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MARCOS MORAN

MARCOS MORAN

                                                                                              

         

 

 

 

 

       Ano de nascimento: 1938

Mais um cantor que se tornou puxador de samba. Marcos Moran se caracteriza por um estupendo potencial vocal, com uma voz suingada e bem timbrada – às vezes, assemelhando-se à de Wilson Simonal – e carisma pessoal. Sua trajetória começou como intérprete de bossa nova, em meados da década de 1960. Um dos seus primeiros registros vocais foi na música “Fora de tempo”, da dupla Marcos e Paulo Sérgio Valle, gravada em 1964.

No final dos anos 60, este capixaba de Alegre se viu influenciado por Tim Maia, Toni Tornado e a turma da soul music brasileira. O repertório de Marcos Moran enveredou também pela black music, misturada ao samba de raiz e às marchinhas carnavalescas. Em 1968, gravou a marcha-rancho “Até quarta-feira”, de Humberto Silva e Paulo Alves Sette.

Sua trajetória como cantor de samba enredo se deu de uma maneira, no mínimo, pitoresca. Em 1970, Moran já era um
crooner que se apresentava na noite quando, certa vez, foi questionado pelo compositor e produtor musical Carlos Imperial: “Ei, Moran. Você conhece o samba Lendas e mistérios da Amazônia”? Frente à resposta afirmativa, ouviu de Imperial: “então se prepare que amanhã de manhã você vai cantar este samba na avenida”. Carlos Imperial conheceu Natal da Portela quando este esteve preso na Ilha Grande e se tornou amigo do todo-poderoso dirigente portelense. Assim, o compositor passou a ter forte influência também na escola de samba. Marcos Moran foi aceito por Natal para levar o samba da Portela naquele carnaval, que foi vencido pela águia azul e branca.

Marcos Moran também passou pelo Império Serrano. Em 1975 esteve no carro de som com Roberto Ribeiro e Marlene cantando “Zaquia Jorge, a vedete do subúrbio, a estrela de Madureira”, assinado por Avarese. Em entrevista para o site O Batuque, Marcos Moran revelou ser o verdadeiro autor do polêmico samba-enredo conhecido como "Baleiro-Bala", em parceria com Vicente Matos, que desbancou o prestigiado "Estrela de Madureira" consagrado mais tarde por Roberto Ribeiro. Moran não pode assinar a obra por não pertencer à Ala dos Compositores imperiana. "Eu ainda era do quartel, e às seis da manhã tem o toque da alvorada. Perguntei ao Vicente para que horas estava previsto o desfile do Império, e ele respondeu que era por volta desse horário, então comecei assim: 'Império deu o Toque de Alvorada/Seu samba a estrela despertou'", contou Marcos Moran ao O Batuque, acrescentando que "Estrela de Madureira" era um samba plagiado de uma música que fazia sucesso na Rádio Tupi na época. "Por isso caiu e muita gente não sabe", explicou.

Em 1979, se tornou cantor da escola do bairro de Noel, ao receber um convite da diretoria da Unidos de Vila Isabel e do compositor Rodolpho para conduzir o samba “Os dourados anos de Carlos Machado”, de Luiz Carlos da Vila, Jonas, Rodolpho e Tião Grande. A escola se sagrou campeã do Grupo 1-B naquele ano e retornou à elite do carnaval. Para o site O Batuque, Marcos Moran declarou que o samba de 1979 foi o melhor que cantou pela Vila Isabel. A partir daí, se tornou uma referência da escola, onde permaneceu até 1984. Nos seis anos defendendo a Vila, Marcos Moran foi presenteado com belíssimos sambas, como “Sonho de um sonho” (80) e “Pra tudo se acabar na quarta-feira” (84), ambos com a assinatura de Martinho da Vila. Depois do carnaval de 1984, o cantor se afastou dos desfiles após ser demitido da escola por brigar com um diretor de harmonia durante a apresentação na Sapucaí.


O breve retorno se deu em 1989, ao conduzir a Acadêmicos de Santa Cruz, com o samba “Stanislaw, uma história sem final”. No ano seguinte, puxou a Unidos de Lucas, com o samba “O magnífico Niemeyer”. Se afastou dos desfiles de carnaval, até reaparecer em 2017 na Acadêmicos de Pilares, escola que desfilou no último grupo do Carnaval Carioca na Intendente. Cheio de swing, esbanjava simpatia ao cantar. Sua principal característica, além do vozeirão, era balançar animadamente o braço esquerdo, sempre pendente, ao ritmo da música.

Em 1993, Marcos Moran participou da coletânea Escolas de Samba, da gravadora Sony Music, no CD da Vila Isabel. Em dueto com Martinho da Vila, cantou o samba “Glórias gaúchas”. Moran é presença constante nas lonas culturais e nos bailes de carnaval no Rio de Janeiro. Em 2005, animou o 15º Baile da Cinelândia, na cidade carioca. Em 2014, foi o vencedor da sexta edição do Concurso de Samba de Quadra, com a música "Salve esse Povo que Canta" e recebeu o troféu Mano Décio da Viola.


Esporadicamente, Marcos Moran também grava discos. Seu mais recente trabalho foi o CD “O barba azul”, em que cantou sambas que foram sucessos nas vozes de Agepê e Roberto Ribeiro. Marcos Moran também é compositor. É autor de músicas gravadas por Elza Soares (“Auera”), Altemar Dutra (“Domingo de carnaval”) e Djalma Pires (“Segura na cintura dela”).

Início: como cantor, em meados da década de 1960. Como puxador de samba, em 1970.
1970 - Portela
1975 - Império Serrano (com Marlene e Roberto Ribeiro)  

1979 a 1984 – Unidos de Vila Isabel 

1989 – Acadêmicos de Santa Cruz 

1989 - Sem Compromisso (Manaus, gravação do LP)

1990 – Unidos de Lucas  

2017 - Acadêmicos de Pilares

GRITO DE GUERRA: Oi, criancinha! Vamos nessa, garotinho!   

CACOS CARACTERÍSTICOS: yah; “tá certo, tá certo” “aí tá bonito; “vamos nessa, gente”. 

SAMBA DE SUA AUTORIA: “Zaquia Jorge, a vedete do subúrbio, a estrela de Madureira” (Império Serrano/1975, não assinado)

DISCOGRAFIA: 

* Coletânea Sony Escolas de Samba – Unidos de Vila Isabel (1993)

* O barba azul (1998)

MAIS FOTOS DE MARCOS MORAN


Capa de seu CD "O Barba Azul", de 1998


Aqui, Marcos canta na avenida "Sonho de um Sonho", samba de 1980 da Vila Isabel. Fotos by Rixxa Jr


Em ação na Unidos de Lucas, em 1990