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Os sambas de 1994

Os sambas de 1994

A GRAVAÇÃO DO CD - Na minha opinião, a melhor gravação da Era Teatro de Lona e uma das melhores desde 1968, ano em que pela primeira vez foram gravados LP's de sambas-enredo. Além da bateria estar envolvente e vibrante, temos a impressão de que os sambas foram gravados em plena avenida, pois o coral que acompanha os intérpretes é perfeito e parece que suas vozes são ecoadas das arquibancadas. Aliás, bateria e cavaquinho fazem uma ótima sintonia, melhorando ainda mais a harmonia dos sambas no CD de 1994. A excelente gravação deixou todos os sambas ótimos, inclusive o da Mocidade, o mesmo que muitos consideram um dos piores da escola. Em contrapartida, é uma das melhores faixas do disco. Se no CD foram reunidas todas as 16 faixas, nos LP's resolveram utilizar um procedimento diferente: as 16 faixas seriam divididas em 2 LP's vendidos separadamente. E seria assim até 1997, ano em que pela última vez os sambas foram vendidos também em LP. Sobre os sambas de 1994, é uma safra que, na minha opinião, é muito boa. Não há nenhum samba-enredo péssimo. Pelo contrário, todos são bons ou excelentes. NOTA DA GRAVAÇÃO: 10 (Mestre Maciel).

Concordo com o Mestre Maciel: a melhor gravação do Teatro de Lona e, por conseguinte, dos anos 90 em geral. Ela mantém um equilíbrio perfeito entre o som da bateria e a voz do puxador. É um conjunto de coisas que fazem deste um CD maravilhoso. Na bateria, as caixas ficam com menos destaque, porém o tamborim, cuíca, cavaco, reco-reco e agogô chamam muita atenção. Os arranjos são divinais, aproximando muito as gravações de um samba cantado ao vivo. Cada faixa é iniciada com o intérprete dando o grito de guerra, ao som da bateria se aquecendo, os fogos estourando e a galera gritando com emoção, como se fosse um verdadeiro início de desfile. Além disso, os produtores se preocuparam muito em combinar partes de cada samba ou então, o samba inteiro com arranjos culminantes. Por exemplo, o samba da Portela foi acompanhado com batuques afro e um violão, já que o enredo era sobre a origem africano do samba ou o samba da Mangueira com a introdução de Gil, Caetano, Bethânea e Gal, já que o enredo era sobre a Tropicália. Extraordinário! A safra de 1994 é com certeza a melhor dos anos 90, atrás de 1999. Temos obras-primas como a da Vila Isabel, Portela, Grande Rio, Viradouro e União da Ilha, além de muitos outros sambas inesquecíveis como o do Salgueiro, Império Serrano, Tradição, Mangueira, Beija-Flor, Unidos da Ponte e da campeã Imperatriz. NOTA DA GRAVAÇÃO: 10 (Gabriel Carin).

1 - SALGUEIRO - Feliz com o sucesso do ano anterior, a escola resolveu apostar numa legítima marcha-enredo, que também agradou, mas não com o mesmo êxtase do famigerado Ita. O andamento acelerado da bateria cai como uma luva para o samba salgueirense, cuja melodia é bem qualificada. A letra também é bem interessante. O refrão principal, bem oba-oba, seria a síntese dos sambas salgueirenses dos últimos dez anos ("Balança, oi balança/Chegou a hora do Salgueiro sacudir"). E o samba ficou bom na voz de Quinzinho, que costumava cantar sambas mais cadenciados. Evidentemente, o hino salgueirense tem a cara do Quinho, que em 1994 defendeu a União da Ilha. Aliás, 1994 foi o último ano em que Quinzinho atuou como intérprete oficial (ele também defenderia a Santa Cruz no mesmo ano). Ainda assim, continua atuante no mundo carnavalesco, seja como segundo intérprete da Império Serrano em 2002, ou como intérprete de sambas concorrentes ou até mesmo como intérprete de jingles de supermercados. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Deu para ver que o efeito Ita deu certo. Começaram tentar freneticamente repetir o feito de 1993, sem muita sorte. Em 1994, o Salgueiro pelo menos foi vice com méritos e ainda levantou um Estandarte de Ouro de melhor escola. Quanto ao samba do ano (o melhor dizendo, marcha do ano), é muito boa, cheia de belos momentos. A melodia é empolgante e a letra é entupida de clichês, algo que o Sal consegue fazer bem sem atrapalhar o conjunto da obra (nem sempre...). O legal de "Rio de lá pra cá" é a homenagem feita ao campeonato do ano anterior no trecho "Rio, da mulata e do pagode/Futebol e samba forte/Como Explode Coração/Tá na boca do povão". Ele é ambíguo e vemos dois significados. O samba forte citado é obviamente "Explode Coração", que "tá na boca do povão". NOTA DO SAMBA: 9,4 (Gabriel Carin).

Depois do 'fenômeno' Ita, o Salgueiro trouxe um samba animadaço, mas sem repetir o enorme sucesso de 1993. A escola teve em seu microfone o excelente Quinzinho, um dos melhores intérpretes de todos os tempos (infelizmente em seu último registro no Grupo Especial), o que contribuiu para um bom resultado, tanto no CD como na avenida. O samba tem uma melodia muito boa e uma letra poética sobre o Rio, com espaço para uma auto referencia no trecho "Futebol e samba forte/Como explode coração (ta na boca do povão)". Não é o melhor samba do ano, nem o melhor samba da escola, mas é um bom samba, capaz de orgulhar os corações salgueirenses. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

2 - IMPÉRIO SERRANO - Mais um belo samba para o vasto currículo de grandes hinos da escola da Serrinha. Uma boa letra para um samba de melodia com variações tímidas, mas marcantes. Destaco o refrão central (Que zoeira...) e a segunda parte (iniciada com "A cultura"). Mesmo com o bom samba, a escola passava, na época, por muitas dificuldades e amargou um último lugar no desfile. Safou-se por não ter havido rebaixamento em 1994. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Exatamente o mesmo tema da Imperatriz! É uma obra bonita, de melodia riquíssima e letra bonita. Suas variações são extraordinárias. Destaque para o refrão "Que zoeira, que zoeira/Tem batuque na corte/Dia e noite, noite inteira/O novo mundo/Mostra a arte em brincadeira". Excelente, samba típico da época! Depois do fantástico "Império Serrano, um ato de amor", a escola da Serrinha só veio com obra-prima (isso até 1997). NOTA DO SAMBA: 9,4 (Gabriel Carin).

O samba tem dois refrões espetaculares, letra e melodia sublimes, o que compensa totalmente a fraca atuação do intérprete Roger da Fazenda. Sambaço do Império e um dos melhores do ano. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

3 - TRADIÇÃO - Edmilton di Bem estreou mandando bem neste bom samba de 1994 da Tradição, que regressava ao Grupo Especial após ter  conquistado o título do Acesso-93. Possui uma letra interessante e uma melodia bem qualificada. É considerado um dos melhores sambas da escola, até porque 1994 foi o ano em que a Tradição realizou o melhor desfile de sua história, acabando na sexta colocação. Até hoje muitos se lembram do marcante refrão principal: "Vou voar de asa delta/O céu do meu Rio de Janeiro eu vou voar...". NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Um clássico da escola, reeditado agora em 2007. Seus refrões são magistrais! É uma obra cerebral, interpretativa, narrando com perfeição o tema. A escola descolou uma baita colocação, a melhor de sua história: 6º lugar. Destaque para o "Será verdade?/Ícaro marcou bobeira/Viajando para o Sol/Com um par de asas de cera". Fantástico, assim como os arranjos da faixa e a belíssima interpretação de Edimilton Di Bem. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Gabriel Carin). 

Um dos sambas mais famosos da escola, e também o desfile, onde a escola teve a sua melhor colocação (6º lugar). Tem uma letra muito bonita, mas acho a melodia enjoada. O interprete Edmilton di Bem (ou Edmilton da Tradição) faz o que pode. A Tradição tem sambas melhores! NOTA DO SAMBA: 9,1 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

