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Os sambas de 2006 - Acesso A

Os sambas de 2006 - Acesso A

A GRAVAÇÃO DO CD - Produzido por Leonardo Bessa, e com assistência de produção de Chico Frota, o CD dos Grupos de Acesso A e B, gravado na quadra do GRES União de Parque Curicica, conta com um bom time de músicos de base e coro de primeira linha. É um disco em que você consegue identificar as escolas sem precisar recorrer ao encarte, ao contrário do que acontece no Grupo Especial. Uma produção em que se destacam as reedições de sambas como: ''Quem é você'' (Estácio), ''Bahia de todos os deuses'' (Salgueiro/Tradição), ''O Amanhã (União da Ilha/Boi da Ilha), ''Da cor do pecado'' (Ponte), ''Tijuca, cantos recantos e encantos'' (Império da Tijuca), ''A lenda das sereias'' (Império Serrano/Inocentes) e ''Lua viajante'' (Lucas), além de belos sambas inéditos. Belo trabalho da AESCRJ, que abre espaço para a escola de samba Flor da Idade (que abre o desfile do Grupo A e das campeãs), na última faixa do primeiro CD. NOTA DA GRAVAÇÃO: 9,5 (Cláudio Carvalho).

Uma belíssima idéia a comercialização de um CD duplo com os sambas dos Grupos A e B. Assim, os sambas do Terceiro Grupo certamente terão uma maior visibilidade. Só é lamentável o fato do CD ser vendido apenas no Rio, o que dificulta um pouco a vida dos residentes em outras cidades. Eu, por exemplo, pedi pro Cláudio Carvalho me enviar. Devo a ele os CD's de samba de Porto Alegre de 2005 e 2006. A qualidade da gravação é muito semelhante aos dois anos anteriores, pois desde 2004 o disco do Acesso A é gravado ao vivo na quadra da Curicica. Ou seja, o samba tem cara de samba, nada de arranjos privilegiando cordas e efeitos especiais, comuns no Grupo Especial. Por conta disso, ultimamente a produção de Leonardo "tá bom a" Bessa anda sendo a preferida de boa parte dos bambas, suplantando os veteraníssimos Laíla, Zacarias e cia. Muitas escolas aproveitam para mostrar as respectivas bossas de suas baterias no disco e as faixas não chegam a ser tão longas como no Grupo Especial. Sobre os sambas, várias agremiações, principalmente no Grupo B, apelam às reedições de hinos antigos para ganhar pontos preciosos no desfile. Por isso, mais uma vez será possível ouvir obras-primas do carnaval nos desfiles de sábado e terça em 2006. Temos uma safra de boa qualidade nos dois grupos, pois as escolas que não reeditaram também cantarão sambas consideráveis. E, por fim, destaque para a volta de Aroldo Melodia que, mesmo debilitado, aparece cantando - com muito esforço - o samba da Flor da Idade, dividindo os vocais com Rixxa, que agradece, no fim da faixa, a ilustre companhia. Apesar dos problemas de Aroldo, sua presença certamente emociona a todos. NOTA DA GRAVAÇÃO: 8 (Mestre Maciel).

A gravação e produção, na minha opinião, é melhor que a do CD do Grupo Especial. Privilegia o gosto do sambista, enquanto que, no CD do Especial, se preocupam mais com efeitos e outras coisas que o sambista não sente a mínima falta, e as baterias das escolas não participam da gravação, ao contrário do CD do Acesso, onde as baterias de cada escola foram gravadas na quadra. O CD duplo dos Grupos de Acesso A e B tem como destaques as reedições e bons sambas inéditos. O CD do Acesso A conta com uma faixa bônus: a da escola de samba da terceira idade, Flor da Idade, cantada por um debilitado Aroldo Melodia, com ajuda de Rixxa. O que não me agradou, apesar de considerar o tamanho dos sambas, foi a desigualdade de tempo entre as faixas: tem escola que tem faixas que duram quase 6 minutos e outras que tem pouco mais que 3 minutos. O mais curioso é que, em média, os melhores sambas do disco, na minha opinião, são justamente as faixas das agremiações que trazem os melhores sambas para 2006. NOTA DA GRAVAÇÃO: 9,5 (Induliar).

Mais uma vez a qualidade da gravação do CD dos grupos A e B (agora reunidos num disco duplo) teve um resultado excelente. A junção de forças dos produtores musicais Leonardo Bessa e Chico Frota foi benigna. Para os amantes do gênero, é formidável ter, em apenas um estojo, 23 faixas de carnaval. Quanto à safra, temos sambas que se mostram bons e novamente uma leva de reedições (várias reedições-cover), que dará aquele toquezinho nostálgico aos desfiles. No entanto, vários sambas pecam no formato extremamente padronizado, o que vem sendo observado desde as eliminatórias. Há poucos refrões vibrantes - daqueles de grudar no ouvido e que servem para levantar as gélidas arquibancadas tomadas por turistas - e autores que têm a pretensão de estabelecer novos estilos de samba-enredo, só que acabam pecando em exageros, não raro em equívocos. Quanto à distribuição do disco, é uma pena que somente através da internet que os aficionados em carnaval que moram fora do Rio de Janeiro podem adquirir o álbum, comprando através dos sites especializados. A comercialização está restrita às quadras de ensaios das escolas ou na sede da AESCRJ. NOTA DA GRAVAÇÃO: 9,5 (Rixxa Jr).

