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Os sambas de 1989 - Acesso A

Os sambas de 1989 - Acesso A

GRAVAÇÃO DO DISCO: Ao contrário do que geralmente acontece nos grupos de acesso, a safra de sambas deste ano no 1-B não foi das melhores, infelizmente. Junto com a de 1994, esta foi a mais fraca do Acesso na Era Sambódromo. Temas manjados, como folclore, Rio de Janeiro e as indefectíveis homenagens a personalidades deram a tônica dos temas enredos. Aliás, o período entre os carnavais de 1988 a 1991 foi crítico para o gênero samba enredo. Apesar de algumas belas composições presentes no disco, a epidemia pela busca do sucesso fácil já tinha se alastrado. Naquela época, a execução de sambas era maciça nas rádios e nos bailes pré-carnavalescos. Várias escolas escolhiam não o melhor samba, mas o mais comercial, e as baterias começavam a acelerar o ritmo, marcheando os hinos. E marcha é o que não falta neste disco. A gravação da bolacha ficou sob responsabilidade da Polygram. A experiência anterior da gravadora com sambas enredo aconteceu oito anos antes, com o lançamento do disco do Grupo 2-A (atual Grupo de Acesso B). O estilo ficou padronizado demais, evidenciando a pouca prática da gravadora: volume baixo e pouco destaque para as cordas e instrumentos de base. As baterias não ficaram pesadas – pelo contrário – e o ritmo, pasteurizado, não engrena. No entanto, as vozes dos intérpretes e o coral nos refrões ficaram em boa evidência. O disco traz as 10 escolas que disputaram o Grupo 1-B naquele ano e mais duas convidadas, Unidas do Viradouro e Leão de Nova Iguaçu, que estavam no Grupo 2-A. Quanto aos intérpretes, o destaque fica para os consagrados Marcos Moran, Dedé da Portela (surpreendendo ao cantar o samba afro da Leão), o veterano Jacy Inspiração e o então iniciante Roger da Fazenda. NOTA DA GRAVAÇÃO: 7,8 (Rixxa Jr).

1A – EM CIMA DA HORA (Num passe de mágica) – Um samba que obedece à tradição da escola do bairro de Cavalcante em apresentar bons sambas. Este “Num passe de mágica” é um exemplo de uma melodia inteligente e animada, com dois refrões fortes. A segunda parte tem uma letra extensa, o que destoa do conjunto, parecendo que o samba foi resultado de uma junção. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

2A –  ENGENHO DA RAINHA (Canta Brasil) – O enredo é sobre a música popular brasileira e rendeu um ótimo samba, que honra a tradição da Engenho da Rainha. O primeiro refrão tem um suíngue sensacional: “um samba de roda/ batido na palma da mão/ cavaquinho e viola/ batucada e samba canção”. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

3A – LEÃO DE NOVA IGUAÇU (O Alafin de Oyó) – Samba de temática afro, já narrada pela Cabuçu em 1983. Letra narrativa e ritmo animado, com dois refrões fortes. Primeira aparição desta simpática escola da Baixada Fluminense num disco de samba enredo. A interpretação é de Dedé da Portela, numa rápida aparição na Leão. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

4A – ARRASTÃO DE CASCADURA (Zezé, um canto de amor e raça) – Mais uma pérola na excelente coleção de sambas enredo da Arrastão de Cascadura. A obra é de autoria do quarteto Jacy Inspiração, Amaury, Netinho e Bebeto Arrastão, vencedor de vários sambas enredo na década de 80. O samba, de melodia dolente e em tom menor é muito bonito, celebrizando a famosa atriz, o que lhe valeu o Estandarte de Ouro do júri do jornal O Globo. O rebaixamento da escola naquele ano foi uma surpresa, estando o Arrastão cotado, inclusive, para subir para o Especial. NOTA DO SAMBA: 10 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

5A – CORDOVIL (Marrom som Brasil) – Uma marchinha muito fraca para homenagear a sambista Alcione. A letra mistura Flamengo, Maranhão, boi-bumbá e Mangueira. E o intérprete, o tal de Gambazinho (quem?), é pra lá de limitado. A Ponte foi mais feliz ao retratar o mesmo tema em 1994. NOTA DO SAMBA: 7,3 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

6A – TUIUTI (Folclore, tradição popular) – Mais um tema retratando o folk-lore tupiniquim. E dê-lhe Tupã, capoeira, frevo, maracatu, retratados de forma pouco criativa num samba menos inspirado ainda. Nesta época, a Tuiuti era uma escola mediana até para o Acesso. Não almejava subir ao Especial e o nível de carnaval também não estava a ponto de descer ainda mais. Desfilava somente para se manter. Um samba sonolento, só isso. NOTA DO SAMBA: 7,0 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

1B – UNIDOS DE LUCAS (Estrelas solitárias Linda e Dircinha Batista) – Bons tempos aqueles quando o Galo da Leopoldina lutava para voltar à elite do carnaval carioca. O enredo é uma justa homenagem às irmãs Dircinha e Linda Batista, rainhas da era áurea do rádio brasileiro. A estrutura do hino é diferente, com apenas um refrão, no meio do samba. A melodia viaja das notas maiores para as menores deslizando com criatividade. Um exemplo de samba enredo, daqueles que não se fazem mais. NOTA DO SAMBA: 10 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

2B – SANTA CRUZ (Stanislaw, uma história sem final) – A maior façanha da escola com esse samba foi tirar o grande Marcos Moran do ostracismo em que se encontrava desde que foi dispensado da Vila Isabel depois do carnaval de 1984. Só que o cantor não foi feliz com esta homenagem ao cronista carioca Sérgio Porto. Rimas pobres, “Tia Zulmira/ Sérgio Porto exaltou/ e fez do crioulo doido/ uma obra de valor ô ô”, versos que não cabem na métrica do samba “senhor político vou lhe diplomar/ vais receber/ o febeapá” e tentativas frustradas de levar irreverência à letra ao estilo São Clemente “quem não tem quiabo/ não oferece caruru/ assim disse o jornalista/ no meio do sururu”. A idéia da escola era voltar ao assunto Stanislaw, iniciado com a Cabuçu em 1986, mas o resultado foi medíocre. Mesmo assim, a escola fez um bom desfile técnico e venceu o carnaval. NOTA DO SAMBA: 7,0 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

3B – VIRADOURO (Mercadores e Mascates) – A história do comércio é um outro tema recorrente no carnaval. Enredo semelhante à Mangueira de 1970 e que voltou à Sapucaí com a Santa Cruz (94) e Cubango (2004). Samba mediano que funcionou bem para a campeoníssima escola niteroiense. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

4B – LINS IMPERIAL (Gênios da ilusão) – Mais um bom samba da Lins Imperial, desta vez, homenageando os carnavalescos vencedores na década de 80. A melodia, em tom menor, favorece a voz potente do controverso Celino Dias, então em início de carreira. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

5B – IMPÉRIO DA TIJUCA (Rio, samba e carnaval) – Outro tema manjado, a Cidade Maravilhosa, rendeu um samba comum para a Império da Tijuca. O mote é sempre o mesmo: praias, Maracanã, carnaval, samba e malandragem. Um samba descartável, que não está à altura da história da escola do Morro da Formiga. Não por acaso, Tijuca desceu. NOTA DO SAMBA: 7,8 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba

6A – TUPI DE BRÁS DE PINA (Rio boa praça) – Mais uma vez, o Rio de Janeiro. Desta vez, a escola tentou usar a criatividade ao falar das praças e espaços verdes da cidade. Mas o samba não empolga nem deslancha, tornando-se sonolento. Já era o prenúncio de que a coisa não ia bem na Tupy de Braz de Pina, que enrolou a bandeira seis anos depois. NOTA DO SAMBA: 7,5 (Rixxa Jr). Clique aqui para ver a letra do samba