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CANGACEIROS

CANGACEIROS


PRESIDENTE Ewerton Fintelman
VICE-PRESIDENTE Erick Silva
CARNAVALESCO Everton Santana
INTÉRPRETE  Millena Wainer
CORES  Verde e Rosa
FUNDAÇÃO 15/11/2011
CIDADE-SEDE Jaboatão de Guararapes-PE
SIMBOLO Árvore Lindeira com Facão e Baioneta Acima
FACEBOOK Link

O Clube Carnavalesco Virtual Cangaceiros foi fundado a 15 de novembro de 2011, inicialmente pelo nome de GRESV Cangaceiros de Jaboatão, principalmente para atender a uma vontade do José Mauro da Silva, que compõe sambas enredo em algumas escolas da LIESV. As cores da escola são em homenagem a escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira. Seu nome é ligado diretamente à homenagem os cangaceiros. Nos dois primeiros anos após sua fundação (2012 e 2013), a agremiação não conseguiu desfilar no Grupo de avaliação, fazendo sua estréia em 2014, com o enredo “Feijão nosso de cada dia” de autoria do presidente da escola, sob direção artística e execução do carnavalesco João Sane Malagutti, obtendo a 4ª colocação no Grupo de Avaliação (CAESV), ascendendo ao Grupo de Acesso no ano seguinte. Em 2015, a escola desfilou com o enredo “Robin Hood do Sertão” , de autoria do então carnavalesco João Sane que, por motivos pessoais, se afastou da confecção das fantasias e alegorias, ficando a cargo do estreante Kenneth Anderson assumir este trabalho, terminando na 5ª colocação. Em 2016, a Cangaceiros veio com nova equipe para o trabalho artístico: o Carnavalesco Kenneth Anderson foi o diretor de carnaval e quem assumiu a parte artística é o ex-carnavalesco da GRESV Foliões de Rondônia, Cleiton Almeida, que desenvolveu o enredo #hamburguenaticos, sobre a origem do hambúrguer. A escola terminou a apuração em nono lugar, resultado que motivou a saída de Cleiton. Para 2017, o vice André Aguiar contratou novos carnavalescos para a Cangaceiros: Wiler Dias e Thales Porto. Com um enredo sobre o chapéu, a Cangaceiros conseguiu uma ótima quinta posição. Para 2018, toda a equipe foi desfeita, a começar com a saída do presidente José Mauro. Um novo time foi formado para por o Cangaceiros no ar.

Ano Enredo Colocação
2019 Um Brasil, Muitas Áfricas -º (Especial)
2018 30 Anos do Sonho Sonhado em Mangueira... Verde e Rosa, Minha Pele, Minha Paixão 7º (Especial)
2017 Em uma Viagem Encantada, do Pétaso ao Solideu. O Cangaceiros é de tirar o Chapéu! 5º (Especial)
2016 #hamburguenaticos 9º (Especial)
2015 O Robin Hood do Sertão 5º (Acesso)
2014 O Feijão Nosso de Cada Dia 4º (CAESV)
2013 Imaginar... Dos contos infantis à tecnologia humana não desfilou

SINOPSE ENREDO 2019

Um Brasil, Muitas Áfricas


Introdução

De que África teria saudades um africano no Brasil? De sua aldeia, certamente, ou do bairro da cidade onde passou sua infância. No Brasil, deixara de ser conhecido por sua terra natal, pelo seu clã, pelo nome que o seu povo dava a si mesmo ou recebia dos vizinhos. Exceto para ele e para os conterrâneos ou vizinhos que encontrava no exílio, não era mais um iaca, auori ou gun: passara a ser chamado angola, nagô ou mina, e africano, e negro. Na fazenda ou na cidade onde penava, podia haver quem falasse o seu idioma ou outro próximo, e até quem fosse de seu vilarejo e seu malungo, ou companheiro de barco na travessia do Atlântico. Por toda parte, porém, encontrava gente estranha, de outras Áfricas que não a sua, com tradições, crenças, valores, costumes, saberes e técnicas diferentes. Este, em sua terra, andava de camisolão até os pés e gorro na cabeça, aquele não tinha mais do que um pano entre as pernas, amarrado na cintura. Aqui, as mulheres entrançavam os cabelos com contas e conchas; ali, cobriam a cabeça com véu ou turbante; acolá, raspavam o crânio. Umas vestiam-se apenas com miçangas, outras com bubus, ou envolviam o corpo com panos coloridos, e todas exibiam muitos colares e argolas nos braços e nos tornozelos.

