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Os sambas de 1977

Os sambas de 1977

A GRAVAÇÃO DO DISCO: O estilo de gravação do disco de 1977 é muito semelhante ao do álbum de 1976. A diferença é que, no disco de 1977, os sambas estão mais animados, com um andamento bem mais acelerado em relação ao formato cadenciado do ano anterior. Na gravação, o grande destaque fica por conta do cavaco, que abafa o som da bateria (formada, nesse estilo mais antigo nos registros dos discos, por surdos e a bossa tradicional dos agogôs). A gravação de 1977, mais descontraída que a de 1976, evidencia tanto o destaque do cavaco que, por alguns momentos, experimenta alguns acordes mais arrojados, como na segunda passada do samba da Império da Tijuca. A safra de 1977, num âmbito geral, não é das melhores. Está anos-luz atrás da safra de 1976, considerada uma das melhores de todos os tempos. Podemos considerar como sambas fora-de-série apenas o da União da Ilha e o do Império Serrano (destaco também Beija-Flor, Império da Tijuca e Vila Isabel). NOTA DA GRAVAÇÃO: 8 (Mestre Maciel).

O LP tem o mesmo formato de "estética" do ano anterior. Na foto da capa, a destaque da campeã de 1976 Beija-Flor, Maria Alcina, fantasiada de veado. Porém o mais interessante é uma ilustração que vem dentro do LP, contendo um resumo básico dos enredos das agremiações. Quanto à gravação dos sambas, cavaquinho e violão destoam da bateria. Por algumas vezes as vozes do interpretes não tinham exata nitidez. Ou era abafada pelos instrumentos ou pelo coral de pastoras. Os sambas de 1977 na maioria são bons e ... só. Salgueiro, Mocidade e São Carlos tiveram mais destaque no "quesito" animação. Sambas mesmo, de verdade, apenas o clássico "Domingo" da União da Ilha e "Brasil, Berço dos Imigrantes" do Império Serrano. 1977 marca o fim dos desfiles do Grupo Especial na Avenida Presidente Vargas. NOTA DA GRAVAÇÃO: 7 (Luiz Carlos Rosa).

É de longe notável analisar as semelhanças superficiais das produções de 1976 e de 1977. Em ambos os LPs, a bateria apela principalmente para os mesmos tipos de instrumentos (cavaco, pandeiro e surdo). Também em ambos, o intérprete é abafado pelo som do coro e pela própria bateria, o que normalmente torna sua voz um tanto rebuscada em acompanhamento com o samba. Porém, enquanto o disco de 76 possui um andamento muito bem audível, o de 77 é um verdadeiro fiasco em comparação. A começar pelo tamanho das faixas, quase todas minúsculas. As duas faixas mais longas (Beija-Flor e São Carlos) possuem apenas quatro minutos! Tudo bem que a capacidade de tempo dos saudosos bolachões seja extremamente pequena, porém me parece que a Top Tape não soube fazer uma utilização hábil desse curto espaço. Ao invés de tornar os sambas mais cadenciados, ela preferiu acelerar demasiadamente o canto dos hinos. Isso infelizmente compromete um pouco a boa qualidade de sambas como o da Mangueira e do Salgueiro, por exemplo. A bateria tem uma atuação lastimável no vinil, pois os surdos, justamente os instrumentos mais pesados, “cobrem” a sonoridade dos instrumentos mais simples e leves, os únicos capazes de realçar mais ainda o brilho das obras. O cavaco (desafinado, ainda por cima) também atrapalha irremediavelmente a audição das faixas. Por fim, o coro possui uma voz aguda, meio bizarra, aparentemente infantil, o que ajuda manchar de vez o disco. Felizmente, no ano seguinte, a qualidade da produção mudaria da água para o vinho, mantendo-se impecável por mais de uma década. Quanto à safra, é boa, embora inferior às três últimas. Os destaques absolutos do LP vêm da União da Ilha e do Império Serrano. NOTA DA GRAVAÇÃO: 4 (Gabriel Carin).

1A - BEIJA-FLOR - A escola de Nilópolis conquistou o bicampeonato com um belíssimo samba, de melodia um pouco pesada para a época, mas que, se compararmos aos sambas da Beija de hoje, a mesma possuía o peso de uma pluma. Savinho e Luciano assinam o samba de 1977, porém dizem que foi Joãosinho Trinta, o carnavalesco da escola na época, quem redigiu a maioria dos versos do samba-enredo. E desde a estréia de Neguinho em 1976, 1977 foi o único ano em que célebre intérprete não gravou o samba da Beija-Flor no disco oficial. A gravação ficou por conta do coral feminino e de Nonô do Jacarezinho. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Mestre Maciel).

De todos os títulos da Beija-Flor, o de 77 tem a trilha sonora mais fraca. Logo o primeiro verso "caiu dos olhos da vovó/lalala laiá..." além de tosco é trashzinho. A melodia é totalmente pesada. A letra não compromete por contar bem o enredo. Observação: foi a única vez que o grande Neguinho da Beija-Flor não gravou o samba. Uma pena! NOTA DO SAMBA: 8,5 (Luiz Carlos Rosa).

Samba perfeito para o bicampeonato da escola de Nilópolis! Após um desfile antológico no ano anterior, cuja primeira colocação ainda era vista por muitos como pura sorte, a Beija-Flor novamente apelou para a luxuosíssima estética de Joãosinho Trinta, proporcionada pelo dinheiro do bicheiro Anísio, para alcançar uma boa comunicação popular. Quanto à trilha sonora, é divertidíssima! A letra, apesar de descritiva, está repleta de adornos poéticos, toda esculpida para que possa conter um ar nostálgico, o que mostra que os compositores mergulharam de cabeça no espírito do enredo. A melodia, em contra partida, é extremamente animada, repleta de variações bruscas, capazes de fazer o ouvinte já sair cantarolando após escutá-lo apenas uma vez. O refrão “Não chore não vovó/Não chore não/Veja quanta alegria dentro da recordação” é sensacional, visto que empolga até o bamba mais enjoado. O outro refrão, que faz um interessante trocadilho com a palavra “carnaval”, possui o mesmo tipo de melodia do central, embora seja tecnicamente menos perfeito. É um samba excelente em todos os sentidos! NOTA DO SAMBA: 9,7 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

2A - SALGUEIRO - Esse samba bem animadinho marcou a despedida do lendário intérprete Noel Rosa de Oliveira do microfone oficial do Salgueiro. Ele não gravou o samba no disco (é puxado por um coral feminino), já que Noel, um dos fundadores da escola, era intérprete de avenida. Sobre o samba-enredo, sua melodia é leve, limpa e bem construída. Um sambinha gostoso de se ouvir. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Mestre Maciel).

O enredo baseia-se nas bebidas e pratos típicos brasileiros com nomes exóticos: buchada, tutu, cauim, efó, pinga, vatapá, moça branca... e por aí vai. O samba é animadinho, uma marchinha bem bacana. Apesar disso, todo mundo sabe que o Salgueiro tem sambas melhores do que esse. NOTA DO SAMBA: 8,9 (Luiz Carlos Rosa).

Belo samba do Salgueiro! “Do cauim ao efó, com moça branca, branquinha” é um sambinha simples, porém empolgante, de letra inteligente e melodia descontraída. O enredo, que marcou o retorno de Fernando Pamplona ao Salgueiro, falava sobre a culinária brasileira de uma forma bem-humorada, tentando estabelecer uma interligação entre a história da cachaça no Brasil e as refeições nas quais ela é servida como aperitivo. A primeira parte da obra, bastante lírica por sinal, é uma espécie de brincadeira com o título do livro “Cachaça, Moça branca”, de José Calazans, onde o termo “branquinha” é um apelido cômico dado à própria cachaça. A segunda faz alusões claras a diversos pratos populares da cultura brasileira. Os refrões do hino também são bem divertidos, em especial o “Tem gente que bebe pra esquecer, ê ê/Tem gente que sabe beber e comer, ê ê, ê ê”, que é, para mim, a melhor parte do samba. Infelizmente, o Salgueiro começou aí a adentrar numa crise hedionda. Dentre os acontecimentos ocorridos na fase pré-carnavalesca, houve fatos que vão desde a falta de uma quadra para a escola ao assassinato do presidente China Cabeça Branca. Entretanto, Pamplona e sua equipe (que também inclui pioneiramente o futurista Renato Lage) souberam disfarçar o tempo de vacas magras e conseguiram presentear a agremiação com um belo 4º lugar. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

3A - IMPERATRIZ - Gosto desse samba. Volta e meia, me deparo cantarolando "Partiram caravelas de Portugal/Em busca de riquezas...". O hino da Imperatriz de 1977 ganha no talento do grande intérprete e cigano Abílio Martins. Um detalhe curioso sobre o samba é que ele não possui nenhum refrão (o da Mangueira de 1977 também não tem). Sua boa melodia se encontra num tom baixo, com interessantes variações. A Imperatriz acabou rebaixada em 1977, mas subiria no ano seguinte para nunca mais deixar o Grupo Especial. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Após quatro anos de sambas chinfrins, enfim, a Imperatriz apresentou um grande samba. Uma letra impecável casada com melodia valente, tendo variações bastantes relevantes. Ah... e não possui refrões. Destaco também a interpretação de Abílio Martins, o que não é novidade. Talvez a escola tenha feito um péssimo desfile, já que o samba não conseguiu salvá-la do rebaixamento. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Luiz Carlos Rosa).

Depois de quatro sambas ruins, a Imperatriz enfim apareceu com um hino de boa qualidade. A letra, apesar de demasiadamente grande, narra muito bem o tema proposto. A melodia é riquíssima, com destaque ao belo trecho “Guaynapac era seu rei/Filho do Sol Coroado...”. É interessante analisar as imagens poéticas criadas pelos compositores, principalmente no final do samba, onde a obra passa a descrever de maneira clássica as terras do Ibirapitanga. Talvez o grande problema do samba seja a falta de um refrão principal, cuja ausência destoa a variação melódica da última parte do samba para seu recomeço na próxima passada. Mas é um bom samba, sem dúvida. Curiosidade: Carlinhos Madrugada, um dos compositores do hino, também é autor de “Sublime Pergaminho”, da Unidos de Lucas (1968). NOTA DO SAMBA: 8,9 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

4A - UNIÃO DA ILHA - Sem comentários, né? Disparado o grande samba-enredo do ano e considerado um dos melhores da história! No seu terceiro ano na elite do carnaval, a União da Ilha desponta para o carnaval de 1977 com "Domingo", um tema simples que dá origem a um samba de melodia encantadora, emocionante e "felomenal" (como diria o bicheiro Giovanni), embora o refrão central seja um pouco difícil de ser cantado devido a rapidez dos versos "As morenas na praia que gingam no samba e no meu futebol". E a melodia combina com a letra, de poesia pura. Sua primeira parte é de emocionar: "Vem amor/Vem à janela ver o sol nascer/Na sutileza do amanhecer/Um lindo dia se anuncia/Veja o despertar da natureza/Olha amor quanta beleza/O domingo é de alegria". Fantástico, né? E a interpretação de Aroldo Melodia qualifica ainda mais esta obra-prima do carnaval. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

O melhor samba da escola de todos os tempos. Uma obra-prima do nosso carnaval. A letra deste hino é uma poesia. Melodia rica, lírica, leve... uma divindade sonora. A Ilha é a campeã moral de 77. Pelo menos a escola insulana faturou merecidamente o Estandarte de Ouro de melhor samba do ano. “Vem amor/vem à janela ver o sol nascer...”. Lindo, lindo, lindo! NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Carlos Rosa).

Impressionante o nível de competência utilizado na construção desse samba. “Domingo”, hino oriundo de um tema abstrato, porém inteligente, é, na minha opinião, o melhor samba da história da Ilha. A melodia é esplêndida, riquíssima em variações, repleta de subidas e descidas inesperadas, perfeita em todos os sentidos. A letra é impecável, poesia pura do início ao fim, abordando o enredo com uma simplicidade excepcional. O refrão central, entoado com uma ligeireza notável, funciona com bastante coesão, pois, além de aumentar o lirismo da obra, ajuda a complementar mais ainda a musicalidade da primeira parte. O refrão final é brilhante e encerra o samba de forma descomunal. Uma obra-prima formidável, que vem sendo crescentemente elogiada em fóruns na internet. Um dos melhores sambas-enredo de todos os tempos! NOTA DO SAMBA: 10 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

5A - IMPÉRIO DA TIJUCA - Um primor de samba! De melodia fora-de-série, a Império da Tijuca regressava ao Grupo Especial depois de cinco anos com um dos enredos mais comuns no carnaval: a obra de Mestre Vitalino. Samba gostoso de ouvir e de cantar. Pena que a escola caiu depois do desfile. Mas o samba ficou! NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

Cinco anos depois, a verde-e-branco da Tijuca volta à elite do carnaval carioca, mas não adiantou. Foi novamente rebaixada. Ainda assim ganhou o Estandarte de Ouro de melhor enredo. O samba de 77 é um dos três melhores da história da agremiação, perdendo para os de 1971 e de 1986. Contém letra didática e melodia bastante valente. Enfim, um samba incansável de se apreciar. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Luiz Carlos Rosa). 

Sensacional! O Imperinho novamente honrou toda sua história e sua tradição com um samba-enredo maravilhoso. “O mundo de barro de Mestre Vitalino” possui uma melodia lindíssima, altamente lírica do início ao fim, além de mostrar explicitamente inúmeras notas melódicas que fazem lembrar bastante várias cantigas populares, já que o enredo é faz uma homenagem a uma figura extremamente cultural, que é Mestre Vitalino. A letra, repleta de poesia, narra com clareza e competência o tema proposto. Os refrões são todos magistrais, principalmente o “Olha o boneco de barro/Quem quer comprar/Leva boneco freguesa/Pras crianças se alegrar”. E tudo isso fica mais lindo ainda ao som da qualificadíssima bateria da escola, do excelente desempenho do intérprete Adilson da Viola e do violão ao fundo. Mágico! NOTA DO SAMBA: 9,8 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

6A - PORTELA - Belo samba! Também, samba-enredo na voz do imortal Silvinho era a oitava maravilha do mundo. O hino da Portela de 1977 é simples, com dois refrões fáceis, de melodia que mescla animação (nos refrões) e lirismo (nas demais partes). O samba, sem dúvida, contribuiu para o vice-campeonato em 1977. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Como era de se esperar, mais um grande samba da Portela. Apesar da letra simples, a melodia é bastante contagiante. Os refrões são maravilhosos, principalmente o do meio “Viva o rei/viva o rei D. João/o rei mandou vadiar/na festa da aclamação”. É como comento com alguns amigos: falar da década de 70 é lembrar dos sambas antológicos da Portela. Pode crer! NOTA DO SAMBA: 9,5 (Luiz Carlos Rosa).

A faixa mais animada do disco! "Festa da Aclamação" é divertidíssimo. Trata-se de um samba fruto de um inteligente enredo de Hiram Araújo sobre o festejo realizado em 1818 no Rio de Janeiro em comemoração a aclamação de Dom João como rei do Império Português. A letra une magistralmente lirismo com empolgação e conta o tema da escola com categoria. A melodia consegue passar animação de qualidade, sem deixar em momento algum o samba com cara de marcha. Os refrões, apesar de possuírem uma letra simples, têm uma ginga surpreendente, deixando qualquer um de queixo caído tamanho impacto que causam no sambista. O central ("Viva o rei/Viva o rei Dom João/O rei mandou vadiar/Na Festa da Aclamação") é de fazer sair cantando desde a primeira vez que é ouvido. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba  

1B - MANGUEIRA - Samba sem refrões, o hino da Mangueira de 1977 é bem lírico e de letra bastante poética, mas não possui variações melódicas relevantes. Cantado no disco por Dirceu da Mangueira, o samba de 1977, na minha opinião, é um dos mais fracos da história da escola. Para mim, a única parte boa é o seu belo início: "Mangueira! Hoje em evolução/Cantando mostra com louvor/O mito em sua máxima expressão/Panapanã, o segredo do amor". Depois o samba cai na mesmice. NOTA DO SAMBA: 8,6 (Mestre Maciel).

Mais um samba-enredo sem refrões em 77. Mas bem diferente do samba da Imperatriz. No samba mangueirense não há variações relevantes, ou seja, a melodia é reta. O que me agrada no samba é sua letra singular, chegando até a ser poética. NOTA DO SAMBA: 8,6 (Luiz Carlos Rosa).

Belo samba da Mangueira, muito criticado pelos bambas. Muitos sambistas malham exageradamente o hino mangueirense de 1977 alegando que sua melodia é retilínea, sem muitas variações. Eu pessoalmente culpo a gravação do disco por essa triste classificação. O problema é que a faixa é curta demais, o que acelera o samba e deixa suas variações quase inaudíveis. Além disso, a bateria coloca o cavaco e o surdo "em cima" dos instrumentos mais leves, como cuíca e tamborim. Não me surpreende muito essa dificuldade de ouvir direito sua melodia. É um samba muito bonito, extremamente lírico e cheio de brilhantismo. A letra é realmente linda, um relicário, poesia pura do início ao fim. O enredo é apresentado com competência. A segunda parte da obra é lindíssima, com destaque ao trecho "Era lindo o ente alado/Em rodopio multicolor/Era Rudá em pleno reinado/Mostrando que a força da vida/É o amor". É um samba excelente, mas a gravação do vinil acaba o comprometendo. Que pena! Um dos compositores é o célebre Tantinho da Mangueira. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

2B - MOCIDADE - A maioria dos bambas mais especializados não apreciam o hino de 1977 da Mocidade, por sinal uma das primeiras marchas-enredo da história do carnaval. Eu até aprecio, que se trata de uma marcha-enredo de melodia animada e envolvente, aliada a uma letra curta e simplória (o que lhe dá um claro formato de marcha). A agremiação de Padre Miguel desfilou com um samba bem gostoso de se ouvir. Na gravação do disco, Ney Vianna teve a sua voz abafada pelo coral feminino e se limitou apenas a soltar cacos. NOTA DO SAMBA: 9 (Mestre Maciel).

O samba que fala de "samba" através dos tempos tem uma letra simpleszinha, mas que não compromete. Uma marchinha bem animada. De tão animada que as pastoras "perdem a linha". De tão empolgadas, literalmente abafam a voz do lendário puxador Ney Vianna. Será que elas queriam aparecer??? NOTA DO SAMBA: 9 (Luiz Carlos Rosa).

Engraçado como a Mocidade decidiu utilizar uma marcha-enredo para falar da história do samba. Na minha opinião (e também da maioria dos bambas), o samba da escola de 1977 não é um de seus melhores hinos. A letra, além de conter inúmeros clichês, é simplória demais. Os refrões são genéricos, insossos, incapazes de causar algum impacto no ouvinte. A melodia não tem nada de original e volta e meia ainda deixa transpassar certas falhas técnicas explícitas, como no trecho "Foi Donga que tudo começou/Com um lindo samba/Pelo telefone se comunicou", que começa lento e do nada, torna-se acelerado. O final do samba, "Mas surgiram/As Escolas de Samba/O ponto alto do nosso carnaval/E o nosso samba evoluiu/E se tornou marca registrada do Brasil", também beira claramente o trash, já que o trecho parece não se decidir sobre qual parte do enredo está fazendo referência. Enfim, muito pouco para falar do honrado gênero do samba. A agremiação não fez um bom desfile, enfrentando problemas como, por exemplo, a desafinação de sua bateria (pasme!) e por pouco não fora rebaixada. A ausência de Arlindo Rodrigues também não colaborou. NOTA DO SAMBA: 6,2 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

3B - VILA ISABEL - Uma obra-prima pouco comentada pelos bambas! Sua melodia é sensacional, muito emocionante, cujo tom tradicional combina bem com o tom saudosista do enredo da Vila em 1977. Só acho que tal tom saudosista fez Jorge Goulart, cantor das antigas, exagerar na interpretação, pois suas reverberações na voz soam de forma muito esquisita num samba de enredo. Um detalhe: o refrão principal "Abre a roda meninada que o samba virou batucada" foi estranhamente copiado do samba do Salgueiro de 1970, sem nenhuma alteração melódica ou na letra. Estranho... NOTA DO SAMBA: 9,6 (Mestre Maciel).

O samba é bom de "boca cheia"!!! Tanto letra e melodia são um primor. Só acho estranho o interprete Jorge Goulart cantar samba-enredo. Tem um timbre de voz que serve para ópera, não para samba. Tanto que compromete. Vejam como o samba fica bem melhor na segunda passada com as pastoras entoando. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Luiz Carlos Rosa).

Apesar de não ter a cara da Vila Isabel e de ser anos-luz inferior ao samba composto pelo Martinho, ainda trata-se de um samba excelente. A letra é muito bonita, narrando o enredo nostálgico com muita categoria. A melodia é de um lirismo gigantesco, típico dos sambas de outrora. O refrão “Ah, que saudade do cassino/Que mudou tanto destino/E o artista consagrou” é belíssimo, complementando muito bem a primeira parte da obra. Já o refrão seguinte, “Noel/És amor, és poesia/Tua Vila carnaval/Cantando nostalgia”, possui uma melodia ímpar, incomensurável, cujas notas alongadas conseguem passar uma emoção singular ao ouvinte. Talvez o único senão deste samba seja a presença do refrão “Abre a roda meninada/Que o samba virou batucada”, que, tal como no samba salgueirense de 1970, não combina com as demais partes do samba, quebrando a corrente melódica da obra. Dizem que o desfile da Vila foi um dos mais lindos de sua história (até porque contava com a presença de Arlindo Rodrigues como carnavalesco). Infelizmente, o samba, lírico demais, quem sabe não tenha se enquadrado no contexto do carnaval apresentado e acabou por passar meio chocho na avenida. Nesse caso, o samba do Martinho, divertidíssimo em todos os aspectos, poderia ter causado mais impacto. Ah! E os vibratos de Jorge Goulart na gravação são insuportáveis... NOTA DO SAMBA: 9 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

4B - SÃO CARLOS - Composto e cantado por Dominguinhos do Estácio, é o samba mais animado do ano, de melodia bastante descontraída. Detalhe: na segunda passada do samba, um dos integrantes do coral se equivoca logo após a primeira passada do refrão "Filho de Maria homem nasceu/Serro bravo foi seu berço natal/O Detetive Anjo e o Metralha/São partes da parte policial ". Ele chega a soltar "O primo pobre", parte seguinte ao refrão na letra, não se lembrando que o refrão central será entoado mais uma vez. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Dominguinhos fez um samba que é a sua cara, bem animado. Fica até mais fácil dele soltar seus "cacos" famosos. O enredo conta os 40 anos da Rádio Nacional. O samba tem letra bem detalhada e sua melodia empolga até quem é leigo em samba. Um fato inusitado e atípico aconteceu na segunda passada do samba. Uma das pastoras trocou “o filho homem” pelo “primo pobre”. Não é sacanagem não! É erro de gravação mesmo!!! Fico imaginando o pessoal de lá segurando o riso. Mesmo com essa alegria, a São Carlos não conseguiu permanecer no Grupo Especial. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Luiz Carlos Rosa).

Belo samba de Dominguinhos do Estácio! A São Carlos, tentando se afirmar de vez no Grupo 1, decidiu abordar um tema bem diferente: os 40 anos da Rádio Nacional. No geral, o hino é um dos mais divertidos do LP. A primeira parte da obra, tecnicamente a mais perfeita, é bem lírica e sua letra faz lembrar bastante a de sambas-enredo antigos, utilizando uma poesia intensamente clássica para fazer uma apresentação formal do enredo da agremiação. O refrão “Animado por Cezar de Alencar/Outrora campeão da simpatia” não empolga muito, mas é devidamente coerente à estrutura do samba. A animação só começa realmente na segunda parte, onde Dominguinhos faz uma homenagem sincera a vários personagens ilustres da história da Rádio Nacional. Essa parte da obra, apesar de ser de difícil canto pela citação de inúmeros nomes próprios, tem um conteúdo notável. O restante do samba também é muito bom. A faixa ficou imortalizada por um supercômico erro de uma das integrantes do coro na gravação. A pastora, ao invés de cantar novamente a segunda passada do refrão “Filho de Maria homem nasceu/Serro bravo foi seu berço natal...”, sem querer, solta o verso “O Primo Pobre” e acaba ficando literalmente “no vácuo”. Coitada! NOTA DO SAMBA: 9,3 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

5B - UNIDOS DO CABUÇU - De volta ao desfile principal no qual não participava desde 1964, a Cabuçu, em 1977, desfilou com o mesmo tema que a Beija-Flor levará para o Sambódromo em 2005: os Sete Povos das Missões. É um samba bonito, mas seus versos são cantados num andamento muito rápido, o que acaba por atrapalhar um pouco a harmonia da escola. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Mestre Maciel).

A azul-e-branco do Lins de Vasconcelos estava há 13 anos de fora do grupo de elite. Subiu, e cantou talvez o seu melhor samba. Apesar dos versos longos que fazem com que o canto tenha um andamento rápido, a letra é impecavel. A melodia valente possui variações melódicas interessantes. E a introdução me agradou muito. Um dos que mas ouço no meu quarto. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Luiz Carlos Rosa).

Muito esquisito! “Os Sete Povos das Missões”, o mesmo enredo da Beija-Flor de 2005, gerou um hino bem estranho. A letra tenta ser poética em vários momentos, porém acaba apelando para versos quilométricos, o que dificulta muito tanto sua memorização como seu próprio canto. Além disso, o tema é exposto de forma muito confusa e embolada. A melodia é terrivelmente pesada e está repleta de fru-frus desprezíveis, fazendo a obra se afastar mais ainda de qualquer gênero musical ligado ao samba. É a pior e mais chata obra do disco, sem a menor sombra de dúvida. NOTA DO SAMBA: 5,6 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

6B - IMPÉRIO SERRANO - Sambaço de melodia singular! O hino da Império Serrano de 1977, de autoria de Roberto Ribeiro (um dos melhores intérpretes de todos os tempos), emociona qualquer bamba em sua audição. Sua letra é simples, o "lalaiá" característico da Império Serrano marca presença e sua melodia é, sem dúvida, primorosa. É a única escola que faz, no disco, a bateria entrar a partir da segunda passada, com o intuito de valorizar o belo samba-enredo. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Sem dúvida, um dos melhores sambas da história imperiana. O “láaalálaiáaaa” que inicia o samba é sensacional. A melodia sem dúvida nenhuma é um "achado", mas o momento magistral da gravação é quando a bateria entra na segunda passada junto com o coral e pastoras. Mais uma vez: lindo, lindo, lindo!!! NOTA DO SAMBA: 9,9 (Luiz Carlos Rosa).

Briga quase acirradamente pelo título de melhor samba do ano. A letra é única, pois, ao invés de abordar rigorosamente todas as passagens do enredo da escola, ela opta por apenas descrever emotivamente o coração repleto de esperança dos imigrantes ao chegarem ao Brasil. Ela também tenta assimilar essa chegada a uma possível comoção sentida pelos próprios imigrantes ao assistirem essa homenagem imperiana feita justamente para eles na avenida. A melodia é de um lirismo singular, inexistente em qualquer samba-enredo da atualidade. Minha parte preferida é o refrão central “Violas e pássaros/Clarins de vento/O Arlequim/Entoando um canto lento”, cuja baixa tonalidade ajuda a realçar mais ainda a sutileza da letra. Por fim, o samba é finalizado por lindíssimos, apoteóticos, maravilhosos “lalaiás”, que, na minha opinião, são melhores que alguns do próprio Silas de Oliveira. Estupendo! Os compositores são Jorge Lucas (também autor do horrendo “Arte em tom maior”) e o antológico intérprete Roberto Ribeiro (a voz do Império nos anos 70). NOTA DO SAMBA: 10 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba