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O SAMBA-ENREDO NA ERA SAMBÓDROMO

O SAMBA-ENREDO CARIOCA NA ERA SAMBÓDROMO
A trajetória da trilha dos desfiles das escolas de samba desde 1984 até hoje

por Marco Maciel
webmaster do site SAMBARIO
Publicado originalmente na
revista virtual Freakium


Sambódromo da Marquês de Sapucaí, inaugurado em 1984

Ao término do carnaval de 1983, ganho pela Beija-Flor, voltava à tona o debate pela escolha de um local definitivo para o acontecimento dos desfiles, ainda mais com a informação de que a cidade do Rio de Janeiro ficava por apenas quatro meses livre do processo de montagem e desmontagem de arquibancadas. Os recém-empossados Leonel Brizola e Jamil Haddad para os cargos de, respectivamente, governador e prefeito, receberam a sugestão das escolas de que o desfile fosse dividido em duas noites. Até 1983, os desfiles eram realizados numa única noite e, em alguns casos, se estendiam até a hora do almoço. O debate se estendeu até 11 de setembro de 1983, quando Brizola anunciou o projeto do arquiteto Oscar Niemayer, o mesmo que construiu Brasília, na rua Marquês de Sapucaí (onde os desfiles já ocorriam desde 1978). A obra levou apenas quatro meses para ficar pronta e recebeu o nome oficial de Passarela do Samba, embora a denominação “Sambódromo” - idéia do vice-governador Darcy Ribeiro - é a que mais tenha se popularizado. Darcy, que havia encomendado a obra a Niemayer, sendo bastante ativo durante a sua construção, seria homenageado dias depois de sua morte: desde 18 de fevereiro de 1997, o Sambódromo chama-se Passarela do Samba Darcy Ribeiro.

A primeira escola que desfilou no novo Sambódromo foi a hoje extinta Império do Marangá, que apresentou pelo Grupo 1-B (o Segundo Grupo) o enredo “Águas Lendárias”. A Rede Globo, que sempre transmitiu o desfile do Rio de Janeiro, foi contrária à divisão das apresentações das escolas em duas noites (domingo e segunda) e boicotou o carnaval daquele ano. A então novata Rede Manchete (fundada em 1983 e extinta em 1999) adquiriu os direitos e transmitiu com exclusividade o desfile de 1984 nas duas noites. Venceu com folgas na audiência a Globo, que exibiu o “Fantástico” no domingo e o filme “Bonnie & Clyde” na segunda. Nem precisa dizer que a Vênus Platinada mudaria de idéia no ano seguinte... O regulamento da Associação das Escolas de Samba previa dois campeões: um do desfile de domingo (vencido pela Portela) e outro do de segunda (ganho pela Mangueira). A verde-e-rosa seria apontada como “supercampeã” por uma comissão julgadora extra. E também foi a escola que mais encantou, pois como foi a última a desfilar, a Mangueira atravessou a Praça da Apoteose e, em vez de se dispersar, fez a volta e ofereceu mais um desfile ao público, sendo seguida por milhares de espectadores.

Os melhores sambas-enredo de 1984, primeiro ano do Sambódromo, são o da supercampeã Mangueira (“Yes, Nós Temos Braguinha”), Portela (“Contos de Areia”), Vila Isabel (“Pra Tudo se Acabar na Quarta-Feira”), Salgueiro (“Skindô Skindô”) e Estácio de Sá, que estreava este nome, aposentando a denominação Unidos de São Carlos (“Quem é Você”). No Grupo de Acesso, a Em Cima da Hora subiu para o Primeiro Grupo com o belíssimo “33 – Destino Dom Pedro I”.

Em julho de 1984, a fim de conseguirem influir nas decisões, as grandes escolas romperam com a Associação das Escolas de Samba e criaram a Liga Independente das Escolas de Samba, a LIESA. Ao mesmo tempo, portelenses descontentes com a diretoria deixariam a escola pra fundar a Portela Tradição. Mas a Portela impediu que a nova agremiação usasse o seu nome e, por conta disso, ficou apenas a denominação Tradição, formada por nomes como João Nogueira, Vilma Nascimento (a primeira porta-bandeira da história do carnaval) e Nézio Nascimento (filho de Natal da Portela).

O carnaval seguinte ocorreria numa época em que a abertura política estava cada vez mais fortalecida e próxima de ocorrer. O civil Tancredo Neves seria eleito Presidente da República ainda em eleição indireta (mas não tomaria posse e morreria como mártir), encerrando o regime militar que já durava 21 anos. A Caprichosos de Pilares, que pela terceira vez seguida desfilava entre as grandes, investia em enredos e letras irreverentes, de olho nos fatos recentes do noticiário e no cotidiano. Seu enredo “E por Falar em Saudade” gerou um samba que foi a síntese da ousadia naqueles novos tempos:

Tem bumbum de fora pra chuchu
Qualquer dia é todo mundo nu
(...)
Bota, bota, bota fogo nisso
A virgindade já levou sumiço
Quero votar!
Diretamente o povo escolhia o presidente
Se colhia mais feijão
Vovó botava a poupança no colchão
Hoje está tudo mudado
Tem muita gente no lugar errado

O samba é considerado uma autêntica marchinha. Não é à toa que esse tipo de samba que naquela época já tomava conta dos desfiles como até hoje ocorre recebe a alcunha de marcha-enredo. O hino da Caprichosos em 1985 fez um estrondoso sucesso, o refrão “Tem bumbum de fora pra chuchu” era contagiante, ainda mais na voz do irreverente Carlinhos de Pilares, considerado o primeiro intérprete “animador” do carnaval. A agremiação de Pilares realizou um desfile com pinta de favorita, mas acabou apenas em quinto lugar. O título ficou com a Mocidade, que levou à Sapucaí pela primeira vez um enredo futurista, intitulado “Ziriguidum 2001 – Um Carnaval nas Estrelas”. A inovação não foi só no enredo: pela primeira vez, uma escola de samba colocava uma musa para desfilar em frente à bateria. Monique Evans, que comandou os herdeiros do lendário Mestre André da Mocidade (falecido em 1981), foi a pioneira das rainhas de bateria. Jamelão ainda desfalcou a Mangueira, chegando atrasado à Marquês de Sapucaí para cantar o samba da verde-e-rosa, já que havia acabado de voltar da Europa, onde fazia shows.


Carlinhos de Pilares, o primeiro animador do carnaval

O disco de 1985 possuía uma temática diferente com relação aos atuais, pois no seu encarte consta o seguinte comunicado: “Foram dispensados todos os cuidados técnicos na gravação desse disco, no sentido de aproximá-lo o mais fielmente possível do desfile das escolas na Passarela do Samba”. Hoje em dia, se faz exatamente o contrário, mas vamos chegar nessa parte. Os sambas no LP de 1985 possuem uma energia bastante emocionante, com um forte coral acompanhando o intérprete (cuja voz mal aparece, tamanho o destaque do coral), num estilo de gravação que deixou saudades, tamanha a capacidade com que o samba mexe com a alma até de quem não é aficionado pelo ritmo ao ouvirmos este LP.