A boa recepção dos CDs do Grupo B, aliada a proliferação de escolas inexpressivas e seus patronos endinheirados, fez com que escolas tradicionais, como Império da Tijuca, Unidos da Ponte e Unidos de Lucas, desfilassem em grupos que tinham pouca visibilidade. Com o advento das reedições, essas escolas acabaram chamando a atenção do folião e o resultado foi um aumento muito grande de interesse nas no Terceiro Grupo. Diante disso, nada mais inteligente do que unir os dois grupos inferiores (mas que ainda desfilam na Sapucaí) num CD duplo. Aliás, a grande quantidade de reedições faz com que seja bom, do ponto de vista artístico, a presença das escolas do Grupo B. A produção é semelhante a do Acesso A. Apesar de muito elogiada pelos internautas, particularmente me incomoda muito a aceleração excessiva dos sambas. No CD, eu quero ouvir a melodia, a entonação do canto, toda a nuance das obras. Por isso, prefiro um andamento mais cadenciado. Entretanto, em nome de um clima mais típico de desfile, a produção coloca os sambas em andamento marcheado, rapidíssimo, que acaba nivelando (por baixo) as faixas. Entendo que desfile é uma coisa, e o CD tem de ser outra. No CD, você escuta o samba; no desfile, você faz a festa. Particularmente, não gosto de andamento rápido nem em desfile, quanto mais no CD. O resultado é que nenhuma das reedições supera as versões originais em termos de qualidade de gravação, o que é espantoso diante das tecnologias disponíveis hoje em dia. Outro problema grave é que, na mixagem, a voz do intérprete fica alta demais, abafando a parte instrumental - problema típico de quase todas as produções sonoras brasileiras a partir da era digital. A bateria acaba soando artificial. Enfim, se você comparar com a qualidade da produção do LP do Especial de 1985, sentimos o verdadeiro tiro na água dado pelos produtores do CD do Acesso A e B - enquanto no LP de 1985, todas as faixas têm uma sonoridade musculosa, com o coro dando o exato sentimento que os sambas pediam, com aquele clima de festa e de diversão dos desfiles da época, o CD de 2006 do Acesso parece frio, profissional e artificial. Opa, será que a gravação reflete o espírito dos desfiles atuais? Quanto à safra, no Grupo A, a média está mantida - alguns sambas se destacam, mas a maioria é medíocre e gera indiferença na audição. No Grupo B, a diferença de qualidade entre os sambas novos e as reedições é de uma brutalidade tão impressionante que assusta. Como aqui o samba ainda tem um pouco de valor para o desempenho das escolas, muito provavelmente campeã e vice serão escolas que reeditam sambas, situação que levou a Associação a criar regras limitando as reedições para 2007. Por fim, no CD do Grupo A está presente o samba da escola Flor da Idade, puxado pelo mestre Aroldo Melodia e Rixxa. NOTA DA GRAVAÇÃO: 4,5 (João Marcos).

É muito inteligente a decisão de juntar os sambas dos grupos A e B num disco duplo. Isso é muito bom para a divulgação dos hinos de diversas escolas. Do ponto de vista artístico, o cd é bom graças a grande quantidade de reedições. O que prejudica a audição é o andamento rápido que os sambas têm. Eu gosto de um andamento mais cadenciado para apreciar a nuance das obras, a melodia, etc... Sobre a safra, o grupo A tem alguns sambas que se destacam, mas a maioria é medíocre. A sensação é que os hinos foram feitos para turistas e jurados, mas não para o povo. Já no Grupo B, as reedições são de uma superioridade tão grande que assusta. NOTA DA GRAVAÇÃO: 4,5 (Daniel Benfica). 

1 - ESTÁCIO - Emociona, dá nó na garganta. A participação de Dominguinhos (um dos autores) abrilhanta esse samba que tem tudo a ver com o momento atual da escola. Como em 1984, a Estácio emergia de um período nebuloso, recuperando-se de uma fase difícil e reestruturando-se politicamente. Hoje, os estacianos estão de ânimo renovado, com uma quadra cheirando à tinta, e avisando a todos que chegou a hora de a cobra fumar. O velho Estácio chega dando o seu recado, como que perguntando a algumas co-irmãs que entraram pela janela no GE: quem é você que brilha nesse carnaval? Tá certo que é mais uma reedição, mas o Leão não está acomodado, e vem mordendo. Aguardem e confiem... NOTA DO SAMBA: 10 (Cláudio Carvalho).

Um dos maiores clássicos da agremiação, a Estácio tentará com tudo o retorno ao Grupo Especial com a garra de sempre e o chão, que estará reforçado com o canto deste samba que certamente levantará seu desfile. Uma dádiva a participação de Dominguinhos, um dos autores do samba que marcou o novo nome da escola: Estácio de Sá. Lembrando que, antes do desfile de 1984, ela se chamava Unidos de São Carlos. Achei que a gravação, no CD, poderia ser melhor e o intérprete Ivan Talarico possui muitas limitações. Mas a Estácio, com este clássico, deverá pleitear, mais do que nunca, a sua volta à elite depois de dez anos. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Mestre Maciel).

A Comunidade do Complexo do São Carlos, campeã do Grupo de Acesso B em 2005, volta mordida ao Acesso A, aparentemente com maiores ambições. Depois de reeditar "Arte Negra na Legendária da Bahia" de 76, o Leão vêm com o samba de 84, que fala sobre o carnaval e é alegre e gostoso, contando ainda com a participação de Dominguinhos do Estácio na faixa, um dos autores do samba. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Induliar).

De certa forma, os versos iniciais de "Quem é você" - um dos mais bonitos sambas da história da Estácio de Sá - definem bem a encruzilhada que a escola enfrenta no atual momento: "chegou a hora/a hora da cobra fumar". Após amargar um ano de estágio no Grupo B, a vermelho-e-branco de São Carlos retorna ao Grupo A com vistas de retomar seu espaço na elite do carnaval carioca, ainda mais com o reforço luxuoso de Paulo Barros, que a mídia vem o tratando como o "darling" dos carnavalescos.. A gravação manteve a garra da versão original. O intérprete Talarico, que apresentou uma melhoria em relação ao ano passado, ganhou a companhia de nada mais, nada menos do que o brilhante Dominguinhos. Aliás, em relação ao veterano cantor, é de se refletir: em 2005, a Estácio reeditou um samba de Dominguinhos. Em 2006, reedita outra obra do sambista e ainda conta com o próprio na gravação... Será que, se a escola voltar ao Grupo Especial em 2007, não fará um convite para que o cantor - que leva Estácio até no nome - retorne às suas raízes? NOTA DO SAMBA: 10 (Rixxa Jr).

Silvio Cunha, ex-carnavalesco da escola, teve uma sacada muito interessante ao escolher este samba para ser reeditado: "Quem é Você?" virá animando um enredo com uma proposta diferente do desfile de 1984, com uma ênfase na própria história da Estácio. Antes, era uma brincadeira com o carnaval popular, dos arlequins e colombinas. Isto só foi possível porque este samba tem uma letra interpretativa, maleável, simples - não é apenas mais um chatíssimo e didático resumo de sinopse. Porém, o grande trunfo do samba é a melodia irresistível, alegre, para cima. Os refrões são o oposto de tudo o que é feito hoje em dia - nada mais bacana do que brincar carnaval cantando "Vem de lá, vem de lá, vem de lá... ÔÔÔ". Este samba é realmente "o velho Estácio na Avenida...". Evidentemente, a escola possui sambas melhores - os do início da década de 70, quando a escola ainda se chamava Unidos de São Carlos, estariam até mais adaptados para os desfiles atuais. Mas a escolha do samba de 1984 é bacana justamente pelo fato de ser totalmente contra o que se esperaria da escola. NOTA DO SAMBA: 9,1 (João Marcos).

Meu amigo, é muito bom escutar um samba delicioso de se cantar como esse. A letra é interpretativa e simples, os refrões são fantásticos e a melodia é irresistível e alegre. Para resumir, é muito diferente dos medíocres sambas atuais onde o estilo didático ao extremo domina.  A idéia desse enredo foi do carnavalesco Silvio Cunha, que saiu da escola pouco antes do carnaval. Na avenida, o responsável foi Paulo Barros, que subiu com a agremiação para o Especial. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Daniel Benfica). Clique aqui para ver a letra do samba

2 - SANTA CRUZ - Melodia inteligente, cheia de ''quebras'', e letra que, apesar de previsível e cheia de lugares comuns, se encaixa bem à primeira parte. Tudo isso e mais a participação da revelação Daniel Silva e da bateria de Mestre Marquinho. O resultado não poderia realmente ser ruim. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Cláudio Carvalho).

Antes, imaginei que a Santa Cruz traria um boi-com-abóbora para 2006. Mas a gravação no CD melhorou o samba 1000%, o deixando gostoso de ouvir, animado e evidenciando muitas qualidades. O jovem Daniel Silva já é uma afirmação no carnaval, tem de tudo para fazer uma carreira singular como intérprete. Os dois refrões são para levantar a Sapucaí e detalhe que o "Vem meu amor, me abraça" é idêntico ao refrão central do famoso samba da escola paulista Gaviões da Fiel de 1995. Como sempre, a Santa Cruz deverá brigar pelo Acesso. E tem samba pra isso! NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Patrocínio do governo francês que deu o direito à escola da extrema Zona Oeste da cidade de nos representar no ano do Brasil na França, 2005. É esclarecido que o tema é estritamente internacional, não tendo nenhum elo com o Brasil. O samba tem partes interessantes, mas não se destaca num todo. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Induliar).

Muito me agradam as obras que a Santa Cruz vem apresentando nos últimos anos. O samba de 2006 obedece a uma coerência de trazer sambas-enredos clássicos, com bonitas construções melódicas e refrões comunicativos. Destaque para a parte musical dos versos "hoje eu vou bailar sob a luz das estrelas/vem amor, que tudo é festa/vamos lá conhecê-la, vem sonhar". A obra ficou potente, com a musculosa interpretação de Daniel Silva, que tem um vozeirão parecido com do Seu Figueirinha, personagem do seriado "A Diarista". No entanto, meus ouvidos me traíram na primeira vez que eu escutei o refrão principal desse samba. Eu achava que era "eu passo fome em BH". O samba tem tudo para ser eficiente no desfile. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Rixxa Jr).

A Santa Cruz opta mais uma vez pelo mesmo samba dos últimos anos. A parceria de Fernando de Lima, que vence na escola desde 2002, utiliza a mesma receita de sambas sem grandes surpresas, que traz total indiferença na audição. Impressiona também o fato da letra trazer um "vem meu amor", depois um "vem amor", e, por fim, um "de tanto amar" o que mostra que a rapaziada: a) ou está muito apaixonada; b) ou está com dificuldade de encontrar inspiração, e só regurgita a mesma fórmula do ano anterior. O resto da letra segue o mesmo esquema - aquele resuminho de sinopse básico, sem qualquer criatividade ou traço de poesia. Para terminar, assim como o samba da Vila Isabel, a letra traz expressões em outro idioma, no caso, o francês, de forma forçada e completamente desnecessária. Enfim, muito pouco para uma escola que quer disputar o Grupo Especial em 2007. NOTA DO SAMBA: 6,9 (João Marcos).

A Santa Cruz escolheu para o carnaval daquele ano mais um samba de Fernando de Lima. O ruim é que isso não se traduz em qualidade na obra, mas sim uma total indiferença na audição. Todos os hinos compostos pela turma dele para a escola seguem a mesma fórmula de sempre. Como foi bem observado pelo comentarista João Marcos, a obra tem excesso de “amor”, o que nesse caso é falta de inspiração. A letra nada mais é que aquele resumo de sinopse. Os citados termos em francês soam forçados e desnecessários. NOTA DO SAMBA: 6,8 (Daniel Benfica). Clique aqui para ver a letra do samba

3 - SÃO CLEMENTE - ''De Gonzagão a Gonzaguinha: em vida de viajante'', é a homenagem da princesinha da zona sul a dois dos maiores pilares da nossa MPB. A letra do samba é bem elaborada, e cheia de passagens inteligentes. O uso de títulos de canções entre os versos foi uma boa sacada. A melodia é bem animada, com destaque para a interpretação de Léo Bessa. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Cláudio Carvalho).

Uma excelente letra marca a maravilhosa homenagem da escola da Zona Sul à Luís Gonzaga e Gonzaguinha, dois ícones da música popular brasileira. A melodia agradável é reforçada pela excelente interpretação de Leonardo Bessa, também produtor dos CD's, outra grata revelação no mundo dos intérpretes e que construiu sua carreira no Arranco. Na São Clemente, as chances de ingressar ao Especial são grandes. E, por isso, mais do que nunca Leonardo se sentirá moivado para soltar seu grito de guerra "ih, tá bom a 'bessa'". O encerramento da faixa é marcado por um show da bateria "tri-dez". NOTA DO SAMBA: 9,1 (Mestre Maciel).

Samba bom de se cantar e ouvir. A escola de Botafogo traz uma boa obra para 2006 num enredo interessante que mostra a vida de Gonzaguinha e Gonzagão. No geral, a Preto e Amarelo da Zona Sul vêm com um bom samba. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Induliar).

Não gosto muito de sambas que trazem refrões que estão mais para alusivos e que parecem "deslocados" do todo do samba. No caso deste, "Levanta a poeira, sou mais São Clemente/o preto e amarelo, orgulho da gente" está mais para samba-exaltação do que samba para a passarela. O formato da letra obedece à cronologia de homenagear Gonzagão na primeira parte e Gonzaguinha na segunda. O resultado é bom, mas acho que a história dos dois artistas focalizados no enredo mereceria algo melhor. Destaque para a maturidade do intérprete Leonardo Bessa, que está cantando bem melhor e que definitivamente se desvencilhou da "wanderpiresmania". NOTA DO SAMBA: 8,5 (Rixxa Jr).

Impressiona como um enredo tão rico pode geral um samba tão pobre. Utilizando aquela fórmula batida de pegar títulos de músicas dos homenageados para fazer construir os versos do samba, a letra é completamente desprovida de poesia ou lógica. O samba não é interpretativo e nem didático. A melodia é genérica. Os clichês se sucedem - até mesmo o "explode coração" está presente. O esquema de rimas é primário. O samba é totalmente indigente. Compare com a obra-prima trazida pela Unidos de Lucas - a diferença é gritante. Muito fraco. NOTA DO SAMBA: 6,2 (João Marcos).

Sinceramente, a diferença de qualidade entre a obra-prima feita pela Unidos de Lucas e a que foi elaborada pela São Clemente sobre esse tema é gritante. Enquanto um é excepcional, o outro é muito fraco. A melodia desse hino é genérica e a letra é pobre e repleta de clichês. O resultado poderia e deveria ser muito melhor. NOTA DO SAMBA: 6,3 (Daniel Benfica). Clique aqui para ver a letra do samba

4 - VIZINHA FALADEIRA - O samba começa mal, com inversão de sílaba tônica em ''Ilhá Fiscal''. Além disso, a primeira parte é relativamente pequena (tem quase o mesmo tamanho do refrão do meio). São erros que passariam desapercebidos em um grande samba, o que não é o caso aqui. Enfim, um enredo sobre Rio de Janeiro pede mais, apesar da melodia ''pra frente'', que cai como uma luva para a bela bateria da escola de Santo Cristo. NOTA DO SAMBA: 8,8 (Cláudio Carvalho).

A letra é simples e fica devendo um pouco pelo fato de utilizar termos como "bambambam". Mas a animação do hino da Vizinha para 2006 compensa. O refrão central agrada bastante, o samba é muito melhor que o de 2005 da escola e o intérprete Marcelinho mostra evolução na condução do samba no CD. NOTA DO SAMBA: 8,9 (Mestre Maciel).

Não é de agrado de muitos sambistas. Tenho uma outra opinião: samba gostoso de se ouvir e cantar, simples e pequeno e conta bem o enredo sobre a alta sociedade carioca, com destaque à sua melodia. A escola da Zona Portuária vêm em 2006 com uma obra simples, interessante e gostosa. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Induliar).

Mais um samba que traz um refrão genérico, que pode se enquadrar em qualquer enredo. O tema fala do high-society do Rio de Janeiro, mas se pode prever que a apresentação da Vizinha terá uma ponta de deboche e irreverência, pois a figura central do desfile será a folclórica socialite carioca Narcisa Tamborindeguy, autora do livro "Ai que loucura", no qual o carnavalesco gaúcho Severino Luzardo se baseou para construir a sinopse. O título faz menção à frase proferida por Narcisa, ao atuar em uma minissérie de tevê onde, numa cena de estupro, sua personagem reage ao ato suspirando "ai que loucura". Na época, a perua era casada com um diretor da TV Globo. NOTA DO SAMBA: 7 (Rixxa Jr).

Sinceramente, eis um samba que eu tive dificuldade para construir uma opinião. A audição é estranha, o samba parece desconjuntado, trazendo diversos estilos de melodia numa mesma obra. As variações não têm muito sentido. A letra é de uma simplicidade franciscana, o que não quer dizer que seja ruim. A melodia começa parecida com os sambas do Acesso dos anos 80 e depois vira correria tipo os sambas atuais. Enfim, é um samba estranho, tecnicamente fraco, porém intrigante. NOTA DO SAMBA: 7,8 (João Marcos).

Um samba tecnicamente fraco e que traz um refrão genérico. O hino parece desconjuntado e sua letra é muito simples, mas não ruim. NOTA DO SAMBA: 7,7 (Daniel Benfica). Clique aqui para ver a letra do samba

5 - RENASCER DE JACAREPAGUÁ - Samba irreverente, de letra politizada, antenado com os problemas da atualidade. Apesar disso, não creio que vá ser cantado por alguém além de seus componentes. Há de se convir, porém, que antigo Bafo de Bode, do Largo do Tanque, está se estruturando para ser uma das potências do Grupo A, já tendo até mesmo desbancado a União de Jacarepaguá, do mesmo bairro. Olho na Renascer! NOTA DO SAMBA: 9,1 (Cláudio Carvalho).

O intérprete Rogerinho, em seu segundo carnaval pela Renascer, parece que já se identificou com a escola. Tanto que, no encarte, o ex-intérprete de Em Cima da Hora e Portela aparece como Rogerinho Renascer. Após a apresentação, no ano passado, de um enredo sobre o espelho, a Renascer se arroja e mostra um tema crítico, representado pelo samba do consagrado compositor Cláudio Russo. O samba será o ponto fundamental do desfile termômetro que a Renascer fará, pois, se a escola conquistar uma boa colocação em 2006, certamente estará credenciada para brigar por uma vaga à elite em 2007. O samba possui qualidades, mas está longe de ser uma obra-prima. NOTA DO SAMBA: 9 (Mestre Maciel).

A ex-tricolor e agora vermelha e branca vêm com um enredo aparentemente irreverente para 2006. No geral, é uma boa obra, apesar que a melodia, sendo interessante, na minha opinião não expressa com plenitude o clima do enredo. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Induliar).

Um enredo que se propõe crítico será levado por um belo hino, de autoria de Cláudio Russo. Isso meio que serviu de prêmio de consolação ao compositor por não ter levado a vitória na Grande Rio. A exemplo do ano passado, a emergente Renascer está bem servida de samba. Boa interpretação de Rogerinho. NOTA DO SAMBA: 9 (Rixxa Jr).

A sinopse da Renascer, apesar de partir de uma premissa muito interessante, era um tanto quanto confusa para o compositor, não deixando claro qual o tom da crítica social que seria feito, se seria algo mais escrachado ou mais poético (tipo "Capitães do Asfalto"). O resultado foi uma quantidade muito grande de sambas ruins nas Eliminatórias da escola. Cada obra tinha um enfoque muito diferente das demais. Acabou vencendo, de forma justa, o samba de Cláudio Russo e cia. A letra traz o tom de indignação dos jornais da época, que estampavam nas suas manchetes o escândalo do "Mensalão" e o fim da ilusão com o governo petista. Infelizmente, o samba peca num aspecto que é mais culpa dos rumos tomados no carnaval atual do que dos compositores - o excesso de informação da sinopse está presente, fazendo com que a letra seja extremamente confusa em determinados momentos. O refrão de cabeça é um tanto quanto esquisito, mas interessante depois de algumas audições. NOTA DO SAMBA: 8 (João Marcos).

Um bom samba, mas que poderia ser muito melhor se não tivesse tanta informação presente no hino, o que torna a letra confusa em diversos momentos. O refrão de cabeça é interessante, mas um tanto esquisito. NOTA DO SAMBA: 8,0 (Daniel Benfica). Clique aqui para ver a letra do samba

6 - ARRANCO - ''Gueledés, o Retrato da Alma'' é o melhor samba dentre os inéditos do Grupo A. Melodia redondinha, lírica, e letra fácil. Parece aqueles sambas da década de 80, com a diferença de que esse está de acordo com as atuais tendências do carnaval. A participação do veterano Espanhol abrilhanta a faixa. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Cláudio Carvalho).

Sylvio Paulo e Juan Espanhol fazem parte da história do carnaval e são sinônimos de bom samba. Em 2006, esta história não mudou. A dupla mal voltou à ativa e já obteve uma nova vitória consagradora com um samba de qualidade singular. Versos curtos, aliados à melodia cadenciada, bem variada e lírica, são a tônica do melhor samba do Grupo A não contando a reedição de "Bahia de Todos os Deuses". A atuação de Zé Paulo no CD também é muito destacada, em nada deve à excelente participação de Sylvio Paulo na versão concorrente. O pessoal agora deve estar se perguntando: por que Sylvio não volta a ser intérprete do Arranco? Juan Espanhol - que volta com o seu tradicional "Na ilusão nesta avenida, o Arranco é todo amor" - explicou ao SAMBARIO que tanto ele quanto seu parceiro, em função de outros compromissos profissionais, não podem freqüentar diariamente a quadra do Arranco. Por isso, fica a cargo de Zé Paulo a interpretação deste lindo samba, mais uma obra-prima de Sylvio, Espanhol, Fernandinho e cia. A escola, a princípio, deverá fazer um desfile apenas para se manter no Acesso A. Mas quem sabe o chão e a simpatia que o Arranco possui com os bambas não fará a agremiação sonhar com vôos mais altos? NOTA DO SAMBA: 9,6 (Mestre Maciel).

Para muitos, é o samba do ano. Ao ponto de ter o Estandarte de Ouro de melhor samba do Grupo de Acesso garantido para o Falcão das redondezas do Méier. De letra eficiente, podemos dizer que o samba faz seu trabalho perfeitamente e que conta bem o enredo sobre as máscaras e o homem, com uma melodia bonita e envolvente. É mais uma das grandes obras que esta parceria nos presenteou. NOTA DO SAMBA: 10 (Induliar).

A meu ver, "o" samba de 2006. Há 10 anos ausente do Grupo A, o Arranco também assistiu ao retorno (muito feliz) da veterana dupla, Sylvio Paulo e Juan Espanhol (aqui, numa parceria com Fernando, Bola e Bira Só Pagode), gerando esta magnífica obra, que começa em tom menor até o primeiro refrão, sobe para maior na segunda parte e desemboca novamente em menor. Que reedição, que nada! Sim, ainda é possível encontrar excelentes composições de carnaval atualmente. O estilo de cantar do estreante Zé Paulo é assustadoramente parecido com o do saudoso puxador Jackson Martins. NOTA DO SAMBA: 10 (Rixxa Jr).

Assim como Tôco, na Mocidade, Sylvio Paulo e Espanhol adaptaram seus estilos de composição aos tempos modernos. "Guéledés" não tem a leveza dos antigos sambas da dupla, tem uma letra um pouco mais rebuscada, e alterna trechos em tom maior e menor. Mas as marcas registradas da dupla estão presentes - um samba com muita pegada e energia, de refrões curtos, gostosos de cantar, etc. O enredo foi contado de forma poética, sem o didatismo da complexa sinopse. O resultado é o melhor samba de 2006, um samba que não perde sua categoria mesmo no andamento rapidíssimo do CD. Não é uma obra-prima, mas é a prova de que modernidade e tradição podem andar de mãos dadas, com resultados muito mais satisfatórios do que as fórmulas que os novos compositores adoram utilizar. Escutem este samba e aprendam com os mestres. NOTA DO SAMBA: 9,8 (João Marcos).

Sem sombra de dúvidas, o melhor samba de 2006. Um hino que mostra como é possível fazer sambas nos tempos atuais sem as babaquices professorais e as fórmulas que os compositores da nova geração gostam de adotar. “Guéledes” tem muita pegada e energia, refrões curtos e gostosos, o enredo é contado de forma suave e poética. Um dos poucos defeitos é a letra, que em alguns momentos, é rebuscada e, além disso, o hino não tem a leveza de outras obras dos compositores, mas mesmo assim, é um samba que merece e deve seguir de exemplo nos tempos “modernos”. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Daniel Benfica). Clique aqui para ver a letra do samba

7 - CUBANGO - Esse é dos meus parceiros Diego Nicolau, Bruno Derani e Marcelo Camões. Trata-se de um samba leve, bem composto e gostoso de se ouvir, que foi considerado o melhor do Grupo A num site da internet, o que deixa feliz o escriba aqui! NOTA DO SAMBA: 9,1 (Cláudio Carvalho).

Olha a galera do Espaço Aberto aí, gente!! Os jovens Diego Nicolau, Marcelo Camões, Gustavo Soares, Luciano Tinoco e Bruno Derani conseguem emplacar pela primeira vez um samba na Sapucaí. Certamente 2006 será um ano inesquecível para essa simpática turma, sempre presente no tradicional fórum de discussão do Galeria do Samba. E o samba é de intenso agrado, a melodia é agradável de se ouvir e tem de tudo para deslanchar na avenida. Há alguma polêmica quanto ao verso "Eu vou viajar nas asas de um livro", pois é comum contestar pelo fato de livro não ter asas (se ainda fosse a orelha do livro, conforme me disse o Cláudio Carvalho num bate-papo telefônico). Mas um livro é construído sempre com frases metafóricas e, por isso, podemos considerar as asas do livro como uma metáfora de sentido. A segunda parte do samba é a melhor em termos melódicos, sobretudo nos versos "Virá, um verso lá do céu/E fará no papel, a obra imortal". A simpaticíssima Cubango mais uma vez desfilará com um samba com "S" maiúsculo, e sempre com a correta interpretação do irreverente Tiãozinho Cruz. Mais uma vez parabéns aos meus parceiros de EA. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Apesar de todo o oba-oba que se tem com o hino da verde-e-branca de Niterói para 2006, na minha opinião, é um samba sem nada de demais. Mas é até bom de se cantar. De letra e melodia simples e sem muito destaque, acaba por se destacar no samba os versos ("Virá um verso lá do céu/E fará do papel/A obra imortal"). O refrão principal desta obra é de uma "genericalidade" incrível de tal forma como nunca vi. NOTA DO SAMBA: 8,4 (Induliar).

Um samba redondinho, bonitinho e apenas correto. Nada mais do que isso. Os autores do incensado samba da Cubango são uma gurizada que sempre marca presença nos fóruns dos sites especializados em carnaval. O refrão principal dos sambistas de internet, se não é arrasta-povo, pelo menos é bonito melodicamente. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Rixxa Jr).

Depois do grande sucesso de Tiãozinho Cruz cantando o samba concorrente escolhido pela Imperatriz em 2005, a escola de Niterói resolveu se utilizar de uma obra de características semelhantes para valorizar a interpretação do seu intérprete oficial. Méritos para Diego Nicolau e cia. - que também tem ligação com a escola da Leopoldina. Eles conseguiram entender isto e fizeram um samba com uma melodia no estilão pretendido pela escola. Sem sombra de dúvidas é um samba simpático, mas me parece não ter a cara da Cubango. Em determinados momentos, a letra lembra as da Mocidade dos anos 80. Entretanto, todo verso em que a palavra "livro" aparece, a coisa soa meio estranha: "Vou viajar nas asas do livro (...)", "Voa com o livro ao infinito (...)". Enfim, é um samba que não deve levantar o público, apesar do apoio maciço da rapaziada da internet, e provavelmente também não deve comprometer. Não chega a ser um samba sem sal, mas está anos-luz de ser uma obra-prima. NOTA DO SAMBA: 8,2 (João Marcos).

Um samba correto e simpático. Nada mais do que isso. Como foi dito, o hino foi feito por uma rapaziada sempre presente nos fóruns de internet, o que gerou um apoio estrondoso para a obra. A letra é um tanto estranha em diversos momentos. Eu concordo com o João Marcos: não é um samba péssimo, mas está muito longe de ser uma obra-prima. NOTA DO SAMBA: 8,3 (Daniel Benfica). Clique aqui para ver a letra do samba

8 - UNIÃO DA ILHA - A Ilha é uma das poucas escolas que podem se dar ao luxo de não reeditar e, ainda assim, vir com samba bom ano após ano. Há de se dizer, porém, que este não está no mesmo nível dos demais. É um tanto quanto grande, o que o torna cansativo. Pelo tamanho, deveria ser cantado num tom mais baixo, senão, haja fôlego. Pra finalizar, ''Eh Eh Minas Gerais'' me lembra muito Portela 99. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Cláudio Carvalho).

O samba da União para 2006 não é superior ao belíssimo de 2005, mas é envolvente, animado, tem tudo para fazer sucesso e, por fim, tem mais a cara de Ito Melodia. Os dois refrões são de arrepiar e a mudança brusca de melodia na segunda parte evidencia a boa fusão de sambas feita pela escola. Como sempre, a carismática agremiação da Ilha do Governador deverá brigar pela volta à elite. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Nossa querida União da Ilha mais uma vez vêm com uma boa obra. Com destaque para o refrão ("Alegria é a Ilha a cantar/Vem na maria fumaça/Vem que eu vou te levar"), que é bem empolgante. O que pode ser determinante para o sucesso da escola em sua meta e para a alegria da maior parte dos sambistas. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Induliar).

Uma decisão acertada da diretoria da União da Ilha em fundir os dois sambas finalistas. As duas obras se completaram perfeitamente, resultando num samba animado e com boa estrutura melódica. A princípio, torci o nariz para a escolha da cidade de São João Del Rey como foco para o desfile da Ilha, mas, percebe-se através da letra do samba, que não virou um tema "caça-níquel". O enredo é rico e deverá ser devidamente bem explorado histórica e culturalmente pela escola. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Rixxa Jr).

Só a simpatia da Ilha mesmo para transformar este monstrengo num samba que promete embalar a Sapucaí. Fruto da fusão de dois sambas fracos, a obra é uma "esquizofrenia crônica" materializada, atirando para tudo quanto é lado. O pior... é que deu certo. Tecnicamente, é um horror, com problemas de métrica seríssimos (faltam "sílabas" em diversos versos). O refrão de cabeça é genérico; o do meio não tem sentido e não combina com o estilo de poesia do resto do samba... mas eles grudam no ouvido e não saem da cabeça. Provavelmente, pelas próprias características dos desfiles da escola, vai funcionar melhor do que o lindo samba de 2005. E ai, meu amigo, pode ser que a Ilha repita o samba no pé da Vila de 2004 e ganhe o título na marra. NOTA DO SAMBA: 8,6 (João Marcos).

Um hino muito inferior ao belo samba de 2005. A União da Ilha levou para a Sapucaí uma obra horrorosa no ponto de vista técnico e com refrões pífios. Apesar disso, a obra funciona e sua audição não é a pior coisa do mundo. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Daniel Benfica). Clique aqui para ver a letra do samba

9 - ALEGRIA DA ZONA SUL - Samba gigantesco, de letra pobre, cheia de lugares comuns, além de arremedos de Tijuca 2004, Viradouro 97 e Grande Rio 93. A melodia não evolui, e torna-se cansativa. É o tipo de samba pra passar desapercebido no Sambódromo. Sério candidato a ''boi'' do Grupo. NOTA DO SAMBA: 8,2 (Cláudio Carvalho).

Pra falar de bola, o samba não pode ser melhor do que este. Um enredo tão simples acaba tornando inevitável o aparecimento de termos nada poéticos como "Em forma de bola é o ventre da mãe/Anunciando a vida que já vai chegar". Só estranho é que o futebol praticamente não aparece na letra (a não ser na referência ao bate-bola). A melodia não possui muitas originalidades e o resultado é um samba mediano, o mais fraco do Grupo A, mas muito bem conduzido pelo competente Ciganerey. E a Alegria da Zona Sul tenta utilizar a mesma fórmula da Unidos da Tijuca em 2004, quando foi motivo de chacota ao colocar no refrão principal "Tijuca campeã do carnaval". A escola surpreendeu e obteve o vice-campeonato na ocasião. Com a Alegria, a situação é praticamente a mesma: quase ninguém aposta que a escola poderá ficar com o título. Mas quem sabe o destino realmente não pregará uma peça ao confirmar a previsão da "bola de cristal", que prevê "a Alegria campeã do carnaval". Se seguir o exemplo da Unidos da Tijuca, a Alegria alavancará. Mas, sinceramente, estou mais confiante naquele ditado de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar... NOTA DO SAMBA: 7,7 (Mestre Maciel).

A escola do Pavão-Pavãozinho/Cantagalo vêm com uma obra sem muito destaque para 2006. Com o enredo sobre a história da bola, a letra parece passar bem o enredo da mais nova vermelha e branca da Zona Sul. A obra ficou interessante no CD, bem gostosa de se ouvir. NOTA DO SAMBA: 8,4 (Induliar).

Resultado da fusão de quatro sambas finalistas (Sim!!! Quatro!!!), o hino da Alegria da Zona Sul corria o risco de se transformar num legítimo frankstein-enredo. No entanto, com boa vontade, podemos perceber o esforço que a diretoria da vermelho-e-branco da Zona Sul fez para que a obra se tornasse um compacto dos "melhores momentos" de cada concorrente. No entanto, fica a sensação de que algumas passagens melódicas são bem familiares. Por exemplo: o estribilho "É show de bola, iá, ia/deixa a tristeza prá lá, vem sambar/o meu destino eu vi, numa bola de cristal/a Alegria campeã do carnaval" lembra o refrão do samba da Rocinha de 2002 e resgata o astral dos sambistas do Borel que, em 2004, sonhavam com a "Tijuca campeã do carnaval". A letra é extensa e o excelente intérprete Ciganerey terá que ter um gogó de ferro para conduzir bem o samba até o final do desfile. NOTA DO SAMBA: 7,5 (Rixxa Jr).

Fusão de nada mais, nada menos do que QUATRO sambas, estamos diante de uma obra pavorosa. É fruto do ego dos comandantes da escola, que provavelmente construíram esse Frankenstein porque "seria o melhor para o carnaval da Alegria", porque "só assim o samba abordaria todos os aspectos do Enredo" e outras besteiras que você sempre lê nas notícias de carnaval quando um diretor tenta justificar as cagadas nas decisões de sua escola. Esse negócio de fusão é muito complicado. Laíla faz isto na Beija-Flor, mas é um cara que sabe muito de samba, que concorreu como compositor no Salgueiro dos anos 60 - não é alguém que começou agora e não tem noção do que está fazendo. Espero que esse "fenômeno das fusões" não se alastre por mais escolas, gerando sambas terríveis como este. Melodia genérica, letra sem sentido ou qualquer continuidade - enfim, uma confusão sem tamanho para falar sobre... bola. Ninguém merece. A única coisa boa da faixa é a interpretação do sempre competente Ciganerey. NOTA DO SAMBA: 4,3 (João Marcos).

Olha o boi-com-abobora aí gente!!! É inacreditável que um samba desse nível seja levado para a Sapucaí. Não é o pior da história porque nisso o carnaval já teve outros muito piores, mas que é uma obra pavorosa, desprovida de qualquer sentido, isso é. Esse hino é um exemplo ruim do que fusão estapafúrdia gera. Como o João Marcos definiu, é mais uma obra fruto do ego ou de decisão política dos comandantes da escola. Um recado: fusão não é para qualquer um, isso deve ser feito por quem entende muito, mas muito de samba. Sobre o lamentável hino da Alegria, o que eu vou falar? Uma melodia genérica, uma letra com diversas passagens que foram usadas em outros hinos de diversas escolas e, além disso, a letra é sem qualquer sentido ou continuidade. Enfim, uma confusão sem sentido para falar sobre bola. O competente Ciganerey tem uma boa interpretação e é a única coisa bacana da faixa. NOTA DO SAMBA: 4,3 (Daniel Benfica). Clique aqui para ver a letra do samba

10 - TRADIÇÃO - ''Bahia de Todos os Deuses'' é um samba atípico, pois apesar de antigo, adapta-se perfeitamente aos padrões atuais, uma vez que pode ser ''jogado à frente'' sem nenhum prejuízo de harmonia e evolução. A gravação ficou um primor, mas há de se dizer que esse hino não tem nada a ver com a escola do Campinho, e nem a tentativa de colocar ''Teu nome é Tradição'' como uma possível justificativa funciona. O samba será sempre lembrado como um das melhores de todos os tempos, mas é dos Acadêmicos do Salgueiro, e ponto final. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Cláudio Carvalho).

Sou contra a reedição de um enredo de outra escola, e é a segunda vez que a Tradição pede emprestado um tema utilizado por outra agremiação. Na primeira, com "Contos de Areia" de 2004, a escola até conseguiu se manter no Especial. Agora a Tradição resgata "Bahia de Todos os Deuses", clássico salgueirense de 1969 que deu o título à escola da Tijuca naquele ano. O principal gancho da agremiação de Campinho, sem sombra de dúvida, é o verso "Teu nome é Tradição". Coincidência, não? A introdução é espetacular, com um grito chamando os berimbaus, que vão acelerando, até dar espaço para a entrada da bateria. Igor Vianna, filho do lendário intérprete da Mocidade Ney Vianna, estréia no carnaval carioca com uma correta condução do samba no CD. O samba, aliás, pode ser adequado perfeitamente aos padrões atuais com tranqüilidade, pois pode ser jogado pra frente. O samba-enredo, que não possui uma letra tão extensa, será cantado em passadas tão curtas que, pra se ter uma idéia, a introdução dos berimbaus possui um minuto de duração. O total da faixa é de quatro. E, nos três minutos restantes, três passadas completas do samba são cantadas. E muito bem cantadas. A gravação mostra como este divinal samba deverá passar pela Marquês de Sapucaí: com perfeição e sem cansar. Certamente levará o Estandarte de Melhor Samba do Grupo A. Agora, até agora estou encucado com a mudança de "tens" cacau, "tens" carnaúba para "tem" cacau, "tem" carnaúba. Se o samba é todo em segunda pessoa e estes versos originalmente sempre foram cantados com "tens", por que a Tradição mudou pra primeira pessoa só neste verso, utilizando o "tem"? Vai ver que, de tão acelerado que será o ritmo, resolveram abolir o plural para não atrapalhar a dicção de Igor durante o desfile. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Reedição muito criticada por parte dos amantes do samba. Talvez a opção do condor seja simplesmente por, nesta obra, conter o verso "Sua história sua glória/Seu nome é Tradição". E, quando este samba foi composto, a Portela ainda estava muito por cima. Ou quem sabe veio o interesse em algum patrocínio por empresários ou políticos do estado homenageado pelo Salgueiro em 69. No CD, o samba ficou bastante acelerado, quase chegando a quatro minutos junto à introdução, que dura cerca de 1 minuto. Ainda assim, o samba consegue ter três passadas completas neste curto tempo, e isso justifica a minha nota ao samba da azul celeste, azul royal, branco, dourado e prata do bairro que divide Madureira de Jacarepaguá. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Induliar).

Uma decisão corajosa que a Tradição tomou em reeditar este samba. Primeiro, por se apoderar de uma grife do Salgueiro, presente em qualquer antologia que se preze. Depois, pelo formato do samba: letra de apenas 26 linhas e somente um - curto - refrão. Um golpe de mestre do presidente Nésio Nascimento, que é hábil em atrair as atenções para a sua escola. Em 2004, a Tradição abriu a segunda noite de desfile com a reedição de um enredo da Portela e, em 2006, irá encerrar o desfile do Grupo de Acesso pisando no asfalto em plena manhã com esse histórico samba. Destaque para a boa estréia do puxador Igor Vianna, filho do saudoso Ney Vianna da Mocidade. NOTA DO SAMBA: 10 (Rixxa Jr).

Reedição do clássico de 1969, que deu o título ao Salgueiro, a escolha da Tradição por "Bahia de Todos os Santos" pode ser inteligente do ponto de vista da competição - é evidente que quando chegar o refrão "Zum, zum, zum, zum, zum, zum, Capoeira mata um..." toda a Sapucaí vai cantar. Entretanto, mostra como a escola perdeu toda sua identidade, não tendo mais qualquer ligação com a Portela dos áureos tempos. É só mais uma escola. Quanto ao samba, é o primeiro samba interpretativo da história e abriu espaço para uma verdadeira revolução no estilo "samba-enredo", permitindo a confecção de obras mais curtas e fáceis de cantar, que dominaram os carnavais dos anos 70 e 80. Na gravação do CD, a limitação do intérprete, a falta de bossa da bateria e o andamento aceleradíssimo comprometeram a faixa. NOTA DO SAMBA: 9,4 (João Marcos).

A exemplo de outras reedições presentes no disco, eu vou dividir a nota em duas partes: o samba em si e a gravação do CD. Primeiro, vamos falar do hino: o refrão é fantástico e inesquecível. Essa obra é curtíssima e ajudou a mudar o estilo das obras dos anos 70. Para completar, é leve, bem animado, muito contagiante e caiu no gosto popular. Nota: 9,8. Já a gravação tem um andamento muito acelerado e o intérprete não teve uma atuação tão boa para a estreia. Nota: 9,5. NOTA TOTAL DO SAMBA: 9,7 (Daniel Benfica). Clique aqui para ver a letra do samba