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ELZA SOARES

 ELZA SOARES

      

     

 

       

        Nome Completo: Elza da Conceição Soares

 

 

 

        Ano de nascimento: 1937

     

                                                                     

   
        
Elza Soares é uma das figuras mais extravagantes, talentosas e de um estilo único na música popular brasileira. A mulata surgiu para a música em 1959, recriando o samba “Se acaso você chegasse”, de Lupicínio Rodrigues. Dona de uma voz rouca e rítmica, aliada aos seus “scats”, deu uma forma inteiramente nova aos dois estilos de samba que se conhecia quando ela surgiu, o samba de raiz e a bossa nova, criando um estilo novo que chegou mesmo a ser chamado de “bossa negra” para implicar com a bossa “branca” feita pelos riquinhos da zona sul do Rio.

Viveu a fase áurea de sua carreira gravando discos memoráveis na Odeon, entre 1959 e 1974. Depois disso, passou a viver uma fase de menos prestígio, quando gravou no selo Tapecar. Depois disso, praticamente sumiu. Ensaiou uma volta nos anos 80, redescoberta por Caetano Veloso e Lobão, já quase na metade da década.

Elza experimentou emoções fortes em sua trajetória. Da miséria à riqueza, do assédio ao descaso da mídia, da paixão ao abandono. Ganhou fama, sucesso e dinheiro; ganhou elogios de Louis Armstrong, e, em 1962, se casou com Garrincha, o mito do futebol brasileiro, com quem viveu uma intensa paixão. Aturou o alcoolismo do craque e foi condenada pela opinião pública, que julgava ter sido sua a culpa de Garrincha ter morrido pobre e desamparado. Mesmo com tanta perseguição, no auge da carreira, nos anos 60, gravou e fez muito sucesso com discos clássicos como “O máximo em samba” (1967), “Elza Soares & Wilson das Neves” (1968), uma série de três álbuns com Miltinho (“Elza, Miltinho e samba”), e, em 1972, convenceu a sua gravadora para dividir um LP com o então estreante sambista Roberto Ribeiro – “Sangue, suor e raça”.

Foi uma pioneira, em 1969, ao aceitar o desafio de puxar o samba de uma escola na avenida, quando a prática não era comum entre as mulheres. Com maestria, cantou “Bahia de todos os deuses”, de Bala e Manoel, e ajudou o Salgueiro a conquistar o campeonato naquele ano. Logo depois, aproximou-se da Mocidade Independente, ao gravar, em compacto, o samba “Rio Zé Pereira”, samba de Edu e Tião da Roça, que ajudou a defender na avenida. Em Padre Miguel, viveu a fase em que a escola começava a se modernizar, ao contratar o carnavalesco Arlindo Rodrigues. Elza fez dobradinha com o puxador Ney Vianna por quatro anos, ao cantar os sambas “Festa do Divino” (Campo Grande, Nezinho e Tatu, 74), “O mundo fantástico do Uirapurú” (Campo Grande, Nezinho e Tatu, 75) e “Mãe Menininha do Gantois” (Djalma Crill e Toco, 76). Em 1974, estourou nas paradas de sucesso com “Salve a Mocidade”. Afastou-se da escola em 1977 e passou a animar festas e bailes de carnaval durante o período da folia. Em 1979, teve uma experiência no carnaval de Niterói, ao cantar “Afoxé”, de Heraldo Faria e João Belém, pela Acadêmicos do Cubango.

Nos anos 80, ficou sem emprego e chegou a pensar em desistir de cantar. Foi quando Caetano Veloso a convidou para gravar “Língua”, em seu LP “Velô”, em 1984, que Elza voltou a ser notada pela mídia. Em 1985, o roqueiro Lobão e o mesmo Caetano patrocinaram um disco coroando sua volta. Em 1985, foi convidada pela União da Ilha do Governador a defender o samba “Um enredo, um herói, uma canção”, de Aurinho da Ilha e Didi. Chegou a gravar o disco oficial, mas não apareceu na Sapucaí. No ano seguinte, perdeu o único filho que teve com Mané Garrincha – o Garrinchinha – num acidente de carro, em 1986.

          A carreira de Elza foi retomada ao ser convidada para participar do CD “Casa de samba” (1996), quando voltou a aparecer mais constantemente na mídia. Gravou novo álbum solo após nove anos, “Trajetória” (1997), ganhando com ele o Prêmio Sharp de Melhor Cantora de Samba, e depois o independente “Carioca da gema”, ao vivo (1999).

          Em 2000, ela voltou a defender um samba enredo. Vinte anos depois de “Afoxé”, Elza Soares retornou à Acadêmicos do Cubango, onde cantou “Por uma independência de fato”, de Altair, Celso Tropical, Pepe, Rolian do Cavaco e Willian. A mulata finalmente estreava em um carro de som na Marquês de Sapucaí. Quem já viu a energia de Elza Soares no palco pode dizer sem exagero que ela não fica a dever, comparada às maiores divas da música popular do planeta.

 
Primeiro ano como intérprete: 1969 (Salgueiro) 

1969 – Salgueiro

1973 a 1976 – Mocidade Independente

1979 – Cubango

1985 – União da Ilha (só gravou o samba no disco)

2000 – Cubango

 

Alguns sambas enredo gravados por Elza Soares:

 

· “O mundo encantado de Monteiro Lobato” (LP O máximo em samba, 1967)

· “Bahia de todos os deuses” e “Heróis da liberdade” (LP Elza, carnaval e samba, 1969)

· “Rio carnaval dos carnavais” (LP Elza pede passagem, 1972)

· “Aquarela brasileira” (LP Elza Soares, 1973)

· “Lendas e festas das yabás” (LP Nos braços do samba, 1975)

· “Lendas e mistérios da Amazônia” (compacto, 1969)

· “Lendas do Abaeté” (compacto, 1972)

· “Rio Zé Pereira” (compacto, 1972)

· “Mangueira em tempo de folclore” (compacto, 1973)

· “Festa do Divino” (compacto, 1974)

· “Um enredo, um herói, uma canção” (LP Sambas enredo das escolas de samba do grupo 1A 1985)

· “Por uma independência de fato” (CD Sambas de enredo Grupo A 2000)

MAIS FOTOS DE ELZA SOARES


Elza no desfile da Mocidade de 2003 (E) e no início dos anos 70 (D)

No auge do casamento com Garrincha, nos anos 60

Em dueto com Jamelão