
A solução então
É investir na educação
Criar emprego
Para libertar essa nação

Faz a festa, me abraça, põe champanhe na taça
A São Clemente é alegria (bis)
Vem no peito e na raça, sacudindo a massa     
Na explosão da bateria

2002

ENREDO: Guapimirim - Paraíso ecológico abençoado pelo Dedo de Deus
AUTOR(ES): Rodrigo "Índio", Eugênio Leal, Fabinho, Paulo Renato e Anderson Paz

Eu vou comemorar
Contemplar a Guanabara
Tão bela visão do meu pavilhão
A minha grande inspiração (ao longe)
Ao longe
Abençoada pelas mãos do criador
Divina, pequena fonte cristalina
Gigante, vou desvendar os segredos teus
Que a magia do Dedo de Deus
Nessa viagem vai nos revelar

É lindo, é bom demais
Por onde eu olho a natureza brota em paz (bis)
Tem "sambaqui", herança eterna
Dos nossos ancestrais

A cobiça te explorou
Desde os tempos imperiais
Ainda hoje pago pra ver
Não tem preço preservar os animais
Por entre as matas, rios, cascatas
Trilhar teus caminhos tão especiais
Agora, o progresso chega sem destruição
Recicla a forma de agir desta nação
E faz sua mensagem ecoar
Guapi, nessa avenida sou criança, sou mirim
A esperança é ver o mundo todo assim
E uma nova era semear

A São Clemente chegou, sorria
Aqui não tem racionamento de alegria (bis)
O nosso show é energia
Quarenta anos na pressão da bateria

2003

ENREDO: Mangaratiba, uma História de Lutas para todos que Amam a Terra e a Liberdade
AUTOR(ES): Alexandre Araujo, Diego Mendes e Rodrigo Telles

Tô chamando pra sambar
Samba aí que eu quero ver
Deus Tupã a Trovoar (bis)
Lua faz o sol nascer
Feito um Tupinambá, entro nessa multidão,
A São Clemente conquistou seu coração

Índio lutador
Guerreiro pela própria natureza
Defendeu o ouro, todo seu tesouro
Salvou sua terra da ganância portuguesa
Fez um troca-troca gostoso
Botou o colar no pescoço
Olhou pro espelho e sorriu
Índio vaidoso, fingiu que não viu
Que os franceses tão levando o Pau-Brasil
 
Capoeira dos Escravos, jogada com muita fé
Do gingado das mucamas, sinto o aroma do café (bis)
Da queimada o homem branco, produzia o carvão
Leva banana, produto de exportação
 
Hoje no recanto milenar
Preservo a vida ouço pássaros cantar
Mangaratiba eu vou
Na suas matas sonhar
Um beijo entre a serra e o mar
Escuto o som do tantã, rolando até de manhã
Nas suas praias também quero namorar

2004

ENREDO: Boi voador sobre o Recife - Cordel da galhofa nacional
AUTOR(ES): Jorge Melodia, Noronha, Marcos Zero e Cesar Ouro

A cobra vai fumar
De além-mar ao mar de lama
Gostoso é pecar, se lambuzar no mel da cana
Índias que não estão no mapa
Na boquinha da garrafa, cheias de amor pra dar
O tal batavo começou a avacalhar
E como brasileiro gosta de uma obra
Nassau fez até de sobra
Mascarando o leão do norte, lugarejo sem saúde
Onde a maior virtude era viver de armação
Macunaíma, anti-herói idolatrado
Aqui tudo foi tramado pra virar esculhambação

Todo mundo pelado, beleza pura
Todo mundo pelado, mas que loucura (bis)
Ninguém segura a perereca da vizinha
É um barato a buzina do Chacrinha

Era a corte um rebu
Se ouvir um sururu vai pra ponte que partiu
Com o laranja endividado
O pedágio foi cobrado, o primeiro do Brasil
O boi voou, começou a roubalheira
A galhofa, a bandalheira pra chacota nacional
Mas tira o olho, ninguém tasca eu vi primelro
Tem muito boi brasileiro pra comer nesse quintal

Aonde a zorra vai parar
Eu tô sofrendo, mas eu gozo no final (bis)
A São Clemente faz a gente acreditar
Que no Brasil o que é sério é carnaval

2005

Enredo: Velha é a Vovozinha: a São Clemente Enrugadinha e Gostosinha
Autores: Diego Mendes, Alexandre Araújo, Rodrigo Telles, Júnior Duarte, Armandinho do Cavaco e Eugênio Leal

Saravá Orixás, proteção
Giram baianas espalhando na avenida
Sabedoria, inspiração
É Aruanda a iluminar a nossa vida
Nessa troca de energia
A noite fez o feitiço
Da luz surgiu a magia
A princesinha virou a vovozinha do mar
Sai do casulo e vem sambar
Sou aposentado, tô desesperado
Desboto na fila, só levo um trocado
INS.O.S. descaso e confusão, vem do estatuto a solução

Eu sassarico, tomo uma e vou bingar
Se tá caído, vai levantar (bis)
Tá tudo azul, eu levo a vida em alto astral
Beijo na boca pra gozar o carnaval

Em busca da eterna mocidade
Sigo os passos da ciência, o meu remédio é sorrir
Ao bailar pela cidade, sinto há felicidade
Eu tô na moda, vou brincar me divertir
Velho é a vovozinha
Solta a voz e contagia, mostra todo o seu valor
A velha guarda pisa forte arrepia
O retrato da história onde o samba começou
É gente bamba, porta-voz da alegria
Que o tempo preservou

São Clemente guerreira, canta pra mudar
Mostra a força do povo, faz acreditar (bis)
Luta por dignidade, em nome da melhor idade

2006

Enredo: De Gonzagão a Gonzaguinha: Em Vida de Viajante
Compositores: Rodrigo Índio, Fabio Rossi, Ronaldo Soares, Ricardo Góes e Cláudio Filé

"Lua", ilumina minha escola
Pra fazer na avenida o mais bonito São João
Tem forró, maracatu, frevo, arte em argila
Num "estado" de paixão
Seu coração pernambucano bate forte de saudade
Que a "alma do sertão" resgatou
Transformando sonhos em realidade
Toca o fole sanfoneiro e encanta o mundo inteiro
Asa branca quer voar
Espalhando a semente, é do povo, é da gente
Abre o sorriso e vem cantar

Não dá mais pra segurar, amor
Seu grito de alerta ecoou (bis)
Desperta o poeta genial
Explode coração no carnaval

Cantar e não ter a vergonha de ser feliz
Viver na escola da vida um eterno aprendiz
Amar a mulher e a pureza da criança
No futuro há esperança
Com liberdade pra sonhar
Sangrando eu vou, eu vou
Mergulhar com você no lago do amor
E lá do céu poder reviver
Mais uma linda turnê

Levanta a poeira, sou mais São Clemente
O preto e amarelo, orgulho da gente (bis)
Sacode bateria no compasso do baião
Cantando Gonzaguinha e Gonzagão

2007

Enredo: Barrados no Baile
Compositores: Alemão do Táxi, Carlinhos da Penha, Maninho, Gil Melodia e Jassa

Sou um vencedor
Pouco me importa se você não acredita
Em meu coração tem emoção
A igualdade é a palavra mais bonita
Derrubei verdades
Quero ter livre minha forma de expressão
Na arte, esporte e cultura
Abaixo a discriminação

Sou índio, sou negro, sou filho da terra
Meu canto de guerra é contra a opressão (bis)
Não traio a verdade, eu sou diferente
Tenho a São Clemente no meu coração

Sigo a luz que me conduz
Em busca da felicidade
No meu arco-íris
Não tem preconceito
Respeito o direito à sua opção
Chega de maus tratos à mulher
Justiça e trabalho sem distinção
Assumo os deveres
E exijo os direitos
Quero ser tratado como cidadão

A São Clemente não discrimina
Convida geral
Do Hip Hop ao Axé (bis)
Com muito samba no pé
Vem para o baile do meu carnaval

2008

Enredo: O Clemente João VI no Rio: A Redescoberta do Brasil...
Compositores: Helinho 107, Ricardo Góes, Naldo, Cláudio Filé, Armandinho do Cavaco e Marcelo Santa Clara

No céu brilhou
O azul cintilante refletindo a nobreza
Lisboa se enfeitou
Celebrando a união das realezas
O povo festejou
Para orgulho da coroa portuguesa
O reino então se mudou
Meu Rio se transformou
Num grande centro de real beleza
Um verdadeiro paraíso tropical

Entrada régia com florais e esculturas
O ritual do beija-mão é sem igual (bis)
O amor impera em sublime poesia
E no palácio a alegria é geral

Com os portos abertos
Surgem amigas nações
Sob o olhar fuzileiro
Adeus colônia, pois o Rio é capital
Viagens pitorescas
Colorindo a cidade, "pinta" a arte francesa
O aclamado rei de Portugal
Vê chegar a hora da partida
O povo se rende na mais pura emoção
É eterno o carinho ao Clemente João
Grande monarca luso-brasileiro
Receba a homenagem do meu Rio de Janeiro

Cerimônia na corte, fechou "geral"
Maria Louca arrasou no visual (bis)
A São Clemente com requinte e fidalguia
Prepara a festa pra Família Real

2009

Enredo: O Beijo Moleque da São Clemente
Autores: Rodrigo Indio, Alexandre Araujo, Fabio Rossi, Rodrigo Telles e Armando Daltro

O menino fugiu pra ser artista
Voou pro mundo como faz um trapezista
Vendia o pão de cada dia pra sonhar
O palco é o seu lugar
Um dia o destino traçou
O céu de lona a brilhar
A cara pintada de branco e o coração colorido de amor
Da realidade fez palhaçada
Talento não tem raça nem cor
Encanto e sorrisos por onde passava
Aplausos... O show começou!

“Domo-a-dor” com esperança.... Um lutador
Tem magia na cartola..... Tem sim senhor!!! (bis)
Dou cambalhota, sou um rei no picadeiro
Na corda bamba se equilibra o brasileiro

Segue a caravana pela história
Viu a liberdade de uma raça ser prisão
A monarquia caiu, o marechal coroou
A obra do palhaço trovador
“Beija-a-mim”, circo teatro que “com-graça”
Apoteose te abraça
Tira a máscara e revela
Veja que é preta e amarela
São cores de um grande amor

Lá vem São Clemente, desponta a guerreira
Moleca, faceira, que me faz feliz (bis)
Eu trago no peito paixão verdadeira
Meu beijo moleque não é brincadeira

2010

Enredo: Choque de Ordem na Folia
Autores: Luiz Carlos Ribeiro, Marquinhos Gravino, Alex Jouber, Rubinho Salomão e Marcelo D. Noite

Maravilhosa e com um corpinho violão
Minha cidade continua a deslumbrar
Quando chega fevereiro, o meu Rio de Janeiro
Para tudo pra sambar
Que saudades que eu tenho
De antigos carnavais
Pegava o bonde andando
E namorava a colombina
E chuva era só de serpentina

Hoje é carro na calçada
Um fuzuê, o caos (bis)
Baderna em cada esquina
O gato agora é geral

Eu bem que te avisei
Que o samba um dia ia sambar
Genitália apareceu
O rei momo emagreceu
E a rainha paga pra reinar
Evolução será que é isso?
Carnavalesco a esmolar
Vou mudar meu destino
Quero crer como um menino
Nesta grande festa popular

A São Clemente vem chegando com alegria
Dando um choque de ordem para acertar essa folia (bis)
Hoje eu quero o povo todo aqui
Com sorriso na Sapucaí

2011

Enredo: O Seu, o Meu, o Nosso Rio, Abençoado por Deus e Bonito por Natureza
Autores: Ricardo Góes, Ronaldo Soares, FM, Grey, Serginho Machado, Flavinho Segal, Helinho 107, Cláudio Filé, Armandinho do Cavaco, Nelson Amatuzzi, Fabio Portugal, Rodrigo Maia, J.J. Santos e Xandão

E Deus fez a maravilha
Mistérios brotam deste chão
Que a natureza esculpiu
Divina emoção
O Rio nasceu no sol da canção
Terra cobiçada, iluminada
Gente feliz
Menina dos olhos
Do pai criador
Que o padroeiro abençoou

Nas suas águas me banhar
Da fonte vou beber (bis)
E nesse Império Tropical, amanhecer

Passo a passos... Civilização
O modernismo surgiu
Entre riscos e traços se rebatizou
Cidade maravilhosa!
"Minha alma canta", de tanta emoção
A bossa embala o "tom" da canção
Preservar!
É o caminho vamos respeitar
Ter consciência é saber cuidar
Do patrimônio mundial
Rio seu pôr-do-sol é um poema
Braços abertos entra em cena
Nesse carnaval! 

Sou carioca e São Clemente
Irreverente, minha paixão (bis)
Meu Rio sua beleza inspira o mar azul
Canta Zona Sul!

2012

Enredo: Uma Aventura Musical na Sapucaí
Autores: Ricardo Góes, Serginho Machado, Marcos Antunes, FM, Guguinha, Vânia e Flavinho Segal

Prepare o seu coração
É pura emoção
A sirene acabou de tocar (u-lá-lá)
A orquestra começou
E entoou o meu cantar
Um violino anuncia
Vem viajar na magia
Do meu cabaré, com samba no pé
Vem exibir, pode aplaudir
Será que é sonho meu?
Sucesso aqui vou eu

Põe a máscara pra mim
Vem comigo, a hora é esta (bis)
Não sei viver sem você
És o artista, faz a nossa festa

De tudo aconteceu
Puxa! Aqui Paris é avenida
Hoje o malandro sou eu
Vi a tristeza feliz da vida
Dei um susto, o fantasma sumiu (buuu)
Sou irreverente
Se o samba empolgou, virou carnaval
Nossa aventura musical
Noviça dançou ao som da canção
E conquistou meu coração

Tem bububu no bobobó
Sem sassarico é uó (bis)
Bumbum de fora, pernas pro ar
Bravo! A São Clemente vai passar

2013

Enredo: Horário Nobre
Compositores: Gabriel Mansilha, Nelson Amatuzzi, Victor Alves, Floriano do Caranguejo, Beto Savana, Guguinha e Fabio Portugal

Nem adianta me ligar agora
Estou grudado na tela
Antiga história de amor
Orgulho da gente
Ajeita a poltrona, chegou... São Clemente!
No espelho, a magia atravessa gerações
Está no ar a mística das grandes emoções
Coragem irmãos, que a viagem
Tem os dramas da vida que imita a arte
As lutas de um povo e suas bandeiras
Amores e risos por todas as partes

Dance bem, dance mal, dance sem parar
Roque quer sambar... Né brinquedo não (bis)
Quero ouro, muito dez, Inshalá
O Astro na imagem da televisão

Bem lembro a me seduzir
A morena sensual Gabriela
Fogosa Tieta e a doce Isaura
Branca escrava, tão bela
Em Bole-Bole quem não viu?
Dona Redonda explodiu!
Segura a peruca, Perpétua
Odete, chegou sua hora
O Brasil parou! Quem matou?
Já vai terminar do jeito que eu quis
Vilão não tem vez, final feliz

Olha quem chegou, Sinhozinho Malta
Viúva Porcina sambando igual mulata (bis)
Milhões de imortais também presentes
Na tela da São Clemente

2014

Enredo: Favela
Compositores: Ricardo Góes, Serginho Machado, Grey, Anderson, FM e Flavinho Segal

Em busca da felicidade
Trago a esperança no olhar
Sou bisneto de imigrantes
À miscigenação eu vou brindar
Sem régua, sem esquadro
Arquiteto da ilusão
Com muita luta construí o nosso chão...
Pobre... Mas rico de emoção
Livre... Mas preso na paixão
Favela... Te emoldurei em aquarela
Linda nesta Passarela

A força da fé... Sou eu
Se o bem vence o mal... Valeu (bis)
O amanhã, vou conquistar
É preciso acreditar

Gangorra da vida
De que lado está?
A fome de amor faz meu sonho sonhar
Na minha lida desço o morro pra vencer
Quero justiça pra poder viver
Devemos dar as mãos e juntos caminhar
Minha favela coisa mais bela não há

É nas vielas que nasce o mais puro samba
Se tem batucada nos guetos tem bamba (bis)
É o coração quem manda...

Eu quero mais é ser feliz
A minha estrela vai brilhar (bis)
Oh! São Clemente, eternamente
Vou te amar...

2015

Enredo: A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Perera, da Tocandira e da Onça Pé de Boi
Compositores: Leozinho Nunes, Wiverson Machado, Hugo Bruno, Diego Estrela, Ronni Costa e Victor Alves

Chega mais...
Mas vem sem medo, hoje é Carnaval
Artista brasileiro genial
E nem Matinta Pereira hoje vai lhe calar
Vem bicho brabo e onça sambar
Clementiano é fiel, não abandona
Vem pra folia, Fernando Pamplona
De Rio Branco a Rio Branco aprendeu
Se encantou com esta festa popular
E quando foi julgador, o desfile atrasou
Seu coração salgueirou

Zambi é Zumbi, Chica da Silva mandou... ôôôô
Exaltando o negro pro mundo inteiro cantar (bis)
Pega no ganzê oi, pega no ganzá

Idealista, grande vencedor
Fez o desfile ganhar outra dimensão
Choveram críticas ao professor
Junto aos confetes e alegria do povão
Hoje sua herança desfila aqui
Lindo girassol começa a se abrir

É o mestre
Que segue o astro rei lá no infinito
(bis)
O céu ficou ainda mais bonito
Todos querem aplaudir

Vem que a festa é da gente
Meu orgulho São Clemente (bis)
Ao gênio maior da avenida
Canta Zona Sul, feliz da vida

2016

Enredo: Mais de Mil Palhaços no Salão
Compositores: Rodrigo Índio, Alexandre Araújo, Fabio Rossi, Vinícius Nagem, Amado Osman, Armando Daltro, Rodrigo Telles e Davi Costa

Que confusão, meu deus do céu!
Foi travessura dos diabos
O bobo irreverente do reino fez piada
A corte encantada aplaudiu
Na feira, em cena a arte
O céu de estrelas ilumina o chão
Espalha por todas as partes
Sorrisos pela multidão
Fascina meninos de qualquer idade  
Suspense! O show começou!
Montado na felicidade, surge o palhaço!
O circo chegou!

Alô, alô! Alô criançada vai ter palhaçada
Quero ver você feliz…
(bis)
Dou cambalhota, pirueta! Se chorar, faço careta
Bravo! A platéia pede bis!

Tá certo ou não tá? Eu vou gargalhar
Oh! Quanta alegria!
Divino dom do riso é carnaval
Na festa dos "reis da folia”
A cara branca, o pastelão!
Cara-pintada, voz de uma nação
Sou saltimbanco brasileiro, me equilibro o ano inteiro
Tem marmelada e "faz-me-rir"
Acorda! Esquece a tristeza e vem cantar
“Pelo telefone” mandaram avisar
O palhaço o que é?
É ladrão de mulher!
Mas tem samba no pé

O palhaço o que é? É doce ilusão
Sonho de criança, pura emoção (bis)
De preto e amarelo pintou meu amor!
Hoje tem São Clemente? Tem, sim senhor!

2017

Enredo: Onisuáquimalipanse
Compositores: Toninho Nascimento, Luiz Carlos Máximo, Anderson Paz, Gustavo Albuquerque, Camilo Jorge e Marcelão da Ilha

Contam… que o governante de um país
Dançava as noites tão feliz
E brincava mascarado
Do zum zum do carnaval
Bailou… como o astro-rei de um poema
Ao final da cena
Houve aclamação geral

O sol… a partir desse tal dia (bis)
Ganhou a honraria de símbolo real

Daí então o ministro do tesouro
Ergueu a peso de ouro
Um palacete e convidou
O soberano que encantou-se nos jardins
Com a beleza se mirando nas águas do chafariz
Foi assim que descobriu nessa festança
Que havia comilança em sua pátria mãe gentil

Chega ao fim tanta cobiça
Quem levou não leva mais
(bis)
Majestade da justiça
Palavra de rei não volta atrás

Usando a mesma régua e o mesmo traço
Construiu-se outro palácio
De imponência sem igual
Ecoam pelos ares de Versalhes
Os acordes de um baile suntuoso e triunfal

A coroa do sol vem me coroar
Alumiou, deixa alumiar
(bis)
Que hoje o rei sou eu
Brilhando com a ginga que o samba me deu