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Os sambas de 1968

Os sambas de 1968

A GRAVAÇÃO DO LP - Em fins de 1967, pela primeira vez, foi lançado um LP contendo os sambas das escolas que desfilariam no carnaval do ano seguinte. O disco, intitulado "Festival do Samba – Gravado ao Vivo" (capa reproduzida acima), foi produzido pela gravadora Discnews, e trazia os sambas de Salgueiro, Unidos de Lucas, Mocidade Independente, Império Serrano, Portela, Mangueira e Unidos de Vila Isabel, além de uma faixa com o ritmo das escolas de samba, identificadas pela voz de um locutor com sotaque nordestino. Outras três escolas desfilaram naquele ano e não tiveram seus sambas incluídos no bolachão: Unidos de São Carlos, Independente do Leblon (mais tarde Independentes do Cordovil) e Império da Tijuca. O outro LP, gravado pelo Museu da Imagem e do Som – MIS, contém as três faixas. Com o nome de "As dez grandes escolas cantam para a posteridade seus sambas–enredo de 1968", esta obra é raríssima nos dias de hoje, e eu tive de rodar um bocado para, finalmente encontrá–la na Feira de Antiguidades da Praça XV. Em breve, pretendo regravá–la em CD para colocar os sambas à disposição dos amigos, que, como eu, estão sempre a procura de raridades. Não vou aqui avaliar a gravação com notas, pois cabe ressaltar que os recursos disponíveis na época eram bastante limitados. Há de se ressaltar, porém, que a iniciativa foi importantíssima para que, pela primeira vez, o público já chegasse na avenida sabendo cantar os sambas. E, com relação a qualidade destes, há de se dizer que são tempos que não voltam mais. A qualidade melódica, a letra inteligente, e a harmonia entre canto, dança e ritmo praticamente não existem nesse carnaval "pra inglês ver" que temos hoje. Carnaval este em que escolas obscuras, que em nada contribuíram ou contribuem para a nossa cultura popular, se destacam apenas pelo fato de possuírem mais dinheiro do que as outras. Afinal, hoje, é o vil metal quem dá as cartas. (Cláudio Carvalho)

O primeiro volume do "Festival de Samba" tem gravação "ao vivo" e qualidade de som ruim. Entretanto, a péssima qualidade de gravação acaba tornando as performances mais 'energizadas', como se todos aqueles que estavam participando da gravação estivessem em um verdadeiro transe coletivo. É o espírito do carnaval como poucas vezes se ouviu registrado em LP. A safra é de boa qualidade, com destaque para o clássico samba da Unidos de Lucas, um dos melhores da história. No Festival de Samba não estão presentes os hinos de São Carlos, Independentes do Leblon e Império da Tijuca. NOTA DA GRAVAÇÃO: 8,0 (João Marcos).

Tenho agora o orgulho de comentar o primeiro LP contendo sambas-enredo anuais do carnaval carioca. Devemos todos nós este disco a Hélio Turco e a ala de compositores mangueirenses. Sabem por que? Foram eles os compositores do samba-enredo clássico de 1967, "Mundo encantado de Monteiro Lobato". Essa primorosa obra, que levantou ainda um campeonato para a verde-rosa, se tornou sucesso no Brasil inteiro na voz da cantora Eliana Pitman. As gravadoras de música despestaram um enorme interesse pelos nossos amados sambas-enredo. Daí, foram gravados, no final de 1967, sambas que seriam levados para a avenida no próximo ano, em 1968. Foram lançados dois LPs: o "Festival de Samba", da gravadora Codil, e o "As dez grandes escolas cantam para a posteridade seus sambas de 1968", gravado pelo MIS (Museu de Imagem e Som). Infelizmente, faltou o samba de três escolas no disco da Codil (São Carlos, Império da Tijuca e Independentes do Leblon). Ambas as gravações são muito precárias, tendo o objetivo (mal-sucedido) de priorizar a voz do cantor. Na primeira, os sambas são cantados só pelo intérprete. Na segunda passada, a bateria entra com as pastoras. Primeiro, que a bateria mais parece uma batucada mal-feita com latas, gerando um som oco, nada cadenciado. Segundo, que na maioria das faixas as pastoras aparecem muito desafinadas. Se a gravadora já sabia bem o tipo de gravação que eles tinha na época, por que forçaram tanto a barra??? Voltando a falar da bateria, eles pegaram somente uns poucos caras tocando alguns instrumentos de uma bateria convencional e botaram pra gravar. Conheço muitos discos da época e até mais antigos que têm qualidade de gravação muito melhores que este. Portanto, os "recursos disponíveis na época" não são justificativa para isso. Para outros que dizem que a gravação deixou o povão mais próximo do desfiles, ainda tenho minhas dúvidas. Eu vi há pouco tempo um vídeo com o desfile do clássico imperial "Heróis da Liberdade" em 1969. A emoção passada na avenida é algo completamente diferente desta precária gravação. Porém, nada abala a safra memorável deste ano, com três obras-primas: "Sublime Pergaminho", "Dona Beija, Feiticeira de Araxá" e "Exaltação a Portinari". Outras escolas também fizeram grandiosos sambas este ano, como Vila Isabel, Império Serrano, Mocidade e a bicampeã Mangueira. NOTA DA GRAVAÇÃO: 2,5 (Gabriel Carin).

Mangueira – "Samba – Festa de um Povo", música de Darci, Luís Batista, Dico e Hélio Turco, embalou o bicampeonato da verde-e-rosa. Trata–se de um dos mais famosos hinos mangueirenses, ao lado de Monteiro Lobato, Lendas do Abaeté e outros. De letra e melodia simples, a escola conta um pouco da história do gênero musical que ajudou a consagrar. A faixa do MIS conta com a participação de Cartola, ao violão. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Cláudio Carvalho).

Samba com a cara da escola, provavelmente um dos grandes trunfos para a conquista do bicampeonato. Hélio Turco criou uma fórmula que qualquer outro compositor da escola vai ter de seguir para ganhar samba na verde e rosa. Por causa disso, "Samba, Festa de Um Povo", se fosse reeditado, passaria tranquilamente por um samba atual, apesar de ser poeticamente mais rico do que qualquer samba feito hoje em dia. NOTA DO SAMBA: 9.0 (João Marcos).

Um clássico da verde-rosa! Grande samba mangueirense do mestre Hélio Turco e cia. Ajudou muito a levantar o bicampeonato em 1968 e até hoje encanta muita gente por aí. Tem uma letra incrivelmente poética e uma melodia muito simpática, até um pouco pesadinha (algo comum nos sambas verde-rosas dos anos 60). Os refrões são as únicas partes que podiam ser um pouquinho mais caprichadas. Mesmo assim, é uma obra fantástica, uma bela homenagem ao relicário do samba! Gosto muito do trecho "Oh! Melodia/Oh! Melodia triunfal/Sublime festa de um povo/Orgulho do nosso carnaval". Meu colega comentarista e webmaster do Sambario, Marco Maciel, considera este um dos melhores sambas-enredo da história da verde-rosa. Eu substituo a intulação dele pelo meu amado "O Século do Samba" (1999), cujo tema é o mesmo. Este samba de 1968 é inferior ao do ano anterior ("Mundo encantado de Monteiro Lobato") e do ano seguinte ("Mercadores e suas tradições"), mas é uma boa obra. Parabéns pelo bi, Mangueira!!! A ausência dele na Coletânea Sony de 1993 é bem estranha. Não entendo porque cismam em dizer que Cartola só gravou seu primeiro samba em 1974, já que foi ele que cantou esse samba verde-rosa de 1968 no LP da MIS. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Gabriel Carin).

Não gosto muito desse samba, não! Aliás, não gosto desses sambas muito cadenciados. A primeira parte é boa, mas não é lá grande coisa. O refrão central é muito bom, gosto bastante. A segunda parte mantém a mesma linha da primeira, mas a parte que fala assim: "Oh, melodia / Melodia triunfal / Sublime festa de um povo / Orgulho do nosso carnaval" é lindissíma. O refrão principal não é muito bom, mas dá para escutar. Bom samba, mas não me agrada. O samba do ano anterior é muito melhor. NOTA DO SAMBA: 9.0 (Vitor Ferreira).

Gosto deste samba. Um ano após o lançamento do grande clássico "O Mundo Encantado de Monteiro Lobato", o samba da Mangueira é uma das quatro grandes obras da LP, samba-enredo que consagrou o bicampeonato da escola. A melodia é comum e muito lenta, porém a letra do samba é muito forte, trazendo características líricas em sua poesia, muito comum nas obras consagradas nos anos 60. Por sinal, a poesia é de muito bom gosto, uma verdadeira exaltação ao samba. NOTA DO SAMBA: 8,6 (Vitor da Comissão).

Bela obra! Uma verdadeira ode ao samba. O refrão central é maravilhoso. Samba que deve ser lembrado sempre. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

Unidos de São Carlos – Desde os tempos mais antigos, a bateria da Estácio já trazia o legado de jogar pra frente, e em "Uma visita ao museu Imperial", a história não é diferente. Trata-se de mais um samba com rimas certinhas e "lararaiá" no refrão, como era característica na época. NOTA DO SAMBA: 9,0 (Cláudio Carvalho).

Samba animadinho, num enredo interessante (Museu Imperial). O resultado é muito bom para um enredo complexo. Porém, ainda não entendi se o enredo trata do Museu Imperial de Petrópolis ou da Quinta da Boa Vista (aqui no Rio). Creio que deve ser o de Petrópolis mesmo, pois a coroa, as jóias, o fardo e as carruagens do imperador Dom Pedro estão lá (mas o nome é o mesmo). O refrão "Encerra passagem da nossa história/Todo o passado de glória/Deste exuberante relicário" é muito bom. A obra merecia uma regravação pra não cair no ostracismo. NOTA DO SAMBA: 9,3 (Gabriel Carin).

Gosto desse samba, chega a ser até alegre. A primeira parte é muito boa, mas nada demais. O refrão central é bem legal. A segunda parte é a melhor deste bonito samba. O lárárá é bem legal. NOTA DO SAMBA: 9.4 (Vitor Ferreira).

Samba pouco famoso, possui melodia muito gostosa de se ouvir, mas aprendi certa vez com um amigo a observar um aspecto no samba: obras com muito "lalaiá" falta poesia, já que onde a melodia traz consigo os "lalaiás", poder-se-ia trazer versos que enriqueceriam mais anda a beleza poética da obra. Tirando o clichê, a obra da futura Estácio de Sá é muito bonita. NOTA DO SAMBA: 7,9 (Vitor da Comissão).

O samba tem boa melodia, aliada a uma letra que me soa estranha em alguns momentos, nestes trechos - 'bela recordação, promovida a inspiração' e 'meu mensageiro feliz, lembra a visita que fiz'. Samba razoável da escola. NOTA DO SAMBA: 9 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

Império Serrano – "Pernambuco, Leão do Norte" é um dos menos conhecidos êxitos de Silas de Oliveira, pois foi composto quase na mesma época de "Aquarela Brasileira", "Cinco Bailes da História do Rio" e "Heróis da Liberdade", três dos melhores sambas da história da escola da Serrinha. É um samba de riqueza melódica incomparável, e letra que destoa das demais em qualidade. Ao ouvir esse LP, a sensação que se tem é que, em se tratando de samba–enredo, o Império estava um passo a frente das demais escolas da época. Pudera: lá estava o maior compositor do gênero em todos os tempos, que eu tenho a honra de citar pela primeira vez no Sambario: Silas de Oliveira. Uma curiosidade: no LP do MIS, cantam Mano Décio e Molequinho. NOTA DO SAMBA: 9.8 (Cláudio Carvalho).

"Pernambuco, Leão do Norte" é um samba atípico até para os anos 60. Lembra um pouco os primeiros sambas que Silas de Oliveira compôs para o Império Serrano. Tem letra curta, palavreado rebuscado e o tradicional "lá lá ia" ditando o canto dos componentes. O destaque da composição, no entanto, é a melodia, inusitada e muito forte. Este é o pior dos sambas de Silas no seu período de ouro (de 1964 a 1969, quando venceu todas as disputas do Império), mas, ainda assim, é excelente. NOTA DO SAMBA: 9,4 (João Marcos). 

Obra-de-arte de Mestre Silas de Oliveira! "Pernambuco, leão do Norte" é considerado seu pior samba no seu período dourado (1964-1969), mas mesmo assim é maravilhoso. É um clássico extraordinário do Viga Mestre imperiano! Sua letra é primorosa, com rimas belíssimas, coisa que só gente campeã consegue fazer, pois conta muito bem o enredo pernambucano. A melodia é singular, pois é um dos únicos sambas que, quando são cantados aceleradamente, ficam mais gostosos e dançantes. A parte "Evocando os palmares/Terra de Bamboriki/Ainda ouço pelos ares/O retumbante grito do Zumbi" é um delírio para os amantes de samba-enredo. Boa obra, apesar de não ser o melhor samba dele. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Gabriel Carin).

Gosto bastante desse samba. O lárárá é bastante agradável. A resto do samba também é de intenso agrado, apesar de a palavra "página" ser impossível de ser ouvida, pois é pronunciada muito rapidamente. É um bom samba, mas não chega aos pés dos outros de Silas de Oliveira. NOTA DO SAMBA: 9.2 (Vitor Ferreira).

Grande Silas de Oliveira trouxe-nos um samba que apesar de não ser o melhor composto pelo mestre, é um bom samba... E que samba! Outra obra de melodia lindíssima que obteve poesia prejudicada pelos "lalaiás". Traz bastante informação sobre o enredo dentro de seus versos exaltados com recursos líricos. Samba bom. NOTA DO SAMBA: 8,5 (Vítor da Comissão).

Uma das excelentes obras de Silas de Oliveira. Letra e melodia perfeitas. O samba alterna dolência e muita raça na letra. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

Independentes do Leblon – Essa escola, que reunia os moradores da extinta favela da Praia do Pinto (transformada no conjunto Selva de Pedra), teve a sede transferida para a Cidade Alta tempos depois, durante o projeto de urbanização do Rio. Em 1968, ela trouxe um belo samba, cujo enredo ("Aspecto do Rio e Vida Carioca no Séc XVIII") lembra um pouco o da Mangueira. Talvez o pecado fique por conta das notas por demais alongadas, o que não chegava a ser tão prejudicial na época, uma vez que não havia tempo delimitado para desfile, nem o mesmo contingente de hoje. NOTA DO SAMBA: 9,0 (Cláudio Carvalho).

A Independentes do Leblon, que tinha sua quadra localizada no morro da Praia do Pinto, por pouco não correu risco de desaparecer. Em 1969, asede da escola viria a ser transformada pela prefeitura em um conjunto residencial, o que literalmente despejaria os sambistas no olho da rua. Entretanto, com muito esforço, os moradores do bairro conseguiram reerguer a agremiação e montar uma nova quadra, na Cidade Alta, fundando assim a Independentes do Cordovil. Quanto ao samba de 1968, ano de sua última aparição no Primeiro grupo, é relativamente bom. O grande destaque da obra é sua letra, recheada de lirismo e capaz de contar o enredo com competência (apesar de uns errinhos de métrica aqui e acolá). Infelizmente, o maior pecado desse samba é justamente sua melodia, principalmente na primeira parte. As variações são escassas, sem brilho e o hino acaba beirando a monotonia. Porém, como se partisse do zero, a obra cresce assustadoramente do ponto de vista melódico em sua segunda parte, conseguindo enfim cativar o ouvinte. Ambos os refrões são bonitos. É o segundo pior samba do ano e ainda sim agrada. NOTA DO SAMBA: 8,6 (Gabriel Carin).

Esse samba não me agrada muito, não. A primeira parte não traz nada demais, nem de menos. O refrão central é bem bonito. A segunda parte me agrada, pois é mais rápida. O refrão principal é belíssimo. Um bom samba, mas... NOTA DO SAMBA: 8.8 (Vitor Ferreira).

Considero esta obra como um samba razoável, nem muito bom, mas não chega a ser ruim. A extinta escola trouxe informação sobre seu enredo, com uma poesia simples e melodia bem lenta. Além deste samba ter sido esquecido, tentando imaginá-lo num desfile atual, com certeza se arrastaria na avenida. NOTA DO SAMBA: 7,8 (Vítor da Comissão).

A gravação ficou esquisita, em alguns momentos os bumbos dão uma 'sobressaída' que até assusta. Sobre o samba, é um tanto quanto arrastado, sem muito brilho. NOTA DO SAMBA: 8,7 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

Unidos de Vila Isabel – "Quatro séculos de modas e costumes" é um dos mais belos sambas da Vila, e só isso já seria o suficiente para se perceber que se trata de um grande samba. Como se não bastasse, é assinado por Martinho (no disco do MIS, ele canta e assina como Martinho José Ferreira), que nos prova que mesmo um enredo sobre moda pode resultar num bom samba, quando este é composto por um gênio. Simplesmente uma obra-prima. NOTA DO SAMBA: 10 (Cláudio Carvalho).

Enquanto Silas de Oliveira resgatava o passado para compor "Pernambuco, Leão do Norte", Martinho olhava para o futuro, prosseguindo na sua missão de revolucionar o gênero samba de enredo. "Quatro Séculos de Modas e Costumes" é aquele tipo de samba simples, irresistível, contagiante, de refrões que colam no ouvido... Sem ser bobo, oba-oba ou apelativo. Interessante como as escolas que mais revolucionaram o carnaval, como o Império Serrano e a Vila Isabel, hoje tem fama de tradicionais... Enfim, mais um belo samba da Vila. NOTA DO SAMBA: 9,8 (João Marcos).

Outro samba primoroso de Martinho (o mestre emprestou o seu talento para a faixa da MIS), o seu segundo samba para a escola. Parece que o cantor está narrando um desfile de modas, cujos desfilantes são de todas as épocas. Você pode reparar isto no refrão "Lá vem o negro/Vejam as mucamas/Também vem com o branco/Elegantes damas". A melodia é muito bonita, com várias variações interessantes. Belo momento da Vila Isabel no primeiro Grupo! A agremiação ganhava muito destaque no carnaval e Martinho revolucionava o estilo de samba da época. Curiosidade: na regravação de Martinho para a Coletânea Sony, o primeiro verso foi modificado. O original "A Vila tece colorida" foi trocado por "A Vila tece em cores". NOTA DO SAMBA: 9,7 (Gabriel Carin).

Um ótimo samba. A primeira parte é muito boa, mas acredito que o bis a estraga um pouco, ficando demorada. O refrão central é muito bom, como todo o resto. A minúscula segunda parte me agrada muito também. Mas nada como refrão principal, que é excepcional. Ótimo samba das escola de Zé Ferreira. NOTA DO SAMBA: 9.9 (Vitor Ferreira).

Terceira melhor obra do ano e grande consagração para o compositor Martinho da Vila. Samba Antológico, com certeza jamais será esquecido pela comunidade da Vila Isabel. NOTA DO SAMBA: 9,0 (Vítor da Comissão).

Salve Martinho da Vila! "Quatro Séculos de Modas e Costumes" é o meu samba preferido dos anos 60. Três refrões magistrais (meu preferido é o do meio 'la vem o negro...'). Sem mais, obra-prima do carnaval! NOTA DO SAMBA: 10 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

Mocidade Independente – No inicio da faixa, um show da bateria de Mestre André, que, ao lado dos Unidos de São Carlos, ajudava a consagrar o melhor do ritmo carioca. "Viagem pitoresca através do Brasil" é um samba de melodia bastante rica, permeada por notas longas, que servem para entoar versos pautados por um lirismo bem característico dos sambas de outrora. Samba de Tião da Roça e Djalma Santos (não é o jogador). Um dos pontos fortes da safra. NOTA DO SAMBA: 9,6 (Cláudio Carvalho).

O samba da Mocidade tem variações melódicas interessantes e conta bem o enredo. No entanto, a letra é demasiadamente grande e os refrões não colam nos ouvidos. Além disso, a obra possui inúmeros erros técnicos, principalmente de métrica, com versos longos demais, atrapalhando o canto dos componentes. NOTA DO SAMBA: 8,1 (João Marcos).

A bateria de Mestre André era realmente espetacular! No disco da MIS, ela fica dando um showzinho durante quase a metade da faixa! Só pára de fazer o espetáculo lá pros dois minutos da gravação, quando o coro começa a entoar o samba. O samba da Mocidade é lindíssimo! Mais uma vez, a péssima qualidade da gravação é um golpe muito baixo contra a escola da Vila Vintém. A melodia da obra é muito envolvente, um lirismo incrível! O refrão "Glórias.../A esta bela viagem sua/Pois existem até hoje em Munique/Lindos quadros retratados em pinturas" é um dos mais emocionantes que a Mocidade já teve. A letra conta muito bem o tema, que em certos momentos lembra o samba da Imperatriz de 1969, "Brasil, flor amorosa de três raças". Lamento mesmo a sua ausência na Coletânea Sony, visto que a obra é um primor e representaria muito bem os anos 60 no CD. Espero que os bambas se lembrem com mais carinho deste samba espetacular. Só pra constar: o Salgueiro desfilou em 1959 com um enredo igual a este ("Viagem pitoresca através do Brasil"), só que falava de Debret e não de Rugendas. NOTA DO SAMBA: 9,8 (Gabriel Carin). 

A faixa começa com um show da bateria... mas é muito longa, acaba ficando chato. A primeira parte eu gosto bastante. O refrão central é típico dos anos 60, com um verso de uma palavra e os outros 3 grandes. A segunda parte é boa. O outro refrão central é a melhor parte do samba. O refrão principal não me agrada muito, não. Um bom samba. NOTA DO SAMBA: 9.3 (Vitor Ferreira).

Obra muito difícil de memorizar e cantar, por ser muito grande. Naturalmente, é dificil ouvirmos alguém lembrar desta obra. NOTA DO SAMBA 7,7 (Vítor da Comissão).

A letra tem trechos bem simplórios, e uma excessiva repetição do nome de "Rugendas" (5 vezes). Boa melodia, mas nao é das melhores obras da excelente coleção de Padre Miguel. NOTA DO SAMBA: 8.8 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

Salgueiro – "Dona Bêja – A feiticeira de Araxá" é um samba de letra bastante rebuscada e melodia rica, porém demasiado dolente. Trata–se de um legitimo representante do chamado samba–lençol (que cobre todo o enredo), tão comum na época. Uma formula consagrada por Silas de Oliveira e que foi perdendo espaço com o advento de "Pega no Ganzê", de Zuzuca. Boa faixa. NOTA DO SAMBA: 9,7 (Cláudio Carvalho).

Aurinho da Ilha, parceiro maior de Didi na União da Ilha, emplacou essa belíssima composição na escola "nem melhor, nem pior, apenas diferente", em 1968. O samba é tão bem construído que a gente até esquece que ele não possui refrões. Conta o enredo de forma brilhante, detalhada, poética. A melodia é única. Um samba como não se faz hoje em dia, principalmente depois do "Efeito Ita". NOTA DO SAMBA: 9,2 (João Marcos).

O melhor samba do ano (supera por muito pouco o "Sublime Pergaminho")!!! Pra falar a verdade, melhor do ano é pouco. Tá bem: o melhor samba-enredo da história do Salgueiro! Sua melodia merece um prêmio pela emoção inesquecível. Passa todo um sentimento maravilhoso para o ouvinte, algo que a gente jamais vê em um samba de hoje em dia. A melhor obra de Aurinho da Ilha, que compôs também clássicos como "História da Liberdade no Brasil" (Salgueiro-1967) e "Domingo" (União da Ilha-1977). Está com certeza no meu Top 10 dos melhores sambas-enredo da história. Você não precisa nem prestar atenção na letra da obra que o sentimento passado pela melodia já propaga a paz em sua mente. As variações são muito complexas, nem parece que é um ser humano comum que fez samba. Hoje em dia, a gente não vê um samba deste (as obras que se aproximam ao máximo desta são os sambas da Beija-Flor). Quando a gente acha que a melodia complexa dos versos vai "repousar", surge outra variação extraordinária. Vocês podem notar isso que eu disse quando acaba lentamente a parte "Mas antes, com seu trejeito feiticeiro/Traz o Triângulo Mineiro/De volta a Minas Gerais" e de repente, surge outros potentes versos "E até o fim da vida/Dona Beija ouviu falar/E seu nome figurar/Na história de Araxá". Mas, mesmo assim, é muito difícil um ouvinte não se encantar pela letra esplendorosa deste samba. Pra falar a verdade, essa obra não tem letra, tem poema!!! A introdução ("Certa jovem linda, divinal/Seduziu com seus encantos de menina/O Ouvidor Geral/Levada a trocar de roupagem/Numa nova linhagem/Ela foi debutar") dispensa comentários. Imagina o que Ana Jacintha deveria sentir ao pelo menos ler o trecho "Ana Jacinta, rainha das flores/Dos grandes amores, dos salões reais/Com seus encantos e suas influências/Supera as intrigas/E os preconceitos sociais"!!! Ainda há o endeusamento (pasme) exagerado que Aurinho faz na parte "Era tão linda, tão meiga, tão bela/Ninguém mais formosa que ela/No reino daquele Ouvidor/Ela com seu trejeito reticente/Fez um reinado diferente/Na corte de Araxá/E nos devaneios da festa de Jatobá". Acho que falei do samba inteirinho neste comentário. Sua ausência na Coletânea Sony é um absurdo daqueles. Se você desconhece esse sambão, ele está disponível aqui no Sambario na voz do mestre Jamelão, numa regravação de 1975. A obra já era boa, mas na voz dele ficou imortalizado para sempre na nossa discografia de sambas-enredo! Sabe qual será a minha nota??? NOTA DO SAMBA: 10 (Gabriel Carin).

Sem comentários! O melhor samba da história do Salgueiro, com certeza absoluta. Tudo é excelente, não tem o que pôr, nem o que tirar... Apesar de, às vezes, a letra enganar um pouco, pois conheço esse samba já faz um tempinho e às vezes acabo pulando partes... A minha única dúvida é sobre o primeiro verso, que no disco é entoado assim: "Certa índia linda divinal" e em todas as outras regravações é assim: "Certa jovem linda divinal". Alguém poderia responder porque mudaram??? NOTA DO SAMBA: 10 (Vitor Ferreira).

Linda, perfeita em melodia (apesar de ser arrastada, na época era uma característica muito forte) e poesia também perfeita. Pena que o canto seja difícil. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Vítor da Comissão).

Samba de boa melodia, porém com 'esquisitice' na letra. A palavra 'trejeito' usada duas vezes, de uma maneira nao muito feliz, acaba desqualificando um pouco a obra na minha opinião. Porém é um bom samba, caracteristico da época, descreve bem o enredo. NOTA DO SAMBA: 9,1 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

Império da Tijuca – Outra faixa de melodia bastante dolente, "Homenagem a Portinari" é um dos clássicos de Mário Pereira, o Marinho da Muda, que o canta no LP do MIS. Destaque para a bela performance da bateria da escola, um dos melhores conjuntos do carnaval carioca da época. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Cláudio Carvalho).

Samba-lençol belíssimo, um dos melhores da agremiação. Ganhou uma bela gravação no LP do MIS de Marinho da Muda (a voz dele lembra bastante a de Jurandir da Mangueira). Para falar a verdade, é a melhor gravação do disco. Tem variações maravilhosas e rimas perfeitas. A bateria do Imperinho é uma das mais qualificadas da época. O samba-enredo é uma bibliografia perfeita de Portinari. A obra tenta fazer do homenageado um Deus. Quem ouve essa obra-prima, pensa que o pintor é um Betinho da vida, ajudando os pobres e lutando pelos direitos da população. A introdução "Verdes campos da minha terra/Florescem, para inspirar.../Livre canto da minha terra/Canto forte, para exaltar/Do azul celestial/A beleza pictórica do mural" é maravilhosa. Outra parte belíssima é quando fala do pintor na ONU. Qualquer um pode ficar comovido somente lendo os seguintes versos: "Nos cafezais, no algodoeiro/Na procura eterna, o garimpeiro/Pintou, com poesia/A força que no agreste se fazia/Nosso chorar, nosso sorrir/Na tela e gigantescos murais.../Foi o primeiro a colorir/Nossos problemas sociais". Um primor sensacional!!! Parabéns ao Imperinho e a Ailton Furtado e Marinho da Muda por essa obra-prima! Uma pena que não tenha tanta fama quanto outros sambas do mesmo ano, como "Sublime Pergaminho" ou "Quatro Séculos de Modas e Costumes". Merece sim uma regravação! Cairia muito bem na voz de Martinho da Vila. NOTA DO SAMBA: 10 (Gabriel Carin).  

Concorre acirradamente com o samba do Salgueiro pra ser o melhor do ano. É maravilhoso, o melhor samba-enredo do Império da Tijuca. O único senão é o refrão, que poderia ser um pouco maior, mas tirando isso, é perfeito. NOTA DO SAMBA: 10 (Vitor Ferreira).

Samba esquecido, mas Portinari não poderia receber um samba mais belo em sua homenagem. NOTA DO SAMBA 8,5 (Vítor da Comissão).

Samba poético e dolente, que faz uma bela homenagem a Portinari. Tem alguns 'remendos' na letra, mas se trata de um bom samba. NOTA DO SAMBA 9,1 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

Unidos de Lucas – "Sublime Pergaminho" é o samba mais famoso do Galo de Ouro da Leopoldina. Regravado por vários artistas, dentre eles Martinho da Vila, trata–se de uma obra-prima do gênero, que quase foi reeditada pela vermelho e ouro em 2005. Como os tempos são outros, optou–se por "Mar Baiano em Noite de Gala", outro clássico. Seria suicídio levar um samba-lençol para a avenida, com pouco mais de meia hora para se apresentar. Mas, que ia ser bonito, ia, sem dúvida nenhuma. NOTA DO SAMBA: 10 (Cláudio Carvalho).

Um samba emocionante, de letra poética, claramente dividido em duas partes - uma primeira mais triste, mostrando o sofrimento do escravo, desde o navio negreiro até o cativeiro; na segunda parte, com a abolição da escravidão, letra e melodia se casam de tal forma que a canção se torna uma verdadeira celebração da liberdade, representada e esculpida de forma espetacular no refrão final. É impressionante como estas duas partes são ligadas, como o samba vai ganhando força aos poucos, evoluindo até chegar ao clímax no final. "Sublime Pergaminho" é a grande contribuição da escola para o carnaval carioca e o grande samba de 1968. NOTA DO SAMBA: 10 (João Marcos).

Um clássico do carnaval, eleito por muitos o melhor samba de 1968 e até de todos os tempos! A Unidos de Lucas conseguiu sua melhor colocação (quinto lugar) com este maravilhoso samba de Carlinhos Madrugada, Zeca Melodia e Nílton Russo e com o trabalho genial de Clóvis Bornay como carnavalesco. Foi puxado na avenida por Abílio Martins. Narra com grande perfeição o sofrimento dos negros na primeira parte. Aos poucos, ao decorrer da obra, essa dor vai "sarando" e a cada anúncio de revogação das leis, você sente o samba muito mais otimista. A obra cresce ao decorrer de cada verso. É uma verdadeira aula de História sobre a abolição da escravatura! Os versos "Iludidos com quinquilharias/Os negros não sabiam/Ser apenas sedução/Para serem armazenados/E vendidos como escravos/Na mais cruel traição" mostram perfeitamente a revolta dos negros com ilusão dos escravagistas, que alegavam o Brasil ser um paraíso perfeito para viver. Mal sabiam os africanos que era mentira e que viriam para o Brasil para serem escravizados! Já no Brasil, eles se uniam para tentar se libertar da mão-de-ferro dos brancos ("Formavam irmandades/Em grande união/Daí nasceram os festejos/Que alimentavam os desejos de libertação"). "De repente, uma lei surgiu" a favor dos torturados escravos (a partir do refrão central, o jogo começa a virar). Primeiro veio a Lei do Ventre Livre ("E de repente uma lei surgiu/Que os filhos dos escravos/Não seriam mais escravos do Brasil"), depois a dos Sexagenários ("Mais tarde, raiou a liberdade/Daqueles que completassem/Sessenta anos de idade"). Foram aparecendo outras leis e os negros ganhavam cada vez mais forças. Até que a Lei Áurea foi assinada ("O sublime pergaminho/Libertação geral/A princesa chorou ao receber/A rosa de ouro papal"). Toda a nação abolicionista comemorava esse feito extraordinário ("Uma chuva de flores cobriu o salão/E um negro jornalista/De joelhos beijou a sua mão"). A notícia do fim da escravidão corria chão, até o Brasil se tornar de vez o último país a acabar com a escravatura ("Uma voz na varanda do paço ecoou/Meu Deus, meu Deus/Está extinta a escravidão"). Como eu disse antes, toda a história da abolição da escravatura foi contada neste fantástico samba-enredo. Assim como "Navio Negreiro" (1957), "Ilu Ayê" (1972), "100 anos de liberdade ou ilusão" (1988), entre muitas outras obras, este samba é um hino a favor dos injustiçados negros brasileiros e um delírio para os bambas. NOTA DO SAMBA: 10 (Gabriel Carin).

Sambaço, com todas as letras. Um dos melhores de todos os tempos. A primeira parte é maravilhosa. O refrão central é de excelente qualidade. A segunda parte é um pouco mais leve que a primeira e é de intenso agrado. O refrão principal é, na minha opinião, a melhor parte da obra. O melhor samba-enredo do Galo de Ouro da Leopoldina, junto com "O Mar Baiano em Noite de Gala" (1976). NOTA DO SAMBA: 10 (Vitor Ferreira).

Melhor samba do ano. NOTA DO SAMBA: 9,5 (Vítor da Comissão).

Samba dolente, de letra descritiva, porém muito rica, e uma deliciosa melodia. Obra prima do carnaval! NOTA DO SAMBA: 10 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba

Portela – "Tronco do Ipê", samba de Cabana, é um dos menos conhecidos da Portela, mas nem por isso ruim. Trata–se de um hino que mantém as características da época: letra grande, bem explicada e melodia dolente. O interessante da faixa é notar que a bateria da Portela mantém, desde os princípios, as mesmas características: uma bateria pesada, onde se destacam os surdos, sobretudo o de terceira, mais frouxo. É um conjunto dos mais tradicionais, que favorece o canto do puxador, e que, em alusão a orquestra Tabajara de Severino Araújo, foi considerado a Tabajara do Samba. A bateria da Portela bate para Oxossi, e por isso também é conhecida como "Os Tambores de Oxossi". Atualmente, ela é dirigida por Mestre Marçalzinho, filho do lendário Mestre Marçal e neto de Marçal pai, saudoso bamba do Estácio. Marçalzinho que, após anos de "exílio" na Vila Isabel, está de volta à escola, fazendo o que melhor sabe, para felicidade geral da nação portelense. NOTA DO SAMBA: 9,4 (Cláudio Carvalho).

Um dos piores sambas da história da escola. Cabana, autor de inúmeros sambas da Beija-Flor no período pré-Joãozinho Trinta, assina este boi com abóbora. Talvez influenciados por Silas de Oliveira, que tinha cultura e um vocabulário rico, utilizando isto em suas composições, os compositores, muitas vezes, colocavam palavras cujo sentido desconheciam para tornar suas obras mais impressionantes. É o caso deste samba, cuja letra não diz coisa com coisa. Basta examinar este trecho: "Escrita por José de Alencar / Grande vulto de valor excepcional / Orgulho da literatura nacional / Tronco do Ipê / É o ponto culminante desta estória / Onde o pai Benedito fazia feitiçaria (...)". O que é orgulho da literatura nacional? José de Alencar ou o Tronco do Ipê? O tronco do Ipê é o ponto culminante de que estória - do José de Alencar ou da feitiçaria do pai Benedito? A letra cheia de ambigüidades, combinada com uma melodia mal resolvida tornam este samba intragável... NOTA DO SAMBA: 6,7 (João Marcos).

Depois de uma sucessão de obras-primas, vem esse samba chatíssimo, extremamente enjoativo. Considero “Tronco do Ipê”, nada menos que O PIOR SAMBA-ENREDO DA HISTÓRIA DA PORTELA!!! Acho pior, inclusive, que o tão criticado “Mulher à Brasileira”, de 1978. O compositor desse boi-com-abóbora é, por incrível que parece, Cabana, o mesmo autor das obras-de-arte "Peri e Ceci" (Beija-Flor-1963) e "Ilu Ayê" (Portela-1972). Sua letra fala, fala, fala e não diz absolutamente nada. Ou seja, a maior parte da obra não aborda coisa alguma sobre o enredo. Até os "Ô ô ô" e os "lalalaraiá" são fracos. Do nada, o samba solta uns versos mal-feitos com os nomes dos personagens constados na história. O compositor poderia se aprofundar muito mais ao falar de cada um deles e uma introdução decente cairia muito bem. Mas creio que ele preferiu passar a maior parte do samba falando que "Tronco do Ipê" é uma grande obra-prima da literatura, que José de Alencar era um gênio, etc., num blá-blá-blá inútil. O trecho "Muito importante e também de emoção/Foi quando Alice caiu no boqueirão" é uma esquisitice só. Parece até que cair num boqueirão é algo muito emocionante. Nos versos "Mário num esforço sobrenatural/Consumou a sua salvação" nota-se que o autor quer chamar atenção por usar palavras difíceis, mas que não fazem sentido algum, pois Mário não usou nenhum esforço sobrenatural pra "consumar a salvação" (ou melhor dizendo, salvar) Alice. A melodia também é muito mal-construída, alternando entre notas demasiadamente alongadas e versos cantados com muita rapidez. Tudo isso combinado a um refrão forçado, de letra e melodia intragáveis. Enfim, o pior samba do ano, sem dúvida alguma! Curiosidade: "Peri e Ceci", outro samba de autoria de Cabana, também é um romance de José de Alencar, tal como "Tronco no Ipê", mas é óbvio que esses dois sambas nem dão para serem comparados. NOTA DO SAMBA: 3,4 (Gabriel Carin). 

Gosto desse samba. Não é uma obra-prima, mas me agrada, acho que é por ser rápido e alegre. A primeira parte é muito boa. O lárárá é maravilhoso. A segunda parte também é muito boa, alegre, melhor que a primeira. O ôôô também me agrada bastante, bem como "Oh, que maravilha / Na casa grande todos dançando a quadrilha". É um bom samba, com cara de anos 70. NOTA DO SAMBA: 9,2 (Vitor Ferreira).

Só não lhe darei o título de pior samba da Portela, porque em 2000 e 2001 a escola conseguiu trazer coisa pior. Considero Cabana um bom compositor, mas não conseguiu acertar na melodia, apesar de a poesia ser razoável. NOTA DO SAMBA: 7,4 (Vítor da Comissão).

Samba de letra e melodia ruins! O "la la la la la" que fecha a primeira parte do samba é de doer! Destaque para os pratos, que se sobressaem na faixa. NOTA DO SAMBA: 8.0 (Eduardo). Clique aqui para ver a letra do samba