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FERNANDO PAMPLONA

FERNANDO PAMPLONA

Meu maracatu é da coroa imperial
Meu maracatu é da coroa imperial
É de Pernambuco!
Ele é da casa real

Vivia no litoral africano
Uma régia tribo ordeira
Cujo rei era símbolo
De uma terra laboriosa e hospitaleira

Salve o Rio de Janeiro
Seu carnaval, seu quatrocentão
Feliz abraço do Salgueiro
À cidade de São Sebastião

Quem por acaso folhear a história do Brasil
Verá um povo cheio de esperança
Desde criança
Lutando pra ser livre e varonil

Certa jovem linda, divinal
Seduziu com seus encantos de menina
Um ouvidor real

Na ladeira tem, tem capoeira
Zum zum zum zum zum zum
Capoeira mata um!

Olelê olalá
Pega no ganzê!
Pega no ganzá!

Ô ô ô, oh meu Senhor
Foi Mangueira
Estação Primeira
Quem me batizou

Tem gente que bebe pra esquecer, ê ê
Tem gente que sabe beber e comer

Saruê baiana iorubana
Com a saia amarrada
Co’a paiá da cana


        Fernando Augusto da Silveira Pamplona, hoje considerado um dos maiores baluartes do carnaval carioca, nasceu no Rio de Janeiro, em meados da década de 20. Após a Revolução de 1930, fugiu, com o pai, do Sudeste para a cidade de Xapuri, no Acre, onde cursou o ensino primário. Ainda criança, teve contato com diversas manifestações folclóricas da região, como a festa do boi-bumbá, o que crucial para lhe despertar um grande interesse por cultura popular. Retornando a sua cidade natal, Pamplona foi morar em Botafogo, indo durante vários carnavais, ao lado da empregada doméstica, para assistir as batalhas de confetes da Rua Dona Mariana. Mais tarde, entrou para Escola Nacional de Belas Artes, local em que se formou como professor, embora não contasse com o apoio de sua tia, que julgava este não ser o curso correto para bons rapazes. Pamplona atuou ainda jovem, juntamente com Sérgio Britto, no Teatro Universitário, sem relevante sucesso como ator. Sua grande chance surgiu ao conhecer Mário Conde no Bar Café Vermelhinho, conhecido ponto de encontro de intelectuais na década de 50, como Di Cavalcanti, Augusto Rodrigues, José Pancetti, entre outros. Mário o convidou para trabalhar no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde aprendeu técnicas de cenografia e produziu cenários para balés e óperas. Como ocupação extra, começou a auxiliar na ornamentação dos famosos bailes carnavalescos do Municipal, além de criar vários projetos de decoração da cidade para o carnaval. As temáticas dos demais artistas sempre faziam referência a cenários europeus, como festas da corte francesa ou veneziana até que, em 1957, Pamplona, em companhia de Roberto de Carvalho, surpreendeu a todos ao ornamentar o teatro erudito com adereços de origem africana.

        Em 1959, o escritor Miercio Tati, membro do então Departamento de Turismo e Certames da Prefeitura (hoje, Riotur), o chamou para integrar o corpo de jurados dos desfiles das escolas de samba do Rio. Embora tenha assumido o cargo com dedicação, apenas uma, entre todas as agremiações, deixou Pamplona realmente extasiado. Trata-se do Salgueiro, que, naquele ano, havia inovado por completo os padrões do carnaval carioca ao jogar para o alto os habituais enredos de capa-e-espada (sobre políticos ou militares) trazidos pelas escolas e abraçou uma temática sobre o pintor francês Jean-Baptiste Debret. Tal tema, denominado Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, fora elaborado pelos figurinistas Dirceu e Marie Louise Nery e o Salgueiro fez uma apresentação revolucionária e inesquecível. Pamplona deu nota 8 à agremiação, que somente perdeu por um ponto da Portela. De qualquer maneira, foi ele um dos poucos jurados a defender, sem medo, sua avaliação sobre os desfiles, o que surpreendeu o diretor de carnaval do Salgueiro, Nelson de Andrade. A diretoria da escola, por intermédio de Nelson, o convidou para preparar desfile salgueirense para o carnaval de 1960 e Pamplona aceitou o pedido com a condição de fazer um enredo sobre Zumbi dos Palmares. Pela primeira vez, a vida de uma personagem não-oficial da história do Brasil era retratada por uma agremiação. Chamou seus colegas de teatro, Arlindo Rodrigues e Nilton Sá, e acabou se tornando, por fim, um carnavalesco de escola de samba.

        De início, foi difícil Pamplona convencer os sambistas do Morro do Salgueiro a se fantasiarem de negros e abandonar as requintadas roupas de nobres por eles utilizadas ano após ano. Com muita conversa, os componentes entenderam a razão do enredo e foram empolgados para o desfile, ocorrido debaixo de forte chuva. A apresentação fora aberta por um grande estandarte, trazendo a imagem de Zumbi e um anúncio a respeito da história que seria contada na avenida. Logo após, o carnavalesco ousou em colocar um carro alegórico repleto de percussionistas tocando atabaques dos mais diferentes tipos, desde o tambor de crioula do Maranhão aos ogãs de couro dos terreiros cariocas. Seguiu-se a ala das baianas, homenageando o maracatu e que, pela primeira vez após muitos anos, voltaram com a tradição de se apresentarem completamente vestidas, ao contrário do vinha acontecendo nas demais escolas, nas quais elas já desfilavam de barriga de fora. A agremiação relembrou a construção do quilombo com palhoças, no sertão de Santo Agostinho, pelos escravos foragidos durante a invasão dos holandeses ao Nordeste. À cada ala que passava, o carnavalesco fazia alusão às guerras entre Palmares, liderada pelo protagonista do enredo, e as forças armadas dos governos alagoanos e pernambucanos. Depois de 48 anos de confronto, o quilombo é tomado pelas tropas do bandeirante Domingos Jorge Velho e Zumbi, refugiado na Serra do Gigante e angustiado por ver seu reino destruído, atira-se do topo de um penhasco. Além de um ótimo samba e a empolgante bateria de Mestre Tião, o Salgueiro contou ainda com o destaque de Mercedes Batista, a única bailarina negra do Teatro Municipal, fantasiada de Dama Calunga. O desfile foi encerrado por uma segunda ala de baianas, representando, com bandeiras brancas, o fim da Guerra dos Palmares. O Salgueiro saiu da avenida ciente de que havia feito um espetáculo histórico e era apontado como favorito ao título. Na apuração, a escola terminou em 3º lugar, atrás da Mangueira e da campeã Portela. Entretanto, as duas primeiras colocadas deveriam ser penalizadas em 15 pontos em cronometragem, o que foi ignorado pelos jurados. Depois de muita confusão entre os diretores das escolas, ficou decidido, em uma nova reunião, que todas as cinco primeiras colocadas – Portela, Mangueira, Império Serrano, Unidos da Capela e o próprio Salgueiro – seriam tidas como campeãs.

        Para 1961, a agremiação não contaria mais com a presença do diretor de carnaval, Nelson de Andrade, e Pamplona decide seguir o amigo ao se afastar do Salgueiro. Contudo, faltando menos de dois meses para o desfile, a escola não demonstrava qualquer sinal de preparo para entrar na avenida. A angústia tomou conta da comunidade, a qual, desesperada, foi buscar Nelson e Pamplona de volta, que tiveram a idéia de homenagear o escultor Aleijadinho, um dos maiores nomes da arte barroca no Brasil. Ambos chegaram a viajar até Minas Gerais a fim de recolher material sobre as obras do artista. Além deles, o barracão do Salgueiro fora também desenvolvido pelos carnavalescos vice-campeões de 1959, Dirceu e Marie Nery, e pelo então aluno de Pamplona na Escola de Belas Artes, Mauro Monteiro. O começo do desfile do Salgueiro foi muito prejudicado pela invasão de público na Avenida Rio Branco, atrapalhando de forma penosa a evolução dos sambistas. O abre-alas trouxe réplicas dos doze profetas de Congonhas, impressionando a todos os espectadores pela tamanha perfeição das esculturas, muito semelhantes às originais. Com indumentária barroca, os componentes do Salgueiro passearam pelo Brasil Colonial em meio à liteiras, sacrários, procissões, damas e nobres. Nenhuma das obras de Aleijadinho em Vila Rica (Ouro Preto), Sabará, Mariana e São João Del Rey deixou de ser descrita pelo carnavalesco. As baianas se apresentaram com bateias nas mãos, lembrando a extração do ouro, em Minas Gerais, no tempo do homenageado. Em substituição à destaque Paula, foi esta a primeira vez em que Isabel Valença, futuramente considerada personalidade histórica do carnaval carioca, desfilou no Salgueiro. Apesar de alguns contratempos, a escola animou a todos e conseguiu o vice-campeonato, perdendo apenas para a Mangueira.

        Em 1962, Nelson de Andrade enfim deixa o Salgueiro e Pamplona, tal como faria no ano anterior, acaba por acompanhá-lo. Arlindo Rodrigues assume seu posto de carnavalesco principal, levando a agremiação à 3ª colocação com o enredo O Descobrimento do Brasil. No mesmo ano, Pamplona viaja para estudar na Alemanha, retornando em um breve período para as festas de fim de ano. Nesse meio tempo no Rio de Janeiro, é convidado para escolher o samba-enredo salgueirense para o carnaval seguinte, cuja temática abordaria a vida da ex-escrava Chica da Silva. Seu voto fora colocado em um envelope, com a exigência de que somente fosse aberto após ele já ter partido de volta a Europa. Sendo assim, foi escolhido o belíssimo hino de Noel Rosa de Oliveira e Anescarzinho. Com uma apresentação antológica, a escola consagrou de forma merecida seu segundo título. Para 1964, Arlindo pede Pamplona para elaborar um tema a respeito do negro Chico Rei. O carnavalesco que já havia recolhido material sobre o personagem quando esteve em Minas Gerais pesquisando acerca de Aleijadinho para o desfile de 1961. Ainda na Alemanha, Pamplona envia o enredo completo a Arlindo, no Brasil, que o faz ganhar vida em fantasias e alegorias vermelho-e-brancas.

        Contando com um conjunto visual leve e, ao mesmo tempo, riquíssimo, o Salgueiro começou sua apresentação com um grupo de sambistas abrindo passagem para Neca da Baiana, o qual encarnou a figura do próprio Chico Rei, seguido das três famosas passistas Irmães Marinho, ainda em estréia na escola. A temática tinha início em uma tribo africana, terra natal do homenageado, de onde foi arrancado à força e o transportado em navio negreiro pelos portugueses para escravizá-lo no Rio de Janeiro. Já no Brasil, foi levado a Vila Rica por um nobre para trabalhar na mineração, onde Chico Rei, a fim de conseguir dinheiro para comprar sua alforria e dos demais escravos, decide esconder o pó de ouro nos cabelos durante o trabalho e retirá-lo nas pias das igrejas. Desta maneira, várias alas coreografadas por Marcedes Batista, que, por sua vez, fantasiou-se de Rainha da Congada, representaram a lavagem da cabeça dos escravos. Aliás, o desfile fora muito prejudicado por conta dessas coreografias, feitas à pedido de Arlindo Rodrigues e que lamentavelmente fizeram os componentes da escola não cantar seu belo samba. O Salgueiro saiu da avenida lembrando a conversão de Chico Rei ao cristianismo e a construção da Igreja Santa Efigênia do Alto da Cruz, em Ouro Preto. Embora bastante aplaudida, a agremiação terminou amargando o 2º lugar, principalmente graças sua fraca harmonia.

        Em 1965, ano cujo carnaval monotematizava, entre todas as escolas de samba, os 400 anos da cidade do Rio de Janeiro por sugestão da Secretaria de Turismo, Pamplona enfim retorna da Europa e opta, no Salgueiro, pelo enredo História do carnaval carioca, inspirado no livro homônimo de Eneida de Moraes. Para desenvolver o desenho dos carros alegóricos salgueirenses, Arlindo Rodrigues convidou um bailarino maranhense, colega do Teatro Municipal, João Clemente Jorge Trinta, apelidado na época de “Joãozinho das Alegorias” e bem mais conhecido no futuro como Joãosinho Trinta. Infelizmente, o abre-alas, aonde viria o filho do falecido presidente Casemiro Calça Larga, não chegou ao barracão da escola, que, assim, teria que se apresentar desfalcada. Pamplona pediu então às Irmães Marinho para abrirem o desfile com o lema da escola escrito em um cartaz: “Nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente!”. Embora o carnavalesco tivesse medo de vaias na avenida, isso não aconteceu e o público aplaudiu intensamente a agremiação, principalmente a comissão de frente, composta de 20 homens fantasiados com burrinhas de vime, em alusão a cavalgada ocorrida em comemoração à “Festa da aclamação” de Dom João VI como rei de Portugal, em 1818. O Salgueiro foi recebido por uma enorme chuva de confetes e serpentinas, distribuídos por seus dirigentes nas arquibancadas. Houve menções os corsos, através de um calhambeque da década de 30, emprestado por um colecionador e ornamentado com flores. Inclusive, um bloco do Catumbi, muitíssimo elogiado pela crítica, esteve presente junto à escola, fazendo referência aos antigos ranchos. As grandes sociedades foram lembradas por um dragão de plástico, encimados por mulatas da comunidade. Em seguida, vieram alas representando os foliões de rua, como índios, tenentes do diabo, melindrosas, arlequins, palhaços, além de um bonde de verdade, usado como alegoria com as rodas de ferro cortadas e substituídas por de borracha. Tendo a destaque Paula como Tia Ciata, o carnavalesco recordou os sambistas da Praça Onze e o desfile foi encerrado por fantasias do baile de gala do Teatro Municipal, além de casais de mestre-sala e porta-bandeira trazendo estandartes de todas as escolas de samba nas mãos. A agremiação seguinte a se apresentar, a Portela, protestou contra a sujeira deixada pelos confetes e serpentinas na passarela. Pamplona, em tom de deboche, comparou a roupa dos garis da prefeitura, limpando a avenida, com a comissão de frente portelense, o que não foi muito bem recebido pela diretoria azul-e-branca, ordenando então aos varredores para que se aproximassem mais do Salgueiro ainda desfilando. Ironicamente, o júri pensou que os garis fossem integrantes da escola, que não havia se esquecido nem dos pobres trabalhadores da quarta-feira de cinzas. Ovacionado pela imprensa e pelos espectadores, o Salgueiro sagrou-se novamente campeão.

