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JOÃO NOGUEIRA

JOÃO NOGUEIRA

 

     

   

    Nome completo: João Batista Nogueira Filho

 

 

    Ano de nascimento: 1941

 

 

   Ano de falecimento: 2000

                                                                     

O cantor e compositor João Nogueira não foi exatamente um intérprete de samba de avenida. Porém, em parceria com o também compositor Paulo César Pinheiro, foi responsável pelos mais belos sambas que a GRES Tradição levou para a passarela na primeira fase da escola. Os cinco sambas que compôs para a Tradição foram registrados em disco pelo próprio João Nogueira.

Com apenas 17 anos, Nogueira já era diretor de um bloco carnavalesco no bairro carioca do Méier. Em 1971, após já ter sido gravado por nomes importantes da MPB, como Clara Nunes, Eliana Pittman e Conjunto Nosso Samba, passou a integrar a ala de compositores da Portela, sua escola de coração, onde venceu um concurso interno com o samba “Sonho de Bamba”. Permaneceu na Portela por quase 15 anos. No final da década de 1970, fundou também o bloco Clube do Samba, que ajudou a revitalizar o carnaval de rua carioca. Em 1980, teve uma participação no filme “Quilombo”, de Cacá Diegues, no papel de um caçador de escravos. O elenco do filme reuniu vários nomes do samba e teve como figurantes moradores de várias comunidades ligadas ao carnaval.

João Nogueira também participou de um movimento de dissidência na Portela, que fez surgir a Tradição. Poucos meses após o carnaval de 1984, sete alas foram eliminadas da águia azul e branco de Madureira pelo então presidente Carlinhos Maracanã. Os respectivos diretores de alas, mais Nézio Nascimento (filho de Natal da Portela) se incorporaram à nova escola que surgia, bem como outras figuras importantes: Tia Vicentina (irmã de Natal), Marlene (filha de Nozinho) e Vilma Nascimento, famosa porta-bandeira.

O primeiro nome da Tradição foi Sociedade Cultural e Recreativa Portela Tradição. Logo em seguida, devido a processos na Justiça, este foi mudado para S.C.R. Amor e Tradição, até que, finalmente, a agremiação foi batizada com o nome de G.R.E.S Tradição. Vários compositores famosos foram convidados para a feitura do samba enredo da escola, mas os únicos que aceitaram foram Paulo César Pinheiro e João Nogueira, que, em 1984, tinham um samba já gravado, chamado “Xingu”, que acabou se tornando o tema-enredo “Xingu, o pássaro guerreiro” com o qual a Tradição desfilou e venceu o Grupo 2-B no ano seguinte. A música está no disco “Pelas terras do Pau-Brasil”.

Em 1986, o samba levado para a avenida foi “Rei Sinhô, Rei Zumbi, Rei Nagô” – registrado no álbum “De amor é bom” – e a escola venceu o título no Grupo 2-A. No ano seguinte, com “Sonhos de Natal” (presente no disco “João Nogueira”, de 1986), a Tradição terminou empatada em primeiro lugar com a Unidos da Tijuca, no Grupo 1-B. Na estréia no Grupo Especial, em 1988, a escola levou “O melhor da raça, o melhor do carnaval”, um dos mais bonitos sambas do ano. Em 1989, foi a vez de “Rio, samba, amor e Tradição”, último samba enredo composto pela dupla João Nogueira/Paulo César Pinheiro, e a agremiação conheceu seu primeiro rebaixamento.

Com um departamento de carnaval formado pelos artistas plásticos Rosa Magalhães, Lícia Lacerda, Paulino Espírito Santo, Edmundo Braga, Viriato Ferreira, Maria Augusta e João Rosendo – que trabalhou junto até 1988 – a escola teve uma ascensão meteórica, passando do 4º Grupo para o Especial em apenas três carnavais. O intérprete que comandou o carro de som da Tradição nos cinco primeiros anos de existência da escola foi Kandanda. Só a partir do carnaval de 1990, é que a escola de Campinho formou sua ala de compositores.

João Nogueira morreu no dia 5 de junho de 2000, vitimado por um enfarte. Um ano antes, havia se reconciliado com a Portela e voltou a desfilar por sua escola de coração. Seu filho, o também cantor e compositor Diogo Nogueira, conseguiu o que seu pai nunca havia conseguido na ala de compositores da Portela: emplacar um samba que foi cantado na Marquês de Sapucaí. Diogo venceu as disputas em 2007, 2008 e 2009.

João Nogueira foi um dos mais importantes compositores brasileiros, não só no mundo do samba, mas da Música Popular Brasileira. Em mais de quatro décadas de atividade, gravou 18 discos.

Início: Começou em blocos carnavalescos do Rio de Janeiro. Em 1971, ingressou na ala de compositores da Portela. Em 1984, fundou a Tradição. Retornou à Portela em 1999.

Discografia oficial:
- João Nogueira (1972)
- E Lá Vou Eu (1974)
- Vem Quem Tem (1975)
- Espelho (1977)
- Vida Boêmia (1978)
- Clube do Samba (1979)
- Boca do Povo (1980)
- Wilson, Geraldo, Noel (1981)
- O Homem dos Quarenta (1982)
- Bem Transado (1983)
- Pelas Terras do Pau-Brasil (1984, consta Xingu)
- De Amor é Bom (1985, consta Rei Sinhô, Rei Zumbi, Rei Nagô)
- João Nogueira (1986, consta Sonhos de Natal)
- João (1988)
- Além do Espelho (1992)
- Parceria - João Nogueira & Paulo César Pinheiro - Ao Vivo (1994, consta Rio, samba, amor e tradição)
- Chico Buarque, Letra & Música - João Nogueira e Marinho Boffa (1996)
- João de Todos os Sambas (1998)
- Pirajá - Esquina Carioca – Uma noite com a raiz do samba (1999)

Participações em outros discos (cantando samba enredo):
- LP Sambas enredo Grupo 1-B 1986 (Top Tape) – participa da faixa da Tradição.
- LP Sambas enredo Grupo Especial 1988 (Gravasamba/BMG-Ariola) – interpreta a faixa da Tradição.
- LP Sambas enredo Grupo Especial 1989 (Gravasamba/BMG-Ariola) – participa da faixa da Tradição. Pode ser ouvido no coral e nos cacos “Oh, meu Rio!”
- LP O grande presidente (1989), dividido com Beth Carvalho

Sambas de sua autoria: “Xingu” (com Paulo César Pinheiro, Tradição/1985); “Rei Sinhô, Rei Zumbi, Rei Nagô” (com Paulo César Pinheiro, Tradição/1986); “Sonhos de Natal” (com Paulo César Pinheiro, Tradição/1987); “O melhor da raça, o melhor do carnaval” (com Paulo César Pinheiro, Tradição/1988) e “Rio, samba, amor e tradição” (com Paulo César Pinheiro, Tradição/1989).

Estandarte de Ouro: Melhor samba do Grupo 1-A em 1987 por “Sonhos de Natal” (com Paulo César Pinheiro)

MAIS FOTOS DE JOÃO NOGUEIRA


No desfile portelense de 1980


Com Cartola

Seu filho Diogo exibe, com orgulho, a tatuagem do saudoso pai