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Os sambas de 1990

Os sambas de 1990

A GRAVAÇÃO DO CD - 1990 foi o primeiro ano em que o disco de sambas-enredo também foi fabricado no formato Compact Disc (CD). Por conta disso, o disco de 1990 causa muita polêmica por minha parte. Provavelmente por contenção de despesas, a Gravadora Escolas de Samba colocou os 14 sambas num reles bolachão, resultando em sete faixas por lado. Como um vinil possuía um limite de tempo limitadíssimo, a solução encontrada foi condensar as faixas em míseros três minutos cravados cada uma. Em muitas das faixas, com o LP, só era possível ouvir a primeira passada do samba completa e raramente ia além da segunda do refrão principal. Tal atitude modificava o esquema dos dois últimos anos, quando os sambas foram lançados completinhos em álbuns duplos. Em compensação, no CD, as 14 faixas foram lançadas na íntegra, durando entre quatro e cinco minutos. Como quase ninguém tinha CD Player naquela época, os bambas praticamente tiveram que se contentar com o disco e as faixas totalmente cortadas. E o pior é que, quando colocam algum samba de 1990 em coletâneas, sempre é a versão do vinil (de três minutos) que é escolhida. As exceções ocorreram naquela coletânea de sambas-enredo originais das principais escolas de 1986 a 1999, quando colocaram o samba de 1990 de cada agremiação completinho, e no CD Bônus de 2002, que disponibilizou o magistral samba-enredo da São Clemente com mais de quatro minutos de duração. Um outro problema surgiria depois do lançamento do disco. Inicialmente, o regulamento do carnaval de 1989 previa um legítimo enxugamento, com o rebaixamento de cinco escolas e o acesso de apenas uma (a Santa Cruz) para o carnaval seguinte. Porém, Unidos do Cabuçu (14º colocada entre 18 escolas no Especial-89 e até então rebaixada) e Lins Imperial (vice do Acesso-89, mas que até então continuaria no Segundo Grupo) reivindicaram um lugar no desfile principal de 1990, alegando que o regulamento era injusto e autoritário. As duas agremiações conseguiram este direito, mas não tiveram seus sambas-enredo incluídos no disco do Especial. Suas faixas foram gravadas para o disco do Acesso-90. Sobre a gravação do disco do Especial, a bateria estava com um som bem mais distante e artificial em relação aos álbuns dos anos anteriores. Muitos consideram seu som no disco de 90 um ruído ou um chiado. Quem se sobressai é o tamborim (naquela época, as caixas de guerra mal apareciam). As duas passadas do samba eram idênticas, com o intérprete cantando o tempo todo acompanhado por um intenso coral (e soltando cacos na segunda passada do samba) e a bateria dando as mesmas batidas, não mudando absolutamente nada entre uma passada e outra. Pela última vez a ordem das faixas foi de acordo com a ordem de entrada da escola no desfile. A partir do disco de 1990, infelizmente, se tornaram ausentes as esplendorosas faixas de bateria presentes nos álbuns de 87 a 89. Sobre a safra, é de intenso agrado e repleta de sambas-enredo qualificadíssimos. Praticamente não há sambas ruins em 1990. Que boa fase que vivíamos... NOTA DA GRAVAÇÃO: 8 (Mestre Maciel).

1 - SANTA CRUZ - É o samba-enredo mais famoso da Santa Cruz e combina muito com o estilo do irreverente Carlinhos de Pilares, em sua primeira passagem pela escola. Um samba cativante, com um refrão simpático e que até hoje não saiu da memória de muita gente. Pra quem não sabe, "Gip, gip, nheco, nheco" era uma coluna semanal escrita pelo jornalista Ivan Lessa para o Pasquim. Enquanto o slogan do Brasil durante a época mais opressora da ditadura militar era "Brasil, ame-o ou deixe-o", Lessa na hora respondeu "o ultimo a sair, apague a luz". Daí o refrão: "gip gip nheco nheco/por favor apague a luz". A segunda parte do samba apresenta umas variações melódicas incomuns, o que faz o hino de 1990 da Santa Cruz cair um pouco. Apesar da simpatia dos bambas com o samba, ele não livrou a Santa Cruz de mais um rebaixamento no Especial para a sua vasta coleção de insucessos no desfile principal. Só lembrando: a escola nunca conseguiu permanecer dois anos consecutivos no Primeiro Grupo. NOTA DO SAMBA: 9 (Mestre Maciel).

Este samba está longe de ser um primor em termos de melodia, mas é alegre e descompromissado como várias obras da época. O saudoso Carlinhos de Pilares, como de costume, esbanjou simpatia com seus cacos e deu vida a este samba, que tem no refrão principal o seu ponto forte. Como de costume, também, a escola da Zona Oeste, foi rebaixada. NOTA DO SAMBA: 9 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

2 - CAPRICHOSOS - Na única passagem de Aroldo Melodia pela escola, ele conduziu um samba longo, mas de criativa letra e boa melodia. Seu enredo falava sobre os mais diversos tipos de bocas. Porém, o samba-enredo deve ter se arrastado no Sambódromo. NOTA DO SAMBA: 9 (Mestre Maciel).

Enredo interessante que rendeu um samba gostoso, mas longo em demasia. Se esta obra fosse mais curta, possivelmente Aroldo Melodia teria deitado e rolado com ela, tornando o desfile mais leve, com a cara da Caprichosos. A crítica não faltou, no entanto, como nos versos "Ô ô ô ô ô ô/Na boca da urna, o voto tentou/Ô ô ô ô/Dar adeus aos marajás". Só acho que nem mesmo os compositores imaginavam como terminaria o Governo Collor... NOTA DO SAMBA: 9 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

3 - IMPÉRIO SERRANO - O estreante Tico do Gato conduziu muito bem o bom samba-enredo da Império Serrano de 1990, com cacos criativos como "Estica o couro do gato" e "O que é bom já nasce feito". Este samba me agrada muito, já que sua melodia é animada, de boa qualidade e apresenta belas variações. A escola tem sambas melhores, é verdade! Mas esse de 1990 não merece ser em um pouco questionado. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Um samba inferior aos últimos nove que a escola havia apresentado, mas longe de ser ruim. Tem uma melodia agradável e um interessante segundo refrão: "Ô ô ô ô/ Bravos guerreiros/ Brasil, sempre Brasil/O Brasil já era brasileiro". Até que Tico do Gato, um dos compositores, tem boa atuação, mas é estranho ouvir um samba do Império daquela fase sem o Quinzinho, apesar de ele no ano anterior já ter sido substituído pelo grande Silvinho. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

4 - VILA ISABEL - Uma verdadeira obra-prima. Seu enredo era polêmico (reforma agrária). Mas o samba-enredo da Vila de 1990 possui uma letra maravilhosa e uma melodia emocionante e extraordinária. Uma pena que o samba não livrou a Vila de um péssimo desfile. A escola de Martinho tirou o 12º lugar entre 16 escolas. E pensar que, dois anos antes, havia levado o campeonato. Gera diz, no começo da faixa, que "esse ano é preciso confirmar". Se era para confirmar a boa fase da escola (que no ano anterior havia tirado o quarto lugar), o objetivo traçado pelo intérprete e pela agremiação havia atravessado... NOTA DO SAMBA: 9,6 (Mestre Maciel).

Um dos melhores sambas do ano. A Vila estava em uma grande fase em termos de samba e, apesar de não ter feito um desfile à altura dos anteriores, pisou forte na Sapucaí com esta bela obra. Um enredo pertinente rendeu um samba envolvente e que em nenhum momento é ácido, apesar das críticas. O trecho "Se minha fosse esta terra/Das pedras nasceriam flores/Com sangue, suor e lágrimas/Cantou o negro em suas cores" é fantástico! Gosto muito também da atuação do Gera no disco. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

5 - BEIJA-FLOR - O enredo feito por Joãosinho Trinta até hoje é um enigma para os bambas. O samba-enredo da escola de Nilópolis até teve um refrão que pegou (o "Toca fogo no rabo..."), mas, assim como o enredo, a letra é confusa e a melodia possui falhas (principalmente na segunda parte). Mesmo assim, o samba e o enredo funcionaram bem e a Beija-Flor fez um desfile que, segundo a opinião de muitos, seria merecedora do campeonato. O "parou por quê, por que parou" do fim da faixa (presente apenas na versão do CD) é tão exótico como esquisito. NOTA DO SAMBA: 8,9 (Mestre Maciel).

É um samba de letra de mediana para fraca e melodia um pouco melhor, mas tem uma pegada sensacional, o que se comprovou no desfile. Tem alguns termos dispensáveis como "Toca fogo no rabo" e "Sacanagem", mas até que gosto de ouvi-lo, pois é engraçadinho e pra frente. Neguinho da Beija-Flor tem brilhante atuação. NOTA DO SAMBA: 9 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

6 - SALGUEIRO - Um samba que lembra muito os antigos da agremiação, porém com um andamento muito acelerado no disco. Pela trocentésima vez afirmo: enredos que exaltam a cultura africana geralmente geram sambas esplendorosos. Com o hino salgueirense de 1990 não foi diferente. Uma melodia de variações interessantes unida a um refrão clássico ("O Salgueiro é pra quem tem fé...") fazem deste samba um dos melhores do ano. 1990 marcou a última passagem de Rico Medeiros pelo Salgueiro, escola que o consagrou como intérprete. Detalhe que Rico, cuja característica era, até então, cantar o samba, se soltou na gravação, soltando cacos clássicos como o "Haaaaaaaaaii...". Ele apareceria mais irreverente em suas duas passagens pela Viradouro nos anos de 1994 e 1995. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Muito bom samba, inferior, entretanto, às excelentes obras dos três anos anteriores. O refrão principal "O Salgueiro é/Pra quem tem fé/No gingado das baianas/Vem, meu povão, diz no pé" é excelente e caiu como uma luva para o intérprete Rico Medeiros, que naquele ano se despediu da escola. Mais um bom momento salgueirense. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

7 - PORTELA - Um bom samba, porém seu andamento acelerado no disco e na avenida gerou muitas críticas por parte dos bambas. Ele é considerado uma marcha-enredo, mas eu não o tacho assim. Deveria ser entoado de maneira mais cadenciada. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Mestre Maciel).

É um samba bastante marcheado, porém de letra e melodia agradáveis. Acho a atuação do saudoso Dedé da Portela meio desanimada no disco, tanto que no desfile ele cantou num tom mais agudo e o samba ficou com mais pegada. O refrão principal, apesar de curtinho, é poético e cativante: "Eu vi num colorido amanhecer/O sonho da Portela acontecer". NOTA DO SAMBA: 9,2 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

8 - SÃO CLEMENTE - Um dos melhores sambas-enredo de todos os tempos. "E o samba sambou" é considerado por mim o hino do atual carnaval, onde o dinheiro suplantou o amor pela escola de samba. A letra é perfeita, uma das melhores da história e, com a irreverência característica da São Clemente, faz a conhecida crítica da escola atingir o seu auge. O extraordinário intérprete Izaías de Paula dá vida a um samba de uma letra extremamente debochada, mas de melodia envolvente e emocionante. Uma das grandes obras-primas do carnaval, sem dúvida nenhuma. Com este samba e este enredo, a São Clemente realizou o melhor desfile de sua história, atingindo uma fantástica sexta colocação entre 16 escolas. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

"Olha a São Clemente aí! Olha a crítica!" É o melhor samba-enredo de 1990 e o melhor da história da escola. Quando ouço o excelente Isaías de Paula entoar os memoráveis versos desta obra, não consigo deixar de lamentar os rumos tomados pelo carnaval carioca. É um samba mais do que atual, mesmo quase 20 anos depois. Pena que, pelo visto, ele retratará o quadro dos desfiles dos próximos duzentos anos também... NOTA DO SAMBA: 10 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

9 - MANGUEIRA - Levou o Estandarte de Ouro de melhor samba, embora eu ache sambas como os da São Clemente e da Vila Isabel melhores. O samba curto, de letra simples, mas de melodia adorável, cativou os bambas presentes na Sapucaí. Pelo segundo ano, o extraordinário Sobrinho era apoio de Jamelão, inclusive soltando os cacos no disco como ocorrido no ano anterior. Uma pena que, no encarte com as letras, não creditaram a participação de Sobrinho. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Outra obra-prima de 1990! Foi a trilha sonora de um brilhante desfile da Estação Primeira, que só não ficou nas primeiras colocações devido à perda de pontos pelo estouro do limite de 90 minutos. No disco, Sobrinho abre os trabalhos com o famoso e inesquecível grito de guerra "Vai meu rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrritmo!" e Jamelão em seguida desfila toda a sua categoria. Um ano depois do fraco "Trinca de Reis", a escola veio mordida e, com um samba de letra inteligente e melodia brilhante, levantou o público no sambódromo. A atuação dos ritmistas do Mestre Taranta no desfile foi extraordinária e a escola, além de ter vencido o Estandarte de Ouro em bateria, ainda levou os prêmios de melhor escola, melhor intérprete e melhor samba (que, a meu ver, a São Clemente merecia). Pena, insisto, que os pontos perdidos em cronometragem tenham atrapalhado tanto. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

10 - MOCIDADE - Em outubro de 1989, no dia da escolha do samba-enredo da Mocidade, Ney Vianna, o inigualável intérprete da escola, teve uma parada cardíaca e caiu morto em plena quadra. Isso às vésperas da gravação do samba-enredo para o disco. Em cima da hora, o jovem Paulinho Mocidade, na época apoio de Ney, fora confirmado como o intérprete oficial da Mocidade. A gravação do samba foi emocionante, a começar pela dupla homenagem ao imortal Ney Vianna, primeiramente com o alusivo "Minha estrela guia/Brilha lá no céu/Sou a verde-e-branco/De Padre Miguel" e depois com a voz do saudoso intérprete entoando o grito de guerra mixada na faixa (o grito é do disco de 1988). Na abertura da segunda passagem do samba, também seria mixado um "Em cima agora" de Ney. Sobre o samba, é um clássico que até quem não é bamba conhece, a começar pelo refrão "Ah, vira virou, vira virou/A Mocidade chegou...". Sua melodia é emocionante e realmente exalta os feitos da escola que, nos últimos dez anos na época, havia deixado de ser uma escola média para se tornar uma de grande porte, a partir dos dois títulos conquistados até então (em 1979 e 1985). Tal virada inspirou a expressão "Vira virou" do enredo (devem ter pedido uma autorização à dupla Kleiton e Kledir, autores de uma canção de mesmo nome). Repetindo, o samba é uma singela homenagem à história da Mocidade, que relembrou os melhores carnavais da escola e, é claro, a paradinha da bateria consagrada pelo lendário Mestre André e as personalidades, como Ney Vianna, cuja foto apareceu numa carteira de identidade em uma alegoria da escola, numa alusão à clássica exaltação "Mostrando a minha identidade/Eu posso provar a verdade/A essa gente/Como eu sou da Mocidade Independente". A Mocidade, com o enredo, conquistaria seu terceiro título no Grupo Especial. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

Mais um excelente samba da safra. Logo após o trauma da perda do grande intérprete Ney Vianna, a Mocidade deu a Paulinho Mocidade, mais conhecido na época por ter sido um dos compositores de "Como era verde o meu Xingu", de 1983, a chance de comandar a equipe de puxadores da escola. O então estreante não desperdiçou a oportunidade e cantou com brilhantismo este ótimo samba, que conta de forma emocionante a linda história da agremiação de Padre Miguel. Embalada por este clássico do carnaval do Rio, a Mocidade ganhou com inteira justiça o título. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

11 - ESTÁCIO - O refrão principal do samba é um dos pioneiros do quesito oba-oba, aquele tipo que exalta apenas a escola e não faz referências ao enredo. Mas ele é clássico, assim como todo o samba, de melodia bem construída e bem cantado por Rixxa, intérprete Estandarte de Ouro no carnaval anterior. Um samba-enredo correto. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Outro samba muito bom, cantado pelo extraordinário intérprete Rixa (na época era com um "x" apenas, pelo menos segundo os jornais). Adoro o trecho "Fascinação/O palácio do Tzar estava ali/Por incrível que pareça/Viu a mula-sem-cabeça/ Galopando com Saci/E os colibris/Num bailar tão sutil". A Estácio vinha se firmando como escola de ponta no carnaval carioca e, dois anos depois, conquistaria seu único título. Pena que depois tenha caído tanto. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

12 - IMPERATRIZ - Samba curtinho, mas de melodia valente e envolvente, ele é mais um daqueles que faz o bamba não se cansar de repeti-lo duas, três vezes ou mais. Cantado com muita garra por Dominguinhos do Estácio, o samba da Imperatriz, de dois refrões extraordinários e quase unidos pelo fato da primeira parte ser muito maior do que a segunda, é um dos melhores do ano. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

Inferior ao épico "Liberdade, liberdade", mas um samba bem agradável. Dominguinhos mais uma vez tem brilhante atuação, principalmente quando canta o excelente refrão principal "Ôôôô/Tropicália é pra viver/É o Sol, é o infinito/É um mundo de prazer". Teve bom funcionamento no desfile e a Imperatriz voltou no sábado das campeãs. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

13 - UNIDOS DA TIJUCA - Sensacional! A melodia totalmente original e lírica é a principal característica deste samba tijucano, cujo enredo é mais um que exalta a cultura portuguesa (sempre foi tradição na escola a realização desses enredos). Seus pontos fortes estão no refrão central e na segunda parte. O samba de 1990 da Unidos da Tijuca serviu para Nêgo largar de vez o incômodo rótulo de ser apenas "o irmão mais novo de Neguinho da Beija-Flor". NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

Samba muito bom da escola do Borel e bem cantado pelo Nêgo, que estava se firmando como intérprete de primeira categoria. Obra com uma letra bem construída, contando com correção o pertinente enredo, e uma segunda parte de bela melodia. Depois de alguns rebaixamentos na década, a Tijuca voltava a se consolidar no primeiro grupo do carnaval carioca. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

14 - UNIÃO DA ILHA - O já consagrado Quinho tinha a responsabilidade de levar mais um samba que não só era a sua cara, como também combinava com o estilo da escola. De melodia animadinha, o samba de 1990 da Ilha não é tão famoso como tantos célebres da agremiação, mas que agrada, agrada! Depois do carnaval de 1990, Quinho acertaria sua mudança para o Salgueiro (mas regressaria à escola em 1994). NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Não é uma das obras mais comentadas da Ilha, mas é agradável. A homenagem ao grande Joãozinho Trinta teve um samba pra frente, como é costume na escola, e que tem uma letra bem descritiva. Só não ganha uma nota maior porque poderia ter uma melodia mais trabalhada e poética. Mas é um samba legal. Detalhe é que este foi o penúltimo samba cantado por Quinho na agremiação insulana - em 1994, ele faria um breve retorno à Ilha. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

UNIDOS DO CABUÇU - Ausente do disco do Grupo Especial, a letra deste interessante samba-enredo questionava com bom humor a volta das eleições diretas e implorava por uma boa administração de Fernando Collor, o primeiro presidente eleito pelo povo depois de Jânio Quadros no distante ano de 1961. O refrão central contém os seguintes versos: "Eu votei, se votei certo só mesmo o tempo dirá/Peço a Deus sinceramente que ilumine o presidente/Desde agora, desde já". Bem, se puxarmos um pouco pela memória, perceberemos que o apelo do refrão não serviu pra nada... E o samba-enredo por si é bem mediano, o mais fraco de 1990. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Mestre Maciel).

A baba do disco, embora não seja um samba desastroso. "Será que votei certo pra presidente?" é um samba de letra coloquial demais e melodia apenas razoável. A resposta ao título do enredo viria dois anos depois, quando o esquema de PC Farias foi desvendado e a crise que resultou no impeachment de Collor, deflagrada. NOTA DO SAMBA: 8,2 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

LINS IMPERIAL - Samba-enredo longo, mas de excelente melodia e com dois refrões de muito bom agrado (sobretudo o central). A escola, que conseguiu em cima da hora a vaga no Grupo Especial e não teve o seu samba-enredo incluído no disco, conseguiu o direito de permanecer no desfile principal no ano seguinte. Foi a única vez que a Lins Imperial atingiu este feito. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Bom samba da agremiação do Lins na sua penúltima passagem pela elite do carnaval carioca. A letra, apesar de longa em demasia, conta bem a saga de Madame Satã e a melodia cai bem nos ouvidos. Pena que o carnaval, nos moldes atuais (com apenas doze escolas no Grupo Especial), quase não deixa mais escolas batalhadoras como a Lins Imperial mostrarem seu valor junto com as grandes. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba