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Os sambas de 1980

Os sambas de 1980

A GRAVAÇÃO DO DISCO - Os tamborins, mais agudos em relação ao disco de 1981, fazem a parte de todos os instrumentos da bateria neste extraordinário disco de 1980 que reúne um conjunto de autênticos clássicos no gênero samba-enredo. 1980 trata-se de uma das melhores safras da história, pois todos os sambas são audíveis, de canto fácil e de gravação fácil na memória. Cavaco e cuíca possuem uma excelente harmonia com a bateria e o intérprete canta na primeira passada, com o coral assumindo na segunda (onde o intérprete passa a soltar cacos) e também cantando a segunda passada dos refrões inicialmente. NOTA DA GRAVAÇÃO: 10 (Mestre Maciel).

Depois de um tempo afastado pesquisando sobre o mágico imaginário dos carnavalescos, volto a comentar sambas-enredo no Sambario. Escolhi justamente um dos meus LPs favoritos: 1980, um verdadeiro clássico da história da MPB. Era uma época em que a valorização dos desfiles das escolas de samba encontrava-se em seu auge. O gênero samba-enredo honrava sua classificação de manifestação cultural e popular brasileira e carioca. Primeiramente, encontramos nele uma das melhores gravações de todos os discos de samba-enredo. Os sambas são cantados de forma extremamente audível, facilitando a memorização das faixas ao ouvinte leigo. A bateria encontra um equilíbrio perfeito com o canto do intérprete, dando o destaque principal a cuíca e o surdo. O coro é bem menos forçado que no LP de 1979, numa leveza excepcional, entoando sutilmente nos ouvidos de qualquer pessoa. Lirismo puro! Quanto à safra, é mágica, uma das melhores da história do carnaval, com destaque aos sambas da Portela, Imperatriz e Vila Isabel. Beija-Flor e União da Ilha se saíram muito bem no vinil. NOTA DA GRAVAÇÃO: 10 (Gabriel Carin).

O LP do Grupo Especial 1980 tem apresentada em sua capa a destaque Wilma de Andrade em cima de uma alegoria da Mocidade - a campeã de 1979. Continua as homenagens da Top Tape aos veredadeiros "Artistas de Avenida". Desta vez, os mestres-salas e porta-bandeiras das 10 agremiações que foram, merecidamente, lembrados e ilustrados na contra-capa. O estilo de gravação da "bolacha" é diferente do ano anterior. O violão de 7 cordas aparece em grande parte das faixas, principalmente nas introduções. Tamborins e cuícas estão bem mais presentes. O coral ficou masculinizado em relação aos anos anteriores. Com relação a safra de sambas, 1980 possui obras memoráveis como os sambões da Imperatriz, Vila Isabel e Portela. A grande decepção pelo segundo ano consecutivo ficou por conta da Mangueira, que apresentou um sambinha que não condiz a sua bela história. O desfile da Avenida Marquês de Sapucaí teve a mudança de mão para o sentido Presidente Vargas-Catumbi, onde permanece até os dias de hoje. NOTA DA GRAVAÇÃO: 9,5 (Luiz Carlos Rosa).

1A - MOCIDADE - É um samba de melodia bonita, porém meio marcheado (o que deixa o samba-enredo um pouco mais envolvente). Mesmo considerando o samba qualificado, o acho o mais fraco da excelente safra de 1980. A Mocidade possui sambas melhores. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Mestre Maciel).

O disco é aberto com uma excelente marcha-enredo da Mocidade, campeã do ano anterior. “Tropicália Maravilha” possui é um samba de letra simples, porém de melodia adorável, bem-construída, rica em variações. Além disso, possui dois refrões excelentes, principalmente o “Tupinambá, ê ê, Iorubá/Oropa, França e Bahia/Salve meu pai Oxalá”. Impressionante como Mestre André faz o samba crescer de forma surpreendente pelo imenso gingado que a bateria de Padre Miguel passa ao ouvinte durante a faixa. 1980 foi a última vez que Mestre André regeu a bateria de Padre Miguel, pois viria a falecer nesse mesmo ano. Porém a bateria herdou toda a magia que esse vultoso mestre de bateria proporcionava aos sambas a escola. 1980 também foi o primeiro ano que o genial Fernando Pinto confeccionou um carnaval da escola. Durante todo o desfile, viu-se até hoje comentado tropicalismo, que viria a revolucionar a estética dos desfiles das escolas de samba, ajudando a transformar a Mocidade numa das maiores potências do carnaval. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Gabriel Carin).

