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LAÍLA

LAÍLA

           

         

Nome Completo: Luiz Fernando Ribeiro do Carmo

       

Ano de nascimento: 1943

           

                                                                     

Eis aí uma das personalidades mais conhecidas, respeitadas e emblemáticas do carnaval do Rio de Janeiro. Laíla foi (e é) um verdadeiro prodígio, fazendo de tudo um pouco no carnaval. Pode-se enumerar as funções exercidas na folia: ritmista, carnavalesco, diretor geral de carnaval, diretor de harmonia, produtor musical, compositor e... cantor!  Ou seja, intérprete de samba enredo.

A origem do apelido o próprio revelou em entrevista para o site Sambarazzo: "Quando eu era menininho, molequinho mesmo, gostava muito de laranja. Só que eu falava que queria 'laíla' em vez de laranja, aí o pessoal da minha família começou a me chamar de Laíla". Laíla é cria do bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde nasceu e, aos sete anos de idade, passou a integrar a escola mirim Independente da Ladeira, na qual comandou a bateria durante vários anos. A agremiação desfilava pelas ruas Francisco Graça, General Rocca e na Praça Saens Pena. Aos 10 anos, levado pela mãe, destaque da pequena escola de samba da Tijuca Depois Eu digo, ingressou no Grêmio Recreativo e Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, onde, três anos depois, passou a atuar na bateria. Aos 14 anos, ingressou na Ala dos Compositores do Salgueiro, sendo o mais jovem integrante da ala.

Concorreu pela primeira vez com um samba de sua autoria para o carnaval de 1960, com o tema “Palmares”. Dois anos depois, voltou a concorrer, desta vez para o enredo “Descobrimento do Brasil”. Sua composição classificou-se em segundo lugar, perdendo para a obra de Geraldo Babão.

Tudo o que sabe em termos de carnaval Laíla aprendeu no Salgueiro. Em 1967 assumiu o cargo de diretor geral de Carnaval da escola. Dono de uma voz potente, grave, de barítono, em 1974, gravou o samba “Rei de França na Ilha da Assombração” no LP dos sambas enredo para o carnaval daquele ano. Na avenida, cantou o hino ao lado do autor do samba, Zé Di, e de Noel Rosa de Oliveira, o puxador oficial da escola, levando o Salgueiro ao título. No ano seguinte, já na condição de diretor de harmonia, Laíla criou um artifício que viria a se tornar comum entre as escolas. Na final do concurso de samba enredo do Salgueiro, pairava uma dúvida sobre qual seria o melhor samba entre os dois finalistas. Dono de um conhecimento musical acima da média (mesmo sendo um autodidata), Laíla resolveu então unir as melhores partes de cada samba concorrente, criando então a junção (também chamada de fusão). Assim surgiu “As minas do Rei Salomão”. Pelo segundo ano consecutivo Laíla gravou o samba no disco e também cantou na avenida e o Sal foi bicampeão.

O sucesso da agremiação tornou o seu nome conhecido e respeitado. Um ano depois, querendo ampliar a sua área de atuação e tentar em outra escola tudo o que havia conquistado no Salgueiro, surge o convite dos irmãos Aniz (Anízio) e Nelson Abrahão David para que fosse para uma então emergente escola de samba da cidade de Nilópolis chamada Beija-Flor. Transferiu-se para o município da Baixada Fluminense, formou com o carnavalesco Joãosinho Trinta uma dupla imbatível em termos de criação e ainda foi o descobridor de um cantor que também estava chegando à escola cujo apelido era Neguinho da Beija-Flor. Laíla sagrou-se tricampeão (1976/77/78).

Em 1980, ainda na Beija-Flor, colaborou com a Unidos da Tijuca e conquistou o título do Grupo 1-B. No ano seguinte, aceitou o desafio de trocar a escola de Nilópolis para ser o diretor de harmonia da escola do Morro do Borel. Retornou ao Salgueiro em 1984, mas ficou apenas um ano, quando resolveu aceitar o convite para ser o “faz tudo” na Arco-Íris, escola de samba de Belém, no Pará. Acabou ficando por lá durante três anos. Retornou para o Rio de Janeiro no final de 1988. Nesta época, junto com Zacarias Siqueira de Oliveira e Mário Jorge Bruno, passa a produzir o disco de sambas enredo. Um ano foi suficiente para ele regressar para o ninho azul e branco de Nilópolis, no ano do legendário desfile “Ratos e urubus, larguem minha fantasia” (1989). Permaneceu até 1992, saindo junto com Joãosinho Trinta.

Foi convidado para ser o diretor de harmonia de uma outra escola de samba emergente oriunda da Baixada: Acadêmicos do Grande Rio, no segundo grupo. A escola ascendeu ao Grupo Especial e Laíla desenvolveu seu trabalho lá por três anos, retornando novamente à Beija-Flor. No ano de 1998 criou a Comissão de Carnaval, grupo de profissionais que tinha o mesmo peso na produção de um desfile, deixando de lado o personalismo de apenas um carnavalesco.

Das 24 horas do dia, mais da metade passa dentro do barracão da Beija-Flor, só se retirando para comandar os ensaios técnicos na quadra e ruas de Nilópolis. Homem de poucos sorrisos e muitas guias, o baixinho Laíla é extremamente franco, e dono de um comando firme, calcado na experiência de muitos carnavais. “Meu negócio é trabalho e não ficar distribuindo sorrisos aqui e ali. Gosto de resultados e não sou muito chegado a qualquer jogada política!”, completa.


Início: escola mirim Independente da Ladeira, aos sete anos de idade. Aos 10 anos, ingressou no GRES Acadêmicos do Salgueiro.

1974 – Salgueiro (cantor principal, com Zé Di e Noel Rosa de Oliveira)
1975 – Salgueiro (cantor principal, com Noel Rosa de Oliveira)

GRITO DE GUERRA: Não tinha.

CACOS CARACTERÍSTICOS: “segura, Salgueiro”, “simbora Salgueiro”.

CURIOSIDADES:

- Laíla é o único remanescente da Comissão de Carnaval implantada originalmente na Beija-Flor em 1998 e que permanece até hoje na escola.
- criador da junção de samba enredo, Laíla utilizou o dispositivo em todas as escolas que passou: Salgueiro (1975), Beija-Flor (1978, 2002, 2005, 2012), Unidos da Tijuca (1981) e Grande Rio (1993).
- Laíla teve rápidas passagens pela Unidos de Vila Isabel, Unidos do Peruche (São Paulo), Estado Maior da Restinga (Porto Alegre,1999).
- Na década de 1980, participou da transmissão dos desfiles do Grupo Especial pela Rede Globo de Televisão.
- Em 2014, além de continuar como diretor de carnaval-harmonia da Beija-Flor, Laíla atuou na GRES Inocentes de Belfort Roxo, onde foi uma espécie de “consultor de carnaval”, tendo inclusive supervisionando os sambas-enredo que disputaram na agremiação e sugerido a junção da obra vencedora.
- Laíla promoveu mudanças na gravação do disco dos sambas enredo do Grupo Especial: colocou maestros para reger os músicos de base no estúdio; colocou as baterias das escolas para serem gravadas no estúdio; realizou a gravação do disco entre 1993 e 1998 nos na Cidade de Lona, no Rio de Janeiro. Em 2014, realizou um DVD com a gravação dos sambas em formato de videoclipes.

Estandarte de Ouro como Destaque Masculino (1973)


OUTRAS FOTOS DE LAÍLA


Laíla (de barba, à esq) nos anos 70, com componentes da então emergente Beija-Flor


Laíla durante o desfile da Beija Flor em 2013


Com um só gesto, Laíla "rege" o desfile da "deusa da passarela"


Temido e respeitado, sempre com suas guias, Laíla não faz questão de esconder sua fé


Laíla e Joãosinho Trinta (à esq.): dois mitos na história dos carnavais da Beija-Flor


Laíla e a "cinderela negra" Pinah


Laíla (centro) com Roberto Carlos e a comissão de carnaval da BF no carnaval de 2011


Pouco afeito a sorrisos, Laíla num raro momento de descontração

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