Para o carnaval de 1986, a recém-fundada LIESA rompeu com a gravadora Top Tape e criou o seu próprio selo, intitulado Gravadora Escolas de Samba e apoiada pela RCA (mais tarde BMG e depois Sony). Algumas grandes escolas, como Salgueiro, Estácio, Caprichosos e União da Ilha, preferiram continuar com a Top Tape por considerar um negócio mais rentável. As demais agremiações do Grupo 1-A (na época, o Grupo Especial) gravaram seus sambas pela RCA, sendo lançados assim dois discos de sambas-enredo do Rio naquele ano. Jamelão estrearia nos discos de samba-enredo em 86, depois de ser impossibilitado de gravar o samba da Mangueira no LP oficial por razões contratuais. A coloquialidade das letras no samba-enredo começou a aparecer com a consolidação da abertura política e a conseqüente fim da censura. As escolas sentiam-se livres para fazer críticas claras, diretas e satíricas a ponto da Vila Isabel apresentar o seguinte verso:

Será, ô será
Que o samba ginga na voz Brasil
Mas deixa isso pra lá
E vá na pura do barril

O último verso rima exatamente com o mais popular dos palavrões brasileiros, tanto que, no desfile, a maioria dos presentes cantava “e vai pra PQP”. A Portela chamava o patrão de “vacilão” em seu hino, a Caprichosos aparecia com um refrão de gosto duvidoso: “Não enfie o pau, em outra bandeira/mas tira, tira, e bota a nossa brasileira”. Mas nada que supere os escandalosos versos do samba da Unidos da Tijuca, que apresentou em 86 o enredo “Cama, Mesa e Banho de Gato”. Há quem diga que eles foram feitos, na verdade, para Bezerra da Silva (o porta-voz dos morros, falecido em 17 de janeiro de 2005, 17/1 – 171):

Uma só mulher é pouco
Deixa o homem no sufoco
Com tantas que andam por aí
O arroz com feijão lá de casa é bom
Mas o cozido da vizinha é melhor
(...)
Lá vai o trouxa crente que está numa boa
Mas não sabe que a patroa está com o Ricardão
E sua filha tem fama de sapatão
Tem piranha no almoço, tem virado no jantar
Pra quem tem fome, qualquer prato é caviar

Fora os sambas de versos espalhafatosos, 1986 apresentou obras de boa qualidade, como “Eu Quero” (Império Serrano), “Tijuca, Cantos, Recantos e Encantos” (Império da Tijuca) e “Ganga-Zumba – Raiz da Liberdade” (Engenho da Rainha, no Segundo Grupo), além dos dois sambas mais populares do ano, cantados pelas duas primeiras colocadas daquele carnaval: “O Mundo é uma Bola”, onde a Beija-Flor, em ano de Copa do Mundo, obteve o vice-campeonato; e “Caymmi Mostra ao Mundo o que a Bahia e a Mangueira Tem”, que ajudou a Estação Primeira a conquistar mais um título muito em função da força do refrão principal:

Tem xinxim e acarajé
Tamborim e samba no pé

No ano seguinte, mais uma vez foram lançados dois álbuns, pois Salgueiro, União da Ilha e Caprichosos (que estreou Luma de Oliveira como rainha de bateria) mantiveram o acordo com a tradicional Top Tape, que pela última vez participaria da produção do álbum de sambas-enredo no Primeiro Grupo (a gravadora, que iniciou seus trabalhos no carnaval em 1973, faria seu derradeiro trabalho no LP do Acesso de 1988). A Estácio aderiu à LIESA e gravou seu samba no LP da RCA, assim como as demais grandes escolas. Num dos mais equilibrados desfiles de todos os tempos, a Mangueira conquistou o bi. Os principais sambas de 1987 foram o da Portela (“Adelaide, a Pomba da Paz”), Estácio (a simpática marcha-enredo “O Tititi do Sapoti”) e Vila Isabel (“Raízes”).


João Nogueira compôs obras-primas para a Tradição nos anos 80

Um outro samba que se destacou no ano de 1987 foi o da Tradição, com o enredo “Sonhos de Natal” em homenagem ao lendário Natal da Portela, o comandante da escola nos anos 40, 50 e 60. O samba-enredo, que ajudou a escola a chegar pela primeira vez ao Primeiro Grupo com o vice-campeonato do Acesso, é de autoria da dupla João Nogueira e Paulo César Pinheiro, que compôs para a novata Tradição algumas das melhores obras-primas da era pós-Sambódromo. Antes, Nogueira e Pinheiro já haviam feito sambas antológicos para a escola, que ainda desfilava em grupos menores. “Xingu, o Pássaro Guerreiro” (85) e “Rei Sinhô, Rei Zumbi, Rei Nagô” (86) são dois dos melhores sambas da história dos Grupos de Acesso. Com a promoção da Tradição para o Grupo 1-A (Especial), a parceria (cuja característica de seus sambas era a ausência de refrões) continuaria ainda mais motivada.

Em 1988, todas as escolas do Grupo 1-A gravaram pela RCA, fazendo com que, pela primeira vez, os sambas fossem lançados num álbum duplo. Naquele ano, ocorreu aquele que é considerado o melhor desfile da história da Marquês de Sapucaí. Com uma exibição impecável, cuja garra dos componentes bastou para superar o conjunto visual não tão brilhante, a Vila Isabel venceu com sobras o carnaval com o enredo “Kizomba - Festa da Raça”, idealizado por Martinho da Vila e que proporcionou um dos melhores sambas de todos os tempos.

Valeu, Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a abolição
(...)
O sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que congraça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa constituição
(...)
Vem a lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o apartheid se destrua

João Nogueira e Paulo César Pinheiro também encantaram com o esplendoroso “O Melhor da Raça, o Melhor do Carnaval”, da Tradição (cantado no disco pelo próprio Nogueira, em sua única participação em LP’s de samba-enredo). A Portela fez o mais popular samba do ano, com seu refrão “Briga é, eu quero briga”. A Unidos da Tijuca se destacou com seu enredo crítico “Templo do Absurdo” e versos sinceros e irreverentes como “Ai quem me dera se eu fosse um marajá/ganhasse a vida sem precisar trabalhar/mas acontece que é só a minoria/que desfruta a mordomia/nessa tal democracia”. Naquela época, o slogan da Rede Globo era “Pegue essa onda, essa onda pega”. A São Clemente, escola também marcada pela irreverência, mandou a Vênus às favas com o seguinte refrão:

Se essa onda pega, vai pegar noutro lugar
Quem avisa amigo é
São Clemente vai passar

Mas a grande obra-prima de 1988 e também de toda a era pós-Sambódromo foi cantada pela Mangueira. Vice-campeã com “100 Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão”, todo o Brasil foi agraciado com os seguintes versos entoados pelo inconfundível timbre de Jamelão:

Será que já raiou a liberdade
Ou se foi tudo ilusão
Será que a lei Áurea tão sonhada
Há tanto tempo imaginada
Não foi o fim da escravidão
Hoje dentro da realidade
Onde está a liberdade
Onde está que ninguém viu
Moço
Não se esqueça que o negro também construiu
As riquezas do nosso Brasil
Pergunte ao Criador
Quem pintou esta aquarela
Livre do açoite da senzala
Preso na miséria da favela
Sonhei que Zumbi dos Palmares voltou
A tristeza do negro acabou
Foi uma nova redenção
Senhor, eis a luta do bem contra o mal
Que tanto sangue derramou
Contra o preconceito racial
O negro samba
Negro joga capoeira
Ele é o rei na verde e rosa da Mangueira

O Grupo 1-A se agigantava cada vez mais. Desde 1984, com os desfiles realizados em duas noites, este número vinha se elevando. Eram 14 escolas no primeiro ano, 16 em 85, 15 em 86, 16 em 87 e 88. No ano de 1989, novamente o número aumentaria, agora para 18 escolas. Uma boa safra de sambas marcou 89 (safra que garantiu um milhão de cópias vendidas do LP de samba-enredo, recorde que nunca mais deverá ser batido), composta por obras como “Rio, Samba, Amor e Tradição” (mais uma de Nogueira e Pinheiro para a Tradição, que seria rebaixada), “Festa Profana” (União da Ilha, e aquela que é considerada a melhor marcha-enredo de todos os tempos), “Templo Negro em Tempo de Consciência Negra” (Salgueiro) e “Direito é Direito” (Vila Isabel). A Beija-Flor, com o tema “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”, marcou época não pelo samba – que era mediano – mas pelo desfile que apresentou. Entre outras atrações inusitadas, despontaram uma ala de mendigos e uma alegoria de Jesus Cristo coberta por um pano que trazia a mensagem “Mesmo proibido, olhai por nós”, em função da proibição pela Igreja Católica da exibição da imagem. Bem típico de Joãosinho Trinta...

A Imperatriz Leopoldinense, no ano anterior, havia obtido a última colocação. Mas acabou favorecida pelo regulamento, que não previa rebaixamento no ano de 1988. Isso motivou a escola, que se apresentou com um enredo em homenagem ao centenário da República: “Liberdade, Liberdade, Abre as Asas Sobre Nós”. Há quem diga que apenas a força do samba, cantado na avenida pelo experiente Dominguinhos do Estácio, tenha sido suficiente para dar o título à Imperatriz. O refrão abaixo faz parte do subconsciente até de quem não é aficionado por samba:

Liberdade, liberdade
Abre as asas sobre nós
E que a voz da liberdade
Seja sempre a nossa voz


Paulinho Mocidade assumiu o microfone da escola no bicampeonato

1990, ao mesmo tempo em que se debatia a proibição da chamada “genitália desnuda” nos desfiles, marcou o lançamento dos sambas-enredo em CD pela primeira vez. Na época, só os mais abonados possuíam aparelhos de som que rodavam compact-disc. Por LP, que ainda dominava o mercado, os sambas voltaram a ser lançados em um único álbum, com 14 sambas (sete em cada lado) espremidos e de duração de módicos três minutos cravados cada um. Em contrapartida, no CD (raríssimo de se encontrar em sebos) os sambas despontam com duração de quatro a cinco minutos. Numa safra menos inspirada com relação aos anos anteriores, os sambas mais populares foram os que se destacaram, como o da Beija-Flor (“Todo Mundo Nasceu Nu” do refrão “Toca fogo no rabo de quem nada faz”), da Santa Cruz (“Os Heróis da Resistência” e seu “gip-gip, nheco-nheco”, famoso na voz de Carlinhos de Pilares) e da Mocidade, que seria a campeã com o famoso “Vira Virou, a Mocidade Chegou”. Antes da conquista do título, um fato triste abalou os componentes da agremiação de Padre Miguel: o legendário intérprete Ney Vianna, na Mocidade desde 1974, morreu de enfarte em plena quadra da escola, no dia da escolha do samba-enredo. O cantor e compositor Paulinho Mocidade foi promovido a intérprete oficial da escola, que homenageou Ney Vianna na gravação do samba colocando seus gritos de guerra no decorrer da faixa do LP de 90. Em matéria de técnica, os sambas-enredo da Vila Isabel (“Se esta Terra, se esta Terra fosse Minha”, num inédito enredo pregando a reforma agrária) e da Mangueira (“Deu a Louca no Barroco”) também apareceram muito bem em 1990.

A São Clemente, que já havia ridicularizado a Rede Globo dois anos antes, voltou a se destacar com o melhor samba do ano e um dos mais críticos de todos os tempos. E a nova vítima da escola da Zona Sul (cujo lema é “olha a crítica”) era o próprio carnaval e os novos rumos que a melhor festa do mundo havia tomado. As “super-escolas de samba S.A” denunciadas pelo Império Serrano em 1982 novamente eram execradas, com a São Clemente deixando claro que a mercantilização do carnaval era a síntese da elitização no mundo das escolas de samba. A extraordinária letra do samba explica tudo:

Vejam só
O jeito que o samba ficou e sambou
Nosso povão ficou fora da jogada
Nem lugar na arquibancada
Ele tem mais pra ficar
Abram espaço nesta pista
E por favor não insistam
Em saber quem vem aí
O mestre-sala foi parar em outra escola
Carregado por cartolas
Do poder de quem dá mais
E o puxador vendeu seu passe novamente
Quem diria, minha gente
Vejam o que o dinheiro faz
É fantástico
Virou Hollywood isso aqui
Luzes, câmeras e som
Mil artistas na Sapucaí
Mas o show tem que continuar
E muita gente ainda pode faturar
"Rambo-sitores", mente artificial
Hoje o samba é dirigido com sabor comercial
Carnavalescos e destaques vaidosos
Dirigentes poderosos criam tanta confusão
E o samba vai perdendo a tradição
Que saudade
Da Praça Onze e dos grandes carnavais
Antigo reduto de bambas
Onde todos curtiram o verdadeiro samba


A estreante Viradouro exibe Dercy Gonçalves com os seios de fora em 1991

O carnavalesco Renato Lage se consagraria com seu estilo “high-tech”, de alegorias luxuosas, modernas e repletas de luzes de néon. Ele levaria a Mocidade ao bicampeonato em 1991 com o enredo “Chuê, Chuá, as Águas vão Rolar”. No desfile, a escola niteroiense Unidos do Viradouro, estreante no Grupo Especial (esta nomenclatura também estreava no carnaval carioca), ganhou todas as atenções com a aparição da homenageada Dercy Gonçalves de seios de fora. Também foi o primeiro ano da Acadêmicos do Grande Rio na elite do carnaval (que seria rebaixada). Os melhores sambas de 91 foram cantados pelo Salgueiro (“Me Masso se não Passo pela Rua do Ouvidor”), Portela (“Tributo à Vaidade”), Estácio (“Brasil Brega e Kitsch”) e Imperatriz (“O que que a Banana Tem”, de onde surgiu o famoso alusivo “o meu sonho de ser feliz, vem de lá sou Imperatriz”), além do samba da bicampeã Mocidade. O mais popular daquele ano até hoje anima os bailes de carnaval e é a trilha sonora ideal para quem gosta de farra:

Hoje eu vou tomar um porre
Não me socorre que eu tô feliz
Nessa eu vou de bar em bar
Beber a vida que eu sempre quis

Pra quem não sabe, o nome do samba cantado pela União da Ilha em 91 é “De Bar em Bar, Didi um Poeta”, homenagem ao compositor insulano Didi, um dos maiores vencedores de sambas-enredo da história do carnaval carioca. A gravação original do extraordinário Aroldo Melodia para o samba é cômica, pois a voz de bêbado presente durante toda a gravação deixa de lado o lirismo que marcava suas interpretações para os sambas-enredo da União da Ilha nos anos 70 e 80. Um derrame sofrido depois do carnaval de 1996 provocou a aposentadoria de Aroldo Melodia, que hoje vê orgulhoso seu filho Ito lhe suceder no microfone principal da União da Ilha. A gravadora RCA (que já era comandada pela BMG) corrigiu o erro do ano anterior e voltou a lançar os sambas num LP duplo.


Aroldo Melodia marcou época na União da Ilha

Em 92, a Estácio conseguiu seu primeiro título no carnaval carioca com o enredo “Paulicéia Desvairada – 70 Anos de Modernismo”. O samba, bastante marcheado, tinha como refrão “me dê me dá/me dá me dê/onde você for/eu vou com você”. Já era uma época em que os refrões chamavam mais atenção do que as demais partes do samba. Os sambas-enredo destaques daquele ano foram os da Viradouro (“E a Magia da Sorte Chegou”, com um incêndio em uma das alegorias tirando as chances da escola de conquistar o título já no seu segundo ano de Grupo Especial), Salgueiro (“O Negro que Virou Ouro nas Terras do Salgueiro”), Unidos da Tijuca (“Guanabaran – O Seio do Mar”), além do hit da Mocidade “Sonhar não Custa Nada! Ou Quase Nada”. No Grupo de Acesso, a Grande Rio levava o título com o belíssimo samba “Águas Claras para um Rei Negro”, retornando para o Grupo Especial, de onde não sairia mais. O LP do Especial voltou a ser comercializado num único álbum e sem as faixas da Tradição e do Leão de Nova Iguaçu, com os demais sambas de duração reduzida em relação ao CD (que trouxe os dois sambas excluídos). Joãosinho Trinta fez seu último carnaval na Beija-Flor depois de 16 anos na escola de Nilópolis. Ele sofreria uma isquemia no ano seguinte, da qual se recuperaria parcialmente.

1993 talvez seja o marco na história do samba-enredo contemporâneo. E o motivo é um só: o Salgueiro e seu “Peguei um Ita no Norte”. A princípio, os mais leigos podem não conhecer o samba pelo nome. Mas ao ouvir o refrão imortalizado na voz do irreverente intérprete Quinho, facilmente será identificado:

Explode coração, na maior felicidade
É lindo o meu Salgueiro
Contagiando e sacudindo essa cidade

Este samba-enredo inaugurou uma fórmula que seria copiada exaustivamente pelas demais escolas até hoje: a utilização de um refrão popular, no formato alusivo, com expressões que nada tenham a ver com o enredo contado, procurando apenas exaltar a escola e chamar o público para cantar. Expressões como “vou sacudir a Sapucaí”, “meu amor”, “vou invadir seu coração”, “eu tô que tô”, “(nome da escola) chegou”, “(nome da escola) vem aí” tornar-se-iam corriqueiras nos refrões atuais. Tudo isso em função do estrondoso sucesso que o “explode coração” do Salgueiro obteve, de maneira à escola conquistar o título depois de 18 anos de jejum. Outros sambas também se destacaram em 93, ainda que com bem menos impacto, como “Gbala – Viagem ao Templo da Criação” (Vila Isabel, último samba para a escola de Martinho, na única vez em que se aventurou como intérprete na avenida), “No Mundo da Lua” (Grande Rio), “A Dança da Lua” (Estácio), “Amor Sublime Amor” (Viradouro) e “Império Serrano, um Ato de Amor” (Império Serrano, pelo Acesso). O mesmo fenômeno do disco de 92 se repetiu, com o único LP excluindo as faixas da Unidos da Ponte e da Grande Rio (presentes no CD, que trouxe versões mais longas das faixas com relação ao LP). E pela primeira vez, os sambas-enredo foram gravados ao vivo no Teatro de Lona da Barra da Tijuca, expediente que se realizaria até 1998.


Quinho consagrou o "explode coração" salgueirense

Em maio de 1993, a Justiça condenou 13 grandes bicheiros do Rio por formação de quadrilha. Durante todo aquele ano foi debatido se as escolas conseguiriam sobreviver sem a ajuda de seus patronos. Durante a polêmica, o carnaval perdia um de seus maiores intérpretes, Abílio Martins, em novembro. Ao mesmo tempo, a Sony lançava uma coletânea composta por dez discos de dez das principais escolas do Rio, com regravações dos dez melhores sambas de cada uma abrilhantadas por arranjos extraordinários do produtor Rildo Hora. Os poderes que possuíam fizeram com que os tempos de cárcere dos bicheiros durassem pouco, o que acarretou a realização do desfile de 1994. O grande hit daquele ano foi cantado pela Mangueira:

Me leva que eu vou
Sonho meu
Atrás da verde-e-rosa
Só não vai quem já morreu

Apesar da popularidade do samba e do enredo, que juntou na avenida e também na gravação os “Doces Bárbaros” Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa, a Estação Primeira não passou de um 11º lugar na apuração. Muitos sambas se destacaram em 94, ano em que a Imperatriz foi campeã: “Passarinho Passarola, Quero Ver Voar” (Tradição, famoso pelo refrão “Vou voar de asa delta/o céu do meu Rio de Janeiro eu vou voar”), “Abrakadabra, o Despertar dos Mágicos” (União da Ilha), “Quando o Samba era Samba” (Portela), “Os Santos que a África não Viu” (Grande Rio), “Tereza de Benguela, uma Rainha Negra no Pantanal” (Viradouro, onde Joãosinho Trinta estreava, sendo campeão em 97) e, por fim, aquele que é apontado por muitos como o melhor samba da década de 90: “Muito Prazer! Isabel de Bragança ou Drummond Rosa da Silva, mas Pode me Chamar de Vila”, uma singela homenagem ao bairro da Vila Isabel e seus baluartes (como Noel Rosa, Martinho José Ferreira “da Vila” e Paulo Brazão) feita pela própria escola:

Desperta, seu China, acorda Noel
Pra ver a nossa escola desse branco azul do céu
E o Zé Ferreira
Vem saudando a multidão
Pode me chamar de Vila
Que orgulho é o meu Brazão

Os 16 sambas do Grupo Especial de 1994 foram lançados em dois LP’s, mas comercializados separadamente ao invés do recurso do álbum duplo. Naquela época, boa parte da população já tinha aparelhos de som com CD, podendo usufruir com conforto o compact-disc que reunia todos os 16 sambas.

Após o carnaval de 1994, foi criada a Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo de Acesso (Liesga), uma dissidência da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (AESCRJ), administradora das agremiações do Acesso. 19 escolas passaram a formar o Grupo A (Segundo Grupo) de 1995, que teve seu desfile realizado em duas noites. O inchaço da categoria apressou a ascensão da são-gonçalense Unidos do Porto da Pedra que, do Grupo de Avaliação (Quinto Grupo) de 1994, passou rapidamente para o Grupo Especial com o título do Grupo A-95. A Liesga duraria pouco e a AESCRJ voltaria a administrar os Grupos de Acesso em 1997, diminuindo o número de agremiações por grupo.

O Especial em 1995 também inchou, aumentando para 18 escolas (só para constar: tivemos 16 agremiações no Primeiro Grupo em 90 e 91, 15 em 92, 14 em 93 e 16 em 94). Porém, tanto no LP (dois discos, vendidos separadamente) como no CD constam 16 sambas. Prejudicadas com a formação da Liesga, Villa Rica e São Clemente - as duas escolas vencedoras do Acesso-94 - não conseguiram incluir suas obras no disco do Especial nem no do Acesso. Assim, não há registro oficial fonográfico desses dois sambas que desfilaram no Grupo Especial, a não ser os presentes no site Sambario. Em 95, aparecem com destaque os sambas da bicampeã Imperatriz (“Mais Vale um Jegue que me Carregue, que um Camelo que me Derrube lá no Ceará”), da Mocidade (“Padre Miguel, Olhai por Nós”) e o melhor do ano: “Gosto que me Enrosco” da Portela. Além destes, mais dois sambas se popularizaram: os da Beija-Flor (“Bidu Sayão e o Canto de Cristal” e seu famoso refrão “nesse palco surge ela, Bidu Sayão/Sacudindo a passarela, quanta emoção”) e o da Estácio (o tema “Uma Vez Flamengo” em homenagem ao centenário do Mengão animou os rubro-negros). Roberto Ribeiro, que fez história ao cantar os sambas do Império Serrano nos desfiles, morreria atropelado em janeiro de 1996.

No ano seguinte, o Grupo Especial continuou com 18 escolas. Mas ao contrário de 1995, todos os 18 sambas foram incluídos no álbum do Grupo Especial. Mas eis uma história curiosa daqueles tempos de transição do LP pro CD. Para as 18 faixas caberem num CD de 80 minutos, condensaram-nas bastante, fazendo com que durassem no máximo quatro minutos cravadinhos. O curioso é que, no LP, a maioria das faixas tem uma duração bem maior. Uma faixa poderia ter quatro minutos no CD e seis no vinil. E mais uma vez os sambas foram lançados em dois LP’s e comercializados separadamente. Os sambas que se destacaram em 96 foram “Na Era dos Felipes, o Brasil era Espanhol” (Grande Rio, famoso pelo alusivo “Imponho sou Grande Rio, amor/Dando um banho de cultura, eu vou”), “A Viagem da Pintada Encantada” (União da Ilha), o extraordinário e emocionante “Verás que um Filho Teu não Foge à Luta” (Império Serrano, numa homenagem ao sociólogo Herbert de Souza), “Imperatriz Leopoldinense Honrosamente Apresenta: Leopoldina, a Imperatriz do Brasil” e “Criador e Criatura”, cujo refrão cantado pelo excelente Wander Pires ajudou a Mocidade a conquistar o título:

A mão que faz a bomba, faz o samba
Deus faz gente bamba
A bomba que explode neste carnaval
É a Mocidade levantando o seu astral


Wander Pires jurou amor eterno à Mocidade, o que acabou não ocorrendo

1997 foi o último ano em que os sambas-enredo do Rio foram lançados em LP. No carnaval marcado pela paradinha funk da bateria da campeã Viradouro comandada por Mestre Jorjão, apenas os sambas da Mocidade (“De Corpo e Alma na Avenida”) e da Grande Rio (“Madeira-Mamoré, a Volta dos que não Foram lá no Guaporé”) se destacaram. No Grupo de Acesso-97, “A Coroa do Perdão na Terra de Oyó” (Império da Tijuca) e “Todas as Marias de Nossa Terra” (Unidos do Cabuçu) despontaram como sambas de qualidade superior aos apresentados no Grupo Especial.

Após as 16 escolas de 97, o Primeiro Grupo passaria a ter 14 escolas de 1998 até 2006. 98 foi o ano em que Mangueira e Beija-Flor dividiram o título, além de Luma de Oliveira causar polêmica ao desfilar em frente à bateria da Tradição com uma coleira no pescoço com o nome do marido estampado. A Beija, então sem tanta tradição no quesito samba-enredo, passou a investir, a partir deste ano, em obras de melodia pesada e triste aliada à letra requintada de poesia. A tática usada pela escola de Nilópolis se tornaria muito bem-sucedida, com a Beija-Flor passando a brigar anualmente não só pelo título como também pelo Estandarte de Ouro de melhor samba. O primeiro dessa série foi baseado no tema “O Mundo Místico dos Caruanas nas Águas do Patu-Anu”, melhor samba do ano. Outros bons sambas de 98, ano em que o samba do Salgueiro não entrou no CD por problemas contratuais: “Os Olhos da Noite” (Portela) e “Fatumbi, a Ilha de Todos os Santos” (União da Ilha), além dos populares “Chico Buarque da Mangueira” (levado pela campeã Estação Primeira), “Prestes, o Cavaleiro da Esperança” (Grande Rio, famoso pelo refrão “Ah, eu tô maluco amor”) e “De Gama a Vasco, a Epopéia da Tijuca” (Unidos da Tijuca, que celebrou o centenário do Vasco com o refrão “Vamos vibrar meu povão (eu vou, eu vou)/a rede vai balançar (vai balançar)/sou Vasco da Gama meu bem/campeão de terra e mar”). Um dos últimos sambas-enredo que fez parte das paradas de sucesso do povo, algo que infelizmente não ocorre mais em função do interesse da população por novos ritmos, é “Orfeu, o Negro no Carnaval”, da Viradouro. Você vai cantarolar na hora os versos entoados por Dominguinhos do Estácio:

Hoje o amor está no ar
Vai conquistar seu coração
Tristeza não tem fim, felicidade sim
Sou Viradouro, sou paixão


Dominguinhos do Estácio, um dos mais tradicionais intérpretes cariocas

O desinteresse das pessoas pelo samba-enredo deve-se muito também à perda de qualidade das obras apresentadas pelas escolas nos últimos anos. A rígida cronometragem de 80 minutos para a realização do desfile aliada ao grande aumento do número de componentes por escola, motivado pelo interesse cada vez maior dos turistas, resultaram, a partir da metade da década de 90, na aceleração do andamento do samba na avenida, o que limita sua melodia e impede um melhor arrojamento desta, além da poesia praticamente desaparecer nos versos, dando lugar a uma sucessão de clichês. Também contribuiu para a rejeição o surgimento, nos mesmos anos 90, de conjuntos de pagodeiros mauricinhos, que criaram um estilo de samba romântico bastante meloso (equivocadamente chamado de pagode), repleto de coreografias, o que acabou por abalar a reputação do dito samba verdadeiro, já que, lamentavelmente, as pessoas acabam achando a mesma coisa o bom samba de raiz e este “falso pagode”.

