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Os sambas de 1971

Os sambas de 1971

A GRAVAÇÃO DO DISCO - Os sambas de 1971 são apresentados com uma bateria bem tradicional, ao ritmo de batucada. A cuíca está presente em todas as faixas. Na primeira passada do samba, apenas o intérprete (que tem sua voz bastante valorizada na gravação) o entoa ao som do pandeiro. O coral (que já não é tão forçado pelas pastoras em relação aos discos anteriores) entra a partir da segunda passada, juntamente com a bateria (o intérprete volta a cantar sozinho na segunda parte do samba na segunda passada). Os destaques da safra ficam por conta das obras apresentadas por Mocidade, Portela, Império da Tijuca, Imperatriz e o revolucionário Salgueiro. NOTA DA GRAVAÇÃO: 7 (Mestre Maciel).

1A - SALGUEIRO - Zuzuca foi um dos responsáveis pela revolução do samba-enredo através de "Festa para um Rei Negro", que tornou-se conhecido popularmente como "Pega no Ganzê". O compositor inseriu no samba-enredo salgueirense de 1971 um ritmo dançante, oriundo do caxambu, e nele consta um dos primeiros refrões contagiantes da história do carnaval: "Olelê/Olalá/Pega no ganzê/Pega no ganzá", cuja letra e melodia até hoje inspira paródias de cantos de torcida. Para compor o primeiro refrão oba-oba da história, Zuzuca inventou o termo "ganzê" só para rimar com o "olelê" do refrão e combinar com o "ganzá" da letra. Hoje isso seria interpretado como "total falta de criatividade". A melodia bonita e animada da parte restante do samba também contribuiu para que o hino do Salgueiro de 1971 fosse o "hit" de maior sucesso do carnaval daquele ano. Ah, que tempos aqueles quando um samba-enredo era cantado na ponta da língua por todos... Hoje temos que suportar Egüinhas Pocotós e Festas no Apê com Bundalelê tomando conta do nosso carnaval. É triste! O samba foi um dos responsáveis pelo título da escola no desfile de 1971. Zuzuca estaria de volta no ano seguinte como o responsável pelo samba do enredo em que a Mangueira era exaltada como a madrinha do Salgueiro, mas este samba não repetiria o sucesso de Pega no Ganzê. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Mestre Maciel).

Um dos sambas-enredo mais conhecidos da história. Quem não conhece "Olêlê, olálá / Pega no ganzê / Pega no ganzá"? Bom, falando do samba: o seu refrão é maravilhoso, dá vontade de sair cantando. As demais partes não apresentam nada demais, já que são de mesma melodia, com versos praticamente iguais. Na eliminatória desse ano tinha um samba de autoria de Bala, que era muito superior, com o refrão: "Senhor, ah, senhor, agora sei / Que eu também tenho rei". Um bom samba. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Vitor Ferreira).

Um dos sambas mais conhecidos do Salgueiro (ou seria um dos REFRÔES mais conhecidos?), até por quem nao é apreciador de samba enredo. Apesar de ser animadaço, acho letra e melodia não muito inspiradas. Sem dúvida, um clássico salgueirense! NOTA DO SAMBA: 9,5 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

2A - VILA ISABEL - O samba da Vila de 1971 possui uma letra das antigas, onde a poesia se sobressaía. A melodia é bastante lírica, aliada a um refrão central animado "Gira gira moenda/Gira sem parar/Pra fazer garapa/Pra negro velho tomar". O samba é bom, mas a Vila possui obras bem melhores. NOTA DO SAMBA: 9 (Mestre Maciel).

Me agrada. A primeira parte é muito boa, principalmente no trecho: "Nos terreiros bandeiras a oscilar / Sorriam brancos e negros / Ao verem a moenda girar". O refrão é o auge da obra. A segunda parte é boa também, como todo o resto da obra. Não é um dos melhores da Vila, mas é um bom samba. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Vitor Ferreira).

Bom samba da Vila. A primeira parte até o refrao (animadaço) é o melhor do samba. Sempre gostoso de ouvir, é um bom samba da escola de Noel. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

3A - MOCIDADE - A obra-prima da agremiação de Padre Miguel! "Rapsódia de Saudade" é, sem dúvida, o melhor samba-enredo da história da Mocidade e também um dos maiores de todos os tempos. A melodia deste samba é algo extraordinário, pois ela é de emocionar, de arrancar lágrimas até de quem não é bamba. E a letra poética também é um primor. Os dois refrões (principalmente o central) estão no hall dos melhores da história do carnaval. Volta e meia me encontro cantarolando esta obra-prima de primeira qualidade. Tôco, o autor do samba, até hoje está ativo como compositor da Mocidade. Ele é pai do atual intérprete da escola Roger Linhares. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Um dos melhores do ano, senão o melhor. Um dos melhores da Mocidade, senão o melhor também. A primeira parte é de intenso agrado. O refrão central é sem igual, maravilhoso, excelente, divinal... A segunda parte também é muito boa. O refrão principal também é excelente. Enfim, uma obra-prima de Tôco, um dos melhores compositores da história. NOTA DO SAMBA: 10 (Vitor Ferreira).

Um dos grandes sambas da Mocidade, e uma das maiores obras do compositor Toco. Além de poético, é emocionante. Singular. Obra prima! NOTA DO SAMBA: 10 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

4A - IMPERATRIZ - O refrão principal "É tempo de barra de ouro..." é difícil de ser cantado, pois seus versos são entoados de forma muito rápida. Já no refrão central ("Inaê que vem do tempo, que traz o vento/Que faz o ouro/Rolar no rio/Que faz o rio rolar pro mar, rolar pro mar"), o trocadilho de palavras confunde um pouco o canto. Mesmo assim, os dois refrões são de grande qualidade, assim como o restante do samba, de melodia primorosa. O refrão "Olha a saia dela, Inaê..." é uma boa pedida para a ala das baianas. Este belíssimo samba ganhou em 1993 uma extraordinária regravação de seu autor Niltinho Tristeza na Coletânea Sony da escola. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Mestre Maciel).

Simplesmente adoro. É um samba bem corrido. O refrão principal é muito bom, apesar de, como todo o resto, ser entoado muito rapidamente. A primeira parte é maravilhosa. O refrão central me agrada, apesar de ser uma parte quase impossível de ser cantada. O refrãozinho depois é de intenso agrado. A última parte não me agrada muito, não, mas tem sua beleza. Um ótimo samba. NOTA DO SAMBA: 9,9 (Vitor Ferreira).

Outro compositor que eu gosto muito, Zé Catimba. Aqui,junto com Niltinho, fez um sambão super animado, corrido, com refrões de enrolar a lingua, mas extremamente melodiosos. Tentem cantar esse aqui (rápido) sem enrolar a lingua "Inaê que vem do tempo/ Que traz o vento /Que faz o ouro rolar no rio/Que faz o rio rolar pro mar, rolar promar"... esplêndido! NOTA DO SAMBA: 10 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

5A - IMPÉRIO SERRANO - Samba sem refrões de melodia doce e agradável, com grande simplicidade. O hino da Serrinha de 1971 é daqueles que, ao escutar, você percebe a calmaria despontando em sua mente de tão leve que é. Receberia uma magistral regravação de Roberto Ribeiro doze anos depois. Belo momento da Império Serrano! NOTA DO SAMBA: 9,7 (Mestre Maciel).

Muito bom, ótimo. Bela homenagem a Bahia. O samba como um todo é excelente. A melhor parte é quando começa a falar da plantação até o final. Lindíssimo. Um dos melhores sambas do Império Serrano, o que é muito difícil, já que o Império tem a melhor safra de sambas-enredo de todos os tempos. NOTA DO SAMBA: 10 (Vitor Ferreira).

Samba com melodia inspirada, e letra não muito. Exemplo é o trecho "Eia, eia, eia, boiada/Eia, eia o vaqueiro canta assim". Acho fraco, mas a melodia compensamuito a letra simplória. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Eduardo).  Clique aqui para ver a letra do samba

1B - MANGUEIRA - Belo samba, com as excelentes variações melódicas características da verde-e-rosa. O hino mangueirense de 1971 (que tem a cara da escola) possui dois refrões muito bonitos: o primeiro ("Trago neste enredo/Fatos bem marcantes/Os modernos bandeirantes") e o penúltimo ("E caminhando vai o meu Brasil/para frente"), embora sua letra seja um tanto trash. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Mestre Maciel).

Não gosto muito desse samba. A primeira parte é bela, mas não é grande coisa. A segunda é o melhor trecho da obra. O bis "E caminhando vai o meu Brasil / Para frente" não me agrada. O refrão é bom, mas é só isso. Um samba-enredo esquecível. O intérprete que canta na gravação que tenho (não sei se é a oficial, acho que é) é muito ruim. NOTA DO SAMBA: 9 (Vitor Ferreira).

O refrão central é minha parte preferida do samba. Como um todo é um bom samba da Manga, contando a historia da nossa aviação. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

2B - IMPÉRIO DA TIJUCA - A queridíssima e tradicional agremiação canta em 1971 o seu melhor samba. "O Misticismo da África ao Brasil" é indiscutivelmente um primor de samba-enredo. Ele seria regravado anos mais tarde pelo conjunto MPB-4. Sua melodia muito bem variada é bastante envolvente e, no disco, ganha uma interpretação magistral do lendário Mário Pereira, o popular Marinho da Muda. Não tenho mais palavras para elogiar mais esta obra-prima do carnaval. NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Muito bom. O samba começa muito bem, principalmente nos três primeiros versos. A primeira parte é maravilhosa. o refrão central é sem igual. A segunda parte é divinal também. O refrão principal segue a mesma linha. Um dos grandes sambas-enredo do Imperinho. NOTA DO SAMBA: 10 (Vitor Ferreira).

Um dos melhores sambas da escola. Sambaço na verdade! Letra inspirada, sempre que esse samba começa, já começo a cantarolar "lua alta...". Que dizer mais? É um samba maravilhoso!!! NOTA DO SAMBA: 10 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

3B - UNIDOS DE PADRE MIGUEL - Excelente samba! Com uma melodia de grande qualidade, a escola exalta a obra de Sérgio Porto, o popular Stanislaw Ponte Preta. Seus três refrões são bastante envolventes. Aliás, este formato de samba-enredo dividido em três partes e três refrões não costuma mais ser utilizado nos dias de hoje (o normal é duas partes com dois refrões). No disco, destaque para a paradinha da bateria na segunda passada do samba. Era a Unidos de Padre Miguel imitando a sua vizinha Mocidade Independente. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Mestre Maciel).

Me agrada, mas não é grande coisa. A primeira parte não é grande coisa. O refrão é bom, mas não é lá grande coisa. A segunda parte é maravilhosa. O refrão é bom, mas não é grande coisa também. A terceira parte é de intenso agrado e o refrão também. Bela homenagem a Sérgio Porto. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Vitor Ferreira).

Samba agradável de se ouvir. O refrão principal é o auge da homenagem a Sérgio Porto, feito de maneira bem humorada. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

4B - SÃO CARLOS - Samba de melodia bem cadenciada e bastante tradicional (a começar pelo "lalalaiá" que abre o samba). Foi a única escola do Especial a citar na letra o tricampeonato conquistado pela Seleção Brasileira no México no ano anterior. No disco, a segunda passada do samba ganha um balanço irresistível da bateria. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Mestre Maciel).

Ótimo samba-enredo. O lárárá é divinal. A primeira parte é muito boa. O refrão central é maravilhoso, um dos melhores pontos da obra. A segunda parte é esplêndida. Um dos melhores sambas-enredo da São Carlos. Não ganha tanto destaque no disco, por causa dos sambas do Salgueiro, Mocidade, Império Serrano, Império da Tijuca e Portela. NOTA DO SAMBA: 9,9 (Vitor Ferreira).

Pra orgulhar a gente da nossa terra "Brasil Turistico" é um dos grandes sambas da escola. Além de nos fazer passear pelas riquezas brasileiras, cita o nosso, na época, tricampeonato de futebol. Belo samba. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

5B - PORTELA - Acostumada a compor relevantes obras-primas, vira costume por parte da Portela cantarolar sambaços da estirpe de "Lapa em Três Tempos". O hino portelense de 1971 marca presença em muitas listas particulares de melhores sambas de todos os tempos. Com justiça! A parte inicial "Abre a janela formosa mulher..." e, sem dúvida, uma das mais clássicas de todos os sambas de enredo. A parte restante do samba é extraordinária, com uma melodia lírica e envolvente. Quem sabe pela primeira vez não ouvíamos a expressão que hoje se tornou um costumeiro clichê (e um grande "hit" futuro): "O samba vai levantar poeira". Não confundir com o falecido Noite Ilustrada, que pedia para SACUDIR a poeira e dar a volta por cima (outro clichê danado). Dois dos maiores intérpretes do carnaval gravaram "Lapa": Silvinho no disco original e Dedé da Portela para a Coletânea Sony da escola em 1993. Até 1971, não havia ainda o Prêmio Estandarte de Ouro para as melhores escolas em cada quesito. Se tivesse, provavelmente a Portela levaria o de melhor samba, disputando pau-a-pau com o popularesco samba salgueirense (embora Mocidade, Império Serrano e Império da Tijuca também merecessem). NOTA DO SAMBA: 10 (Mestre Maciel).

Um dos melhores sambas da Portela e do disco. Um samba-enredo sem falhas, é todo espetacular. A parte que mais gosto é o começo e o refrão: "Olha a roda de malandro / Quero ver quem vai cair / Capoeira vai plantando / Pois agora vai subir". Maravilhoso. Adivinhem a nota??? NOTA DO SAMBA: 10 (Vitor Ferreira).

Riquissima letra e melodia pra falar da Lapa dos cabarés, dos boêmios, dos famosos arcos... Sambas poéticos assim costumam me agradar muito. Um clássico! NOTA DO SAMBA: 10 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba