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MUDOU UM POUQUINHO NA AVENIDA...
                

26 de janeiro de 2026, nº 42

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Amigos do Sambario! Quem vos escreve é Túlio Rabelo, do canal no YouTube TR - Sambas de Enredo. Nesta coluna, vou lembrar de três sambas de enredo, bem bonitos diga se de passagem, que tem uma leve diferença entre a versão oficial (LP/CD) para a versão ao vivo. Obviamente, deve haver outros inúmeros casos, mas terei como foco aqui esses três sambas. São casos em que os sambas continuam bons, mesmo com leve mudança na forma de cantar. Sendo assim, vamos lembrar de Engenho da Rainha 1989, no RJ, além de Nenê de Vila Matilde 1993 e X-9 Paulistana 1995, em SP. 

 

Engenho da Rainha 1989 “Canta Brasil” 

É um dos sambas mais bonitos de 1989, dos melhores também da discografia do Engenho da Rainha. É uma letra e uma melodia muito contagiante, eternizada por César do Valle e de autoria de Vanil do Violão, Dilson e João Henrique.  

 

Segue a letra: 

 

Hoje minha voz vem entoar 

O coração alegre extravasar 

Minha escola unida num só canto 

Vestida em vermelho e branco 

Rememora o cancioneiro popular 

Negros e Brancos em harmonia 

Na mais sutil poesia 
Belas canções vem legar

 

Um samba de roda 

Batido na palma da mão  

Cavaquinho e Viola 

Batucada e samba canção (2x) 

 

Cenário de beleza sem igual 

Brasil, meu Brasil brasileiro 

Choro um chorinho musical 

Brasileirinho, meu mulato faceiro 

Caminhando por um chão de estrelas 

Brilham musas das canções 

Amélia uma mulher verdadeira 

 

Terezinha! Terezinha! 

Vibrava com o Chacrinha a multidão 

No grito do velho guerreiro 

O Rei da comunicação (2x) 

 

E nessa festa… 

O Engenho enaltece 

E em versos agradece  

 

Aqueles que cantaram o Brasil 

Aqueles que cantaram o Brasil 

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Reitero, que samba lindo!!! Nosso amigo e intérprete Antônio Carlos, do Sereno de Campo Grande, voz do Engenho em 1994, é também muito fã deste samba de 1989. No disco, vejam que se repete por completo o final “Aqueles que cantaram o Brasil / Aqueles que cantaram o Brasil”. Na avenida, por sua vez, o final é encurtado, talvez para fazer a virada do samba com mais fôlego, otimizando o canto no desfile. Note que fica assim: “Aqueles que cantaram o Brasil / Aqueles que cantaram…”. Imediatamente, César do Valle e Ciganerey já entoam “E mais eu disse que hoje…”, começando a nova passada do samba.  

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Na minha opinião, o samba continua bom do mesmo jeito, para alguns até melhor. 

 

Escute a gravação do samba: 

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Compare com o desfile: 

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Nenê de Vila Matilde 1993 “Primeiro Desejo” 

Esse samba marca a despedida de Armando da Mangueira como voz oficial da Nenê. Foram muitos sambas, muitas glórias, uma voz linda, que marcou época. Em 1993, Armando está junto de Márcia Ynalá, cantando o bonito samba de Santaninha, Clóvis, Barbosinha, Baby e Rubens Gordinho. O enredo “Primeiro Desejo” traz uma importante mensagem sobre a saúde da humanidade. É um samba pouco lembrado, mas é sem dúvidas, um dos melhores sambas da história da agremiação, que merece ser redescoberto pelas novas gerações. 

 

Segue a letra: 

 

Hoje ôôôô 

Sou a águia da folia 

Mensageira da alegria 

Vim pra decantar meu Carnaval  

(É Nenê que legal) 

Inspirado num lampejo 

O meu primeiro desejo 

Saúde em demasia não faz mal 

(Vamos nessa que é legal) 

 

Na era milenar, em Roma antiga 

Fluiu a fonte do saber, a melhor forma de vida 

E sendo assim herdei… a primazia 

De corpo, mente e alma sã 

Levo assim meu dia a dia 

 

Vejam… nosso planeta está doente  

Porque essa gente inconsequente 

Espalham guerra por todo lugar 

Fome sim…  

Exterminaram o valor moral 

Muita doença e pouco hospital 

Está em coma uma geração 

 

Reciclar… 

Saúde é tudo que esse povo quer 

Pra que dinheiro se a saúde é 

maior riqueza de uma nação (2x) 

 

Vou erguer a minha taça 

E fazer meu brinde agora 

Vai Nenê, é chegada a sua hora (2x) 

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O samba finaliza bem com o bonito bis “Reciclar…”, seguido pelo refrão “Vou erguer a minha taça / E fazer meu brinde agora / Vai Nenê, é chegada a sua hora / Vou erguer a minha taça / E fazer meu brinde agora / Vai Nenê, é chegada a sua hora”. Na avenida, para funcionar melhor, houve uma pequena adaptação no refrão final, que passou a ser cantado assim: “Vou erguer a minha taça / E fazer meu brinde agora / Vai Nenê, é chegada a sua hora / Vou erguer a minha taça / Vou fazer meu brinde agora / Vai Nenê, é chegada a sua hora”. Note que no desfile, a primeira até mantém a letra base, mas ao repetir, o “E” é substituído por um “Vou”.  

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É uma mudança sútil, ainda que bem perceptível. O samba continua bom mesmo assim e há quem pense que até melhorou na avenida.  

 

Escute a gravação do samba:  

 

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Compare com o desfile:   

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X-9 Paulistana 1995 - Arco-Íris da Ilusão 

Royce do Cavaco embala um lindo samba, na estreia da agremiação do Grupo Especial. E a X-9 Paulistana já mostraria nessa estreia… todo seu potencial. De autoria de Watherly, Alexandre Figueiredo, Marcelo Sant’anna e Marcelo E.T., a obra é contagiante, com letra e melodia que pegam facilmente, cheia de belas nuances melódicas. 

 

Segue a letra: 

 

Oi lá no céu, oi lá no céu 

Apareceu o arco-íris da ilusão, vou lá buscar  

Pote de ouro, mil tesouros e a mensagem de Zeus 

O grande Deus a nos guiar (2x) 

 

Sonhei… 

Que eu era um duende de contos de fadas 

Que desvairadas saltitavam pelo ar (pelo ar) 

Sonhei…  

Que estava em uma nuvem colorida 

Enchendo de cores a vida 

Marcando com o meu cantar 

 

Mas eu sonhei, sonhei e também acordei 

Para o motivo que nos apavora 

O que será? Não sei 
Oh luz do astro-rei

Ilumina nossa fauna e flora (2x) 

 

A vida do planeta se reflete lá no céu 

É aliança entre o homem e o divino 

Se a gente não tiver tino de cuidar da natureza 

Com toda a certeza sofreremos no destino 

Mas a X-9 põe o pé no chão 

E com razão vem nos mostrar 

Toda a beleza de um mundo colorido 

Que a criança busca no seu caminhar 

 

Vamos cantar pra subir 

Vamos cantar pra sambar 

Na emoção de um coração verde e amarelo 

São sete cores, sete vidas pelo ar (2x) 

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A diferença neste samba não está na letra. A diferença aqui é a melodia do refrão do meio, que é cantada de forma sutilmente melhorada no desfile. Na gravação oficial, já é sensacional. No desfile, o tempero ficou ainda melhor. Na hora de repetir o refrão do meio no desfile, o Royce do Cavaco trouxe uma pegada ainda melhor para o verso “Mas eu sonhei, sonhei e também acordei”. Compare aí. 

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Escute a gravação do samba: 

Escute a gravação do samb 

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Compare com o desfile:   

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Túlio Rabelo
E-mail: tuliorabelo972@gmail.com
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