4  - MANGUEIRA - Marcha-enredo das mais autênticas! Com um dos mais famosos sambas dos últimos anos, a verde-e-rosa não pensava em outra coisa senão no título do carnaval. Acabou conseguindo uma primeira colocação, mas não esperava que tivesse o vocábulo "décima" na frente. A 11ª colocação foi uma das piores colocações de todos os tempos da Mangueira, ainda mais com o samba de maior sucesso da fase pré-carnavalesca. Falando do samba, ele foi feito para ser executado com a mula-manca aceleradíssima. E foi o que aconteceu, inclusive no CD. Gosto muito do hino mangueirense de 1994, pois possui excelente letra e a marcante e vibrante melodia com o Padrão David Corrêa de Qualidade (o compositor também participa da faixa soltando cacos a partir da segunda passada). É um samba que vivo cantarolando. Quem não se lembra do refrão principal (Me leva que eu vou/Sonho meu/Atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu")? Só acho desnecessária a introdução da faixa com Gil, Caetano, Bethânia e Gal cantando o refrão. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

"Me leva que eu vou, sonho meu/Atrás da verde-e-rosa/Só não vai quem já morreu!". Quem não conhece esse samba??? Ou ao menos seu majestoso refrão? A marcha-enredo mangueirense de 1994 é excelente, de letra simples e melodia contagiante. E adivinha quem fez? David Correa!!! O "eterno portelense" tava dando uns passeios fora da sua agremiação e fazendo sambas para outras escolas, como Salgueiro, Estácio de Sá, Imperatriz, Vila Isabel, Unidos da Ponte, Império da Tijuca, e em 94, na Mangueira. Ele até solta uns cacos na segunda passada. A parte que eu mais gosto é "Bahia é luz de poeta ao luar/Misticismo de um povo/Salve todos orixás/Quem me mandou/Estrelas de lá/Foi São Salvador/Pra noite brilhar". Enfim, é uma riquíssima marcha-enredo. Jamelão, como sempre, fora-de-série. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Gabriel Carin).

Falar do carnaval da Manga em 1994 me lembra a maior campanha de marketing pré-carnaval que eu ja vi! Talvez tanto oba-oba tenha sido o responsavel pelo fiasco que foi a colocação da escola nesse carnaval (11º lugar). Sobre a interpretação de Jamelão nem é necessario falar. É um samba sem nada demais, talvez até de menos, porque todos os sambas que a Mangueira trouxe com homenagens a personalidades pecaram pela falta de criatividade. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

5 - BEIJA-FLOR - Excelente samba! Mais um com a cara da Beija-Flor e de Neguinho. Três bons refrões e de melodia vibrante com boas variações, embora a aceleração da bateria no CD tenha dado ao samba algumas características de marcha. Mas isso não comprometeu em nada a beleza do hino de 1994 da agremiação de Nilópolis. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

O alusivo "Deusa da Passarela" foi uma homenagem ao bicheiro Anísio, patrono da escola. No ano anterior, a juíza Denise Frossard o condenou, assim como outros presidentes de escolas de samba, por envolvimento com o jogo do bicho. O desfile de 1994 marcou a entrada de Milton Cunha na agremiação de Nilópolis e no carnaval carioca (primeiro ano dele como carnavalesco de escola de samba). O samba de 94 é muito bem-feito, de letra simples, mas melodia cativante. O refrão "Desperta a alma brasileira/Bate forte o coração bretão/Que faz a festa na Sapucaí/A Beija-Flor de Margareth Mee" é magistral, na qual eu vivo cantarolando. Como um todo, é um samba muito rico. A bateria deu um show no CD. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Gabriel Carin).

Sambaço! Olha a pedrada do refrao principal:"Desperta a alma brasileira/ Bate forte o coração bretão/Que faz a festa na Sapucaí/A Beija-Flor de Margareth Mee" - belissimo, considero um dos melhores da escola nos anos 90, aliado a uma melodia perfeita. Neguinho, como sempre, dá show! NOTA DO SAMBA: 9,7 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

