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Os sambas de 1976 - Acesso A

Os sambas de 1976 - Acesso A

A GRAVAÇÃO DO DISCO - Outro LP do Acesso de gravação típica da época (anos 70). As baterias aparecem bem, com destaque ao chocalho (que na maioria das gravações da década de 70 quase não são audíveis) e ao cavaco. As caixas-de-guerra, surdos e repiques também se sobressaem. Já as cuícas e tamborins desapareceram, não sei por quê. As pastoras, como sempre, acima da média. O intérprete é bem valorizado, acompanhado com cadência pelas baterias. Os melhores sambas do vinil são da Independentes de Cordovil, Unidos de Padre Miguel e Unidos da Tijuca. Esta última teve o privilégio de desfrutar da que foi, não só a melhor gravação do LP, mas também uma das mais inesquecíveis da história! Faltaram os sambas do Império da Tijuca, Arranco, Paraíso do Tuiuti, São Clemente, Foliões de Botafogo, Caprichosos de Pilares, Engenho da Rainha e Unidos da Ponte, nada mais nada menos que oito escolas de fora! Se tiver alguma obra-prima entre elas, deve ter se perdido para sempre. NOTA DA GRAVAÇÃO: 8 (Gabriel Carin).

1A - SANTA CRUZ - Inusitado. Essa é a palavra-chave para definir o samba da Santa Cruz. Ele possui uma melodia exótica e letra simples, mas é de boa qualidade. Do ponto de vista técnico, tem algumas falhas como a excessiva repetição de rimas terminadas em "au" (ou "al"). A exaltação a Brasília e sua história é regular apenas, porém não é ruim. NOTA DO SAMBA: 8,4 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

2A - IMPÉRIO DO MARANGÁ - Vai chover! Até que enfim um samba que preste do Império do Marangá! Tem melodia bonita e a letra se remete muito bem ao enredo. Destaco o trecho "Bailarinas com passos deslumbrantes/Em... sensacional/Arrancavam aplausos da platéia emocionada/Ao som das orquestras sem igual", além dos ótimos "lalalaiás" soltados em várias partes da obra. A introdução ao som de pandeiro e cavaco é excelente. Muito bacana! NOTA DO SAMBA: 9,3 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

3A - CORDOVIL - Outro bom samba do LP. O Independentes de Cordovil caprichou num samba de melodia dolente e letra super-interessante, resultando num clássico belíssimo. O intérprete e coro deram um show na faixa! Realmente é uma pena que a gravadora o acelerou tanto. A parte "Recordar é viver/É o passado mandando lembrança/Dos tempos idos que a memória alcança/Vem a saudade e nos faz recordar" é divinal, extremamente poético. Depois, é seguido de uma exaltação a história do samba e do carnaval carioca, citando a casa da Tia Ciata e o largo da Lapa. Pra terminar, deslancha num mágico trecho de nostalgia ("Por isso eu visto a minha escola de saudade/E venho pela cidade/Batendo o meu tamborim/Sambando alegre/Pisando bem firme no asfalto/Cantando na rua bem alto/Meu samba que começa assim"). Fantástico! Pedrada! NOTA DO SAMBA: 9,5 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

4A - INDEPENDENTES DO ZUMBI - O samba não chega a ser fraquíssimo, mas também não agrada muito. A letra é "enfrufruzada" e a melodia muito chata. O refrão central (o único do samba) é enjoativo. O começo da obra parece um resuminho de sinopse desagradável, apelando demais. A melodia não cola no ouvido e acaba sendo desagradável. O trecho "O frevo, fantasia e evolução/E hoje temos samba-exportação" é trash. Triste! É só compará-lo com o samba salgueirense de 1965, cujo tema era o mesmo, para ver sua fraqueza. NOTA DO SAMBA: 7,5 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

5A - UNIÃO DE JACAREPAGUÁ - Um samba de melodia dolente e letra simples, mas não simplória. As variações dão um balanço clássico ao samba, principalmente no poético refrão "É noite clara/É lua cheia/Dorme o Rio São Francisco/Uiara o silêncio semeia". Também sou um grande simpatizante do refrão central. O folclore brasileiro quase sempre proporciona sambas agradáveis. Um dos autores é o portelense Norival Reis, parceiro de Dedé da Portela e David Correa. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

6A - UNIDOS DA TIJUCA - Quem disse que o aceleramento da bateria na segunda passada foi criada pela Beija-Flor em 1995? Devem ter esquecido da gravação do samba tijucano de 1976. O enredo, assim como letra do samba, é quase idêntico ao do ano anterior. Até o nome é parecido (o de 1975 é "Magia africana no Brasil e seus mistérios" e o de 1976 é "No mundo encantado dos deuses afro-brasileiros") É só comparar algumas partes do samba, principalmente na segunda parte, para ter consciência disto. Veja o trecho "Salve Ogum vencedor/E o rei do Kêto/Oxóssi caçador/Xangô, Oxumaré/Iansã, Oxum minha mãe de fé/Iemanjá rainha do mar/E o poderoso Pai Oxalá". Agora compare com o trecho do samba de 1975 "Iê, iê, iê salve Oxóssi, rei da mata/Oxossi é caçador/Salve Abaluaê/Xangô, Oxumaré, Irê e Nanã/Oxum/Deusa do ouro e dos rios/E a guerreira Iansã, deusa dos raios/Salve Ossãe/Iemanjá, rainha do mar/Sarava, pai Oxalá". Parecidíssimo! O de 76 é mais resumido, mas ainda sim é quase igual. A Unidos da Tijuca preferiu manter a formula de sambas afro de melodia marcante e andamento acelerado, porém com mais sucesso ainda. Tem uma melodia extraordinária, casando perfeitamente com a letra imprescindível. O refrão "Inaina emojbá/Exu pomba-gira é/Inaina emojbá/Exu pula na ponta do pé" é fantástico em todos os sentidos! E ele ganhou ainda uma gravação a sua altura. Começa com o cavaco e o chocalho dando uma cadência especial na primeira passada, cantado com competência pelo seu intérprete. Mas lá pro um minuto e meio de faixa, a bateria acelera freneticamente e o coro começa a cantar o samba velozmente, passando uma vibração fantástica ao ouvinte. Dá impressão que estamos no meio de um desfile real! A bateria ainda é acompanhada de um sensacional bater de palmas. Excepcional! Pra mim, um dos mais extraordinários registros fonográficos de samba-enredo da história!!! Perfeito! Incomensurável! NOTA DO SAMBA: 10 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

1B - VILA SANTA TERESA - Triste! Os compositores quiseram dar um de Martinho da Vila e tentaram fazer um samba sem rimas. Acontece que a inovação não deu certo. Acabou virando algo esdrúxulo, genérico, desprovida de qualquer beleza técnica. Aliada a uma melodia meia-boca, esse samba passou despercebido no LP de 76, abrindo mal o lado B do vinil. NOTA DO SAMBA: 6,6 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

2B - UNIDOS DO BANGU - Depois de vir com um dos piores sambas da história em 75, a Unidos do Bangu decidiu trazer um enredo de verdade ("Festas e tradições de nossa gente") e caprichar no quesito samba-enredo. Ele possui uma melodia bonita, muito agradável ao ouvido. A letra é simples, seguindo uma seqüência clara. Na verdade, o samba fala mais da região Norte-Nordeste do que do Brasil como um todo. A agremiação não fez nada feio no LP. Muito pelo contrário! NOTA DO SAMBA: 9,1 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

3B - UNIDOS DE NILÓPOLIS - Belo showzinho de bateria antes do samba ser iniciado. O samba conta com clareza a história do bumba-meu-boi, também citada no desfile salgueirense de 1998. Acontece, segundo a lenda dos maranhenses, que Mãe Catarina queria muito comer a língua o boi preferido do patrão e seu marido, Pai Chico, foi matá-lo pra satisfazer o desejo da esposa. Daí o dono do boi apareceu e queria o animal vivo de novo. Pai Chico quase ia preso, quando chamaram um padre e um pajé para ressuscitar o animal. Já ressuscitado, todos começaram a dançar comemorando a volta a vida do bicho. Essa é uma das inúmeras histórias do boi-bumbá maranhense e esse samba a conta com clareza e descontração. Muito bacana! NOTA DO SAMBA: 9,3 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

4B - UNIDOS DE PADRE MIGUEL - A faixa é iniciada ao som do cavaco e do batuque pesadão dos surdos e caixas. Eis um dos melhores sambas (talvez o melhor) da história da simpática Unidos de Padre Miguel, o que quer dizer muito! Ele possui uma letra bem-feita, simples e bonita. A melodia é rica em variações e passa sentimento ao ouvinte através de sua delicadeza. Muito agradável ao ouvido de bambas carinhosos como nós. Além disso, tem dois belos refrões. Gosto muito do central "E quando na selva ecoava/Um grito de guerra de Ajuricaba/Mais uma batalha se travava", de melodia clássica e letra poética. Seu intérprete, Joel Rodrigues, também é de muito bom gosto. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

5B - JACAREZINHO - Bem chato. Possui letra muito longa, cheio de problemas técnicos como as rimas no infinitivo. A melodia é irritante, mal-feita, comum demais, sem singularidade. O refrão (repetido duas vezes durante a obra) é de péssimo gosto. O intérprete Thompson (que nome horrível...) tem problemas sérios de dicção, como a pronuncia do S entre os dentes. É mais um daqueles que a gente ouve uma vez e esquece que existe. NOTA DO SAMBA: 7,2 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba

6A - UNIDOS DO CABUÇU - Fechando o LP de 76, a escola do Engenho Novo apresenta um samba mediano. A letra é de boa qualidade, mas infelizmente é comprida demais, típica de quem gosta das muito explicadinhas. A melodia é simplória demais, sem muita criatividade. Destaco apenas a ausência de refrões, pois ele como um todo não está longe de ser uma maravilha. Isso aqui não é ruim, mas enjoa fácil. NOTA DO SAMBA: 8,4 (Gabriel Carin). Clique aqui para ver a letra do samba