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Os sambas de 2008

Os sambas de 2008

A GRAVAÇÃO DO CD – O CD dos sambas-enredo do Grupo Especial do Rio de Janeiro ainda não é o disco dos sonhos dos bambas, longe disso! Ainda tem um quê da artificialidade nos arranjos, baterias parecidas e sintetizadas, andamento arrastado demais... As cordas continuam valorizadas (embora um pouco menos com relação aos CD’s anteriores) e, por fim, percebemos duas diferenças ao disco de 2007. A bateria, que se mostra mais pesada e um pouquinho mais verdadeira (ainda que continue artificial e nos trazendo saudades dos álbuns dos anos 80 e 90) e a voz do intérprete na primeira passada, em que é possível ter uma percepção de que o puxador canta consigo mesmo, dando um efeito de dupla voz (o efeito é notado principalmente nas vozes de Quinho para o Salgueiro e de Leonardo Bessa para a São Clemente). A maioria das escolas cantou trechos do samba-enredo como alusivo para dar início à faixa no CD, já que a utilização de sambas de quadra das escolas foi vetada pela produção devido aos direitos autorais (embora a Mangueira tenha colocado “Festa do Interior” na sua faixa e a Vila Isabel o canto “Sou Brasileiro”, deixando uma interrogação nessa questão). Sobre os sambas-enredo, temos uma safra semelhante a do ano passado em termos de qualidade, também superior a 2006. Destaque, na ordem do CD, para as obras de Beija-Flor, Unidos da Tijuca, Portela, Imperatriz, Porto da Pedra e Mocidade. Os demais sambas também são consideráveis, não existindo nenhum boi-com-abóbora daqueles para se desprezar (Vila Isabel e Viradouro não apresentam sambas tão contestados, apesar de serem os mais criticados da fase pré-carnavalesca). NOTA DA GRAVAÇÃO: 7,5 (Marco Maciel).

Quem foi, meu Deus, que fez do barro poema? Quem foi Manabu? Para onde foram os vibratos de Wantuir? Conhece o Mário? Que time é teu? Várias interrogações rondam o carnaval de 2008. Certeza, apenas uma: as escolas adoraram os sambas de 2007. Não é a toa - os jurados deram notas máximas para SEIS sambas. E em time que está ganhando não se mexe, não é mesmo? Por esta razão, quase todas as escolas deram o samba de 2008 para as parcerias vencedoras de 2007. O resultado é um “mais do mesmo”. 2008 terá uma safra tenebrosa, como 2007 teve e como 2009 e 2010, provavelmente, terão. Nenhum samba ficará na boca do povo. Porém, nada disso importa. Uma forista de um site de internet foi muito feliz em um comentário – hoje em dia, samba bom é o que funciona na avenida; antigamente, era o que fica na boca do povo. Perfeito. Porém, como o importante é o dez dos jurados, vamos continuar o espetáculo, uma vez que o show não pode parar. Com relação à produção do CD, continua na evolução iniciada em 2005, que está fazendo os sambas terem mais individualidade (este ano, até prato na faixa da Imperatriz tem). Porém, como foi feita em tempo recorde, acredito que os produtores não conseguiram encontrar o tempero correto para tentar salvar alguns dos sambas. Com relação à safra, o destaque é o samba da Grande Rio, que não está muito acima dos demais, mas é o mais bem feito. NOTA DA GRAVAÇÃO: 6,5 (João Marcos).



Novamente, outro CD típico do começo do novo milênio. As escolas de samba raramente optam por levar marchinhas oba-obas à avenida, uma vez que as diversas tentativas de repetir o “efeito Ita” de 1993 foram se tornando cada vez mais antiquadas e irrelevantes no decorrer dos anos. Talvez agora, vendo a seqüência infindável de glórias levantadas pela Beija-Flor desde 1998, uma grande parcela de outras agremiações tentam “plagiar” a genialidade de Laíla. Prova disto é a famigerada fórmula empregada por dezenas de compositores de escritório a fim de imitar os feitos do maior diretor de harmonia do Brasil e iludir o componente com uma falsa poesia. Esta tal fórmula é das marchinhas mórbidas, de melodias em tom menor, letras repletas de expressões rebuscadas e refrões funcionais, porém sem conteúdo. Outro exemplo de inteligência de Laíla, cuja imitação dentre as demais escolas virou mania são as fusões. Normalmente, estas mal-sucedidas fusões geram horrendos Frankensteins, matando bons sambas das eliminatórias. A Vila Isabel ajudou a comprovar este fato, detonando o melhor enredo do ano em uma lástima. Triste! Por outro lado, a gravação do CD de 2008 é espetacular, seguindo a linha sonora utilizada pelos produtores desde 2005. Este disco se assemelha bastante com o de 2006, não contendo a energia de 2005, porém sem a artificialidade de 2007. As baterias são audíveis, os sambas estão cadenciados e o intérprete tem grande liberdade de canto. A única ressalva são os pavorosos “d’efeitos” sonoros presentes nas faixa, que ajudam a tornar o disco mais trash. NOTA DA GRAVAÇÃO: 9 (Gabriel Carin).

Comparando com as outras gravações anteriores, esta já teve um grande avanço. A bateria está mais real, mas isso não quer dizer que as gravações não deveriam voltar a ser ao vivo, aí sim seria incrível. Aproveitando pra dizer: o que mais me surpreendeu nesse ano foi o preço do CD, que está muito barato, e por alguns dias foi o mais vendido no Brasil. Não sei muita opinar sobre gravações, acredito que estou dando a nota merecedora. NOTA DA GRAVAÇÃO: 8 (Vitor Ferreira).

Fazer questionamentos sobre o formato de gravação dos sambas é como chover no molhado. A bateria tem praticamente a mesma sonoridade pasteurizada nas 12 faixas da bolacha digital. É tudo artificial, sem realismo e principalmente sem emoção. E pra borrar ainda mais as "manchas sonoras" que estão estagnadas em algumas faixas, ridicularizaram as audições dos sambistas com uivos bizarros do estilo "Thriller" do Michael Jackson, Festinha do Interior... haja vista que teve samba, que, era para ter um andamento cadenciado acabou ficando demasiadamente acelerado e vice-versa. Poxa!!! Será que a equipe de produção não tem AMOR pelos trabalhos que fazem??? É por isso que a pirataria rola solta, embora haja fiéis colecionadores (como eu) que seguem anualmente o ritual de comprar o CD nas lojas, com o preço até cinco vezes mais caro que o genérico. Quanto a safra de sambas é apenas 1% superior que em 2007. Entretanto não há motivo para soltar foguetes. Nenhum desses 12 sambas aparecem na minha lista particular das 100 melhores obras-primas de todos os tempos. E com certeza tambem não estão na listas dos outros companheiros de SAMBARIO. Talvez os sambas da Tijuca, Grande Rio, Porto da Pedra e Portela figuram entre os melhorzinhos da primeira década do novo milênio. Mas se compararmos com os sambas antológicos de toda história, "são apenas grãos de areia no deserto''. NOTA DA GRAVAÇÃO: 5 (Luiz Carlos Rosa).

A boa safra de 2008 rendeu uma gravação mediana. Não sei também opinar sobre as gravações, como disse o Vitor Ferreira. Posso até estar equivocado na nota, mas... NOTA DA GRAVAÇÃO: 9,2 (Luiz Henrique).

Uma das piores da história do Carnaval. Nenhuma escola merecia tratamento tão pasteurizado, previsível, frio e tecnicista. Infelizmente a gravação acompanhou a péssima safra de 2008. NOTA DA GRAVAÇÃO: 4 (Fabio Alves).

1 – BEIJA-FLOR – “Quem foi meu Deus que fez do barro poema”. O samba da agremiação de Nilópolis possui dois grupos: o dos admiradores e o dos que acusam de plágio. A justificativa da primeira corrente é a riqueza da sua melodia, bem casada com a letra complexa. Já o motivo da rejeição do outro grupo – mais conservador – é a seguida acusação de plágio do samba-enredo do ano passado da Beija-Flor, alegando que muitos trechos melódicos são idênticos ao hino de 2007 da escola nilopolitana, além da letra, como no samba sobre a África, também conter vocábulos diferentes, como “Marabaixo”, “Macapaba”, “Cunanis”, “Alistés”, “Ianejar”, entre outros. Outra semelhança apontada pelos críticos é a exaltação à escola no refrão principal, ainda que de forma poética e diferenciada com relação aos alusivos batidos cuja característica principal são as rimas no infinitivo ou “amor” com “eu vou”. Agora eu vou dar a minha opinião: e daí que é plágio? Um trecho aqui e outro ali... Realmente é inevitável a semelhança de um trecho melódico com outro de um determinado samba, geralmente feitas sem querer, não passando de coincidência. Os conservadores que me desculpem, mas faço parte do grupo dos admiradores de mais uma louvável obra da parceria de Cláudio Russo para a atual campeã do carnaval (como os sambas de 2007 e 2008 são do Cláudio, daí a munição para os críticos...). E a grande vantagem com relação ao ano passado é a atuação solta de Neguinho da Beija-Flor no CD, em contrapartida às anteriores em que parecia preso e ainda não totalmente adaptado à letra e à melodia do samba de enredo. A introdução também é formidável, com os tambores do Marabaixo, festa folclórica do Amapá, abrindo o CD de forma magistral. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Marco Maciel).

Confesso que este samba me causou grandes problemas para analisar. É um samba cadenciado, gostoso de cantar. A comunidade da escola é maravilhosa, o samba será entoado como nenhum outro na avenida e funcionará maravilhosamente. Ao mesmo tempo, o samba me irrita profundamente – eu sinto como se os compositores quisessem me passar um atestado de imbecilidade. Inúmeros trechos melódicos do sambas de 2007 são repetidos na cara-de-pau. Basta ter ouvidos para perceber as “semelhanças”, eufemismo usado, supostamente, por Cláudio Russo em um fórum de carnaval para rebater um comentário meu. Segundo o mesmo, o samba foi analisado por um maestro que emitiu um parecer dizendo que as melodias de ambos são diferentes. Sinceramente, eu confio mais no meu ouvido, até porque basta algumas modificações simples, como mudanças na divisão, subidas ou descidas de oitavas, etc, para modificar, tecnicamente, a melodia. Mas, no ouvido, as mudanças são pouco perceptíveis. Para mim, o samba da Beija-Flor é quase uma paródia, no estilo de “o lê lê, o la la, Romário vem aí, o bicho vai pegar”. É uma afronta a nossa inteligência e os especialistas só não acharão o mesmo se desconhecerem o samba de 2007, fato que, neste carnaval descartável, não é algo tão impossível. Eu só quero ver o que os jurados farão – em 1998, o samba da Viradouro teve inúmeros décimos descontados porque eles acharam que o “Hoje o amor está no ar” era semelhante a “O Teleporto está no ar”, samba da Estácio, de 1996. E agora, no caso em questão, em que diversos compassos, em vários trechos da melodia do samba da Beija-Flor de 2008, são repetições do samba de 2007? Diante disso, resolvi fazer a avaliação da seguinte forma – uma avaliação estética do samba distinta de uma avaliação artística, somando as notas e dividindo por dois. Esteticamente, sem considerar as cópias desavergonhadas do samba de 2007, a obra é bem montada. A letra, no entanto, peca por ser prolixa, mas vazia de conteúdo. Não se entende o enredo apenas pelo samba – e quando digo isso, não falo no aspecto de abordar todos os aspectos da sinopse. Eu não consigo achar a idéia geral do enredo na obra. Olhando só a letra, você pode interpretar de diversas formas, nenhuma com qualquer encadeamento. Digo mais - há trechos tão embolados que não fazem qualquer sentido, por mais que os compositores e torcedores nos tragam explicações mirabolantes. E nem vou pegar as partes que já são facilmente questionáveis – vejamos o seguinte trecho: “Herança moura em Mazagão / Retiro o meu chapéu de bamba e assim / O Marabaixo ao marco zero cai no samba / Soam tambores no tocar do tamborim”. Que diabos isso quer dizer? Não tem o menor sentido. VALOR ESTÉTICO: 8,4. Com relação ao valor artístico, é muito triste ver a repetição de tantos trechos melódicos do samba de 2007, principalmente quando vemos que a parceria tinha munição para gastar – basta ver o belo refrão do meio. E mesmo repetindo a fórmula utilizada desde 2004, com a variação melódica no meio da segunda parte, a saída encontrada em “A mão de Ianejar...” é interessantíssima. No entanto, as repetições melódicas grotescas retiram o valor artístico do samba. Desta vez, Laíla errou. VALOR ARTISTICO: 4,0. MÉDIA: 6,2. NOTA DO SAMBA: 6,2 (João Marcos).