        Depois da conquista do título de 1965, Arlindo e Pamplona decidiram sair do Salgueiro, acusando o presidente Osmar Valença a sempre se ausentar em momentos críticos da preparação do carnaval anterior. Em 1966, o desfile salgueirense ficou sob responsabilidade do museólogo Clóvis Bornay, que organizou a temática Os Amores Célebres do Brasil. Sem o mesmo vigor e empolgação dos anos anteriores, a escola acabou amargando uma decepcionante 5ª colocação, o que levou a comunidade a chamar os dois carnavalescos campeões de volta. Ambos concordariam com o regresso com a condição de que Osmar Valença fosse afastado da presidência da agremiação. Com uma comissão administrativa, liderada por Jesus de Oliveira, Arlindo e Pamplona retornaram ao Salgueiro, que, inspirados no livro homônimo de Manuel Viriato Correia, escolheram o polêmico enredo História da liberdade no Brasil. Passados três anos após o Golpe Militar, um grande tormento foi gerado entre os dirigentes da escola e oficiais a serviço do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), que, como se não bastasse sempre estarem presentes nos ensaios da escola, por várias vezes, chegaram a intimar Pamplona e pedir explicações a respeito do tema, o qual teve sua abrangência delimitada apenas até a Proclamação da República, em 1889. De qualquer forma, o temor pela censura na abertura do desfile prosseguiu, o que fez com que os carnavalescos sugerissem aos sambistas se apresentarem com esparadrapos na boca sob sinal de protesto e ao som apenas do toque de um surdo. Felizmente, para a alegria dos componentes, tal proibição acabou não ocorrendo, embora muita gente tenha trazido os esparadrapos como fora pedido.

        Aliado a um belo samba de Aurinho da Ilha, o Salgueiro abriu seu desfile com um livro aberto como abre-alas, seguidos de alas referentes à Inconfidência Mineira, com bandeiras brancas e o lema “Libertas quae sera tamen”. Adereços de mão segurados por diversas alas, feitos de madeira leve e palha, representavam as máscaras africanas do Quilombo dos Palmares. A partir daí, o Salgueiro relembrou Aclamação de Amador Ribeiro, Revolta de Bequimão e Guerra dos Emboabas. As Irmães Marinho e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Agostinho e Maria de Lourdes, iniciaram o setor dedicado a Revolta de Felipe dos Santos, marcada pela rebelião de mineiros de Vila Rica contra a proibição, pela Coroa Portuguesa, da circulação do ouro em pó. As baianas, com fantasias floridas, vieram no capítulo referente à Conjuração Baiana, movimento emancipacionista que separaria a Bahia do Brasil Colônia. A escola ainda passeou pelos episódios da Guerra dos Mascates, Revolução Pernambucana, Proclamação da Independência e Dia do Fico. No quadro alusivo à Abolição da Escravatura, veio Isabel Valença em uma de suas grandes apresentações, ao redor de lampiões e quatro portais e no papel de Princesa Isabel com uma roupa branca, vermelha e dourada, incrustadas com pedrarias. A agremiação terminou sua apresentação com Instauração da República, tendo o destaque Bolonha como Marechal Deodoro da Fonseca. Juntamente a um visual impecável, um dos grandes momentos do desfile foi uma alegoria, ladeada por uma cascata de espelhos, invenção de Arlindo Rodrigues contendo um chafariz colonial, em homenagem a Ismael Silva, fundador da primeira escola de samba da história, a Deixa Falar. A única falha foi a bateria ter saído do recuo desnecessariamente mais cedo, o que prejudicou o ritmo dos demais componentes. Muito elogiado, o Salgueiro acabou 3º lugar, perdendo apenas para o Império Serrano e a Mangueira, campeã com O mundo encantado de Monteiro Lobato.

        Para 1968, Pamplona escolhe o enredo Dona Beija, a feiticeira de Araxá, homenagem à negra Ana Jacinta de São José e seu romance com Dr. Joaquim Inácio da Motta, o ouvidor do Rei em Minas Gerais, no século XIX. O maior objetivo maior do carnavalesco e sua equipe era preparar um espetáculo que se assemelhasse o ambiente imperial das cidades mineiras daquele tempo, o que foi cumprido com grande sucesso. Com o conjunto de fantasias e alegorias mais elogiado na temporada pré-carnavalesca, o Salgueiro iniciou seu desfile em uma manhã de chuva, embora o público nas arquibancadas ainda continuasse empolgado. Pamplona relembrou a beleza da personagem que encantava a todos em Araxá e seduziu o ouvidor do local ao ponto de raptá-la, apesar de estar noiva. Ambos fugiram para a Vila do Paracatu do Príncipe e Beija acabou por se tornar amante de seu seqüestrador, retornando a Araxá tempos mais tarde, onde ela não era mais admirada, mas sim vista com olhos desconfiados pela população. A escola fez alusões a sua vida luxuosa na corte, como fora mostrado no setor em que desfilou Isabel Valença, representando magicamente a própria homenageada. Contando ainda com a presença das Irmães Marinho, a tradicional Paula e a recém-chegada Narcisa, a agremiação finalizou seu desfile com a recordação do pedido de Joaquim a Dom João VI para transferir o Triângulo Mineiro da Capitania de Goiás para a de Minas, temendo um julgamento por ter raptado Beija. Após uma das melhores apresentações do ano, o Salgueiro repetiu sua colocação do ano anterior, atrás novamente do Império Serrano e da bicampeã Mangueira, com Samba, festa de um povo.

        Em 1969, mais uma vez, o Salgueiro virou notícia pela escolha de seu tema: Bahia de todos os deuses. Acontece que, no carnaval carioca, sempre houve um tabu a respeito de enredos sobre a Bahia, tendo em vista que, ao longo da história, já haviam sido desenvolvidos em várias ocasiões e nunca uma escola de samba passou do 3º lugar. Quando tal temática fora anunciada na quadra, a comunidade chegou a achar que fosse brincadeira, porém se tratava da pura realidade e, apesar de contrariar muita gente, a agremiação trabalhou firme para desmistificar essa lenda que atormentava a mente dos sambistas. Com um orçamento limitado, Pamplona não hesitou ao soltar sua ambígua e mais famosa frase: “Tem que tirar aquilo que não se tem no bolso!”, fazendo tanto um protesto contra o exagerado gasto financeiro tido nos barracões, como uma exaltação ao uso da criatividade pelos carnavalescos. Como ele e Arlindo eram, naquele ano, os responsáveis pela cenografia do baile de gala do Copacabana Palace, Pamplona se aproveitou deste fato para elaborar ornamentos propositalmente desmontáveis para serem, depois, reutilizados na construção das alegorias salgueirenses. Com um samba interpretativo e extremamente inovador, de autoria de Bala e Manuel Rosa e cantado por Elza Soares, a escola começou sua apresentação com a comissão de frente em ternos brancos e componentes balançando incontáveis bandeiras brancas, seguida de alas, coreografadas por Mercedes Batista, representando cada um dos doze orixás do candomblé. A maior surpresa da escola seria a alegoria referente a Iemanjá, toda confeccionada com papel-machê, rodeada de oferendas, rosas prateadas e uma cascata de pequenos espelhos, que, debaixo de sol forte, proporcionaram aos espectadores um efeito visual extraordinário, tornando-se um momento inesquecível do carnaval carioca. O Salgueiro ainda aludiu o Mercado Modelo de Salvador com vendedores de flores, pássaros, cerâmicas, gaiolas, peixes e frutas, além dos quitutes regionais levados pelas baianas da escola, todas de branco. Pamplona também não pode se esquecer de citar as obras de grandes baianos, como Jorge Amado, Genaro de Carvalho, Dorival Caymmi e Mário Cravo, todos devidamente homenageados. Com muita garra e uma leveza jamais vista anteriormente, a agremiação abocanhou o título e a Bahia deixou de ser considerada uma maldição para as escolas de samba.

        Sonhando com o bicampeonato em 1970, Pamplona opta por enaltecer, o berço do samba e da malandragem carioca com a temática: Praça XI, carioca da gema. A maior intenção era rememorar os tempos dourados do carnaval e trazer de volta o ar existente no Rio de Janeiro do começo do século XX.  Ricamente fantasiado, o desfile do Salgueiro fora aberto por uma comissão de frente de malandros, vestidos de preto e representando a “pilantragem de todos os tempos”, segundo o enredo. Além disso, o carnavalesco se aproveitou de tripés contendo frases de empolgação, como “Abra-alas, que o Salgueiro vai passar!”, “O Salgueiro vem aí!” e o lema da escola, “Nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente”. Em seguida, a agremiação fez alusões a Igreja de Santana, a qual, há mais de séculos, sempre foi um dos principais pontos de encontro entre pregoeiros de rua nas imediações da antiga Rua das Flores. Logo após, vieram alas referentes à chegada dos negros escravos e suas batucadas, futuramente os símbolos mais importantes da região. Como era obvio, o carnavalesco fez menções à boemia local, que, entre bares, serestas, vadiagem e sinuca, foi crucial para o surgimento do samba carioca, não faltando também Isabel Valença, ao encarnar a Tia Ciata, dita a grande fundadora do gênero musical. Incansavelmente aplaudido, a escola contou ainda com a presença do cantor Jorge Ben e das tracionais Irmães Marinho, Narcisa e Paula. Em pouco mais de 50 minutos no ano em que ressurgiu o quesito cronometragem, a agremiação terminou seu desfile, como apregoava Pamplona: “Prefiro o ‘já’ ao ‘ainda’!”. Sem grandes surpresas, o Salgueiro ficou em 2ª lugar, atrás da campeã Portela.

        Para 1971, Pamplona buscou inspiração no trabalho de mestrado de sua aluna na Escola de Belas Artes, Maria Augusta Rodrigues, a respeito dos festejos feitos para celebrar a chegada de príncipes africanos ao conde Maurício de Nassau, na Nova Holanda em meados do século XVII. Além de Arlindo, também se integraram à equipe do carnavalesco as figurinistas Rosa Magalhães e Lícia Lacerda, em substituição à própria Maria Augusta por motivos de saúde, e o então passista e presidente de ala no Salgueiro, Max Lopes. Com um samba fácil de cantar e de refrão instigante, de autoria de Zuzuca, a escola iria investir imensamente na leveza e na empolgação de seus componentes para batalhar por uma boa colocação. O início do desfile retratou a corte do Recife colonial, com direito à presença especial do pintor holandês Albert Jongmans, encarnando Maurício de Nassau, e Isabel Valença, fantasiada de Ana Paz, portuguesa amante do conde, ladeados por lampiões brancos e seguidos de mucamas com sombrinhas de renda. O segundo setor da escola, aberto por quarenta armeiros, lembrou a vinda da embaixada do Rei Manicongo, representado por Neca da Baiana, sentado em uma carruagem ao lado de cinco príncipes negros. A escola encerrou sua apresentação com uma exaltação ao candomblé, se utilizando de oferendas e totens africanos idealizados por Joãosinho Trinta. Cumprindo seu papel com perfeição, o Salgueiro realizou um dos momentos históricos do carnaval carioca, uma verdadeira aula de animação e bom gosto estético em perfeita aliança. Com facilidade, Pamplona faturou seu quarto campeonato.

        Tal como em 1960, 1967 e 1969, os olhos da imprensa se voltaram de maneira repentina para o enredo a ser desenvolvido por Pamplona no Salgueiro para 1972: Minha madrinha, Mangueira querida. Nunca anteriormente uma escola de samba havia homenageado uma co-irmã e, apesar de os carnavalescos argumentarem sempre as diversas vezes em que a Mangueira prestou auxílio gratuitamente ao Salgueiro, o clima entre ambas as agremiações se tornou bastante desagradável. A intenção do tema era reviver os gloriosos carnavais da escola e fazer um preito a seus maiores baluartes, porém boatos se formavam entre os mangueirenses, como o que alegava que “seria um modo de Arlindo Rodrigues ensinar a Júlio Mattos, carnavalesco da escola, a como fazer um belo desfile com as cores verde e rosa” ou que “os integrantes da comissão de frente salgueirense seriam travestis”. Sem nada disso comprovado, o Salgueiro investiu em sua apresentação da forma que pode, escolhendo novamente um samba de Zuzuca, na linha do oba-obismo, para repetir o sucesso de 1971. Para agravar a situação, o carro de som quebra na concentração e, embora uma Kombi com caixas de som tenha sido trazida por Osmar Valença, não se tratava de uma solução eficiente. Pamplona decidiu que o Salgueiro deveria levar o samba apenas na voz dos componentes, o que acabaria sendo a pior decisão de sua profissão como carnavalesco.

        Com um conjunto visual de ótima qualidade, a agremiação, para a alegria de todos, fez um bom começo de desfile, com o setor “O guri do Mundo de Zinco”, referente à infância no morro de Mangueira com sombrinhas, pipas, cata-ventos e piões. Apesar da boa entrada, conforme as alas se distanciavam da bateria, o Salgueiro ia perdendo crescentemente sua cadência. De qualquer maneira, nada apagaria o brilho das fantasias e alegorias vermelho-e-brancas criadas pela equipe de Pamplona, as quais, a este ponto, descreviam o quadro “Mangueira, estação primeira”, relembrando a fundação da escola, em 1928. O Salgueiro continuou passeando pelas tradições de sua madrinha ao aludir a locais renomados do morro de Mangueira, como Buraco Quente, Tengo-tengo, Chalé, Catedral e Santo Antônio, além de homenagear Cartola, Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça, Jamelão, Clementina de Jesus, entre outros. Infelizmente, enquanto a escola enaltecia os carnavais gloriosos da verde-rosa, como Reminiscências do Rio Antigo, Casa grande e senzala, Exaltação a Villa-Lobos e O mundo encantado de Monteiro Lobato, a tensão tomava conta dos sambistas, pois toda a harmonia estava visivelmente arruinada e os dirigentes não encontravam um meio de manter o ritmo dos componentes. O samba, por ter um refrão repetido em dois momentos, fez com que cada parte da escola reentrasse cantando trechos distintos da letra, resultando em uma gigantesca catástrofe. O público, que, de início, até tentou apoiar o Salgueiro, começou a vaiá-lo. Com fim da apresentação, a Pamplona tinham ciência que sua permanência na agremiação era uma questão de tempo. Na apuração, a escola terminou com a 5ª colocação, a pior da trajetória dos carnavalescos até então. Depois de uma dramática reunião com a diretoria, Pamplona e Arlindo abandonam o Salgueiro.

        Em 1977, pouco depois da saída de Joãosinho Trinta, Laíla e uma série de seus integrantes para a Beija-Flor de Nilópolis, o Salgueiro mostrou claramente indícios de que entrava em uma crise. O maior problema enfrentado pela escola era a falta de uma sede, uma vez que, completamente endividada, acabou perdendo sua quadra no alto do morro. A solução tomada foi a eleição de China Cabeça Branca, dono de pontos de jogo do bicho na Praça da Bandeira, para presidente, em especial pela promessa de conseguir a posse de um terreno no Andaraí para a agremiação se instalar. Outra medida providenciada foi convocar de volta personalidades salgueirenses afastadas do carnaval, o que, neste caso, incluía o retorno do posto de carnavalesco para Pamplona, que, aliado a uma nova equipe que contava com o aderecista Stoessel Cândido da Silva, a desenhista Maria Carmen e cenógrafo da TVE do Rio de Janeiro, Renato Lage, escolheu como enredo uma viagem bem-humorada pela culinária brasileira do Oiapoque ao Chuí. Tal idéia surgiu já há algum tempo, enquanto o carnavalesco estava em uma feira de artes, promovida pelo Itamaraty, na Alemanha. Vasculhando seus pertences, encontrou um livro de José Calazans, cognominado “Cachaça, Moça branca”, sobre a história da cachaça. A partir daí, começou a pesquisar afoitamente a respeito das inúmeras formas pelas quais as bebida se relacionava com os pratos típicos do Brasil. Porém, inesperadamente, o Salgueiro abateu-se por um tenebroso contratempo: depois de jantar no restaurante Saci, em Vila Isabel, o patrono China foi misteriosamente assassinado. Assumindo o vice-presidente Moacyr Lord, a escola padeceu à falta de verba e algumas das alegorias acabaram não sendo desenvolvidas.

        Desfilando debaixo de sol forte, o Salgueiro abriu sua apresentação com o abre-alas “Coisas de comer”, aonde vinha um imenso caldeirão com a destaque Adele Fátima, representando a feijoada, seguida de Isabel Valença, lindamente no papel de “Moça Branca”, e da atriz Wilza Carla, a glutona “Dona Redonda” da novela “Saramandaia”, fantasiada de “Indigestão”. Utilizando-se de muitos tripés, Pamplona relembrou charges e frases humorísticas famosas ao citar alguns dos históricos pontos de encontro gastronômicos do Rio de Janeiro, como o Café Nice, localizado na Galeria Cruzeiro, na Avenida Rio Branco, e que serviu de reduto da boemia carioca na década de 20. As alas, a seguir, aludiram o Café Lamas, inaugurado em 1874, onde sempre se reuniam políticos, intelectuais e artistas, como o presidente Getúlio Vargas, Olavo Bilac e Machado de Assis, além do austríaco Bar Adolph, importante estabelecimento que teve que mudar o nome para Bar Luiz, pois, por pouco, não seria destruído, nos anos 40, por militantes estudantis se não fosse uma intervenção de Ary Barroso. Os membros da bateria vieram vestidos de cozinheiros e até os mestres Arengueiro e Louro usaram colheres de pau como batuta. O desfile terminou com uma referência ao popular Angu do Gomes, das imediações da Praça XV, panelaço de fubá com miúdos com o qual centenas de trabalhadores, vindos das barcas de Niterói, matavam a fome diariamente. Apesar do espírito escrachado, o Salgueiro não chegou a empolgar tanto o público nas arquibancadas, como fizeram a Beija-Flor e União da Ilha, e acabou ficando em 4º lugar.

        Para 1978, Pamplona, que já havia pensado em uma temática sobre a história da comunicação no Brasil, o qual acabaria sendo sugerida por ele ao Império Serrano, em 1986, decidiu optar por enredo Do yorubá à luz, a aurora dos deuses, o qual seria idêntico ao que Joãosinho Trinta levaria pela Beija-Flor, sobre o surgimento do mundo pela cultura yorubá. Brigando fogo contra fogo e apostando na tradição do Salgueiro com temas afro-brasileiros, o carnavalesco lamentavelmente continuava se deparando com tormentos. Na concentração, três alegorias chegaram quebradas e, no instante em que os auxiliares de Pamplona iam concertá-los, eram surpreendidos por grupos armados rivais ao presidente Moacyr Lord e acabavam se vendo obrigados a assistir seus próprios trabalhos sendo destruídos sem fazer nada. Ainda antes do desfile, o mestre de bateria, Arengueiro, foi intimado à prisão e somente pode reger seus ritmistas graças à promessa da diretoria de apresentá-lo após o término do desfile, o que, de fato, aconteceu. O começo da apresentação retratou o paraíso criado por Olurum e os orixás enviados como seus mensageiros. O que mais chamou a atenção da imprensa foi à utilização de sobras industriais baratas, como espelhos e armações de vime, mas que proporcionaram um visual muito bonito. A agremiação ainda fez alusões à África e a vinda do candomblé para o Brasil por meio do comércio negreiro, até o momento no qual o policiamento da avenida perdeu o controle e a invasão de pista tomou conta do desfile, prejudicando completamente a evolução e harmonia. Finalizando sua apresentação debaixo de chuva, os salgueirenses sabiam que aquele carnaval foi uma verdadeira tragédia e que seu futuro era bastante duvidoso. Com sorte, a escola ficou em 6° lugar em um ano cujo descenso acontecia a partir da 7ª colocação. Já angustiado, Pamplona abandona o Salgueiro para não voltar mais.

         Mesmo distante da carreira como carnavalesco, Pamplona não se afastou do carnaval carioca, sendo comentarista das transmissões dos desfiles durante as décadas de 80 e 90, primeiramente pela TVE, onde também atuou como apresentador do programa “A Verdade”, e, a partir de 1984, pela Rede Manchete. Especialista sagaz, formava opiniões de alto embasamento intelectual, sem dispensar, de modo algum, críticas, muitas vezes severas, não só ao que via na avenida, como aos próprios técnicos de televisão que cobriam o espetáculo. Doa a quem doer, diversos artistas de renome tiveram seus trabalhos alfinetados por Pamplona, o que acabou lhe dando um prestígio muito grande entre os telespectadores amantes da maior festa popular da Terra. Além disso, durante vários anos, sugeriu enredos serem elaborados, no Império Serrano, por seus ex-colegas, como em 1982, para Rosa Magalhães e Lícia Lacerda com Onze Candelárias Sapecaí (depois modificado para a onomatopéia Bumbum Paticumbum Prugurundum, levando a escola ao campeonato), em 1983 e 1984, para Renato Lage com Mãe baiana mãe e Foi malandro é e em 1987 e 1988, para Ney Ayan com Com a boca no mundo, quem não se comunica, se trumbica (antigo tema de 1978, não desenvolvido pelo Salgueiro) e Pára com isso, dá cá o meu.

        Homem sensato e importante defensor do samba de raiz, Pamplona, até hoje, é considerado uma figura polêmica, em especial por suas posições controversas às medidas demasiadamente confusas tomadas pelas escolas de samba. Sem meias palavras, é crítico rigoroso da crescente artificialização dos desfiles, a péssima qualidade dos sambas-enredo atuais e a deturpação dos antigos valores culturais já tidos como raros no carnaval carioca. Embora chamado de “saudosista” pelas novas gerações, ele foi um dos principais responsáveis pela evolução das escolas de samba, rompendo barreiras arcaicas, inovando estéticas, trazendo de volta tradições, aliando o popular ao acadêmico e o acadêmico ao popular. Uma geração inteira de carnavalescos de primeiro nível, reverenciados, atualmente, por todos os sambistas de maneira geral, surgiu basicamente as suas custas. Sempre foi tratado e respeitado como um profissional veterano em tudo que fez, o que realmente não passa da mais sincera verdade.

            Fernando Pamplona faleceu em 29 de setembro de 2013.

HISTÓRICO: Estréia como carnavalesco de escola de samba no Salgueiro em 1960 com o enredo Quilombo dos Palmares
1960 e 1961: Salgueiro
1964 e 1965: retorna ao Salgueiro após viagem a Europa
1967 a 1972: permanece no Salgueiro por vários anos

1977 e 1978: retorna ao Salgueiro pela última vez

MARCA: Revolução temática. Pamplona sempre foi um inovador no que remete a escolha de seus enredos, muitas vezes optando por temas revolucionários, nunca levados anteriormente por outra escola de samba.

CAMPEONATOS: Quatro ao todo, todos no Salgueiro: 1960 (Quilombo dos Palmares), 1965 (História do carnaval carioca), 1969 (Bahia de todos os deuses) e 1971 (Festa para um rei negro)

VICES-CAMPEONATOS: Três ao todo, todos no Salgueiro: 1961 (Vida e obra de Aleijadinho), 1964 (Chico Rei) e 1970 (Praça XI, carioca da gema)

ESTANDARTES DE OURO: Nenhum

PS: na contagem dos “Estandartes de Ouro”, são incluídas também premiações que não envolve somente o carnavalesco, mas também a escola como um todo, como “Melhor escola” ou “Comunicação com o público”

FOTOS DE FERNANDO PAMPLONA

  

Ao lado de Renato Lage e Joãosinho Trinta, durante o desfile campeão do Salgueiro de 1993 e em entrevista, em 1998

 

Ao lado da cantora Marlene, em 2005, e trabalhando no barracão do Salgueiro, em 1977

 

Pamplona no início da carreira, na década de 60, e atualmente

DESFILES DE PAMPLONA

 

O histórico carro dos atabaques de 1960 e o vice-campeonato de 1961, com enredo sobre Aleijadinho

 

A eterna destaque Isabel Valença, em 1964, e as baianas do carnaval de 1965

 

O belíssimo desfile de 1967 e as tradicionais Irmães Marinho, em 1968

 

O campeonato debaixo de sol forte, em 1969, e a homenagem à Praça XI, em 1970

 

O inesquecível “Pega no ganzê” de 1971 e o lindíssimo visual de 1972

 

Destaque do Salgueiro durante o desfile de 1977 e a trágica apresentação de 1978