Com a mercantilização existente, a escola de samba hoje em dia busca a solução mais proveitosa financeiramente, podendo assim desprezar um desfile ou um samba-enredo de mais qualidade. Por isso proliferam atualmente os enredos patrocinados, com as instituições “homenageadas” injetando dinheiro para a escola desenvolver seu carnaval. Além disso, as eliminatórias dos sambas-enredo foram tomadas pelas chamadas “firmas”, em que um compositor é responsável pelos sambas campeões de várias escolas, mas assinando apenas um, já que só é permitido ao autor assinar um samba-enredo por grupo. A escola costuma preterir, nas eliminatórias, sambas concorrentes de mais qualidade, pois, na mente das diretorias, a parceria que tiver mais condições financeiras para bancar gravações, intérpretes, torcida, ônibus para a torcida, cerveja para a torcida e camisas para a torcida ganha o concurso de samba-enredo, independente se a obra composta pelos abonados compositores for boa ou não. Hoje em dia, para uma parceria vencer um concurso de samba-enredo, é necessário gastar no mínimo uns R$ 10 mil. Sobre os intérpretes, fidelidades eternas como as de Jamelão pela Mangueira e Neguinho pela Beija-Flor não existem mais. Os ditos puxadores de samba com freqüência “vendem seus passes novamente”. Nomes consagrados como Rixxa, Wander Pires e Bruno Ribas geralmente defendem uma escola diferente a cada ano, “carregados por cartolas, do poder de quem dá mais”. É a maldição das “super escolas de samba S.A.”. Bem como a Império Serrano em 82 e a São Clemente em 90 tinham avisado. Mas paciência! Afinal, o show tem que continuar, pois muita gente ainda pode faturar...


O "Pavarotti do Samba" Rixxa já passou por 13 escolas

A venda do CD com os sambas-enredo de 1998 foi baixa, muito em função da ausência da faixa do Salgueiro – que lançou um CD independente com o seu samba (o fracasso também ocorreu nas vendas de CD’s extras lançados depois do carnaval pela BMG como “Sambas-Enredo 98 Ao Vivo da Sapucaí”, “Esquentas na Sapucaí” e “Bateria das Escolas 98”). Por isso, para o álbum de 1999, muitas mudanças foram realizadas. Os sambas voltariam a ser gravados no estúdio, deixando assim de serem registrados ao vivo no Teatro de Lona da Barra da Tijuca. Além disso, dois “pagodeiros” no auge do sucesso foram convidados para participar do CD a fim de melhorar as vendas: Alexandre Pires, que cantou com Jamelão o samba da Mangueira; e Belo, na época líder do Soweto, que dividiu os vocais do hino da Beija-Flor com Neguinho. Os arranjos foram bruscamente modificados com relação ao ano anterior. Os sambas ganharam uma cadência bastante lenta, sendo entoados de forma bem arrastada, com retoques líricos, repletos de teclados com som de violino (que já apareciam desde o CD de 95). Os intérpretes basicamente se limitaram a cantar o samba, com gritos de guerra, cacos e alusivos sendo praticamente abolidos. A bateria passaria a ter um som artificial, praticamente sintetizado, nos impossibilitando de ouvir todos os instrumentos de bateria com perfeição como até o CD de 98. Lembram-se da prioridade do disco de 1985 para que os sambas no disco se aproximassem o máximo de suas execuções na avenida? Pois os produtores a partir do CD de 1999 estavam fazendo exatamente o contrário...

Apesar de tudo, tivemos uma boa safra em 99. Destaque para o emocionante “O Século do Samba” (Mangueira, e sua inesquecível comissão de frente que apresentava os grandes baluartes do samba), “Araxá, Lugar Alto onde se Avista o Sol” (Beija-Flor), “Villa Lobos e a Apoteose Brasileira” (Mocidade) e “No Universo da Beleza, Mestre Pitanguy” (Caprichosos). No ano em que a Imperatriz daria início ao seu tricampeonato, o melhor samba de todos os grupos foi cantado pela Unidos da Tijuca. Com o enredo “O Dono da Terra”, a agremiação tijucana passeou no Grupo A (Segundo Grupo) cantando os seguintes versos, embalando sua volta ao Grupo Especial

Pedras preciosas quero me enfeitar
Encantar a índia com o meu olhar
Só Tupã sabia
Que eu não podia me apaixonar

A Rede Bandeirantes transmitiu em 99 todos os desfiles no Sambódromo, do Grupo A até o Sábado das Campeãs. Infelizmente foi apenas neste ano, já que depois a emissora investiria no carnaval de Salvador, forçada pela aquisição da exclusividade dos desfiles do Rio pela Rede Globo (que atualmente libera à Band apenas o desfile de sábado das campeãs). Em agosto de 1999, o samba perdia Carlos Cachaça, um dos fundadores da Mangueira. Ainda no mesmo ano, falecia também o legendário intérprete Silvinho do Pandeiro, o melhor da história da Portela.

A Rede Manchete, tradicional por sua cobertura do carnaval carioca, seria extinta em julho de 99. Desde 2000, a Rede Globo transmite os desfiles com exclusividade. A cobertura, porém, é anualmente criticada por sua superficialidade ao não valorizar o samba-enredo (em função dos locutores e comentaristas falarem demais); ao cometer o absurdo de não mostrar o emocionante esquenta das escolas (momento em que o samba-enredo começa a ser cantado pelo intérprete); ao procurar esconder a todo custo os eventuais problemas que uma agremiação apresenta no desfile (tornando todas as apresentações “perfeitas”, iguais, frias e sem “nenhum erro”); ao insistir em efeitos visuais dispensáveis; e, por fim, ao priorizar entrevistas supérfluas com famosos e anônimos, cuja pergunta é sempre a mesma: “Qual a emoção de desfilar na Marquês de Sapucaí?”.

No ano 2000, foi realizado um carnaval temático. Todas as escolas do Grupo Especial falaram sobre temas relacionados com os 500 anos do Brasil. A safra de sambas foi muito fraca, onde apenas Mangueira (“Dom Oba II – Rei dos Esfarrapados, Príncipe do Povo”) e Vila Isabel (“Sou Índio, eu Também sou Imortal”) se destacaram. Curiosamente, a Vila seria rebaixada para o Grupo A. Pelo menos o CD de 2000 foi menos lírico e arrastado com relação ao de 1999, com a fórmula do ano anterior, bem como o teclado ao som de violino, sendo definitivamente abandonados. O CD do Grupo A de 2000 era comercializado no país inteiro, com a mesma qualidade de gravação do álbum do Especial. Em junho de 2000, morre João Nogueira.

No primeiro carnaval do milênio, o de 2001, a Imperatriz conquistou o seu terceiro título consecutivo. A safra deste ano é considerada a melhor da década até agora, fortalecida por obras de melodia dolente como “A Saga de Agotime, Maria Mineira Naê (Beija-Flor, em mais um exemplo de samba com melodia pesada, mas belíssima), “A Seiva da Vida” (Mangueira), “Gentileza X, o Profeta Saído do Fogo” (Grande Rio, onde estreava Joãosinho Trinta, que colocou no desfile um homem voador), “O Rio Corre pro Mar” (Império Serrano), “Goiás, um Sonho de Amor no Coração do Brasil” (Caprichosos), “A União faz a Força, com Muita Energia” (União da Ilha, na sua ultima participação no Grupo Especial), “Um Mouro no Quilombo. Isto a História Registra” (Paraíso do Tuiuti, na sua única participação no Primeiro Grupo desde os anos 50) e “Orun Ayê” (Boi da Ilha, no Grupo A). Isso sem falar no popularíssimo samba da Tradição (cujas obras caíram muito de qualidade a partir da metade dos anos 90) “Hoje é Domingo, é Alegria, Vamos Sorrir e Cantar” em homenagem a Silvio Santos, que o SBT celebrizou em vinhetas que apareciam em todas as inserções comerciais da emissora nos dias que antecederam o carnaval de 2001. E depois de 19 anos sem ser produzido, voltava o CD com os sambas do Grupo B do Rio, que contou com faixas de algumas escolas do Terceiro Grupo, além de outras convidadas. E o CD do Grupo A de 2001 foi comercializado pela última vez para todo o Brasil. A partir do ano seguinte, as vendas seriam restritas apenas ao Rio.