6 - VIRADOURO - Não contando a reedição do samba da São Carlos de 1975 feita pela agremiação em 2004, considero o samba de 1994 da Viradouro o melhor da história da escola, melhor até do que o de 1992, considerado uma unanimidade entre os bambas. Creio que boa parte dos simpatizantes de samba-enredo tachem "Tereza de Benguela" de samba arrastado e de melodia quase reta (opinião em especial dos críticos de Rico Medeiros). Mas este samba me encanta totalmente, tanto que o considero "o samba-enredo mais antigo dos últimos quinze anos". Por que, vocês devem estar se perguntando? Experimentem imaginar o samba cantado com uma bateria cadenciada como nos anos 60. A sua melodia por sinal mantém muitas características dos sambas de outrora. É um samba-enredo que emociona, com os dois maravilhosos refrões incrementando suas demais partes, também marcantes. Uma pena que o hino de 1994 da agremiação de Niterói não possua o reconhecimento a que tem direito, até porque contribuiu para o terceiro lugar da escola no desfile, até então sua melhor colocação no Grupo Especial. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Entrada de João 30 na Viradouro marca inicia mais uma era do carnaval carioca. O samba é excelente, com interpretação divinal de Rico Medeiros e desempenho impressionante da bateria. "Tereza de Benguela" é um típico enredo do João, pois ele transforma os mais inusitados temas em desfile. Ocoro, reforçadíssimo na segunda parte da obra, chama muita atenção. Ele começa muito bem, num momento fruto da verdadeira inspiração do sambista ("Amor, amor, amor.../Sou a viola de cocho dolente/Vim da Pérsia, no Oriente/Para chegar ao Pantanal"). O refrão "Ilê Ayê, Ara Ayê Ilu Ayê/Um grito forte ecoou/A esperança, no quariterê/O negro abraçou" é de arrepiar, principalmente com uma atuação fantástica da bateria, semelhante a um batuque africano. Realmente, concordo com o Mestre Maciel: esse momento da faixa faz lembrar bem as gravações antigonas de sambas-enredo, apesar d'eu achar maluquice dar 10 para um samba só por que a bateria é nostálgica. Um dos melhores sambas da escola! NOTA DO SAMBA: 9,7 (Gabriel Carin).

"Voltei com a Viradoouro". Salve Rico Medeiros! Sou fã desse cara, que cantou tantos sambas inesqueciveis no Salgueiro, com muita competência. Nessa volta nao foi diferente. Cantou o melhor samba do ano, e um dos melhores da escola de Niterói. Tem uma letra longa (e bem descritiva) sem ser um samba cansativo. Belíssimo trecho do refrao principal "A luz de Tereza nao apagará/E a Viradouro brilhará na nova era". Esse samba, com certeza, brilha eternamente. Um samba que é obrigatorio. NOTA DO SAMBA: 10 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

7 - UNIDOS DA PONTE - Serginho do Porto estreou no carnaval cantando um bom samba, animado do início ao fim, de excelente melodia e boa letra. Não entendo o porquê de quase ninguém gostar deste samba-enredo. A gravação no CD deu uma melhorada, é verdade! Mas o samba da Ponte de 1994 definitivamente não merece as tantas críticas recebidas. Talvez elas se devam também ao andamento rápido da bateria para um samba-enredo curto e - pasmem - sem refrão do meio. Isso mesmo! Há apenas um refrão no samba: "E brilha meu São Luiz...". Uma bela homenagem a Alcione. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Esse samba marca o começo de carreira de Serginho do Porto. É uma obra-prima belíssima, uma homenagem merecida a Alcione, a eterna Marrom. Seu único refrão "E brilha meu São Luís/Bumba-meu-boi vai dançar/No seu balanço minha escola vai passar" é excelente. Belo samba-enredo! NOTA DO SAMBA: 9,4 (Gabriel Carin).

Sinto saudades da época em que a Ponte (precisamente nos anos 80) nos trazia sambaços, daqueles de repetir a faixa 'zilhões' de vezes (como os sambas de 1982 e 1984 por exemplo). A partir dos anos 90 a escola veio, tristemente, decaindo. Aqui, nesse samba em homenagem a Alcione, um exemplo disso. Samba curto, sem criatividade em letra e melodia. Serginho do Porto tem uma boa atuação. NOTA DO SAMBA: 8,4 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

8 - UNIÃO DA ILHA - A queridíssima escola fez em 1994 um dos melhores desfiles de sua história, um desfle que, na opinião de muitos bambas, merecia sair com o caneco após a Apuração. Acabou na quarta colocação e deixou como herança um belíssimo samba, de melodia envolvente e vibrante, cantado por Quinho. Aliás, no CD, quase não entendemos o que o senhor Melquisedeque Marins Marques canta, até porque o samba possui partes que são entoadas de forma rápida. E todos nós sabemos que a dicção de Quinho não é das melhores... Ah, até hoje não entendo o que significa o "Saber para crescer/Saber para orientar/Saber para amenizar", os três últimos versos (que não fazem parte do samba-enredo) presentes na letra do samba da Ilha no encarte do CD. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

"Amor! A noite brilha!/A magia encanta a cidade/Amor! Que maravilha!/A Ilha dando um banho de felicidade". Mestre Quinho retorna à sua primeira escola. "Abrakadabra" não é uma marcha-enredo, mas um samba autêntico, mesmo sendo animado. O tema dele, até hoje não entendi direito. Mas que é excelente, é sim. O refrão central "É vida! É sorte! É fé/É figa de Guiné!/Roda baiana que esse povo tem axé" também merece respeito. A letra é perfeita e a melodia pra lá de envolvente. Um legítimo "repete-faixa"!!! Um dos melhores sambas-enredo da história da Ilha! E funcionou bem no desfile, como vemos pela colocação de 1994: 4º lugar, a última boa posição da agremiação no Grupo Especial. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Gabriel Carin).

Sambaço da Ilha, que fez tambem um belíssimo desfile, lhe assegurando o 4º lugar no grupo. Tem dois refrões contagiantes (Quinho deita e rola) e uma bela melodia. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

9 - IMPERATRIZ - Mais um grande samba-enredo desta gloriosa agremiação e que, sem dúvida, colaborou para o título do carnaval de 1994. O samba é sensacional, de letra e melodia esplendorosas. E ainda com Preto Jóia na sua melhor fase... Este samba vibrante e envolvente dispensa comentários. Ah, e no encarte do CD, colocaram o Edmilton da Tradição como intérprete do samba. Que furo... NOTA DO SAMBA: 9,6 (Mestre Maciel).

A introdução é muito boa, fazendo uma homenagem ao bicheiro Luís Pacheco Drummond, o Luizinho da Imperatriz, bicheiro-patrono da escola, também preso por formação de quadrilha, assim como Anísio. Digo que "Catarina de Médice" foi o campeonato mais merecido da Imperatriz a partir do bi de 80-81 (porque os títulos de 1989, 1995, 1999, 2000 e 2001...). O refrão "Sou índio, sou forte/Sou filho da sorte, sou natural/Sou guerreiro/Sou a luz da liberdade, carnaval" é adorável, sendo hoje um dos mais famosos do carnaval carioca. O "Mon amour c'est si beau!/Esse jogo, essa dança/Tabajer, Tupinambôs" consegue usar várias palavras em francês em ser trash. O enredo é bem confuso mesmo e para quem ainda não o entendeu, aí vai a explicação. Como inúmeros corsários franceses vinham ilegalmente para o Brasil, eles acabaram ficando amigos dos índios. Daí, a rainha Catarina de Médici os convidou para fazerem uma espécie de teatro para os franceses, com inúmeras apresentações retratando o estilo de vida indígena brasileiro. É uma bela obra! Parabéns aos compositores! NOTA DO SAMBA: 9,5 (Gabriel Carin).

Este samba me conquistou, desde quando o ouvi pela primeira vez com a escola desfilando. Lembro que torci muito pela escola em 1994, pois o desfile foi magnífico. Uma obra prima do carnaval dos anos 90, um dos melhores sambas da Imperatriz, um belissimo desfile, enfim, PERFEITO. A partir daqui, Preto Jóia estava definitivamente consagrado. Considero tambem um dos melhores trabalhos da carreira de Rosa Magalhaes.
NOTA DO SAMBA: 10 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

10 - ESTÁCIO - 1994 foi o ano em que a gloriosa Estácio de Sá começou a afundar. Apenas dois anos após o título conquistado, a escola amargaria uma 13ª colocação entre 16 escolas. E a sua marcha-enredo definitivamente não ajudou. Embora a Estácio tenha se consagrado a fazer sambas dessa estirpe nos anos 80, o de 1994 dessa vez não agradou. É um samba animado e que até possui uma boa melodia (também, com Dominguinhos como intérprete...). Mas o hino de 1994 da nem se compara com os anteriores feitos pela escola. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Mestre Maciel).

Tentativa fracassada de tentar reviver os sambas estilo "Tititi no Sapoti". O enredo sobre o camelódromo do Rio de Janeiro, o S.A.A.R.A., gerou uma marchinha bem estranha, mas com belos momentos. O carnavalesco Alexandre Louzada tentou assimilar o deserto do Saara com esse local aqui do Rio. O refrão "Tem balangandã/E jóia rara/Nesse canaã/Que é o SAARA" é meio esquisito, apesar de ter boa melodia. Ela faz lembrar um pouco o refrão salgueirense de 1987 "Venham ter felicidade/Salgueirando a humanidade". Para falar dos bons momentos, cito o refrão "Sonhei, acordei/Na minha visão/Na cabeça dá leão". NOTA DO SAMBA: 8,6 (Gabriel Carin).

Tudo bem, é uma marcha enredo, mas que eu adoro! Tenho paixao por esse samba da Estácio. Vivo cantarolando o refrao "Tem balagandã e jóia rara,neste Canaã que é Saara"... e tamb[em o trecho que vai até o refrao - "Babel/Do comércio de sonhos /Um pedaço do céu /Pedi a São Jorge guerreiro /Pra nos ajudar /Achei nesse canto/ Um recanto, para descansar  / Sonhei, acordei / Na minha visão /Na cabeça dá leão " - pena que o desfile teve alguns problemas, e a Estácio começava um periodo negro de sua historia. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Eduardo).  Clique aqui para ver a letra do samba

11 - GRANDE RIO - Após o sucesso de "No Mundo da Lua" no ano anterior, a escola provaria que seria capaz de fazer sambas de excelente qualidade nos anos seguintes. O esplendoroso hino de 1994 é a prova concreta. Enredos que envolvam a África geralmente geram excelentes sambas-enredo. Com o tema "Os Santos que a África não viu" não foi diferente. Nêgo, competente como sempre, levou um samba de excelente letra e melodia envolvente, de total agrado para o bamba. Um dos grandes sambas de 1994, sem sombra de dúvida. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Mestre Maciel).

Excelente samba-enredo da escola de Caxias! Realmente, a escola chegou ao Grupo Especial com o pé direito. Ele tem uma melodia belíssima e letra longa, porém fascinante. Seu refrão principal, apesar de meio confuso é excelente. Destaque também para o trecho "Viu no culto de malê/Preto velho catimbó/De um povo morenado/Conheceu caboclo bravo/Fascinado por Tupã...". Fascinante! É pra ouvir de joelhos! NOTA DO SAMBA: 9,8 (Gabriel Carin).

Samba longo e com letra valente da escola de Caxias. Tem uma melodia excelente e a grande vantagem de contar com a cancha de Nêgo, outro intérprete que é capaz de fazer 'miséria' com os sambas que interpreta. Ele ainda cantaria outros sambaços na escola nos anos 90. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

12 - PORTELA - No último ano de Dedé da Portela como intérprete oficial, ele contou com um samba curto de excelente animação e melodia vibrante, que levou os bambas ao delírio. Belo samba-enredo, sem merecer qualquer tipo de contestação. O refrão principal "Capoeira/O samba vai levantar poeira/Tem zoeira/Em Oswaldo Cruz e Madureira" é de arrepiar. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Infelizmente, esta foi a última vez que ouvimos o maravilhoso Dedé da Portela puxando um samba portelense. "Quando samba era samba" é um samba magistral, iniciando a trilogia José Felix. Em 1995, seria a história do carnaval e em 96, a história da MPB. Não sei porque fiquei surpreso ao ouvir um samba-enredo tão pesado para narrar a história do samba. Você deve estar pensando: o que tem haver uma coisa com a outra? Para falar a verdade, nem eu sei! Deve ser porque normalmente sambas com esse enredo são leves. José preferiu explorar a mesclagem dos ritmos africanos que deram origem ao samba do que a sua história mesmo no Brasil. Então, sei que o desfile foi um presentão para o meu ídolo Haroldo Costa, já que o salgueirense é um pesquisador da cultura negra. Como o enredo citava, por exemplo, a vida de Tia Ciata e região da "Velha África" do Rio de Janeiro, foi um prato cheio para os interessados na história do samba. Sinceramente, eu acho essa a melhor faixa do CD. Com certeza, pela atuação esplendorosa da bateria portelense, da interpretação excelente do Dedé, do coro reforçadíssimo, da batucada africanizada no refrão principal, e principalmente, graças ao BE-LÍS-SI-MO violão entoado com perfeição no gracioso refrão "Axé, vem de Luanda/Sacode negritude da cidade/Trazendo a bandeira do samba/N'apoteose na felicidade"! Uma combinação de coisas que faz a obra se aproximar muito de uma gravação ao vivo da Sapucaí. Divinal! NOTA DO SAMBA: 9,8 (Gabriel Carin).

Samba pra encher os portelenses de orgulho! Melodia maravilhosa, dois refrões 'pedrada', letra raçuda, e a maravilhosa voz de Dedé da Portela, infelizmente, se despedindo da escola. Um dos grandes sambas da escola nos anos 90. NOTA DO SAMBA: 10 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

13 - MOCIDADE - O jovem Wander Pires fazia a sua estréia como intérprete oficial de escola de samba. E não comprometeu, tanto que, depois do carnaval, uma música na sua voz seria um grande sucesso ("Se você sentir saudade/Liga pro meu celular..."). Tornaria-se, anos depois, um dos melhores intérpretes do carnaval carioca. Sobre o samba, um enredo sobre a Avenida Brasil, uma das principais do Rio, dificulta um samba-enredo de alto cunho poético. Por isso, a letra é, sem dúvida, lamentável. Pérolas como "Ziguezagueando eu vou/Outra vez com a Mocidade" e "Uma confusão de coisas/Assim é a Avenida Brasil" não puderam ser evitadas. A boa melodia até salva o samba e a maravilhosa gravação do CD, com a bateria dando show, torna a faixa da Mocidade uma das melhores do disco. Mas, na avenida, o samba, como era de se esperar, se arrastou e a escola não passou de um oitavo lugar. NOTA DO SAMBA: 8,8 (Mestre Maciel).

Nunca na história do carnaval carioca deu para perceber tão bem a diferença entre letra e melodia num samba-enredo. Dos três compositores, é obvio que um ou dois ficaram encarregados de fazer a melodia (belíssima) e o restante, a letra (paupérrima). Uniram os dois e foi isso aí que deu: um samba de melodia fantástica, mas de letra terrível. Como o Mestre Maciel citou, temos que ficar aturando pérolas desastrosas como "Uma confusão de coisas/Assim é a Avenida Brasil" e "Ziguezagueando eu vou/Outra vez com a Mocidade". Mas como disse, é exatamente nesses locais que as variações se superam, dando um verdadeiro show. A bela estréia de Wander Pires também o incrementa muito. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Gabriel Carin).

Samba fraco da história da Mocidade, o que é rarissimo se tratando da escola de Padre Miguel. O que dizer de versos como "uma confusão de coisas, assim é Avenida Brasil"? Ressalto porém o belo refrão principal "Vem cantar e sambar/ Com a Mocidade / De carona na estrela /Rasgando o coração dessa cidade" e a excelente estreia de Wander Pires, com muita segurança, cria da escola, que cantaria ainda belissimos sambas na escola. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

14 - UNIDOS DA TIJUCA - Com um enredo parecido com o do Salgueiro, falando sobre o Rio de Janeiro no verão, a Tijuca trouxe para a Sapucaí um samba animadinho e bem cantado por Carlinhos de Pilares. Com a bateria arrebentando na segunda passada, a gravação do CD fez o samba crescer. Possui uma boa melodia, mas a letra apresenta muitos clichês. NOTA DO SAMBA: 9 (Mestre Maciel).

O pior samba-enredo da história da Unidos da Tijuca! “Só Rio... É verão”, enredo falando sobre o verão na Cidade Maravilhosa, originou um sambinha medíocre, cujo simplorismo é notável de longe. A letra é uma seqüência ridícula de clichês da pior categoria, como os inacreditáveis “Vem, meu amor”, “Só pra ver como é que brilha o meu astral”, “Eu quero é mais o teu calor”, “Vou brilhar em fantasia/Hoje na Sapucaí”, “Como é lindo o meu Rio”, “Delírio desta multidão” ou “É nesse mar de amor/Eu vou que vou”. Além disso, a obra também possui lugares pra lá de obscuros como “E depois tomar uma cerva bem gelada” ou “Sou a onda, tô na moda/Do vôo livre ao jet-ski”. A melodia é superior à precária letra, no entanto ainda não possui originalidade alguma. Toda vez que o samba tenta se tornar lírico através de alguma variação, sua corrente melódica acaba não se mantendo e a obra volta a ser marcheada. Trash! NOTA DO SAMBA: 5,9 (Gabriel Carin).

Um samba que passa despercebido entre a coleção de obras memoráveis da escola do Borel nos anos 90. Tem uma boa melodia, e só. Uma das últimas vezes em que ouvimos o ótimo Carlinhos de Pilares como intérprete principal. NOTA DO SAMBA: 8,9 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

15 - CAPRICHOSOS - Autêntica marchinha, com o andamento no CD, se eu não partir para o exagero, mais acelerado que no próprio desfile. A bateria, no CD, dá um legítimo show, às vezes vale a pena ouvir este samba só para ouvi-la. Mas a marcha-enredo de 1994 da Caprichosos não é ruim. De letra curtíssima, e de melodia de marcha e animada, o samba realmente é de bom agrado. NOTA DO SAMBA: 9 (Mestre Maciel).

Samba pobre, de letra muito simples e melodia fraca. É um samba muito chatinho, enjoa demasiadamente, além de esbanjar clichês desnecessários. Narra muito mal o tema, que poderia gerar algo muito melhor. O que esperar de um samba que tem um refrão "Eu vou atrás do Bola Preta/Segura meu bem na chupeta"? Realmente, desastroso! Um trashelândia só! Mas não é a pior coisa do universo. NOTA DO SAMBA: 7,2 (Gabriel Carin).

Samba animadaço de Pilares que me agrada bastante. Tem um refrão que 'gruda' no ouvido "Eu vou atrás do Bola Preta/Segura meu bem na chupeta", e uma letra qualificada que une, harmoniosamente, humor e a descrição do enredo (no caso a Avenida Rio Branco). Registre-se tambem a excelente atuação de Luizito, principalmente na avenida. Além de levar o samba com muita raça, incentivou a escola, que fez parte do desfile embaixo de chuva. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

16 - VILA ISABEL - Não há palavras para descrever esta obra-prima do carnaval, sem dúvida um dos melhores sambas-enredo de todos os tempos. De letra fantástica e com melodia emocionante e deslumbrante, este sambaço também marcou a estréia de Jorge Tropical como intérprete oficial ao lado de Gera. Para um samba-enredo como este, a nota não pode ser outra. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

"Estandarte de Ouro" indiscutível! A obra de André Diniz deu início a uma era nos sambas-enredo da Vila Isabel. Esse estilo é característico pelas letras longas e interpretativas e pela melodia altamente envolvente. "Muito prazer!" é um samba de letra altamente criativa, dispensando qualquer tipo de clichê ou termo trash. O samba é uma verdadeira homenagem de coração ao bairro de Noel, bairro da própria escola de samba: a Vila Isabel, subúrbio do Rio de Janeiro. O resultado, como disse, é excepcional! Ambos os refrões são emocionantes, especialmente o "Peguei o bonde, passei no Boulevard/E a "Confiança" é doce recordar/’Os três apitos’ cantados por Noel/Ainda ecoam pela Vila Isabel". Narra todo cotidiano dos bairristas, o dia-a-dia de cada pessoa que mora ou trabalha na Vila. A primeira passagem é mais uma passagem histórica, recordando a época mais antiga do bairro. A segunda é uma exaltação maravilhosa à cultura da Vila Isabel, incluindo suas músicas, festejos e grandes personagens. Destaque par o sensacional "Desperta Seu China! Acorda Noel!/Pra ver a nossa escola desse branco azul do céu/E o Zé Ferreira/Vem saudando a multidão/Pode me chamar de Vila/Que orgulho é o meu "Brazão"!". Só pra lembrar, o "Brazão" citado nesse trecho é uma referência ao compositor Paulo Brazão, um dos maiores nomes da agremiação. Excelente! Indiscutivelmente, o melhor samba-enredo do ano! Pra completar, temos a primeira e perfeita harmonia entre Gera e Jorge Tropical (estreando na escola), além da sempre competente bateria da Vila, com um desempenho fantástico. Uma pena que a Coletânea Sony fora feita em 1993. Se o Rildo Hora esperasse mais um aninho, teríamos o CD da Vila mais incrementado. NOTA DO SAMBA: 10 (Gabriel Carin).

O que comentei a respeito da Portela, vale também para o samba da Vila deste ano. Nesse caso, arrisco dizer que é desses sambas que, qualquer bamba se orgulha, porque é uma obra genial da historia do carnaval! O refrao central é algo de magnifico, magistral. Excelente atuação de Gera (como sempre, aliás) ao lado do tambem ótimo Jorge Tropical. NOTA DO SAMBA: 10 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba