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Os sambas de 1997 - Acesso A

Os sambas de 1997 - Acesso A

 

 

A GRAVAÇÃO DO CD - Das 10 escolas que estavam no Grupo de Acesso de 1997, apenas uma – a emergente Acadêmicos do Dendê – jamais tinha desfilado no Grupo Especial (se levarmos em conta que a Vizinha Faladeira fora campeã do carnaval em 1937). A safra de sambas foi boa, apesar de não ter saído nenhuma obra antológica. A produção do CD foi independente, sem a participação de nenhuma grande gravadora, o que resultou numa péssima distribuição e difícil comercialização, principalmente para quem morava fora do Rio de Janeiro. A qualidade e os cuidados da gravação são excelentes, com a regência e os arranjos a cargo do bambambã Lincoln Olivetti, que trabalhou com inúmeros baluartes da MPB, como Roberto Carlos, Rita Lee, etc. Seu único pecado foi exagerar nos teclados e sintetizadores que, em diversas faixas, soam dispensáveis. Os músicos de estúdio formavam uma verdadeira seleção: Alceu Maia, Jorge Simas, Belôba, Paulinho da Aba e Gordinho. Na capa, simplesmente deslumbrante, Viviane Araújo. Na época, a moça ainda era uma aspirante a celebridade e nem sonhava em conhecer o pagodeiro Belo. NOTA DA GRAVAÇÃO: 9,5 (Rixxa Jr).

 

1 - Em Cima da Hora -  “Sérgio Cabral, a cara do Rio” é uma bonita homenagem da escola de Cavalcante ao jornalista carioca (e filho do bairro) Sérgio Cabral. A Em Cima da Hora vivia uma bela fase, com desfiles corretos e sambas espetaculares, sempre lutando para subir ao Grupo Especial. O hino é um samba de embalo, em tom menor, mas que não prejudica o canto. Entre os compositores, está o nome de Cláudio Russo, responsável pelos magníficos “Gentileza” (Grande Rio 2001) e “Manôa, Manaus” (Beija-Flor 2004). O samba foi muito bem conduzido por Rogerinho que, nos dois anos seguintes, foi a voz oficial da Portela. NOTA DO SAMBA: 10 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

 

2 - Arranco - Mais uma homenagem no disco. O Arranco resolveu enveredar pelo humor, que já tinha sido enredo na escola em 1995 (“Ria, se puder”). Desta vez, a comunidade do Engenho de Dentro parabenizou Chico Anísio pelos 50 anos de carreira. O samba é mediano. NOTA DO SAMBA: 8,8 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

 

3 - Tradição - Depois do desastrado desfile do ano anterior, a Tradição retornou ao Grupo de Acesso em 97, com um samba de primeira qualidade. “Balangandãs” é um samba inspirado, mesmo com uma letra extensa (37 versos). O hino tem três momentos distintos: fala sobre a Bahia, sobre os adereços que tiveram origem em terras baianas (os tais balangandãs) e sobre Carmem Miranda, que difundiu os enfeites pelo mundo. A faixa marca o último registro de voz feito por Edmilton de Bem (na época, Edmilton da Tradição) para a escola do Campinho. Às vésperas do carnaval, ele foi demitido e o samba foi conduzido, na avenida, pelos compositores Sandro Maneca e Taroba. NOTA DO SAMBA: 10 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

 

4 - Acadêmicos do Dendê - Mais uma agremiação oriunda da Ilha do Governador. A Acadêmicos do Dendê teve uma ascensão meteórica no carnaval. Surgida de uma fusão de blocos na Ilha, se transformou em escola em 1992 e conquistou os campeonatos nos grupos de acesso até chegar ao Grupo A em 1997, já com banca de escola grande. Para defender o samba “Do pasto fantasia, do gado alegoria”, foi contratado o veterano Carlinhos de Pilares, recém-egresso da Caprichosos. O enredo lembra o tema desenvolvido pela Estácio em 88. É um belo samba que destaca o boi na cultura, na gastronomia, na economia e no carnaval. Depois deste desfile, o Dendê teve uma queda tão rápida quanto seu surgimento. Em 2005, a agremiação estará no Grupo D. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

 

5 - Unidos do Cabuçu - Obra maravilhosa, que rendeu à escola o bicampeonato na conquista do Prêmio Estandarte de Ouro de melhor samba do grupo de Acesso. “Todas as Marias de nossa terra” mostra as personalidades que, famosas ou anônimas, se chamam Maria: Maria Bonita, Xuxa (Maria da Graça Meneghel), Maria Bethânia, Gal Costa (também Maria da Graça), Maria Lata d’Água, Santa Maria, Maria Quitéria, todas são citadas na letra. Empolgante, com um embalo contagiante e uma melodia bem criativa, o samba é um exemplo a ser seguido como obra de carnaval. A interpretação é do sumido Celsinho. Pena que a escola se apresentou mal no desfile e foi rebaixada ao Grupo B, o que representou o início da derrocada desta simpática escola. Foi um dos últimos carnavais presididos pela legendária Therezinha Monte. NOTA DO SAMBA: 10 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

 

6 - Império da Tijuca - Os sambas com temática afro sempre renderam belíssimos hinos. E “A coroa do perdão na Terra de Oyó” não foge à regra. Narrando uma lenda envolvendo a história dos orixás, o samba é uma obra conjunta da ala de compositores da agremiação do Morro da Formiga e também poderia ter sido contemplado com um Estandarte de Ouro, tal a beleza da melodia. A Império da Tijuca vivia um bom momento, já que no ano anterior desfilara no Grupo Especial. NOTA DO SAMBA: 10 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

 

7 - Vizinha Faladeira - “Ginga, Vizinha... Ai, ai, que emoção!” Esse é o animado grito de guerra do puxador Carlinhos Cantor (mais tarde rebatizado Carlinhos Emoção) que dá início ao samba “Lan, a cara alegre e animada do Rio”, mais uma homenagem presente no CD. O tema destaca a trajetória e as paixões deste artista italiano radicado no Rio de Janeiro: o desenho, o humor, o carnaval, a boemia, o futebol e, claro, a mulata. O samba é animado, mas mediano. A escola foi rebaixada ao Grupo B. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

 

8 - Unidos da Ponte - “Da lata de lixo ao lixo da lata” é o primeiro enredo que trata do tema politicamente correto da reciclagem de lixo, que, depois disso, originou dezenas de enredos, pelo menos um por ano. Apesar de composto por autores consagrados, entre eles, Almir de Araújo e Sidney de Pilares (Caprichosos) e Guga (Imperatriz), é um exemplo de “marcha-enredo”. Pra quem se assombrou com a paradinha funk da bateria da Viradouro neste mesmo ano, a Ponte também apresenta alguma coisa parecida. É só conferir a gravação. NOTA DO SAMBA: 8 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

 

9 - Caprichosos - Em 97, após 15 anos no Grupo Especial, a Caprichosos de Pilares retornou ao Acesso e trabalhou intensamente para retornar à elite do carnaval carioca. O samba escolhido, “Do tambor ao computador”, era diferente de tudo o que a escola vinha apresentando nos últimos tempos: nada de irreverência nem enredos críticos, nem sambas marcheados. O enredo falava sobre a história dos meios de comunicação e o samba era muito bem elaborado e construído. Na avenida, para garantir a nota máxima na bateria, mestre Paulo Renato contou com o auxílio luxuoso dos mestres Ciça (então na Estácio) e Louro (então no Salgueiro). Também foi o último registro de voz do puxador Luizito em Pilares. Às vésperas do desfile, foi substituído pelo promissor Jackson Martins. A escola terminou empatada com a Tradição e retornou ao Especial em 98. NOTA DO SAMBA: 10 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

 

10 - São Clemente - Com o samba “A São Clemente Botafogo na Sapucaí”, a escola da Zona Sul homenageia o bairro onde a agremiação surgiu. Apesar da interpretação do limitado puxador Márcio Souto, o samba é animado e bem empolgado, com as características musicais que a escola apresentou nos sambas da segunda metade dos anos 90. A São Clemente empatou em primeiro lugar com a Tradição e a Caprichosos, todas com 178 pontos, mas acabou em terceiro nos critérios de desempate. A escola da Zona Sul não subiu ao Especial, mas foi convidada a participar no Desfile das Campeãs e brigou na Justiça para desfilar na elite do carnaval em 98, o que acabou não ocorrendo. NOTA DO SAMBA: 9 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba