PRINCIPAL    EQUIPE    LIVRO DE VISITAS    LINKS    ARQUIVO DE ATUALIZAÇÕES    ARQUIVO DE COLUNAS    CONTATO

Os sambas de 1976

Os sambas de 1976

A GRAVAÇÃO DO DISCO - 1976 é o ano que apresentou uma das melhores safras de sambas-enredo da história do carnaval, concorrendo direto com o ano de 1969. É simplesmente uma obra-prima atrás da outra. O ano teve 14 escolas no desfile principal e a histórica vitória da até então obscura agremiação Beija-Flor, de Nilópolis, cuja obsessão pelo luxo provocou um outro rumo na história dos desfiles das escolas de samba. E o disco é maravilhoso, pois valoriza bastante o samba-enredo com a cadência adotada na gravação. O formato da bateria no disco ainda é antigo, com pandeiros, agogôs, cuícas e caixas (que tem um grande destaque no álbum) sendo a espinha dorsal do chamado "coração" da escola. O cavaco também aparece bem, os tamborins têm uma atuação discreta (se destacam no começo da faixa da Imperatriz) e os repiques despontam inspirados, com excelentes bossas (como no fim da faixa da Vila Isabel). O coral também aparece muito bem, se casando muito bem com o intérprete. Um disco memorável! Muitos dos melhores sambas de todos os tempos estão no álbum de 1976. NOTA DA GRAVAÇÃO: 10 (Mestre Maciel).

1976 é um marco no carnaval do Rio. Temos a ida de Joãozinho Trinta para a Beija-Flor de Nilópolis, até então uma escola pequena que se mantinha entre as grandes escolas a custas de enredos em homenagem a ditadura. Joãozinho não era nenhum novato - além de ter participado da revolução promovida por Fernando Pamplona nos anos 60, em 74 ele mesmo assumira o Salgueiro, conseguindo o título e, logo em seguida, o bicampeonato. Entretanto, o ranço academicista da escola da época limitava a criatividade do carnavalesco. Além disso, o Salgueiro não tinha como bancar os delírios visuais que ele imaginava. Ao chegar a Beija-Flor, Joãozinho, de cara, colocou um enredo transgressor - o jogo do bicho, que já era uma atividade ilícita na época. Pela primeira vez, a vinculação entre os bicheiros e o carnaval era explicitada. Além disso, o samba escolhido, em tom jocoso, é o primeiro a tratar do homossexualismo, no trecho "e com rapaz todo enfeitado/o resultado pessoal/é pavão ou é veado". A vitória da Beija-Flor e, posteriormente, o seu tricampeonato, inaugurou uma nova era no carnaval carioca, com a valorização do aspecto visual do espetáculo em detrimento ao samba, além da presença cada vez mais vital dos bicheiros. O carnaval deixou de ser manifestação popular para ser uma ópera de rua. Mais do que isso, com seu título, a Beija-Flor acabou com o reinado das potências da época - Mangueira, Portela, Império e Salgueiro - coisa que já sido apenas ensaiada por Vila, Imperatriz e Mocidade. Uma nova ordem estava se consolidando. Com relação aos sambas, a safra é excelente, apesar dos inevitáveis bois com abóbora. Não é a toa que a maioria das reedições é de sambas deste ano. No disco, estão presentes todas as 14 escolas que desfilaram. Várias obras se tornaram antológicas. A qualidade da gravação é boa. NOTA DA GRAVAÇÃO: 9 (João Marcos).

O carnaval de 1976 pode ser considerado, sem exagero, um dos mais importantes da história do carnaval carioca. No Grupo 1, tivemos 14 agremiações desfilando, muitas coadjuvantes, que tiveram suas apresentações imortalizadas graças a de uma única grande protagonista: Beija-Flor de Nilópolis, escola de um município a 27 quilômetros do Rio de Janeiro, até então modesta e desconhecida. Durante a temporada pré-carnavalesca, os boatos corriam chão a respeito da qualidade e do tamanho de seu barracão, desenvolvido por um maranhense magrelo, denominado Joãosinho Trinta, e bancado explicitamente pelo bicheiro Anísio Abraão David. Outras escolas eram anunciadas pela imprensa como possíveis campeãs, como Mangueira, Mocidade, Império Serrano, Vila Isabel, Salgueiro e Em Cima da Hora. O resultado, entretanto, somente seria visto na avenida. Na hora H, a surpresa veio à tona: a Beija-Flor se apresentou como uma fortaleza imbatível e abocanhou, sem esforço, o título com um nível plástico muito superior ao das demais agremiações. A gravação do vinil, marcada pelas introduções das faixas com o cavaco, baseia-se em uma estrutura despretensiosa, formada basicamente por agogôs, chocalhos e surdos. Os ecos e ruídos em grande número são um ponto negativo do LP, enquanto a liberdade de canto dos intérpretes é de uma qualidade absurda. Os maiores sambas da safra provém da Mangueira e Em Cima da Hora, porém há outros clássicos no LP consideráveis antológicos. NOTA DA GRAVAÇÃO: 8 (Gabriel Carin).

Em se tratando de desfiles das escolas de samba, o ano de 1976 é sem dúvida o mais relevante do nosso carnaval, um verdadeiro marco-zero se assim possamos chamá-lo. Antes de 76, o carnaval viveu uma fase romântica e saudável. Depois de 76, as agremiações se profissionalizaram. O luxo passou a ser mais importante que o próprio samba. A inimaginável vitória da então emergente Beija-Flor de Nilópolis contribuiu e muito para a evolução do "MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA". Tanto é que, a partir do ano seguinte, algumas agremiações adotaram o mesmo estilo de impacto visual, promovendo assim a suntuosidade das fantasias, a verticalização das alegorias e tambem o surgimento de "caras-pálidas" no carnaval. Posteriormente essas agremiações que aderiram a este conceito acabaram sendo rotuladas de "Superescolas de samba S/A". Agora vamos mudar de assunto??? A qualidade da gravação do bolachão é boa, pois os sambas estão numa cadência absolutamente correta. Quanto a safra de sambas de 1976, é absolutamente sensacional. Algumas obras ainda sobrevivem ao tempo, tanto que Lucas, Estácio e Império tiveram seus sambas reeditados em meados da primeira década do novo milênio. Mas o grande destaque do LP fica por conta da Em Cima da Hora que nos brindou com um dos três melhores sambas da história, na minha humilde opinião: "Os Sertões". 1976 marca as estréias no Grupo Especial de três monstruosos interpretes (no bom sentido!!!) do nosso carnaval, deixando os LP's de samba-enredo muto mais valorizados com suas interpretações: Aroldo Melodia na União da Ilha, Dominguinhos do Estácio na São Carlos e Neguinho da Beija-Flor. Dentro do álbum duplo duas homenagens: ao Salgueiro - bicampeão 1974/75 - representada pela destaque Isabel Valença e ao grande Natal da Portela que falecera em 1975. NOTA DA GRAVAÇÃO: 9 (Luiz Carlos Rosa).

1A - MANGUEIRA - O samba é um dos três que mais Jamelão se emocionou ao cantar na avenida (os outros são o de 1967, sobre Monteiro Lobato, e o de 1986, sobre Dorival Caymmi). Ainda utilizando um procedimento antigo de um único refrão ser entoado mais de uma vez numa mesma passada do samba, a verde-e-rosa obteve o vice-campeonato em 1976 com um verdadeiro clássico do carnaval, de melodia fantástica e um refrão cativante "Obabá, ola obabá/É a mãe do Ouro que vem nos salvar". NOTA DO SAMBA: 9,5 (Mestre Maciel).

Estranhamente, o SAMBARIO colocava que o LP é aberto com a faixa da Tupy. Não está correto. Como o poder das grandes escolas ainda era incontestável na época, a gravadora fazia o seguinte - iniciava e terminava cada lado do LP com samba de uma das quatro grandes escolas. A ordem no LP não dependia da colocação do ano anterior - dependia do potencial do samba em fazer sucesso popular. Por isso, o vinil abre com essa "pedrada" de Rubens da Mangueira e Tolito. O refrão, que é repetido duas vezes cada passada, empolga até o mais exigente folião. O resto do samba conta com clareza o enredo. Se 1976 não tivesse sido um ano atípico, o samba certamente levaria a Mangueira ao título. NOTA DO SAMBA: 9,8 (João Marcos).

O merecido vice-campeonato mangueirense de 1976 contou com um dos melhores enredos dos anos 70, inspirado lenda indígena da Mãe do Ouro, na qual uma esfera brilhante cruza os céus entre as grutas do Rio das Garças e transporta a alma de homens e mulheres a seu palácio encantado para que desfrutem de delícias eternas. Outro responsável pelo excelente desfile da agremiação foi, sem dúvida, o fantástico samba-enredo. Trata-se de uma antologia, de letra poética e melodia impecável. O refrão fica na memória logo na primeira audição e a obra segue a fórmula imposta por Hélio Turco no final da década de 60, aliando magistralmente interpretação com narratividade. Uma obra-prima! NOTA DO SAMBA: 10 (Gabriel Carin).

"No Reino Da Mãe Do Ouro" é um dos sambas mais populares da Manga e do nosso carnaval. O seu único refrão "Obabá/olaô babá/ é a Mãe do Ouro/que vem nos salvar", usado tanto na cabeça como no meio do sambão, possui uma pegada muito forte. Gruda no ouvido como "superbonder". A melodia é extremamente pesada - característica marcante nos sambas do compositor Tolito. Entretanto, é altamente agradável e com variações semelhantes nas duas partes da obra. Gosto bastante do trecho "No céu/sem as estrelas/mas o raio de luz se dirigia/à gruta de uma alma encantada/era a Mãe do Ouro que surgia" melodicamente fantástico. Já a letra é bem descrita, apesar da primeira estrofe ser confusa. No mais, é um sambaço com cara e focinho da escola e que contribuiu para o vice-campeonato em 1976. NOTA DO SAMBA: 9,9 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

2A - MOCIDADE - A agremiação de Padre Miguel não poderia ficar de fora da farra de obras-primas do ano de 1976. É um samba curto (assim como seus refrões), de melodia singular, bem variada e cativante, e o refrão principal lembra claramente a canção de Dorival Caymmi ("Oh, minha mãe menininha..."). Na faixa do álbum, destaque para a longa introdução instrumental de trinta segundos regada à viola e ao repique, para depois o samba entrar a mil. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Mestre Maciel).

Na minha humilde opinião, a última obra-prima apresentada pela Mocidade. Não que a escola não tenha apresentado grandes sambas a partir de então, mas este, juntamente com o de 71 e o de 74, está anos-luz dos demais. A melodia é envolvente e o samba tem um gingado irresistível. NOTA DO SAMBA: 9,7 (João Marcos).

Novamente sob a guia de Arlindo Rodrigues e os investimentos do bicheiro Castor de Andrade, a Mocidade batalhou com muita garra por um campeonato, o qual somente viria três carnavais mais tarde. A trilha sonora do belíssimo desfile é de uma estrutura inacreditavelmente simples, bastante similar a dos sambas-enredo afros do grupo de acesso da mesma época, como, p.ex., “Manjares do céu e da Terra”, apresentado pela Independentes de Cordovil em 1977. Porém, “Mãe menininha do Gantois” possui um astral que vai além de uma mera exaltação a orixás. Contando com três excelentes refrões, o samba corteja as entidades e alerta claramente que a maior intenção da escola era transformar a avenida em um imenso terreiro, palco de mistérios e magias. A melodia convida o sambista para cantar e a faixa é irrepreensível. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Gabriel Carin).

Para conquistar o inédito campeonato, os ritmistas da verde e branco de Padre Miguel teriam a inusitada missão de passar a máquina zero em suas cabeças e conseqüentemente jogarem os cabelos ao mar, tudo isso à pedidos da homenageada Mãe Menininha do Gantois. Acontece que a primeira parte do trabalho foi cumprida. Para espanto geral, a bateria do lendário Mestre André desfilou carequinha, isso em plena década de 70. Só que o pessoal esqueceu de finalizar o serviço. Os restos de cabelos não foram jogados ao mar. A escola acabou ficando na terceira posição, perdendo para a Mangueira no desempate do vice-campeonato, ironicamente e coincidentemente no quesito bateria. Quanto ao samba, é totalmente diminuto, possuindo três refrões aliadas a duas partes curtíssimas. A melodia é um primor com variações interessantes, oferecendo ao ouvinte sambista uma maravilhosa sensação de bem-estar. Destaco o refrão principal "Ó minha Mãe/Menininha/vem ver/como toda cidade/canta em seu louvor com a Mocidade" de qualidade melódica extraordinária. Outra curiosidade: Mãe Menininha tambem foi exaltada pelo então bloco carnavalesco Unidos do Cabral, no mesmo ano de 76. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

3A - IMPERATRIZ - A faixa, a mais curta do disco, registra apenas uma passada do samba. O formato de gravação também está bastante diferente, com destaque para o solo de tamborins de vinte segundos que marca a introdução da faixa. Os mesmos tamborins são os que ditam o ritmo da bateria no álbum. O hino da Imperatriz de 1976 tem uma melodia bonita que mescla animação com lirismo, e um tom patriota comprovado no refrão "Nasceste grande, oh, meu país/És soberano de um povo feliz". NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Depois de iniciar de forma magistral os anos 70, a partir de 73 a escola passou a apresentar boi com abóbora atrás de boi com abóbora, até cair, em 1977. Este aqui é tão sem graça que provavelmente a gravadora quis acabar com o sofrimento dos ouvintes logo após a execução da primeira passada. NOTA DO SAMBA: 6,3 (João Marcos).

A meu ver, o pior samba do disco. “Por mares nunca dantes navegados” é um desastre. A letra paupérrima aglomera um palavreado rebuscado, aparentemente belo, que, na verdade, somente tem a função de enganar o ouvinte com seu romantismo acerbado. O tema em si é exposto de forma praticamente incompreensível e o falso patriotismo da obra chega a irritar em certos momentos. A melodia beira a monotonia e se arrasta terrivelmente pelo LP, embora a faixa possua pouco mais de míseros dois minutos de duração. Salva-se apenas o naipe de tamborins no início da gravação. NOTA DO SAMBA: 4,2 (Gabriel Carin).

Tecnicamente muito fraco. "Por Mares Nunca Dantes Navegados" possui melodia bastante oscilante e estranha. Em alguns momentos chega a ser irritante. A letra é indigesta, não diz absolutamente nada do tema proposto. Não dá para acreditar que o competente trio de compositores Gibi/Sereno/Guga compuseram um sambinha medonho desta natureza. Deve ser por isso que a equipe de produção do bolachão reduziu com toda razão em uma passada esta faixa intragável, para alívio geral. NOTA DO SAMBA: 5,1 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

4A - TUPY DE BRÁS DE PINA - A escola, que infelizmente enrolou a bandeira em 1998, abre o álbum de 1976 com um samba de melodia primorosa, num tom bem lírico e clássico. A letra, poética, exalta de forma bem patriota o pavilhão brasileiro, enumerando com clareza o que cada cor de nossa bandeira representa (o verde, nossas matas; o amarelo, os nossos tesouros; o azul, o céu; e o branco, a paz). Apesar do belo samba, a Tupi foi rebaixada em último lugar e nunca mais desfilou no Grupo Especial nos 22 anos em que esteve em atividade. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Um dos piores sambas da história do Grupo Especial do carnaval carioca. Vem sendo exaltado de forma surpreendente em alguns fóruns de carnaval. Acredito que seja por causa do palavreado difícil que esconde o enredo simplório - fala das riquezas do Brasil através das cores da bandeira. Ou seja, como muito samba atual, a letra fala, fala... e não diz absolutamente nada. Essa falsa poesia só torna o samba mais pobre do ponto de vista de conteúdo. Para terminar, a melodia é estranha, e o samba se arrasta por intermináveis três minutos e meio... um horror. NOTA DO SAMBA: 3,1 (João Marcos).

Chega a ser extraordinário o nível de bizarrice deste samba! A Tupy de Brás de Pina, autora de clássicos como “Seca no Nordeste” e “Essa Nega Fulô”, se redimiu a este lastimável boi-com-abóbora. A letra segue o esquema do samba da Imperatriz de fazer citações ilusoriamente poéticas a cada passagem do enredo, que, neste caso, aborda as diversas riquezas brasileiras pelas cores de nossa bandeira. O compositor Caciça amontoa uma seqüência incessável de adjetivos complexos e pouco usuais, tentando iludir o sambista com um blá-blá-blá interminável. Aliás, nada na letra deste samba faz muito sentido, o que torna a faixa realmente hilária. A melodia tem variações mal-resolvidas, repletas de momentos esdrúxulos. Celso Landrini tem uma atuação soberba no LP, porém o samba é fraquíssimo. NOTA DO SAMBA: 4,7 (Gabriel Carin).

A obviedade impera!!! Promovida à elite após o vice-campeonato do Grupo de Acesso A, a extinta agremiação de Brás de Pina buscou um enredo de fácil assimilação como esse "Riquezas Áureas Da Nossa Bandeira". Não era nascido em 1976, mas tenho total convicção que o desfile da escola tupiniquim teve um ar de "Ih!!! Já vi esse filme!!!" de tão previsível. Deve ter abusado das cores verde e amarela, incrementando logicamente o azul e branco da escola. É óbvio que os militares possívelmente aplaudiram de pé a apresentação da Tupy, mas os jurados deram o veredito final: última colocação e conseqüentemente o rebaixamento. Já o sambinha possui uma letra repleta de rebuscamentos dispensáveis que deixam a obra muito óbvia. Caciça - único compositor desse sambinha - deveria ter chutado a sinopse pro alto, já que este enredinho bastante simplório pedia uma linguagem mais criativa e sobretudo ousada. A melodia é muito arrastada, quase fúnebre até chegar ao refrão principal "Ordem e progresso/este lema genial/alma vibrante do pavilhão nacional", sendo assim a única parte animada deste sambinha, absolutamente fraco. Lastimável!!! NOTA DO SAMBA: 4,9 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

5A - UNIÃO DA ILHA - No seu segundo ano na elite do carnaval, a União da Ilha, ironicamente, apresentou o seu mais fraco samba-enredo no período glorioso de sua história logo no ano em que tivemos provavelmente a melhor safra de todos os tempos. A melodia é até envolvente e conta com brilhante interpretação de Aroldo Melodia, mas este samba realmente fica muito atrás dos dois anteriores da escola e também dos sambas seguintes. NOTA DO SAMBA: 9 (Mestre Maciel).

Um samba leve, que caiu como uma luva para o estilo do excepcional Aroldo Melodia, que estreava no LP do Grupo Principal. Pode não ter uma melodia extremamente envolvente, nem o lirismo de um "Domingo", ou de "É Hoje", mas tem a cara da escola. Escutando este samba, fica fácil entender porque a Ilha era tão popular na época. NOTA DO SAMBA: 8,9 (João Marcos).

Este samba marcou a estréia da carnavalesca Maria Augusta na União de Ilha, que, após levantar um bicampeonato ao lado de Joãosinho Trinta no Salgueiro, acabou por seguir carreira solo. A temática sobre a Praça Onze é excelente e resultou em um hino de qualidade. O que realmente chama a atenção nesta obra é sua letra sublime, aliando com perfeição poesia e simplicidade. A melodia possui um ar clássico, realçado pela interpretação magistral de Aroldo Melodia. Entretanto, lhe falta algo a mais em termos sonoros, visto que, apesar de algumas ótimas variações, “Poemas de máscaras e sonhos” está longe de ser um “Domingo” ou um “É hoje!”. É um belo samba, sem grandes floreios. NOTA DO SAMBA: 8,8 (Gabriel Carin).

"Poemas de Máscaras em Sonhos" é um samba de qualidade mediana entre os que a agremiação insulana apresentou em seu período fértil entre 1974 a 1980. A melodia é tecnicamente inexpressiva na primeira parte, entretanto o samba ganha luz a partir do bélissimo trecho "Pierrot/eu te amo e te quero/te adoro e venero/coração do meu peito...", que conseqüentemente prepara com competência a entrada do gostoso refrão principal "Crava, crava, crava as garras...". Esse mesmo refrão, apesar de lembrar Macunaíma ("vou me embora, vou me embora...") tem um efeito esplendoroso, chamativo, e é o diferencial da obra. NOTA DO SAMBA: 7,8 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

6A - LINS IMPERIAL - Samba-enredo maravilhoso! Samba cantado por Abílio Martins dificilmente deixa de ter esta qualidade. Com um enredo em homenagem a um ritmo musical antigo (a folia-de-reis), a escola, na sua primeira passagem pelo Grupo Especial, desfilou com um samba lírico, de melodia cantada em baixo tom, acoplada a refrões belos em forma de cantiga (sobretudo o principal). Mesmo rebaixada em 1976, a Lins deixou o belo samba. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

Interpretado pelo excepcional Abílio Martins, a escola estreava no Grupo Especial com um samba bem construído e de boa letra, apesar de arrastado por ter poucas variações melódicas. A letra é muito clara e tem boas sacadas. É um bom samba. NOTA DO SAMBA: 8 (João Marcos).

Na voz do intérprete cigano Abílio Martins, o samba da Lins Imperial é bastante audível. Contudo, o hino nem longe de lembra o belíssimo “Dona Flor e seus dois maridos”, cantado pela escola no ano anterior. Não que “Folia de reis” seja ruim, porém trata-se de uma obra um bocado insossa, principalmente por culpa de sua melodia, entoada em uma cadência lenta demais. Em termos melódicos, o destaque evidente é todo do ótimo refrão de cabeça e do trecho “Me perdoe a confiança/Em sua casa vou mandar”. A letra é de boa qualidade e conta o tema com muita coesão. NOTA DO SAMBA: 7,8 (Gabriel Carin).

Estreando no Grupo Especial de 76, a verde e rosa do Lins exaltou com galhardia a Folia de Reis, uma manifestação popular religiosa, que mescla dança, trovas e encenações. O samba é dotado de letra descritiva contando o tema com simplicidade e objetividade. Apesar das escassas variações, a melodia é absolutamente agradável. Destaco o refrão central "uma estrela anunciando/que chegou trazendo amor..." tal como o lendário Abílio Martins, interpretando o samba com notória perfeição. Como era marinheira de primeira viagem, a Lins Imperial naufragou com o seu rebaixamento. NOTA DO SAMBA: 8,4 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

7A - PORTELA - Meu Deus! Que samba é este? Sua melodia realmente emociona até quem não é bamba. Com mais uma grande interpretação de Silvinho, a Portela desfilou com um primor de samba-enredo. Mas fazer sambas dessa estirpe é um costume da Águia. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Mestre Maciel).

1976 marcou também a primeira vez que a Portela escolheu um samba de Noca. Ele tinha vencido duas vezes na Paraíso do Tuiuti - em 1973 e 1975. Com sua vitória, desbancou David Correa, autor do excelente samba do ano anterior. Como curiosidade, David gravou seu samba concorrente no seu disco de estréia, "Menino Bom", dando à faixa o nome de "Império dos Aruãnas". Entretanto, a vitória de Noca foi justa, o samba é muito bom, com refrões fortíssimos e uma melodia envolvente. NOTA DO SAMBA: 9,1 (João Marcos).

A temática, sobre a Ilha de Marajó, brilhantemente carnavalizada por Hiram Araújo, rendeu a Portela um samba espetacular, que tem, entre seus compositores, o genial Noca. A letra demonstra a influência nítida das composições de Norival Reis, autor de obras-primas como “Ilu Ayê” e “Macunaíma”, uma vez que mescla passagens de rico conteúdo poético com outros momentos que exigem claramente a capacidade de interpretação do ouvinte. A melodia sofre constantes alterações em seu andamento e tonalidade, variando de acordo apelo emocional exigido pela letra. Os refrões são valentes. Uma maravilha! NOTA DO SAMBA: 9,6 (Gabriel Carin).

Apesar da quarta posição, a Portela levou o Estandarte de Ouro de melhor escola de 76. "O Homem do Pacoval", que fala sobre os mistérios da Ilha de Marajó, é um sambão dotado de melodia extraordinária, impactando assim o sambista mais tirano. O início melódico da segunda parte retratado nos versos "Iara/que seduzia/pela magia/do seu cantar..." é absurdamente magnífico, tanto que, posteriormente, muitos compositores usam ou usaram esse trecho rítmico - idealizado por Noca e seus parceiros - só para incrementar num sambinha sem melodia inspirada e consequentemente salvar a saída de um refrão central. Já a letra conta o enredo com brilhantismo. Soma-se tudo à interpretação soberba do saudoso Silvinho do Pandeiro na gravação. Infelizmente, foi o primeiro carnaval sem a presença de Natalino José do Nascimento, o Natal da Portela. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

1B - IMPÉRIO SERRANO - Samba que, doze anos mais tarde, ficaria famoso também na voz de Marisa Monte, que o regravou no seu disco de estréia (cujo hit foi "Bem que se Quis"). Um grande clássico da Império Serrano, interpretado por Sobrinho no disco e po Roberto Ribeiro na avenida, cuja característica é a melodia pura e simples. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

Um samba muito popular, que recebeu regravação de Marisa Monte em seu disco de estréia. Apesar do balanço irresistível e da excelente interpretação de Sobrinho, fica muito claro que o samba tem seus problemas do ponto de vista técnico, principalmente no refrão final, quando o canto é prejudicado pelo ritmo rápido em que as sílabas têm de ser pronunciadas, que se atropelam e quebram a melodia para a entrada do samba, cujos versos tem métrica totalmente diferente. Foi reeditado pela Inocentes em 2006, no desfile do Grupo B. NOTA DO SAMBA: 9 (João Marcos).

O enredo sobre as sereias, idealizado por Fernando Pinto, colaborou com a elaboração de um samba potente, de fácil canto e memorização. A melodia segue a risca a linha adotada em 1972, baseada na explosão, e que vinha dando certo à escola desde então, servindo de modelo para as demais agremiações. A letra expõe bem o tema, no entanto o refrão final possui um erro de métrica grave, o qual acaba por danificar a corrente melódica da obra. De qualquer modo, o samba imperiano de 1976 me agrada intensamente. Na avenida, o Império Serrano foi prejudicado por se apresentar após um desfile antológico, realizado pela Beija-Flor, o que tornou as comparações, feitas pelo júri, inevitáveis. NOTA DO SAMBA: 8,6 (Gabriel Carin).

"Oguntê, Marabô, Caiala e Sobá/Oloxum, Ynaê, Janaína e Yemanjá". Amigo!!! É complicado à pampa cantarolar esse refrão. Deve ter prejudicado muito o canto dos componentes, tanto que a escola fez um desfile aparentemente sem graça e consequentemente acabou ficando na sétima colocação. Esse resultado gerou um mau estar na cúpula imperiana, sobrando até para o carnavalesco Fernando Pinto que fora demitido, mas que acabou retornando à escola em 1978. O samba possui letra simplória aliada a uma melodia encantadora e sobretudo envolvente. A Inocentes de Belford Roxo reeditou este bom samba em 2006. NOTA DO SAMBA: 8,9 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

2B - BEIJA-FLOR - A partir do desfile da Beija-Flor de 1976, o Brasil passou a conhecer a nova face do carnaval carioca. Talvez este desfile tenha iniciado a nova fase do carnaval do Rio, que faria do samba-enredo um mero coadjuvante, dizimaria o sambista da avenida e promoveria o luxo, o glamour e a presença de celebridades como os protagonistas da festa. Joãosinho Trinta, bicampeão nos dois anos anteriores pelo Salgueiro, assumiu o comando do carnaval da escola com a idéia de revolucionar os desfiles. E conseguiu, de fato! Com a ajuda do bicheiro Anísio, preparou alegorias luxuosas, gigantescas (com espaço para adicionar destaques nos carros), que fizeram as demais escolas parecerem blocos pertos da Beija-Flor. Resultado: a agremiação de Nilópolis, que acabara em sétimo lugar nos dois carnavais anteriores, conquistou facilmente o campeonato em 1976, dando início à sua epopéia que resultaria no tricampeonato. 1976 também foi o ano em que o Brasil passou a conhecer Luís Antônio Feliciano Marcondes. Sua alcunha, na ocasião, era Neguinho da Vala. Como seu samba-enredo foi o vencedor no concurso da escola, ele acabou escolhido como o intérprete da Beija-Flor para o carnaval daquele ano. Com o microfone a postos, anunciava para o povo na arquibancada, tentando mostrar a identidade da escola até então desconhecida pelo grande público: "Olha o Beija-Flor aí, gente!". Neguinho, que nunca mais largou o microfone oficial da Beija-Flor desde o desfile de 1976 e adicionaria ao seu apelido o nome da escola, tornou-se uma celebridade conhecida não só no Brasil como também em boa parte do mundo, através dos shows que realiza no exterior. Ah, já ia me esquecendo de falar sobre o samba-enredo "Sonhar com Rei dá Leão". Trata-se de um samba bem animado, de letra inspirada e boa melodia, com um refrão central envolvente. Mas o samba tornou-se praticamente um coadjuvante da revolução promovida por Joãosinho Trinta naquele carnaval. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

Um samba mediano eternizado por um desfile revolucionário. "Sonhar com Rei dá Leão" está longe de ser uma obra-prima - é simples, conta o enredo de forma objetiva, sem nenhum lirismo. Tem momentos de irreverência, mas nenhuma sacada realmente brilhante. É quase burocrático e tecnicamente não é muito bom, exigindo que se cante, ora num tom muito baixo, ora num tom bem mais alto. Mas não comprometeu o campeonato da escola e acabou entrando para a história. Só não é grande coisa. NOTA DO SAMBA: 7,8 (João Marcos).

A vinda do bicheiro Anísio não apenas revolucionou a estética dos desfiles de escolas de samba, como também transformou a Beija-Flor de Nilópolis em um imenso pólo de profissionais do carnaval carioca. Junto a Laíla e Joãosinho Trinta, vieram a porta-bandeira Juju Maravilha (União de Vaz Lobo), o mestre-sala Zequinha (Império Serrano) e o cantor Neguinho da Vala (o então bloco Leão de Nova Iguaçu), futuro Neguinho da Beija-Flor, compositor deste samba. A letra possui sacadas geniais, haja vista que, além de descrever poeticamente a criação do jogo do bicho e homenagear o recém-falecido Natal da Portela, a obra dá indícios, em especial em seus primeiros versos, do espetáculo que estava sendo preparado pela escola em seu barracão. A descontraída e envolvente melodia tem como seu maior destaque o refrão final. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Gabriel Carin).

"Sonhar com Rei dá Leão", primeiro samba-enredo composto pelo estreante Neguinho da Beija-Flor, é tecnicamente discutível pois tanto a letra quanto a melodia, no conjunto da obra, são totalmente mal elaboradas. A letra não possui encadeamento correto, pois começa jocoso ("Sonhar com anjo é borboleta..."), passa a ser narrativo ("cantando e lembrando em cores...") e logo depois volta a ser jocoso em seu refrão principal ("Sonhar com filharada é o coelhinho..."). A partir do trecho "Dessa brincadeira/quem tomou conta em Madureira foi Natal/o bom Natal..." , a letra expõe nostalgia, exaltando o então falecido Natal, patrono da Portela (e madrinha da Beija-Flor). A meu ver, a estrutura da obra ficou totalmente desconjuntada. Já a melodia alterna tons maiores e tons menores, mas não compromete a obra pois é muito envolvente. Não é um sambaço, mas que certamente é a obra mais importante da história da escola, isso não tenho dúvida!!! NOTA DO SAMBA: 7,9 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

3B - VILA ISABEL - Outro samba-enredo de excelente qualidade, assim como todos de 1976. De melodia pura e envolvente, a escola mais uma vez esteve muito bem servido na parte musical, o que não deixa de ser nenhuma novidade em se tratando de Vila Isabel. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

Samba apenas mediano, do veterano compositor Paulo Brazão (o grande nome da escola na fase pré-Martinho). O samba tem letra bem feita, mas a melodia é meio arrastada. A escola apresentou obras melhores na década. NOTA DO SAMBA: 7,5 (João Marcos).

Tendo novamente o diretor de teatro Flávio Rangel como carnavalesco, a Vila Isabel cantou, pela última vez, um samba composto por Paulo Brazão, até hoje, o maior vencedor de sambas-enredo da história da escola. “Invenção de Orfeu”, enredo sobre o homônimo poema de Jorge de Lima, originou uma obra dolente, incrementada pela bela interpretação de Barbinha e pelos acordes certeiros de um violão durante a faixa. A letra é a cara do compositor, infestada de imagens altamente poéticas do início ao fim. A melodia ultrapassa as barreiras do romantismo, translando da maneira mais sutil possível aos ouvidos, o que facilita ainda mais o entendimento da letra. A meu ver, a melhor faixa do disco. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Gabriel Carin).

Se prepara meu amigo, pois a partir do antológico sambaço da Vila Isabel só vem pedrada atrás de pedrada!!! "Invenção de Orfeu" é dotada de letra altamente inteligente, repleta de adornos poéticos que sintetizam com criatividade o complexo poema de Jorge Lima - que normalmente tem sorte em sambas enredos (Tupi 1974 e Mangueira 1975 são obras-primas fantásticas). A melodia é leve, cadenciada, que, aliada à excelente interpretação de Barbinha, proporciona uma singeleza descomunal. A obra-prima de Rodolpho, Paulo Brazão e Irani, possui três refrões maravilhosos, sendo que o segundo "Navegando, navegando/navegando sem parar/dedilhando sua lira/fazendo o vento cantar" é simplesmente fantástico. A partir do trecho "Em seus devaneios/imagens diferentes..." o sambão apresenta um desenho melódico impactante, envolvendo ainda mais o ouvinte. Não dá para entender como alguns sambistas se negam a reconhecer a qualidade deste sambaço extraordinário, que evidentemente não quebra a corrente da Vila de apresentar obras antológicas em anos bissextos, vide os mega-sambões de 1968, 1972, 1976, 1980, 1984 e 1988. A escola tambem chorou o falecimento de seu fundador, Antonio Fernandes da Silveira, conhecido popularmente como "Seu China" em 76. NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

4B - SÃO CARLOS - Além de Neguinho da Beija-Flor, outro célebre intérprete fez a sua estréia no microfone oficial de uma escola em 1976: Dominguinhos da Estácio. E o motivo da promoção foi o mesmo: a consagração máxima no concurso de samba-enredo da escola, já que seu samba fora o campeão. Na verdade, Domingos da Costa Ferreira já se encontrava na agremiação desde 1972 como cantor de apoio. Aquela era uma época em que não existia exatamente o posto de intérprete oficial: o compositor campeão geralmente assumia o posto pelo menos naquele ano, gravando o samba no disco e cantando na avenida. A consagração de Neguinho e Dominguinhos como intérpretes ocorreu devido à seqüência seguida por eles nas escolas. Sobre o samba, é maravilhoso! Simplesmente um dos melhores de todos os tempos. Curtinho, mas com uma melodia envolvente e uma letra que, mesmo pequena, esclarece tudo de forma clara. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Reeditado pela Estácio de Sá em 2005, quando a escola se consagrou campeã do Grupo B, "Arte Negra da Legendária Bahia" tem um balanço irresistível, ressaltado pela brilhante interpretação de Dominguinhos, um dos autores do samba. A escola enfileirava clássico atrás de clássico e este aqui é um de seus melhores sambas. NOTA DO SAMBA: 9,5 (João Marcos).

Obra primorosa, assinada por Dominguinhos do Estácio e Caruso, autor de mais de uma dezena de sambas-enredo na agremiação. A letra, muito bem construída tecnicamente, alude de forma didática as incontáveis influências dos povos africanos na cultura baiana. O samba não possui muitas variações, pois se baseia na repetição intensa e proposital do mesmo tema melódico durante todas as suas três partes, gerando a efeito simples e gostoso de cantar. Outro detalhe chamativo é o uso de bises no lugar de refrões, que dão apenas um complemento ao fundo sonoro do último verso de cada parte. Ótimo samba! NOTA DO SAMBA: 9,5 (Gabriel Carin).

Mais um sambaço da agremiação do Morro de São Carlos tal como no ano anterior. "Arte Negra na Legendária Bahia" possui melodia extremamente valente que enriquece a obra composta por Caruso e Dominguinhos do Estácio, que acabou estreando no microfone titular da escola para o bem dos ouvintes sambistas. O refrão principal "Saravá/atotô obaluaê/Iemanjá/Ogum Oxumarê", apesar de ser apenas uma saudação aos orixás, é dotada de energia absolutamente infindável. Mesmo sendo curta e simples, a letra descreve o enredo afro com uma sagacidade invejável. O sambão ganhou ainda mais importância devido à conquista do Acesso B 2005, quando a própra Estácio o reeditou. Uma pedrada incontestável!!! NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

5B - EM CIMA DA HORA - Como uma agremiação que compõe uma obra-prima de samba acaba o desfile rebaixada, na penúltima colocação? "Os Sertões", inspirado na obra de Euclides da Cunha, cativou pela sua simplicidade na letra e na melodia emocionante. Com justiça está presente na lista dos melhores sambas-enredo de todos os tempos. Mesmo rebaixada, levou o Estandarte de Ouro de melhor samba, embora reze a lenda que o samba não tenha cativado tanto o público no momento do desfile. Mas não tem como não se emocionar com estes versos: "Marcados pela própria natureza/O Nordeste do meu Brasil/Oh! Solitário sertão/De sofrimento e solidão/A terra é seca/Mal se pode cultivar/Morrem as plantas e foge o ar/A vida e triste nesse lugar". NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

O samba mais perfeito da história do carnaval carioca. Não há nada que se possa falar contra esta obra. A melodia é emocionante, casa-se perfeitamente com a letra, que resume de forma impressionante o livro "Os Sertões" de Euclides da Cunha. Estão ali presentes as duas partes do tratado, sendo que a mensagem chave do livro, a de que "o sertanejo é, antes de tudo, um forte", tornou-se o refrão do samba. Depois de descrever o clima e o ambiente desértico do sertão, sem melodrama, como um relato jornalístico e sociológico, como no livro, o samba termina descrevendo em tom geral a guerra dos canudos. Quem leu "Os Sertões" se espanta com a perfeição da letra. Em mais uma lenda de internet, que se encontra em fóruns de carnaval, conta-se que o samba não funcionou na avenida. Muito pelo contrário - o samba, que tinha passado em branco nas rádios até então, foi entoado pelos componentes da Em Cima da Hora de forma emocionante, enquanto as fantasias e alegorias derretiam devido as "lágrimas do céu" - a chuva que caiu e prejudicou a pequena escola de Cavalcante. O desempenho da obra, apesar de não ter conseguido salvar a Em Cima da Hora (o que me leva a crer que nenhuma outra poderia fazer isso), foi tão boa que o samba faturou o Estandarte de Ouro e é incluído em todas as listas de melhores de todos os tempos. Não há como dar outra nota para esse samba. NOTA DO SAMBA: 10 (João Marcos).

Poucas vezes na história do carnaval carioca, o bamba verdadeiro teve a oportunidade de ouvir um samba tão esplêndido quanto este. Trata-se de uma obra-prima, que fulgura unanimemente em qualquer Top 10 dos maiores sambas-enredo de todos os tempos. A letra retira tudo aquilo que há de mais marcante na obra de Euclides da Cunha e serve didaticamente de síntese do belo livro. Não consta, em momento algum, a presença de termos dramáticos, classudos ou rebuscados. O uso de figuras de linguagem, ao contrário do clássico euclidiano, é restrito e seu vocabulário é de fácil compreensão. Entretanto, o samba busca na suavidade sua matéria-prima poética, representando com delicadeza o cenário árido do Nordeste, a valentia do sertanejo e a fatalidade da Guerra de Canudos, justamente as três principais seções da história original. A melodia tem uma interligação sentimental com as imagens da letra capaz de levar o sambista às lágrimas. Indiscutivelmente belo, “Os sertões” é o clássico dos clássicos! NOTA DO SAMBA: 10 (Gabriel Carin).

"Sertanejo é forte/supera a miséria sem fim/sertanejo homem forte/dizia o poeta assim". Na verdade, se estivesse vivo em 76, esse "poeta" diria assim após ouvir essa obra-prima: "INCRÍVEL, FANTÁSTICO, EXTRAORDINÁRIO!!! Que me perdoem os portelenses - ao usar o título do enredo de 1979 - mas certamente Euclides da Cunha falaria isso. Porque esse sambaço é tão maravilhoso, tão magnífico, que fica difícil de dar somente DEZ. E olha que esse sambaço - feito esplendidamente pelo compositor Edeor de Paula - não era o favorito na disputa, e sim a composição de Baianinho. Reza a lenda que, no dia da final de sambas, o jornalista Sergio Cabral (que é um ilustre torcedor da escola) ficou tão maravilhado com a obra de Edeor que acabou fazendo a cabeça da diretoria da agremiação de Cavalcanti, que acabaram proclamando, com toda a razão do universo, o sambão vencedor. Mais impressionante mesmo é a quantidade de versões feitas sobre o conturbado desfile da escola, que conseqüentemente culminou no rebaixamento para o Segundo Grupo. Vi até em forum de carnaval na internet que a Em Cima da Hora sofreu sabotagem, pois um "maldoso" indivíduo fechou o barracão da escola muito cedo, e assim atrasou alguns componentes que iriam buscar suas fantasias. Certeza mesmo é que choveu bastante na apresentação da escola - que foi a primeira a desfilar em 76 - mas mesmo assim, os componentes entoaram o sambão como se nada estivesse acontecendo. Outra evidência: na minha opinião "Os Sertões" é o melhor samba de enredo feita por uma agremiação emergente em todos os tempos pra sempre. É um dos pouquíssimos sambas que possui VIDA ETERNA. Não tem o que se discutir!!! NOTA DO SAMBA: 10 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

6B - UNIDOS DE LUCAS - "Mar Baiano em Noite de Gala" é mais um samba de melodia original e envolvente que possui unanimidade entre os bambas. O refrão "Muçurumim nagô..." possui uma melodia singular. Tanto que, enquanto no disco de 1976 ele encerra o samba, no CD do Grupo B de 2005 (ano em que a escola reeditou o tema) o samba-enredo se inicia com este refrão magnífico. Destaque para a interpretação do falecido Carlão Elegante e seu timbre valente no disco (embora ele force um pouco ao pronunciar palavras como "participar" e "mar"). NOTA DO SAMBA: 9,6 (Mestre Maciel).

"Mar Baiano em Noite de Gala" é o último registro do Galo da Leopoldina no grupo principal do carnaval carioca. É um samba cumprido, de proporções épicas, com uma pegada impressionante, refrões empolgantes e letra bem feita. No refrão final, o samba ainda tem uma variação de melodia, indo para tom maior, que dá mais força ainda para a entrada do samba, em tom menor. A obra, apesar de excelente, não salvou a escola do rebaixamento em 1976, mas salvou em 2005, quando foi reeditada, agora no Grupo B. Mesmo com um desfile paupérrimo, o samba deu um sacode, garantindo a escola na Marquês de Sapucaí. Lucas, que no passado era chamada de "quinta força" e chegou a ser campeã nos tempos de "Unidos da Capela" (antes da fusão que deu origem a escola), merecia melhor sorte. Os sambistas deveriam se unir para tirar a Unidos de Lucas e a Em Cima da Hora da situação em que se encontram atualmente, resgatando duas escolas que representam a grande tradição do samba carioca. NOTA DO SAMBA: 9,7 (João Marcos).

Com três refrões emocionantes, o samba do Galo de Ouro é de primeira categoria e marcou a estréia solo de Max Lopes como carnavalesco. Os compositores souberam recriar com sagacidade toda a atmosfera mística que envolve as manifestações religiosas afro-baianas. A melodia imponente intercala de tom menor para maior em momentos bem oportunos, como na cabeça do samba, em que ele faz uma louvação em afro e muda rapidamente sua corrente sonora para um lugar inesperado ao ouvinte, seguida pela narração do enredo em alta velocidade. O tema é apresentado através de ricas imagens poéticas, permitindo a capacidade do sambista de visualizar com clareza aquilo que está sendo retratado pela letra. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Gabriel Carin).

A última pedrada do bolachão!!! A garnde virtude de "Mar Baiano em Noite de Gala", assim como outros sambões de 1976, é que são obras-primas que sobreviveram ao tempo. Tanto que o Galo de Ouro o reeditou 29 anos depois e acabou salvando-se de um possível rebaixamento, já que a escola em 2005 passava por uma grave crise financeira. É uma obra atemporal e sobretudo funcional, pois seus três fantásticos refrões são de uma energia contagiante. A entrada da primeira parte "O negro chegou/as terras da Bahia/no tempo do Brasil colonial" é simplesmente maravilhoso. Outro ponto de destaque é o refrão final "Muçurumim nagô/Omolokô/Congo e Guiné/Atotô de Zambi/rei do candomblé" que melodicamente é de cair o queixo. Enfim, mais um sambão da Unidos de Lucas, a última obra quando ainda estava passeando pelo Grupo Especial. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba

7B - SALGUEIRO - Samba pouco comentado entre os bambas, também se trata de uma grande obra. De melodia bastante inspirada e um refrão maravilhoso, o Salgueiro, no seu primeiro ano sem Joãosinho Trinta, desfilou com um samba-enredo belíssimo, cantado no disco por uma mulher: Dinalva. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

A escola, sem Joãozinho Trinta, buscou o Tricampeonato com esse samba, que encerra o LP. Cantado por uma mulher, a intérprete Dinalva, no disco a melodia se apresenta num tom muito alto, que provavelmente não foi utilizado no desfile, caso contrário dificultaria demasiadamente o canto. O samba é muito forte. O refrão é um exemplo de simplicidade e eficiência. Entretanto, o Salgueiro não estava num bom momento e só amargou a quinta colocação geral. Por causa disso, este bom samba não tem o reconhecimento que merece, já que é do mesmo nível dos sambas de 74 e 75, clássicos da escola. NOTA DO SAMBA: 9,2 (João Marcos).

Após 16 anos de aliança à equipe de Fernando Pamplona no comando vitalício de seus carnavais, pela primeira vez, o Salgueiro aparentou não ter condições de realizar um desfile antológico. A escola, agora sem a liderança de Joãosinho Trinta, colocou fé no trabalho do jovem artista Edmundo Braga, que apostou em uma temática afro, especialidade da agremiação, inspirado no antigo cais do Valongo, onde desembarcaram milhares de escravos em navios negreiros vindos da África. A obra de Djalma Sabiá apela para emoção sem pieguice, uma vez que o samba, em tom maior, é alegre e descompromissado. O refrão único chama atenção pela credulidade. Mesmo com um belo visual, em tonalidades claras e leves, o Salgueiro não passou da 5ª colocação, até porque era difícil superar as demais primeiras agremiações. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Gabriel Carin).

Desgastados com a diretoria salgueirense - chefiada pelo então presidente Osmar Valença - o carnavalesco Joãosinho Trinta e o diretor de carnaval Laíla arrumaram as malas e rumaram para Nilópolis. O resto da história todo mundo já sabe! E assim, o inédito tricampeonato foi para o limbo. Com relação ao samba, "Valongo" possui letra totalmente fiel ao enredo, que fala sobre a chegada dos negros escravos ao Rio de Janeiro. A melodia apresenta momentos inspiradíssimos como nos versos "Sua cultura, suas músicas e danças/reunem aqui/suas lembranças". Seu único refrão "ôô ôô quando o tumbeiro chegou/ôô ôô o negro se libertou", usado na parte final da obra, é divinamente explêndido, causando certa comoção ao sambista. Na gravação original, a interprete Dinalva não chega a comprometer, entretanto, prefiro muito mais a regravação da obra interpretada pelo mestre Abílio Martins, registarada no LP "História do Brasil através dos Sambas de Enredo - O Negro no Brasil". NOTA DO SAMBA: 9,3 (Luiz Carlos Rosa). Clique aqui para ver a letra do samba