Sinopse

Cada um de nós não domina mais do que uma pequena parcela de sua cultura. Nem todos os sossos da Guiné e outros africanos que produziam ferro de alta qualidade sabiam operar um forno ou uma forja, mas alguns poucos, sim. No Brasil, os que já eram ferreiros ou apenas conheciam rudimentos do ofício construíram fornos conforme o modelo predominante em sua terra. Isso explica o fato de terem existido fornos tão diferentes em Minas Gerais, às vezes a pouca distância uns dos outros.

Os africanos não se restringiram a ser os pioneiros da metalurgia de ferro no Brasil. Desde muito acostumados à cata do ouro? Do qual, durante séculos, algumas regiões como o Rio Falemé, o Alto Níger, o país acã e o planalto de Zimbábue foram os principais fornecedores da Europa e do mundo muçulmano? Trouxeram com eles as técnicas da bateia e de escavação de minas. Alguns eram bons ourives, que criavam, na África, jóias de grande beleza, como as dos axantes, e passaram a fazê-las com novos modelos no Brasil.

Sabiam como criar o gado fora dos estábulos, solto no campo, e o foram multiplicando e espalhando savanas afora, savanas muito semelhantes às que haviam deixado na África. Pouco valia no Brasil as lições dos campinos do Ribatejo, e muito as dos fulos (ou fulanis) e hauçás (ou haussás). Como as práticas agrícolas portuguesas lhes foram impostas, só puderam plantar do modo a que estavam acostumados em suas pequenas roças e nos quilombos. Apesar disso, aqui e ali aplicaram os seus saberes, como os balantas e outros negros da Alta Guiné no cultivo do arroz no Maranhão. E trouxeram para o país muitos vegetais, como o dendê, a malagueta, o maxixe e o quiabo, básicos na cozinha brasileira, que enriqueceram com novas comidas. Assim como ocorria na África, as mulheres iam vendê-las nas ruas. E continuam a fazê-lo até hoje, em Salvador como em Lagos, e a fritar o acarajé num fogareiro, diante do freguês.

Aos africanos deve-se também que se tenham produzido, sobretudo nas grandes propriedades rurais, e ao arrepio das proibições régias, tecidos para uso dos escravos, em teares extremamente simples, horizontais ou verticais, conforme a região de origem do tecelão ou da tecelã. Repetiu-se aqui o que sucedera no arquipélago de Cabo Verde, grande exportador de panos, onde os portugueses esqueceram os teares europeus em favor dos africanos.

A cabana em que vivia esse tecelão era construída como na África: as paredes de sopapo e o teto de folhas de palmeira ou de capim. Ainda que competindo com o mocambo de palha de tradição ameríndia, a morada do pobre no Brasil seria, durante muito tempo, de sopapo, à africana, e não de taipa de pilão ou de pedra, como em Portugal. Não prosperaram aqui as cabanas cônicas; impôs-se a de planta quadrada, com teto em duas águas, que, no Brasil, ganhou janela. Já a casa dos ricos, trazida de Portugal, recebeu da África do Oeste, e talvez também da Índia, o alpendre na frente ou nos fundos, e nele, lá como cá, passava-se boa parte da vida.

Nessas varandas, as crianças ouviam os relatos fantásticos de diferentes nações africanas, cujos personagens e enredos se mesclavam entre si e com os ameríndios e europeus, de tal modo que se tornava difícil separar o Curupira dos tupis do moatia dosaxantes, pois ambos, do tamanho de anões, tinham os pés virados para trás e eram os senhores dos animais selvagens. Vindos da África, bichos-papões, jogos e brinquedos desembarcaram no Brasil. E lembranças de desfiles de reis, com seus enormes guarda-sóis coloridos, que, no Brasil, se reproduziram nos maracatus, nas congadas e nos reisados.

Nesses desfiles reais, ouviam-se tambores, agogôs, pífanos e numerosos outros instrumentos que eram deles e são nossos. Esses instrumentos animavam as festas nos dois lados do Atlântico, com ritmos e melodias que se foram transformando, ao se entrelaçarem com as européias, na nossa música.

Não se dançava na África apenas pela alegria do convívio. Dançava-se também para reverenciar os deuses e recebê-los na alma. Foram muitas as religiões que atravessaram o oceano, pois cada povo tinha a sua. Algumas absorveram outras crenças ou foram por elas absorvidas, gerando novos sistemas religiosos, como a umbanda. Outras não deixaram vestígios. Mas a uma das religiões trazidas da África, a dos orixás, converteram-se em grande número, principalmente no Brasil e em Cuba, pessoas de outras origens, e o que era a religião dos iorubás tornou-se uma religião universal.

Por iorubás passaram a serem designados, desde a metade do século XIX, diferentes grupos que, na atual Nigéria, na República do Benim e no Togo, falam a mesma língua, embora com variações dialetais, possuem culturas semelhantes e se aglutinavam em torno de cidades-estado, compartilhando muitas tradições, ainda que em alguns casos pudessem ser diferentes e até mesmo conflitantes. Tidos como iorubás (e, no Brasil, também nagôs), sabiam-se oiós, ifés, egbas, auoris, quetos, ijexás, ijebus, equitis, ondos, igbominas ou de outras nações. Assim também os falantes de quimbundo, os ambundos de Angola, compreendiam vários grupos com dialetos e culturas diferenciados, entre os quais andongos, dembos, hungos, quissamas, songos, libolos e bângalas.

Os vários grupos iorubás e, ainda mais, os ambundos tiveram grande importância na formação do Brasil. Mas foram apenas parte de um grande coro, composto de gente de quase toda a África subsaariana. De certas regiões vieram números enormes; de outras, pouquíssimos. Houve quem fosse obrigado a longuíssimas viagens, do centro do continente até os portos litorâneos, e se conhecem casos de cativos feitos a oeste do Rio Cuanza e embarcados em Moçambique.

Enriquece o quadro saber-se que havia ligações preferenciais entre portos brasileiros e africanos. O Rio de Janeiro, por exemplo, vinculava-se, sobretudo aos portos de Angola, Congo e Moçambique, e recebia, por isso, não só pessoas dos diferentes grupos ambundos, mas também, entre muitos outros, congos, sossos, iacas, vilis, huambos, lubas, galangues, bailundos, luenas, macuas e tongas. Salvador comerciava intensamente com o golfo do Benim, e em seus portos embarcavam fons, iorubás, mahis, ibos, ijós e efiques, além de indivíduos das savanas mais ao norte, hauçás, nupes (ou tapas), baribas e bornus. De São Luís do Maranhão ia-se com facilidade à Alta Guiné, e de Cacheu e Bissau lhe chegaram mandingas, banhuns, pepeis, felupes, balantas, nalus e bijagós.

Para o Brasil foram trazidos africanos de mais de uma centena de povos diferentes. Muitos deles já se conheciam na África, por serem vizinhos ou terem comércio entre si. Um gã se entendia com os evés, os acuamus e os auoris, que viviam na mesma região e tinham costumes parecidos, e talvez até mesmo com os hauçás que se aproximavam do litoral para comerciar, pois era comum que um africano falasse mais de um idioma: o seu e outro ou outros que aprendera no convívio do mercado ou com as esposas de seu pai, algumas delas estrangeiras. E as diferenças eram compensadas pelas semelhanças, em processos contínuos de mestiçagem física e cultural. Algumas vezes, dois ou mais povos se entrelaçavam e criavam um novo, como fizeram os africanos que foram conformadores do Brasil.