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Os sambas de 2006

Os sambas de 2006

A GRAVAÇÃO DO CD - O álbum dos sambas-enredo de 2006 não traz nenhuma novidade com relação aos trabalhos anteriores produzidos pelo trio Laíla/Mário Jorge Bruno/Zacarias Siqueira. Em relação ao CD do ano passado, foram abolidos o foguetório e o anúncio do locutor oficial da Marquês de Sapucaí, Demétrio Costa. Ao meu ver, esses artifícios são bastante dispensáveis (embora alguns tenham reprovado o fato do vozeirão grave de Demétrio não aparecer), mas os efeitos tecnológicos de sempre mais do que nunca marcam presença. A bateria continua soando artificial, com os estilos de cada escola praticamente semelhantes (a exceção da Mangueira e da Mocidade, cujas bossas são inconfundíveis). Mas as paradinhas, praticamente ausentes no álbum de 2005, estão de volta e em massa (excelente que as frigideiras, além da faixa da Beija-Flor, também aparecem na da Viradouro). No disco de 2006, o coral aparece muito mais fortalecido com relação aos álbuns de 2004 e 2005, acompanhando já com alguma força o intérprete na primeira passada e assumindo a harmonia na segunda. Em quase todas as faixas, pelo menos em um trecho é possível ouvir o coro feminino entoando aquele "ôôô" batido que todos conhecem. Outra marca é a cadência da maioria dos sambas, principalmente no caso do samba da Porto da Pedra, mal vista por muita gente (eu gostei, achei que melhorou a obra). No mais, o arranjo de cordas continua despontando com muito destaque, o que não diferencia em nada dos CD's anteriores. Sobre a safra, muitos estão pessimistas, e outros otimistas, sobre seu sucesso. Já é certo que 2006 não superará 2001, até então a melhor safra de sambas-enredo da primeira década do século XXI. Mas muitos sambas já estão sendo muito aclamados, como o da Portela e da Império Serrano, desde o princípio citados como os melhores do Grupo Especial. Na minha opinião, Imperatriz, Mangueira, Viradouro e Beija-Flor também irão trazer para a avenida obras elogiáveis. Salgueiro, Porto da Pedra, Mocidade e Rocinha se encaixam no patamar de bons sambas; Grande Rio é o único que se enquadra como um samba-enredo médio; e Unidos da Tijuca, Vila Isabel e Caprichosos disputam acirradamente o posto de maior boi-com-abóbora da elite do carnaval carioca de 2006. Mas é bom lembrar que esta é a minha opinião. Você, internauta do SAMBARIO, tem todo o direito de discuti-la e, sobretudo, protestá-la. NOTA DA GRAVAÇÃO: 7 (Mestre Maciel).

2006 tem uma das piores safras da história do carnaval carioca. Enredos confusos deram origem a sambas mais confusos ainda. Praticamente todos seguem a mesma fórmula - a das marchinhas em tom menor, com refrões longos e sem significado, fáceis de aprender durante o desfile e fáceis de esquecer no dia seguinte. O disco é de uma chatice ímpar, comparável às safras tenebrosas de 2000 e 2003. A produção do CD, com destaque para os excelentes arranjos de violões em todas as faixas, optou por cadenciar os sambas, o que acabou mostrando, tal qual fratura exposta, a fraqueza da construção da maioria das obras. São sambas ruins até do ponto de vista técnico - versos cheios de expressões rebuscadas, que geralmente não dizem nada e tornam os enredos ainda mais indecifráveis, sendo a métrica desrespeitada por quase todos os sambas. Eu, sinceramente, estava até esperançoso por um bom CD este ano - o de 2005 não é ruim e alguns concorrentes deste ano eram excepcionais. Entretanto, as escolas, que cada vez mais escolhem seus hinos pelo poder econômico das parcerias ou por uma suposta adesão da comunidade em detrimento da qualidade do samba, escolheram esse monte de porcarias que vocês ouvirão nos desfiles do ano que vem. Pouca coisa se salva. Bons tempos eram aqueles em que os sambas eram bem simples, momentos de inspiração de compositores populares. Nenhum samba aqui pode ser aproveitado por um cantor da MPB. Nenhum "É Hoje" ou "Heróis da Liberdade". Os sambas não falam ao povo e, distantes do contexto do desfile, não dizem absolutamente nada. Lamentável... NOTA DA GRAVAÇÃO: 5 (João Marcos).

Mais um ano que se passa e mais um ano que as críticas à gravação do CD do Grupo Especial estão novamente contundentes. As principais reclamações são a padronização excessiva dos arranjos e da forma com que foram gravadas as baterias, a pasteurização da produção como um todo, o excesso de efeitos sonoros, dos corais e dos contracantos nos sambas. Como destaque, a boa cadência dos sambas (no entanto, em alguns momentos, como no caso da Porto da Pedra, o andamento ficou lento demais), as baterias voltaram a dar shows como há algum tempo não se ouvia. Este ano não houve a boa sacada do ano passado, quando o locutor anunciava os enredos no início de cada faixa. Entretanto, parece que foram abolidos (graças a Deus!) aqueles alusivos enfadonhos que só ocupavam tempo na duração das faixas. A média de duração das faixas é de 5 minutos e meio, o que garante duas passagens inteiras da letra do samba. O formato da gravação do canto se afastou do padrão clássico. Na primeira passagem da letra, o famoso "coral de Maracanã" abafa o canto do intérprete. Eu, particularmente, prefiro a voz solitária do cantor na primeira passagem para depois entrar o coral. Entre os intérpretes, algumas pequenas mudanças, em relação ao ano passado: Bruno Ribas emigrou da Portela para a Grande Rio. Wander Pires saiu da escola de Duque de Caxias e, como bom filho, voltou para sua casa, em Padre Miguel. Clóvis Pê deixou de ser coadjuvante na Mangueira e estréia como intérprete oficial no Grupo Especial pela Caprichosos - que dispensou Serginho do Porto. Apesar da experiência adquirida nas escolas de samba de São Paulo, Gilsinho puxa samba pela primeira vez na elite do carnaval do carnaval carioca e chega com a responsabilidade de conduzir o belo samba da Portela. Por fim, para frustração dos torcedores nilopolitanos, a capa - apesar de uma bonita foto do carro abre-alas da Beija-Flor - não traz a inscrição Beija-Flor Tricampeã, o que ocorreu na capa do CD de 2002, que trouxe a indicação "Imperatriz Tricampeã". NOTA DA GRAVAÇÃO: 8,5 (Rixxa Jr).

A safra do ano que vem definitivamente não é das melhores. Há bons sambas, mas a sensação que se tem é de que faltou ousadia para que escolas como Beija-Flor e Mangueira optassem por um estilo diferente do que vem apresentando há anos. Ta certo que em time que está ganhando não se mexe, mas a sensação de dejavú é inevitável. A boa notícia fica por conta dos sambas de Império Serrano e Portela, que nos fazem acreditar em tempos melhores nos arredores de Madureira. Salgueiro, depois de dez anos, finalmente volta a ter um bom samba. Em contrapartida, escolas como Grande Rio, Imperatriz, Porto da Pedra e Caprichosos ficaram devendo. Os demais estão na média. Quanto a gravação, posso dizer que gostei do tom mais cadenciado, que privilegia o som das baterias, como em 2004. Acredito, porém, que a gravação poderia ser menos técnica, mas gostei do resultado. NOTA DA GRAVAÇÃO: 9,0 (Cláudio Carvalho).

Muitos criticam a safra, alguns dizem não conseguir mais ouvir o CD dos sambas-enredos do Grupo Especial do Rio de Janeiro em virtude da péssima safra e pífia gravação. Achei a safra boa, uma das melhores deste milênio, acho a safra de 2006 melhor que as safras de 2002, 2004 e 2005. Quanto a gravação, achei que melhorou perto dos últimos CDs. Os sambas, como de costume, estão bem cadenciados para que na avenida virem frevo. Os contras são os mesmos de sempre, continuam os efeitos dispensáveis e as baterias artificiais e iguais. Ao meu ver, o CD traz uma boa safra e uma boa gravação. NOTA DA GRAVAÇÃO: 8,8 (Induliar).

O carnaval daquele ano teve uma das piores safras da história. Sinceramente, eu só voltei a escutar o cd para dar minha opinião porque as obras são tenebrosas. Quase todas seguem o estilo atual que as agremiações escolhem em termos de samba: refrões longos sem nenhum significado, versos rebuscados que tornam a idéia do enredo ainda mais confusa do que já é e a métrica é desrespeitada por quase todos. Depois do bom cd de 2005, eu esperava que o de 2006 também fosse à mesma linha, mas infelizmente, as escolas não elegem o melhor da disputa, mas sim, o que levou mais torcida, mais investimentos, etc... O resultado é esse montão de porcarias. Infelizmente, as obras são quase todas insuportáveis depois de uma ou duas audições apenas. É praticamente tudo a mesma coisa, quase nenhum tem uma melodia diferenciada, uma letra espetacular, etc... Enfim, o samba está distante do povo e esses hinos são reflexos disso. Sobre a produção do cd, o pessoal do Sambario já falou sobre isso e vou evitar encher lingüiça. NOTA DA GRAVAÇÃO: 4,8 (Daniel Lorga).

1 - BEIJA-FLOR - Como tricampeã do carnaval, a agremiação de Nilópolis abre, pela terceira vez consecutiva, o CD do Grupo Especial. E nada como a audição inaugural do álbum de 2006 ser o mais famoso grito de guerra de todos: "Olha a Beija-Flor aí gente! Chora cavaco". O samba segue o estilo característico da escola desde 1998, quando desfilou e dividiu o título com a Mangueira com o enredo sobre os Caruanas: melodia pesada, em tom menor e com passagens tristes, invocando sofrimento. A fórmula vem dando muito certo, pois a Beija-Flor ultimamente anda levando para a avenida sambas envolventes, que valem a pena ser ouvidos com atenção para que suas construções melódicas sejam cada vez mais admiradas. Não há dúvidas que os últimos hinos da agremiação de Nilópolis deram uma claríssima contribuição no tricampeonato, sendo que o de 2005 levou o Estandarte de melhor samba-enredo. Mas, em efeitos de comparação, o samba que fala sobre Poços de Caldas é inferior aos dois anteriores da escola, porém melhor que o de 2003 (este excelente no CD, mas que não teve um desempenho tão bom na Sapucaí, apesar do título). O samba possui um refrão principal que não deixa de ser valente, mas o central, sem dúvida, é o ponto forte do hino da Beija-Flor de 2006. Praticamente 100% em tom menor, as duas partes possuem melodia estupenda e redondinha e Neguinho da Beija-Flor, responsável mais uma vez por conduzir um samba-enredo pesadaço, tem grande atuação no disco. Deverá brigar com Portela e Império Serrano pelo Estandarte de Ouro de melhor samba. Mais uma vez, a Beija vem muito bem servida no quesito samba-enredo. As frigideiras, como no disco do ano passado, aparecem com destaque. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Mestre Maciel).

A escola escolheu um samba de verdade. Bem construído, com momentos inspirados na parte melódica. Destaque também para a interpretação impressionante de Neguinho. O samba perdeu músculos em comparação com a versão de Wander Pires durante as eliminatórias, mas ganhou muito mais charme, com Neguinho ressaltando as sílabas chaves para tornar o samba mais emocionante. Comparar as duas versões é covardia. O problema desse samba é o enredo - os compositores tiraram "água" de pedra, conseguiram explicar a confusão com simplicidade, mas é difícil ser lírico falando de Atlântida, Rei Netuno e... Poços de Caldas. Enfim, vai funcionar no desfile, é bonito, mas não tem a qualidade transcendental dos dois últimos sambas da escola. Por fim, a produção caprichou ao colocar os tambores no refrão do meio, ressaltando a melhor parte da obra. NOTA DO SAMBA: 9,4 (João Marcos).

Um bonito (mas previsível) samba, dentro da fórmula já consagrada pela Deusa da Passarela pelo Imperador Laíla & Comissão de Carnaval desde 1998: obras com letras longas, melodia em tom menor, harmonia pesada e triste, invocando sofrimento. A proposta do enredo é confusa. Quem lê a letra do samba tem a impressão de que Poços de Caldas foi o cenário da criação do mundo e que é o paraíso na Terra. O refrão do meio é muito bonito: "Rei Netuno quero navegar/tenho medo deste mar secar/me proteja quero mergulhar/pro seu reino desvendar". Destaque também para a estrofe "A semente brotou com ela redenção e paz/Poços de Caldas tu és Minas Gerais/derrama sobre a terra suas águas milagrosas" que tem uma bonita construção melódica. As frigideiras acompanhando a bateria deram um tempero todo especial ao andamento do samba, que ficou bem gravado e se enquadrou na voz de Neguinho da Beija-Flor, apesar da interpretação contida na primeira parte. O cantor só se solta mesmo nos cacos da segunda parte. Ao final da gravação, uma homenagem ao mestre Aroldo Melodia (do qual Neguinho admite ser fã) quando o intérprete nilopolitano solta um "segura a marimba". NOTA DO SAMBA: 8,5 (Rixxa Jr).

Belíssima letra e belíssima melodia. Neguinho deu um tom dramático à gravação, com cara de Beija-flor. Apesar de considerarem esse samba inferior a 2004 e 2005, eu o considero superior, até porque esses outros não suportava ouvir no CD. A letra é de um poesia, é um lirismo maravilhoso. Obiviamente o ponto forte é o refrão do meio e o pior do samba é que a melodia lembra muito o da Grande Rio 2003. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Daniel Reis).

Pelo terceiro ano consecutivo, a Dona Beija vem abrindo o cd das escolas de samba, e mais uma vez com um samba de melodia sóbria, em tom menor, e letra bem elaborada, como tem sido característica da escola. Acho, porém, que isso tem se tornado repetitivo na história da escola, e que mexer um pouquinho na fórmula não faria mal a ninguém. Conste que a safra desse ano não era nem de longe a melhor na escola de Nilópolis. Laíla chegou ao extremo de cancelar a disputa e mandar os compositores refazerem seus sambas. Diante desse quadro, o resultado final está até bom demais. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Cláudio Carvalho).

A escola, nos últimos anos, nos vêm brindado com obras que, se não não excelentes, não comprometem. Inferior ao meu ver aos sambas dos últimos anos. Os sambistas no geral aprovam a obra que a campeoníssima e grandiosa da Baixada traz para 2006. Melodia interessante, letra que explica bem o enredo, o problema ao meu ver é o patrocinador, que foi encaixado de forma ao meu ver estranha e forçada: a saga das águas, mas também não havia melhor forma e foi encaixado da melhor possível, tanto no enredo como no samba, ao meu ver o patrocínio compromete um pouco a letra, que a grande favorita ao tetra traz para 2006. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Induliar).

Para abrir o CD, o grito de guerra mais famoso do carnaval: "OLHA A BEIJA-FLOR AÍ GENTE/CHORA CAVACO!", Neguinho da Beija-Flor como sempre dando seu show particular nos sambas sérios e pesados da Beija-Flor. Creio eu que desde 1997 a Beija-Flor não tenha um samba em tom maior, animado. E esse de 2006 não foge a regra, pesado, com melodia muito forte. E pra piorar, os enredos complicadíssimos de Cid Carvalho dificultam o trabalho dos compositores, mas dessa vez, eles se saíram bem. A letra do samba é bem construída, e dentro do enredo, ou melhor, das várias partes do enredo. Mas o meu destaque, e algo que me emocionou nesse samba-enredo, foi o grito de "segura a marimba" de Neguinho no fim do samba, relembrando o grande mestre Aroldo Melodia, excelente homenagem, de quem sabe como se faz. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Luiz Henrique).

Um dos raros sambas que prestam nessa safra. É uma obra bem construída, com bons momentos melódicos e um belo refrão do meio. O problema desse hino é o enredo, que mistura alhos com bugalhos e dificulta os compositores na hora de se fazer uma grande obra. Enfim, o samba tem o seu valor, mas é inferior aos dois anteriores da escola de Nilópolis. A interpretação de Neguinho é muito boa. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

2 - UNIDOS DA TIJUCA - A decepção do ano! A atual bi-vice do carnaval, sob o comando do inovador carnavalesco Paulo Barros, não busca mais escolher os sambas-enredo de requintes clássicos, da altura de um "O Dono da Terra" (1999) e "Agudás" (2003). A escola ultimamente escolhe sambas simples de qualidade razoável, mas de iminente bom funcionamento na avenida. Nada de inovações melódicas ou poesia pura para encher os ouvidos do bamba. Para o estilo de Paulo Barros, repleto de alas coreografadas, um samba-enredo que não chame tanto a atenção basta para que a agremiação cumpra seus objetivos na Sapucaí. Foi assim, com sambas medianos, que a Unidos da Tijuca obteve dois vices nos dois últimos carnavais. E assim que continuará sendo, agora rumo a um campeonato que não conquista há exatos 70 anos (última vez foi em 1936). Quanto ao samba, ele realmente não tem nada de especial. O refrão principal é fraquíssimo e passa desapercebido. Já o central deverá aparecer com um pouco mais de destaque. A melhor parte do samba (ou a menos pior) é a segunda, formada pelos seguintes versos "Suspense eternizado/Na tela, um beijo apaixonado/O filme que passa em minha mente/Com a música, ganha o coração/Chega a emocionar/Ver a platéia delirar/Vibra o maestro/Vendo o artista na consagração". Como o samba de 2004, a letra traz trechos poucos inspirados e rimados em verbos no infinitivo, como "Chega a emocionar/Ver a platéia delirar". Pode funcionar bem na avenida, principalmente com Wantuir, atual dono do Estandarte de melhor intérprete, e ajudar a Unidos da Tijuca na conquista do título, mas a escola cantará um de seus piores sambas dos últimos trinta anos. NOTA DO SAMBA: 8,1 (Mestre Maciel).

Uma marchinha sem vergonha, que não explica o enredo (que, por sinal, é tão confuso que deve dar o tricampeonato no Estandarte de Ouro para Paulo Barros). O refrão principal é fraquíssimo. O do meio entra atropelando, dificultando o canto do último verso da primeira parte. O erro de métrica é tão claro que dói no ouvido. A segunda parte é um pouco melhor, tem variações melódicas interessantes. Enfim, o samba segue a mesma fórmula de 2005, mas com bem menos sucesso. O destaque maior é mesmo a interpretação de Wantuir, que salva o samba de ser um fiasco total. NOTA DO SAMBA: 7,3 (João Marcos).

Com um rufar de tímpanos, acordes de cavaco simulando a Quinta Sinfonia de Beethoven (aquela do tchan-tchan-tchan) e o grito de guerra de Wantuir "diretamente do Borel: dá o shooow, bateria pura cadência", o samba da Unidos da Tijuca, na verdade, vem no rastro da obra do ano passado: eficiente, mas sem novidades. A composição mescla momentos em tom maior e menor, o que garante grandes possibilidades de canto e de convenções na bateria. No fundo, fica uma sensação de frustração porque a Tijuca tinha condições de ter escolhido um samba melhor. NOTA DO SAMBA: 7 (Rixxa Jr).

Um samba fraco, assim como todos os concorrentes desse ano da Tijuca, devido à complexidade do enredo, apesar desse ser o mais claro e compreensível da Era Barros. O final do samba é espetacular: "Se a música tocou a alma um dia/sempre traz uma imagem que hoje faço fantasia", esse pedaço explica todo o enredo, coisa que o samba da Tijuca na era Barros nunca fez. Mas os refrões são muito fracos. NOTA DO SAMBA: 8,6 (Daniel Reis).

Mais uma vez a Unidos da Tijuca prova que vem se superando, e traz para seu desfile um belo samba, com melodia valente e refrões para levantar o público na Marquês de Sapucaí. É um samba que mantém a tradição da ala de compositores da escola, uma das melhores do nosso carnaval. Desde 1999, a Tijuca só teve samba bom. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Cláudio Carvalho).

Samba muito criticado, com destaque ao trecho ("Um filme que passa em minha mente/a música ganha o coração"). Pessoalmente eu não acho de todo ruim, mas decaiu a qualidade em relação aos sambas dos anos anteriores da era Paulo Barros. Muitos colocavam a azul e amarelo dos morros do Borel e Casa Branca, dos portugueses e da Rodoviária como umas das favoritas ao título, mas com o samba escolhido pelo Pavão Borelense para 2006, muitos perderam a crença em um campeonato depois de mais de 70 anos do único título do primeiro grupo que a escola possui. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Induliar).

Esperava mais, muito mais até. De uma escola que tem dois vice-campeonatos seguidos, esperamos que venha com um samba majestoso de novo. Mas esse é um dos piores sambas que já ouvi da Tijuca, mesmo com a interpretação maravilhosa de Wantuir. Os compositores tentaram fazer mais uma vez um samba divertido que chame a platéia, mas não prezaram a melodia, por isso, derrubou um pouco o samba. Espero eu, que um dia a Tijuca volte a fazer um samba do calibre de "O dono da Terra" (1999), ou de "Navegar foi Preciso!" (2000), que aí sim, a Tijuca pare de conquistar vices e consiga ganhar um título, que não vem desde 1936. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Luiz Henrique).

Fraco. Essa é a melhor definição para essa marchinha ridícula que a escola levou para a Sapucaí naquele ano. O refrão principal é fraquíssimo e o do meio tem um erro de métrica absurdo. A segunda é um pouco melhor e tem algumas variações melódicas interessantes, mas o que salva o samba de ser um fiasco é a boa interpretação de Wantuir. NOTA DO SAMBA: 7,3 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

3 - GRANDE RIO - A gravação deixou o samba bastante audível e animado. Bastante criticado quando escolhido em detirmento ao samba do Cláudio Russo, o composto pela parceria de Márcio das Camisas peca muito em letra, com trechos nada inspirados como "Teu nome do mapa ninguém vai tirar" e "Chegou a hora do Brasil gritar com todo gás". O refrão principal é interessante em termos melódicos. Já o central creio que a equipe de cantores comandada por Bruno Ribas irá ter muitas dificuldades para entoá-lo na avenida em função das numerosas frases longas que terão de ser ditas numa fração de segundo. Sobre Bruno, no CD mais uma vez cantou como ele mesmo. Nada de imitar Wander Pires. Ao meu ver, a Grande Rio cantará o único samba do Especial de porte médio em 2006. Entre tantos sambas-enredos em homenagem à Amazônia (atualmente, a média de escolas que desfilam falando sobre a nossa floresta é quase de uma por ano), o hino da agremiação de Duque de Caxias deverá ser um dos menos lembrados sobre o tema logo após o carnaval. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Mestre Maciel).

A escola de Caxias cometeu um crime ao deixar de escolher o melhor samba-enredo do ano, de autoria de Cláudio Russo e cia. Por este motivo, este samba foi execrado em fóruns de carnaval internet a fora. A obra, entretanto, é boa. O refrão principal é bem construído, fácil de cantar. O samba tem boas variações melódicas e uma letra que conta o enredo com simplicidade. É um samba tecnicamente perfeito, que vai crescer bastante com a bateria do mestre Odilon. Porém, faltam aqueles momentos de inspiração que o samba de Cláudio Russo tinha. "Que fim levou o arco e flecha ante o arcabuz?". A escola tem uma obra muito superior a de 2005, mas é frustrante pensar que poderia ter o samba do ano e o jogou fora. NOTA DO SAMBA: 8,7 (João Marcos).

Um samba muito feliz (apesar do tema batido), com passagens melódicas interessantes. A proposta de garra na defesa pela Amazônia é o grande mote do samba. As modificações na letra o deixaram mais eficiente. Apesar de ainda ser contestado, Bruno Ribas dá conta do recado, com sua bela voz. NOTA DO SAMBA: 9 (Rixxa Jr).

O samba é muito fraco, um dos piores do ano. A modificação na segunda parte piorou muito o samba. O refrão principal é até interessante, daqueles que pegam fácil. Mas a letra tem partes boas, partes ruins... mas acho que vai funcionar pra escola na avenida. NOTA DO SAMBA: 7 (Daniel Reis).

Reza a lenda que o samba favorito para ganhar a disputa era o de Cláudio Russo e cia, mas que Zeca Pagodinho teria interferido para que o samba vencedor fosse o de Márcio das Camisas e sua turma (supostamente composto por Arlindo Cruz). O que posso dizer é que trata-se de um samba de letra e melodia fracas, um arremedo de ''Lendas e Mistérios da Amazônia''. Esse enredo, aliás, já se tornou batido, mas pode ser que a escola de Caxias faça um bom desfile e volte a figurar entre as primeiras, uma vez que ela é uma das mais estruturadas do carnaval contemporâneo. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Cláudio Carvalho).

Enredo patrocinado, repetitivo e severamente criticado. O tombo do ano de um compositor consagrado que assina outra obra do Grupo Especial, não agrada à muitos, fora muita criticada a escolha do samba da maior tricolor da Baixada. Pessoalmente o acho um bom samba, o nível melhorou muito em relação ao samba do ano passado. A letra é bem simples e tem uma melodia agradável. Preferia antes da gravação do CD, pessoalmente não gostei da troca de "Caxias" por "Brasil" no refrão. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Induliar).

Samba gostoso de se ouvir, mudanças melódicas interessantes do segundo refrão para a segunda estrofe, e junto com a forte voz de Bruno Ribas, se fez um dos melhores do ano. NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Henrique). 

Esse samba gerou muitos protestos na época em que foi escolhido porque o hino de Cláudio Russo e Cia perdeu a disputa para esse. O hino  perdedor era infinitamente melhor que o que de fato foi escolhido, mas a obra que foi para a avenida tem suas qualidades como o bom refrão principal, alguma boas variações melódicas e uma letra simples que conta o enredo de forma competente. Entretanto, a composição não tem aqueles momentos poéticos que diferenciam os grandes sambas dos demais e isso o da parceria perdedora tinha. NOTA DO SAMBA: 8,8 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

4 - IMPERATRIZ - A extraordinária melodia compensa com sobras a precária letra! Com partes melódicas originais e interessantes, o hino da Imperatriz de 2006 torna-se o mais doce e inocente do ano. Não sei se é porque Niltinho Tristeza é o compositor, mas o estilo do samba, ao meu ver, chega a se assemelhar à "Liberdade, Liberdade, Abre as Asas sobre Nós", de 1989, também de melodia deliciosa. Sobretudo, o samba-enredo da Imperatriz é lírico e tem partes que emocionam. O lalaiá que abre e fecha a faixa juntamente com os belos acordes do cavaco dão mais valor ao samba. As notas longas são a principal característica, principalmente na segunda parte. Na primeira, espero que o eficiente Ronaldo Yllê (seguro na interpretação mais uma vez) consiga entoar, com boa dicção, as frases ditas muito rapidamente. O refrão central é de intenso agrado. Já a segunda parte é maravilhosa, simplesmente encantadora, que narra o encontro entre Anita e Giuseppe Garibaldi. E o refrão principal, também de melodia doce, fecha com chave de ouro mais uma bela obra-prima da agremiação de Ramos, que levará, pela terceira vez consecutiva, um samba-enredo de excelente qualidade. Só achei a paradinha da bateria neste refrão, na primeira passada, bastante exagerada. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Mestre Maciel).

O melhor samba do ano. Pelo menos, dentre os escolhidos. Os mestres Niltinho Tristeza e Tuninho Professor, autores de mais da metade dos sambas da escola, deram uma aula - o hino de 2006 da Imperatriz tem uma letra simples e direta, com toques poéticos, mas sem o palavreado rebuscado que estraga os sambas que têm a pretensão de serem líricos. A melodia é leve, com variações melódicas ricas. É um samba que lembra um pouco o estilo do de 1986, que também é da dupla e fez o público vir abaixo durante o desfile daquele ano. A cadencia imposta pela produção do CD só ressaltou suas qualidades. Se não é antológico, pelo menos resgata as características que os melhores sambas dos anos 80 tinham. NOTA DO SAMBA: 9,7 (João Marcos).

Para quem adora sambas melodiosos, como eu, este é um prato cheio. Os experientes Niltinho Tristeza, Tuninho Professor e companhia foram muito felizes na composição da obra. A melodia é vibrante, alto astral, e me lembra os alegres sambas de 93 e 94 apresentados pela escola de Ramos. Um dos melhores sambas de 2006. NOTA DO SAMBA: 10 (Rixxa Jr).

Um ótimo samba, mas nada de excepcional. O refrão (pra quem fala que o da Viradouro é lugar comum) é mais lugar comum ainda, não gostei da primeira parte, muito corrida, e aquela parte "O lema é" dói meu ouvido, mas o refrão central e a segunda parte são maravilhosos, sublimes, uma grande história de amor: "Vê que momento lindo, amor, amor... quando viu Anita, ele se apaixonou". NOTA DO SAMBA: 9,3 (Daniel Reis).

Um dos piores sambas da escola de Ramos, e sério candidato a boi com abóbora do CD (só perde para a Rocinha). Melodia arrastada, cheia de notas longas, e letra paupérrima, além de manjadíssima, são a tônica. Mas a Imperatriz, com Jorjão a frente da bateria, é outra que deve fazer bonito, como sempre. NOTA DO SAMBA: 7,8 (Cláudio Carvalho).

Depois de oito anos, a Imperatriz Leopodinense volta a desfilar no domingo, mas continuando com os temas patrocinados e tomando outro calote. A opinião dos sambistas se divergem muito neste samba. É muito comentado que alguns trechos correm muito na letra. Tem uma letra simples e uma melodia interessante. Na minha opinião, o samba que a escola de Ramos traz para 2006 é muito superior ao samba de 2005. Como disse, a letra é fácil de se aprender e a melodia é bem gostosa. Ao meu ver a maior escola da Leopoldina traz um dos melhores sambas do ano. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Induliar).

O samba veio no ano seguinte a um clássico do carnaval, na minha opinião. A "Delirante confusão fabulística" da Imperatriz de 2005, poderia ter rendido melhores frutos, por ser um samba dos mais lindos. E o samba de 2006, perdeu a sua beleza, quando comparado ao ano anterior. Não tem o apelo que tinha o samba de 2005, não tem a melodia, só tem o interprete, que é o mesmo. Ou seja, um bom samba, que se enfraquece com a lembrança de outros carnavais. NOTA DO SAMBA: 8,9 (Luiz Henrique).

Os bambas tem opiniões diferentes nesse samba. Alguns gostam bastante, outros não. Eu fico na primeira opção. É um hino que tem uma letra simples e direta, com toques poéticos, mas sem aquele palavreado rebuscado. A melodia é leve, com belas variações melódicas. Não é antológico, mas é um dos poucos que se salvam nessa safra tenebrosa. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

5 - SALGUEIRO - O samba-enredo, resultado da fusão entre as obras da parceria de Tiãozinho e de Moisés Santiago, é um dos mais aceitáveis da Academia dos últimos anos. Mesmo tachado pelas já tarimbadas críticas, desde a primeira audição vi qualidades no hino salgueirense para 2006. A fusão foi muito bem realizada. O refrão principal "Na batida de um coração..." era, originalmente, o central do samba de Moisés. Este possui uma envolvente melodia, que deverá chamar a atenção na avenida. A primeira parte, da parceria de Tiãozinho, é inspiradíssima em termos de letra. O trecho "O que sou eu no universo/Simples ser humano/Grão de areia no deserto/Gota d’água no oceano" foi realmente muito bem construído. O refrão central também não deve passar desapercebido. A segunda parte também é interessante, embora não tenha uma melodia tão original. Com mais uma interpretação animada e competente do sempre pisado pelos críticos Quinho, aliada a boa cadência no álbum, o Salgueiro cantará, em 2006, um samba mais elogiável em relação aos anteriores. Só uma observação: não sei se era necessário a bateria do Sal imitar as batidas de coração da Mocidade de 2003. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Impressionante como o Salgueiro não confia em seu intérprete. Quando Quinho vai ter um samba de verdade para cantar? Não adianta escolher marchas sem graça, que até podem funcionar na quadra, mas que passam em branco na avenida e não são bons para se ouvir no CD. O enredo, que é uma baboseira sem sentido e só servirá para os carros high-tech de Renato Lage, não se transformou numa letra trash por milagre. O segundo refrão é totalmente sem graça e serve apenas de ponte entre as duas partes do samba. A marchinha de 2005 era competente e até mereceu as notas 10 que ganhou dos jurados. Este aqui pode não comprometer o desfile, mas não é samba para escola que quer ser campeã. E olha que o Quinho teve uma ótima interpretação no CD, escondendo as limitações do samba com um desempenho cheio de energia... NOTA DO SAMBA: 8,1 (João Marcos).

A fusão de dois sambas finalistas resultou num hino que foi muito bem gravado e conduzido com a costumeira vibração pelo contestado Quinho. O samba do Sal não é nenhuma obra prima, mas é o melhor da escola desde 2000. O perigo é, na avenida, acabar descambando para o marcheamento até pelo fato da escola ter a responsabilidade de abrir o desfile da noite de domingo. NOTA DO SAMBA: 9 (Rixxa Jr).

Inicialmente, eu achei a junção péssima! O refrão principal cai muito, produz efeito a lá Buon Mangiare. Mas agora estou começando a gostar do samba, é super animado e acho que vai dar muito certo na Sapucaí. No entanto, há de se criticar a letra, pois a segunda. parte não diz nada com coisa nenhuma. Sendo que o samba repete quatro vezes a palavra "vida". NOTA DO SAMBA: 8,4 (Daniel Reis).

Desde 1996 a escola não vinha com um samba tão bom. A série de insucessos foi quebrada mediante uma parceria entre os times de Moisés Santiago e Leonel, e o resultado é um samba certinho, de melodia redondinha e letra bem trabalhada. É bom porque põe fim à impressão que alguém porventura tivesse ter de que eu não gosto da escola. Isso porque juntaram a primeira do Leonel com a segunda do Moisés, porque se fosse o contrário a nota seria bem diferente... NOTA DO SAMBA: 9,5 (Cláudio Carvalho).

Depois de anos, ocorre uma fusão de sambas na final das eliminatórias da Academia do Samba. Enredo que, ao meu ver, não se tem nada a acrecentar e apenas gerar fantasias e alegorias de plantas e animais e os neons, que para mim no fim será uma mera aula de biologia de quinta. Quanto ao samba da tradicional escola tijucana, a melodia segue os padrões que vêm sido seguido há anos na maior escola da Tijuca. A letra não tem muita poesia, mas ela me agrada. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Induliar).

Samba mais uma vez divertido e alegre da Academia. Excelente, muito bem composto e fundido pelos compositores, e, como sempre, muito bem interpretado pelo grande Quinho. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Luiz Henrique).

O samba salgueirense é mais um daqueles que não tem a mínima graça. É uma composição que não merece nota tão baixa como os hinos da Caprichosos, Rocinha e Porto da Pedra, mas também não tem nada para merecer uma avaliação melhor. O que ajudou a obra no cd foi à boa interpretação do Quinho, que deu uma sobrevida a esse samba fraco, cujo refrão do meio é muito sem graça. A letra também não se salva, principalmente por conta do confuso enredo de Renato Lage. NOTA DO SAMBA: 8,1 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

6 - MANGUEIRA - Com Jamelão em plena forma no auge de seus 92 anos, ele irá compor, com o não menos talentoso Rixxa (comicamente chamado de Rhychahs na contracapa do encarte, onde mostra os participantes do coro), um invejável carro de som da verde-e-rosa na Marquês de Sapucaí no próximo carnaval. Com uma performance impecável no CD, ele faz crescer ainda mais um excelente samba-enredo, de letra extensa (o que não é comum na Mangueira) mas com inspiradíssimas variações melódicas. Os dois refrões são maravilhosos e as demais partes também são de se elogiar, com todos os numerosos trechos, sem exceção, ganhando uma adorável melodia. Sem dúvida, um dos grandes sambas do carnaval 2006. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

O fato do samba não possuir na letra o maldito "Sou Mangueira" levou ao pessoal dos fóruns de carnaval a elevá-lo à condição de obra-prima. Ainda mais pelo fato de, quando das eliminatórias, o samba ter sido defendido por Rixxa, o queridinho dos internautas. Outro fator que determinou a supervalorização da obra foi o fato de ser em tom menor, que dá à obra um tom "classudo", recurso muito utilizado pelos escritórios de compositores para iludir o ouvinte. Enfim, tais considerações foram apenas para colocar a obra no seu devido patamar - apesar de marcheado em diversas partes, é um dos melhores sambas do ano. O refrão de cabeça pode não ter explosão, mas é inegavelmente bonito. A primeira parte é bem construída e o segundo refrão é fortíssimo e deve levantar a avenida. Na segunda parte, o samba se perde e acaba ficando mais comprido do que deveria. Faltam na melodia as variações necessárias para manter a atenção do ouvinte. É um samba capaz de embalar uma escola campeã, ainda mais em se tratando de Mangueira, mas não é tão fantástico como tem gente falando por aí. NOTA DO SAMBA: 9,2 (João Marcos).

Um samba ousado, com mudanças melódicas interessantes e ter a letra um pouco mais extensa do que habitualmente a Manga apresenta. O ajuste necessário na letra (a carranca NA Mangueira vai passar) foi bem providenciado. O mestre Jamelão fez bonito e mostrou o tradicional talento ao cantar este belo samba. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Rixxa Jr).

Samba arrastado, chato. A segunda parte é terrível, não sei o que viram nesse samba. Acho o pior da Mangueira desde 1997. Salvo os dois refrões, sublimes e com cara de Mangueira e a letra da primeira parte, que é muito boa. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Daniel Reis).

O que falei a respeito da Beija-Flor serve para a Mangueira. Ninguém agüenta mais samba com ''verde e rosa'' na letra. Esse até que começa bem, mas se perde na segunda parte, quando sua melodia dá uma caída. Como destaque, aponto o refrão do meio, comparável a ''Vou invadir o Nordeste...'', ''Quem plantar a paz...'', e outros que levantaram a Sapucaí. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Cláudio Carvalho).

Samba considerado excelente pela maioria dos sambistas, alguns alegam que tem trechos marcheados mesmo com passagens bonitas, acredito que na avenida o samba se torne uma verdadeira marcha, com o samba quase que certamente sendo executado em ritmo de frevo com os pedaços ditos marcheados, o que pode fazer com que samba da verde-e-rosa de 2006 vire uma marcha. A letra tem umas passagens bonitas e outras interessantes, melodia também interessante. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Induliar).

Quando se trata de Mangueira se espera sambas de grande qualidade, e esse samba não fica atrás. Muito bonito, de canto fácil e melodia simples. Cara de Estação Primeira. Outro bom samba do ano. NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Henrique).

Um bom samba, mas nada de excepcional. Essa é a melhor definição do hino mangueirense para o carnaval daquele ano. A obra tem dois bons refrões e uma primeira parte bem construída. O problema mesmo é na segunda parte, que é muito longa e arrastada. É um dos destaques de uma safra horrorosa como essa, mas muito longe de ser fantástico como foi divulgado na época. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

7 - PORTO DA PEDRA - A cadência em demasia dada ao samba do Tigre no CD reprovou nove entre dez bambas. Talvez eu seja o décimo e único que tenha gostado, pois tal cadência, ao meu ver, não só melhorou como também valoriza bastante o samba-enredo da Porto da Pedra. A introdução da faixa, com um lalaiá cantado pelo coral feminino, é muito bonita. A melodia é lírica e a letra, embora curta, é boa, com trechos bem poéticos presentes na primeira parte. No refrão principal, a pausa dada entre os versos "Meu Porto da Pedra explode em prazer" e "A essência do universo", numa primeira audição, soa esquisita em função da cadência da bateria. Mas logo o bamba se acostuma. Os refrões do samba são fortes e a melodia, principalmente na segunda parte, é inspirada. Mas é óbvio que a Porto da Pedra não cantará o samba desta maneira tão cadenciada. Na avenida, sua velocidade quadriplicará, o que deverá acarretar na intensa queda de produção do samba-enredo da escola. Mais uma vez, o excelente Luizinho Andanças, o novo tenor da Sapucaí, aparece muito bem na condução do samba do Tigre de São Gonçalo. NOTA DO SAMBA: 9 (Mestre Maciel).

A produção do CD está sendo muito criticada pelo andamento lento que conferiu a esta faixa. Acho que Laíla e sua trupe se viu com uma "bananosa" nas mãos - o que fazer com este samba, que é fraquíssimo, apesar de ter alguns bons momentos. A opção por dar um tratamento épico, que cai muito bem na voz de Luizinho Andanças, acabou expondo tudo de ruim que a obra tem e que provavelmente fica meio ocultado na quadra, com a bateria da Porto da Pedra conferindo aquele característico andamento rapidíssimo. O resultado é que, mesmo com todos os fru-frus e corinhos inseridos na faixa, o samba não funciona no CD. A escola nunca apresentou um grande samba e este aqui está do nível dos anteriores. Luizinho tentou cobrir as lacunas melódicas e os erros de métrica que se sucedem durante toda a faixa com sua excelente técnica vocal, mas não deu certo. A impressão que dá é que todos trabalharam arduamente para tentar salvar a faixa. Não conseguiram. NOTA DO SAMBA: 6,9 (João Marcos).

Um samba comum e autêntico pula-faixa. Pra mim, a melhor definição da obra que a escola de São Gonçalo vai levar para a Sapucaí. Uma melodia retilínea e com poucas variações musicais, tornando-se pouco atraente para uma escola que vai abrir a segunda noite de desfile. Ou seja, apenas um samba quadradinho que ficou muito lento na gravação do CD. Luizinho Andanças tenta salvar o samba, mas pouco conseguiu. A grande incógnita do carnaval. NOTA DO SAMBA: 6,5 (Rixxa Jr).

A gravação realmente ficou péssima, mas o samba é muito bom, tem uma letra poética, gostei. Considero-o um dos melhores sambas do Porto. Acho que pode crescer na Sapucaí. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Daniel Reis).

Depois de reeditar um samba que não era seu, a escola de São Gonçalo se prepara para mais um mico, com esse samba de melodia sonolenta, cheio de notas longas, do tipo que não dá pra jogar pra frente (parecido com o de 2004). A letra parece de escola do Grupo A que briga pra não cair pro B (porque as que brigam pra subir geralmente tem sambas melhores que as do Especial). Pode parecer choro de perdedor, mais o samba do meu parceiro Luiz Tadeu Soares era infinitamente melhor. NOTA DO SAMBA: 7,9 (Cláudio Carvalho).

Samba que, antes da gravação do CD, já era severamente criticado pelos sambistas, que muito o tachavam de marchinha sem graça. No CD tem um andamento mais lento, o que pareceu estranho para os ouvidos dos sambistas, mas alguns já se acostumaram. No final, todos sabemos que irá virar frevo. O samba da União da Ilha, no ano passado, foi bastante acelerado e mesmo assim fez muito sucesso. A letra não compromete muito e explica bem o enfoque que não me agrada muito dado ao enredo da vermelha-e-branca de São Gonçalo. A melodia é bem simples, sem muitos destaques. NOTA DO SAMBA: 8,3 (Induliar).

O pior samba do ano, fraco, marcheado, e que levou a uma correria na avenida. Também, depois de se reeditar um "Festa Profana", qualquer coisa se torna pouco. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Luiz Henrique).

Sinceramente, a produção do cd pode ter muitos defeitos, mas ela não deve receber a culpa pelo pífio resultado do samba da Porto da Pedra. É um hino muito fraco tecnicamente, com diversos erros de métrica por toda a faixa e uma letra muito aquém do enredo. Enfim, é um samba que mantém o nível dos sambas anteriores a 2007 da Porto da Pedra. NOTA DO SAMBA: 6,8 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

8 - VIRADOURO - Para mim, a melhor gravação do CD e também a melhor atuação, de Dominguinhos do Estácio! Após sete vitórias consecutivas de Gusttavo e companhia (claro, não conta a reedição do Círio, em 2004), a parceria de Dadinho desbancou os sambas animados, em tom maior e semelhante a marchas que Gusttavo consagrava a cada concurso da agremiação de Niterói. Pois o samba-enredo para 2006 da Viradouro é muito diferente dos anteriores, pois é todo em tom menor e a letra é extensa. Havia boatos de que Dominguinhos, que fazia parte da parceria de Gusttavo, poderia deixar a Viradouro com a derrota. Felizmente, o experientíssimo intérprete irá para o seu décimo carnaval consecutivo na escola com a responsabilidade de conduzir um samba-enredo maravilhoso, envolvente e empolgante. A começar pelo refrão principal, valente da primeira a última letra. A primeira parte dá gosto de ouvir principalmente na segunda passada no CD, quando o sempre eficiente Mestre Ciça coordena a melhor paradinha do CD e, na minha opinião, o mais sensacional momento do álbum de 2006. Ela entra com tudo a partir do trecho "Nas obras de pedra-sabão...", para delírio do torcedor da Viradouro e de quem aprecia um samba-enredo de verdade. Com esses predicados, é fácil deduzir que a melhor atuação de bateria do CD é da Viradouro. Para mim, de maneira disparada. O refrão central também é forte. A segunda parte é ainda melhor, com a participação de frigideiras e formada por excelentes variações melódicas, sobretudo no extraordinário trecho "Favela oh! favela/O teu passado, me faz lembrar/Dos tempos em que a noite estrelada/Salpicava a morada". O arranjo de cordas também é o melhor de todos, com o cavaco dando um toque especial para a faixa, com excelentes acordes. Não é o melhor samba do ano, mas é a melhor faixa do CD, tanto que é a que mais escuto desde quando adquiri o CD. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

Este ano, a escola se uniu em um único propósito - impedir Gusttavo e cia. de ganhar novamente o concurso de sambas. Só assim e muito dinheiro para explicar o apoio maciço que este samba (chato pra burro) teve. Não é errado tecnicamente, conta o enredo bem... mas é monótono, praticamente não tem variações melódicas e se arrastar pelos cinco minutos do CD. Mais uma marchinha em tom menor que, num andamento lento, parece muito mais do que realmente é. O samba é tão chato que a produção do CD resolveu colocar umas frases de violão bem audíveis na mixagem para conferir mais classe à faixa. Sinceramente, não quisesse escolher o samba do Gusttavo, escolhesse o de Flavinho Machado e Heraldo Farias. Isto aqui não é ruim, mas dá sono. NOTA DO SAMBA: 8 (João Marcos).

O samba que a Viradouro vai levar para o desfile é um tanto diferente do que a escola habitualmente apresenta desde que chegou ao Grupo Especial em 1991: harmonia mais pesada, quase todo em tom menor e uma letra extensa, como nos moldes dos primeiros anos que a escola desfilava na Sapucaí. No entanto, narra com clareza a proposta do enredo. Destaque para a condução correta de Dominguinhos do Estácio e as virtuosas convenções e bossas da bateria de Mestre Ciça. Só não é perfeito porque o refrão principal pode ser aplicado em qualquer outro enredo. NOTA DO SAMBA: 9 (Rixxa Jr).

Confesso que eu torcia pro samba do Gusttavo, mas esse samba tomou conta de mim, incrivelmente. Melhor gravação do CD, sem dúvidas. Explica bem o enredo e esse samba, associado à bateria do Ciça, arrebenta. Tem uma letra riquíssima e uma melodia fantástica, além de ser muito animado! Promete sacudir a Sapucaí. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Daniel Reis).

''Arquitetando Folias'' põe fim a ''Era Gustavo Clarão'', que reinou durante vários anos consecutivos na escola. A Viradouro é a grande incógnita do carnaval, já que, depois da morte de Monassa, ninguém sabe direito o que vai acontecer à escola, Uma curiosidade a respeito desse samba é que, segundo boatos, Dominguinhos recusou-se a cantá-lo após o resultado ser anunciado na quadra. Se de fato foi assim (não acredito), trata-se de uma tremenda bola fora, uma vez que não se pode ganhar todas, e Dadinho é um compositor que tem futuro na escola, como se pode observar nesse belo samba, que mantém o nível dos hinos da escola. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Cláudio Carvalho).

Samba de melodia simples e letra eficiente que cresceu muito com o lançamento do CD. O refrão melodicamente simples, e com a letra que serviria a qualquer enredo e cheia de clichês tem um grande efeito e a letra tem umas passagens interessantes. Na época das eliminatórias, não era tão bem aceito pelos sambistas, que hoje o classificam como um dos melhores sambas da safra de 2006. A bela interpretação de Dominguinhos do Estácio no CD colabora positivamente com o samba da vermelho-e-branco de Niterói. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Induliar).

Em 2006, finalmente vemos um samba que não é da turma de Gusttavo Clarão. Em tom menor, diferentemente dos sambas de Gusttavo, em 3ª pessoa, também longe das 1ªs pessoas de Gusttavo e sua trupe. Enfim, maravilhoso, o samba mostrou que a Viradouro quer títulos, e está disposta a criar inovações em vários setores para isso. NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Henrique).

Não é um samba ruim, mas longe de ser uma obra espetacular. Essa é a melhor definição para o hino da escola em 2006. Eu concordo em gênero, grau e número com que o João Marcos falou: é uma obra que dá muito, mas muito sono no ouvinte. Quando eu escutei novamente esse samba para formar uma opinião, eu quase não agüentei de tanto tédio que tive durante os cinco longos minutos da faixa. O hino tem certo destaque nessa safra ridícula porque não tem erros na parte técnica e conta o enredo de forma competente, mas as variações melódicas praticamente não existem e o refrão principal (De vermelho e branco amor, vou sambar) se aplica a qualquer enredo. NOTA DO SAMBA: 8,2 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

9 - MOCIDADE - A princípio, o samba da Mocidade para 2006 não me chamou muito a atenção. Com o tempo, fui percebendo que o hino da escola tem uma força e uma garra estupendas, além de uma belíssima letra. O trecho mais diferenciado do samba é o último, "E amanhã, quando brilhar o novo amanhecer/Com liberdade e igualdade/Será um mundo bem melhor pra se viver", quando desponta finalmente o agudo, principal virtude de Wander Pires. 2006 marca a primeira vitória do compositor Toco, maior vencedor da história da escola, desde o trunfo de 1991, com "Chuê Chuá". É o melhor samba-enredo da Mocidade desde 1999, algo fácil, já que a agremiação de Padre Miguel andou trazendo um boi-com-abóbora atrás do outro nos últimos anos. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

Parece perseguição pessoal, mas este samba não caiu bem para o Wander Pires. Era um samba para ser levado com mais leveza - por um Paulinho Mocidade, por exemplo. Toco e cia. fizeram muito bem em praticamente desconsiderar a chatíssima sinopse e exaltar o cinqüentenário da escola. O resultado é um samba que lembra os hinos da escola no início dos anos 90 (que, na sua imensa maioria, eram desse mesmo compositor). É o melhor samba da Mocidade desde 1999, apesar de não ser uma obra prima. Pelo menos, espero que funcione na avenida e dê boas notas no quesito para a escola. NOTA DO SAMBA: 9 (João Marcos).

Até que enfim a Mocidade retomou o caminho de levar belos sambas para a avenida. Depois de uma ausência de mais de cinco anos sem apresentar uma obra digna de sua história, "A vida que pedi a Deus" é o samba que todo o torcedor de Padre Miguel pediu ao Criador e ao compositor Tôco. A primeira parte, em menor, tem uma letra que é poesia pura. A segunda, em maior, deixa a melodia mais leve e a letra vem cheia de otimismo. Uma pena a estrofe "E amanhã/ quando brilhar o novo amanhecer/ com liberdade e igualdade/ será um mundo bem melhor pra se viver" não ter recebido bis. Wander Pires segura a onda e não exagera no virtuosismo vocal. NOTA DO SAMBA: 9 (Rixxa Jr).

O melhor samba da Mocidade do século, pelo menos até o momento. É uma poesia, principalmente "O homem que fazia a guerra, hoje é um eterno folião". Gostava mais da interpretação do Bruno Ribas pra parte "E amanhã..." e preferia que esse trecho se tornasse um refrão, mas nada que estrague o belíssimo samba a Mocidade pra 2006. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Daniel Reis).

Outra escola que mudou bastante em 2005, uma vez que mexeu em quase todos os setores, formando um time de primeiro escalão para o próximo desfile. O samba é um dos melhores desde ''Villa Lobos'', mas não deve empolgar. Tem uma letra que mexe com os brios dos componentes (a primeira parte parece um samba de quadra), embora um tanto quando grande e difícil. A melodia é certinha demais. NOTA DO SAMBA: 9 (Cláudio Carvalho).

Não considero este samba ruim, ele tem o poder de persuadir a imensa torcida que possui a principal escola de Bangu. Se constata que a letra deste samba não explica com clareza o confuso enredo, mas acho que sintetiza bem e o que eu acho que deveria ser seguido por todas as escolas, exalta muito bem o espírito da escola, o que eu acho uma iniciativa muito bonita, vinda do talvez maior expoente da escola. No geral, é um samba que agrada à maioria dos sambistas, principalmente os torcedores. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Induliar).

Samba lindo, lindo. Beleza de canto do Wander Pires, que mais uma vez, faz crescer um samba da Mocidade, que mais uma vez, também, foi composto por Tôco (in memoriam) e cia. Muito bonito. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Luiz Henrique).

Sem dúvidas, é o melhor samba da Mocidade desde 1999, até porque a escola levou um boi-com-abobora atrás do outro nesse século. O hino tem algumas partes bonitas como "E amanhã, quando brilhar o novo amanhecer/Com liberdade e igualdade/Será um mundo bem melhor pra se viver", mas sinceramente, é um tanto longo em alguns momentos e faltam algumas variações melódicas mais ousadas no hino. Além disso, a interpretação de Wander Pires não combina com a leveza da obra. NOTA DO SAMBA: 8,9 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

10 - VILA ISABEL - Um samba que não condiz nada com a história da Unidos da Vila Isabel e suas obras-primas de outrora. Com um enredo sobre a Latinidade, a obra musical não poderia ser outra senão um samba-enredo com um quê de mambo, rumba, salsa... Apesar da cadência do CD, o que melhorou bastante o fraco hino da Vila, na avenida ele deverá se transformar numa autêntica marcha-enredo. Parece até que estou vendo os dois refrões se arrastarem na Marquês de Sapucaí. As demais partes até apresentam uma melodia interessante em alguns trechos. Mas o hino para 2006 da escola de Noel deverá pregar um embate histórico contra o de 1978, "Dique, um Mar de Amor", pelo título de pior samba-enredo da história da agremiação. E se Wander Pires não conseguiu salvar o samba na época em que era concorrente, imagina Tinga, que até conduz corretamente a salsa-enredo da Vila, uma "poesia em portunhol" como diz a letra, cheia de vocábulos estrangeiros como "corazón", "arriba" e "caliente". Mas não consigo engoli-lo e tampouco vou bailar "la bamba" com esse samba. NOTA DO SAMBA: 7,6 (Mestre Maciel).

Eu tenho extrema antipatia por este samba. Aliás, nem sei se isso é samba. Tive vontade de aplicar uma nota extremamente baixa e fazer um monte de piadinhas... mas vou tentar ser imparcial. É que é difícil escutar a Vila Isabel optando por algo assim. A comunidade pode ter abraçado a obra, os compositores sempre conseguiram fazer sambas admirados por todos, inclusive pelos jurados. Mas a faixa não desce bem. Começa com o momento mais trash do CD, na sua introdução, horrenda por sinal. Quando o samba entra, ouvimos aquela sucessão de versos em portunhol, que a cada dia parece mais apelativo. Entretanto, quando o samba vira samba-enredo mesmo, apesar de marcheado, a obra tem seus momentos. O que me parece é que os compositores internalizaram tanto a fórmula de fazer esse tipo de samba que perderam o senso crítico. O refrão é simples (como todo refrão deveria ser), mas é de gosto duvidoso. A primeira parte lembra um pouco o samba do ano anterior - tem uma variação melódica arrojada, quando entra o verso "E vai...", mas que parece forçada e de audição desconfortável. O segundo refrão segue o estilo do primeiro. A segunda parte é bonita, mas é comprometida pelo conjunto da obra. Enfim, para mim, é a incógnita para o Carnaval 2006 - ou cai no gosto do público, ou vai ser um fracasso retumbante. Mais difícil ainda de prever são as notas dos jurados. Do ponto de vista artístico, é um samba medíocre, um dos piores da história da escola. NOTA DO SAMBA: 7,4 (João Marcos).

Pode ser que este samba da Vila caia no gosto popular, mas nem de longe lembra os históricos bons sambas apresentados pela escola do bairro de Noel Rosa. Termos em portunhol e melodia que mistura rumba e salsa podem acabar como uma faca de dois gumes. Vamos aguardar os acontecimentos. NOTA DO SAMBA: 7,5 (Rixxa Jr).

Isso é samba?? O refrão é que o estraga, pois é um samba bonito, principalmente a melodia da segunda parte, que lembra muito um concorrente da Portela pra 2005. Mas acho que vai sacudir a Sapucaí. NOTA DO SAMBA: 8,4 (Daniel Reis).

Embalados pela novela ''América'' e pela ajuda do governo venezuelano, a escola do Boulevard evoca os libertadores da América num samba empolgante, que embora lembre uma marchinha em certos momentos, tem funcionado muito bem na quadra. É o primeiro samba em portunhol da história do carnaval. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Cláudio Carvalho).

Samba muito criticado e polêmico, muitos alegam que esta obra não se trata de um samba de verdade. Alguns dizem ser uma marchinha. Outros vão mais longe, talvez inspirados pelo enredo para 2006 da escola do Complexo dos Macacos acusam a obra de ser uma rumba, salsa ou merengue. Por sinal, a comunidade abraçou a obra, então assim não tem nenhum pseudo-entendido de samba-enredo que barre isto, este samba conseguiu o mais importante de tudo. Pessoalmente, eu gosto do hino da Unidos de Vila Isabel para 2006, ele traz uma letra bonita que descreve bem o enredo, não se limitando à apenas mais uma letra descritiva: contém poesia e uma melodia que, embora acusada de ser uma marcha, salsa, rumba, merengue entre outras coisas, tem um poder incrível de empolgar. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Induliar).

Comparado ao samba de 2005, não é grande coisa, mas com o tempo o samba cresce, e toma conta dos pensamentos. Samba muito bom, com um tema lindo, que toca a nós todos, latino-americanos. NOTA DO SAMBA: 9,9 (Luiz Henrique).

O samba ajudou na conquista do título da escola, o estilo André Diniz de se compor foi mais uma vez consagrado na avenida, muitos foliões elogiaram o samba, enfim, tudo muito bom e legal para inglês ver, mas isso não livra o hino de merecidas criticas. É simplesmente lamentável uma escola como a Vila escolher um hino ruim como esse.  A tristeza desse samba começa na horrível  e apelativa introdução. O hino então tem pouca coisa que se salva. Os refrões são de gosto duvidoso e não soam bem aos ouvidos, a primeira parte até tem alguns bons momentos como no trecho "E vai...", mas mesmo essa parte é um tanto forçada e desconfortável aos ouvidos. Além disso, a sucessão de termos em espanhol é algo tão apelativo, mas tão apelativo que irrita. A segunda parte é bonita, mas comprometida pelo horrível conjunto da obra. Enfim, um hino medíocre do ponto de vista artístico e um dos piores da história da agremiação e do compositor André Diniz, autor do fantástico samba de 1994. NOTA DO SAMBA: 7,2 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

11 - CAPRICHOSOS - A introdução feita por tambores, ganzá e um apito me agrada bastante, apesar de eu não reconhecer o significado de tanto "pi pi pi pi pi piiii" no enredo sobre Espírito Santo. Mas o samba-enredo da Caprichosos para 2006 não empolga muito. Nunca fui muito fã de Clóvis Pê. E colocá-lo no lugar do eficiente Serginho do Porto foi, ao meu ver, um grande erro. Ainda mais com o trocadilho inventado pelo intérprete: "É show! É showcolate". O hino da agremiação de Pilares parece até uma reedição do tema de dez anos atrás, "Samba Sabor Chocolate", pois a letra fala mais de chocolate do que das qualidades do Estado capixaba. E o merchan marca presença no refrão com o trecho "Numa serenata Pilares canta feliz da vida". Pra quem não sabe, a serenata referida é o bombom "Serenata de Amor". Não sei se os bambas notaram, mas, na segunda parte, o "Feito garoto me lambuzei" também marca um reclame: agora dos bombons Garoto, que fabrica a Serenata. Quem será que está investindo no enredo da Caprichosos, hein? No mais, o samba é animadinho, e só. A obra é muito discreta e se sobressaem em melodia apenas os dois trechos finais do refrão central: "Quando ecoa o teu tambor/Lembro Pilares, meu divino amor". Bonita a homenagem feita por Clóvis a Carlinhos de Pilares, um dos maiores intérpretes da história do carnaval que faleceu em julho de 2005. Clóvis Pê dá uma risadinha logo após a lembrança a Carlinhos, dono de uma gargalhada inconfundível. Será que ele queria imitá-lo? NOTA DO SAMBA: 8,2 (Mestre Maciel).

Apesar de não ser trash - como eu imaginava que seria o samba da escola após ler a confusa sinopse - não passa de uma marchinha sem graça, de refrões indigentes. Não tem graves defeitos técnicos, mas não tem nada que mereça destaque. É o típico samba que é feito para constar, existe porque a apresentação da escola precisa de uma trilha sonora. Lamentáveis também as referências aos produtos do patrocinador ao longo da letra - é muito triste ver samba-enredo servindo de jingle de empresa. Muito fraco. NOTA DO SAMBA: 6,5 (João Marcos).

Este samba da Caprichosos é simpático, porém, comum. Dez anos depois, a escola volta a falar de chocolate, agora sob o pretexto de homenagear o estado do Espírito Santo. A introdução lembra as congadas capixabas, com seus tambores e flautins. Me agrada bastante o refrão do meio "E o sabor que traz o teu tempero/ se misturou com o povo estrangeiro/ quando ecoa o teu tambor/ lembro Pilares, meu divino amor". No final da faixa, Clóvis Pê presta uma homenagem a Carlinhos de Pilares, ao tentar reproduzir a gargalhada do intérprete falecido este ano. NOTA DO SAMBA: 7,5 (Rixxa Jr).

Parece que no Espírito Santo só tem chocolate. Letra terrível, mas melodia boa na segunda parte e é muito gostoso o refrão do meio. NOTA DO SAMBA: 7,8 (Daniel Reis).

Apesar de ter sido eleito o melhor samba num site da internet, essa obra ficou devendo. A melodia é até interessante (graças ao Clovis Pê, que mexeu praticamente em tudo), mas a letra, cheia de merchandising (como nas palavras ''serenata'' e ''garoto'') se demonstra apelativa, além de confusa. Não fica claro para ninguém qual é o tal ''povo estrangeiro'' que aparece na letra. Tampouco são compreensíveis os versos: ''...Arte moldada no barro/Encanta os olhos e o paladar...''. Ninguém come barro, a não ser gestante com Síndrome de Pica (esse distúrbio, apesar do nome, existe realmente e se caracteriza por alterações no apetite). De bonito, a homenagem a Carlinhos de Pilares no fim da faixa. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Cláudio Carvalho).

Samba muito criticado por parte dos sambistas, talvez por estes não ter alguma simpatia por esta escola, que fez muito pelo carnaval carioca. Apesar de seu pequeno grupo de apreciadores ao qual me incluo, eu classifico este samba como um moderno-perfeito, pois é um samba nos moldes atuais que tem uma letra interessante e o uma melodia gostosa. O que é fantástico é que ele consegue fazer a divulgação do patrocinador de forma incrível. Diferente de alguns sambas de 2005, ele consegue fazer a propaganda de forma explícita e, ao mesmo tempo, poética, além de exaltar a escola. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Induliar).

Samba simpático, comum, e sem muito a apresentar. Perde muito para o divertido samba de 2005, mas ganha de muito ao péssimo samba de 2004. NOTA DO SAMBA: 9 (Luiz Henrique).

Um ótimo pula-faixa do cd. Uma marchinha sem graça, com refrões indigentes e nada que mereça ser elogiado ou aplaudido. A letra é fraca e serve como ponte para as referências aos produtos do patrocinador. Enfim, eu prefiro um samba trash a uma coisa sem nenhuma graça como isso. NOTA DO SAMBA: 6,2 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

12 - IMPÉRIO SERRANO - Para mim, o melhor samba do ano, superando o da Portela (cujo samba inicialmente eu achava melhor). Surpreendeu-me intensamente e, sobretudo, positivamente, o tom menor dado pelo Nêgo ao samba-enredo imperiano de 2006. Sem dúvida, valorizou ainda mais a belíssima obra da escola. Nem é preciso dizer que jamais o irmão mais novo de Neguinho da Beija-Flor cantará assim, tão discretamente, na avenida. Até porque Nêgo, com uma atuação tão contida, parece que está cantando o samba no Videokê. Pode esperar Nêgo soltando todos os agudos do mundo na Sapucaí. Sobre o samba, o refrão principal é cativante, e apresenta ao bamba toda a valentia que o hino imperiano apresentará. Na primeira parte, emocionante o trecho "Senhor, olhai por nós/Até por quem perdeu a fé". Com o tom menor dado ao samba, o refrão central ficou ainda mais valorizado. A segunda possui as melhores variações melódicas. Enfim, acredito que o valentíssimo samba da Império terá uma grande passagem pela Marquês de Sapucaí, assim como no ano passado, quando o samba foi uma das únicas coisas boas do desfile que deu ao Império um modestíssimo 12º lugar. Observação: cômico o "pim pim" do Nêgo durante o refrão central, na segunda passada no CD. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Mestre Maciel).

O Império é novamente vanguarda no carnaval do Rio de Janeiro. A escola sempre foi revolucionária, juntamente com o Salgueiro, trazendo diversos elementos que hoje são obrigatórios em qualquer desfile. Pois bem, desta vez, a escola resolveu arriscar na proposta mais revolucionária de carnaval dos últimos dez anos. Explico - o Império está apostando em todos os elementos que se tornaram "obsoletos" nos desfiles de escola de samba. Em fantasias, a escola preferiu o bom gosto à criatividade. O enredo é de fácil leitura e desenvolvimento - nenhuma viagem estapafúrdia como o das outras escolas. E o samba? Parece tirado da máquina do tempo. A letra é de uma singeleza e simplicidade cativantes. Os refrões são fortes, sem serem apelativos. O samba é bem construído e extremamente agradável. Não é antológico, mas é destaque num ano muito ruim. A Serrinha dá outro tapa de luva no rosto da Liga, indo contra toda a ideologia implantada nos desfiles das Escolas de Samba S.A. Ser tradicional é uma proposta tão transgressora nos dias de hoje que só uma escola como o Império Serrano poderia ter a coragem de aceitar esse desafio. Como imperiano, o orgulho que sinto por escutar esse samba e pela opção da escola é indescritível. NOTA DO SAMBA: 9,5 (João Marcos).

O samba é muito bonito, com a grife de Arlindo Cruz e Aluisio Machado. Na gravação, o puxador Nego cantou de forma muito contida, sem a devida animação que o samba exige. Acredito que na quadra e principalmente, na avenida, a obra vai ganhar em explosão que no CD não teve. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Rixxa Jr).

Que samba!!!! Que refrões!!! O principal fica na cabeça e não sai. A letra, a melodia... é um samba perfeito!!!! NOTA DO SAMBA: 9,9 (Daniel Reis).

O samba do ano, e diga-se de passagem, não era o meu preferido. Eu torcia para o Carlinhos da Paz, mas, numa final de altíssimo nível, deu Arlindo Cruz. Como diz a letra, ''Imperiano de fé não cansa'', principalmente no que diz respeito a fazer samba bom. A obra foi eleita a melhor na votação do jornal EXTRA, e vem provar que a ala de compositores da escola continua firme. O Império é uma escola religiosa, e esse samba tem a sua cara, assim como o enredo e o carnavalesco. Aguardem a Serrinha... NOTA DO SAMBA: 10 (Cláudio Carvalho).

Para muitos, o melhor samba do ano. Segue uma linha tradicional, melodia e letra apuradas para os padrões atuais do samba-enredo. Letra e melodia que foge dos maiores lugares comuns. Exalta a escola sintetizando o enredo sobre a religiosidade do brasileiro de forma excelente. O refrão, apesar de grande, tem a caracteristica de chamar a tradicional escola verde-e-branca de Madureira, apesar de pessoalmente achar que a palavra "lança" foi colocada para rimar com "imperiano de fé não cansa". NOTA DO SAMBA: 9,8 (Induliar).

O melhor samba dos últimos anos de carnaval carioca. Sem palavras para descrever essa obra-prima da Serrinha. Maravilhoso, o melhor samba do ano. NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Henrique).

Longe de ser o melhor samba do Império e do time de craques dessa composição, o samba é um dos únicos que prestam nessa lamentável safra. Os refrões são fortes, a letra é simples, cativante e a composição  é bem construída. Para fechar bem a coisa, o enredo vai à contramão de outros que foram desenvolvidos naquele ano- é de fácil leitura e desenvolvimento. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

13 - PORTELA - Antes, achava o melhor samba de 2006. Para mim, com o tempo, perdeu este posto para o da Império Serrano. Após o limitado samba de 2005, acompanhado pelo pior desfile de sua história, quando sentiu o rebaixamento estar mais próximo do que nunca, a Águia vem renovada a fim de esquecer o fiasco do carnaval passado com uma obra encantadora e um intérprete promissor: Gilsinho. O ex-cantor da paulistana Vai-Vai vem causando, desde quando se apresentou ao bamba carioca, uma excelente impressão e, no CD, conduz seguramente o samba portelense no álbum de 2006 (apesar da dificuldade de entoar o trecho "o dia" no refrão principal). Vamos vê-lo na avenida... Sobre o samba-enredo, os dois refrões são fantásticos (principalmente o central) e as melodias nas duas partes possuem maravilhosas variações melódicas e construções bastante originais. Na segunda parte, ela ficou bem mais aguda com relação à composição original da parceria de Mauro Diniz, filho de Monarco, que a planejou, a princípio, toda em tom menor. O trecho final "Brasil, arte numa tela multicor/É crença que a fé espalhou/Exemplo para o mundo inteiro/A alegria e o talento brasileiro" talvez seja o melhor do carnaval 2006 em termos de melodia. Resumindo: o samba-enredo da Portela é simplesmente encantador! Deverá disputar o Estandarte de Ouro de melhor samba com a Império Serrano e, por que não, com a Beija-Flor. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Mestre Maciel).

Esse samba resgata a classe e a dignidade da Portela. Parece ter sido escolhido por simbolizar o contrário de tudo de errado que foi feito para o carnaval de 2005. É samba mesmo, de letra bem construída, muito poética em diversos momentos, e de melodia de bom gosto. As alterações para a gravação do CD em relação à versão das eliminatórias não foram felizes, mas não comprometem muito o samba. Deve funcionar bem na avenida e ajudar o desfile da escola. Falta alguma coisa em alguns momentos - a melodia parece evoluir, preparando um grande refrão ou um momento de êxtase que nunca chegam a acontecer. Mas não se pode negar sua qualidade. NOTA DO SAMBA: 8,9 (João Marcos).

Um verdadeiro dream team de compositores portelenses (Mauro Diniz, Ary do Cavaco, Marquinhos de Oswaldo Cruz mais Naldo e Júnior Scafura) pariram um sambaço, musculoso, que nasceu com jeito de clássico. Com os reparos necessários já feitos em letra e melodia, a Portela estará muito bem representada no carnaval. A performance de Gilsinho me agradou bastante. NOTA DO SAMBA: 10 (Rixxa Jr).

O melhor samba, perfeito!! O melhor refrão do carnaval é o do meio da Portela, tem tudo pra arrebentar na Sapucaí. Uma verdadeira obra-prima!!!! Achei que a gravação poderia ser melhor, mas na avenida esse samba vai mexer não só com os corações portelenses, mas com todos. NOTA DO SAMBA: 10 (Daniel Reis).

Outra obra que vem mostrar toda a força do samba em Madureira, assim como acontece com a do Império. De início, tanto letra como melodia me pareceram inocentes, do tipo anos oitenta e fora dos padrões atuais. Durante a disputa de samba, porém, mexeram na segunda parte da melodia, jogando-a para frente, e o resultado é o melhor hino da Portela desde 98 (sem contar a reedição). De um enredo batido e uma porcaria de sinopse, conseguiram fazer um belíssimo samba. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Cláudio Carvalho).

Também para muitos sambistas, o melhor samba do ano. É interessante lembrar que, logo após a gravação do CD, a popularidade do samba portelense caiu um pouco. É um samba que, mesmo nos padrões modernos, traz uma melodia muito bonita e uma letra que sintetiza bem o enredo e tem passagens muito belas, com destaque ao refrão central. A letra, por fim, não se limita a descrever o enredo e nos chama, principalmente o portelense, a se envolver ao samba, e, por fim, e mais importante, é um samba a altura do gosto do portelense. NOTA DO SAMBA: 9,9 (Induliar).

Como sempre, a Portela vem com sambas interessantes e bem construídos, mas esse ano com um atrativo a mais: a voz do grande Gilsinho. O samba ganhou um tom de alegria, e de força, fora a chuva do desfile que deu mais garra aos componentes. Cada ano a Portela trabalha mais para voltar ao seu posto de maior escola do carnaval carioca. NOTA DO SAMBA: 9,9 (Luiz Henrique).

O samba tem uma letra bem construída, alguns momentos poéticos, a melodia é de bom gosto, mas falta alguma coisa para elevar de categoria como um momento de êxtase ou um grande refrão. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba

14 - ROCINHA - Um samba agradabilíssimo de se ouvir! No CD, cresceu bastante com a cadência dada à bateria e, principalmente, com a excelente interpretação de Anderson Paz. Os dois refrões são ótimos e as duas demais partes também são de intenso agrado. A letra também é interessante, pois mostra um mundo de sonhos proporcionado pelo dinheiro, onde ele pode comprar tudo, principalmente a felicidade. Muito bacana quando a realidade passa a ser referida no trecho "Mas a realidade da desigualdade/Me faz despertar/Não quero essa falsa alegria/Chega de hipocrisia, pois a vida é muito mais/A felicidade não tem preço/Hoje reconheço que a riqueza se desfaz". Nem é preciso dizer que o hino de 2006 é infinitamente superior ao ridículo samba de 1997 sobre o Zé Carioca na única passagem da Acadêmicos da Rocinha no Grupo Especial. O bom samba certamente ajudará a escola a fazer um bom desfile, com o objetivo de permanecer na elite. Só espero que não acelerem demais seu andamento, pois assim tiraria todo o seu brilho... Observação: será que a MasterCard patrocina a Rocinha com essa história de que a felicidade... não tem preço? NOTA DO SAMBA: 8,9 (Mestre Maciel).

Apesar da versão do CD ser muito melhor que a versão concorrente, o samba é de uma indigência que incomoda. É um samba genérico, que lembra as marchinhas que se sucediam no grupo de acesso nos anos 90. Não tem nada que chame a atenção em momento algum. É a mesma fórmula de sambas sem graça que as escolas adoram escolher, não sei por qual motivo. Escutando esse samba, só fico a lamentar o fato da Ilha não ter sido promovida ao Grupo Especial em 2005. A Rocinha pode até não ser rebaixada - a regra que não obriga a campeã do Acesso abrir o desfile foi ótima para as escolas que sobem. Entretanto, fica a impressão de que a escola não tem nada para mostrar de relevante entre as grandes - pelo menos, em matéria de samba enredo. Fecha de maneira sonolenta este sonolento CD de 2006. NOTA DO SAMBA: 6,7 (João Marcos).

A letra não descreve com tanta clareza o enredo. A melodia é alegre, mas pode escorregar para a marcha. No entanto, o canto de Anderson Paz valorizou este samba que, na minha opinião, é fraco. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Rixxa Jr).

Agradável, inteligente, mas nada excepcional. NOTA DO SAMBA: 8,3 (Daniel Reis).

Dinheiro não compra a felicidade. Esse verso descreve bem a situação da escola de São Conrado, já que, apesar da grana de Maurício Mattos, a escola, com essa marchinha e uma comunidade que não sabe desfilar, deve fazer uma passagem relâmpago pelo GE. NOTA DO SAMBA: 7,6 (Cláudio Carvalho).

É um samba que considero bom para os padrões atuais. A melodia é simples, mas cumpre seu papel perfeitamente sem muito comprometer. Acho a letra desta obra, embora não contendo muita poesia, inteligente com passagens muitos interessantes e bem sacadas. A escola da comunidade mais "abastada" e célebre pelo Brasil e pelo mundo não faz feio em termos de samba-enredo na segunda participação no Grupo Especial da "borboleta encantada". NOTA DO SAMBA: 8,9 (Induliar).

Samba divertido, agradável e que dá um tom adequado ao enredo proposto. Refrões alegres, com um samba em forma de história. Supresa boa da Rocinha. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Luiz Henrique).

O samba que termina de forma ideal o cd. Como assim? Simples, o hino da Rocinha não tem nada que chame a atenção, refrões indigentes e melodia idem. Enfim, é um samba sem graça e que simboliza bem a experiência de escutar os sambas de 2006. A obra é muito fraca e fecha com perfeição esse fraco cd. NOTA DO SAMBA: 6,5 (Daniel Lorga). Clique aqui para ver a letra do samba