Desde 2002, ano em que o CD apresentaria uma bateria (sintetizada) pesada, apenas a campeã do Grupo A sobe para o Especial, de onde apenas uma escola é rebaixada. O samba da campeã Mangueira (que perderia Dona Zica, viúva de Cartola, no ano seguinte) “Brazil com Z é pra Cabra da Peste, Brasil com S é Nação do Nordeste” foi o melhor e mais cantado daquele ano. Seu refrão:

Vou invadir o Nordeste, sou cabra da peste
Sou Mangueira
No forró, no xaxado, os filhos do chão rachado
Vêm com a Estação Primeira

No ano seguinte, em que a Beija-Flor seria campeã, mais uma vez a safra de sambas-enredo ficou devendo. Do barulhento CD de 2003, em função do som do coral altíssimo na gravação, destaque apenas para “Os Dez Mandamentos, o Samba da Paz Canta a Saga da Liberdade” (Mangueira) e “A Viradouro Canta e Conta Bibi – Uma Homenagem ao Teatro Brasileiro”. Apesar da péssima interpretação de Nêgo na avenida, o samba da Unidos da Tijuca de 2003 é considerado por muitos o melhor da década até agora. Eis alguns versos de “Agudás: os que Levaram a África no Coração e Trouxeram para o Coração da África, o Brasil”:

Obatalá
Mandou chamar seus filhos
A luz de Orunmilá
Conduz o Ifá, destino
Sou negro e venci tantas correntes
A gloria de quebrar todos grilhões
Na volta das espumas flutuantes
Mãe África receba seus leões
No rufar do tambor ôô
Atravessando o mar de Yemanjá
No sangue trago essa chama verdadeira
Raiz afro-brasileira, sou Agudá

Para comemorar os vinte anos do Sambódromo em 2004, a LIESA apresentou uma novidade no seu regulamento: a permissão às escolas para reeditarem enredos antigos, com a utilização do samba original. Quatro escolas do Grupo Especial aproveitaram a novidade: o Império Serrano apresentaria seu enredo de 1964 “Aquarela Brasileira”; a Portela desfilaria com “Lendas e Mistérios da Amazônia”, que lhe deu o título em 1970; a Viradouro viria com o enredo original da Estácio (na época, Unidos de São Carlos) de 1975 “A Festa do Círio de Nazaré”; e a Tradição relembraria “Contos de Areia”, tema portelense de 1984. O CD de 2004 foi gravado com arranjos diferentes dos anos anteriores, tão cadenciados que quase lembram o disco de 99. O diferencial era a ausência da bateria na primeira passada, medida que procurou valorizar o canto e o entendimento do samba-enredo.


Alegoria do DNA da Unidos da Tijuca em 2004

No desfile, a Unidos da Tijuca foi a grande surpresa com a inovação do então desconhecido carnavalesco Paulo Barros. Uma alegoria que representava a molécula do DNA executava coreografias sincronizadas, deixando os espectadores boquiabertos com tamanha beleza visual. A escola acabou conquistando o vice-campeonato e lançou a moda das alegorias coreografadas, condenadas por quem é contra a “teatralização” dos desfiles. A Beija-Flor levou o bi com o lindo samba “Manõa, Manaus, Amazônia, Terra Santa: Alimenta o Corpo, Equilibra a Alma e Transmite a Paz”, disparado o melhor dos sambas-enredo inéditos de 2004. Mas o Império Serrano foi o protagonista de um dos momentos mais inesquecíveis da história do Sambódromo: a linda execução na avenida do samba “Aquarela Brasileira”, de Silas de Oliveira, que emocionou o Brasil inteiro. O intérprete Nêgo (irmão mais novo de Neguinho da Beija-Flor), que havia tido um infeliz desempenho no ano anterior, recuperou-se com uma atuação impecável na condução do samba. Em agosto de 2004, o intérprete da Caprichosos, Jackson Martins, é brutalmente assassinado na Ponte Rio-Niterói.

A possibilidade de reeditar enredos antigos não entusiasmou tanto as escolas do Grupo Especial, mas a moda pegou nos Grupos de Acesso. Em 2005, quatro agremiações do Grupo B reeditaram: a Estácio com "Arte Negra na Legendária Bahia" (1976), o Arranco com "Quem Vai Querer?" (1989), a Unidos da Ponte com "E Eles Verão a Deus" (1983) e a Unidos de Lucas com "Mar Baiano em Noite de Gala" (1976). No Especial, apenas a Porto da Pedra repetiu tema: utilizou “Festa Profana”, da União da Ilha de 1989. A Beija-Flor foi tricampeã e mais uma vez com o melhor samba do ano: “O Vento Corta as Terras dos Pampas. Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Guarani, Sete Povos na Fé e na Dor... Sete Missões de Amor”. Outro samba excelente de 2005 é o da Cubango, que desfilou no Grupo A com o lindíssimo “O Fruto da África de Todos os Deuses no Brasil de Fé - Candomblé”. O destaque negativo dos desfiles ficou por conta da Portela, que apresentou uma águia sem asas como abre-alas, e ainda teve problemas com uma alegoria que impediu o desfile de sua tradicional Velha Guarda.

No CD de 2005, a novidade ficou por conta dos foguetes sintetizados e a voz do locutor oficial da avenida, Demétrio Costa, anunciando a escola antes do samba começar a ser executado. O CD do Grupo B de 2005 passa a contar com todos os sambas do grupo, já que até 2004 eram reunidas as faixas de apenas algumas escolas do Terceiro Grupo e outras convidadas. Joãosinho Trinta, que estava encarregado do carnaval da Vila Isabel, foi obrigado a se afastar por motivos de saúde. Os seguidos AVC’s sofridos o forçaram a se mudar para Brasília para seguir o tratamento. Em julho, morre o intérprete Carlinhos de Pilares, um dos mais irreverentes de todos os tempos e que fez história na Caprichosos. No mês de setembro, a Prefeitura do Rio de Janeiro inaugura a Cidade do Samba, local que passa a abrigar os barracões das escolas do Grupo Especial, além de sediar shows e outras atrações turísticas.

Para o carnaval de 2006, o presidente da LIESA, Ailton Guimarães Jorge, toma uma polêmica decisão: de que o número de escolas no Grupo Especial seria diminuído de 14 para 12 a partir de 2008. Para isso, no regulamento de 2006 e 2007, duas escolas desceriam para o Grupo A, com apenas uma subindo. Assim, 2007 teria 13 escolas no grupo. Segundo Capitão Guimarães, a medida tornará o carnaval “menos cansativo”. A Vila Isabel surpreendeu, “bailou la bamba” conforme a letra de seu samba-enredo, e conquistou seu segundo título na história com um enredo em homenagem à latinidade. Detalhe que a Vila, dois anos antes, ainda se encontrava no Grupo de Acesso. Quatro sambas se destacaram: “O Império do Divino” (Império Serrano), “Brasil, Marca Tua Cara e Mostra para o Mundo” (Portela), “Poços de Caldas Derrama Sobre a Terra Suas Águas Milagrosas: Do Caos Inicial à Explosão da Vida - Água, a Nave-Mãe da Existência” (Beija-Flor) e “Gueledés, o Retrato das Almas” (Arranco, no Grupo A).

Depois de dez anos, a Estácio de Sá retorna ao Grupo Especial após conquistar o título do Grupo A com a reedição de seu tema de 1984, "Quem é Você?". Já a Tradição reedita "Bahia de Todos os Deuses", enredo do Salgueiro de 1969. No Grupo B, seis escolas reeditam enredos antigos. A Império da Tijuca sagra-se campeã do Terceiro Grupo com seu tema de 1986 "Tijuca, Cantos, Recantos e Encantos". Também reeditaram Inocentes de Belford Roxo (A Lenda das Sereias - Império Serrano 1976), Unidos de Lucas (Lua Viajante - 1982), Difícil é o Nome (Olubajé, a Festa da Libertação - 1994), Boi da Ilha (O Amanhã - União da Ilha 1978) e Unidos da Ponte (Da Cor do Pecado - 1992). A Em Cima da Hora também reedita um enredo próprio, "A Festa dos Deuses Afro-Brasileiros" de 1974, e se torna campeã do Grupo D.

Ainda em 2006, duas novidades no mercado fonográfico: os sambas dos Grupos A e B passam a ser comercializados em álbum duplo, porém apenas no Rio de Janeiro (como de praxe na venda dos discos dos sambas do Acesso). E o produtor Chico Frota, que já havia ressuscitado o CD com os sambas do Terceiro Grupo em 2001, lança o CD com todos os sambas do Grupo C (Quarto Grupo), mais a Em Cima da Hora como convidada do Grupo D (Quinto Grupo). A última vez que os sambas do Quarto Grupo haviam sido registrados fonograficamente foi em 1981. Em novembro de 2006, morre o compositor Tôco, o maior vencedor na Mocidade, menos de um mês depois de ganhar o concurso de sambas-enredo da escola de Padre Miguel para o carnaval de 2007.

Com o fim do casamento da LIESA com a Sony/BMG, o CD do Grupo Especial de 2007 é lançado pela gravadora Universal. No ano em que Beth Carvalho foi barrada de um carro alegórico da Mangueira e a bateria da Viradouro desfilou em cima de uma alegoria, a Beija-Flor cantou o melhor samba do ano ("Áfricas, do Berço Real á Corte Brasiliana") e recuperou o título perdido em 2006. Outros quatro bons sambas e uma reedição passaram pelo Grupo Especial: “Candaces” (Salgueiro, que voltou a desenvolver um enredo afro, largando a mania de sambas oba-oba existente desde 1993), “Preto e Branco à Cores” (Porto da Pedra), “Os Deuses do Olimpo na Terra do Carnaval: uma Festa dos Esportes, da Saúde e da Beleza” (Portela, homenageando o Pan do Rio de 2007) e “Minha Pátria é minha Língua, Mangueira, meu Grande Amor. O Samba vai ao Lácio e Colhe a Última Flor” (Mangueira, gravado no CD e puxado na Sapucaí por Luizito, substituto de Jamelão - que sofreu duas AVC’s e está em fase de recuperação). A Estácio reeditou seu samba de 1987 “O Tititi do Sapoti”, o que não foi suficiente para conseguir permanecer no Grupo Especial. No Grupo A, a Tradição tentou apelar mais uma vez para uma reedição, agora de um enredo próprio: “Passarinho, Passarola, Quero Ver Voar”, de 1994, mas caiu para o Grupo B, onde a Tuiuti desfilou com “Vamos Falar de Amor”, seu enredo de 1983; e a Lins Imperial foi campeã com “Chico Mendes – O Arauto da Natureza”, tema de 1991 da escola. E no Grupo C, o Engenho da Rainha desfilou com “Ganga-Zumba, Raiz da Liberdade”, seu enredo em 1986. Como no ano passado, foi comercializado apenas no Rio um CD duplo reunindo os sambas dos Grupos A e B de 2007, além do produtor Chico Frota ter novamente lançado o álbum com os sambas do Grupo C deste ano, além da inclusão no CD dos sambas do Canários das Laranjeiras e da Unidos de Cosmos, agremiações do Grupo D convidadas.

TOP 20 – SAMBAS-ENREDO
Os vinte melhores sambas da era pós-Sambódromo, na opinião de Marco Maciel (o ranking não inclui os sambas antigos reeditados desde 2004)

1º 100 Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão (Mangueira – 1988)
2º Liberdade, Liberdade, Abre as Asas Sobre Nós (Imperatriz – 1989)
3º O Melhor da Raça, o Melhor do Carnaval (Tradição – 1988)
4º Kizomba, Festa da Raça (Vila Isabel – 1988)
5º Contos de Areia (Portela – 1984)
6º Muito Prazer! Isabel de Bragança ou Drummond Rosa da Silva, mas Pode me Chamar de Vila (Vila Isabel – 1994)
7º Rei Sinhô, Rei Zumbi, Rei Nagô (Tradição – 1986)
8º Raízes (Vila Isabel – 1987)
9º Me Masso se Não Passo pela Rua do Ouvidor (Salgueiro – 1991)
10º Sonhos de Natal (Tradição – 1987)
11º Gbala – Viagem ao Templo da Criação (Vila Isabel – 1993)
12º Pra Tudo se Acabar na Quarta-Feira (Vila Isabel – 1984)
13º Verás que um Filho Teu Não Foge à Luta (Império Serrano - 1996)
14º Tereza de Benguela, uma Rainha Negra no Pantanal (Viradouro – 1994)
15º Agudás: os que Levaram a África no Coração e Trouxeram para o Coração da África, o Brasil (Unidos da Tijuca – 2003)
16º Manõa, Manaus, Amazônia, Terra Santa: Alimenta o Corpo, Equilibra a Alma e Transmite a Paz (Beija-Flor – 2004)
17º A Saga de Agotime, Maria Mineira Naê (Beija-Flor – 2001)
18º O Fruto da África de Todos os Deuses no Brasil de Fé – Candomblé (Cubango – 2005)
19º O Dono da Terra (Unidos da Tijuca – 1999)
20º Ganga Zumba, Raiz da Liberdade (Engenho da Rainha – 1986)

FONTE BIBLIOGRÁFICA:
CABRAL, Sérgio. As Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Lumiar Editora, 1996.
BARREIROS, Edmundo e SÓ, Pedro. 1985: o ano em que o Brasil recomeçou. Rio de Janeiro. Ediouro, 2005.