Cláudio Russo, campeão de 2007 junto à escola, conseguiu a oportunidade de novamente ver a Beija-Flor levar uma obra sua à avenida, tal como em 2004 e 2007. Porém, ao contrário destas outras ocasiões, a escola de Nilópolis acabou não contando com um hino de qualidade, sendo o pior samba da agremiação desde 1997. A razão é horrenda: Cláudio Russo cometeu o inacreditável erro de “reutilizar”, nesta obra, inúmeras passagens melódicas idênticas às do samba de 2007. É perceptível de longe ver como o compositor parodiou inescrupulosamente uma seqüência terrível de trechos pertencentes ao seu samba do ano anterior sem sequer o consentimento de fazer algumas alterações. Mesmo que o “Macapaba” apresente uma letra realmente exuberante, este fator melódico ainda prejudica muito o conceito geral da obra, que acaba perdendo todo seu valor de originalidade. Alguns chamam isto de fórmula. Eu particularmente prefiro chamar de falta de criatividade. Certos momentos da melodia (os, de fato, originais!) chegam a encantar, como o belo refrão central, mas, no geral, trata-se de um samba mediano, de boa letra, mas de melodia deplorável. NOTA DO SAMBA: 6,8 (Gabriel Carin).

Muito bom samba, na minha singela opinião é um pouco melhor do que o do ano passado. O samba tinha mais força na gravação dos compositores, mas nesta gravação está muito bom. O refrão principal é meio chatinho, parecendo até uma ópera, mas tem sua beleza. A primeira parte é muito bonita, sendo que a parte "Emana ao meio do mundo a beleza / A força da mãe-natureza é Macapaba" é muito boa, a principal da primeira parte. O refrão central é muito bom, podendo até considerar a melhor parte do samba. A segunda parte é maravilhosa, sem comentários. É um samba que em outra escola provavelmente iria se arrastar, mas na Beija-Flor acho complicado. Algumas quebradas do samba são parecidas que a do ano anterior, mas não tira o brilho da faixa. Para um samba de patrocínio é excelente (tá certo que pagar tá difícil). Um dos melhores do ano, seguindo a tradição (de 98 prá cá) da Beija-Flor de vir com ótimos sambas. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Vitor Ferreira).

Quem acompanha samba-enredo de dez anos pra cá sabe que é lugar comum na Beija-Flor a adoção de composições com letra rebuscada e em tom menor para o desfile, o que faz com que, ano após ano, os sambas da escola fiquem mais parecidos. Nada justifica, porém, a semelhança melódica entre esta obra e a do ano passado, que por sinal, já trazia uma estrofe idêntica de 2004. São pelo menos cinco trechos praticamente indênticos! Os argumentos de que o plágio só se configura à partir de sete versos consecutivos iguais, ou de que não existe auto-plágio, utilizados por um dos autores do samba no Orkut, são pífios diante dos fatos. Embora sua coragem de dar a cara pra bater no site de relacionamentos seja digna de louvor. NOTA DO SAMBA: 8,6 (Cláudio Carvalho).

No "quesito" planejamento, a agremiação de Nilópolis está um passo a frente de suas co-irmãs. Antes mesmo da apuração - que consequentemente resultou na conquista do título de 2007 - Laíla já tinha na ponta da língua o enredo para o carnaval 2008: "Macapaba, Equinócio Solar", que fala sobre o Estado do Amapá. E a obra que abre o CD é a mais inferior - tecnicamente falando - desde a implantação da enjoativa e manjada fórmula "lailística" de se fazer samba, adotada desde a vitória em 1998. É do tipo de samba "me engana que eu gosto". Empolgante, de ritmo gostoso (originário do Marabaixo) e que faz o sambista cantarolar por ruas e becos da cidade, porem, infestada de problemas técnicos. O grande equívoco de Claúdio Russo e parceiros foram de "xerocar" algumas passagens melódicas do samba de 2007. AHHH!!! MAS O SAMBA É DE AUTORIA DELES!!! Mas não importa, amigo!!! Mesmo sendo deles é pura falta de criatividade. E lógicamente, sendo criticado em vários fóruns de carnaval, Cláudio Russo continuou a persistir no erro. É óbvio que o samba tem bons momentos rítmicos como no verso "me faz mais forte, extremo norte" e principalmente o maravilhoso refrão central "Quem foi meu Deus/que fez o barro poema?", de uma pegada impressionante. A letra é descritiva até a parte "em São José de Macapá", pois a partir daí passa a dizer coisa com coisa. O refrão principal "O meu valor me faz brilhar" ao meu ver é bastante apelativo. Talvez por esse fato, que a comunidade resolveu abraçar o samba. Tanto que antes da semifinal, Laíla "lavou as mãos" e praticamente garantiu a segunda vitória consecutiva de Cláudio Russo. A bem da verdade, é que nem todo samba que a comunidade abraça é o melhor da disputa. Taí o exemplo. NOTA DO SAMBA: 8 (Luiz Carlos Rosa).

A Beija-Flor nos últimos anos (desde 2004 para ser mais especifico) vem acertando nos seus sambas, mas esse é o pior dos últimos cinco anos. Falando do samba em si, a primeira parte é muito bonita, mas a segunda carece um pouquinho de melodia já que a letra do samba é muito boa. com destaque para o final: “Retiro meu chapéu de bamba e assim / O Marabaixo ao marco zero cai no samba / soam tambores no tocar do tamborim". Linda essa parte. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Luiz Henrique).

Belíssima letra, de um lirismo precioso este hino da Beija. Embora o enredo não me empolgue, e haja trechos notoriamente "reprisados" do samba anterior (2007), é uma das boas obras deste carnaval. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Matheus Ávila).

Pastiche do samba do ano anterior ("Áfricas"), com um refrão melodicamente parecido e com letra inferior, muitas vezes incompreeensível, em parte devido ao enredo enigmático (Macapaba), em parte devido à ânsia de repetirem o sucesso de 2007. NOTA DO SAMBA: 6 (Fabio Alves). Clique aqui para ver a letra do samba

2 – GRANDE RIO Lindo como se fosse a primavera”. E não é que o gás deu samba? Um dos enredos mais pessimistas na esperança de um bom samba-enredo acabou fornecendo à Grande Rio seu melhor samba nos últimos anos. A letra possui qualidade, Wander Pires tem uma excelente interpretação no CD (o que não é novidade pra ninguém) e sua melodia é bastante inspirada, principalmente na segunda parte, que é simplesmente sensacional. Com relação ao samba na época das eliminatórias, houve uma brusca modificação no início da primeira parte, mas nada que comprometa a bela obra que a escola de Duque de Caxias traz para 2008 em busca de seu primeiro título na elite do carnaval carioca. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Marco Maciel).

Nas enquetes e entrevistas com especialistas, o samba da Grande Rio, como vem acontecendo há alguns anos, está entre os últimos na preferência. Sinceramente, é uma prova de parcialidade. A escola pode até simbolizar algumas das coisas que os sambistas não queriam ver no carnaval, com seus enredos patrocinados e personalidades globais, mas não podemos confundir alhos com bugalhos. O samba da escola é muito bom, o destaque da safra. Mesmo com um enredo absurdamente árido, os compositores passaram bem a mensagem. Os refrões não são oba-oba, mas grudam na memória e são de uma inteligência ímpar, dando leveza ao tema. No entanto, é na segunda parte que temos o grande momento do ano – a melodia, na sua entrada, é belíssima, dando um efeito espetacular em seu casamento com a letra, que tem uma poesia muito bem elaborada. É um samba competentíssimo, talvez cerebral demais, mas que tem sucesso absoluto em alcançar seus objetivos. Com a parceria de Mingau, que é de craques, Arlindo Cruz, além de fazer um samba mais belo que o dos anos anteriores, conseguiu montar uma obra tecnicamente mais correta, sem os erros de métrica e as atropeladas de canto do samba de 2007. Se este samba fosse do Império Serrano, seria exaltado pelos quatro cantos. Como é da Grande Rio, o pessoal mete o pau. Mas, para mim, é o melhor do ano. NOTA DO SAMBA: 9,4 (João Marcos).

O melhor samba do ano, tal como o melhor da escola desde 1997. Depois de uma série lamentável de marchinhas fúnebres, em tom menor, que só tinham a função de iludir o componente com um falso romantismo, a Grande Rio enfim apostou em um samba de verdade, daqueles que tocam a alma do sambista e têm força suficiente para embalar um desfile campeão. A letra é de uma simplicidade de dar inveja a qualquer compositor de escritório, pois resume todo o enredo em poucos versos, sem rebuscamentos idiotas, porém ainda contendo alguns leves toques poéticos em inúmeros momentos. A melodia possui uma suavidade singular, repleta de passagens líricas, envolvendo o ouvinte mais pela emoção que por um sentimentalismo ilusório. Outro destaque absurdo, não só da faixa, como do CD num todo, é a interpretação extraordinária de Wander Pires, que, depois de muitos anos, abandonou seu melodramático estilo pagodeiro mauricinho, chutando também para o alto seus detestáveis vibratos e tornando assim a audição do samba muito mais limpa. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Gabriel Carin).

Comparando com os últimos anos pra cá, uma obra-prima. Um samba mais do mesmo. O refrão principal é heróico (conseguiram arrumar outra rima para Sapucaí), mas a forma do gás, como é retratado, pega meio artificial. O começo do samba mudou muito da forma original, o que o deixa estranho. O resto da primeira parte é mais ou menos, destaque para a forma que é entoada a palavra Europa, que fica engraçada. O refrão central é muito ruim, a letra é uma desgraça, a forma do gás também foi usada muito mal. A segunda parte salva o samba, é linda. Como disse no princípio, um samba fraco, mas que é muito melhor que os dos últimos anos. Outro bom samba para um enredo patrocinado (qual não é?). NOTA DO SAMBA: 8,7 (Vitor Ferreira).

O samba começa em tom menor, mas vai literalmente ganhando gás após o refrão do meio, que diga-se de passagem, é de uma pobreza notória. Parece ser insuficiente, também, para evitar que a Grande Rio faça mais um daqueles desfiles sonolentos que aumentam e muito o faturamento de uma certa rede de fast-food enquanto a escola passa. Em que pese o fato de o enredo não ajudar muito, pode-se dizer que tanto Arlindo como Mingau já viveram dias melhores no que diz respeito à inspiração para compor. O primeiro, aliás, foi um verdadeiro fiasco na disputa do Império Serrano, sua escola de coração. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Cláudio Carvalho).

"Depois da tempestade a bonança". Este ditado popular cai como uma luva para a tricolor de Caxias, que desde 2004 apresenta sambinhas bem fraquinhos. E o sambão de 2008 possui letra simples, sucinta, e que em poucas palavras conta o enredo com exatidão, sem lero-leros. Mas indiscutivelmente o ponto alto da obra é a sua extraordinária melodia, de um lirismo sem par e com riquíssimas variações. Como não se emocionar com os melosos versos "Lindo!!! Como se fosse a primavera", "pássaros cantando, borboletas pelo ar" e o bélissimo refrão principal "Grande Rio vem cantar..."??? O refrão central "com todo gás vou te dar amor", apesar de metafórico, gruda no ouvido. O único ponto negativo da obra é a mudança da estrofe inicial da primeira parte. O novo verso "com a destruição das plantas e dos animais" ao meu ver feriu um pouco a métrica do samba. É de salientar a assombrosa interpretação de Wander Pires. E pra terminar uma perguntinha "marota": porque o Arlindo Cruz resolveu colocar seu nome neste sambão, se nos sambinhas de 2006 e 2007 nem fez questão do mesmo, hein??? NOTA DO SAMBA: 9,5 (Luiz Carlos Rosa).

Belo samba. A Grande Rio parece que viu o que fez em 2007 e melhorou em 2008. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Luiz Henrique).

Samba mediano para um enredo batido. O 2° refrão até é bem construído, com boas passagens melódicas, mas no conjunto, o samba parece-me sem força. NOTA DO SAMBA: 8,4 (Matheus Ávila).

Péssimo, com letra desprezível e insinuações de gosto duvidoso ("eu vou te dar... amor"), esse samba certamente foi um dos piores que já passaram pela Marquês de Sapucaí. NOTA DO SAMBA: 4 (Fabio Alves). Clique aqui para ver a letra do samba

3 – MANGUEIRA – “É frevo, é frevo, é frevo”. A obra da Estação Primeira é uma das mais contestadas pelos bambas, a começar pelo refrão principal e a repetição da palavra “frevo”, talvez a principal razão das costumeiras críticas. A parceria de Lequinho e cia. procurou desenvolver uma obra com letra quase coloquial (principalmente na primeira parte) e de melodia “pra cima” buscando, evidentemente, cativar o público e tornar o canto do componente mais facilitado com relação a um samba mais classudo. Finalmente me adaptei à estrutura do refrão central, em que os dois últimos versos têm estruturas melódicas diferentes dos dois primeiros. Bem como havia frisado antes que tudo era questão de costume... E a tendência é que o samba-enredo da Mangueira proporcione o maior sacode da Sapucaí no desfile de 2008. No CD, contrariando a minha previsão, o acelerado andamento do samba é quase igual à maneira como ele despontará na avenida, ou melhor definindo, a gravação segue a risca o enredo, transformando o samba num frevo... Luizito proporciona mais uma excelente interpretação no disco, e sua manutenção no microfone principal da Mangueira comprova a sua recuperação, já que o intérprete teve sérios problemas de saúde às vésperas do carnaval 2007, sendo até impossibilitado de participar de todo o desfile. Luizito, apesar disso, contrariou a ordem médica e puxou a Mangueira não só durante toda a sua apresentação como também em grande parte do desfile das campeãs. Sobre a polêmica inserção de “Festa do Interior” na base de trompete, trombone e sax-tenor na abertura e encerramento da faixa, nem precisa dizer que a idéia do hoje ex-diretor de bateria da Mangueira Ivo Meirelles foi de jerico e totalmente dispensável. Uma que sou contra essas citações em CD de samba-enredo, onde só deve conter o samba e nenhum fru-fru a mais. E outra que o enredo fala sobre o frevo pernambucano, e “Festa do Interior”, de autoria de Abel Ferreira da Silva e Moraes Moreira, é frevo baiano. Tome gafe nisso... Menos mal que o saudoso Mestre Russo, falecido em setembro de 2007, recebe na faixa uma justa homenagem por todos os serviços prestados à Estação Primeira. NOTA DO SAMBA: 8,8 (Marco Maciel).

A produção do CD arruinou o samba da Mangueira. A introdução, cafoníssima, e o andamento demasiadamente acelerado, fizeram seus estragos. Porém, o maior crime, ao meu ver, foram as modificações desnecessárias na melodia. Não sei se foram feitas por Luizito ter menos extensão vocal do que Gilsinho (que defendeu o samba nas Eliminatórias), não sei se foi a direção de carnaval com medo de que atrapalhassem na harmonia, mas as alterações melódicas no refrão o deixaram reto, tirando um pouco da força do melhor momento do samba. A obra perdeu impacto e a gravação oficial, ao contrário da das eliminatórias, torna-se chata com poucas audições. O charme do samba continua sendo o “É frevo! É frevo! É frevo!”, um dos poucos momentos em que algo diferente, que chame a atenção, aparece no CD. Na mesma faixa, outro momento de diferencial, no começo poderoso do refrão do meio e o seu “CAAAAAAAAApoeira invade os salões”. A letra é gostosa de cantar e o samba é simples e divertido. Deve funcionar bem na avenida, porém é inferior ao de 2007. NOTA DO SAMBA: 8,6 (João Marcos).

Outro belo samba, apesar de sua escolha ter gerado uma polêmica grande dentre os sambistas. A maioria do internautas preteria outro hino, de Gilson Bernini e cia., que possuía uma energia envolvente, além de um apelo emocional fortíssimo ao subentender uma lembrança ao centenário de Cartola no refrão de cabeça. Porém, o samba campeão não é nem de longe ruim, estando relativamente no mesmo nível deste eliminado. O hino mangueirense de 2008 possui uma letra admirável, repleta de sacadas brilhantes dos compositores, que, inclusive, conseguiram com grande felicidade fazer um samba tecnicamente muito superior ao de 2007, sem os mesmos erros de métrica. O refrão de cabeça, apesar de marcheado, é de uma originalidade inegável. Já o central é sensacional, sendo a parte mais lírica da obra. Há lamentar somente a heresia cometida pela gravação ao acelerar o samba ao máximo e deixar sua melodia completamente reta. Caso isto não tivesse acontecido, minha nota seria, sem dúvida, um pouco maior. NOTA DO SAMBA: 8,9 (Gabriel Carin).

Bom samba, que às vezes parece realmente um frevo. O começo da faixa é no minímo inusitada: Ivo pronuncia o nome do enredo ao som de um frevo baiano, sendo que a homenagem é para Recife (100 anos de frevo, é de perder o sapato. Recife mandou me chamar...), achava (como todos) que os samba iria começar ao som de Vassourinhas. Falando do samba: o refrão principal é o ponto forte do samba-enredo (não confundam forte com melhor). O "É frevo, é frevo, é frevo" tem um forte apelo popular. A primeira parte é apenas boa, apesar da repetição de palavra. O refrão central é qualificado, mas não me agrada, na minha opinião a pior parte desse samba. A segunda parte é a melhor, principalmente a eletrizante "Invade a cabeça, o corpo, embala os pés / Delírio da massa, um fervo...", dá vontade até de sair dançando esse frevo-enredo. Mais um samba patrocinado. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Vitor Ferreira).

Uma das maiores decepções do CD. Não pela obra em si, mas pela qualidade da gravação, que fica devendo, e muito, à que foi produzida para as eliminatórias na quadra. A interpretação de Gilsinho, cheia de variações melódicas e alternâncias de tom interessantíssimas, como as do primeiro refrão, deu lugar a um samba gritado por Luizito, com uma introdução que descaracteriza o disco enquanto compilação de sambas-enredo. Espera-se que na avenida o resultado seja outro. De positivo, destaca-se o desempenho da eterna bateria do Mestre Russo, com suas bossas e convenções de tamborim. Impecável. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Cláudio Carvalho).

Logo após o carnaval 2007, cogitou-se a possibilidade da Manga homenagear o centenário de nascimento do mestre Cartola. E se as rosas exalam, neste caso as cifras falaram mais alto e a diretoria optou por falar dos 100 anos do frevo. Fico só imaginando o carnavalesco Max Lopes. Deve ter pulado com sombrinha na mão de tanta alegria, pois já desenvolvera o mesmo tema no Arrastão de Cascadura em 1995 (denominado "Frevança"). Aí, amigo, fica fácil!!! Com relação ao afrevado samba da Mangueira, possui uma boa letra apesar dos compositores fugirem do cronograma da sinopse. Destaco o verso "e até hoje, tem colombinas e seus amores", uma sacada bastante inteligente, pois não precisaram colocar as palavras arlequim e pierrot. Com isso o verso seguinte "passo no bloco das flores" ficou mais forte graças a rima amores/flores. A melodia é versátil com variações diversificadas. É valente em alguns momentos, lírico e animado em outros. Os refrões são maravilhosos, principalmente o de cabeça "é frevo, é frevo, é frevo" É um samba funcional, mas não excepcional. Está muito, mais muito longe dos grandes sambas da Manga. Luizito mais uma vez esteve bem na gravação, mas é duro não podermos ouvir a imortal interpretação do mestre Jamelão. NOTA DO SAMBA: 8,8 (Luiz Carlos Rosa).

Sensacional o segundo melhor samba do ano (claro, na minha opinião), que tem uma boa letra e uma melodia incrível. Luizito dá show na gravação dando um jeito que o samba merecia. NOTA DO SAMBA: 9,9 (Luiz Henrique).

Mangueira sem Jamelão é estranho, demorará um tempo até que eu me acostume, mas precisa de um intérprete melhor. Luizito tem suas qualidades (comprovadas durante a passagem pela Caprichosos), mas na Mangueira parece faltar algo. Nada de excepcional o samba, não compromete mas não empolga. NOTA DO SAMBA: 8,8 (Matheus Ávila).

O samba de Lequinho é uma marchinha sem-vergonha, com o pior refrão da história da escola. Muito acelerado, tem letra fraca e melodia pobre. NOTA DO SAMBA: 4 (Fabio Alves). Clique aqui para ver a letra do samba

4 – UNIDOS DA TIJUCA – “Outra nota dez para colecionar”. O samba possui inspirações singulares, sintetizadas no refrão principal em que o real sentimento tijucano é explicitamente revelado: “E selar tua vitória / a peça que falta pra te completar”. Para o torcedor da escola, com a boa e atual fase que a Unidos da Tijuca passa desde 2004, já está na hora de quebrar o tabu que dura desde 1936, longínquo ano em que a agremiação conquistou seu primeiro e único título no carnaval. A melodia do samba-enredo é leve, reunindo as características atuais das obras apresentadas pela Unidos da Tijuca que priorizam o estilo chamado funcional, aquele em que não visa ser uma obra-prima pra ser consagrada por anos e anos e sim útil apenas para o desfile, proporcionando uma tranqüila evolução. Talvez a horrível execução da obra-prima “Agudas” em 2003 na Sapucaí tenha motivado este estilo funcional, que de fato vem dando certo e acarretando na coleção de notas dez citadas no refrão principal. Na minha opinião, o samba para 2008 é o melhor da escola desde “Agudas”, sendo assim o mais qualificado entre os funcionais. Só achei que a sua gravação no CD ficou muito sem sal. Wantuir, talvez o melhor intérprete da atualidade, poderia ter se soltado muito mais. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Marco Maciel).

O samba segue a linha adotada pela escola nos últimos anos. Os dois refrões são fortes, o samba passa a idéia do enredo sem entrar em grandes detalhes e é bem gostoso de cantar. Como sempre, as variações mais interessantes do samba da Unidos da Tijuca são na segunda parte. Embora o samba não tenha nenhuma sacada do nível do “Pára... o mundo pára”, do samba de 2007, é mais bem feito tecnicamente. NOTA DO SAMBA: 9,1 (João Marcos).

Após surpreender meio mundo ao conseguir uma colocação à frente da Viradouro, escola atual de seu ex-carnavalesco Paulo Barros, a Unidos da Tijuca novamente aposta em seu tão inovador estilo de carnaval, fruto ainda dos desfiles ousados que a agremiação vem fazendo desde 2004. Este samba possui uma força inacreditável. A letra é excelentemente bem construída tecnicamente e está repleta de vultosos momentos de inspiração dos compositores, que retrataram todas as espécies de coleções citadas no enredo da forma mais poética possível. A melodia, alternando entre tons menores e maiores progressivamente, foi muito bem explorada por Wantuir, que conseguiu dar um charme a mais ao lirismo já original do samba, haja vista que a versão das eliminatórias, entoada por Tinga, era bem mais energizada. Ambos os refrões têm uma pegada forte. Sambão, tal como o de 2007. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Gabriel Carin).

Não gosto desse samba, acho inferior aos últimos da Tijuca, e principalmente aos concorrentes desse ano. Já não gostava desse samba nas eliminatórias, e ainda com a má interpretação de Wantuir no CD, continuou a não me agradar. Seu refrão principal tem uma ótima sacada na letra com o enredo, apesar de errar, pois diz que falta a vitória para completar a Unidos da Tijuca, porém a escola já tem um título em 1936. A melodia é mais ou menos. A primeira parte não tem nada de especial, é normal. O refrão central pode se dizer que é a melhor parte do samba, muito boa, apesar de ser confundida o pérolas: "A mulher do olho azul é minha luz". A segunda parte também não tem nada de especial, só na parte "Paços de nossos ancestrais / Traços de mestres imortais", que o samba realmente agrada. É um samba que não agrada, porém também não me chateia. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Vitor Ferreira).

Está se tornando insuportável esse apelo da Unidos por um título na letra do samba. Será que os setores da escola não vêem que isso não comove à ninguém? Pra além disso, o samba é inteligente, pois encampou bem a idéia do carnavalesco de contar um pouco da história da escola dentro do enredo. A cacofonia “coleciona na avenida”, todavia, é imperdoável, apesar de a escola já haver sido campeã com “Hoje a Tijuca canta”. Enfim, é um samba mediano, que se salva muito mais pela interpretação do excelente Wantuir do que pelo conjunto da obra em si. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Cláudio Carvalho).

Tecnicamente, o melhor samba do Grupo Especial 2008, por não apresentar falha notável. A letra segue a cronologia pedida pela sinopse, diferentemente do grande samba da Porto da Pedra. A obra tambem não possui clichês ou repetição de uma mesma palavra como no sambão da Portela. E para felicidade geral: não houve alteração de estrofe para ferir a métrica como acontecu no lindo samba da Grande Rio. E além do mais, o sambão da agremiação do Borel é todo maravilhoso, não há o que discutir. A letra é caprichosamente bem feita, extraindo com inteligência o enredo sobre coleções. Possui melodia leve, inesquecível, dotada de variações surpreendentes principalmente na segunda parte do samba. Os refrões são de arrepiar até a alma. O sambista uni-tijucano terá para todo sempre orgulho de entoar "o teu manto é minha proteção/amuleto ouro e azul/é minha luz". Não se trata de ser um apelo emocional pois esse refrão central faz parte do tema. Já o refrão principal "Dá um show Tijuca/outra nota dez para colecionar" é de uma pegada fantástica. Enfim, o sambão dos compositores Júlio Alves, Sereno, Beto Lima, Paulo Rios e Sóstenes foi muito bem escolhido. A maioria dos sambistas preferiam o samba "1+1'' (em 2108 ainda vão falar muito nele) que na minha visão é diferente, mas tecnicamente inferior ao escolhido. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Luiz Carlos Rosa).

A Tijuca, que trouxe um bom samba em 2007, decepcionou em 2008 com um refrão muito apelativo pra chamar o pessoal na Sapucaí. Total: um dos piores do ano. Só perde pra Viradouro... NOTA DO SAMBA: 7,9 (Luiz Henrique).

Tem as características dos últimos carnavais da Tijuca, porém inferior ao de 2007. Wantuir consegue impor uma cadência excepcional aos sambas que canta, e este não foge à regra. Empolgado. NOTA DO SAMBA: 9 (Matheus Ávila).

Samba inferior ao da escola em 2007, com refrão apelativo e auto-exaltante ("dá um show Tijuca")... fica na categoria dos medianos. NOTA DO SAMBA: 8 (Fabio Alves). Clique aqui para ver a letra do samba

5 – VIRADOURO – “Mexa, remexa, sacode a cabeça”. Pra começar, tudo o que tinha pra falar sobre o samba de Gusttavo Clarão consta no Editorial Sambario que escrevi antes do lançamento do CD. Vamos focar apenas o samba-enredo oficial da escola, que mesmo sendo o mais contestado do Grupo Especial, possui um bom apelo popular e tem de tudo para conseguir uma grande passagem na Sapucaí. Como na obra da Unidos da Tijuca, a Viradouro priorizou uma obra com características funcionais, que facilitam a evolução da escola e, principalmente, as alas coreografadas do carnavalesco Paulo Barros. O samba possui uma boa melodia, dois belos refrões, sendo leve e fácil de cantar. Mas talvez a melodia seja um contraste à letra, que apresenta uma série de trechos um tanto esquisitos como o “mexa, remexa, sacode a cabeça”, “vou no fricote, dou-lhe um beijo no cangote” e “eu sou sincero, com esses seres eu me pelo / De vassoura ou de chinelo...”. Também há a polêmica do verso “Peguei um Ita no Norte, gostei tive sorte, e Kizombei” em que o enredo do Salgueiro para 1993 é citado antes da Kizomba da Vila apresentado cinco anos antes. Mas isso é de menos... No mais, a melodia acaba valorizando o tão contestado samba-enredo, bem defendido por Nêgo (mesmo este não tão acostumado a defender obras funcionais), que tem no encerramento de sua faixa um dos mais cômicos momentos da história dos álbuns do gênero: os lobos uivando ao som da bateria do Mestre Ciça. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Marco Maciel).

O samba da escola não é tão ruim como estão pintando. Evidente que sua vitória, numa eliminatória que tinha o belíssimo samba de Gusttavo Clarão, acaba atraindo uma antipatia indireta – algo parecido com o que aconteceu com o samba de 2006 da Grande Rio. A primeira parte é bem leve, gostosa de cantar e lembra os sambas mais levinhos dos anos 80 e 90. Infelizmente, a direção da escola fez a alteração de letra mais esdrúxula da história do carnaval carioca – ao trocar o “sacode a madeixa”, para “sacode a cabeça”, deu origem ao verso mais absurdo e trash do ano. O samba continua divertido, até se perder totalmente no final da segunda parte, em especial quando trata dos antigos carnavais. Mas o samba começa a “travar” um pouco antes, no “na tela, uma cena de terror”. A melodia não consegue manter o interesse a partir daí. O refrão principal é interessante e levanta o samba de novo. Acho que falta uma voz mais leve do que a de Nêgo para este samba. A verdade é que o samba não é ruim, mas a audição é estranha. Acho que o xis da questão está aí – a faixa não tem cara de Viradouro. NOTA DO SAMBA: 7,6 (João Marcos).

Da forma mais assustadora possível, no período pré-carnavalesco de 2008, a Viradouro deu o maior espetáculo de mediocridade e ignorância que uma escola de samba jamais poderia ter dado em sua história ao eliminar logo de cara um dos melhores sambas-enredo de toda a sua trajetória no carnaval carioca, de autoria do sempre inspirado Gusttavo Clarão, o que gerou um festival de lágrimas nos fóruns de carnaval da internet. Até o próprio Paulo Barros se revoltou contra a eliminação. Mas o fato é que o samba do Clarão foi brutalmente preterido por esta marchinha, que não conta o tema abordado pela escola, não passando de um amontoado de termos inacreditavelmente trashes. A letra é tenebrosa, tão coloquial ao enredo que chega a citar o nome das fantasias e alegorias que seriam apresentadas no dia do desfile pela escola, algo que nem a sinopse de Paulo Barros faz. A melodia beira a tosquice tamanha aberração presente em inúmeros momentos do samba. Os refrões são potentes e o samba é gostoso de cantar. Contudo, de resto, só mesmo a voz de Nego salva. NOTA DO SAMBA: 7 (Gabriel Carin).

É, o que podemos dizer? Um samba médio, mas muito criticado. Com certeza é por causa do samba de Clarão, que era infinitamente superior a esse. Outra coisa que também não ajuda é a saída de Dominguinhos do Estácio da Viradouro, apesar de Nêgo não ser tão ruim (mas também não é grande coisa). O refrão principal é o ponto forte do samba, chama o povo pra cantar. A primeira parte não tem nada de especial, com todas as partes. O refrão central é médio, muito aclamado pelo povo sambista, mas não me impressiona. A segunda parte é muito boa em melodia, mas é estranho ouvir sobre os carnavais, que começa de trás pra frente: primeiro vem Ita antes de Kizomba. Um samba ótimo em melodia, mas muito precário em letra. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Vitor Ferreira).

O samba mais polêmico do ano, não pela sua qualidade, mas por toda a polêmica gerada em torno da disputa que resultou em sua escolha, polêmica essa que pode ter sido responsável pela aposentadoria de Dominguinhos do Estácio como primeiro-intérprete do Grupo Especial. Dizem as más línguas que ele e Gustavo Clarão tiveram seu samba preterido porque a parceria campeã estaria mancomunada com um candidato a vereador pelo município de Niterói em 2008. Sobre isso só se pode especular. O que podemos afirmar, com certeza, é que o samba que venceu é uma colcha de retalhos dos antigos sucessos citados na sinopse, emendados por versos cheios de notas longas, que chegam a ser irritantes. A bateria do Mestre Ciça e o meu amigo Nêgo, que jurou sair do Império apenas se fosse expulso de lá, vão ter de se desdobrar para segurar a cadência na avenida. NOTA DO SAMBA: 8,9 (Cláudio Carvalho).

A maior sacanagem das eliminatórias de sambas em 2008 aconteceu na vermelho e branco de Niterói. O sambaço de Gusttavo Clarão e parceiros, que seria um dos melhores sambas desta primeira década do século XXI, foi eliminado sem dó e sem piedade. A prematura e injusta eliminação (ocorrera muito antes da semifinal) deixou o compositor extremamente irritado. Segundo fontes, a bélissima obra foi preterida por motivo político. Pense comigo, amigo??? Imagine quantos sambaços tiveram o mesmo destino da obra-prima de Clarão e cia? Outro fato marcante foi a saída de Dominguinhos do Estácio após mais de uma década como interprete oficial da Viradouro. Rapidamente, o interprete Nêgo ocupou o lugar e até levou bem o fraco sambinha da parceria vitoriosa de PC Portugal. Tirando os refrões que são muito bons e a melodia que é agradável, a letra é um verdadeiro pé-no-saco de tão ruim tecnicamente. Tanto que na estrofe final a cronologia dos desfiles mencionados (Kizomba 1988, Ratos e Urubus 1989 e Ita 1993) foi para o espaço. É evidente que a sinopse em forma de poema não ajudou, mas taí o diferencial. Enquanto a maioria das parcerias embarcaram na canoa furada, a turma do Clarão chutou a tenebrosa sinopse pro alto. É por isso que digo: é melhor ser VIÚVA do Clarão do que ser AMANTE deste sambinha. NOTA DO SAMBA: 7,1 (Luiz Carlos Rosa).

Um dos sambas mais criticados do ano e com razão. É disparado o pior do ano. O samba vai bem na primeira parte, decai no refrão inicial, no início da segunda parte pro final acaba sendo um samba horrível, nada a ver com o enredo. Pior ainda é o final que não tem nenhuma poesia. Na voz de Nêgo sai forçado o verso ”Peguei o Ita no Norte, gostei tive sorte, e kizombei / Mesmo proibido, desfilei”. E também desperdiçou um belo samba de Gusttavo Clarão que também era ruim, mas era melhor e podia se dar bem na avenida. NOTA DO SAMBA: 5,6 (Luiz Henrique).

A letra até engana, tem passagens interessantes e criativas, mas a melodia deixa um pouco a desejar. E convenhamos, Nêgo (que sem dúvida é um grande intérprete) destruiu o samba. Pula-faixa total. NOTA DO SAMBA: 7,8 (Matheus Ávila).

Insuportável, tanto na letra quanto na melodia. Péssima gravação de Nego. Sem dúvida o pior do ano. NOTA DO SAMBA: 3 (Fabio Alves). Clique aqui para ver a letra do samba

6 – VILA ISABELEu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. A fusão realizada pela Vila foi um dos mais polêmicos atos do carnaval 2008. Acabou que a grande maioria dos versos pertence à obra da parceria de André Diniz. Já os escassos versos inclusos de Dedé Aguiar – entre eles o refrão central – tiveram modificações em suas letras. A explicação mais coerente para tal ato na Vila é resumida numa palavra: politicagem. Mas o resultado final não foi tão desastroso como muitos profetizaram ou ainda estão profetizando. O trecho mais contestado do samba-enredo (ou “Frankenstein” como tantos andam tachando) é a passagem do fim da primeira parte para o refrão central que, na minha opinião, ficou bem resolvida, muito em função da excelente gravação de Tinga. E o andamento do samba é o mais lírico do CD, sendo entoado de forma bastante cadenciada. As cordas também aparecem muito bem na faixa, principalmente no seu início e no encerramento, marcada pelo canto de torcida “Sou Brasileiro”, com uma voz anunciando “Trabalhadores do Brasil, a luta continua”. Um tanto dispensável, mas um pouco mais aceitável que o “Festa do Interior” do titio Ivo. NOTA DO SAMBA: 8,9 (Marco Maciel).

Poucas vezes vi um erro tão absurdo numa escolha de samba. A fusão da obra de Bocão, Diniz e cia. com a de Dedé e cia. só pode ser explicada pela política interna da escola. Evidentemente, os dois sambas tinham problemas graves. O do Diniz, p.ex., caía absurdamente de produção a partir da segunda parte. O de Dedé era bem mais fraco em letra. A intenção foi boa – tirar a parte ruim do samba do Diniz e dar uma vitória para a garotada. Só que a fusão ficou deficiente por uma razão muito simples – os dois sambas tinham linhas melódicas muito diferentes. A fusão ficou forçada e artificial. O samba do Diniz tinha um planejamento melódico para explodir no refrão do meio, que era a conseqüência lógica da primeira parte. Ao cortar o refrão do Diniz, o samba se perde. O refrão do samba do Dedé não se encaixou de jeito nenhum. Com a fusão, a parte “Avante, trabalhadores de Vila Isabel”, que era o ponto de mais força (apesar de não ser o melhor trecho), perdeu impacto. A coisa ficou muito esquisita e, mesmo com toda a maquiagem da produção, continua mal feita. Acho que faltou peito para a parceria do Diniz, que foi a grande campeã (afinal, 80% do samba é deles), impedir essa verdadeira dilaceração de seu trabalho artístico. O resultado final é um samba de melodia extremamente confusa e mal resolvida. A letra também é muito fraca, com trechos embolados numa falsa poesia. Que alguém me explique o seguinte: “Cansado de ter nos ombros / Descanso do senhor, ecoou... / Que o brasileiro tem o seu valor!” Que significa isto? Simplesmente, não tem sentido. Logo em seguida, os versos estão soltos, sem qualquer ligação: “E a imigração cruzou o azul do mar / Em nosso campo ver a vida melhorar”. Enfim, o samba é uma catástrofe em todos os sentidos e grande parte desta catástrofe é culpa das cabeças que fizeram essa fusão esdrúxula. E o pior é que a Vila Isabel tinha cinco sambas que poderiam representar bem melhor a escola, mesmo não tendo nenhuma obra prima. Esta fusão dói nos ouvidos de tão inacreditável. NOTA DO SAMBA: 5,9 (João Marcos).

Eis um samba difícil de comentar. Isso porque ele não nasceu ruim – perdeu suas qualidades graças a uma fusão estapafúrdia entre uma marcha em tom maior (de André Diniz e cia.) e um samba pesadíssimo (de Dedé Aguiar e cia.). Originalmente, ambos os sambas eram ótimos, no entanto a diretoria da Vila Isabel, num ato de ignorância inexplicável, decidiu fundir as obras, surgindo assim este terrível Frankenstein. A inclusão do refrão central do samba do Dedé na fusão é um equívoco absurdo, uma vez que ele, em tom maior, quebra por completo a melodia da primeira parte, que aparentemente preparava um refrão em menor, mais impactante. A partir daí, o hino segue extremamente pesado até que volta a ser do Diniz, no verso "Avante trabalhadores do Brasil", no qual o samba muda consecutivamente para um tom maior, quebrando outra vez sua corrente melódica. Eu confesso que fico triste ao dar uma nota baixa a este samba, já que ele está repleto de bons momentos, porém sua fusão é precária e sou obrigado a assumir que a dor maior veio nas eliminatórias, ao ver os sambaços do Martinho, Mart'nália e Prof. Newtão serem cortados descaradamente. O pior do ano, inegavelmente. NOTA DO SAMBA: 6,2 (Gabriel Carin).

O que falar? Não sei bem responder. A escola poderia ter vindo com o melhor samba do ano, mas fazer o que? Tinha o samba da Mart´nália, com cara de anos 70, era muito bom, Estandarte de Ouro na certa. Esse samba é uma fusão mal feita. Os dois sambas que deram origem a essa fusão eram muito melhores. O refrão principal é ruim, muito ruim. A primeira parte é a única que realmente é boa, a melhor do samba, principalmente pelo trecho "A resistência mudou de cor e renasceu / Com a força e a fé do negro". O refrão central é um pouco superior ao principal, mas não muito. A segunda parte é ruim, como todo o resto do samba. O pior do ano, principalmente se levarmos em consideração aos sambas que estavam nas eliminatórias. NOTA DO SAMBA: 8,4 (Vitor Ferreira).

O exemplo vivo de como dois sambas podem não resultar em um bom. Havemos de convir que a escola de Noel não merecia um boi com abóbora dessa natureza. Além de discrepantes, os dois hinos que deram origem ao dito “samba mediano” são fracos. O resultado é uma obra com letra pobre, cheia de clichês, e melodia arrastada, repleta de notas por demais alongadas. Pra piorar tudo, o enredo batido sobre Trabalhadores do Brasil. Sinceramente, não entendo como, a essa altura do século XXI, ainda se possa idolatrar figuras como Getúlio. Só se for por muito dinheiro mesmo, o que não parece ser o caso. NOTA DO SAMBA: 8 (Cláudio Carvalho).

Primeira agremiação a definir samba no Grupo Especial em 2008, a Vila tinha tudo nas mãos para manter a tradição de fabricar obra-prima em ano bissexto. A diretoria acertou ao inscrever apenas nove sambas para obter um excelente nível técnico. Analisados, os sambas foram cortados um a um até envolver os cincos favoritos: Diniz, Dedé Aguiar, Martinho, Mart'nália e Prof. Newtão. Os três últimos foram eliminados e a final acabou ficando por conta das parcerias de Diniz e Dedé. Inesperadamente, a diretoria optou por uma junção desnecessária. O pior disso tudo é a maneira em que o samba fora construído.Totalmente mal elaborado, com versos sem nexos e falhas perceptíveis na melodia. O belo refrão principal da parceria de Dedé Aguiar ficou de fora assim como o bom refrão do meio de Diniz e cia. E o andamento do samba está tão lento quanto a versão demo. Não chega a ser um sambinha, mas a diretoria errou feio na montagem desse Frankenstein, como ficou conhecido. NOTA DO SAMBA: 7,6 (Luiz Carlos Rosa).

A fusão de dois sambas de enredo na Vila foi ruim. O samba do André e cia ficaria melhor se fosse completo ou se pelo menos tivesse o refrão do meio como disse o João Marcos a respeito do trecho "ecoou...", em que o samba se perde. A Vila merece coisa melhor. NOTA DO SAMBA: 7,1 (Luiz Henrique).

Fizeram uma lambança sem fundamento juntando dois sambas de características diferentes. Não tinha como sair coisa boa. A obra se arrasta em diversos momentos e não possui bons refrões. NOTA DO SAMBA: 8 (Matheus Ávila).

Burocrático samba para um enredo burocrático. Cheio de clichês, deixa a desejar na melodia e na letra. NOTA DO SAMBA: 5 (Fabio Alves). Clique aqui para ver a letra do samba

7 – SALGUEIRO“Será? Ai, ai, ai... ai, ai ai”. Antes de mais nada, quero relatar que meu comentário no Editorial Sambario sobre o samba salgueirense antes do lançamento do CD foi mal interpretado. Quando eu disse que o samba-enredo era em tom maior, quis dizer que seu estilo é animado, todo “pra cima”, de alto astral. Escolhi o termo “tom maior” para especificar minha idéia e acabei recebendo algumas críticas, a mais relevante do próprio autor do samba-enredo Dudu Botelho. Tudo bem, Dudu, só não precisava colocar sua crítica em público para que alguns salgueirenses mais fervorosos, ainda chateados com o SAMBARIO pela má avaliação feita por alguns comentaristas ao samba de 2007, renovassem sua munição... O polêmico “tom maior” do meu editorial também foi influenciado e muito pela atuação de Serginho do Porto na versão demo do samba-enredo, que entoa o samba num tom muito acima do adotado por Quinho na gravação oficial. Quinho, aliás, é um caso a parte. É impressionante a sua evolução na gravação do CD com relação ao registro de “Candaces”, com o irreverente intérprete estando nitidamente mais à vontade com esta obra que mistura poesia com animação. Se o samba de 2008 lembra por alguns momentos os hinos pós-Ita em função da melodia animada, em outros aparece uma poesia que há algum tempo não se via em um samba salgueirense. Possui dois belíssimos refrões, com relevantes variações na melodia (cujo melhor momento se encontra na mescla de tons menores e maiores na segunda parte). Na excelente atuação de Quinho na gravação, as partes em tom menor do samba, presentes principalmente na segunda parte, são perceptíveis perfeitamente, o que a atuação “gritada” de Serginho do Porto na versão demo das eliminatórias fez com que eu expusesse minha opinião daquela maneira. Falei ao abrir aquele editorial que era um tanto arriscado tecer uma opinião antes do lançamento do CD e de conhecer as gravações oficiais. Daí tanto estardalhaço... Quanto ao cômico “ai, ai, ai” de Quinho, o novo integrante da vasta coleção de cacos do intérprete, diz ele que foi criado em homenagem à sua neta, que vive dizendo “ai, ai, ai” em tom de brincadeira. Certamente outro momento cômico do CD!  NOTA DO SAMBA: 9,2 (Marco Maciel).

Agora, vamos para o comentário mais aguardado do ano... Bem, o samba de 2008 não é, nem de longe, a catástrofe que foi “Candaces”. É um samba correto, adequado para o enredo e para a proposta de desfile. É um samba feito para funcionar, para render bem na voz do Quinho e facilitar o canto da escola. E, levando em conta estes aspectos, é um sucesso. O melhor momento é o bom refrão do meio. Entretanto, a melodia é extremamente linear. Só para esclarecer – melodia é diferente de tonalidade. O samba pode mudar de menor para maior quinhentas vezes, mas o tema melódico do samba do Salgueiro é frágil e tem poucas variações. A culpa, na minha opinião, é dos versos um pouco longos. Tecnicamente, não há falhas de métrica, mas a letra muito explicadinha atrapalhou na confecção da melodia. Tente assobiar o samba da Grande Rio e o do Salgueiro e você vai entender o que eu estou falando. A única sacada do samba não foi bem interpretada pelo Quinho, que é o verso “chega a família real, dando um charme especial”. O resultado é um samba que tem, mais ou menos, o mesmo nível do samba da escola de 2006. Acredito que o samba deve, inclusive, repetir o samba de 2006 com relação à queda de rendimento na segunda parte. Enfim, é razoável, mas ficou bem claro nos fóruns de carnaval que provocou certa decepção. A obra não teve grande apoio nem na “zona de influência” da parceria. A escola parece querer mudar seu estilo de fazer sambas, mas não sabe ainda muito bem o que fazer e como fazer. Parece viver um momento de transição do pós-Ita para uma nova fase que ainda não chegou. Enquanto isso, fiquemos com este samba, que é divertidinho. NOTA DO SAMBA: 7,9 (João Marcos).

Depois de realizar o mais deslumbrante desfile de 2007, o Salgueiro mais uma vez demonstra uma preocupação maior em reviver a atmosfera tradicional dos antigos carnavais que com o uso do já decadente estilo high-tech do carnavalesco Renato Lage em seu desfile. O samba de 2008 possui um tom de empolgação inegável, incrementado por uma atuação soberba de Quinho no CD, apesar de deixar claro que possui uma estrutura completamente distinta das marchinhas pós-Ita dos anos 90. A letra é poética e explora o enredo com uma sagacidade invejável. Porém, a melodia é instável e, com exceção ao belo refrão central e ao extasiante trecho “Chega a Família Real/Dando um charme especial”, quando o samba sai do lógico a fim de impactar o ouvinte, peca pela sua falta de variedade. A obra carece de vigor e, ao mesmo tempo, de alguma jovialidade de fato permanente. Trata-se de um samba irrelevante na história do Salgueiro, autor de clássicos como "Quilombo dos Palmares", "Chico Rei" ou "Peguei um Ita no Norte". É um mero samba-trivial, usual para qualquer hora. NOTA DO SAMBA: 7,8 (Gabriel Carin).

"Será! Aiaiaiaiaiai", palavras de Quinho. Um bom samba, um pouco inferior ao do ano passado. Esse samba era o melhor das eliminatórias, o Salgueiro fez bem em escolhê-lo. A primeira parte é muito boa, apesar de não ter nada de especial. O refrão central também é uma parte muito boa, mas não me agrada tanto assim. A segunda parte é a melhor. O refrão principal é bem qualificado, apesar deste estilo já ter passado na Sapucaí uma centena de vezes. Um bom samba, apesar de não ter nada de especial. Essa canção é a mais animada do ano, acredito que este samba vai passar muito bem na Sapucaí. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Vitor Ferreira).

SERÁ??? AI, AI, AI!!! AI, AI, AI!!! Samba muito explicadinho não tem vez na Academia. O negócio lá é segurar no refrão e tocar pra frente. Dudu Botelho e seus parceiros parecem ter entendido o recado direitinho, e fizeram isso com precisão em 2008. O refrão do meio é o melhor do ano, e o samba de letra fácil e fraseado solto (tipicamente carioca) é cheio de tiradas inteligentes, como “um rio de amor vai desaguar” e “meus versos vem no Tom da poesia”. Pelo terceiro ano consecutivo, o Salgueiro vem com um bom samba para o carnaval. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Cláudio Carvalho).

É do tipo de samba que me causa estranheza. Não é belíssimo, mas tambem não é ruim. Genuínamente é uma obra mediana. Parece que falta algo. É sem alma, sem brios, sem... sal (desculpe o trocadilho). Acho que a melodia é muito fria principalmente na primeira parte. Já a letra é bem descritiva e conta o tema com extremo cuidado, pois é dificil falar do Rio em poucos versos. Gosto demais dos refrões, que são o ponto positivo da obra. E Quinho deu um show na gravação valorizando esse "oba-oba" bem light. Sinceramente, é um samba muito inferior ao "Candaces". NOTA DO SAMBA: 8,1 (Luiz Carlos Rosa).

O bom samba do Salgueiro tem uma boa melodia e uma letra trash tentando repetir o efeito Ita, mas é um bom samba. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Luiz Henrique).

Embora, pra mim, não fosse o melhor das eliminatórias, sem dúvida é empolgado, como deve ser um samba do Salgueiro (obviamente na fase pós-Ita). Tem um refrão forte e pra cima, porém não entendo por que tamanha queda na cadência ao final do segundo: "tiro onda do meu jeito, minha vida é o carnaval", creio que ficaria bem melhor se o Quinho subisse o tom neste trecho. NOTA DO SAMBA: 9 (Matheus Ávila).

Mais uma marcha bem-feita que tenta a receita do Explode Coração, de quinze anos atrás. Refrão fraco, começo idem. Refrão do meio razoável ('eu sou o rei da boemia"...), apesar de semi-marcheado. Segunda parte boa, mas isolada do conjunto, que é sofrível. NOTA DO SAMBA: 6 (Fabio Alves). Clique aqui para ver a letra do samba

8 – PORTELA – “Eu sou a água, sou a Terra, sou o mar”. Um samba que condiz com a história portelense, marcada pelo lirismo de seus sambas. A obra de 2008 apresenta um conjunto melódico louvável, mesmo com o enredo genérico e com a sua definição em última hora, o que motivou eliminatórias meteóricas. Aos jovens Diogo Nogueira (filho do mestre João) e Ciraninho se juntaram o experiente Ari do Cavaco e o presidente da ala de compositores Júnior Scafura, além do também experiente Celsinho de Andrade, que já estava na parceria campeã em 2007. A letra do samba por sua vez é simples, mas totalmente compensada pela linda melodia presente em todas as partes. Embora a interpretação de Gilsinho no CD seja inferior a de Wantuir na época das eliminatórias, ainda assim a faixa do CD é formidável. Lindo samba, dispensa comentários mais técnicos. Basta ouvi-lo apenas uma vez para se apaixonar por esta obra já na primeira audição. Foi o que ocorreu comigo! NOTA DO SAMBA: 9,7 (Marco Maciel).

A escola, assim como a Beija-Flor, encontrou sua forma de fazer samba. Mesmo com a vitória de parcerias diferentes, os sambas portelenses vêm mostrando uma personalidade facilmente identificável. Os quatro últimos sambas da escola não desejam ser resumos de sinopse, porém passam claramente o enredo. A melodia não tem pegada - é apenas leve e bem resolvida. Nada de refrões “arrasa-quarteirão”. É tudo muito bem construído e funciona muito bem o tempo todo. O samba deste ano segue o mesmo caminho. É um pouquinho inferior ao de 2007 – o refrão de cabeça é menos inspirado melodicamente e repete o esquema do “sou..., sou..., sou...”. A entrada da primeira parte é lindíssima. O refrão do meio é extremamente poético, como o de 2006, só que um pouco mais forte. A letra do samba é que exagera um pouco na simplicidade, com soluções um tanto pobres em alguns momentos e alguns clichês que destoam do todo do samba, como em “é hora de darmos as mãos” e “a palavra é união”. É uma bela obra, deve funcionar muito bem. NOTA DO SAMBA: 8,8 (João Marcos).

Mais um grandioso samba, novamente assinado por Diogo Nogueira, tal como o hino de 2007. Aliás, o compositor, a que tudo indica, vem apontando um futuro certamente próspero à Portela, já que ele, diga-se de passagem, soube herdar com muita convicção o talento e o carisma de seu pai. O enredo, apesar de árido e ter um desconfortável sabor de “politicamente correto”, foi muito bem explorado pelos compositores durante as eliminatórias. O hino portelense de 2008 é intensamente agradável aos ouvidos, muito embora tenha perdido músculos na voz de Gilsinho em comparação à versão entoada por Wantuir durante as eliminatórias. A letra conta o enredo com discernimento e categoria. Os refrões, ao contrário do que dizem, são muito fortes. A melodia é encantadora, apesar de possuir um diferencial interessante em relação à de 2007 – prioriza mais o impacto, através de algumas subidas e descidas melódicas inesperadas, que a suavidade, a qual fazia a obra do ano anterior ter uma maior fluência. Sambaço! NOTA DO SAMBA: 9,4 (Gabriel Carin).

O terceiro melhor samba do ano. Geralmente sambas desse estilo eu não gosto, mas esse eu gostei. Apesar d'eu achar que nas eliminatórias havia sambas melhores. Algumas pessoas acham que Diogo Nogueira tem o mesmo talento do pai, mas discordo, acho que nunca mais haverá um compositor como João Nogueira. Acredito que esse samba era muito melhor na voz de Wantuir, pois não simpatizo com Gilsinho. Falando do samba: o refrão principal é o que chama as pessoas pra cantar, refrão fortíssimo. A primeira parte é boa como o resto do samba. O refrão central também é de excelente qualidade. A segunda parte é a melhor do samba, falando pra darmos atenção na natureza. Enfim, depois de muitos anos a Portela vem com um ótimo samba (na minha opinião). NOTA DO SAMBA: 9,8 (Vitor Ferreira).

O melhor do CD, seríssimo candidato ao Estandarte de Ouro. Diogo Nogueira vem fazendo jus ao sobrenome, e pelo segundo ano consecutivo agracia aos portelenses com uma bela obra. Diferente da anterior, essa traz uma melodia valente, em tom maior, embora a letra mantenha-se fiel ao estilo que vem se tornando marca na escola: é enxuta e fácil de gravar. Há quem a julgue pobre, com frases por demais simplórias. Prefiro enxergar nela um estímulo ao canto de uma agremiação cujo chão dispensa comentários. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Cláudio Carvalho).

Teve fusão na Portela!!! Calma, calma, deixa eu explicar!!! São os compositores da parceria de Diogo Nogueira (vitoriosa de 2007) mais o experiente Ari do Cavaco e Junior Escafura (vencedores do samba de 2006) que se uniram para fazer o belo samba portelense de 2008. Assim como o sambaço da Grande Rio, o ponto forte da obra é a melodia, dotada de ricas variações, principalmente na primeira parte. O refrão central "É o rio que corre a caminho do mar..." é de uma beleza infindável tanto em melodia como em letra. E por falar na letra, apesar de simplória, é bem descritiva. Há até mensagens subliminares, que fazem transparecer que a Águia precisa de união para voltar a ser campeoníssima. Versos como "É hora de darmos as mãos" e "a palavra é união/pra reconstruir o nosso lar" não estão no samba só para adornar a obra. A única ressalva que faço nesta bela composição é a repetição de palavras "funcionais". Exemplifico: "minha Águia", "passarela", "Oswaldo Cruz e Madureira", "o homem...", "Sou isso, Sou aquilo, Sou Portela" são palavras que constam no samba de 2007. Sem esquecer tambem da palavra "Brasil", coincidentemente presente desde 2006. Pode ser até asneira da minha parte, mas fica um gostinho de "já vi este filme antes". E este recurso funcional fez com que eu mudasse de idéia na hora de escolher o melhor samba de 2008. Não poderia ser injusto com os sambas da Tijuca e Grande Rio. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Luiz Carlos Rosa).

Gilsinho não é um grande intérprete, mas se dá bem no samba da Portela que é muito bom, principalmente no começo da primeira parte e na segunda. A escola, depois dos sambas ruins de 2006 e 2007, em 2008 traz um samba da sua cara. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Luiz Henrique).

Samba de boa qualidade, apesar da pobreza do tema. Evidentemente tem o estilo do samba de 2007, pela repetição da autoria, que conseguiu resolver bem um enredo tão fraco quanto este da Portela. Parece que o samba perdeu força com o Gilsinho. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Matheus Ávila).

O segundo melhor do ano. Excelente melodia, letra com alguns clichês, que impedem que o samba se transforme em obra-prima. NOTA DO SAMBA: 9 (Fabio Alves). Clique aqui para ver a letra do samba

9 – IMPERATRIZ – “Ou ficam todos ou todos se vão”. O melhor samba do ano, e também a melhor gravação do CD (pelo segundo ano seguido, Preto Jóia na cabeça). O intérprete, estranhamente, vem sendo muito contestado pelos torcedores da Imperatriz, que alegam que o experiente intérprete não passa por uma de suas melhores fases. Ao menos no disco, o puxador, cuja malandragem e carisma são suas grandes características, dá o show de sempre. Não tem essa do cara tentar alcançar os agudos quase inatingíveis de Luizinho Andanças na época em que este defendeu o samba nas eliminatórias, Preto Jóia mandou bem ao seu estilo e pronto! Sobre o samba-enredo, lembra muito os compostos pela escola nos áureos anos 90 com letra bem construída e melodia melhor ainda, sobretudo na segunda parte. O refrão central é bastante diferenciado, tem uma estrutura pouco vista nos sambas atuais que é a cadência diferente dos versos de uma passada pra outra. No principal, é inevitável a comparação do “Vem brincar nesse trem, amor” com “Batam palmas, ela já chegou” cantado pela Caprichosos em 2004. Mas vide o caso da Beija-Flor: repetições de melodias de samba-enredo anteriores são inevitáveis. Como será um enredo mais tradicional, vamos torcer para que Rosa Magalhães volte a colocar a Imperatriz no ápice após os dois últimos e desastrosos desfiles. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Marco Maciel).

É oficial – Preto Jóia é o Quinho de 2008. Sim, fizeram uma onda danada em cima deste samba durante as eliminatórias, o samba foi escolhido, gravado e aí é que se percebe – tem alguma coisa errada... De quem é a culpa? Do intérprete, é claro. O problema é que, desta vez, pegaram, para Cristo, um craque, com Estandarte de Ouro e vários campeonatos nas costas. E o que Preto Jóia fez? Simplesmente, interpretou com personalidade. Mais do que isso, conseguiu tornar cantável a dificílima segunda parte do samba – basta ver que nem o Andanças, na gravação das eliminatórias, conseguia ter extensão vocal suficiente para cantar aquele começo da segunda, que era jogada para o coral e ficava totalmente embolado. O samba tem qualidade, evidentemente - a letra é ótima, tem belas sacadas e a melodia é ousada, dá um clima romântico à faixa. Mas não se pode varrer os problemas para debaixo do tapete – e eles começam no refrão principal, que tem uma incômoda semelhança com o do samba da Xuxa (Caprichosos 2004). A segunda parte é muito mal resolvida melodicamente, e só se recupera no verso “o tempo passou, irão se casar (...)”. O samba chama a atenção por ser diferente do resto, um pouco mais ousado, mas não é o melhor da safra de jeito nenhum. NOTA DO SAMBA: 8,5 (João Marcos).

O samba de Josimar e cia., ainda tão exaltado, aclamado e reverenciado pelos sambistas nos fóruns de carnaval da internet, na minha opinião, não era o melhor da escola, sendo inferior ao das parcerias de Armênio e de Alexandre D’Mendes. Porém, ainda se trata de um belo samba, que tinha tudo para ser considerado um dos melhores do ano. A letra é intensamente poética, infestada de sacadas geniais dos compositores, como no trecho “Será também nome de trem/Que passa em Ramos, a nossa estação/Onde imperam Marias e Joãos”. A melodia possui um ar vibrante, tendo a clara intenção de emocionar o ouvinte. O refrão central é magnífico. Contudo, na hora de levar uma nota alta, os compositores acabaram metendo os pés pelas mãos e colocaram um refrão de cabeça melodicamente idêntico ao do pavoroso samba da Caprichosos de 2004, sobre a Xuxa. Esse defeito é grave e acaba comprometendo, no entanto ainda é um belo samba. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Gabriel Carin).

Chegamos ao ponto principal do CD, o melhor samba do ano. São quatro sambas excelentes seguidos (Salgueiro, Portela, Imperatriz e Porto da Pedra). Um samba que era muito melhor na época de eliminatórias, já que Preto Jóia não teve uma grande atuação no CD. Muita gente diz que o primeiro verso do refrão principal é um plágio do da Caprichosos de 2004, o que não concordo. A primeira parte é muito boa, de excelente agrado, porém a parte menos ótima do samba. O refrão central é muito bom, excelente. A segunda parte é a melhor do samba, quando fala dos casamentos, o samba explode, e sacode ainda mais quando fala dos trens. O refrão principal é de intenso agrado, chamando o componente pra cantar. Lindo samba, um ingrediente a mais pra Imperatriz sair da seca. NOTA DO SAMBA: 10 (Vitor Ferreira).

Depois de dois anos de sambas fracos, a escola de Ramos faz as pazes com o bom gosto. Samba bem cadenciado, que passa a mensagem de forma simplória, como deve ser. Em determinados momentos, evoca a história da própria Imperatriz e do bairro de Ramos, mexendo com os brios da comunidade, tida por muitos como pouco envolvida com a escola. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Cláudio Carvalho).

Badaladíssimo em foruns de carnaval espalhados pela internet, o ótimo samba da Imperatriz Leopoldinense possui letra simples mas bem elaborada. Logicamente a fácil linguagem da sinopse ajudou os compositores na construção e entendimento da obra. Já a melodia goza de momentos líricos com variações extremamente interessantes. Só acho que na segunda parte, há uma mudança muito brusca, exatamente nos versos "vieram as Marias/toda a fidalguia/D.João/o tempo passou/irão se casar". Parece um carro quando sobe lentamente a ladeira e depois desce desgovernadamente. O refrão central "Ou ficam todos/ou todos se vão" prima pela inteligência tanto em letra como em melodia. Quanto ao refrão principal "Vem brincar nesse trem, amor" é belíssimo, além de fazer com que o componente da escola cante à plenos pulmões. Infelizmente este mesmo refrão possui um notável equívoco, pois lembra melodicamente o pavoroso sambinha da Caprichosos sobre a Xuxa. Na bolacha digital, mais uma vez Preto Jóia interpreta com bastante competência, embora haja um movimento "Fora PJ", que persiste em denegrir a imagem do cara. Acho uma tremenda babaquice, pois o moço deu muitas alegrias à verde e branco de Ramos. Se não fosse sua interpretação jocosa no samba do "Bacalhau", a escola poderia ter ficado em posição muito pior do que o 9º lugar de 2007. NOTA DO SAMBA: 9 (Luiz Carlos Rosa).

O melhor do ano de forma disparada. A Imperatriz volta a seus enredos tradicionais que lhe fizeram dominar os anos 90. Rosa Magalhães dá aviso que quer colocar a Imperatriz entre as primeiras colocadas e voltar ao Sábado das Campeãs. NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Henrique).

Samba típico da Imperatriz, especialmente aqueles da década passada. Preto Jóia de novo dá banho, transformando esta obra apagada numa animada "historinha da Tia Rosa", descrevendo o enredo quase que didaticamente, mas de forma empolgada. A música em si, tem altos e baixos, mas o gabarito do intérprete nivela pra cima. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Matheus Ávila).

O melhor do ano, letra e melodia inspirada. Refrão do meio ("Au revoir Napoleão") um pouco aquém do resto do samba. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Fabio Alves). Clique aqui para ver a letra do samba

10 – PORTO DA PEDRAQuem foi Manabu? Das artes o pai”. Vendo a fraca sinopse lançada pela Porto, apostar num belo samba seria dar um tiro no pé. E não é que o “Pagode no Maru” gerou o segundo sambão consecutivo para a agremiação de São Gonçalo? A parceria de David de Souza, autora do lindo samba de 2007, conseguiu fazer uma obra versátil, envolvente, com excelentes variações entre tom maior e menor, letra de boa qualidade e, o melhor de tudo, com Luizinho Andanças dando um espetáculo na gravação, valorizando a melodia de cada verso. A cadência do samba no disco está perfeita, ao contrário do ano passado, em que o andamento aceleradíssimo da bateria prejudicou Luizinho e o esplêndido samba-enredo “Preto e Branco a Cores”. Mais uma vez, o Tigre estará bem servido musicalmente. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Marco Maciel).

Samba valorizado pela interpretação muito segura de Luizinho Andanças. É bem construído do ponto de vista melódico, com muitas variações interessantes. As modificações na melodia, cantada em alguns trechos numa oitava superior à da versão das eliminatórias, fez bem ao samba. Os dois refrões, em especial o do meio, são muito fortes e bonitos. A letra, como a de 2007, apela exageradamente ao emocional, mas tem grandes sacadas. A repetição proposital de palavras em algumas partes, como em “vi um gato no mangá, o gato é sorte”, “Vem coração oriental / Vem na era digital”, longe de ser falta de criatividade, é um efeito que fica bonito no samba. O enredo árido tinha tudo para dar num samba trash. Não deu. Em 2008, a Porto da Pedra apresentará o segundo melhor samba de sua história. NOTA DO SAMBA: 8,9 (João Marcos).

Impressionante como, desde 2007, o compositor David de Souza transformou a inexpressiva Porto da Pedra em uma das maiores fontes de grandes sambas-enredo do carnaval carioca. O de 2008, embora relativamente inferior ao primoroso “Preto e branco à cores”, é um exemplo clássico disso. O enredo sobre o centenário da imigração japonesa no Brasil, apesar de bastante incomum, gerou uma obra impactante, de uma magnitude excepcional em quase todos os sentidos, transformando um tema inusitado em um samba intensamente tocante. A letra foi adornada em poesia da forma mais emocional possível, realçando toda a riqueza e imortalidade da cultura japonesa. A melodia possui uma interligação sentimental maravilhosamente bem elaborada com a letra. Os refrões são impecáveis, sendo o de cabeça disparado o melhor do ano. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Gabriel Carin).

O segundo melhor samba do ano, perdendo apenas pro da Imperatriz. O samba é um pouco (pouquíssimo) inferior ao do ano passado. Esta canção é entoada pelo maior intérprete da atualidade, Luizinho Andanças, que deu um banho do CD. A primeira parte é excelente. O refrão central é de grande qualidade, mas não me agrada tanto como no resto do samba. A segunda parte é maravilhosa, porém dá margem a uma pergunta comum em fóruns de carnaval: quem foi Manabú? O refrão principal é de intenso agrado, maravilhoso, um refrão mais à moda antiga: sem muita explosão, mas que que dá força ao lindo samba, que não perde qualidade em nenhum momento. NOTA DO SAMBA: 9,9 (Vitor Ferreira).

Quem foi que disse que Japão não dá samba? Confesso que não sou muito fã do estilo “tenor” de Luizinho Andanças, mas devo admitir que o cara dá conta do recado direitinho. Tem tido a sorte, diga-se de passagem, de interpretar bons sambas na escola de São Gonçalo, como esse de 2008. Os dois refrões são excelentes, de um lirismo sem par no CD. No mais, em que pese o verso “Vi um gato no mangá, o gato é sorte”, o samba é literalmente um show. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Cláudio Carvalho).

Sem desmerecer aos outros compositores concorrentes. Mas para vencer samba na Porto da Pedra terão que desbancar a inspiradíssima parceria bicampeã de David de Souza. Em 2007, a talentosa turma fabricou o fantástico e emocionante "Preto e Branco à Cores", sem dúvida o melhor samba do Tigre de São Gonçalo. Com relação ao samba de 2008, possui letra poética além de contar com sacadas inteligentes como no verso do refrão central "o maru cruzou o mar" e lógico, a inusitada pergunta "Quem foi Manabu? Das artes o pai" prontamente respondida. Já a melodia é dotada de variações relevantes e que certas horas lembram ritmos orientais presentes nas partes "No templo dourado a mãe natureza" até o refrão central, e tambem a partir dos versos "Vai um sushi saborear..." chegando ao belíssimo verso "Japão, o sol nascente brilha em cada um de nós''. E quem disse que não dá pra fazer samba sobre o Japão??? Em 1994, a Cabuçu foi quinta colocada no Grupo A com o enredo "Brajiru, Meu Japão Brasileiro". No carnaval paulistano, a tradicional Vai-Vai conquistou o título em 1998 com o tema "Banzai, Vai-Vai!!!". NOTA DO SAMBA: 9,3 (Luiz Carlos Rosa).

Belo samba! O Japão recebeu uma boa homenagem da Porto da Pedra, que vem crescendo em termos de samba-enredo. Vamos esperar pra ver essa obra no desfile. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Luiz Henrique).

Apesar dos irrefutáveis termos japoneses, é dos meus preferidos. Palmas ao intérprete Luizinho Andanças que fez um belo trabalho com o hino da Porto. Destaque para os dois refrões fortíssimos, e a bela passagem "quem corta o papel, com as mãos do céu, faz do origami, pedaço de paz". NOTA DO SAMBA: 9,5 (Matheus Ávila).

Samba competente, mas carente de vigor. NOTA DO SAMBA: 8,9 (Fabio Alves). Clique aqui para ver a letra do samba

11 – MOCIDADEMinha Mocidade guerreira”. É um samba reverenciado por uns e odiado por outros. Uns consideram o samba maravilhoso pela maravilhosa melodia. Outros têm certeza absoluta que a obra se arrastará na avenida, lembrando que a escola abrirá o desfile de segunda. Eu prefiro levar fé no sucesso deste lindo samba-enredo, que possui trechos melódicos envolventes, ao contrário dos dois sambas anteriores da Mocidade que careciam de momentos de explosão. Alguns debates foram abertos para discutir prováveis erros na letra, como o fato do termo “Sebastiano” não existir; caravelas terem aportado no Rio trazendo a Família Real, sendo que as caravelas não existiam mais naquela época; a repetição do nome da escola no refrão principal além da ausência de rimas neste... Mas a beleza deste samba-enredo compensa qualquer polêmica, Bruno Ribas o defende em grande estilo com uma soberba gravação. Força, Mocidade! Rumo ao topo de novo! NOTA DO SAMBA: 9,6 (Marco Maciel).

A faixa melhor produzida do CD, sem sombra de dúvidas. A produção deu uma sobrevida ao morno samba da escola, encontrando a cadência perfeita, com um arranjo caprichado, valorizando a melodia. Até o fraco refrão de cabeça, sem rimas e com o apelativo “canta, Mocidade, canta!” ficou gostoso de se ouvir. O samba, entretanto, não tem cara de Mocidade e tem alguns probleminhas de letra e rimas fracas, como na primeira parte, com a seqüência pobre de seguidas rimas em -ar “sonhar... desejar... brilhar... olhar”. Os problemas não são nada de muito sério, mas o samba, também, não é inspirado – é correto e agradável. Chama atenção porque a safra é muito fraca. NOTA DO SAMBA: 8,7 (João Marcos).

Pela oitava vez consecutiva desde 1999, exceção a 2006, a Mocidade não apresenta um grande samba-enredo. Este samba, apesar de belissimamente bem interpretado por Bruno Ribas, é muito inferior à obra de Diego Nicolau nas eliminatórias, que era rico em poesia e expunha o enredo com inteligência. O hino campeão, de Igor Leal e cia., segue basicamente a mesma fórmula empregada por inúmeros compositores em seus sambas para esconder sua pobreza de conteúdo, através de melodias melosas e letra falsamente emocionais. O refrão de cabeça é vazio, não dizendo absolutamente nada. A letra da primeira parte é completamente confusa, amontoando uma série de expressões sentimentais sem contar o enredo, embora eu particularmente tenha achado o trecho “Mas desapareceu/Como um grão de areia no deserto” sensacional. A coisa começa a mudar de figura na entrada do refrão central, quando o samba começa de fato a narrar o tema apresentado pela escola. É um hino superior ao de 2007, porém ainda é mediano. NOTA DO SAMBA: 7,4 (Gabriel Carin).

Bonito samba, mas muito arrastado, principalmente se pensarmos que a escola abrirá a noite de segunda-feira. Nas eliminatórias havia dois sambas muito melhores que este que ganhou. O refrão principal é muito bonito, apesar de não terminar em rima. A primeira parte é muito boa, apesar de não ter brilho, é a pior parte do samba. O refrão central é de excelente qualidade, apesar de ser meio estranho o coro entoar antes do refrão "deixa, deixa" e o refrão começar com "deixe o meu samba de levar". A segunda parte é a melhor, o único momento de explosão, quando se fala no Rei Sebastião. Um bom samba, mas acredito que não servirá pro desfile, irá se arrastar facilmente (eu acho). NOTA DO SAMBA: 9,1 (Vitor Ferreira).

Como foi dito anteriormente, desde 1999 a escola de Padre Miguel não nos contempla com um grande samba, o que é lamentável. Parece ter dado preferência a obras de letras intermináveis, e melodias que não se sustentam por mais de vinte minutos de desfile, ainda mais com um intérprete burocrático como Bruno Ribas. O enredo excelente (embora pouco familiar à agremiação) merecia coisa melhor do que esse hino pouco ousado e por demais politicamente correto. NOTA DO SAMBA: 9 (Cláudio Carvalho).

O belo samba de 2008 da verde e branco de Padre Miguel, com toda certeza é o melhor da escola na primeira década do século XXI. Mas está muito longe dos sambaços da Mocidade. Possui letra de fácil assimilação. E por falar em letra, o samba foi modificado no meio da segunda parte pois constava um grave erro histórico: na época da vinda da Família Real, o Brasil era uma colônia e não pátria como no antigo verso "nas terras dessa pátria mãe gentil". A melodia é de um lirismo maravilhoso. Destaque para os refrões que, na minha visão, colam no ouvido. E como a produção caprichou na gravação na faixa da Mocidade, hein??? NOTA DO SAMBA: 8,9 (Luiz Carlos Rosa).

Excelente samba, apesar de alguns erros de historia. Mas a Mocidade vem no embalo esse ano. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Luiz Henrique).

Magistral atuação do Bruno Ribas, o segundo refrão ("Deixa o meu samba te levar, e a minha estrela te guiar...") é de uma energia impressionante. Obviamente que há alguns trechos de rimas pobres e manjadas, mas nada que impeça a Mocidade de ter uma das melhores obras deste ano. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Matheus Ávila).

"Minha Mocidade guerreira" é um achado. Samba de refrões fortes, mas com letra repleta de clichês. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Fabio Alves).

O samba da Mocidade não será lembrado por primar pelaqualidade, tampouco será relacionado como os 10 melhores da escola. A primeira parte, a mais fraca do samba; é bem confusa, e possui uma sequencia de rimas bem fracas. Porém, com absoluta certeza, pode ser relacionado como um dos mais importantes de toda a história da agremiação. Isso porque possui uma letra que lava a alma do torcedor, que vinha calejado de uma sequencia de resultados totalmente desanimador, de uma década para esquecer. O refrão central cantando "...deixa o meu samba te levar e minha estrela de guiar..." e na segunda parte quando canta "...eis o guerreiro Sebastiano, o mais ufano dos lusitanos, em verde e branco que traz no peito uma estrela a brilhar..." faz arrepiar qualquer torcedor. O refrão principal forte e explosivo cantando "..minha Mocidade guerreira..." e "...canta, Mocidade, canta..." emociona, dá 2 tapas na cara do torcedor e grita ACORDA. Pode ser um refrão meio oba-oba, mas, era exatamente o que a escola estava precisando para mecher com os brios dos torcedores e mecher com o nosso orgulho para com a escola. Para finalizar, Bruno Ribas está simplesmente sensacional na gravação. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Fabio Amorim). Clique aqui para ver a letra do samba

12 – SÃO CLEMENTE – “Maria Louca arrasô no visual”. Na sua volta ao Grupo Especial, a agremiação da Zona Sul traz um samba leve, perfeito para abrir o desfile, o que é uma tarefa sempre ingrata. Com letra descritiva e didática, o enredo é perfeitamente explicado, e sua melodia é correta. Leonardo Bessa, em sua estréia no Grupo Especial, tem grande atuação no CD e prova que é um intérprete em ascensão, sintetizando a nova geração que vem chegando. Na gravação, o samba ganhou uma levada mais lírica, em contrapartida ao estilo descontraído impresso por David do Pandeiro na versão concorrente. É inegável que a São Clemente terá como objetivo permanecer na elite do carnaval em 2009, o que é difícil para uma escola vinda do Acesso. É esperar o espetáculo começar pra conferir! NOTA DO SAMBA: 9,1 (Marco Maciel).

Um samba agradável, simples, que conta o enredo sem muita frescura e de forma leve. Apesar do refrão, irreverente, com gírias e brincadeiras, destoar um pouco do resto do samba, não vejo grandes problemas nesta quebra do discurso poético. Acho até que é bem interessante e alivia a seriedade do restante da letra. Aliás, o refrão gruda no ouvido e é a melhor parte do samba. O andamento no CD poderia ter sido um pouco mais acelerado, já que o samba é despretensioso e não possui uma melodia fora do comum, que mereceria ser ressaltada. Faltam apenas trechos mais diferenciados, alguma sacada que chamasse mais a atenção ao longo do samba, para evitar que você escute o samba todo esperando apenas o refrão, o que parece ser o caso da obra. É um samba mediano e fecha o CD razoavelmente. NOTA DO SAMBA: 8,1 (João Marcos).

Depois de anos de pobreza musical, a São Clemente enfim apresenta um bom samba. A homenagem ao bicentenário da chegada da Família Real no Brasil gerou um hino animado, descontraído, sem grandes floreios poéticos, porém contendo ainda a verdadeira cara escrachada e irreverente da escola. A letra é extremamente simples, entretanto conta o enredo com bastante didática e coesão, não esquecendo ainda do sempre sagaz bom humor da agremiação, presente, por exemplo, no trecho “Cerimônia na corte, fechou geral/Maria Louca arrasou no visual”. A melodia possui uma leveza invejável, fazendo que o samba flua com suavidade na voz de Leonardo Bessa e facilitando a compreensão do enredo pelo ouvinte. Talvez a única ressalva esteja nos refrões, que, apesar de tecnicamente qualificados, beiram uma certa monotonia melódica. No entanto, ainda é, sem dúvida, um samba muito superior ao de 2007. NOTA DO SAMBA: 8,2 (Gabriel Carin).

Não simpatizo muito com este samba. Não gosto muito de sambas nesse estilo, e do estilo do intérprete. O refrão principal é bom, mas não me agrada em nenhum momento, muito enjoativo. A primeira parte também não me agrada. O refrão central que menos me enjoa, mas nem por isso me agrada. A segunda parte é mais ou menos, porém também não me agrada. Não é o pior samba do CD (o da Vila é pior), porém é o que menos me agrada. Bom, contando aqui falei cinco vezes as palavras" não me agrada", acredito que isso já dá pra perceber com "gosto do samba". É um samba melhor que o do ano passado, mas isso não quer dizer muita coisa. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Vitor Ferreira).

Cerimônia da corte... Fechou geral. Maria Louca Arrasô no visual”. Pode-se esperar alguma coisa de um samba que começa assim? Nada além da surradíssima combinação “realeza-portuguesa-natureza-sutileza”, certo? A melodia, por sua vez, também não empolga em momento algum. De uma sinopse irreverente e muito bem redigida pelo Milton Cunha, conseguiram fazer o samba mais sem graça do CD. Pobre Léo Bessa... NOTA DO SAMBA: 7,5 (Cláudio Carvalho).

A grande virtude do samba da agremiação de Botafogo, é, sem dúvida, os refrões que são de muito bom gosto. A letra possui sacadas brilhantes como nos versos "meu Rio se transformou / num grande centro de real beleza" e "é eterno o carinho ao Clemente João". A diretoria corretamente removeu algumas palavras para dar mais realce à obra como por exemplo "Lisboa se enfeitou" ao invés de "A corte se enfeitou". O samba é dotado de melodia valente, embora cansativa em alguns momentos. Num todo, a obra é razoável e certamente muito superior ao horroroso sambinha de 2007, ano em que a escola conquistou o Grupo de Acesso A. NOTA DO SAMBA: 8,4 (Luiz Carlos Rosa).

Samba mediano que Leonardo Bessa deu show na gravação. NOTA DO SAMBA: 9 (Luiz Henrique).

Embora ache fraca a letra, a gravação do CD prejudicou o samba. O intérprete não ajudou, a produção não ajudou, nem mesmo o próprio samba se ajudou. Certamente será daqueles que não lembraremos mais no pós quarta de cinzas, encerrando com chave de lata mais um ano de sambas mornos, reprisados, arrastados... Só nos resta aguardar e torcer, aliás torcer não, rezar, para que 2009 seja mais generoso com nossos ouvidos, já carentes de sambas inesquecíveis. NOTA DO SAMBA: 8 (Matheus Ávila).

Samba irreverente, mas que não revive a gloriosa São Clemente dos anos 80 e começo dos 90. Faltou pimenta e inspiração, talvez pelas pressões exercidas pela Prefeitura, que exigiu uma abordagem séria do tema nada sério. NOTA DO SAMBA: 6 (Fabio Alves). Clique aqui para ver a letra do samba