Antes do carnaval de 1980 se aproximar, houve um rebuliço na verde e branco de Padre Miguel. O carnavalesco Arlindo Rodrigues foi convidado a desenvolver o carnaval dá até então "mediana" Imperatriz Leopoldinense - uma das três campeãs de 80. Mas o patrono da Mocidade, Castor de Andrade, não perdeu tempo e trouxe o genial Fernando Pinto. Mesmo com a mudança de carnavalescos, a escola obteve o vice-campeonato. O samba é bem animado, porem enjoativo até o talo. A estrutura de composição vitoriosa em 79 foi mantida. São dois refrões marcantes acoplados em duas partes de versos curtos, prática muito adotada por maioria das escolas até hoje. Destaco o empolgante refrão final "Tupinambá ê ê yorubá/ Oropa, França e Bahia/salve meu pai oxalá". NOTA DO SAMBA: 8,9 (Luiz Carlos Rosa).

Depois do título de 1979, a Mocidade se apresentou com um bom samba, embora marcheado. Gosto da letra, mas considero a melodia meio sem sal, apesar da sempre competente atuação do Ney Vianna. A parte que mais me agrada é o refrão "Tupinambá ê ê yorubá/ Oropa, França e Bahia/salve meu pai oxalá". Curiosamente, foi o primeiro desfile da escola assinado pelo grande Fernando Pinto, justamente no ano da última aparição do Mestre André, que viria a falecer naquele 1980. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

2A - IMPERATRIZ - Um adorável clássico! Um primor de samba-enredo, por sinal! Melodia envolvente, de qualidade, bem variada e, sobretudo, contagiante (no disco, a bateria tem uma atuação singular). Os dois refrões são extraordinários e o restante do samba, principalmente o giro das baianas com o lalaiá... bem, esgotaram-se os adjetivos. Um dos melhores sambas de todos os tempos, sem dúvida foi decisivo para a conquista do primeiro título para a nação Leopoldinense, dividido com Portela e Beija-Flor. Destaque para a maravilhosa interpretação de Dominguinhos do Estácio. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Clássico! Para mim, segundo melhor samba da história da Imperatriz, perdendo apenas para o fantástico “Brasil, Flor Amorosa de Três Raças”. A melodia deste samba é extremamente lírica, suave, mas ainda sim forte, impactante, tentando passar um alto teor de emoção ao ouvinte. A letra é muito simples, mas remete claramente ao enredo baiano de Arlindo Rodrigues sem usar o (às vezes, cansativo) linguajar africano. Parece que o samba faz questão de mostrar que na Bahia não tem só candomblé. Por falar em Bahia, vale a pena constar que o Arlindo já havia feito sobre este tema quando ainda estava no Salgueiro, em 1969, rendendo um título inédito a escola da Tijuca e quebrando o mito de que carnaval sobre esta região dava azar as escolas de samba. Seria “O Que é Que a Bahia Tem?” uma espécie de remake? Deixando de lado o papo furado, esse samba realmente tem uma força descomunal, sendo sempre muito elogiado em fóruns de carnaval na internet. Não é de se admirar que a Imperatriz tivesse conseguido seu primeiro campeonato no carnaval carioca (dividido com a Portela e a Beija-Flor, é claro!). Méritos de Arlindo Rodrigues! NOTA DO SAMBA: 10 (Gabriel Carin).

Sambão de cabo a rabo!!! É evidente que esta maravilhosa obra-prima contribuiu para a conquista do primeiro campeonato da escola. Mas vale salientar a importância da contratação do carnavalesco Arlindo Rodrigues feita pelo então presidente da escola Luizinho Drumond. "Dizem que carnaval é riqueza. Procuramos vir com riqueza e beleza, pois na maioria das vezes o carnaval é rico, mas não bonito" disse em uma entrevista da época. A Imperatriz, sabendo que a suntuosidade imperava, gastou uma fortuna para tentar chegar ao tão sonhado título. E tudo isso valeu a pena, pois a partir daquele ano a escola transformou-se numa das maiores vencedoras do carnaval carioca. Voltando a falar do sambão, a sua melodia é extraordinária toda vida. Suas variações são de uma riqueza impressionante, principalmente na parte "Ê Bahia/vou cantá-la nos meus versos..." e tambem "...que coisa linda ver/o ritual do lava pés..." . O "lá laiá" tambem é fantastico. Há de se ressaltar a brilhante interpretação de Dominguinhos do Estácio tanto na gravação, quanto no desfile. Tenho que concordar com o Gabriel Carin: este sambão só perde para o soberbo "Brasil, Flor Amorosa de Três Raças" de 1969 como o melhor da escola. NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Carlos Rosa).

Considero esta uma das melhores gravações de um samba na história do Carnaval do Rio. A cadência da bateria, a precisão do cavaco, a interpretação extraordinária do Dominguinhos e o brilhante coro ajudam a engrandecer mais esta obra fascinante. A "pancada" já vem logo de cara: "Reluzente como a luz do dia/Bela e formosa como as ondas do mar/Encantadora e feliz/Chega a Imperatriz/Fazendo o povo vibrar". A variação melódica do verso "E o futuro Deus dirá" para o "Pega na barra da saia" é de uma categoria ímpar. Um dos três melhores sambas da história da Imperatriz. E que, ainda por cima, deu à escola de Ramos o seu primeiro título no Grupo Especial. NOTA DO SAMBA: 10 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

3A - IMPÉRIO SERRANO - Li um comentário recentemente que alegava o seguinte: Roberto Ribeiro, considerado um dos melhores intérpretes de avenida de todos os tempos (uma pena que ele não gravou nenhum samba da Império no disco devido a problemas contratuais), conseguia dar vida a sambas medianos, como Oscarito (1978) e Império das Ilusões (1980). Está certo quanto ao primeiro, mas totalmente equivocado quanto ao segundo. O hino de 1980 da Império Serrano é envolvente, possui uma excelente melodia, aliada ao balanço contagiante da bateria mil vezes Estandarte de Ouro. O refrão central é sensacional ("O vento trazia poeira/poeira de ouro...") e a parte restante do samba é adorável. No disco, quando o refrão é executado na segunda passada, o apitinho que desponta é de arrepiar. Bacana também a risadinha do Darcy Maravilha, o cantor do samba no disco (e fiel parceiro de Noca da Portela, já que o samba da Portela de 2005 também leva a sua assinatura), que aparece inúmeras vezes na gravação. Um excelente samba-enredo da Império Serrano. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

O samba do Império, escola repleta de sensacionais relicários musicais durante sua história, teve pouco a oferecer na safra de 1980. O samba tem um astral muito alto e a letra não é de se reclamar, mas infelizmente “Império das Ilusões” não possui uma melodia muito qualificada, pois não há muitas variações melódicas relevantes nela. Destaque apenas para o refrão central, que possui um balanço irresistível (“O vento trazia poeira, poeira de ouro/E transformava meu caminho em tesouro”). Um samba bem bacana, mas não precisa nem dizer que a agremiação da Serrinha tem melhores. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Gabriel Carin).

Voltando a desfilar no Grupo Especial depois do "castigo", a verde e branco de Magno e Madureira levou para a avenida o enredo "Império das Ilusões; Atlântida, Eldorado, Sonho e Aventura". O samba possui letra competente, bem fiel ao tema. Porem a melodia deixa a desejar em alguns momentos. A melhor parte do samba é o refrão central "o vento trazia poeira/poeira de ouro/e transformava meu caminho em tesouro" , unanimidade no SAMBARIO. Na gravação, os apitos tomaram conta do samba, dando um certo ar de animação. NOTA DO SAMBA: 8,8 (Luiz Carlos Rosa).

Não é um mau samba, mas está aquém dos grandes clássicos imperianos e da maioria dos sambas de 1980. Gosto do refrão "O vento trazia poeira/poeira de ouro/e transformava meu caminho em tesouro", mas o restante da obra é apenas correto. Imagino que Roberto Ribeiro tenha dado um novo astral ao samba interpretado por Darcy Maravilha no disco. NOTA DO SAMBA: 8,8 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

4A - UNIÃO DA ILHA - Samba de arrepiar, tamanho o seu elevado teor de emoção. Com garra, a simpática escola da Ilha do Governador exalta com orgulho a sua característica de carnavais bons, bonitos e baratos. E o samba-enredo é extraordinário! É samba para ouvir e cantar de joelhos. Nessa época, era comum um dos compositores gravar o samba no disco. Era raro na ocasião os puxadores oficiais gravarem, pois suas presenças estavam reservadas apenas na avenida. Por isso que o cantor do samba no disco é Robertinho Devagar, um dos autores do samba-enredo, e não Aroldo Melodia, lendário intérprete oficial da União da Ilha. Isso é bastante comum nos discos da década de 70, e a exigência da gravação pelo intérprete oficial passou a acontecer pra valer dois anos depois (em 1982, com Quinzinho gravando o samba da Império Serrano logo após a saída de Roberto Ribeiro da escola), com a medida se consagrando a partir da primeira participação de Jamelão num disco de samba-enredo, em 1986. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Sensacionais, tanto o samba, como o desfile. Cantado no LP por Robertinho Devagar e na avenida por Aroldo Melodia, a Ilha mostrou claramente como se faz um desfile bom, bonito e barato. Acontece que na época, meio mundo ainda estava impactado com o luxo e a exuberância que Joãosinho Trinta trazia ano após ano na Beija-Flor. Já a Ilha fazia questão de mostrar o oposto, sempre dando uma verdadeira aula de carnaval fazendo desfiles simples, sem muitos investimentos financeiros, porém recheados de empolgação de seus componentes. Eram desfiles muito leves, que contavam com a participação das arquibancadas, mas que nem por isso eram plasticamente feios. A escola mostrava o seu chão na avenida e esse samba-enredo é um exemplo clássico disso, pois possui uma excelente melodia e uma letra muito inteligente. O refrão “Muito bom/O meu bonito é barato/Da simpatia, o retrato/Do povo no carnaval” passa claramente a idéia proposta pela escola ao longo de seus então recentes carnavais no Primeiro Grupo. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Gabriel Carin).

Enquanto algumas agremiações na época optavam pela suntuosidade e imponência em seus desfiles, a Ilha persistia na simplicidade e beleza do seu espetáculo. Era óbvio que, no momento de dar a nota, os jurados com toda certeza procuravam-se não valer pela emoção. Talvez tenha sido um dos motivos para a escola não ter ganhado um carnaval em seu período fértil - principalmente o carnaval de 1977. Entretanto, a agremiação insulana acabou conquistando não só a simpatia, mas o coração dos sambistas. E o sambão de 1980 denominado "Bom, Bonito e Barato" traduz perfeitamente essa ''simpatia'' que os sambistas adotaram com maior prazer do mundo. A letra é bem simples porem magnífica. Convida o povo a cantarolar, como nos versos "cante comigo essa canção/de amor/sou a comunicação". Já na segunda parte após o belo refrão central, a escola não se esquece de agradecer a sua madrinha Portela, e conta seus carnavais (Ilha) desde a sua estréia no Grupo Especial de 1975. Enfim um samba maravilhoso e de arrancar lágrimas!!! NOTA DO SAMBA: 9,6 (Luiz Carlos Rosa).

Outro clássico insulano. Um samba de letra inteligentíssima, aliada a uma melodia deliciosa. Tenho a opinião de que enredos pertinentes quase sempre resultam em grandes sambas e o caso de "Bom, bonito e barato" não é diferente. Tal como no samba da Imperatriz, o início já tem uma "pancada" daquelas: "Colori com toda minha simpatia/Um visual de alegria/Cante comigo essa canção de amor/Sou a comunicação/Não tenho luxo e nem riqueza/Há simplicidade e beleza/Na festa do seu coração". A única coisa que eu lamento é o fato de este samba não ter sido imortalizado na voz do grande Aroldo Melodia no disco - em 1993, ele gravou o samba de Robertinho Devagar na Coletânea Sony. NOTA DO SAMBA: 10 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

5A - PORTELA - Outro samba espetacular, o que não era novidade em 1980. Com o conhecido Padrão David Corrêa de Qualidade (característica: aliança de lirismo com animação), a Portela cantou um samba de enredo empolgante e extraordinário. O refrão central até hoje está na memória de muitos ("Ôôôô/vem de lá ô criançada/que hoje tem marmelada/pois o circo já chegou"). O enredo da Portela de 1980 tratava do circo, mas há quem diga que o título do enredo "Hoje tem Marmelada" seja uma clara referência à terceira colocação da escola no ano anterior, resultando numa autêntica "marmelada". A crítica surtiu efeito, pois a Portela conquistou o título (dividido com Imperatriz e Beija-Flor). NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Ôôôô ôôôô/Vem de lá ó criançada/Que hoje tem marmelada/Pois o circo já chegou!”. Essa samba é, sem dúvida, um dos melhores da história da Portela! Foi ao som desse samba que a Portela realizou um dos seus melhores carnavais. O genial Viriato Ferreira confeccionou um belíssimo desfile e “Hoje Tem Marmelada” foi um samba de suma importância para o sucesso da Portela, pois foi cantado com uma imensa empolgação pelo público. A letra é de uma simplicidade impressionante, que com certeza não tem nenhuma relação direta com o resumo do enredo, mas que ao mesmo tempo conta tudo que a escola viria a apresentar na Sapucaí. Por quê? Simplesmente porque David Correa faz justamente sambas cujas letras não precisam se estruturar muito na sinopse do enredo, já que ele se preocupava mais com o fato de um samba envolver o ouvinte do que o nível de abordagem do tema apresentado. E acho isso algo sensacional! A melodia desse samba, como disse, foi feita para levantar o astral do sambista e não para servir como mera trilha sonora para espetáculo. Não há dúvida quanto ao fato desta obra-prima não ter morrido após a quarta-feira de cinzas! NOTA DO SAMBA: 10 (Gabriel Carin).

É amigo, mais uma pedrada portelense para fechar a década de 70 com chave de ouro!!! "Hoje Tem Marmelada" resultou num dos desfiles mais contagiantes da história carnavalesca. E o sambão de David Correa, Norival Reis e Jorge Macedo tem grande parcela nisso. A simplicidade da letra é algo impressionante. A melodia é leve, adorável com variações extraordinárias. Destaque para o envolvente refrão central "ôôôô ôôôô/ vem de lá ó criançada/que hoje tem marmelada/pois o circo já chegou". Uma curiosidade: David Correa tambem fez o samba da Ponte para o carnaval de 1980 e usou as palavras "A brisa" para o verso inicial do samba. Vejam só como é melodicamente idêntico o verso inicial da Portela; "A brisa me levou...". Agora o da Ponte; "A brisa faz voltar..." É muita coincidencia... NOTA DO SAMBA: 9,8 (Luiz Carlos Rosa).

Dá gosto escrever sobre sambas tão bons como os de 1980. O da Portela, assinado pelo magistral David Corrêa, é um dos melhores do ano. Suave como uma pluma, como pedia o enredo, foi trilha do penúltimo título portelense - que pena estar escrevendo isso quase 30 anos depois. Isso sem contar a sacada brilhante de associar a marmelada do circo com a derrota de 1979: "Ôôôô/vem de lá (seria o júri?) ô criançada/que hoje tem marmelada/pois o circo já chegou". Como são legais esses sambas que não têm rabo preso com patrocínios ou sinopses complicadas. Não era nem nascido em 1980, mas de vez em quando me pego cantarolando "A brisa me levou ô ô/Para um reino encantado/Onde eu me fiz menino-rei/E era o circo/O meu palácio dourado". Nasci na época errada. NOTA DO SAMBA: 10 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

1B - BEIJA-FLOR - Mais uma campeã de 1980, que, pra variar, também desfilou com um samba de enredo maravilhoso, que estranhamente não se encontra na galeria dos melhores da Beija e tampouco no hall dos grandes sambas de 1980. O começo é bem original, esclarecendo que a história presente na letra será contada por uma preta velha. A melodia é sensacional, bem leve e envolvente. O refrão central ("Jogar xadrez, pique-bandeira...") é muito bonito e o outro refrão (o da língua do P) é curioso. Eu não o compreendia até ter em mãos o encarte com as letras dos sambas de 1980, onde os três pês cantados estão na linha de baixo e as sílabas entoadas depois na linha de cima. Elas formam a palavra "bruxa". O refrão é cantado assim: pê bê, pê rru, pê xa. Interessante, mas se este estilo fosse usado hoje, certamente os críticos desceriam a lenha. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Mestre Maciel).

Dando uma virada no bom e velho bolachão, logo de cara ouvimos outro clássico da escola da Beija-Flor e outro grande samba de 1980. “País das Maravilhas”, enredo genialmente criado por João 30, é um dos sambas mais populares da história da Beija. Na avenida, segundo meu amigo Marcelo Guireli, o samba foi cantado euforicamente por toda arquibancada, principalmente durante o divertidíssimo refrão “P B P ru P xá/Levantando a poeira/Até a bruxa vem brincar”. A melodia é extremamente envolvente e a letra é, sem sombra de dúvida, impossível de ser admirada por um jurado de escola de samba atual. A minha parte favorita do samba é a partir do verso “Um gênio cria fogos de artifício...”. Excelente! NOTA DO SAMBA: 9,6 (Gabriel Carin).

"O Sol da Meia-Noite - Uma Viagem ao País das Maravilhas" curiosamente foi idealizado por uma criança. Isso mesmo!!! Após a frustação da perda do tetracampeonato de 1979, Joãozinho 30 fez a seguinte pergunta para uma criança: "O que você faria se pudesse realizar todos os seus sonhos?" E ela respondeu: "Faria o Sol brilhar à meia-noite!". Nasceu naquele instante o caminho que levou a Beija-Flor a conquistar o quarto título nos ultimos cinco anos, até então. O samba ajudou. A letra é bem elaborada, comunicativa e sobretudo ousada como nos versos do refrão final "P b / P ru / P xa /levantando a poeira/até a bruxa vem brincar". São sambas deste quilate que fazem muita falta atualmente. Samba aclamado por adultos e crianças!!! NOTA DO SAMBA: 9,5 (Luiz Carlos Rosa).

Outro grande samba de 1980, o da Beija-Flor. Apesar de ser inferior a outros da safra, tem uma letra que ajuda a entender perfeitamente a proposta de Joãozinho Trinta, que naquele ano apostou em um carnaval mais leve que o dos anos anteriores e se deu bem, afinal a escola foi campeã. Gosto muito do desfecho do samba: "Olha a ciranda/Vamos todos cirandar/E na terra dos brinquedos/Todo mundo recordar/Índio malandro, baianinha oriental/Outra vez eu sou criança e Beija-Flor no Carnaval". Para completar, grande interpretação do Neguinho. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

2B - VILA ISABEL - Mais uma obra-prima de Martinho da Vila e cia. A melodia e o estilo são bem originais, não tendo muito a ver com a tradicional estirpe de um samba-enredo. As duas primeiras partes são iguais em melodia, de tom emocionante, inclusive nos dois refrões de duas frases. A terceira parte possui um estilo mais vibrante, conclamador e envolvente. Tal estilo diferenciado e o sucesso do hino da Vila de 1980 lhe rendeu o Estandarte de Ouro de melhor samba num ano de sambas-enredo sensacionais, embora eu exalte tanto assim "Sonho de um Sonho" como muitos bambas exaltam. Tanto que eu acho os sambas da Imperatriz, da União da Ilha e da Portela de 80 melhores. Ah, e muitos chegam a ter uma dúvida: do que se trata este enredo da Vila? Martinho diz, na regravação do samba na coletânea da Sony, que ele fora inspirado na obra de Carlos Drummond de Andrade. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Mestre Maciel).

Samba mágico! A autoria é de ninguém menos que de Martinho da Vila, acompanhado aos também sensacionais Rodolpho e Graúna. Dizem que os imperianos Aluísio Machado e Beto Sem Braço também ajudaram na criação deste belíssimo samba. Martinho consegue fazer um samba de letra singular, surpreendentemente poético. Duvida? Basta ler o seguinte trecho: “Sonhei/Que eu era um rei que reinava como um ser comum/Era um por milhares, milhares por um/Como livres raios riscando os espaços/Transando o universo/Limpando os mormaços”. Esplêndido! Fica claro o modo como os compositores se inspiraram ao máximo no poema de Carlos Drummond de Andrade para criar essa obra-prima. A melodia possui uma leveza impressionante, envolvendo o ouvinte cada vez mais a cada verso que se passa. Possui, além de tudo, dois refrões irrepreensíveis, que dão uma verdadeira aula de simplicidade. Ambas as partes do samba contêm o mesmo tipo de melodia. Aliás, é um samba que possui uma quantidade bem pequena de variações melódicas, o que realça ainda mais a leveza da obra. A primeira grande variação só ocorre a partir da parte “Na limpidez do espelho, só vi coisas limpas...”, quando o samba vai para sua terceira parte. Mais uma pérola da Vila Isabel! NOTA DO SAMBA: 10 (Gabriel Carin).

Outra pedrada!!! "Sonho de um Sonho" baseado no poema de Carlos Drumond de Andrade é um sambão tão espetacular que... faltam até adjetivos para qualificá-lo. A letra é inteligentíssima. Destaque para a parte "na limpidez do espelho só vi coisas limpas/como a lua redonda/brilhando na grimpas" e por aí vai. Apesar da igualdade melódica nos refrões da primeira e segunda parte do samba, sua melodia é linda toda vida. Destaco tambem a bateria tanto na gravação quanto no desfile. Cadência pura. E a Vila mostra que, sambas antológicos em anos bissexto é com ela mesmo!!! NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Carlos Rosa).

A grande "pancada" de 1980. Com o perdão do trocadilho infame, "Sonho de um sonho" é coisa de sonho. "Sonhei que eu era um rei que reinava como um ser comum/Era um por milhares, milhares por um/Como livres raios riscando os espaços/Transando o universo/Limpando os mormaços", "Na limpidez do espelho só vi coisas limpas/Como uma Lua redonda brilhando nas grimpas". Versos como esses falam por si próprios e qualquer comentário é banal e redundante. NOTA DO SAMBA: 10 (Fred Sabino).Clique aqui para ver a letra do samba

3B - SALGUEIRO - Belo samba salgueirense, e bem interpretado por Rico Medeiros e pelas Gatas na segunda passada. O enredo parece confuso e a letra idem. Mas sua melodia é bem qualificada. Rico Medeiros é o responsável pelo "momento comédia" do disco, ao soltar como caco um "Salgueiro oitentão". Hehehe... NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Sensacional a letra desse samba! Para um samba que fora feito em cima da hora, devido à mudança repentina de enredo por conta do presidente Osmar Valença, dá para ver que os compositores Zé Di, Zuzuca, Edinho, Haydée, Moacir Arantes e Pompeu conseguiram tirar leite de pedra. A letra trata do complexo tema com uma clareza muito grande e consegue articular de maneira excepcional os termos afro citados durante o samba. Já a melodia, é bastante forte e foi muito bem explorada pelo belo canto de Rico Medeiros. Outro bom samba do ano. Quase uma obra-prima, quando comparado ao desfile complicado que o Salgueiro realizou em 1980. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Gabriel Carin).

Osmar Valença reasumiu a presidência da escola em dezembro de 1979 e logo de cara dispensou o carnavalesco Max Lopes, que havia sido contratado meses antes pelo diretor de carnaval Walter Fernandes. Se Osmar Valença tivesse-o mantido, o Salgueiro apresentaria em 1980 o enredo sobre o compositor Lamartine Babo. Curiosamente, a Unidos do Cabuçu aderiu a temática para o Grupo de Acesso A do mesmo ano. Curiosamente, de novo, Lamartine seria o tema da campeã do carnaval de 1981, a Imperatriz Leopoldinense. Com a repentina saída de Max Lopes, a agremiação da Tijuca foi buscar a dupla Ney Aran e Jorge Nascimento para desenvolver mais um tema afro para a escola. "O Bailar Dos Ventos, Relampejou Mas Não Choveu" é uma homenagem a Iansã. Faltando pouquíssimas semanas para o desfile, os compositores suaram a camisa e Ney Aran teve que coçar a cabeça para decidir o samba da escola para o carnaval de 1980. E optou por uma junção de dois sambas, assim como Joãozinho Trinta fez em 1975. E por falar no samba de 80, possui letra bastante complexa. A melodia é absolutamente valente, porem, suas variações não são relevantes. O ponto forte da obra são os refrões, principalmente o de cabeça. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Luiz Carlos Rosa).

Apesar do enredo confuso, até que é um samba que me agrada, principalmente por mais uma interpretação forte do Rico Medeiros. No entanto, o desfile do Salgueiro foi bastante problemático devido à troca de carnavalescos muito em cima da hora, algo que influenciou também na escolha do samba. Mesmo gostando da obra, não hesito em escrever que as de 1979 e (principalmente) 1978 eram bem superiores. NOTA DO SAMBA: 9 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

4B - SÃO CARLOS - Numa bela letra com uma melodia em tom clássico, a Unidos de São Carlos exalta as suas raízes e o orgulho de ser o autêntico berço do samba. O samba é animado e envolvente, com refrões de audição agradabilíssima. Foi o último samba gravado no disco oficial do Grupo Especial por uma mulher (Zaira) antes da gravação de Alcione para Contos de Areia em 2004. Por isso, o samba é cantado num tom bem alto, aproveitando o fato de uma mulher possuir muito mais facilidades no agudo em relação ao homem. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

O velho Estácio não trouxe um samba muito qualificado em 1980, mas que ainda assim tem seu valor. A letra não diz muita coisa, pois insiste em fazer citações a meros substantivos, como nomes de instrumentos musicais. Outro problema é a melodia que é demasiadamente marcheada, a ponto de ser até forçada em certos locais. Para terminar, o samba solta uma série de gírias desprezíveis, como “Oi, deixa o couro comer”, “Agora é que eu quero ver” ou “Dando olé”. Se tiver algum elogio que eu possa fazer a esse samba, é, com certeza, em relação ao refrão “Deixa Falar, ô...ô.../Deixa Falar/Relembrando aquele tempo/Que não pode mais voltar”, que é agradável. Este samba está na risca da minha média! NOTA DO SAMBA: 7,7 (Gabriel Carin).

Seria o sambinha do bolachão se não fosse a "bomba" da Mangueira. O samba é bem mediano. "Deixa Falar" não diz muita coisa sobre a riquíssima história do Berço do Samba. A melodia é animadinha, empolgante, mas com ritmo de indisfarçável ar de marcha. E a intérprete Zaíra até que não se saiu mal. Como a escola era a "bola da vez" acabou sendo rebaixada para o segundo grupo. Sabe como é, né... iria rebaixar quem??? NOTA DO SAMBA: 7,9 (Luiz Carlos Rosa).

Interpretado por uma mulher (Zaira), é um samba bastante animado, mas que passa despercebido diante de obras como de Vila, Imperatriz, Portela e Ilha. Não me agrada, ainda, o fato de ser marcheado, fugindo aos padrões da época. A São Carlos e a Estácio possuem sambas bem melhores. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba

5B - MANGUEIRA - A galera do conjunto musical Juventude Samba Show pareceu não estar muito inspirada na gravação, pois os cantores mostram dificuldades de afinação em inúmeras partes, principalmente ao executar na primeira parte as palavras que terminam em "ia" (poesia, melodia e dia-a-dia), além de não entendermos muito bem o que essa galerinha canta. Mas isso faz o samba parecer bem mais tradicional, pois parece que, no disco, o estamos ouvindo no terreiro ou no barzinho. Destaque para a parte "Mata no peito, dá lençol, faz embaixada/se torce o pé vai rezadeira curar", de melodia contagiante. O desfile da Manga em 1980 ficou famoso por contar com um Mané Garrincha bastante derrubado em um dos carros alegóricos. A três anos da morte, dizem que ele parecia não saber onde estava, muito menos onde estava seu nariz. Triste fim causado pela bebida para um dos maiores ídolos que o Brasil já teve. Ah, e nunca entendi a expressão "o galho é valete e ás". Alguém poderia me esclarecer? No geral, o samba da verde-e-rosa de 1980 possui um excelente astral e uma animação cativante. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Uns dizem que é “Trinca de Reis”. Já outros dizem que é “O Olimpo é Verde e Rosa”. Tem até aqueles que acham que é “Avatar... E a selva transformou-se em ouro”. Mas sinceramente, para mim, o samba de 1980, denominado “Coisas Nossas”, é O PIOR SAMBA-ENREDO DA HISTÓRIA DA MANGUEIRA!!! Encabulante como depois de uma excelente seqüência de sambas-enredo nos anos 70, do nada nos deparamos com essa coisa bizarra! A começar pelo refrão “Quem vai mais, quem vai mais/Pode parar que o galho é valete e ás”, que é trash até o talo. Até hoje não entendi nada a respeito desse refrão horroroso! Depois segue a primeira parte do samba, que em momento algum soa bem em meus ouvidos. Os versos começam com notas demasiadamente alongadas e subitamente, ficam acelerados, parecendo até que os cantores estão cantando o samba correndo. Para vocês terem uma noção, creio que o samba seja cantado desse jeito: “Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeexcitando a mente à poesia!!!”. E vai continuando a barbaridade com os ouvidos dos sambistas: “Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee nesta linda melodia”. Sem brincadeira, chega a ser estressante! Mas acho que o que mais irrita na primeira parte desse samba são as rimas excessivas terminadas em “ia” (poesia/descobria/melodia/dia-a-dia). Enjoa qualquer um (principalmente quando é mal-cantado...)! O lado trash do samba infelizmente vai prosseguindo: “Juruna, fantasia e frevo/Petrobrás sondando o mar/Coisas que ora descrevo/E ainda há mais para narrar”. Nesse momento, a fraqueza do samba é tão grande que a gente sente o desânimo do próprio pessoal do Juventude Samba Show. O refrão central tenta tornar o samba mais tradicional, mas mesmo assim acaba ficando muito forçado (pelo menos, é bem melhor que o principal). A segunda parte do samba tem uma letra absurdamente ridícula. Dá para ver o nível de pobreza só lendo o samba: “E no campinho a gurizada/Atrás de uma bola a rolar/Mata no peito, dá lençol, faz embaixada/Se torce o pé, vai rezadeira curar”. Ué? O samba está falando de futebol e do nada, fala de curandeirismo? Para terminar, o samba é finalizado com uns versos de gosto duvidoso, pois há um uso abusivo de expressões um tanto grotescas, tal como “Rosto colado a noite inteira” e “Tem sempre um pagode do bom”. Para piorar a situação, ficou claro durante a faixa que, ao contrário do ano anterior, a rapaziada do Juventude Samba Show desafinava toda hora, o que estressa mais ainda o ouvinte (se é que tem como...). Se tiver algum elogio que eu possa fazer a “Coisas Nossas”, é que é um samba bastante alegre e que deve ter funcionado bem na avenida, ainda mais na voz de Jamelão. Mas enfim: um samba para o mangueirense esquecer para sempre!!! NOTA DO SAMBA: 4,1 (Gabriel Carin).

Antes de malhar o PIOR samba da história da minha escola de coração, isento de qualquer culpa as carnavalescas Érica Cirne e Liana Silveira. "Coisas Nossas" é um enredo muito interessante. O tema fala sobre o que o povo brasileiro tem de melhor do que as outras nações, como o futebol, a culinária, a religião etc... Infelizmente o tema gerou um sambinha bem horrendo. Possui letra bem fraca e que não diz absolutamente nada. O grande exemplo disso é o refrão principal "quem vai mais/quem vai mais/pode parar que o galho é valete e ás". Só mesmo os compositores pra decifrar o indecifrável. Sem contar que as rimas são de uma obviedades sem limites. Pior do que a letra é a melodia. Horrível, pavorosa, sem graça... com notas demasiadamente alongadas e totalmente reto, ou seja, sem variações relevantes. E para piorar, o Grupo Juventude Samba Show ajudou a colocar o sambinha ainda mais lá embaixo. A atuação do Grupo pode se resumida em três questões: 1) Cantaram de sacanagem o sambinha em forma de protesto. 2) Acordaram de madrugada para poder gravar. 3) Eles são mesmo uma turma de desafinados. Eu acredito mais na questão 1, pois nem mesmo um animador pode cantarolar uma "draga" dessas. O resultado disso é que a Estação Primeira conseguiu amargar a 8ª posição (na verdade 5ª posição), sua pior colocação até então. Graças a contribuição deste sambinha!!! NOTA DO SAMBA: 4,4 (Luiz Carlos Rosa).

Sou mangueirense, mas não posso deixar de descrever "Coisas nossas" como o pior samba de 1980 e um dos piores da história da Estação Primeira. O refrão principal "Quem vai mais/quem vai mais/pode parar que o galho é valete e ás" é de uma pobreza inacreditável. Juro por Deus, até "O Olimpo é verde e rosa" e "Trinca de reis" conseguem ser muito melhores do que este samba. Impressionante como destoa das outras obras da safra de 1980. Sinceramente não consigo encontrar pontos positivos, pois até a melodia é maçante. Fico imaginando como o Jamelão teve de se desdobrar no desfile. NOTA DO SAMBA: 5 (Fred Sabino). Clique aqui para ver a letra do samba